Avançar para o conteúdo principal

Diáspora da "integração ou morte" com o coração em Timor

Há quase uma década que duas diásporas timorenses convivem em Timor ocidental: a dos que gritavam "independência ou morte" e a dos que mataram pela "integração ou morte".

Caetano Guterres, cônsul de Timor-Leste em Kupang, no Timor indonésio, consegue compreender ambas as comunidades, até porque os autonomistas "também têm o coração lá".

"Uns diziam, em tétum, 'mate ga moris ukun rasik an'. Outros respondiam, em indonésio 'hidup atau mati untuk integrasi' ou 'autonomia'. Para os dois lados, era até à morte. Eu fui militar e sei como é", diz.

Para o cônsul, fundador das Falintil, ex-guerrilheiro e ex-prisioneiro na Indonésia, "é preciso ver o elemento emocional dos irmãos que quiseram a integração".

"Quando nós acreditamos numa causa, oferecemos tudo o que temos e lutamos com todos os meios. Em 1999, os timorenses que defenderam a autonomia já tinham provado o fruto de 24 anos de integração", acrescenta.

"Consideraram que o território sob integração era deles. Houve um referendo, sob influência internacional. Eles perderam e não aguentaram".

Caetano Guterres, natural de Afaloicai, no sopé do Monte Matebian, no leste, é tio de Eurico Guterres, natural de Uatolari, também no distrito de Viqueque, e ex-comandante da milícia Aitarak de Díli em 1999.

O cônsul dá o exemplo do seu sobrinho quando fala de "arrebatamento" e da "natureza humana" de defender aquilo que considera como seu.

"Os autonomistas tinham o direito político e o direito democrático de escolher a via que achavam melhor para o seu futuro", diz.

Eurico Guterres, suspeito de responsabilidade directa no massacre da residência de Manuel Carrascalão em 17 de Abril de 1999, foi absolvido em Abril de 2008 pelo Supremo Tribunal indonésio e saiu em liberdade.

O ex-comandante da Aitarak foi absolvido porque a formação da sua milícia em 1999 foi ordenada pelo então governador da província de Timor-Leste, ele próprio libertado em 2004 após decisão em recurso.

Caetano Guterres, como cônsul e não como membro da resistência, tem que lidar diariamente com a diáspora dos que cometeram crimes em 1999 e com a diáspora dos que foram vítimas de crimes graves.

Uns e outros convivem, afinal, nos mesmos campos e nas mesmas aldeias de Timor ocidental.

"Uns estão melhor, sobretudo os funcionários públicos. Outros estão pior, como os que sobrevivem de agricultura ou pequenos trabalhos. Pode vê-los pelos mercados a vender hortaliças ou a conduzir motorizadas", refere.

"Vêm ao meu encontro, choram, dizem-me que gostariam um dia de voltar a Timor-Leste, limpar as campas, plantar a sua várzea. Este é o povo miúdo", espalhado por dezenas de antigos campos e localidades.

Cerca de 15 mil casas foram já entregues pela administração indonésia a cidadãos indonésios de origem timorense, "mas muitos têm medo de, recebendo a casa aqui, já nunca mais poder voltar para Timor-Leste", salienta Caetano Guterres.

Pedro Rosa Mendes, Lusa/AO online
22-07-2008

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Nelson Santos sob investigação

Sobrinho de Manuel Abrantes suspeito de peculato Enquanto houverem senhores como este que e' o objecto do seguinte email Timor nunca sera o paraiso que pode ser. O que se segue e' um documento que deixei no TLN em forma de comentario e que expoem o embaixador Nelson Santos (mais um dos falsos mauberes e neo-fascista da Fretilin) como um usurpador de fundos do povo. O texto que transcrevo mais abaixo e' a traducao para Portugues do original em Ingles de uma comunicacao email interceptada entre o Director Nacional de Administracao do Ministerio dos Negocios Estrangeiros e o seu Ministro, Zacarias da Costa. Espero que o blog O Eca ajude a desmascarar esses senhores corruptos, que sendo do partido historico que alegadamente so defende os interesses do povo mas que na realidade sao sempre os primeiros a roubar ao povo. Faca-se conhecer a todo o mundo se possivel em destaque na pagina principal do blog com a respectiva foto do senhor. “[Veja só esta!!!!!!!!!.....Ouvi dizer que o...

Comandos Timorenses - Rostos (1)

Capitão Chung discursando numa festa de confraternização da Associação de Comandos com os refugiados timorenses no ano de 1978. No palco, estão em primeiro plano o capitão Chung (passou à reserva com o posto de coronel) e ao fundo as crianças do coro Loro Sa'e, dirigido pelo maestro Cornélio Vianey da Cruz. Vicente Guterres, actual deputado do Parlamento Nacional timorense  - e ex-Presidente do mesmo parlamento que renunciou ao cargo em 5 de maio de 2016 - em frente ao Monumento dos Comandos, no Regimento dos Comandos de Amadora. Foto tirada em Maio de 1982. Fez o curso de Comando no 1º turno de 1982.