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O perfil que um político tem que personificar

Um político deve « ser abnegado e entregue à causa pública, humilde, honesto e íntegro, magnânimo e sensato, com formação adequada ao que se compromete atingir ou com capacidade para poder escolher equipas ou individualidades que nisso o possam ajudar e não ter qualquer interesse pessoal a satisfazer para além da defesa dos interesses da comunidade e do país.»
Continuar a ler, no http:www.pauparatodaaobra.blogs.sapo.pt, o artigo de opinião «A mesquinhez e a mediocridade da maioria dos políticos portugueses» de Jorge Cabral.

Vergonha

- Por Luís Campos e CunhaO poder, em sentido lato, é dominado crescentemente por pessoas que não sentem nem têm vergonha.
Há muita gente com vergonha da falta de vergonha que por aí impera. A vergonha é um dissuasor de comportamentos sociais pouco éticos. A falta dela conduz ao "vale tudo", e cada um de nós fica a saber que a simples chamada de atenção pública para um problema não é suficiente. Ou seja, ficamos impotentes perante a falta de vergonha, pois não basta denunciar as situações.
Um dia, em Montargil, uma senhora pobre e de muita idade dizia-me que a sua família eram pessoas de muita vergonha. Foi-me dito há mais de um quarto de século e nunca mais ouvi tal expressão, que não conhecia mas também nunca esqueci. O que ela queria dizer é que, sendo pessoas de muita vergonha, eram pessoas honestas. É a expressão acabada da vergonha como dissuasor ético de quem vive em comunidade.No passado recente, apenas há alguns anos, uma gafe ou apenas um pequeno escândal…

Opinião: «Reprovação zero?»

JOSÉ MANUEL CANAVARRO
Professor universitário

A ministra da Educação anunciou que durante o seu mandato pondera acabar com o insucesso escolar. E que o final do insucesso escolar poderá ser decretado com a impossibilidade de o professor reprovar os seus alunos.

A definição de metas de aprendizagem, do que os alunos devem aprender por disciplina e por ciclo, (re)anunciada pela ministra, é relevante e necessária. Este assunto não deveria ter sido "misturado" com a possibilidade de não se reprovar.

Embora existam países que alcançam bons resultados globais em educação sem terem uma prática de reprovação, o anúncio da ministra da Educação deixa muitas dúvidas e motiva algumas perguntas.

A ministra está a pensar retirar a possibilidade de um professor reprovar um aluno? Durante toda a escolaridade? Apenas nos primeiros anos? Também no ensino secundário? Nas vias profissionalmente qualificantes? Nos CEF?O que acontecerá, neste novo contexto, aos exames nacionais? Continuarão a existir?…

Como se continuam a destruir as escolas portuguesas

José Manuel Fernandes

Os alegados defensores da escola pública são os seus maiores inimigos. Porque não respeitam alunos e famílias.

Estamos na última semana de Julho e há pais a receber em casa cartas a dizerem-lhes que os seus filhos vão mudar de escola. A darem-lhes - teoricamente - a oportunidade de se manifestarem contra essa mudança. E as cartas que são assinadas por entidades cuja designação faz lembrar o gonçalvismo: "comissões administrativas" nomeadas para os novos mega-agrupamentos. Comissões que, formalmente, só entram em funções a 1 de Agosto - mas que já estão a assinar cartas.

Isto que se stá a passar um pouco por todo o país - desde as aldeias remotas do interior a concelhos das duas grandes áreas metropolitanas - não é incompetência e, muito menos, voluntarismo para "fazer andar as coisas mais depressa". Isto que se está a passar e está a desorganizar a vida de centenas , talvez milhares de escolas e de um número incalculável de famílias é apenas a ma…

Justiça e cama

Nos anos 90, quando o secretário de Estado da Saúde, Costa Freire, foi preso preventivamente e mais tarde condenado, por corrupção, a meia dúzia de anos de cadeia - uma amigo crédulo e optimista teimou em ver neste caso o início de uma nova era: a Justiça, finalmente, iria perseguir os crimes de colarinho branco sem olhar a quem. A História, de resto, dava-lhe parte da razão: nunca se tinha visto um ex-governante sentado no incómodo banco dos réus. A seguir, foi a vez do governador de Macau, Carlos Melancia, experimentar o mesmo desconforto - e o meu amigo, até aí generoso no crédito que dava à Justiça, começou a ficar desconfiado. O engenheiro foi absolvido. Dois juízes, com voto de vencido do presidente do colectivo, entenderam que os ex-governador não recebeu 50 mil contos para favorecer uma empresa alemã na construção do aeroporto de Macau - enquanto outros três juízes, numa sala ao lado, condenavam um grupo de senhores pelo criminoso pagamento ao engenheiro Melancia: até ficou pr…

De Ataúro

Belloi, Timor-Leste. - A ilha de Ataúro, última porção de Timor-Leste sob domínio português até poucos dias antes da invasão indonésia em 1975, tem os contornos de uma gota de água e talvez a área da ilha Graciosa, nos Açores. Vivem aqui cerca de nove mil pessoas, que falam tétum e uma outra língua local, nas montanhas, com vários dialectos.

Vivem aqui duas missionárias brasileiras protestantes, uma baptista que fala tétum com sotaque de Minas Gera, a outra calvinista e oriunda da Paraíba. Faço a esta uma pergunta com rasteira: como decidiu vir para aqui? A missionária, que acredita na doutrina da predestinação, não se deixa enganar: não decidu vir, diz-me, orou e Deus permitiu que ela viesse.

Uma minidelegação da Assembleia da República de Portugal, chefiada por Jaime Gama, e acompanhada pelo embaixador de Portugal em Díli, veio a Ataúro numa brevíssima visita. Eu fiz-me convidado para vir também. Eles tiveram a simpatia de me aceitar.

As águas límpidas e, em torno da ilha permitem ver …

Num país mais do que viável

Díli, Timor-Leste. - Os pessimistas estão sempre em vantagem. Se as coisas correm mal, ganham porque tiveram razão. Se as coisas correm bem, ninguém se lembra que eles erraram; todos sentem que ganharam, e eles ganham também. Os optimistas estão sempre em desvantagem. Se as coisas correm mal, perdem mais ainda por terem tido a imprevidência de ser optimista. Se as coisas correm bem - bem, então nesse caso toda a gente se esquece que eles acertaram, ninguém pensa mais no assunto, toda a gente sente que ganhou - e os optimistas, no máximo, empatam.

Aqui em Timor-Leste, as pessoas dão-se ao luxo de estar optimistas, dos yuppies engravatados das embaixadas aos hippies desgrenhados das ONG, todos me dizem que "Timor-Leste não está nem sequer perto de ser um Estado falhado". Acima de tudo, são os próprios timorenses de todos os tipos, do Governo à oposição e da universidade ao campo, que nos fazem pensar que Timor-Leste esta bastante melhor do que simplesmente não ser um Estado fal…

José Ramos-Horta

O Presidente da República de Timor sabe que a Justiça e a História nem sempre caminham lado a lado. Sabe ainda que é perigoso reabrir feridas como a que a ocupação indonésia deixou em Timor. Por isso, Ramos-Horta insurge-se contra os que querem julgar os indonésios. Porque tem a certeza de que a paz é o capital mais precioso para o futuro do seu país.
Público (29 Agosto 2009)

O Cheque-Boi

No Brasil, há uma expressão alternativa para cheque careca. Diz-se cheque-boi porque, quando se recebe um desses papelinhos e se desconfia da cobrança pensa-se, qual bovino,"Mmmm", que é como quem diz "aqui há gato". A proposta do PS de oferecer 200 euros a cada recém-nascido não é um cheque-bebé. É um cheque-boi. Espanha, por exemplo, atribui 2500 euros e muitos países europeus superam esse valor. Estes 200 euros, que não dariam nem para fraldas, ficarão no banco até o jovem ter 18 anos (aí receberá 500 euros), como se a preocupação dos pais não fosse no pós-parto mas quando a criança atinge a maioridade. É com este bom senso que o PS prefere esse cheque à melhoria da rede pública de infantários ou um abono de família mensal de nível europeu (150 euros).

Já a banca arrecada 200 euros por cada nascimento. Anualmente, corresponde a 150 milhões. Ao fim de dezoito anos, os zeros da quantia não cabem nesta crónica. O que parecia uma política social é, afinal, um financi…

O delico-doce

Morangos com Açúcar

Serve o título de uma das mais longas séries juvenis da história da ficção portuguesa para ilustrar o que esta semana todos comentam. A mudança de estilo de José Sócrates. Que muitos esperam genuína mas tantos outros (sobretudo na oposição, mas também no PS quem suspeite) a atribuem ao que dizem ser o "o talento do primeiro-ministro para a sétima arte". Digno, portanto de actor.
E o recurso a esta série, por sinal da TVI, ocorre na sequência de um diálogo de sete minutos entre Sócrates e os jornalistas, à saída do debate da moção de censura. Podia ter acontecido naquela série. Tom pedagógico, paciente, disponível.

No início da semana, na comissão política do PS, os jornalistas já tinham dado pelo "doce" sabor da derrota. Falou à entrada para a reunião, decepcionado e humilde, quatro horas depois, novamente disponível: "Querem fazer perguntas? Façam favor..."

Confirmou-se ali, no Parlamento, que Sócrates quer passar essa imagem. À primei…

O animal feroz ferido

O animal ferido

Depois das europeias e com a maioria em risco, o animal feroz é hoje um animal ferido. Basta olhar para a telenovela TGV. O projecto era fundamental para o futuro do País? Com certeza. Mas Sócrates não tenciona perturbar os portugueses nas vésperas das eleições. Depois das eleições, o novo Governo que decida. As palavras de Sócrates podem agradar à Oposição e ao Presidente da Repúbica. Podem até agradar ao próprio Sócrates, que assim acredita afastar o tema da campanha eleitoral. Tristes enganos. O gesto de Sócrates mostra apenas um político receoso, disposto a trocar as suas convicções pelas mais básicas ambições. E, ironia maior, revela também a inépcia estratégica do senhor: ao adiar o TGV para adiar um problema, Sócrates apenas o torna mais gritante. A partir de agora, votar Sócrates é votar no TGV. A campanha segue dentro de momentos.

JOÃO PEREIRA COUTINHO, colunista
do CORREIO DA MANHÃ (20/06/2009)

7J - a data do atentado eleitoral contra o PS

«Se há coisa que ficou clara na derrota confrangedora do PS para baixo da barreira mítica do milhão de votos [946.318] foi que, mais do que políticas, José Sócrates tem de mudar a forma como as elege, como as comunica e a imagem do seu governo sempre que justifica. A governação para as estatísticas (na saúde, na educação, na segurança) e a governação show off (glosando medidas que valem por si, como o Magalhães) não valem em nada quando milhares perdem o emprego diariamente ou vêem as sua empresas fecharem. Sócrates devia ter dado ouvido a Cavaco e transmitido a verdade dos factos e da crise de forma clara, mandando calar os ministros que insistem em vender ilusões. O que os eleitores puniram acima de tudo nestas eleições europeias - que os portugueses continuarão a desvalorizar enquanto figuras como José Lello as considerarem "a feijões" (dixit, DN, 11 de Junho) - foi uma certa forma de fazer política. Foi a arrogância do ter sempre certezas sem admitir qualquer discussão (…

Medina Carreira: o estado da Educação

Vale a pena ler e analisar este excerto da entrevista de Medina Carreira, antigo Ministro das Finanças do PS, a Rádio Clube e Correio de Manhã, domingo, 3 de Maio, sobre a sua visão relativa a actual estado da Educação.
LC – Mas o principal factor, os salários baixos, não era o ideal.
- Mas o ideal do ponto de vista da mão-de-obra não é este que se prega aqui. Nós para termos uma mão-de-obra que ganhe bem temos de ter outra escola. Nós não podemos andar a formar analfabetos e depois dizermos para arranjarem empregos bons a esta gente. A gente tem de ir à escola.
ARF – Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?
- Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.

LC – Mas é preciso que a escola seja boa.
- Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e qu…

Educação: cinco reflexões de Medina Carreira

1. «A educação em Portugal é um crime de "lesa-juventude". Com a fantasia do ensino dito "inclusivo", têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida àqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?»

2. «Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada! »

3. «Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina. Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram[-lhe]:

Opinião: avaliação do desempenho da ministra

Avaliadora avaliada

Porque a realidade excede os meus dotes ficcionais, esta Ficha de Avaliação da Doutora Maria de Lurdes Rodrigues, Ministra da Educação, assenta nos critérios seguidos pelo seu Ministério incluindo a terminologia usada na avaliação de docentes, o número de alíneas e a bitola de classificação.

Níveis de Pontuação: Mínimo 3, máximo 10.

A - Preparação e execução de actividades.

A - 1 Correcção científico-pedagógica e didáctica da planificação.

Classificação obtida - Nível 3

(Não efectuou as reformas previstas no Programa do Governo por falta de trabalho preparatório. As cenas de pugilato, luta greco-romana e intimidação por arma de fogo simulada nas áreas que lhe foram confiadas vão originar um aumento significativo da despesa pública com a contratação à Blackwater - por ajuste directo - de um mercenário israelita por cada sala de aula e dois nas salas dependentes da DREN).

A - 2 Adequação de estratégias.

Classificação obtida - Nível 3

(Não definiu linhas de rumo nem planos de …

Opinião: Os conspiradores de serviço? (2)

Vou colar aqui o comentário de um anónimo já apagado na caixa de comentários da postagem «Xanana vem a Portugal? Vade retro! O filho da mãe vai voltar?», da autoria de Mário Motta, dia 30/09, no blogue Timor Lorosae Nação.

Este comentário vem revelar algumas informações sobre a postura de algumas personagens que se colavam a Xanana como se fossem lapas às rochas e que agora não apenas dizem cobras e lagartos do actual PM timorense como andam a montar uma enorme máquina propagandística transcontinental à dimensão da CPLP para destruir a sua imagem (de Xanana) como um dos grandes obreiros da libertação do Timor ocupado.

Aí vai o comentário apagado no blogue Timor Lorosae Nação.

Anónimo disse:
«Este Mário Motta é cá uma peça...

O que eu acho piada é a uma série de gente que andou a "enganar" Xanana e anda ainda.

Quando Xanana veio pela primeira vez a Portugal, pôde ver-se os "abutres" que andavam no seu encalce. Debaixo da Pala do Siza V., no Parquet das Nações viam-se per…

Dando voz aos comentaristas (1)

Um anónimo deixou uma opinião na caixa de comentário da postagem «Opinião: Os conspiradores de serviço?» sobre o encerramento de comentários no blogue TLN - Timor Lorosae Nação e a entrada em serviço de novos operacionais como Filomena Almeida, esposa do ex-Mnistro da Agricultura e último Primeiro-ministro da última maioria Fretilin.


Obviamente que o encerramento das caixas de comentarios no blog TLN deve-se ao fato de os operadores do blog nao conseguirem tomar conta dos anonimos que convincentemente iam refutando a parvoice que por la propalavam.

Os unicos defensores da propaganda (aikurus, etc) tambem nao tinham a bagagem suficiente para o fazer e assim foi mais seguro fechar os comentarios especialmente agora que a Fretilin esta prestes a fazer mais parvoices com a sua planeada marcha da 'paz'.

O interessante e' que agora, com o poder da censura, ja aparecem outros propagandistas como a Filomena Almeida, mulher do ex ministro Estanislau da Silva armada em constitucionalis…

Opinião: Os conspiradores de serviço?

Nos meus habituais passeios matinais por outros blogues, antes de começar a 'cavar batatas' na serra algarvia do Sotavento, encontrei um comentário interessante (que não resisto em transcrevê-lo aqui neste meu humilde blogue para partilhar convosco) no blogue Timor Lorosae Nação, na caixa de comentário da postagem «Xanana vem a Portugal? Que seja muito bem-vindo!», da autoria de Teodora Caetano, comentando a prosa da referida autora sobre a próxima visita do Primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão.

Eis então o comentário:

Anónimo disse...

Pois nem mais... o pessoal do TLN está com o rabo a arder. Adorava estar presente nas diferentes situações da próxima visita de Xanana para ver olhos nos olhos se há a coragem (haverá seguramente pois não vão querer perder a oportunidade), dizia, adorava ver as carinhas de alguns que invariavelmente se irão colar nesta visita.

Tenham mas é vergonha na cara... não são apenas jornalistas, são também doutos professores, doutores da praça... apague…

Ainda o Acordo Ortográfico (3)

Países lusófonos: todos diferentes, todos iguais

Viajando há dias no Metro, ouvi ao meu lado uma acesa discussão sobre o Acordo Ortográfico em que os dois interlocutores, ambos acerrimamente descontentes com o referido diploma, se insurgiam contra o que eles chamavam de “capitulação aos Brasileiros”, “falta de respeito pelos Portugueses”. E mais diziam: “Como é que podem obrigar-nos a falar brasileiro? Por que é que havemos de passar a dizer de fato em vez de de facto?” “Tu não achas que se devia fazer um referendo? Nós é que devíamos decidir!” Nestas e noutras mui doutas barbaridades ocuparam os vinte e tantos minutos que durou o percurso.

Comentemos, antes de mais, estas afirmações que, aliás, com mais erudição, ou mais artificio, se têm vindo a ouvir a gente bem mais ilustrada do que eram, aparentemente, os meus companheiros de viagem. A primeira observação vai para o referendo. Tem alguma graça ouvir falar de referendo a propósito desta questão. Quando algum falante dá um pontapé na…

Eco do Acordo Ortográfico (1)

De volta à Escola

Eliseu Auth

Vai longe o tempo em que apanhei muito para me inteirar das regras do português. Poderia ter aprendido melhor, mas não posso reclamar. Tive bons professores de português, principalmente no seminário. Chegavam a ser chatos, de tanto que exigiam. Escrever errado, não admitiam mesmo. Análise sintática e morfológica tinham de estar na ponta da língua. Concursos de leitura e conhecimento de vocábulos, eram coisas corriqueiras e atividades paralelas à carga curricular. Elas ocorriam, inclusive, durante o almoço, no grande refeitório do internato.

Para completar, tínhamos o Grêmio Líterário Estudantil, com diretoria eleita. Ele promovia sessões solenes, onde ninguém ficava de fora. Ali, nas manhãs de Domingo, apresentavam-se oradores, declamadores, contadores de “causos”, cantores e tocadores de gaita e violão. Numa ou noutra coisa, todo mundo tinha que participar. Como não tenho dom para música, fazia minha parte na falação. Certa vez, em três, declamávamos uma po…