quarta-feira, 25 de maio de 2011

Xanana: "A própria ONU precisa de uma grande reforma."

Não resisto em publicar mais um excerto do discurso de Xanana Gusmão - que fala da sustentabilidade e transparência - proferido dia 17/5, no Centro de Convenções de Díli.

«E o Mundo precisa de uma grande reforma. As grandes e pesadas organizações, no mundo, precisam de uma grande e profunda reforma a fim de se proceder a uma limpeza à casa para, deste modo, adquirirem experiência para poder aspirar a limpar o quintal de outros. A própria ONU precisa de uma grande reforma.

Em 2004, eu, enquanto Presidente da República, Dr. Ramos-Horta era ainda Ministro dos Negócios Estrangeiros, fomos em visita à Alemanha. O Presidente alemão solicitou a Timor-Leste para apoiar a Reforma na ONU e a sua candidatura ao Conselho de Segurança. Eu disse ao Presidente alemão o seguinte: "A Reforma na ONU não pode limitar-se apenas a admissão de novos membros ao Conselho de Segurança. Tem de haver mesmo uma reforma, porque a ONU é uma organização muito pesada e burocrática, que gasta muito dinheiro... e todos nós constatámos que a pobreza e os pobres continuam a aumentar no mundo inteiro."

Tem de haver, imperativamente, reforma nas agências - agências essas que recrutam num círculo fechado os seus colaboradores para defenderem, apenas de "boca para fora", padrões e 'standards' que não praticam. Os países poderosos e ricos não podem continuar a impor as suas regras ao resto do mundo. E os países pequenos e pobres não podem calar-se e limitar-se apenas a receber e aceitar passivamente recomendações e palavras ocas que entram nos seus ouvidos.

Em Fevereiro, participei na "Jakarta International Dialogue on Defense". Na minha intervenção, desafiei os participantes, civis e militares, da Europa a Ásia, dos representantes da ONU a África e Médio Oriente, para dizer o seguinte: "Porque é que não procuramos uma via, um caminho para acabar com muitas guerras que gastam, em cada ano, biliões de dólares, para que a comunidade internacional possa elaborar um bom plano [de auxílio] para solucionar a falta de água em regiões áridas, sobretudo em África, para que, deste modo, o dinheiro destinado à guerra pudesse salvar centenas de milhões de pessoas, com verdadeira sustentabilidade?"

Nesta conferência também havia um tópico que se relacionava com transparência relativa a ajudas vindas de fora. Falei, em jeito de provocação, das Agências internacionais que gastam enormes somas de dinheiro [no combate à fome], e, em algumas regiões de intervenção dessas agências, uma vez terminada a distribuição de arroz, elaboram grandes e extensos relatórios dizendo que estão a salvar gente da fome para pedir mais dinheiro a fim de continuarem simplesmente a distribuir arroz.

A somar a isto [transparência], temos sustentabilidade, que, hoje em dia, se tornou em uma palavra cara para alguns "experts" nesta nossa querida terra. Algumas Agências ou ONGs, depois de conseguirem financiamento, vêm realizar algum trabalho e, uma vez esgotado o dinheiro, vêm a correr pedir ajuda ao Governo para não encerrarem as portas. No entanto, todos dias, vêm pregar-nos a sustentabilidade. E, também, aqueles timorenses que se tornaram já "experts" vêm todos os dias pregar-nos a sustentabilidade. Porquê? Porque se não berrarem, os financiadores deixam de lhes dar dinheiro, assim também eles já não têm sustentabilidade.»

domingo, 22 de maio de 2011

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (5)

Mais uma alfinetada a UNMIT: Xanana explica as razões pelas quais vai alongar a sua intervenção.

«Eu ia fazer uma intervenção breve, mas peço licença a V.Exas para falar mais um bocadinho, porque eu, também, li ontem um bom e óptimo documento da UNMIT. Fiquei contente ao ler o "Wikileaks" de Timor ou a "ONUleaks" que o Tempo Semanal divulgou ontem.

A 24 de Janeiro deste ano, a UNMIT fez uma apresentação para o seu staff subordinada ao tema «Governação Democrática em Timor-Leste». Nesta apresentação afirmou-se que Xanana Gusmão é o maior obstáculo ao desenvolvimento da democracia em Timor-Leste. Estou deveras contente porque eles demonstram que não conhecem Xanana Gusmão. E, agora, eu declaro a todos vós, e aproveito para lhes dizer [a UNMIT] também, como, em 2009, respondi à Inteligência australiana quando me questionaram sobre as motivações de compra de navios patrulha à China.

Xanana Gusmão era marxista-leninista enquanto membro do Comité Central da Fretilin que aclamou o Marxismo-Leninismo como ideologia da Fretilin a 20/05/1977, em Laline. Os que participaram, também, naquele evento e ainda vivos são Abel Larisina, Má Huno e Filomeno Paixão.

Se Xanana Gusmão quisesse ser Presidente da Fretilin e Presidente da RDTL, a 3/03/1981, na Conferência da Reorganização da Luta, tinha o caminho livre para ele. E recusou, porque estava mais preocupado em aprender a dirigir a guerra para ganhar a independência. E com a sua influência é que foi escolhido o sr. Abílio de Araújo [para os cargos acima referidos], que se encontrava naquela altura em Lisboa com outros companheiros.

Em Março de 1983, Xanana Gusmão apresentou o Plano de Solução para a Guerra, o qual só em 1999 é que a ONU foi capaz de aplicar.

Em 1986, Xanana Gusmão levou um ano para estudar [e encontrar] a melhor estratégia para conduzir a guerra, o que o levou a sair do Partido Fretilin para poder abraçar todos os outros partidos a fim de abrir caminho para o multipartidarismo. Os companheiros da Delegação da Fretilin no Exterior escreveram-lhe cartas, para o mato, a dizer que não concordavam com esta estratégia e, alguns, até o apelidaram traidor... à revolução... até à data.

A UNMIT e as Agências da ONU esquecem-se que, em 2001, depois de aprovado o Plano de Transição para a Restauração, a 20/05, Xanana Gusmão não se envolveu mais no processo da UNTAET e não se envolveu mais no processo político dos partidos para a eleição da Assembleia Constituinte, retirando-se, a fim de olhar pelos veteranos e ganhar 500 (quinhentos) dólares do Banco Mundial como desmobilizado das Falintil.

sábado, 21 de maio de 2011

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (4)

Este excerto do discurso de Xanana Gusmão tem como destinatário timorenses assalariados da UNMIT com o estatuto de "experts" que influenciaram na redacção do relatório - muito crítico a Xanana, como sendo "obstáculo ao constitucionalismo" - desta instituição divulgado internamente a 24/01/2011.

«Ser cidadão não é só ter o Bilhete de Identidade para poder escolher um partido político e votar nas eleições. Ser cidadão é ter o dever de contribuir positivamente para [o desenvolvimento de] uma Nação.

Pode acontecer que um timorense se afaste deste dever, fazendo desaparecer o conceito de soberania. Esta pessoa, este timorense, considera-se um independente, por isso, para ele, os interesses da Nação já nada valem. Consideram-se independentes porque não é o Estado [timorense] que lhes paga [o salário], mas grandes e enormes Organizações, como, porventura, agências da ONU, das quais podemos também questionar a transparência e o resultado de enormes somas de dinheiro que gastam. A BBC emitiu uma reportagem em que diz que uma Agência da ONU levou biliões de dólares para o Afeganistão para melhorar as condições de vida das crianças, contudo, esgotado esse dinheiro e a Agência sai do Afeganistão, as crianças afegãs tornaram-se ainda mais pobres do que antes [da ajuda desta Agência da ONU]. »

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (3)

Mais ataques demolidores de Xanana Gusmão aos "experts" timorenses e internacionais da UNMIT, no seu discurso de 17/05, no Centro de Convenções de Díli.

«Eu, também, tenho a minha apreciação profunda relativa a ONU e suas agências. A minha proposta é esta: a UNMIT e seus "experts" timorenses deviam oferecer-se para resolver a questão do Iraque, Afeganistão, Paquistão, e oferecerem-se também para ajudar a democracia no Iémen, Síria e Líbia. Contudo, na apresentação da UNMIT, em Janeiro de 2011, afirmam que só com a continuação da presença da ONU em Timor-Leste é que se pode desenvolver este país.

Eu quero dizer aos timorenses, que se tornaram "experts" para a UNMIT, para não se gabarem muito, para não se curvarem demasiado para o dinheiro de outros, porque esta postura é uma doença a qual designamos colonialismo mental e colonialismo intelectual. Em português diz-se alienação. A nossa Constituição diz que não se pode alienar a nossa soberania, isto é, não se pode vender a nossa soberania a estrangeiros.

Fico contente por UNMIT me fazer esta apreciação. Porque se me tivesse elogiado como sendo uma óptima pessoa... para UNMIT, seria o povo que tinha o direito de me desconfiar que eu tinha alienado os intersses deste povo, que teria alienado a soberania desta Nação. Por isso, estou contente... por os nacionais e os internacionais, na UNMIT, não estarem contentes comigo. Conhecemos alguns que se tornaram "experts" na nossa terra, mas, esses, deviam era trabalhar com o Presidente Obama para tentar resolver os 14.5 triliões da dívida americana e as enormes fraudes das instituições financeiras e bancárias que o mundo conheceu em 2009, e que afectaram negativamente a economia a escala global. Outros, ainda, tornaram-se "experts" em macroeconomia e finanças, na nossa terra. Eles é que ainda não se deram conta, mas são eles os peritos que servem para ajudar a Europa a sair da enorme crise de dívida de 788 biliões da Irlanda, Grécia e Portugal, porque o 'baillout' que o Banco [Central] Europeu e o FMI podem oferecer é de apenas 322 biliões. Esses peritozinhos detentores do Bilhete de Identidade da RDTL desconhecem ainda que grandes países do mundo precisam muito da sua ajuda. A América e a Europa precisam destes "experts" timorenses e internacionais para corrigir e melhorar os padrões e 'standards' os quais eles muito defendem.»

Comentário: Depois desta passagem demolidora para o profissionalismo e imparcialidade e brio destes "experts" timorenses e internacionais da UNMIT, os convidados desta missão da ONU começaram abandonar a sala do CCD.

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (2)

Mais um excerto do discurso de Xanana Gusmão (17/05) em que põe em causa o conhecimento dos peritos da UNMIT em áreas como economia e finanças e justiça.

«A UNMIT referiu-se também à minha resposta às "Contas Gerais do Estado 2009" como sendo 'hostil', isto é, que a minha resposta é muito crítica e que demonstra uma falta de respeito pelos Tribunais. Eu concordo que a UNMIT tem muitos peritos, todos muitos inteligentes, nacionais e internacionais, por isso é que eles não analisaram a fundo a minha resposta ao Parlamento Nacional. Mas, a sabedoria da UNMIT não chega para entender que eu, enquanto Primeiro-ministro de Timor-Leste, não aceito teorias de políticos e intelectuais de Portugal que o Tribunal menciona e escreve no seu relatório, porque acompanho a situação económica e financeira em Portugal. (Como no passado [na Resistência], não fazia a guerra na escuridão.) Na minha resposta eu procurava fazer entender que se as teorias citadas pelo Tribunal são as certas e correctas, então Portugal não entraria em bancarrota, com dívidas de 120 biliões de dólares e, hoje em dia, está de mão estendida ao Banco [Central] Europeu e ao FMI. Se isto é que a UNMIT classifica como 'hostil', então, não há nenhuma sombra de dúvida que os "experts" da UNMIT são mesmo muito inteligentes! E a UNMIT falou também do caso Maternus Bere.»

E eu, autor deste humilde blogue, acrescento: Não resta a mínima sombra de dúvida que os "experts" timorenses e internacionais da UNMIT são mesmo muito, muito inteligentes!

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?!

Vou transcrever uma passagem do discurso de Xanana Gusmão, proferida na Jornada Científica, dia 17/05, no CCD:

«A UNMIT considera Xanana Gusmão como obstáculo. Peritos timorenses e internacionais que trabalham na UNMIT afirmam o seguinte: "Xanana é o maior obstáculo ao 'constitucionaismo'".

Contudo, em Fevereiro de 2008, se Xanana não tivesse lido bem a Constituição da RDTL não teria feito nada para parar a inactividade [inacção] da UNMIT e a inoperacionalidade da ISF a fim de tomar a decisão de constituir a Operação Conjunta [em perseguição dos rebeldes do tenente Gastão Salsinha] para não alienar a nossa soberania , posso garantir que [hoje] ainda haveria crise [político-militar] no nosso país.

Para a UNMIT, esta é a situação desejada... porque, assim, podem permanecer mais tempo [em Timor-Leste]! E eu tenho de vos informar que alguns timorenses defendem que a UNMIT não pode deixar [o país], porque eles ajudam muito a economia do povo e se a UNMIT sair o povo há-de ficar numa pobreza extrema como aconteceu [no passado], de 2000 a 2008, durante o qual a comunidade internacional gastou perto de oito biliões em Timor-Leste e não vemos nenhum desenvolvimento físico e ainda ajudou a aumentar a pobreza na nossa terra. Porque quando eles saem aumenta a pobreza, e nós é que temos culpa!»

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Xanana rejeita acusações da ONU

Na sua intervenção na Jornada Científica organizada pela Universidade Nacional de Timor Lorosa'e (UNTL), ontem, dia 17/05, na CCD, o Primeiro-ministro rejeita as acusações da ONU contidas num relatório da UNMIT, dirigidas contra si, em que diz que "Xanana Gusmão é o maior obstáculo à implementação de políticas democráticas em Timor-Leste". Xanana reagiu a essas acusações, criticando fortemente os funcionários timorenses que estão a trabalhar na missão da ONU em Timor, a UNMIT, para não se vangloriarem muito e falsificarem dados em relatórios oficiais desta organização a fim de transmitir um falso ambiente de instabilidade político-social, dando argumento para o prolongamento da UNMIT para além de 2012 (e quiçá também para não perderem os seus faustosos vencimentos e satisfazerem as suas simpatias políticas). Xanana relembrou que se, em 2008, na sequência dos atentados de 11/02, o Governo tivesse dado ouvidos aos conselhos da ONU para empregarem as forças militares em missão da ONU, em Timor-Leste, na perseguição dos rebeldes do tenente Gastão Salsinha a esta hora ainda haveria guerra em Timor para justificar a sua presença. Acrescentou que a criação da Força Conjunta F-FDTL/PNTL foi a melhor opção para os timorenses, pois ganhou-se a guerra sem dar um único tiro: foi uma demonstração de clarividência e maturidade dos políticos timorenses.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Caso Bere: Xanana foi chantageado

O blogue do conclave dos detractores de Xanana http://www.timorhauniandoben.blogspot.com/ acaba de comentar no artigo "Xanana é ditador, grande novidade!" uma notícia do http://www.temposemanal.blogspot.com/ em que se dizia que a ONU, numa reunião, teria afirmado que "Xanana Gusmão é o maior obstáculo à implementação de políticas democráticas em Timor-Leste", citando de entre outros o facto da libertação de Martenus Bere como sendo da iniciativa do Primeiro-ministro. Não. Quem decidiu libertar Martenus Bere foi Ramos-Horta. Vou transcrever os três últimos parágrafos do texto que escrevi a próposito deste facto (12/09/2009), neste blogue, onde vêm explicadas as razões desta soltura do criminoso do massacre da Igreja de Suai:

«O Presidente Horta queria a viva força mandar soltar nas comemorações de 30 de Agosto o criminoso Martenus Bere, como sinal de amizade e boa vontade à Indonésia, mas encontrou oposição do Primeiro-ministro Xanana.

Para levar avante tal medida, Ramos Horta impôs a Xanana a soltura de Bere: libertá-lo sem demora, ou Horta - enquanto Presidente da República - não iria presidir às cerimónias da comemoração do 10º aniversário do Referendo, deixando mal Xanana e o seu governo perante os convidados internacionais.

E para ter a certeza absoluta que a sua vontade de soltar Bere é concretizada pelo Governo, atrasou-se até ao limite às comemorações, comparecendo, só, depois de receber a garantia de Xanana de que a sua vontade será cumprida, dada em pleno palanque, com todos os convidados intenacionais já presentes, enquanto se aguardava a chegada do Presidente Horta para se iniciar as cerimónias.»

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Caso José Luís Guterres: Ministério Público recorre da sentença

O Ministério Público discorda da absolvição de José Luís Guterres e vai recorrer da sentença ao Tribunal de Recursos. Penso que pretende ver confirmada pela alta instância judicial timorense a sua miopia. É que insistir nesta acusação revela falha de bom senso. Não tem pernas para andar. A sentença está muito bem sustentada. Não tem pontas por onde se lhe pegue. Mas tente!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

José Luís Guterres absolvido

José Luís Guterres foi absolvido pelo Tribunal da 1ª instância de Díli, dia 9/05, das acusações de "enriquecimento ilícito e abuso de poder", suspeitas essas inicialmente levantadas há três pela bancada da Fretilin no Parlamento Nacional, em represália por o actual Vice-Primeiro-ministro ter deixado o partido e levado consigo metade de eleitores naturais da Fretilin e integrar o IV Governo Constitucional. O colectivo de juízes considerou infundadas as acusações deduzidas pelo Ministério Público e ilibou José Luís Guterres de "crimes " (relativas à nomeação de sua esposa, cidadã moçambicana, para o cargo diplomático de Conselheira da Missão timorense junto da ONU) alegadamente praticadas no exercício das suas funções de ministro dos negócios estrangeiros do II Governo Constitucional liderado pelo então PM Ramos-Horta.

Consta que alguns influentes políticos moçambicanos manifestaram o seu desagrado junto de alguns dirigentes da Fretilin por estes terem desencadeado um processo-crime contra José Luís Guterres em que a principal visada é uma cidadã moçambicana. Consta ainda que alguns poderosos políticos moçambicanos sugerem mesmo retirar a cidadania moçambicana e passaportes diplomáticos aos autores dessa acusação.

domingo, 8 de maio de 2011

"José Sócrates deve ser severamente punido nas próximas eleições"

São afirmações de António Barreto, em longa entrevista ao jornal I, dia 7/o5, concedida ao jornalista Luís Claro, relativamente ao primeiro-ministro - José Sócrates Pinto de Sousa - que conduziu o país ao abismo e à bancarrota, devido a sua incompetência, vaidade, teimosia e autismo, nesses seis anos dos seus dois mandatos, anestesiando os Portugueses com técnicas de vendedor de banha de cobra e de ilusionismo de feira e de um pastor da IURD, levando pacóvios a voltarem a depositar o seu voto em 2009 ao "menino de oiro", como lhe apelidou uma das suas fiéis, e "animal feroz", como se auto-intitulou, numa entrevista.

António Barreto afirma ainda que "o primeiro-ministro, José Sócrates, não está à altura, não é capaz de contribuir para soluções futuras", acresecentado que essa sua convicção se assenta n"a maneira como ele foi o responsável do declínio do país e a maneira como se tem comportado perante o pedido de assistência" e também a forma como "quando anunciou os resultados das negociações fez uma coisa extraordinária que foi dizer o que não está no acordo e não anunciou o que estava" [no acordo com a União Europeia, o Banco Central Europeu e FMI], rematando que "foi um momento obsceno da vida política".

Ao responder à pergunta do jornalista sobre se, apesar das críticas dirgidas a José Sócrates, ainda via "alguma possibilidade de vir a existir uma coligação que inclua o PS", António Barreto diz que o PS é necessário para uma solução, mas "não necessariamente para a formação de um governo", quiçá uma "associação ao governo, um acordo de incidência parlamentar" ou outro, mas também está "convencido que o primeiro-ministro, José Sócrates, precisa de ser muito, muito severamente castigado e a melhor maneira de o castigar é através da via eleitoral", "porque ele é pessoalmente responsável pelo mau estado a que Portugal chegou, as finanças públicas e o Estado".
http://www.ionline.pt/conteudo/121646--jose-socrates-deve-ser-severamente-punido-nas-proximas-eleicoes.htlm

terça-feira, 3 de maio de 2011

4º dia do 2º Congresso do CNRT (7)

Deliberações importantes saídas do 2º Congresso do CNRT:
Nas eleições legislativas de 2012: i) conseguir maioria absoluta nas votações; ii) conseguir 45 ou mais de assentos no Parlamento Nacional.

Nas eleições presidenciais de 2012: Convocar, em Setembro ou Outubro, uma Conferência Nacional ou um Congresso Extraordinário para analisar e decidir sobre as eleições presidenciais.

4º dia do 2º Congresso do CNRT (6)

Os congressitas decidiram continuar a confiar em Xanana Gusmão para Presidente e Dionísio Babo para Secretário-geral do Partido.

Relativamente às votações para as duas listas concorrentes para o Conselho Directivo Nacional ganhou a lista onde consta, de entre outros, o nome de Vicente Guterres (o actual Vice-Presidente do Parlamento Nacional).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

4º dia do 2º Congresso do CNRT (5)

Está a ser entrevistado o Secretário-geral eleito, Dionísio Babo, pelo repórter da TVTL em serviço no congresso. Babo afirma que está agradecido pela confiança em si depositada pelos delegados, sendo ele um novato na política. Acrescentado que é importante a entrada para o partido de caras novas, de adesão de novos militantes, para continuar a obra, o trabalho dos mais velhos, dos veteranos da política. Continuando o seu discurso, afirma que é uma formiga ao pé de muitos dirigentes políticos, como Lu Olo, Mari Alkatiri, Rogério Lobato (citando entre outros), no entanto confia mais em Xanana Gusmão, e que está na política para contribuir para o desenvolvimento do país dentro do espaço político ocupado pelo CNRT.

4º dia do 2º Congresso do CNRT (4)

Vai decorrer dentro de momentos a votação para escolher o Conselho Directivo Nacional do Partido. Entretanto alguns delegados solicitaram à mesa para retirarem os seus nomes das listas concorrentes, alegando um que é ainda muito novo para assumir cargos de responsabilidade nacional e outro que já é velho e cansado para contribuir num órgão nacional. Estão a ser substituídos nas respectivas listas.

São apresentadas duas listas para a eleição dos membros do Conselho Directivo Nacional. O Presidente da Mesa do Congresso, Xanana Gusmão, dá, neste momento, ao início das votações ao CDN. São 47 membros e dez suplentes. Os delegados votam por distritos.

4º dia do 2º Congresso do CNRT (3)

Contagem final: Lista B: 507 votos; Lista A: 293 votos; Nulos: 18 votos. Dos 872 eleitores votaram 818 delegados.

4º dia do 2º Congresso do CNRT (2)

Neste momento já terminou a contagem da segunda urna. O resultado da contagem das duas primeiras urnas foi o seguinte: Lista A: 218 votos; Lista B: 296 votos. Está a decorrer agora a contagem da terceira e última urna.

4º dia do 2º Congresso do CNRT

Ainda está decorrer, neste preciso momento, a contagem dos votos depositados na segunda das três urnas na votação para as duas listas concorrentes. As duas listas têm a particularidade de proporem as mesmas pessoas para o Presidente do Partido, Xanana Gusmão, e para o Secretário-geral, Dionísio Babo; diferem apenas nos nomes para vices do Presidente e para os adjuntos do Secretário-geral. Há um número significativo de votos nulos. Votaram 873 delegados.

Missa da beatificação do Papa João Paulo II em Tasitolu

Facto inédito é a cúpula do Estado timorense (o Presidente da República Ramos Horta, Primeiro-ministro Xanana Gusmão, Vice-Presidente do Parlamento Nacional Vicente Guterres, Presidente do Tribunal de Recursos Cláudio Ximenes e o Chefe do Estado Maior General das Forças Armadas Taur Matan Ruak) fazer a entrega do "Ofertório" ao presidente da celebração eucarística, D. Alberto Ricardo, bispo de Díli.


Uma nota negativa a assinalar: a televisão estatal timorense TVTL terminou a cobertura desta celebração pouco depois da comunhão, enquanto decorria ainda um ritual genuinamente timorense, no altar, em homenagem também ao Papa João Paulo II, alegando compromisso com a Timor Telecom, privando os telespectadores de assistirem até ao fim esta importante missa campal, em Tasitolu).

3º dia do 2º Congresso do CNRT

A Mesa do Congresso decidiu prolongar por mais um dia o congresso devido ao número elevado de inscrições para discutir as propostas de revisões dos Estatutos do Partido (e também porque os congressistas propuseram uma paragem, no período de tarde de domingo, para participarem na missa da beatificação do "Papa que colocou Timor no mapa" político, João Paulo II, segundo afirmação do então embaixador brasileiro acreditado em Lisboa, Aparecido de Oliveira, à delegaçãoNegrito da Convergência Nacionalista Timorense, em Setembro de 1989).