Depois de um interregno de vários meses retomo a publicação neste espaço para partilhar convosco, caros leitores, a minha preocupação pelo exacerbar de posições - veiculadas por alguma comunicação social e pelas redes sociais 'face' e blogues - de dois dos nossos antigos guerrilheiros que deram a sua vida pela luta de libertação nacional na frente armada e diplomática. Falo da polémica surgida nestes últimas semanas sobre a participação de Mauk Moruk, antigo comandante da Brigada Vermelha (até finais de 1984), na reorganização e reestruturação da Resistência liderada por comandante Xanana. Pelo que conheço de Mauk, esta polémica com o seu antigo comandante-em-chefe, Xanana Gusmão, nunca teria lugar, agora, passados 29 anos de desentendimentos entre os dois relativa à condução da Luta. Mauk sempre quis, desde 90, uma aproximação política a Xanana a bem da Luta pela independência e - depois de conseguida a Libertação - sempre defendeu estabilidade social e política do país. Mauk era incapaz de expor o seu Povo a um novo sofrimento pela ambição pelo poder, pelo que conheço deste antigo guerrilheiro temido pelos, então, soldados ocupantes. Como sói dizer-se 'a política é mutável', o que é hoje, amanhã já não será o mesmo. Contudo, espero que Mauk não tenha mudado ao ponto de querer provocar uma instabilidade política que leve a população a fugir de novo de suas casas e terras à procura de abrigo, como sucedeu no passado muito recente.
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segunda-feira, 4 de novembro de 2013
domingo, 16 de novembro de 2008
Mauk Moruk e seu irmão Comandante L7
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Mauk Moruk: camarada de armas de Xanana na Resistência
(o batalhão operacional da Resistência até quase finais de 1984)
Mauk Moruk era um dos mais prestigiados e temidos (pelos militares indonésios) comandantes da guerrilha timorense até a sua forçada rendição em finais de 1984, motivada pela primeira dissensão grave no seio da Resistência político-armada desde a sua reorganização (1980) por Comandante Kay Rala Xanana Gusmão. Tinha a alcunha de "Anjing Putih" devido à superstição dos soldados indonésios que acreditavam piamente que Mauk era invulnerável às balas e que quando cercado se transformava em um cão branco e se escapava por entre as pernas do inimigo.
Mauk e seus camaradas Kilik e Ologari (e mais um ou dois que não me recordo dos nomes) ousaram desafiar Xanana relativamente à linha orientadora da política a ser seguida pela Resistência: pretendiam regressar a política extremista marxista-leninista, mesmo sabendo que era uma opção fracturante no seio do Povo, destruindo a ainda frágil unidade dos timorenses. A causa próxima da divergência dos dois guerrilheiros, na altura os mais prestigiados e conhecidos, era o cessar-fogo acordado, em 23 de Março de 1983, entre a Resistência e o comando da tropa ocupante. Pensa-se que Mauk teria desconfiado que Xanana teria negociado a capitulação da guerrilha em troca do cargo de governador. Mas não era verdade essa versão que então corria entre os guerrilheiros nas montanhas de Timor. Instalada a desconfiança um dos dois teria de ceder para se evitar o fim da guerrilha pela mão dos próprios guerrilheiros.
Xanana não esteve com meias medidas: um dos dois tinha de sair da cena. Mauk foi forçado a ceder e negociar a sua rendição às tropas inimigas com a mediação dos padres salesianos do colégio de Fatumaca. Quem o defendeu neste 'julgamento' foi Matan Ruak, que o protegeu até a sua rendição, como gratidão por Mauk o ter defendido meses antes quando Ruak fora acusado de traição por ter estado algum tempo em área ocupada no âmbito dos acordos do cessar-fogo.
Mauk rendeu-se com apenas seis dos seus guerrilheiros (eram seus filhos adoptivos e que cresceram e combateram a seu lado). Estes seis guerrilheiros foram mais tarde executados pelos indonésios, escapando apenas o seu comandante Mauk Moruk por este ser demasiado conhecido para o fazerem desaparecer. Aos restantes dos seus homens da Brigada Vermelha Mauk pediu-lhes para permanecerem nas montanhas e passarem a servir sob às ordens de Xanana. E Kilik faleceu de doença nas montanhas.
PS: Mauk Moruk lançou um ataque demolidor a Mari Alkatiri, em 1990, num documento escrito por seu próprio punho. Em resposta às críticas de Mauk, puseram a circular, em Lisboa, no seio da comunidade exilada timorense, um documento de autoria anónima com a assinatura forjada de Mauk Moruk, como sendo dele próprio, a declarar-se colaboracionista dos indonésios, confessando que ajudou a delinear estratégias militares para desmantelar a Resistência armada. Em Lisboa, a partir daquele ano, Mauk Moruk reaproximou-se politicamente de Xanana Gusmão.
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