segunda-feira, 30 de junho de 2008

As façanhas bélicas de Rogério Lobato (1)

RL gabava-se que derrotou as tropas da UDT, na breve guerra civil de Agosto a Setembro de 75, a base de morteiradas.

A prisão de Rogério Lobato, em Luanda, deveu-se a motivações políticas e não por tráfico de diamantes.

Foram os seus camaradas da Fretilin, da linha que veio mais tarde tornar-se em Alkatirismo, é que o tramou, dando anuência às autoridades angolanas para o engaiolar, porque RL estava a tornar-se muito incómodo para os Alkatiristas. Atenção: não estou a defendê-lo. São apenas factos.

Rogério Lobato vs Roque Rodrigues

Roque Rodrigues disse (numa reunião em Lisboa, por altura da chegada de Rogério Lobato a Lisboa, após o cumprimento de sua pena na prisão de alta segurança de Luanda) que a prisão de RL deveu-se a contrabando de diamante e que tinha sido apanhado no aeroporto com as referidas pedras preciosas embutidas nos cós dos fundilhos de suas calças.
Rodrigues dixit!

Rogério Lobato recuperou repentinamente das mazelas das costas, coração e cabeça (Não será do cérebro?).

O herói está a apenas uma hora e quarenta minutos de Díli!
Façam plantão no aeroporto para não perderem a chegada do vosso messias, camaradas!

Já reapareceram! Não sei como! É que não mexi em nada! De facto ainda sou um analfabeto no domínio de informática.

domingo, 29 de junho de 2008

Desapareceram, na página deste blogue, os links dos blogues de "Os desterrados" e "Blogues de Bibliotecas PT". Não sei como!

Presidente português defende a criação da 3ª diocese

Cavaco disse ao Papa que em Timor bispos mandam mais que políticos

MANUELA PAIXÃO, Roma

Vaticano. Presidente da República recebido por Bento XVI

Numa audiência curta, mas sumarenta. África ocupou uma boa parte da agenda

"Welcome Mister President", exclamou Bento XVI, estendendo os braços a Cavaco Silva, indo ao seu encontro, na antecâmara da biblioteca privada do Santo Padre, onde durante 25 minutos, em inglês, os dois líderes políticos abordaram os temas nacionais e internacionais de maior actualidade.

"Falámos sobre as relações entre Portugal e a Santa Sé, a UE e o Tratado de Lisboa, África e Timor Leste. Tive ocasião de sublinhar a Bento XVI que Portugal, ao longo da sua história, contribuiu para que os cinco países de expressão portuguesa em África, o Brasil, Timor, tenham uma forte influência da parte da Igreja", explicou Cavaco.

O PR acrescentou que o continente africano foi um tema de grande importância neste encontro.

"A África fez parte da agenda das nossas últimas presidências do Conselho Europeu. Falei a Sua Santidade sobre a Cimeira Europa-África em Lisboa. Falámos da situação dos países de língua portuguesa, que contrasta vivamente com a situação trágica do Zimbabwe, que a comunidade internacional não pode nem ignorar nem legitimar", declarou Cavaco Silva.

Sobre a imigração africana clandestina, que tem sido tema de muitas intervenções de Bento XVI, o Presidente da República relembrou ao Papa que a legislação portuguesa é mais generosa e favorável do que a aprovada pela UE, não deixando, porém, de sublinhar a total solidariedade nacional com a luta de Bruxelas contra a imigração clandestina.

"Falámos também de Timor Leste, onde a religião católica constitui uma referência decisiva na identidade cultural, e a voz dos bispos é mais forte do que aquela dos líderes dos partidos", disse Cavaco, que após a audiência papal se reuniu com o secretário de Estado do Vaticano, Bertone.

Com o cardeal Bertone, desenvolveu "mais politicamente" os temas abordados com Bento XVI, em particular as dificuldades que a UE atravessa na sequência do "não" irlandês no referendo ao Tratado de Lisboa. "Debatemos o que pode ter estado na base deste "não" e qual a estrada a escolher para uma Europa que sem o Tratado será mais fraca na cena internacional. Quanto menor for a eficiência europeia, em particular na área da defesa, menor será o respeito pelos direitos humanos no mundo."

"Houve uma referência rápida à liberdade religiosa que funciona em Macau. Lembrei ao Santo Padre as negociações que então ocorreram e o esforço de Portugal para que fosse garantida a prática da religião católica, mas não falámos mais sobre a China", respondeu Cavaco ao DN.

"Como católico praticante, o encontro de hoje foi uma grande emoção. Não era a primeira vez, mas o Papa Bento XVI falou de uma forma muito sentida sobre Portugal", concluiu o Presidente.

Diário de Notícias, 29-06-2008

sábado, 28 de junho de 2008

Já há ligação aérea directa Singapura - Díli - Singapura

Finalmente, já há voo directo de Singapura a Díli. Esta ligação é assegurada pela AUSTASIA AIRLINES a operar a partir de Julho (duas vezes por semana), e em Agosto (três voos por semana) e vai-se aumentando conforme a procura.

Parece-me que o voo mais barato LISBOA - SINGAPURA - DÍLI (com apenas duas escalas de duas horas de espera cada) é via Milão: Lisboa - Milão (TAP): Partida - 07:50h; Chegada - 11:25h; Milão - Singapura (Singapore Airlines): Partida - 13:30h; Chegada - 07:30h; Singapura - Dili (AUSTASIA): Partida: 09:20h; Chegada: 14:15h.

Para mais informações consultar o sítio http://www.austasiaairlines.com/

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Ramos Horta continua como Presidente


José Ramos Horta decidiu manter-se como Presidente timorense, recusando candidatura a Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Na declaração feita em Díli, o governante reconheceu que a saída antecipada das suas actuais responsabilidades resultaria em eleições antecipadas. “Um fardo ingrato para o povo timorense, que foi chamado três vezes às urnas em 2007".

Se Ramos Horta abandonasse o cargo de chefe de Estado teriam de ser marcadas eleições presidenciais no prazo de 90 dias.

José Luís Guterres, vice-Primeiro-ministro de Timor, confirma ter também a indicação de que Ramos Horta vai mesmo ficar no país.

Rádio Renascença, 27-06-2008

quinta-feira, 26 de junho de 2008

PR timorense candidato a Alto Comissário para Direitos Humanos?


Será que Ramos Horta aceita candidatar-se ao cargo de Alto Comissário para Direitos Humanos da ONU, renunciando à Presidência da República timorense?

Se o Presidente timorense renunciar ao cargo para que fora eleito, então poderão vir a ocorrer os seguintes cenários políticos:

ÁREA DA AMP

A. Cenário previsível porque constitucional: Fernando Lasama assume interinamente a Presidência da República, pelo prazo já previsto na Constituição.

B. Cenário um: Lasama candidata-se ao cargo de Presidente da República, como candidato da AMP.

  1. Poderá Lasama congregar a volta da sua candidatura a maioria dos eleitores dos distritos do Oeste (porque Lasama é originário de Ainaro)?
  2. Quantos milhares de eleitores dos distritos do Leste Lasama poderá 'roubar' ao candidato da Fretilin para fazer o pleno com os votos dos eleitores do Oeste para ser eleito, já prevendo que a candiadtura da Fretilin irá 'roubar' também milhares de votos entre os eleitores Loromonu?
  3. Conseguirá Lasama ser eleito com apenas os votos dos eleitores Loromonu?
  4. Porque o candidato da Fretilin irá conseguir, de certeza, umas dezenas de milhares de votos nos distritos ocidentais, reduzindo grandemente as hipóteses de Lasama ganhar, apenas, com os votos dos Loromonu.
  5. Será que Lasama tem carisma suficiente para seduzir o grosso dos eleitores Loromonu, ou, se não se verificar o referido cenário, conseguirá então Lasama seduzir algumas dezenas de milhares de eleitores Lorosae para colmatar o rombo provocado pelo 'roubo' de seus eleitores Loromonu pelo candidato da Fretilin?!

C. Cenário dois: O candidato da AMP é outro: alguém que consegue congregar a volta da sua candidatura o grosso dos eleitores dos distritos ocidentais (ter a arte de chamar para si a maioria dos votantes da AMP, das últimas eleições presidenciais e legislativas) e seduzir metade dos eleitores dos três distritos do Leste.

  • É necessário ter em conta que Ramos-Horta ganhou as últimas eleições porque conseguiu 'roubar' uma boa fatia dos eleitores naturais da Fretilin, por ser quem é (antigo dirigente e fundador da Fretilin, 'ministro de relações externas' da Resistência e pela simpatia pessoal que emana do seu carácter), e não apenas pelos apoios de peso conseguidos (de Xanana e outros).

ÁREA DA FRETILIN

A. Cenário um: A Fretilin apresenta como seu candidato à Presidência da República Lu-Olo.

  • A minha previsão: Lu-Olo irá reeditar a derrota das últimas eleições presidencias. Não tem carisma e 'flexibilidade' suficientes para ultrapassar os 30%.

B. Cenário dois: O candidato da Fretilin é Mari Alkatiri.

  • A minha previsão: Alkatiri não conseguirá seduzir o grosso dos eleitores naturais da Fretilin, tanto dos distritos do Leste (Lorosae) como os do Oeste (Loromonu). Alcançará menos votos que Lu-Olo. Por isso, Alkatiri poderá ser empurrado para disputar as eleições presidenciais por Lu-Olo com o objectivo (não confessável, claro) de aferir o seu peso político dentro do partido, isto já na mira da disputa ao cargo de Secretário-Geral da Fretilin.

C. Cenário três: O candidato da Fretilin é outro: alguém que consegue penetrar no coração também dos eleitores Loromonu e, ao mesmo tempo, garantir desde logo o grosso dos eleitores dos três distritos Lorosae que votou Fretilin nas últimas presidenciais e legislativas. Quem poderia ser?!

Ramos-Horta pode renunciar no Timor por cargo na ONU

Presidente do Timor Leste foi convidado a ser Comissário para Direitos Humanos.

Da BBC

O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, disse que está considerando a possibilidade de assumir o cargo de Alto Comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, mas preocupa-se em como a sua renúncia afetará o país.

Horta, detentor do Prêmio Nobel da Paz de 1996, sugeriu que vai decidir nas próximas 24 horas se apresenta seu nome para o posto.

O líder timorense disse temer que eleições antecipadas possam desestabilizar o frágil processo de paz construído nos últimos meses.

O presidente, cujo mandato terminaria em 2012, sobreviveu por pouco a uma tentativa de assassinato em fevereiro.

Instabilidade

A correspondente da BBC na capital timorense, Dili, Lucy Williamson, disse que a possível saída de Ramos Horta da Presidência poderia levar a grandes mudanças no cenário político do país, com uma convocação de eleições em 90 dias.

Falando aos jornalistas depois de uma reunião com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o presidente timorense disse que só se apresentará para o cargo nas Nações Unidas se tiver 100% de certeza de que obterá a posição.

No momento, ele não é nem mesmo um candidato para o posto, mas disse que já conta com o apoio de vários países, inclusive de Estados Unidos, Austrália e Portugal.

O Timor Leste enfrentou ondas de violência e instabilidade desde que conquistou sua independência da Indonésia há seis anos.

Globo.com, 26-06-2008

Linguista lamenta falta de investimento do Estado português no IPOR

“A política da língua não devia estar dependente das pessoas”

Em Macau fala-se mais português do que antes de 1999 e na China faltam professores lusos que respondam à avidez dos alunos. Malaca Casteleiro acusa o Estado português de não ter uma política externa para a língua portuguesa e critica a eterna dança das cadeiras. Defensor acérrimo do Acordo Ortográfico, refuta a tese dos puristas e acha boa ideia que Macau retire o pê ao óptimo.

Sónia Nunes

Que diagnóstico faz à comunidade de falantes de português de Macau?

Há uma situação diversificada no que respeita ao uso da língua portuguesa. Há a comunidade macaense, que segue sensivelmente a norma culta de Portugal, e há os aprendentes chineses que usam a norma portuguesa ou a brasileira. A unidade essencial da língua existe e é este aspecto que é importante preservar quando há duas normas diferentes.

Mas faz-se um bom uso do português?

Creio que sim. Há um grande esforço de formação de profissionais. Os chineses que terminam cursos têm como objectivo exercer uma profissão em que o português lhes é útil: como interpretes, tradutores ou prestando colaboração em empresas com negócios no Brasil ou nos países africanos. É evidente que o português que falam pode não ser muito culto, mas dominam a língua – o suficiente para se fazerem entender. Falo com estudantes (nomeadamente em Pequim) e fico surpreendido como é que em dois anos já falam uma língua tão distante do chinês, embora com algumas imperfeições.

É aceitável que a exigência se fique pela comunicação básica?

Hoje em dia não pretendemos que o aprendente estrangeiro fale a língua perfeitamente, de forma completa. Esse objectivo cultural é importante para os que leccionam, os lusitanistas e estrangeiros que investiguem a língua que são uma elite. Ora, a políticas de línguas do Conselho da Europa é que sejamos capazes de falar outra língua de maneira a que nos façamos entender.

Aqui em Macau estamos a falar de uma ferramenta que não se resume à comunicação do dia-a-dia. Quer a Justiça quer a Administração dependem do tradutor. Conhece as traduções que são feitas ou o desempenho dos intérpretes?

Não tenho esse trabalho de campo. Pressuponho que não haverá erros. No domínio jurídico, um erro de natureza lexical ou linguística pode ser grave. Toda a documentação oficial deve ser traduzida e explicitada num português correcto. Não sei como está o trabalho organizado mas devia haver supervisores quer do lado português, quer do lado chinês. O ideal seria que fosse um bilingue de elevada qualidade. Há aqui gente com essa capacidade.

Como é que no processo de ensino de uma língua estrangeira se pode ultrapassar o limite mínimo exigido pela União Europeia? Como se enriquece o vocabulário de uma comunidade de falantes distante da língua?

Isso tem que ver com os objectivos de ensino, os meios que dispomos e o nível de exigência que impomos. Um chinês que segue um curso obtém um diploma que tem de atestar competências.

Os diplomas hoje valem pouco: a cátedra perdeu o carácter da distinção.

É um projecto de investigação a desenvolver aqui: analisar os percursos curriculares, ver os níveis de proficiência que os aprendentes atingem e, em função disso, tomar medidas qualitativas que permitam melhorar a eficácia do ensino/aprendizagem. Em Portugal, temos um sistema de certificação oficial. O modelo é internacional e estipula seis níveis que são objecto de um exame. Em função dos resultados é atribuído um diploma. É um trabalho feito com todo o rigor: se o certificado for de nível avançado, significa que o candidato já tem um domínio muito razoável da língua portuguesa. Estamos em contactos com a Universidade de Macau no sentido de a avaliação da proficiência ser feita com base neste sistema.

Os professores notam que há poucos alunos que lêem regularmente textos em português. A parca existência de uma vida cultural feita em português atrofia a aprendizagem?

Pode atrofiar. O livro é sempre um elemento complementar: seria ideal que o aluno, a partir do nível intermédio, efectuasse um certo número de leituras em língua portuguesa para aumentar a cultura, enriquecer o vocabulário e as construções gramaticais. Convinha ter em conta o Plano Nacional português da Leitura. Sei que o aluno chinês é passivo, está à espera que lhe transmitem conhecimentos. Porém, o professor não é um mero transmissor de conhecimento mas um interveniente na motivação do aluno.

Conhece os manuais do ensino do português em Macau?

Alguns. Há materiais muito interessantes que procuravam responder às necessidades de aprendizagem dos alunos daqui. Hoje [ontem] apresentámos manuais mais recentes que estão mais adaptados e foram elaborados no âmbito de um quadro construído na esfera do Conselho da Europa [Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas], que faz uso da metodologia mais moderna, é universal e transferível para qualquer outro canto do mundo.

Quais são as vantagens do QECR para Macau?

Privilegia a aprendizagem sobre o ensino: o centro é o aluno. Para aprender, o aluno tem de fazer um esforço para se apropriar dessa língua. Por outro lado, define seis níveis: iniciação, elementar, limiar, vantagem, autonomia e mestria. Quando atinge o ponto máximo, o aluno domina tão bem a língua estrangeira como a materna. Apresenta também os conteúdos e objectivos de cada nível, no domínio privado ou público, profissional ou turístico. É um quadro muito completo, uma espécie de Bíblia para a aprendizagem das línguas. E está a ter um sucesso muito grande em todo o mundo. Aqui na China, não está a ser aplicado de forma taxativa. Mas os princípios fundamentais – a maior autonomia do aluno e a progressão do ensino em seis níveis – estão a ser tidos em conta.

Esse quadro por ter o selo da União Europeia, a grande bandeira do Governo de Sócrates, poderá fazer com que Portugal faça mais pela sua língua?

No contexto europeu, sim. Agora, do ponto de vista de uma politica externa da língua portuguesa o quadro é irrelevante. É notório que não temos uma politica consequente, definida a médio e longo prazo. O problema da promoção da língua e cultura portuguesas no mundo tem que ver com as pessoas e as instituições encarregados deste processo. E exigem estabilidade, persistência. Os Governos mudam constantemente: em quase 35 anos já tivemos uns 19 primeiros-ministros.

É isso que justifica a instabilidade do IPOR de Macau?

O IPOR creio que tem dez anos aqui. Quantos presidentes é que já teve? Claro que uma política de língua não devia estar dependente das pessoas. Devia ser uma política de Estado, consensual entre as principais forças do poder do país, para que não houvesse mudanças na alternância de agentes políticos. Esse trabalho nunca foi feito, mas há esforços nesse sentido.

O Acordo Ortográfico é uma operação de Estado.

É um instrumento, um princípio. Há medidas mais importantes a tomar como a criação de centros de cultura no estrangeiro. A China fundou o Instituto Confúcio. Em meia dúzia de anos, se não estou em erro, já criou 200 delegações pelo mundo inteiro que suporta financeiramente: faz um esforço enorme para enviar professores. O IPOR não tem dinheiro.

Permite-se ao Governo português que diga que não tem dinheiro para as instituições que são a cara do país na China, quando há aqui uma boa procura de falantes de português?

Se a política de língua portuguesa internacional for assumida como um grande projecto haveria recursos a afectar e nós vivemos uma situação financeira muito difícil. O argumento da falta de dinheiro é sempre fácil. Não o compreendo quando nesta parte do mundo há uma procura tão grande da nossa língua, que se afirmou de uma forma impressionante. Ao contrário do que previam certos nostálgicos do antigamente, o português está mais vivo em Macau do que antes da transferência de administração. Há na China, neste momento, oito universidades com licenciatura que quando abrem vagas para 24 alunos têm 500 a concorrer. E nós, do lado português, não temos contrapartidas. É muito importante ter um leitor português que apoie os colegas chineses que vão leccionar a língua.

A aplicação do Acordo Ortográfico poderá mostrar que a língua também é rentável?

O Acordo visa resolver uma situação inexplicável do ponto de vista linguístico e político. A língua portuguesa apresenta duas ortografias oficiais: uma seguida por Portugal, países africanos, Timor-Leste e RAEM; e uma outra seguida pelo Brasil. Trata-se de uma guerra ortográfica de cem anos. Em 1911, fez-se a primeira reforma e o Brasil não foi tido nem havido – evidentemente que não a seguiu. Aqui foi cometido o pecado original da ortografia portuguesa: se tivesse havido entendimento, o problema estava resolvido. Ao longo do século XX houve várias tentativas para unificar a ortografia, sem sucesso. Em 1990, conseguiu-se um novo acordo que teve a aprovação linguística de representantes de todos países de língua portuguesa e a aprovação política dos ministros da cultura e secretários de Estado. Tinha que ser ratificado pelos parlamentos: foi publicado em Diário da República em Agosto de 1991 e assinado por Cabo Verde e Brasil. Portugal era quem tinha o processo nas mãos e não desenvolveu diligências diplomática para que o acordo fosse ratificado pelos restantes países. A existência de duas ortografias é prejudicial para a promoção mundial da língua. Nas próprias reuniões da CPLP chegam a ser produzidos dois documentos – é um contra-senso que o acordo procura agora resolver. Já não é possível uma unificação total da ortografia: os brasileiros dizem ‘de fato’; nós ‘de facto’. Não há hipóteses de resolver esta dupla realização: temos de consagrar as duas formas. Todo o lusófono sabe que há esta diferença e vai compreender quando encontrar género escrito com acento circunflexo.

Isso não acontecia já sem acordo?

Uma coisa é compreender, outra é escrever. No inglês também há palavras com duas grafias e nunca ninguém levantou nenhum problema. As diferenças são mínimas. Do lado de Portugal, são cerca de 1500 as palavras afectadas. Com estas duplas grafias, não serão 500. Todo e qualquer falante quando receber um texto que tenha escrito ‘gênero’ não vai ficar surpreendido porque sabe que nos casos em que temos ‘e’ e ‘o’ tónicos, seguidos de consoante nasal, sejam elas palavras graves ou esdrúxulas, haverá esta diferença. É uma regra muito fácil de fixar.

Por que são as pessoas tão apegadas aos acentos, pês e cês?

Não permitem que se suprima as consoantes mudas. É esse o busílis da questão.

E a argumentação do manifesto contra o Acordo que foi entregue a Cavaco Silva e que já vai a caminho das 100 mil assinaturas.

Até pode chegar às 100 mil: em 10 milhões é uma percentagem pequena. Nessa petição há lá asneiras... A língua não vai mudar nem nós estamos a ceder aos brasileiros. Não há alterações lexicais nem sintácticas. Mudam apenas aspectos gráficos. No Brasil será ônibus; em Portugal, autocarro. Para uma criança é muito mais fácil aprender a escrever óptimo sem pê. O que é que aquele pê está lá a fazer?! A criança não é sensível à etimologia. Já o adulto, sobretudo o que aprendeu latim, não aceita que se tira de lá o pê porque faz parte do património da palavra. Nós já escrevemos ‘fructo’ e ‘victoria’ e Filipe tinha outra estética quando era escrito com ph. É melhor suprimir uma consoante que não se articula do que pedir ao outro que volte a escrevê-la.

Os contestatários recuperam a etimologia para não reconhecer legitimidade científica ao acordo.

Quem são eles e que autoridade têm para dizerem isto? Estão lá dois ou três linguistas. Nunca vi da parte dos opositores soluções alternativas. É a crítica do bota abaixo, que é muito característica da mentalidade portuguesa. A nota justificativa – fui em quem a elaborou – está muito aprofundada. As pessoas não olham para isto.

Alguns dos signatários são quem melhor honra a cultura portuguesa, como Eduardo Lourenço e Lobo Antunes, que não vão alterar a forma como escrevem.

Não alterem. Duvido que, entrando o Acordo em vigor, haja algum editor que queira publicar uma obra nova que não seja na ortografia oficial. O Saramago, ao contrário do que se diz, não é opositor. Diz apenas que já não tem idade para mudar a sua ortografia mas não se opõe a que o editor a modifique. Quando for tornada lei – estamos à espera que o Presidente da República Portuguesa a promulgue – a nova ortografia será obrigatória nos documentos oficiais e manuais escolares. Também os jornais não quererão publicar uma ortografia que não seja a oficial – aceitaram muito bem escrever dossiê.

Há uma estratégia para a aplicação do Acordo a Macau? Como fica a segunda língua oficial do território que não faz parte da CPLP?

Depende das autoridades locais. Embora seja uma decisão soberana da RAEM, o Acordo devia entrar em vigor aqui. Defendo que Macau, desde que a China não se oponha, deve estar presente na CPLP como observador. Desconheço os meandros políticos mas há em Macau saber e competências para resolver o problema. Com o período de transição de seis anos e uma brochura o professor fica imediatamente informado das modificações. Mas já no próximo ano lectivo, as crianças que entrem para a escola já deviam aprender a nova ortografia. É mais fácil.

HOJE MACAU, 25-06-2008

quarta-feira, 25 de junho de 2008

O problema das artes marciais em Timor

Timor-Leste: Jackie Chan lança apelo à prática pacífica das artes marciais

Díli, 25 Jun (Lusa) - O actor chinês e especialista de kung-fu Jackie Chan lançou hoje em Díli, Timor-Leste, um apelo ao respeito pelo carácter pacífico das artes marciais.

"O objectivo das artes marciais, qualquer que seja o estilo e a modalidade, é sempre o mesmo: a unidade, a disciplina, o respeito", afirmou Jackie Chan perante uma multidão entusiasmada de cerca de 3.500 praticantes timorenses.

Os praticantes de artes marciais ficaram em 2007 associados à escalada de violência urbana e de combates de rua na capital de Timor-Leste e alguns dos líderes dos grupos mais conhecidos estão presos ou envolvidos em processos judiciais.

Jackie Chan chegou terça-feira a Timor-Leste para uma visita de três dias como embaixador da Boa-Vontade da Unicef (o fundo das Nações Unidas para a Criança).

A demonstração de artes marciais por vários grupos timorenses, no Estádio Municipal de Díli, diante de Jackie Chan e do primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, foi o ponto alto da agenda do actor chinês em Timor-Leste.

"Não tenho nada para vos dar. O presente que vos deixo é a minha experiência de vida e as palavras do meu pai há 40 anos", disse Jackie Chan aos jovens no relvado e nas bancadas.

Jackie Chan teve uma infância difícil, por ter nascido numa família pobre de Hong Kong e porque o pai emigrou para a Austrália. Jackie, com seis anos de idade, ficou sozinho numa escola de artes marciais.

"O meu pai disse-me que eu ia ficar sem ninguém e que devia lembrar três coisas: nunca entrar nas drogas, nunca entrar nos gangs e nunca entrar no jogo", recordou hoje Jackie Chan aos jovens timorenses.

"Vocês têm sorte. Têm um país novo e um governo novo para vos ajudar. Eu não tive nada disso. Eu não tinha futuro. Esperava sempre pela Cruz Vermelha e pela Unicef para me darem comida e roupa", acrescentou o actor chinês.

"Hoje podem pensar que grande estrela é o Jackie Chan, que grande idiota, mas eu comecei sem nada. Durante anos tive uma vida difícil de treino, treino, treino", disse também o actor.

Jackie Chan recordou também o dia em que, ainda como aluno da escola onde foi colocado, ele e os colegas enfrentaram um grupo rival num combate de rua. Foram depois castigados fisicamente pelo mestre.

"As artes marciais não são para combater na rua, não são para usar contra alguém nem estragar coisas", explicou Jackie Chan. "Se usarem as artes marciais contra alguém indefeso, não são heróis, não são ninguém".

Jackie Chan assistiu a demonstrações de vários grupos timorenses, de várias artes marciais asiáticas como o kera sakti, perisai diri, huschu, karaté, taekwondô, kempo, aikidô, seruling dewata e o pencak silat, esta última com origem na Indonésia.

Entre os grupos que desfilaram perante Jackie Chan esteve o PSHT (de pencak silat como indicam as inicias do acrónimo indonésio), um dos maiores em Timor-Leste, envolvido em 2007 numa disputa com o grupo "77" de que resultaram várias vítimas.

Outro dos grupos presentes na cerimónia de hoje foi o Korka, considerado, em diferentes estudos específicos, no território das artes rituais timorenses.

Jackie Chan teve também a oportunidade de assistir a uma demonstração da dança do dragão por quatro jovens sino-timorenses, da Associação Comercial da Comunidade Chinesa de Timor Oriental (ACCCTO), muito aplaudida pelos jovens de ascendência chinesa.

De manhã, Jackie Chan viajou de helicóptero para o distrito de Ainaro (oeste), onde se encontrou com líderes de grupos tradicionais de artes marciais, incluindo o Korka, de quem ouviu as preocupações da juventude no interior do país.

"As artes marciais podem ensinar-nos muitas coisas", declarou Jackie Chan em Ainaro e em Díli. "Nunca devem ser usadas para ameaçar ou agredir alguém".

Na sequência da crise de 2006, os grupos de artes marciais participaram de um processo nacional de diálogo e participaram de cerimónias próprias de reconciliação.

A actividade dos grupos, que abrange a maior parte da população jovem de Díli, é objecto de uma lei que deverá ser em breve aprovada pelo Parlamento.

PRM

Expresso Online/Lusa, 25-06-2008

terça-feira, 24 de junho de 2008

Zimbabué rejeita adiamento das eleições

O pedido da ONU para o adiamento da segunda volta das eleições presidenciais já foi rejeitado. O líder da oposição continua refugiado na Embaixada holandesa.

A ONU considera haver demasiada violência para que as eleições possam prosseguir

O embaixador do Zimbabué junto das Nações Unidas (ONU) rejeitou hoje o pedido do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para o adiamento da segunda volta das presidenciais, previstas para sexta-feira, apesar da desistência do candidato da oposição.

"Não vejo porque motivo ele (Ban Ki-moon) chegou a essa conclusão", afirmou o embaixador Boniface Chidyausiku, entrevistado pela rádio pública sul-africana SAFM.

"Na qualidade de chefe da diplomacia da ONU faria melhor se entrasse em contacto com o povo, o governo e os actores (neste processo) no Zimbabué ", adiantou. "Mas utilizar a tribuna de Nova Iorque para pedir um adiamento da segunda volta é absurdo", defendeu.

O dirigente da oposição do Zimbabué, Morgan Tsvangirai, anunciou hoje a uma rádio pretender abandonar "provavelmente hoje ou amanhã (quarta-feira)" a Embaixada holandesa em Harare, onde se refugiou domingo.

Ban Ki-moon considerou ontem à noite haver demasiada violência e intimidação no Zimbabué para poderem ser realizadas eleições legítimas.

"Desaconselho as autoridades a que prossigam com a realização da segunda volta das eleições, sexta-feira, pois só aprofundaria a divisão do país e produziria resultados sem credibilidade", disse.

Num encontro com a imprensa antes da reunião do Conselho de Segurança, o máximo responsável da ONU assegurou que a sua opinião é partilhada pelos presidentes africanos com quem contactou nos últimos dois dias.

Por isso, considerou "compreensível" a decisão anunciada domingo pelo líder da oposição, Morgan Tsvangirai, de não disputar a segunda volta eleitoral, a 27 de Junho, em que o presidente do país, Robert Mugabe, procurará a reeleição.

O secretário-geral exigiu o fim da "violência e a intimidação" porque "o povo zimbabueano tem o direito de viver em paz e em segurança, gozar da protecção da lei e votar em liberdade e equidade aqueles que os têm de liderar".

A situação no Zimbabué "tem implicações para além das suas fronteiras e significa o maior desafio à estabilidade dessa região do Sul de África", destacou.

EXPRESSO Online, 24-06-2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Chove pressões sobre Mugabe

Secretário-geral da ONU pede adiamento do 2º turno da eleição no Zimbábue

Tensão cresce no país depois que a oposição retirou sua candidatura temendo violência. Oposicionista refugiou-se na embaixada da Holanda, e 39 foram presos na sede do partido.

Do G1, com agências internacionais

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo nesta segunda-feira (23) para que o governo do Zimbábue adie o segundo turno das eleições presidenciais, marcadas para a próxima sexta.

A tensão cresce no país africano depois que o candidato oposicionista, Morgan Tsvangirai, retirou sua candidatura no domingo, acusando o governo de praticar um "genocídio" e de perseguir seu partido.

Segundo Ban Ki-moon, os temores da oposição em relação à violência são "compreensíveis". Ele fez uma recomendação forte para que o regime do presidente Mugabe adie as eleições, pois, com o país dividido, a votação não teria legitimidade.

Entenda a situação política no Zimbábue

Temendo violência, Tsvangirai refugiou-se na embaixada holandesa no país, segundo o ministério holandês de relações exteriores.

Segundo o ministério, Tsvangirai passou a noite na embaixada, depois de, neste domingo (22), ter retirado sua candidatura e denunciado pressões ilegais do regime de Mugabe contra seus partidários.

De acordo com a embaixada, Tsvangirai passou a noite na embaixada por uma questão de segurança, mas não pediu asilo. Seus partidários informaram que ele pode passar a próxima noite novamente na embaixada.

Em entrevista à CNN nesta segunda, Tsvangirai pediu à comunidade internacional que considere "nulas" as eleições presidenciais da próxima sexta-feira.

Também nesta segunda, políciais armados invadiram a sede do oposicionista Movimento para a Mudança Democrática, de Tsvangirai, prendendo ao menos 39 pessoas que estavam no local, inclusive mulheres e crianças.

Segundo um porta-voz do partido, os detidos são partidários da oposição que tinham se abrigado na sede do partido para evitar perseguição política.

De acordo com o porta-voz da polícia, Wayne Bvudzijena, a prisão foi feita por "motivos sanitários".

Retirada da candidatura

O anúncio da retirada da candidatura de Tsvangirai foi feito domingo em uma entrevista em Harare, depois que adeptos do ditador Robert Mugabe atacaram um comício da oposição naquela cidade.

Tsvangirai disse que existe um "complô de Estado" para garantir a reeleição de Mugabe e que não há "garantias" no país para eleições livres e justas na sexta.

O oposicionista também disse que o Zimbábue enfrenta um "genocídio" e pediu que as Nações Unidas e a União Africana tomem providências.

Segundo ele, Mugabe "declarou uma guerra" no país ao dizer que as balas de fuzil valem mais que as cédulas eleitorais. Ele pediu aos seus eleitores que não vão às urnas porque isso poderia "custar suas vidas". Segundo os oposicionistas, pelo menos 86 pessoas já foram mortas durante a campanha.

Repercussão

O governo do Zimbábue não pode ser legitimado sem o segundo turno das eleições, disse nesta segunda o embaixador dos EUA na ONU, Zalmay Khalilzad.

O ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, ao saber da retirada da candidatura oposicionista, determinou a suspensão da missão de observadores eleitorais brasileiros que iriam ao país, a convite do governo local.

O governo da vizinha África do Sul pediu que Tsvangirai continue negociando para achar uma solução pacífica para o impasse.

O ministro da Justiça do Zimbábue, Patrick Chinamasa, disse que a votação irá ocorrer normalmente na sexta-feira, a não ser que Tsvangirai retire formalmente a sua candidatura.

Ele rejeitou as acusações feitas pelo oposicionista contra o governo. Mugabe jurou repetidamente jamais entregar o poder à oposição, que ele classifica como "marionete" do Reino Unido e dos Estados Unidos.

Ele, que governa desde a independência em 1980, culpou a oposição pela violência política e nega que forças de segurança tenham sido responsáveis pelas ações brutais recentes.

O ditador presidiu a ruína de uma economia outrora próspera. Milhões fugiram da crise política e econômica para países vizinhos.

Tendai Biti, um dos principais líderes do MDC e braço direito de Tsvangirai, está detido sob acusação de traição e outros crimes que podem resultar em pena de morte. Um magistrado ordenou sua detenção até pelo menos 7 de julho.

Mas existe pressão sobre o governo de Mugabe para encerrar a violência. Um coro crescente de líderes africanos acrescentou suas vozes às preocupações com a falta de legitimidade da eleição.

Com informações de AFP, AP e Reuters

Globo.com, 23-06-2008

Tsvangirai quer anulação das eleições


O líder da oposição zimbabuena, Morgan Tsvangirai, exigiu esta segunda-feira a anulação das eleições presidenciais, segundo uma entrevista divulgada pela cadeia de televisão norte-americana CNN.

"É preciso intervir para garantir que as eleições sejam declaradas nulas", afirmou Tsvangirai, que se encontra refugiado na embaixada holandesa em Harare, acrescentando ser necessário "um novo escrutínio especial organizado numa atmosfera livre e justa".

"A segunda coisa é garantir que a comunidade internacional, dirigida pela União Africana, e apoiada pela ONU, consiga que uma espécie de acordo negociado permita uma espécie de transição e fiscalize a sua concretização", disse o líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), adiantando que "tomámos a decisão como partido de nos retirarmos da corrida. Ao mesmo tempo, estamos num processo para obter a anulação" da eleição "e até quarta-feira deveremos conseguir isso".

Correio da Manhã, 23-06-2008

Mugabe soltou os seus cães raivosos nas ruas de Harare

Morgan Tsvangirai refugia-se na embaixada da Holanda

Decisão de abandonar a corrida presidencial foi apoiada pela Grã-Bretanha

O líder da Oposição no Zimbabué refugiou-se na embaixada da Holanda em Harare, mas não pediu asilo, informou o porta-voz do ministro holandês dos Negócios Estrangeiros. Em entrevista à CNN, Tsvangirai exigiu a anulação do escrutínio.

A decisão do líder do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) foi tomada após actos de violência provocados por alegados apoiantes do presidente Robert Mugabe.

Várias pessoas, com barras de ferro e outras armas, invadiram o estádio para onde estava marcado um comício do MDC e atacaram simpatizantes de Tsvangirai e jornalistas. As equipas de observadores eleitorais foram ainda obrigadas a abandonarem o local.

Pouco depois, Tsvangirai informava que se afasta da corrida para evitar mais violência e mortes. “Duzentas mil pessoas foram deslocadas, mais de 86 simpatizantes do MDC foram mortos, mais de 20 mil habitações foram queimadas e mais de 10 mil pessoas ficaram feridas numa orgia de violência”, disse o líder da Oposição.

"É preciso intervir para garantir que as eleições sejam declaradas nulas"

Esta segunda-feira, ao telefone com a estação norte-americana CNN, Morgan Tsvangirai afirmou que é preciso organizar "um novo escrutínio especial (...) numa atmosfera livre e justa".

"A segunda coisa é garantir que a comunidade internacional, dirigida pela União Africana e apoiada pela ONU, consiga uma espécie de acordo negociado que permita uma espécie de transição e fiscalize a sua concretização".

Eleições vão acontecer de qualquer forma

O ministro da Justiça do Zimbabué, Patrick Chinamasa, afirmou que o anúncio de Tsvangirai foi um estratagema, uma vez que o líder da Oposição não enviou qualquer comunicado oficial sobre a desistência. “Esta é a 11ª vez que Tsvangirai ameaça retirar-se da corrida presidencial e por todas as vezes pedi para que colocasse a intenção por escrito”, disse.

Por esta razão, as autoridades do Zimbabué justificam a intenção em manter inalterada a data para a realizações das presidenciais – 27 de Junho.

Em Harare, o chefe da polícia nacional do Zimbabué garantiu que o líder da Oposição "não está em perigo" e que a sua decisão de se refugiar na embaixada holandesa não "é mais do que uma comédia exibicionista destinada a provocar a cólera da comunidade internacional".

Pressão internacional aumenta

As reacções internacionais à situação no Zimbabué não se fizeram esperar, sendo que a voz mais premente foi a da Grã-Bretanha.

O ministro para África disse que a antiga colónia [não seria a antiga potência colonial?] apoiou a decisão de Tsvangirai.

“Os nossos objectivos passam por conseguir em todos os fóruns possíveis o reconhecimento que hoje o presidente Mugabe já não é o líder por direito do país”, disse Mark Malloch Brown.

Os britânicos pretendem isolar ainda mais o presidente do Zimbabué através de mais sanções, quer no Conselho de Segurança das Nações Unidas - que reúne ao final do dia de hoje -, quer através da União Europeia e da União Africana.

As sanções podem passar por bloquear o acesso aos bens dos membros da administração de Mugabe, impedindo ainda que se desloquem para fora do país sem que sejam detidos por violação dos Direitos Humanos.

Alexandre Brito, RTP Online
2008-06-23

Apoio para a construção de clínicas dentárias em Timor

Concerto angaria verbas para Timor

Dia 27 de Junho, o Jardim da Sereia, em Coimbra, recebe um concerto cuja receita reverte na íntegra para a construção de duas clínicas dentárias em Timor-Leste.

O espectáculo, que terá como tema central a guitarra de Coimbra, marca o início das Festas da Cidade, contando com a participação de Vitorino, Janita Salomé, Filipa Pais e a Brigada Vítor Jara, entre outros.

Denominado "A Guitarra de Coimbra por Timor", o concerto integra-se no projecto Timor-Leste Saúde, da responsabilidade da Associação de Apoio à Diocese de Baucau, que tem em marcha um outro programa na área da educação para dotar as escolas de material didáctico.

O espectáculo realiza-se no Jardim da Sereia, pelas 21h30 horas, e custa 10 euros.

A receita visa comparticipar a construção de duas clínicas dentárias, uma na Diocese de Díli e outra em Baucau, orçadas em 210 mil euros.

Rádio Renascença, 23-06-2008

As crianças sobredotadas e a escola

RICARDO MONTEIRO: «Desperdiçar talentos é a pior heresia que se pode cometer.»

Presidente do Conselho Pedagógico da Universidade da Criança fala ao Destak das limitações que as crianças sobredotadas enfrentam no nosso país e da nova escola-piloto que será criada este ano.

Patrícia Susano Ferreira pferreira@destak.pt

Como são as crianças sobredotadas?

Há sobredotados que parecem ter tudo sem esforço, há outros que se desenvolvem tardiamente e, outros ainda, que nunca tiveram qualquer oportunidade, ou que não puderam desenvolver o seu potencial. Muitos sobredotados transformaram-se em especialistas ou em adultos extraordinariamente criativos; outros não se destacam, na sua actividade profissional, dos restantes adultos com dotação média. Os factores que facilitam um desenvolvimento positivo dos sobredotados são, por exemplo, um ambiente em que haja amor e desafios nos primeiros anos, um estímulo precoce, adequado e direccionado, modelos, estabelecimento de objectivos, confiança nas próprias capacidades ou a aquisição de conhecimentos, incluindo os técnicos, necessários para o desenvolvimento profissional. Resumindo, podemos afirmar que os sobredotados passam por um desenvolvimento emocional normal e, no geral, não correm mais riscos do que os normalmente dotados. Contudo, há particularidades que, em determinadas circunstâncias, exigem uma atenção especial.

Que características é que permitem aos pais saberem se o filho é sobredotado?

Entre as características típicas destas crianças destacam-se as de aprendizagem e de raciocínio, a atitude perante o trabalho e os interesses, e o comportamento social. Dentro destas destacam-se, por exemplo, os conhecimentos profundos em algumas áreas, o vocabulário invulgar para a idade e o discurso expressivo; mas também o tédio perante tarefas de rotina, o perfeccionismo e a crítica; e ainda a preocupação com termos como justo/injusto, bom/mau e a prontidão de se rebelar contra as autoridades, por exemplo.

Quantas crianças sobredotadas é que existem em Portugal e quantas destas estão identificadas?

Não existe resposta concreta para nenhuma das perguntas. Estima-se que existam entre 35 mil e 50 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal. Poucos são detectados porque não existe por parte do sistema escolar um processo que os identifique e proteja, ao contrário do que se passa com os alunos com incapacidades. Há falta de legislação e também de sensibilização por parte dos agentes de ensino. Alguns indicadores mundiais revelam que apenas 0,1% da população mundial tem QI muito acima de 200 e pertence a uma classe extraordinária de sobredotados. Aproximadamente dois terços (68%) da população atingem um QI de 85 a 115, podendo esta faixa ser designada por média de inteligência. Os desempenhos extremamente baixos ou extremamente altos são raros em igual medida: contudo, cerca de 2% da população tem um QI muito baixo (inferior a 70) ou muito alto (superior a 130).

O que pode acontecer se uma criança não for identificada e acompanhada?

O talento na escola exibe e explicita nos estudantes a capacidade de entender e aprender. Todos os professores agradecem a chegada de crianças talentosas pois as suas actividades intelectuais coincidem com o plano de desenvolvimento curricular previsto. Mas em algumas oportunidades existem alguns alunos cujas condições excepcionais provocam incertezas e também dificuldades na tarefa do ensino. Neste contexto, muitos dos alunos sobredotados e talentosos não identificados são “catalogados” como imaturos socialmente e emocionalmente. Assim, tem-se constatado que uma educação que não se esforce por se adaptar a tais condições pessoais pode provocar desinteresse pelos estudos e desmotivação geral já que os procedimentos pedagógicos utilizados na aula geralmente não são os adequados à rapidez de raciocínio e capacidade de abstracção. No entanto, ante estes questionamentos vale perguntar-se: - o que entendemos quando mencionamos os sujeitos sobredotados e talentosos? A “sobredotação” é uma capacidade geral composta de factores intelectuais significativamente mais altos que o grupo médio e o “talento” é considerado como uma capacidade particular em um determinado aspecto cognitivo ou destreza. A estas características somam-se factores não intelectuais (dedicação, força pessoal, vontade de fazer sacrifícios) e factores ambientais (ressonância positiva familiar e escolar). As potencialidades destas crianças podem declinar se carecerem de apoio cultural e familiar já que ambos são factores decisivos para seu desenvolvimento integral. Conhecendo esta realidade, devemos assumir o desafio de construir uma educação diferente, encaminhada à flexibilização e intervenção escolar destas crianças e jovens. Há muitos professores, por exemplo, que resistem à sobredotação como se ela fosse uma crença e não uma realidade palpável da sociedade humana. E ao resistirem dessa forma causam problemas aos alunos com altas capacidades rejeitando-os, ignorando-os e não lhes dando a atenção necessária ao pleno aproveitamento das suas potencialidades. Desperdiçar talentos é a pior heresia que um País pode cometer. Torna-se, portanto, necessário procurar uma definição para a sobredotação que possibilite uma intervenção educativa bem sucedida, quer no que diz respeito à criação de condições para a expressão e desenvolvimento de qualidades excepcionais, quer para a resolução de eventuais situações educativas problemáticas relativamente a estes alunos.

Quais as grandes limitações destas crianças no nosso país?

Um número considerável de crianças sobredotadas são descobertas na escola. A escola é a área da vida onde o sobredotado pode apresentar o melhor ajuste ou o pior desajuste. Tanto a sua capacidade superior pode ajudar-lhe nos estudos e contribuir para um desempenho excepcionalmente bom, como a mesma capacidade pode levar ao tédio, aborrecimento ou rebeldia capazes de provocar desempenho insatisfatório. Além disso, as dificuldades tendem a surgir devido ao facto do sobredotado ser um indivíduo excepcionalmente inteligente mergulhado num mundo de pessoas com intelecto médio - facto este que pode gerar uma série de dificuldades de adaptação. Por exemplo, o aproveitamento do tempo: uma criança de QI 140 aproveita apenas 50% de uma aula comum, sendo o resto, para ela, desinteressante; e uma criança com um Q.I. 170 (muito sobredotada) praticamente nada aproveita das aulas normais. Temos também a hostilidade dos colegas, porque estas crianças são frequentemente encaradas como uma ameaça pelos companheiros, pois, elas pode fazer com que os padrões de trabalho da turma passem a ser mais rigorosos e o professor passe a esperar mais de seus alunos. Como consequência, o sobredotado muitas vezes acomoda-se, já que os desafios propostos pela escola estão muito abaixo da sua capacidade, produzindo muito menos do que é capaz simplesmente por não estar estimulado. Por outras palavras, o seu desenvolvimento é bloqueado e, caso não conte com pais que o estimulem e pessoas que o persuadam a, por si só, empenhar-se mais a fundo, fora da escola, no mundo dos conhecimentos e das práticas correspondentes à sua dotação, o sobredotado procurará realizar rapidamente os deveres escolares e desperdiçar a quase totalidade do seu tempo em simples recreação inconsequente. Sendo as suas necessidades e características psicológicas relevantemente diferentes das dos alunos em geral, estes alunos precisam de um atendimento educacional também diferenciado, ou seja, preparado para dar-lhes o tratamento adequado. Atendimento diferenciado que não existe no nosso País, sendo esta certamente a maior limitação destas crianças no nosso País.

A criação de uma escola especializada não os pode afastar demasiado da realidade e da esfera dos relacionamentos com pessoas ditas ‘normais’?

Quem quer ter aquilo que nunca teve, tem de estar pronto para fazer aquilo que nunca fez. É preciso iniciar uma verdadeira revolução educacional. Precisamos de uma escola que respeite as necessidades especiais de uma criança com altas habilidades e elevados potenciais e que invista na qualidade de ensino. O que é normal deixa de ser normal. O que é cinzento passa a ser colorido. Aqueles que estão de costas para o futuro, realinham-se com a inteligência e deixam de ser reféns do sistema de ensino em agonia que temos. Parafraseando o Dr. Nelson Lima podemos dizer que aumentaram as horas de presença dos alunos nas escolas, aumentaram o número de matérias e aumentaram, na verdade, os problemas. Ou seja, temos mais escola, o que não significa melhor escola. Urge uma escola inclusiva diferente para todas as crianças. Vivemos numa época completamente diferente daquela em que a escola actual foi criada. Por causa disso, o ensino massificou-se em demasia, adensou-se, está obsoleto e não tem em conta as necessidades efectivas da sociedade contemporânea. Não basta encher as escolas de computadores para desde logo se acreditar que a escola modernizou-se. Pode modernizar-se nos equipamentos mas continua desfasada da sociedade em que agora vivemos. A inteligência das nossas crianças está a ser castrada e é por isso que aumenta o insucesso escolar. Acima de tudo as crianças e os jovens sobredotados sentem que a escola não lhes favorece o pleno desenvolvimento das suas potencialidades. A formação dos professores tem sido exígua, pouco humanista e assenta sobre métodos pedagógicos em geral obsoletos. Muitos professores têm-me confessado que não sabem nada sobre "inteligências múltiplas", "estilos cognitivos", "mapas mentais", "sobredotados"e tantas coisas mais que são hoje em dia fundamentais para um ensino ajustado aos novos tempos. Se nos guiarmos pelo já dito atrás, que cerca de 2 % da população escolar tem um QI de 130 ou superior, então significará, p. ex., que numa cidade grande, que tenha cerca de 35.000 alunos da escola primária, pelo menos, aproximadamente 700 deles seriam intelectualmente sobredotados. Assim, não é de admirar que muitos professores, no decurso da sua actividade profissional, tenham já tido experiências com alunos sobredotados. Normalmente, chamam-lhes a atenção os alunos com excelentes desempenhos. Conhecem crianças recém-chegadas à escola que vêm para a primeira classe com muita experiência na leitura ou outras que já dominam as quatro operações aritméticas básicas, ou seja, todo o programa de matemática da escola primária, e que se aborrecem de morte enquanto os colegas aprendem a soletrar ou a somar. Conhecem jovens que adquiriram, por eles mesmos, conhecimentos vastos e fundados sobre determinadas disciplinas, p. ex. informática ou línguas estrangeiras. Uma escola especializada em sobredotação beneficia todos os alunos. Sobredotados ou não. Beneficia todo o sistema educativo e aumenta a qualidade de vida de qualquer escola.

Acredita que este projecto para a escola-piloto em Portimão possa arrancar ainda este ano lectivo?

Sim acredito. Acredito nas capacidades do staff da Universidade da Criança e do Instituto da Inteligência. Acredito que a inteligência é uma vencedora nata. Tudo é uma questão de tempo. Plantemos com sabedoria, para colhermos com paciência. Estes são os ensinamentos da Escola da Vida e acredito também que o bom senso das entidades envolvidas irá prevalecer. Autarquia e Ministério da Educação são dois agentes importantes no processo de licenciamento deste equipamento, que podem fazer parte da solução, ou do problema. Esperemos que façam parte da solução e assim em Setembro de 2008 estaremos a funcionar.

O projecto pode estar em risco e a burocracia é um dos motivos que apontam, assim como a incompreensão do Ministério da Educação. Que tipo de entraves é que o ministério está a colocar?

O Ministério da Educação analisa todas as pretensões. Públicas e privadas. Mas nem sempre tem resposta para tudo, nem para todos. Vive dias difíceis. Carrega feridas mal saradas de um sistema de ensino de eficácia questionável e “tutela” liberdades essenciais consagradas na constituição da República Portuguesa (...)

O que não podemos aceitar é que se desperdice um vasto leque de conhecimentos, como tem geralmente acontecido, e que revela uma incúria grave dos poderes públicos. Nos tempos que vivemos o Ministério da Educação não deveria insistir em continuar a desperdiçar esse manancial de conhecimentos, nem a força da iniciativa privada... Investindo menos na burocracia... e apostando mais nas sinergias globais e estratégicas entre o sector público e privado. O ensino particular com as suas inovações na área do ensino não pode ser castigado pela falta da igualdade de tratamento. Esperamos ansiosos pelo dia em que as escolas particulares e as escolas públicas “passem pela mesma peneira”... Ou até quando é que vamos tapar o sol com a dita peneira?

Quantos alunos é que vão ser beneficiados e de quanto será o investimento?

Este projecto beneficia directamente 40 a 45 alunos do 1.º ano, do 1.º Ciclo do Ensino Básico. De uma forma indirecta são acompanhadas aproximadamente uma centena de crianças, dos 6 aos 10 anos, da região algarvia. São formados Professores e educadores na àrea da “Pedagogia da Sobredotação” através de workshops e cursos de especiliazação. O investimento nesta primeira fase está estimado em meio milhão de euros até Setembro de 2008 para os projectos Leonardo da Vinci e Albert Einstein da Universidade da Criança. E cria aproximadamente 30 lugares de trabalho directos e indirectos...

Se o projecto for para Espanha, será uma grande perda para o nosso país e um desrespeito para a inteligência?

Seria triste e seria uma perda. Seria triste não poder “fazer o milagre na própria terra”. E seria uma perda. Sim, seria uma perda. Seria uma perda de esperança para muitos corações felizes e outras tantas mentes brilhantes, seria uma perda porque pequenas luzes se apagariam lentamente e seria uma perda porque outras tantas vozes deixariam de cantar no palco superior da inteligência humana... E seria sim um grande desrespeito para a inteligência porque deixaríamos de formar pensadores, líderes no teatro social e no teatro psíquico, empreendedores que desenvolvessem hábitos de profissionais excelentes, pensadores com uma consciência humanística e ecológica, seres humanos sem fronteiras que soubessem colocar-se no lugar dos outros e seres humanos que aprendesse a ser autores da sua própria história. Seria sim um grande desrespeito à inteligência...

DESTAK, 23-06-2008

A violência nas escolas

«A qualidade dos espaços pode evitar a violência nas escolas»

Especialistas de todo o mundo reúnem[-se], a partir de hoje, na Fundação Gulbenkian para discutir a violência escolar. Um fenómeno que está longe de se limitar a Portugal, como explica ao Destak Carlos Neto.

Professor catedrático, além de ter investigado o bullying nos recreios e de pertencer a um projecto internacional de combate à violência na escola, é um dos coordenadores deste congresso.

ISABEL STILWELL editorial@destak.pt

A violência na escola é transversal ao mundo. Qual diria ser o seu denominador comum?

O problema da violência escolar é complexo, multidimensional e afecta os sistemas educativos em todos os países e culturas. Não é um problema novo, mas temos hoje melhores condições para o estudar. Por outro lado, as mudanças ocorridas na família e na comunidade trouxeram novos problemas para dentro da escola, implicando boas práticas e dimensões diferentes de encarar a gestão das instituições e do acto educativo.

Acaba por ser apenas uma continuação da violência na sociedade, nomeadamente nas famílias?

Essa relação é evidente, mas não exclusiva. Muitos outros factores podem explicar o fenómeno, como a degradação do projecto educativo nas escolas, ausência de referências de autoridade, aparecimento de novas tecnologias, processos de socialização, etc. A violência na escola apresenta contornos específicos em função de características sociais e culturais de cada região, de cada escola e dos alunos, docentes e funcionários.

Há escolas que, pela sua organização interna, favorecem a violência escolar? Quais diriam ser os três principais sinais de perigo?

Estou convencido que sim. Apontaria em primeiro lugar as características físicas e arquitetónicas das escolas em relação à qualidade e conforto de espaços formais e informais, em segundo lugar a qualidade do projecto pedagógico de cada escola em paralelo com uma boa supervisão dos alunos e finalmente a existência de projectos de intervenção centrados na diminuição da violência (vítimas e agressores). Existem já por todo o mundo bons projectos anti-violência e anti-bullying no meio escolar.

A relação com a comunidade parece influenciar o grau de violência na escolas. Em Portugal, a comunidade vê a escola como amiga ou inimiga?

Na maior parte dos casos a comunidade não vê a escola nem como amiga, nem como inimiga. Tem uma atitude indiferente. Essa atitude mental tem criado um distanciamento progressivo, que não facilita a resolução dos problemas. A indiferença e ausência de participação da comunidade nos problemas da escola não tem contribuído para o reforço da estrutura identitária da escola.

Que papel pode ter o desporto na prevenção?

Por princípio, a actividade física e o desporto tem um papel fundamental para a criação de dinâmicas muito positivas de prevenção da violência (solidariedade, fair-play, convivência, auto-estima, etc.). A investigação tem demonstrado que a prática da actividade física e desporto, principalmente em crianças e jovens, é uma das formas mais robustas de prevenção da violência escolar.

Concorda que é basicamente um problema de falta de autoridade?

Não tenho a convicção de que seja apenas um problema de falta de autoridade. A confluência de novas realidades sociais e culturais na vida quotidiana da família e da comunidade leva-nos a pensar que este fenómeno deve ser abordado numa perspectiva ecológica e transversal. Múltiplos factores estão a contribuir para este fenómeno e as soluções não podem ser milagrosas. São necessárias políticas públicas.

Há 'directores' que conseguem fazer a diferença?

Com certeza que sim. Depende da competência, de bons projectos de gestão financeira e pedagógica. Da capacidade de desenvolver um clima saudável, que leve os alunos a gostarem de ir e estar na escola para aprenderem com os professores e conviverem com os amigos.

Os pais não são suficientemente responsabilizados pelo mau comportamento dos filhos?

Em muitos casos é verdade. O comportamento parental sobre a actividade escolar dos filhos é muito variável. Penso que deveriam ser repensadas as formas de participação dos pais e principalmente o valor excessivo que se pretende dar ao rendimento escolar (excelência a qualquer preço), em detrimento do prazer de aprender e de aprender a pensar em situações formais e informais.

DESTAK, 23-06-2008

domingo, 22 de junho de 2008

Eleições zimbabuéanas: "uma paródia de processo eleitoral"

Tsvangirai não participa em segunda volta de presidenciais

O líder da oposição do Zimbabué, Morgan Tsvangirai, não vai participar na segunda volta das presidenciais. O ministro da Justiça, Patrick Chinamasa, entende que desta forma a oposição está a evitar a «humilhação de uma derrota». O líder da oposição zimbabueana anunciou, este domingo, a sua desistência da segunda volta das presidenciais do país marcadas para 27 de Junho, justificando a sua decisão pelo facto de o clima de violência que se vive não permitir eleições livres e justas.

Horas após um ataque de apoiantes de Robert Mugabe ao local onde se deveria realizar um comício do maior partida da oposição, Morgan Tsvangirai disse existir um complot apoiado pelo Estado para que Mugabe se mantenha no poder. «Nós no MDC não podemos dizer aos eleitores para votarem no dia 27 de Junho, uma vez que esse voto pode custar-lhes a vida», afirmou Tsvangirai, em declarações aos jornalistas, na capital Harare.

Tsvangirai foi mesmo mais longe ao acusar o presidente do Zimbabué e líder do ZANU-PF, Robert Mugabe, de ter «declarado guerra» à oposição e de «não ter qualquer respeito pelo MDC». «Não participaremos mais naquilo que é uma paródia de processo eleitoral, manchado pela violência e pelo ilegítimo», concluiu Morgan Tsvangirai, que reclama a maioria absoluta na primeira volta das presidenciais realizadas em Março.

Na resposta, o porta-voz do ZANU-PF e ministro zimbabueano da Justiça considerou que a oposição se retirava da segunda volta para «evitar a humilhação de uma derrota». Patrick Chinamasa acrescentou ainda que as eleições marcadas para a próxima sexta-feira se manteriam de pé caso a oposição não avise oficialmente que se retira da corrida eleitoral.

TSF, 22-06-2009

Artes marciais como promotor de Paz

Jackie Chan usará artes marciais como ferramenta de paz no Timor-Leste

SYDNEY - O ator Jackie Chan visitará esta semana o Timor-Leste, onde promoverá as artes marciais como ferramenta para conseguir a paz no diminuto e jovem país de colonização portuguesa infestado pela instabilidade e pela violência.

Chan, embaixador da boa vontade do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), visitará colégios e outros centros de jovens, onde se reunirá com eles e realizará atos de exibição de defesa pessoal junto a milhares de alunos de várias escolas, informou hoje um comunicado da agência da ONU.

O ator de Hong Kong explicará aos meninos como as artes marciais também podem ser usadas para colocar fim aos conflitos, e lhes transmitirá uma mensagem de "disciplina, respeito e unidade".

A agenda de Chan também inclui reuniões com os principais líderes do Timor-Leste, entre eles o presidente e prêmio Nobel da Paz, José Ramos Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

O Timor-Leste conseguiu a independência em 2002 como uma das nações mais pobres do mundo, após uma sangrenta transição que acabou em 1999 com 24 anos de ocupação da Indonésia, e agora luta por encontrar uma estabilidade política que o permita se concentrar no desenvolvimento econômico.

EFE/Último Segundo, 22-06-20068

quinta-feira, 19 de junho de 2008

ME timorense e UFPB: assinatura de Convénio de Intercâmbio Académico e Científico


UFPB assina convênio com Ministério da Educação do Timor-Leste

19/06/2008

A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) firmou, em definitivo, neste final de semana, no Rio de Janeiro, o Convênio de Intercâmbio Acadêmico e Científico com o Ministério da Educação da República Democrática do Timor-Leste. Participaram da cerimônia da assinatura o próprio Ministro da Educação de Timor-Leste, professor Doutor João Câncio Freitas, e o professor Doutor Jorge Fernando Hermida, representando ao Magnífico Reitor da Universidade Federal da Paraíba, Rômulo Polari. A assinatura do convênio contou ainda com a presença do representante do Itamaraty o senhor André Cortez.

De acordo com o professor e mediador, Jorge Fernando Hermida, o convênio consiste em um intercâmbio acadêmico e científico estabelecido através da parceria entre Brasil e o Timor-Leste, visando à implantação e desenvolvimento de um programa de cooperação mútua que envolva estudantes, professores e investigadores das instituições de ensino superior timorense, sob a tutela do Ministério da Educação do Timor-Leste e da UFPB nos níveis de graduação, pós-graduação e atividades de investigação científica.

O Convênio de Intercâmbio Acadêmico e Científico prevê ainda doação de livros e materiais didáticos. Na ocasião foram doados 170 livros da obra “Educação Infantil – Experiências e vivencias na Região Nordeste do Brasil” (Editora Universitária da UFPB, 2008. 260 p.) e 30 livros de “Educação Infantil: políticas e fundamentos” (Editora Universitária da UFPB, 2007. 296 p.), ambos de autoria do professor Jorge Fernando Hermida. As obras contaram com o patrocínio do Banco do Nordeste do Brasil e da TV Rio Balsas, respectivamente, e estão sendo adotados nos cursos de formação de professores para as séries iniciais daquele país.

O convênio é válido por cinco anos, contado a partir da data de sua assinatura conjunta, podendo ser revisto ou modificado durante o período de vigência desde que haja acordo entre as partes. O contrato firmado abrange todas as áreas. Poderão participar do convênio estudantes matriculados nos cursos de graduação, pós-graduação e outros cursos oficiais oferecidos pelas instituições de ensino superiores em questão.

Os estudantes selecionados deverão participar do programa por no mínimo um semestre ou no máximo um ano acadêmico. Podem participar cinco alunos por ano. “O número de alunos de intercâmbio pode ser revisto anualmente, de forma a que seja alcançado um equilíbrio no período em que estiver em vigor o convênio”, explicou o professor Hermida.

Já os alunos da República Democrática do Timor-Leste serão selecionados pelo Ministério da Educação do seu país, desde que preencham os requisitos exigidos pela entidade acolhedora e pelo desempenho acadêmico e o nível de estudos alcançados por cada um dos candidatos.

Entre as principais atividades a serem desenvolvidas pelos estudantes destacam-se a pesquisa em conjunto, organização de seminários, conferências, simpósios, publicação de artigos em revistas especializadas, intercâmbio de material, equipamento de laboratório e entre outras. “A promoção das atividades e programas dependerá da disponibilidade financeira das partes celebrantes e ainda das parcerias que possam ser construídas com os organismos de patrocínio científico (CAPES, CNPq)”, esclareceu o professor.

A idéia do convênio surgiu no final de 2007 quando o professor Jorge Fernando Hermida publicou o livro “Educação Infantil: políticas e fundamentos” (Editora Universitária da UFPB, 2007. 296 p.), uma coletânea de textos organizada por ele em que discutia sobre os principais aspectos que envolvem a educação infantil no Nordeste. Após o lançamento, com enorme sucesso, em várias Capitais do país, Jorge Fernando Hermida teve conhecimento, através do professor cooperante brasileiro Everaldo Freire (um dos autores presentes na coletânea), que o livro seria adotado na República Democrática do Timor-Leste.

Foi quando o Chefe do Departamento de Formação de Professores das Séries Iniciais (DFPSI) de Timor-Leste, professor Lourenço Marques da Silva, prontamente sugeriu que a publicação fosse adotada nos cursos de formação de professores do país, e enviou uma carta ao professor Hermida solicitando a doação de exemplares. “De fato, esse país lusófono enfrenta casos de carência de recursos materiais educativos dentro do processo de formação dos novos candidatos a professores para o futuro do Timor-Leste”, disse Jorge Fernando Hermida.

De posse da carta enviada pelo professor Lourenço Marques se dirigiu ao Magnífico Reitor da Universidade Federal da Paraíba, professor Rômulo Soares Polari, para verificar a possibilidade de viabilizar a publicação de uma edição especial de mil exemplares da obra para ser doada e remetida ao Timor-Leste. Ciente da importância da ação, o Reitor propôs a realização de um convênio de intercâmbio acadêmico e científico que acabou sendo firmada oficialmente neste último final de semana.

Timor sua história e a língua portuguesa brasileira

A República Democrática de Timor-Leste é um dos países mais jovens do mundo. Atualmente é conhecido como Timor Português. O país foi uma colônia portuguesa até 1975, quando se tornou independente. Três dias depois da independência o país foi invadido pela Indonésia e considerado como a sua 27ª província com o nome de Timor Timur, permanecendo em solo timorense por cerca de 34 anos (1975/2004).

Mesmo com a invasão a Organização das Nações Unidas (ONU) considerou o país como sendo território português, por ter sido Portugal o seu primeiro colonizador. No dia 30 de agosto de 1999, cerca de 80% do povo timorense optou pela independência em referendo organizado pela ONU. No referendo o povo também votou a favor da manutenção da língua portuguesa como língua oficial do Estado.

No período da invasão o Regime Militar aboliu o Português como língua oficial de Timor-Leste e implantou a própria língua Indonésia (erradamente chamada por vezes bahasa). Devido à recente ocupação Indonésia, grande parte da população compreende a língua Indonésia e fala o idioma tétum (dos aborígines), mas só uma minoria o português. O idioma frequentemente utilizado pelas autoridades nacionais é o inglês. Depois do referendo, as crianças timorenses estão sendo alfabetizadas na escola em português brasileiro.

O Convênio de Intercâmbio Acadêmico e Científico chega ao país em um dos melhores momentos, pois além de contribuir para aprimoramento dos professores e enviar material didático contribui com o esforço de preservação da cultura imaterial, vital para a auto-determinação política e cultural neste importante momento histórico do país.

No final do mês de julho o presidente Luis Inácio Lula da Silva visitará o Timor-Leste. Na mesma ocasião estarão sendo entregues os livros da Editora Universitária da UFPB. “É um momento de muita responsabilidade e a UFPB está sendo uma instituição socialmente responsável no processo de difusão da produção acadêmica e da cultura nordestina, sendo solidária com um país que precisa consolidar sua autodeterminação e sua independência cultural”, concluiu Jorge Fernando Hermida

19 junho 2008
paraiba.com.br

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Visitando outro blogue (14)


Nas minhas habituais espreitadelas nos vários blogues sobre Timor, encontrei um texto de António Veríssimo, antigo moderador do blogue Timor Lorosae Nação, afastado (presume-se) do referido fórum por imprimir um cunho mais democrático na moderação dos comentários dos leitores, que em entrelinhas transparece uma certa mágoa pela incompreensão de algumas mentes mais fundamentalistas.

Apesar de diferenças de posicionamento político relativamente à política timorense, António Veríssimo tem recebido palavras de solidariedade de timorenses e amigos de Timor de vários quadrantes ideológicos, habituais leitores e comentaristas do Timor Lorosae Nação, estranhando o seu afastamento voluntário (?) e também porque se verificou que assim que este moderador democrata saiu de cena os senhores do lápis azul agiram de imediato, cortando vários comentários dos seus habituais participantes na discussão. Transcrevo também nesta postagem o comentário de Sakunar Sacana sobre o referido texto de António Veríssimo.


ACORDAI!

Evidentemente que quem envereda por se expor está a partir desse momento a habilitar-se a sofrer críticas. É natural. Não importa se são construtivas ou destrutivas, importa que são críticas que reflectem pontos de vista de quem reage à nossa opinião ou comportamento, seja onde for. Pode ser no cinema, rádio, televisão, política, jornais, etc. Coisa pública é assim e pior ainda quando se dá a cara, porque nos toca directamente. É normal. Nesta coisa dos blogues também é assim e se houver quem diga que não é saudável ficarei muito espantado.

Após as críticas a que se sujeita quem se expõe podemos fazer duas de muitas coisas: responder ou não responder e fazer que ignoramos. Claro que ainda podemos nem sequer tomar delas conhecimento, bastando para isso, neste caso, no caso dos blogues, não as ler e pura e simplesmente atirá-las para o lixo electrónico se chegarem por mail, ou não ler os comentários de for o caso. Cá por mim as críticas são para tomar em consideração, exceptuando as que vêm recheadas de palavras imprópria para consumo saudável.

Sei, porque sei, que no caso daquilo que está inserido no Timor Lorosae Nação, nos comentários, as críticas são provenientes, na maior parte dos casos de gente jovem, mas também de meia-idade, algumas até de organismos estatais de TL, vulgo funcionários públicos… ou lá próximo. Só por esse facto, pela falta de conhecimentos, pela falta de vivências, predisponho-me sempre a ser complacente e didáctico tanto quanto posso e sei, sem saber se realmente o consigo.

Sobre Timor-Leste, no Timor Lorosae Nação, principalmente, tenho procurado fazer sentir com toda a honestidade os meus receios relativamente à situação política do país e se algumas vezes exagero faço-o conscientemente, considerando esse exagero como se fosse um safanão que temos de dar a quem é mais dorminhoco e não quer acordar. Evidentemente que me podem mandar bugiar – que é aquilo que alguns fazem – e dizer-me que não tenho nada de lhes interromper o sono. Tudo bem. Mas isso não invalida que de vez em quando até indirectamente o safanão lhes toque.

Ensinou-me a vida que há os que acordam e aqueles que preferem viver na sonolência para não perderem lugar no colchão. Nem sabem eles que o melhor é estarmos despertos. Esse é um dos principais estádios do ser humano livre e é aquilo que nos diferencia de toda a outra bicharada.

Mas há quem não pense assim e eu vou ter de respeitar. Eu quero respeitar. Eu consigo respeitar. Eu sei respeitar.

O simples facto de muitas das pessoas que me criticam serem timorenses e às vezes parecerem estar zangadas comigo incomoda-me, desconforta-me. Como me desconforta ter sabido desde sempre que houve timorenses que traíram os irmãos antes e depois da ocupação indonésia, tendo-o feito voluntariamente e a cobrar benefícios. É que eu nem conseguia imaginar timorenses a trair os seus próprios irmãos, tal como o fizeram certos portugueses durante a ocupação espanhola ou durante as invasões francesas, nada disso. Evidentemente que nesse aspecto era eu que estava a dormir e tive de acordar para a realidade dolorosa.

Timorense, para mim, até determinada altura, era algo de puro, de transcendente, por ter sido aquilo que vi e senti nos anos em que acordava e adormecia com timorenses à minha volta, com eles todo o dia vivia. E se vivia! Mas está bem (mal), pronto, no melhor pano cai a nódoa… e em Timor também passou a existir traidores. Afinal, tal qual as baratas, há por todo o lado e na maior parte das vezes nem os vimos. Exactamente porque agora (e de há tempos para cá) já admito a existência de traidores de origem timorense é que imponho a mim próprio muitas cautelas nas análises que faço e nas pesquisas que me podem ou não pôr de sobreaviso sobre certas pessoas e situações.

Não me importam sobremaneira as pessoas do povo que possam ou não trair um amigo, um vizinho, apesar de as reprovar seriamente. Aquilo que me importa é os traidores da elite. Os que detêm as rédeas do Poder Militar e Político, os que se esforçam denodadamente por segurarem também as rédeas do Poder Judicial. São esses que me importam e me preocupam bastante. É contra esses que estou… e não me importa de que partidos políticos sejam ou venham a ser. Esses são os verdadeiros inimigos dos timorenses, os verdadeiros inimigos de Timor-Leste!

Evidentemente que quando se fala e se comprovam “negociatas” de cedências de terrenos que abrangem áreas enormes de um país tão pequeno, quando se fala em processos contratuais de muitas dezenas de anos ou até uma centena ou mais.

Quando se fala de deixar para outros os controles de regulação da exploração do Mar de Timor…

Quando não se fala, nem quase nada se faz, para resolver os problemas dos desalojados, da Lei da Terra e das Propriedades…

Quando se fala em despender quase dois milhões de dólares americanos em viaturas para deputados e nem um milhão se despende para construção de casas…

Quando se abraçam impavidamente generais torcionários de centenas de milhares de timorenses ou se vai ao funeral de um ditador - principal responsável por essas centenas de milhares, quando podem para o efeito da manutenção de boas relações diplomáticas enviar um Secretário de Estado…

Quando se nomeiam mulheres e familiares de ministros e detentores de outros cargos de Estado para negócios que por vezes envolvem milhões de dólares…

Quando a “vox populi” e a oposição falam em corrupção acentuada e a reacção é a esfarrapada frase “os rumores em Timor…” em busca do esvaziamento dos “zunzuns” e/ou do que é apontado como indícios…

Quando se prometeu roupas, calçado, computadores nas escolas… mas as crianças continuam esfarrapadas, mal vestidas, descalças, sem frequentar as aulas pedindo e vagueando pelas ruas…

Quando essas mesmas crianças apedrejam a viatura do primeiro-ministro e lhe chamam traidor e ainda isso pincham nas paredes… Mas, afinal, quem não quer um safanão e acordar deste pesadelo?

Certo e sabido é que mais uma vez virão para os comentários dizer que esta é uma operação Fretilin, patati-patatá…

Ora, meus caros, eu quero que a Fretilin, e todos os partidos que não respeitem as regras democráticas vão prá… (isso)! Quem poderia acusar de traição os que não agissem como mais acima reza e me parece ser incontestável?

Se, na realidade, conforme o prometido, as prioridades fossem para a reconstrução de casas e realojamento das pessoas…

Se as crianças andassem TODAS a frequentar o ensino OBRIGATÓRIO e não a vadiar, a esmolar… (é que andando uma na rua nessas circunstâncias em horário escolar já é demais).

Se os negócios e medidas anunciadas para esses negócios não existissem e em vez disso se notasse uma forte aposta no desenvolvimento das pescas, da indústria, da agricultura dirigida para produtos necessários às populações de forma a fomentar a auto-sustentabilidade…

Assim, quem poderia chamar-lhes traidores?

Assim, quem poderia reprovar as decisões e as medidas postas em prática?

Não seria assim que não se deixaria lugar a dúvidas de que o “regime” anterior não prestava ou pelo menos que este governo era melhor?

Seria, seria, mas não é aquilo que infelizmente acontece, antes pelo contrário. Como tal, porque tudo se está a desenhar para um apressado e violento saque das riquezas do país, pertencentes ao seu povo e para ele disso beneficiar desde JÁ, porque os traidores e criminosos saqueadores sabem muito bem aquilo que estão a fazer e tementes requerem com veemência que militares estrangeiros os protejam…

Acordem, aproveitem os safanões e procurem alternativas que devolvam o seu a seu dono, aos timorenses, porque os saqueadores já roubaram demais até este momento. Já assim o estão a fazer desde o princípio deste século, antes da proclamação da independência reconhecida pela comunidade internacional!

Chega! ACORDAI!

António Veríssimo

Publicado no blogue http://paginalusofona.blogspot.com/

Comentário de Sakunar Sacana:

Amigo Veríssimo:

Ao ler o seu texto, aliás muito bem "esgalhado", lembrei-me de um comentário meu que como o seu também fala de "O SEU A SEU DONO" e envio-lho como uma achega para construção de idéias e "desidéias" sobre Timor. Um abraço.

XANANA ESTÁ A GOVERNAR O PAÍS COM UM ORÇAMENTO EQUIVALENTE A QUATRO ANOS DE ORÇAMENTO DE ESTADO DO MEU TEMPO. (Mari Alkatiri)

Alkatiri ainda não percebeu que o dinheiro do petróleo de Timor pertence ao povo e não a ele, à sua família, e à Fretilin?

Um povo que sofreu durante séculos a pobreza que uma colonização pobre, que nada lhe deu, e que ansiava pela sua independência, tanto política como económica, principalmente para poderem usufruir dos bens a que tem direito, não pode sem um sentimento de revolta compreender, que enquanto alguns governantes ficam ricos, eles os efectivos donos do pais continuam pobres.

Os orçamentos rigorosos do Mari Alkatiri, foram rigorosos mas curtos, pois que para ele apenas contavam aqueles que giravam à sua volta, e os que possuíam os tais cartões mágicos de sócios da Fretilin.

Quando o Primeiro Ministro Xanana que ele coloca agora ao nivel de estúpido, começou a governar, determinou como objectivo primeiríssimo o povo, o tal povo que durante quatro longos anos de Independência tinha visto ao longe o brilho da riqueza na mão daqueles que o governava.

O que o Xanana está a fazer é dar um pouco do SEU A SEU DONO, pois que em 8 meses de governação, onde foi de todo o modo destabilizado pela acção dos patriotas Fretilianos que como sempre pôem o Partido acima da Nação, pouco poderia fazer sobre reformas e implementações de raíz.

Os problemas deixados pelo governo anterior, como os desalojados e os principalmente os peticionários e também os atentados contra o PRESIDENTE e PRIMEIRO MINISTRO, surgidos, estou certo, da necessidade de destabilizar, foram obstáculos de grande relevo no panorama político da Nação.

Quando o doente está a morrer, PRIMEIRO USAM-SE OS REMÉDIOS E SÓ DEPOIS SE PERGUNTA QUEM OS VAI PAGAR.

O Orçamento de Xanana é isso mesmo, era urgente salvar o doente, o povo, e por isso o orçamento teria que ser maior do que o de Alkatiri, E AINDA BEM!

...A CRIAÇÃO DE UM FUNDO QUE JÁ ULTRAPASSOU EM MUITO AS EXPECTATIVAS, QUE JÁ ATINGIU O VALOR QUE ERA ESPERADO TER EM 2019.

Claro que o fundo referido é mesmo esse que nós sabemos, e que determina, a urgência que o Mari pôe nas eleições antecipadas. O dinheirão que está guardado em nome de Timor, e que pertence a todos os Timorenses, faz cócegas nas mãos do senhor Alkatiri, pois que ainda por cima o Xanana está a dividi-lo pelos seus donos (o povo) em subsídios para a terceira idade, e outros benefícios a que o povo tem direito.

Já surgem reclamações de que os subsídios que o governo está a dar para compensar o aumento do preço dos artigos de primeira necessidade, mata a agricultura, pois que esses artigos ficam mais baratos do que podem ser produzidos. Demagogias de quem nunca se preocupou com a agricultura, deixando àreas como as de Suai e outras, entregues a pessoas que apenas davam assistência aqueles que eram das suas cores.

Como disse o meu amigo A. Veríssimo de que no tempo de Mari Alkatiri “Mais importante que regular a intromissão da igreja no ensino oficial, ou os efectivos militares, seria desenvolver as pescas, a agricultura, a indústria, o comércio e cativar investimento… Isso não foi feito com a paixão devida”.

Concordo e subscrevo.

VAMOS FAZER UM TRABALHO POLÍTICO MAIS PROFUNDO COM A POPULAÇÃO PARA ESTA ENTENDER A SITUAÇÃO E VER A DIFERENÇA ENTRE ESTES DOIS GOVERNOS".(Mari Alkatiri)

O trabalho profundo que Mari terá que fazer é explicar ao povo que aquilo que Xanana faz é mau para o País porque esses subsídios que o governo está a dar facilitando a vida difícil dos Timorenses, os vai tornar preguiçosos e dependentes desses benefícios.

Que a Fretilin vai fazer orçamentos pequenos, fáceis de executar e vai criar estruturas nacionais para aumentar a riqueza do País, e que daqui a 20 ou 30 anos o povo já pode começar a usufruir da riqueza Nacional. Antes, subsídios e outros beneficios para o povo, NADA.

Que todos aqueles que quizerem ser Timorenses de “gema” terão que ter o cartãozinho e cotas em dia, e esses sim podem ter todas as benesses de Timorenses.

Mari tem que pensar que esse trabalho político mais profundo já está feito pois que o povo de Timor, é, mercê de muitas mentiras do passado, desde dos tempos de “hori uluk”, um politíco atento a todas as nuances da governação.

O Mari que não se esqueça que a força da Fretilin é uma força de “suku”, que se encontra no Leste do País, e que essa força são essencialmente os 29% da votação que encontrou nas ultimas eleições. Eles votaram na Fretilin de Luolo e não na Fretilin de Alkatiri, cujo “suku” se situa no Yémen, e em Maputo.

Não se esqueça que o trabalho profundo com a população, fez ele próprio durante os quatro anos de governação, e mais, que o Luolo está à espreita para um dia ser o Secretário-Geral.

Quem o avisa amigo(?) é. Amigo? conhecido e de longe.


SAKUNAR SACANA

18 de Junho de 2008 7
:06

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Visitando outro blogue (13)


Na minha habitual ronda por outros blogues encontrei no blogue Timor Lorosae Nação outro comentário de Maria (apoiante de Xanana Gusmão), na caixa de comentário da postagem «Com gente assim só ao estalo», e logo a seguir o respectivo contraditório de Margarida (apoiante de Mari Alkatiri). Leiam (convém ir até ao referido blogue) e tirem as vossas próprias conclusões.

Maria disse:

"COM GENTE ASSIM SÓ AO ESTALO!..."

O Governo Alkatiri não esbanjou dinheiro. Devemos ser justos e correctos nas informações! O Governo de Alkatiri 'apenas' ficou com todo o dinheiro, ou melhor, os irmãos do Alkatiri ficaram com todo o dinheiro, ‘legalmente’.

Quando morreu Suharto, da Indonésia, morreu como o general-presidente mais pobre da Ásia. Porém, os seus filhos estão podres de ricos…

Alkatiri “apenas” deu aos irmãos todos os concursos de aprovisionamento.

Senão vejamos:

“Belak Fuel”, uma companhia distribuidora de combustível, é propriedade do irmão de Mari Alkatiri e tem ganho,‘legalmente’, todos os concursos públicos.

“Cavalo Bravo”, uma companhia importadora de armas, também pertença do irmão de Alkatiri, também ganhou todos os concursos 'públicos' para importação de armas, embora o dono não tenha qualquer especialização na matéria, nem possua técnicos com formação especializada. Até chega a importar armamentos para Timor, sem qualquer inspecção por parte das Forcas Armadas (F-FDTL). Muitas vezes até entram em Timor camionetas carregadas de munições, via fronteira terrestre, sem se sujeitarem a inspecção alguma. E todas as ‘armas-modelo’ que os fornecedores levaram para Timor, não as levaram de volta com eles, deixaram-nas ficar em poder do irmão de Alkatiri.

Onde estão essas armas agora??? Não estão registadas. Logo, são ilegais!

A aquisição dos aprovisionamentos para a construção de estradas em Díli, bem como noutros Distritos, tem sido sempre “ganha” pela companhia dos irmãos de Alkatiri. Todavia, essas estradas, todos os anos, voltam a ser reconstruídas...

Um deputado, recentemente, fez notar que a estrada de Díli para Ainaro está sempre a ser arranjada, embora o concurso seja sempre ‘ganho’ pela mesma companhia. E então, quis ele saber, quais são os critérios em que se baseia o concurso para a construção das estradas?

Como é que uma companhia que, ano após ano, reconstrói as estradas, sem que estas fiquem devidamente arranjadas, pode continuar a ganhar repetidamente os concursos?!

Uma pergunta interessante e muito pertinente!...

E dá que pensar...

17 de Junho de 2008 1:11

A contra-argumentação de Margarida.

Margarida disse:

É pena que não tenha posto as questões na hora certa às entidades certas, nomeadamente às da ONU pois não ignora - claro que não, está fartinha de saber! - que muitos desses concursos datam do tempo e da responsabilidade da ONU!

E também é pena que não tenha apresentado queixa a quem de direito, mas que ande, agora, anonimamente - e o anonimato é sempre a arma dos cobardes - a levantar suspeições.

Mas está a tempo, avance com queixas para a PGR, e não se lembre de tornar a difamar sob o anonimato se não teve coragem para apresentar queixa junto das entidades. Aliás, antes, estes difamadores cobardes, alegavam que não faziam queixa por medo, esquecem-se que o Mari já está há um ano fora do governo. Parecem, os medrosos, que continuam com medo. Que tal comprar um cão, arranjar coragem e fazer a queixa junto de quem de direito?

17 de Junho de 2008 2:20

http://www.timorlorosaenacao.blogspot.com

Violência pós-referendo em Timor-Leste

Investigação a crimes de 1999 reaberta

Especialistas das Nações Unidas reabriram no terreno a investigação dos crimes mais graves cometidos em 1999 em Timor-Leste, afirmou hoje à agência Lusa o magistrado que dirige a equipa.

Lusa

A Equipa de Investigação de Crimes Graves (SCIT, na sigla inglesa) das Nações Unidas recomeçou a actividade no terreno e está a investigar os casos mais graves de violência cometida em Timor-Leste em 1999, explicou o magistrado polaco Marek Michon, que dirige o grupo.

A SCIT continua o trabalho e tem um mandato semelhante ao da Unidade de Crimes Graves (SCU) que existia no seio da Procuradoria-Geral da República até ao final de 2004.

"Apesar de sermos parte da missão das Nações Unidas no país, a SCIT trabalha sob a supervisão e a direcção da PGR", adiantou Marek Michon.

A SCIT, porém, tem apenas competências de investigação, um mandato mais limitado do que o da SCU, que podia também abrir processos judiciais, uma competência que era inerente ao facto de ser parte da PGR timorense.

Processos reabertos

A reabertura da investigação dos crimes de 1999 foi objecto de um memorando de entendimento com o Governo timorense, longamente negociado, assinado em Fevereiro de 2008, que permitiu à nova SCIT ter acesso ao arquivo dos processos que a SCU deixou em 2004.

Os meses seguintes, segundo Marek Michon, foram gastos na inventariação (recuperando os ficheiros, as provas físicas, provas forenses, amostras de ADN e a base de dados) e na análise de cada um dos 511 casos "congelados" desde 30 de Novembro de 2004, data em que a SCU suspendeu todas as suas investigações.

Após a inventariação e análise, a SCIT ficou finalmente em condições de definir um plano de investigação, que pôs em prática nas últimas semanas em vários distritos do país.

Marek Michon afirmou que, nos últimos três anos, não houve investigação substancial aos crimes de 1999, entre outras razões porque a crise política e militar de 2006 sobrecarregou o sistema judicial com novos casos, mais urgentes.

"É fácil de perceber que os ficheiros da SCU não foram quase mexidos nem usados desde 2005, porque a PGR tem falta de investigadores", ressalvou Marek Michon.

A SCIT conta com 27 especialistas internacionais e 22 timorenses, dirigidos pelo investigador principal, Marek Michon, com cinco equipas regionais operando a partir da sede em Díli e de escritórios em Baucau, Maliana e Suai.

Em Díli, funciona o serviço principal da SCIT e o Laboratório de Antropologia Forense.

"Queremos completar os casos que já estavam abertos", explicou Marek Michon à Lusa: "É um dos critérios do plano de investigação, além da gravidade dos crimes cometidos".

"A nossa investigação estabelece os factos e é com base neles que a Procuradoria decide o que fazer, se arquivar ou abrir processo", referiu o magistrado polaco, salientando a "cooperação modelo" da SCIT com a PGR timorense.

Marek Michon adiantou que a SCIT e a PGR "têm quase concluído um plano que resolverá o problema da falta de um laboratório de ADN no país".

Em relação ao trabalho da SCU, o chefe da SCIT explicou que a maior parte da investigação anterior não envolveu patologia forense nem antropologia forense e que "o que se fazia não era uma autópsia total, mas uma observação de restos mortais".

Investigações começaram em 2000

A SCU foi estabelecida no ano 2000, sob a Autoridade de Transição das Nações Unidas para Timor-Leste (UNTAET), meses após o referendo de 30 de Agosto de 1999, para investigar a violência associada à consulta popular e cometida sobretudo por milícias pró-indonésias.

O mandato da SCIT abrange todos os crimes cometidos no mesmo período que o da SCU, entre 1 de Janeiro e 25 de Outubro de 2000.

A SCU investigou e produziu acusações em 572 (ou 40%) dos 1400 crimes registados entre Janeiro e Outubro de 1999.

De entre esses crimes, 95 acusações foram abertas junto do Painel Especial para Crimes Graves do Tribunal Distrital de Díli, envolvendo 391 arguidos.

O Painel Especial condenou um total de 84 acusados e ilibou três, presumindo-se que 303 dos arguidos se encontra fora de Timor-Leste.

Indultos presidenciais

No dia 20 de Maio deste ano, o Presidente da República, José Ramos-Horta, anunciou a redução de penas para um grupo alargado de situações, que abrangeu 94 detidos nas prisões timorenses, incluindo os únicos nove ainda presos por crimes contra a humanidade.

"É uma prerrogativa presidencial", respondeu Marek Michon quando questionado sobre se o trabalho da SCIT surge na contramão da benevolência do sistema judicial timorense para com os criminosos de 1999.

"A nossa obrigação é apenas a de investigar os crimes e a de estabelecer a verdade dos factos. A justiça é autónoma", concluiu o chefe da SCIT.

SIC Online, 16-06-2008