sábado, 27 de junho de 2009

"Eleições antecipadas": a frincha?!

A rádio australiana ABC parece ter encontrado uma frincha através da qual a Fretilin Maputo poderá meter o pé-de-cabra para forçar a realização de eleições antecipadas, oferecendo ao PR Horta argumentos “conluio, nepotismo e corrupção” (Bano dixit) para demitir o Governo presidido por Xanana Gusmão. Alegam a Fretilin Maputo e esta rádio australiana que Xanana teria favorecido uma empresa (Prima Food) – na qual sua filha seria uma das accionistas maioritárias – na adjudicação para fornecimento de arroz ao Estado!

Bano, o vice-presidente da Fretilin Maputo, terá de esclarecer muito bem a natureza dos três crimes imputados a Xanana Gusmão, enquanto Primeiro-ministro: "conluio", então quem o prejudicado na adjudicação; "nepotismo", então a alegada empresa favorecida do familiar é ou não merecedora de crédito e mérito para ganhar a adjudicação; "corrupção", então quem é o corruptor e quem é o corrompido nesta adjudicação. Uma vez decidido sobre a natureza dos crimes cometidos basta denunciar o alegado prevaricador ao Ministério Público para se proceder as investigações necessárias e apresentá-las ao tribunal para o julgamento. A PGR não se furtará de dar seguimento a queixa da Fretilin Maputo.

Com esta frincha oferecida pela referida rádio australiana, a Fretilin Maputo encontrou o argumento certo para desencadear a sua tão desejada e sempre adiada “Marcha de Paz” – para agitar e açular os seus seguidores – a fim de criar momentos de instabilidade social e política, oferecendo de bandeja aos australianos argumento para forçar a canalização do pipeline do Greater Sunrise para Darwin, privando aos timorenses milhares de empregos directos e indirectos e desenvolvimento material e humano daí decorrente, alegando ausência de segurança em Timor para técnicos e instalações petrolíferas.

Camaradas, quanto às eleições "antecipadas", aguardem por 2012!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Sonhar também é vindima

Da entrevista de Mari Alkatiri à Lusa (23/6) destacam-se quatro ideias-chave: i) inevitabilidade de eleições antecipadas (2010); ii) ida da Fretilin sozinha nestas pretensas eleições às urnas; iii) governação partilhada - mesmo detendo a maioria absoluta - com outros partidos qualquer que seja "a sua grandeza"; iv) disponibilidade de Alkatiri em integrar um governo liderado por uma outra força política.

1. Alkatiri continua a sonhar acordado com as sempre desejadas eleições antecipadas, invocando "desgovernação", "descontrolo" (em/de quê?!), "aumento de corrupção" e (pasmem-se com a bondade de Mari) a necessidade imperiosa de salvaguardar a figura de Xanana Gusmão "porque ele fez a resistência e ainda tem um papel de referência política e de referência moral em Timor-Leste".

2. É claro que a Fretilin Maputo irá às urnas sozinha, porque não vai conseguir encontrar nenhum aliado em outros partidos para uma coligação (a não ser o apoio do PPT de Jacob Xavier e/ou Kota de Manuel Tilman, seus aliados nas últimas presidenciais).

3. Mais uma mentira grossa de Mari Alkatiri ao prometer partilhar o poder / a governação com outros partidos, em caso de ganhar as eleições (mesmo com uma maioria absoluta).

4. É uma grande verdade a disponibilidade de Mari Alkatiri em integrar um excutivo de um qualquer outro partido - tal é o seu desespero por um cargozito ministerial - pois, recorde-se, chegou a namorar a pasta de petróleo do Governo AMP liderado por Xanana Gusmão.

Sócrates e uma mosca num estúdio de televisão

Se uma mosca tivesse irrompido pelos estúdios da SIC durante a entrevista a José Sócrates [com Ana Lourenço], será que o primeiro-ministro a teria despachado à pancada [como fez Obama durante uma entrevista] com um "toma lá, sacana" ou, pelo contrário, produziria uma ode à mãe natureza a louvar a diversidade dos seres vivos? Nesta altura do campeonato, eu aposto na ode. Infelizmente, como tão bem explica dr. House, as pessoas não mudam. Um lobo pode vestir a pele do cordeiro mas continua a gostar da carne. Da fama de autoritário e arrogante Sócrates já não se safa - e só mesmo com uma certa candura é que alguém pode achar que o seu principal problema é zangar-se muito e fazer cara de mau.

Eu até sou daqueles que acham que o carácter de um político é o seu mais valioso património. Mais depressa voto em alguém que entendo ter as capacidades e a personalidade certas para o desempenho do cargo de primeiro-ministro do que num qualquer programa eleitoral, por mais atinado e engenhoso que ele seja. Mas também não vale a pena exagerar na dedicação ao timoneiro. O País anda há uma semana a analisar o "novo Sócrates", com profundas reflexões sobre a queda dos decibéis, a milagrosa multiplicação da palavra "humildade" e o seu novo olhar de carneirinho mal morto. Mas mesmo que Sócrates pareça um daqueles homens cuja traição acabou de ser descoberta pela mulher e que agora está a fazer tudo para salvar o casamento, reduzir a discussão política a uma inflexão vocal é, digamos assim, um bocadinho redutor.

Quase todos os colunistas atribuíram a derrota de Scrates à crise e desvalorizaram o impacto dos sucessivos casos em que ele foi sendo envolvido. Não subscrevo tal tese. Parece-me evidente que o acumular de trapalhadas lhe provocou um enorme desgaste e que o caso Freeport foi a gota que fez transbordar o copo na cabeça de muita gente. A sua estratégia de vitimização e pontapé para o canto transformou aquilo que antes era encarado como uma qualidade (teimoso e autoritário porque convicto e persistente) num inabalável defeito (teimoso e autoritário porque arrogante e prepotente). Mais grave do que isso: Sócrates aceitou que uma suspeita pessoal fosse encarada como um ataque a todo o Governo, com vários dos seus ministros - Pedro Silva e Augusto Santos Silva à cabeça - a saírem em sua defesa de forma canina e completamente desproporcionada. A partir daí, claro, a arrogância já não era só de Sócrates - ele estendia-se a todo o Governo. E a sensação de estar apenas rodeado de
yes men acentuou-se. Como é evidente, isto é muito mais do que um problema de estilo. Isto é o coração da maneira socrática de fazer política. Mudar de cara, ainda vá. Mas de alma?

João Miguel Tavares, jornalista
(Diário de Notícias, 23/o6/2009)

sábado, 20 de junho de 2009

O delico-doce

Morangos com Açúcar

Serve o título de uma das mais longas séries juvenis da história da ficção portuguesa para ilustrar o que esta semana todos comentam. A mudança de estilo de José Sócrates. Que muitos esperam genuína mas tantos outros (sobretudo na oposição, mas também no PS quem suspeite) a atribuem ao que dizem ser o "o talento do primeiro-ministro para a sétima arte". Digno, portanto de actor.

E o recurso a esta série, por sinal da TVI, ocorre na sequência de um diálogo de sete minutos entre Sócrates e os jornalistas, à saída do debate da moção de censura. Podia ter acontecido naquela série. Tom pedagógico, paciente, disponível.

No início da semana, na comissão política do PS, os jornalistas já tinham dado pelo "doce" sabor da derrota. Falou à entrada para a reunião, decepcionado e humilde, quatro horas depois, novamente disponível: "Querem fazer perguntas? Façam favor..."

Confirmou-se ali, no Parlamento, que Sócrates quer passar essa imagem. À primeira pergunta, responde, outro jornalista interrompe para mudar de assunto. Calmo, calmíssimo: "Desculpe, deixa-me responder ao seu colega..." O assunto era o TGV. A seguir vieram os calendários eleitorais: "Eu compreendo a vossa curiosidade, mas o que posso dizer? Falarei com o Presidente. A posição do PS é conhecida..." Os erros da governação "Sr. primeiro-ministro, esclareça-me uma dúvida..." Sócrates interrompe: "Bom, se eu puder...". Mas e os erros, insistem os jornalistas: "Eu sou um político resignado comigo próprio. Acho que as medidas que tomei foram corajosas e patrióticas..." Algum erro??? "Mas querem um exemplo? Vamos ver. Vou dar. Terão notícia!" Breve silêncio "Nós deveríamos ter investido mais na cultura".

Pois! Foi mesmo por causa do orçamento da cultura que o PS viu agora o cartão amarelo.

Na série, nos Morangos com Açucar dava para esboçar um sorriso. Nem nas Produções Fictícias fariam melhor.

Um desabafo entre vários que se ouvem a socialistas: "A senhora da lavandaria onde vou já comentou comigo: 'O seu primeiro-ministro está muito doce.' Mas pareceu-me que o tom era sarcástico".

E, já agora, o que dirá Vitorino, António Vitorino, de novo coordenador para o programa de Governo do PS "Habituem-se"?!

Teresa Dias Mendes, TSF (Diário de Notícias, 20/06/2009)

O animal feroz ferido

O animal ferido


Depois das europeias e com a maioria em risco, o animal feroz é hoje um animal ferido. Basta olhar para a telenovela TGV. O projecto era fundamental para o futuro do País? Com certeza. Mas Sócrates não tenciona perturbar os portugueses nas vésperas das eleições. Depois das eleições, o novo Governo que decida. As palavras de Sócrates podem agradar à Oposição e ao Presidente da Repúbica. Podem até agradar ao próprio Sócrates, que assim acredita afastar o tema da campanha eleitoral. Tristes enganos. O gesto de Sócrates mostra apenas um político receoso, disposto a trocar as suas convicções pelas mais básicas ambições. E, ironia maior, revela também a inépcia estratégica do senhor: ao adiar o TGV para adiar um problema, Sócrates apenas o torna mais gritante. A partir de agora, votar Sócrates é votar no TGV. A campanha segue dentro de momentos.

JOÃO PEREIRA COUTINHO, colunista
do CORREIO DA MANHÃ (20/06/2009)

terça-feira, 16 de junho de 2009

"A morte de Malai Azul não é uma metáfora."

Micael Pereira, jornalista, autor do artigo «A melhor embaixadora de Xanana», publicado no último número do semanário EXPRESSO, que noticiou a "morte inesperada, em Março," de MALAI AZUL, enviou-me um mail a confirmar a morte desta personagem política nascida em Maio de 2006 na sequência dos acontecimentos político-militares de Abril/Junho - que por pouco não descambou em guerra civil - apoiando uma das partes em conflito (a Fretilin cujo Secretário-geral é Mari Alkatiri) e a diabolizar Xanana Gusmão.

A fazer fé no mail de Micael Pereira, então, Malai Azul não é um colectivo... É apenas uma única pessoa, uma senhora, que infelizmente nos deixou. Os meus pêsames.

sábado, 13 de junho de 2009

"Morte" de Malai Azul: será metáfora?

«A política de bastidores e de contra-informação em Díli [a favor da Fretilin Maputo] esmoreceu com a morte inesperada, em Março, de uma figura agitadora e apaixonada que alimentou a tese da conspiração australiana: uma portuguesa que mantinha um blogue chamado "Timor Online" e que usava o misterioso pseudónimo de Malai Azul. Era a maior - e praticamente a única - central de informação em português sobre Timor.»

Esta é a passagem do último parágrafo do artigo «A melhor embaixadora de Xanana», de Micael Pereira, publicado no semanário EXPRESSO, hoje, 13 de Junho, sobre a visita de Kirsty Sword-Gusmão a Portugal, na qual faz referência ao blogue http://timor-online.blogspot.com/ e da "morte inesperada, em Março," de Malai Azul, como motivo da não actualização do referido blogue.

Gostava de saber mais sobre este assunto!

7J - a data do atentado eleitoral contra o PS

«Se há coisa que ficou clara na derrota confrangedora do PS para baixo da barreira mítica do milhão de votos [946.318] foi que, mais do que políticas, José Sócrates tem de mudar a forma como as elege, como as comunica e a imagem do seu governo sempre que justifica. A governação para as estatísticas (na saúde, na educação, na segurança) e a governação show off (glosando medidas que valem por si, como o Magalhães) não valem em nada quando milhares perdem o emprego diariamente ou vêem as sua empresas fecharem. Sócrates devia ter dado ouvido a Cavaco e transmitido a verdade dos factos e da crise de forma clara, mandando calar os ministros que insistem em vender ilusões. O que os eleitores puniram acima de tudo nestas eleições europeias - que os portugueses continuarão a desvalorizar enquanto figuras como José Lello as considerarem "a feijões" (dixit, DN, 11 de Junho) - foi uma certa forma de fazer política. Foi a arrogância do ter sempre certezas sem admitir qualquer discussão (até na escolha de Vital [Moreira]), o quero, posso e mando sem dar ouvidos a quaisquer sugestões, a falta de humildade para arrepiar caminho da maioria dos ministros. E é por isso que boas reformas, boas decisões e opções estratégicas correm o risco de cair nestes três meses em que o Governo, já sem tempo para alterações profundas e acossado pelo aviso de 7 de Junho (7J) e pela pressão da oposição (à esquerda e à direita, com [Manuel] Alegre pelo meio), dificilmente deixará de ceder às tentações eleitoralistas.»

Filomena Martins, Directora-adjunta (DN - Diário de Notícias, 13/06/2009)

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As sondagens de treta

O PS e as empresas de sondagens foram os derrotados nestas eleições europeias. As sondagens colocavam invarialmente o PS de Sócrates como vencedor, com uma vantagem considerável, contra todas as evidências no terreno, com o único objectivo de condicionar o sentido de voto dos eleitores, convencidos de que os eleitores têm memória curta e se esquecem com facilidade da arrogância, prepotência e arbitrariedades deste Primeiro-ministro: ataque às classes profissionais (médicos, enfermeiros, professores, magistrados, polícias, militares e funcionários públicos), fecho de centros de saúde, maternidades e escolas. Sócrates devia estar convencido de que continuariam a votar nele mesmo depois de ele lhes cuspir na cara todos os dias nestes quatro anos do seu reinado. Provou-se nestas eleições que os eleitores não são masoquistas nem néscios.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Bloco de Esquerda ultrapassa PCP

O Bloco de Esquerda pode vir a eleger o seu terceiro deputado, nestas eleições. A contagem dos votos, por ora, aponta neste sentido.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Palanque do PS desmontado

Os socialistas desmontaram o palanque onde carpiram Vital e Sócrates copiosas lágrimas, cedo de mais, por volta das 22:30h, enquanto nas outras sedes de candidatura de outros partidos ainda havia enchentes de militantes para comemorar as respectivas vitórias (pois todos os partidos com assento parlamentar venceram excepto o PS de Sócrates).

Foi um gozo assistir pela televisão alguns ministros a abandonarem à pressa o hotel onde fora montado o palanque da entronização de Vital e Sócrates, como as cenas quase patéticas dos ministros Amado e Jamé que sorrateiramente se esgueiraram em direcção à rua parecendo envergonhar-se de aparecer junto de Sócrates num qualquer registo de comunicação social.

Os professores deram um empurrãozinho

O Partido Socialista perdeu 600.000 eleitores nestas europeias. Os professores contribuiram para o esvaziamento eleitoral do PS, passando de 44%, em 2004, para 26.5%. As três manifs do profs foram um empurrãozinho decisivo para a queda do "menino de ouro" e sua sinistra da deseducação.

Uma sugestão aos sindicatos: que tal uma manif em Setembro?

domingo, 7 de junho de 2009

Derrotada arrogância do PS

A arrogância e prepotência de Sócrates foram derrotadas nas urnas!

Todas as sondagens, até a véspera destas eleições, davam o PS de Sócrates como o vencedor. Davam-lhe uma percentagem que rondava os 36% para apenas conseguir nas urnas 26.6%. Há algo de errado nas sondagens. Não serão estas empresas de sondagens simples correias de transmissão do PS e de lóbis afectos a Sócrates?

PS de Sócrates sofre pesada derrota

PSD: 31.7 % (8 deputados)
PS: 26,6 % (7 deputados; 14 deputados, em 2004)
BE: 10.7% (2 deputados)
CDU: 10.7% (2 deputados)
CDS: 8.4% (2 deputados)

Nesta momento (22:30h), falta eleger 1 deputado.