segunda-feira, 18 de junho de 2007

DREN: opinião de Miguel Portas

A educadora de infância

A entrevista que a directora da DREN, Margarida Moreira, deu esta semana ao DN é um monumento de fidelidade à asneira. Orgulha-se a senhora de, no ano passado, ter aberto 778 processos, sendo o do professor Charrua, ‘um deles’. Extraordinário! Margarida Moreira abre mais de três processos por dia e nem descansa ao domingo. Pelo Norte, as coisas estão tão tortas, que não se vê outra solução, senão a de trocar de povo rapidamente. Verdade! A educadora infantil revela que está uma «campanha em curso» contra ela, porque «em dois anos mexeu em muitos interesses». Quais, pergunta a jornalista? «Havia uma coisa sórdida, mafiosa», garante Margarida. Em vários gabinetes de apoio a deficientes, pagavam-se indevidamente subsídios de ensino especial a miúdos que não o eram, apenas porque pertenciam a famílias pobres. Ela acabou com isso: «Reduzimos em milhões e milhões de euros os encargos da segurança social», conclui, orgulhosa. Lê-se e não se acredita. Admito que o Estado não faça vista grossa à lei, só porque quem o tenta enganar seja uma família pobre. Até aí, ainda posso ir, embora o bom senso recomendasse outras prioridades. O que não se entende é que a senhora fale «em milhões e milhões de euros», o que configuraria, na região Norte, uma fraude de dezenas e dezenas de milhares de famílias. E menos ainda que se exiba orgulho pela façanha, classificando-a de «luta sem quartel» aos «interesses». Esta conversa já releva da pura e simples insanidade.

Demência, pois. O inquérito revelará se o comentário do professor Charrua foi insulto ou piada de mau gosto. Mas Margarida Moreira não se limita a dar a sua opinião. Ela define, também, uma filosofia: «numa iniciativa desportiva, se alguém insultar o árbitro, o que é que acontece? E no talho da sua rua, se alguém insultar o patrão o que é que lhe acontece?» OK, ela está sob pressão, a vida não é fácil, e devia ter metido férias. Mas nestes exemplos só se descortina uma lógica razoável: a do arraial de tabefes como justiça informal. Qualquer outra, entupiria de tal modo os serviços de Justiça que lá se iam «os milhões e milhões de euros» recuperados no combate aos «interesses» dos pobres…

A directora reconhece ainda ter despachado seis professores, um dos quais cego. «Por alguma razão obscura?», interroga-se. Não, garante. «Mandei-os embora porque deixaram de ser necessários». Aliás, como se sabe, «há que emagrecer os serviços». É de uma frieza de estarrecer. E revela uma cultura. Não apenas a de sempre, que cultiva a autoridade pelo exercício da força. Revela, principalmente, a moderna, a do socratismo, que manda cortar a direito, sempre e sempre a direito. Em nome do défice, claro…Numa crónica recente, Eduardo Prado Coelho recomendava judiciosamente a Mário Lino que se abstivesse de abrir a boca em público. Razoável. O engenheiro até pode saber de obras, mas no que é mesmo especialista é a cavar a sepultura do Governo. Sucede que, ao pé de Margarida Moreira, o ministro passa por um simples e simpático menino de coro dos presidentes de câmara do Oeste.
Publicação: Saturday, June 16, 2007 8:00 AM por MiguelPortas

Fretilin: contacto "door to door"!

O actual partido governamental Fretilin tem privilegiado, nestas campanhas para as legislativas de 30/6, mais contactos door to door. E nem vão realizar comício de encerramento na capital, Díli.
Em contarpartida, os partidos considerados pequenos (nomeadamente PD, PUN e a coligação ASDT/PSD) têm sido uma boa surpresa nesta campanha; podem alcançar bons resultados a 30/6.
Relativamente aos comícios do CNRT, em cada dia que passa, têm uma participação cada vez maior de eleitores, havendo fortes possibilidades de alcançar maioria absoluta, segundo os observadores políticos no terreno.
Infelizmente, tem havido, nestes últimos dias, violência entre militantes de diversos partidos em Ermera, Haubá e noutras localidades.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Aula de noventa minutos 2

Entendo que se um aluno for convidado a abandonar a aula (vulgo expulso da sala de aula) por indisciplina grave no primeiro tempo de uma aula de noventa minutos o castigo deve estender-se também ao segundo tempo para que a sanção produza o efeito pretendido.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

PS discute 'caso Charrua'

A EURODEPUTADA DO PS Ana Gome escreveu a José Sócrates, pedindo que o Governo intervenha no 'caso Charrua'. Ana Gomes considera que este caso «afecta a sanidade funcional da administração pública e a imagem do Governo e do PS, podendo ainda encorajar uma perigosa deriva autoritária e anti-democrática delação».
Semanário SOL, primeira página, 9 de Junho de 2007

Aula de noventa minutos

A legislação aplicável relativa a absentismo discente preconiza que numa aula de um bloco de noventa minutos (do 3º ciclo e ensino secundário) o aluno pode faltar ao primeiro tempo (45 minutos) e marcar presença no segundo e vice-versa; ou faltar aos dois tempos, tendo duas faltas de presença. Assim, se por indisciplina o aluno for convidado (eufemismo de expulsão) a abandonar a aula no primeiro tempo, ele tem direito de regressar a sala ao segundo tempo, chegando ao absurdo de o aluno regressar de imediato a aula segundos ou minutos após ter abandonado a sala, ou chegando mesmo ao cúmulo de o aluno meter apenas um pé de fora da porta e em seguida retrair novamente o pé para dentro da sala e fechar a porta, sendo para todos os efeitos castigo cumprido, isto se nos ativermos simplesmente à lei e não ter em conta as circunstâncias que originaram o referido "convite" ao aluno do abandono da sala de aula.

Em questões da indisciplina, o legislador deve consultar os professores, que estão na primeira linha de combate e que conhecem melhor (mais que qualquer dito pedagogo de gabinete) o ambiente das escolas, antes de legislar sobre domínios que têm a ver com a indisciplina do aluno e sua respectiva punição. Falo da questão das aulas de noventa minutos porque é a situação com que se depara quase diariamente os docentes, e que para resolver o dito imbróglio o professor (e também a gestão) tem apenas a contar com o seu bom senso, pois a legislação, neste caso concreto, não traduz a realidade no terreno. Pelo que sabemos uma lei deve traduzir a realidade de uma determinada comunidade, prevendo delitos recorrentes e suas respectivas punições, o que não acontece com esta situação. Sou de opinião que a não revisão desta legislação, esta situação, com o tempo, irá minar a autoridade do professor, sendo, em última instância, a autoridade do Estado que é posta em causa, como afirmou um político da nossa praça.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Companheirismo

Xanana, num dos seus vários textos, falou de companheirismo na frente da batalha forjado "sob o fogo do inimigo", que ultrapassa o conceito da simples amizade, pois "forjado" em situações extremas de combate, doença, fome, e que sem a entreajuda e consciência de pertença e protecção de grupo não sobreviveriam. Ao lembrar-me do meu primeiro grupo de professores de língua e culturas portuguesas em terras tropicais, recordação desencadeada por uma postagem de um dos meus colegas desse grupo num outro blogue, senti uma saudade indizível daquele período em que, apesar de contariedades várias, se trabalhou e se construiu algo de bom para esse país e sobretudo se "construiu" também (para alguns, os quais me incluo) o sentimento de pertença, de companheirismo, fortalecido no infortúnio e incompreensão por parte de quem supostamente era mais capaz e que deveria saber emitir directrizes adequadas ao terreno e perfil de nossos alunos.

As legislativas: ponto de situação

Tem decorrido, nos últimos dois dias, sem grande sobressalto a campanha eleitoral para as legislativas de 30/6. O partido de Xanana, o CNRT, depois dos incidentes de Viqueque e Ossú, realizou a sua campanha em Manatuto e Ailéu com grande concentração de massa humana, ao ar livre, e sem incidentes com militantes da Fretilin como aconteceu no distrito de Viqueque, excedendo as mais optimistas expectativas.

Em relação aos restantes partidos, as respectivas campanhas têm decorrido igualmente sem problemas de maior, excepto a coligação ASDT/PSD que tem sido também, nos últimos dias, alvo da fúria extremista de militantes do actual partido do poder.
Relativamente à campanha da outrora toda poderosa Fretilin, os seus comícios passaram a realizar-se em espaços fechados, nomeadamente em pavilhões desportivos, o que era impensável em campanhas eleitorais anteriores para as contituintes, em 2001, e presidenciais, em Abril/Maio 2007!

Entretando, consta-se que o autor do assassínio do segurança do CNRT, em Viqueque, entregou-se à polícia. É uma informação que carece de mais investigação por parte do autor deste blogue.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Novos incidentes em Timor

A caravana da coligação ASDT/PSD foi atacada por elementos extremistas da Fretilin no distrito de Lautém, tendo provocado pelo menos dois feridos. O grande receio do partido ainda maioritário, a Fretilin, é ficar reduzido a uma sombra dos seus 56% conseguidos em 2001 para as constituintes. Por isso, segundo alguns conhecedores da política timorense, a Fretilin tem utilizado todas as "armas" a seu alcance, de contra-informação, 'assassínio de carácter' dos seus opositores à intimidação dos eleitores, para limitar futuros rombos no partido. Teme-se, entre os dirigentes da Fretilin, que o partido pode não atingir sequer uns míseros 20% de votantes no dia 30/6!

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Segurança do CNRT morto em Viqueque

Segurança de Xanana Gusmão abatido a tiro em Viqueque

EPA

A caravana de Xanana Gusmão havia sido atacada ontem à noite, depois de um comício perto de Uatulari onde o ex-Presidente da República foi interpelado pela população

Um "segurança civil" da campanha do Congresso Nacional de Reconstrução de Timor-Leste (CNRT) foi morto durante um comício de Xanana Gusmão em Viqueque, no interior leste do país, confirmaram à Lusa fontes da ONU e do partido do ex-Presidente.

O segurança, identificado como Afonso Kudelai, de Ossú, "foi morto à queima-roupa por um elemento não uniformizado e fora de serviço da Polícia Nacional de Timor-Leste" (PNTL), declarou à Lusa uma fonte oficial da missão das Nações Unidas (UNMIT).

O incidente ocorreu cerca das 16:00 (08:00 em Lisboa).

"O polícia acertou primeiro numa perna e depois deu três tiros na cabeça do segurança", relatou à Lusa, poucos minutos após o incidente, Germano da Silva, um dos organizadores da campanha do CNRT em Viqueque.

"O incidente aconteceu depois de ter havido provocações durante o comício" de Xanana Gusmão em Viqueque, acrescentou Germano da Silva.

"Um sobrinho do Afonso Kudelai foi arranjar uma viatura e foi espancado pelos elementos do grupo que tentou acabar com o comício", relatou o mesmo elemento do CNRT.

"O clima continua tenso" em Viqueque, segundo fonte oficial das Nações Unidas, "e uma unidade das Forças de Estabilização Internacional (ISF) está a chegar ao distrito para controlar a situação".

Segundo Germano da Silva, a caravana de Xanana Gusmão já tinha sido atacada ontem à noite, depois de um comício perto de Uatulari onde o ex-Presidente da República foi interpelado pela população.

"O presidente Xanana conseguiu acalmar os jovens no comício, explicando que devemos resolver as divergências com diálogo e em paz. Mas depois, na estrada, a caravana foi atacada com pedras e seis viaturas foram destruídas", contou Germano da Silva.

A campanha eleitoral para as legislativas de 30 de Junho teve início a 29 de Maio e tanto o CNRT como o partido maioritário FRETILIN escolheram os distritos do leste do país para os primeiros dias de comícios e contactos com a população.

A FRETILIN tem uma forte implantação no distrito de Viqueque, onde o candidato e presidente do partido, Francisco Guterres "Lu Olo", obteve a 09 de Maio mais do dobro dos votos de José Ramos-Horta, que venceu as eleições presidenciais.

© 2004 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.

Fretilin - as legislativas

A Fretilin, actual partido do poder, começou a sua campanha eleitoral para as legislativas de 30/6 no distrito de Viqueque, terra natal do seu presidente Lu Olo, cujos eleitores votaram maioritariamnete no candidato da Fretilin nas últimas presidenciais.

No entanto, há um facto que é legítimo questionar: Os comícios da Fretilin, mesmo nesse distrito, e mesmo com as presenças do seu secretário-geral, Mari Bim Amude Alkatiri, e do seu presidente, Lu Olo, só conseguem mobilizar gente para encher pavilhões, em flagrante contraste com as enchentes de milhares de militantes e simpatizantes, em campo aberto, nos comícios das presidenciais. Em Timor, nos meios políticos, há já quem utiliza este dado para baptizar 'a outrora toda poderosa Fretilin' de "partido do pavilhão" (à semelhança do 'partido do táxi' quando no tempo em que o CDS apenas conseguia eleger quatro deputados para a Assembleia da República)!