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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Tese australiana da execução de Reinado

A Polícia Federal Australiana (AFP) defende a tese de execução de Alfredo Reinado na residência do Presidente Horta. O relatório da polícia australiana, a quem foi solicitada perícia balística pelo Ministério Público timorense, diz, de acordo com um jornal de Sydney (de maior circulação nesta cidade australiana, segundo Jorge Heitor - http://heitor-omximo.blogspot.com/), que a arma com a qual o soldado Marçal disse ter disparado contra Reinado não é a mesma que o matou, assim como o seu guarda-costa Exposto.

Não entendo esta informação do pseudo-relatório da AFP, se é que existe um relatório com este teor, e não ter sido facultado às autoridades timorenses que solicitaram a peritagem balística para ajudar a encontrar a verdade de tudo o que aconteceu em 11 de Fevereiro de 2008.

Agora, não percebo (e não entendo mesmo) como é que o blogue http://timorlorosaenacao.blogspot.com/ (TLN) - que sempre disse cobras e lagartos dos australianos - vem servir-se de porta-voz da política expansionista da Austrália. Não nos iludamos: Austrália sempre quis e continua a querer transformar Timor no seu quintal das traseiras, como está a fazer em relação à Nova Guiné Papua (independente?), Fiji, Salomão e Vanuatu. Mas, a Austrália sabe também que connosco, com os timorenses, dificilmente conseguirá os seus intentos... Mas vai desestabilizando politicamente Timor a fim de poder explorar sem resistência os nossos recursos petrolíferos do Mar de Timor, com a ajuda de alguns fretilinos maputanos e sua legião estrangeira de escribas, durante os cinquenta anos concedidos de mão-beijada pelo então Primeiro-ministro Mari Alkatiri (2002).

A propósito do artigo de Jorge Heitor, republicado no blogue TLN (2/08/2009), sobre a hipotética execução de Reinado nas instalações da residência do PR Horta, um anónimo deixou um comentário na caixa de comentário.

«Anónimo disse...

As autoridades timorenses pediram a Policia Federal Australiana (AFP) para fazerem um teste de balistica, por falta de recursos e facilidades em Timor, mas nao contentes com o simples pedido, a AFP achou que tinha que oferecer tambem teses especulativas sobre a POSSIBILIDADE de politicos terem feito uma cilada a Reinado.

Ate podiam ter sido extra-terrestes de marte se isso convencesse os timorenses a causarem de novo instabilidade que a AFP ficaria contente.

Esta e' que e' hein!!

Mas quais sao os interesses do governo Australiano em Timor? Eles estao interessados num Timor estavel e prospero? Claro que nao!!

E quando e' que as autoridades Australianas se apercebem que Timor ja nao descamba em instabilidade so porque ales assim o querem?

E desde quando e' que o TLN passou a acreditar nas autoridades Australianas a ponto de agora ate darem relevo e destaque as suas teorias. Teorias sim porque nao passam de teorias e especulacoes. Isso e' que foi uma grande reviravolta de fe por parte do TLN. Ou sera so conveniencia? Hehehehe

Gostaria de saber o que o Dr Haneef pensa sobre a AFP visto que eles ate fabricaram 'evidencias' para tentar incrimina-lo nos actos terroristas em Londres. O que valeu ao Dr Haneef foi que a sociedade civil Australiana nao vai nas suas cantigas nem mesmo da sua Policia Federal e depois de uma investigacao interna a AFP foi forcada a liberta-lo porque as 'provas' que eles tinham contra o homem eram fabricadas.

Deixem os tribunais timorenses fazerem o seu trabalho e chega com as interferencias externas.

Timor ja nao se vai descambar em violencia so para beneficiar os interesses Australianos sobre o petroleo no Mar de Timor.

Ponto Final!!

4 de Agosto de 2009 15:39»
in Caixa de comentário do TLN

terça-feira, 28 de julho de 2009

Frustrações alkatirianas

Alkatiri e os seus compagnons de la route estavam muito esperançados que o PR Horta lhes desse uma ajudinha para criar instabilidade política com críticas infundadas à acção governativa do Primeiro-ministro Xanana, a fim de encontrar pretensas razões objectivas para dissolver o Parlamento, possibilitando assim a tão desejada realização das “eleições antecipadas” para apear Xanana do poder e fazer sentar Alkatiri na cadeira de primeiro-ministro – que já foi sua durante quatro anos e um mês. Esta expectativa alkatiriana cresceu com a nomeação de Ana Pessoa – membro do Comité Central da Fretilin e pertencente ao círculo restrito da entourage do chefe Alkatiri – para Procuradora Geral da República. Mas, o tiro saiu pela culatra e ficaram chamuscados com a pólvora, turvando-lhes a visão… e já não dizem “coisa com coisa”!

Nem Horta lhes fez a vontade, nem a Ana Pessoa (penso eu, até se ver), que está a tornar-se magistrada, metendo a sua condição de política na gaveta.

De Ana Pessoa esperavam, enquanto Procuradora Geral da República, que desse seguimento às acusações a Primeiro-ministro Xanana de corrupção por Bano, Teixeira e Alkatiri; e que retirasse a acusação de conspiração contra a segurança do Estado a Angelita Pires e quiçá também a Salsinha! Porque a verdade está para chegar, via Angelita e Salsinha. No tribunal. E não querem que se chegue à verdade. E a verdade é que estavam por detrás do Reinado para decapitar o Estado timorense, para serem reis e senhores de Timor. Porque se tivesse tido êxito o 11 de Fevereiro, desaparecido o PR e PM, adivinha-se quem, aproveitando-se da situação criada, poderia apoderar-se do poder e tornar-se o todo poderoso de Timor.

Por isso, parem de carpir e deixem-se de queixumes. As vossas acusações a Presidente da República (tratando-o depreciativamente por José Manuel) de, supostamente, ter influenciado ou mesmo pressionado Gastão Salsinha para não dizer a verdade à Justiça são areia para os olhos daqueles que desconhecem a aliança com Alfredo Reinado, pouco antes do atentado. E o videozinho de Reinado a acusar Xanana, produzido a mando de quem toda a gente sabe, vem testemunhar este casamento, de conveniência. Aguardemos pelo final do julgamento.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Atentado de 11/02: começo do julgamento

Timor-Leste: Suspeitos do ataque a Ramos-Horta começam esta segunda-feira a ser julgados

Díli – Começou esta segunda-feira em Díli, o julgamento dos suspeitos da tentativa de assassinato do Presidente timorense, José Ramos-Horta, e do primeiro-ministro Xanana Gusmão, em Fevereiro de 2008.

Entre os arguidos, encontram-se essencialmente antigos soldados rebeldes e Angelita Pires, companheira de Alfredo Reinado, o oficial expulso das Forças Armadas timorenses e alegado líder do duplo atentado, no qual perdeu a vida. Angelita Pires, que tem dupla nacionalidade, timorense e australiana, é a única civil entre os 28 réus deste processo, que se arriscam a receber até 20 anos de cadeia por «tentativa de assassínio». A companheira de Alfredo Reinaldo é acusada de o ter incitado a procurar matar tanto o chefe do Estado como o primeiro-ministro Xanana Gusmão e arrisca-se por isso a uma pena de três anos, como cúmplice. «Vou bater-me pela memória de Alfredo Reinado. Vou exigir justiça», declarou Angelita Pires à entrada do tribunal.

No dia 11 de Fevereiro de 2008, Alfredo Reinado foi a casa de Ramos-Horta tendo os guardas abatido o antigo oficial das Forças Armadas timorenses. O Presidente ficou gravemente ferido, ainda em circunstâncias indefinidas, tendo sido retirado para a Austrália, onde ficou dois meses em recuperação. Nesse mesmo dia, Xanana Gusmão afirmou ter sido alvo de uma emboscada, à qual conseguiu escapar, mas existem dúvidas sobre a veracidade deste segundo incidente. Depois de ter regressado a casa, José Ramos-Horta falou com alguns dos suspeitos, entre os quais Gastão Salsinha, que assumiu a liderança da revolta depois da morte de Alfredo Reinado e que acabou por se entregar em Abril de 2008.

Os acusados foram levados em camiões desde a prisão até ao tribunal, mediante fortes medidas de segurança.

(c) PNN Portuguese News Network
Jornal Digital, 13/07/2009

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O REPÓRTER DE 11 DE FEVEREIRO


O senhor da foto do meio (parte da cara tapada pela senhora do primeiro plano) é Nuno Franco. Foi quem relatou em primeira mão - além de Mari Alkatiri - para as rádios e televisões portuguesas, nomeadamente TSF e SIC, o atentado contra a vida do Presidente da República, omitindo convenientemente o atentado contra o Primeiro-ministro Xanana Gusmão.

Sabe-se agora que esta mesma personagem, Nuno Franco, quem fez as fotografias exclusivas do corpo do ex-major Alfredo Reinaldo e do seu guarda-costas na mesma manhã do 'golpe' passada apenas cerca de uma hora do atentado para a decapitação do Estado timorense, do qual saiu gravemente ferido o Presidente Horta.

Agora, falta descobrir quem fez a foto da viatura oficial do Primeiro-Ministro Xanana Gusmão, imobilizada na berma da estrada, crivada de balas, visíveis os estragos no vidro traseiro e na respectiva chapa.

Meus amigos, é interessante ver que, logo naquela manhã, havia repórter(es) em cima dos acontecimentos nos dois locais de atentados - sítios ermos, fora de Díli - para captar as imagens das mortes e do carro imobilizado do Primeiro-ministro. E reportar in situ para os média portugueses.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

«Mas isto é só uma opinião»

Os apoiantes de Mari Alkatiri continuam a propalar na blogosfera, nomeadamente no conjunto de blogues da chamada Fábrica de Blogues, que Xanana Gusmão era o cérebro por detrás do atentado de 11 de Fevereiro passado contra Ramos Horta e que para desviar a atenção sobre si 'encenou' os tiros contra a sua própria caravana de viaturas ocorridos cerca de uma hora depois de o Presidente da República ser gravemente ferido, correndo assim o risco de ser atingido por vontade própria.

Nas minhas rondas pelos blogues temáticos sobre a política timorense, encontrei uma opinião de um leitor de Timor Lorosae Nação na caixa de comentário da postagem «HORTA COM MEDO E TIMOR CONTINUA "ENTREGUE" A XANANA GUSMÃO», da autoria de Alder Pinoca (28/07/2008), inicialmente publicada no blogue Opinião Lusófona.

Passo a transcrever, então, a opinião de um leitor que assina Nune Karik sobre os atentados de 11 de Fevereiro.


O Alfredo Reinado, paz a alma dele, quando decidiu abandonar o quartel disse que era por causa do diabo Alkatiri, do seu governo déspota e das violacões da constituicão que estavam a cometer na altura.

Mais tarde quando percebeu que nem o governo da AMP estava preparado para fechar os olhos aos actos pelo qual era acusado, e que aliás tinham sido fortemente condenado pelo próprio Xanana na altura da sua ocorrência, e que no mínimo dos mínimos teria que defender-se das acusacões contra ele num tribunal, mudou de ideias e ja dizia que afinal de contas o Xanana é que era o diabo.
Vejo nessa mudança um acto de desespero numa tentativa de adiar o inevitável que era entregar-se a justiça apesar de ter continuado a dizer que o faria voluntariamente.

Comprende-se que nas suas circunstâncias e a seriedade das acusacões, ele tinha que arranjar qualquer desculpa para não se entregar a justiça optando em vez disso por usar o seu potencial bélico para forçar uma saída mais airosa.

Enfim, paz a alma dele.

Nao acredito que ele tivesse ido a casa do Horta para o matar, mas também o próprio Horta nega terminantemente tê-lo convidado a lá ir. Na minha opinião Reinado foi lá por iniciativa própria para assegurar-se que Horta nao estava a vacilar perante as dificuldades levantadas na reunião que teve com os partidos políticos dias antes e traí-lo a última da hora, e ao mesmo tempo para pressioná-lo apressar a prometida solução para o seu caso.

Reinado estava com os nervos em flor da pele a ver a possibilidade de Horta não ser capaz de cumprir o prometido. Até porque a posicão das chefias militares, em particular a de Taur Matan Ruak, era que jamais aceitaria o regresso de Reinado às forças armadas.

O que Reinado não contou ou pelo menos não soube antecipar na sua inesperada visita a casa de Horta foi a reacção dos guardas presidenciais da F-FDTL que, diga-se à partida, nutriam um ódio mortal a ele e aos seus homens devido aos incidentes de Fatuahi em que alguns dos seus colegas tinha sido mortos pelo Alfredo ou pelos homens de Alfredo.

Sucede-se que Alfredo e o seu braço direito são alvejados mortalmente deixando os seus homens sozinhos, confusos, sem comando e mais que certo a espumarem de raiva por verem o seu comandante morto no chão. O Horta aproxima-se da sua casa e num acto de reflexo motivado pelo momento de raiva e irracionalidade um dos homens reage contra Horta e alveja-o para matar.

Salsinha ouve as notícias da morte de Reinado algum tempo depois e resolve agir, mas nao tem a mesma motivação do homem que alvejou Horta porque todos os seus homens estão vivos. A falta de uma forte motivacão de vinganca para matar Xanana combinada com o fogo de resposta dos escoltas internacionais do PM Xanana resultam a que Xanana escape ileso do ataque.

Inicialmente Salsinha procura negar responsabilidade pelo ataque, mas na impossibilidade de esconder a sua presença e a dos seus homens na área fortemente armado acaba por admitir que atacou sim mas so para assustar. Pensava ele que assim pudesse minimizar a seriedade das suas acções, perdão ações.

Se o ataque a Xanana Gusmão tivesse sido montado pelo próprio como a propaganda da Fretilin quer nos convencer, Salsinha e os seus homens teriam que ser cúmplices e estarem em compadrio com Xanana para implementar um plano destes. Isto é muito improvável visto que nenhum deles tem qualquer razão para sentirem-se tão fiéis a Xanana a ponto de arriscarem uma longa pena de prisão para si sem denunciar Xanana como sendo o cérebro por trás de toda esta alegada montagem. Até porque Xanana Gusmao estava activamente a envidar esforços para desgastar a influência de Salsinha e os seus mais chegados junto dos peticionários numa tentativa de assegurar uma célere resolução do problema dos peticionários.

É de notar que Xanana tentou reunir os peticionários em Aileu e Salsinha não só boicotou essa reunião como dias depois juntou-se a Alfredo Reinado para fazer uma grande parada militar participada por centenas de peticionários numa clara demonstração de desafio e tentativa de minimizar a autoridade de Xanana assim como a efectividade das suas iniciativas. Era um autêntico jogo de braços de ferro e de definir quem era o gato e quem era o rato. Este Salsinha não é o homem, fiel servidor de Xanana pronto a sacrificar-se a si e aos seu homens para salvar a pele do mestre. A ser verdade que Xanana estava por trás disto tudo já o Salsinha e os seus homens tinham apontado o dedo num acto de defesa própria para minimizarem as suas responsabilidades. Não o fizeram até agora porque Xanana foi definitivamente o alvo, nunca o mestre.

Angelita Pires sabe muito mais do aquilo que ela quer admitir. Mas admitir o conhecimento do plano de Reinado é admitir cumplicidade nesse acto. Acto esse que ganhou uma maior dimensão e maior gravidade desde o momento em que Ramos Horta foi alvejado e quase morreu nas mãos do grupo de Reinado. E desde o momento em que Xanana foi atacado mesmo tendo escapado ileso. O acto de aparecerem armados em casa do PR e do PM armados e desarmar os guardas do primeiro ja era sério a partida, mas os tiroteios que daí resultaram e o alvejamento do PR Horta tornou-se o num acto de alta traição e crime contra o Estado. Numa situacão de tamanha gravidade e com Alfredo morto, Angelita achou que o melhor a fazer era passar-se pela pobre amante sem o mínimo conhecimento da causa e do que se estava a passar. Mesmo sabendo que não era a intenção de Alfredo matar o PR Horta ou o de Salsinha atacar Xanana, os resultados no terreno são demasiado graves para assumir qualquer conhecimento do que na verdade se estava a passar.

Mas isto é só uma opinião. A verdade dos acontecimentos está prestes a sair e tudo ficará esclarecido.

Nune karik

29 de Julho de 2008 1:08

http://www.timorlorosaenacao.blogspot.com/

terça-feira, 1 de julho de 2008

Dormindo com o inimigo em Timor


É o título de um artigo de opinião de Felícia Cabrita (diz ela que é uma reportagem sobre 11/02) publicado neste sábado, 28/06, na revista TABU do semanário SOL, nº 94. Esta 'reportagem' está cheia de considerações e convicções pessoais sempre com o fito de queimar a imagem de Xanana e colocar nos cornos da lua Mari Alkatiri.

Para além de ser um texto militante da causa alkatirista, distorce factos e ficciona acontecimentos (factos e datas que não coincidem, enredos quase completamente inventados).

sábado, 3 de maio de 2008

A justiça do Timor do antanho

Timor-Leste: confraternização de captores e cativos

À uma primeira leitura parece aos nossos olhos ocidentais como bizarro uns cativos serem recebidos pelos seus captores com braços abertos, como se de um filho pródigo se se tratasse e não de alguém que andava fugido à justiça por um crime que colocou em risco a soberania do seu país. Gesto que suscitou acesas e compreensíveis críticas por parte dos não timorenses, por um lado, por desconhecer a alma timorense, por outro, porque semelhante gesto de magnanimidade não ser usual nos países ditos desenvolvidos.

Estou a referir-me às recepções dadas no Palácio do Governo aos homens de Alfredo Reinado e Gastão Salsinha, autores dos atentados de 11 de Fevereiro contra o presidente timorense José Ramos Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, nas suas sucessivas rendições de dois, três ou quatro rebeldes de cada vez, que culminou com a rendição do próprio Salsinha a 25 de Abril.

O cúmulo desse gesto magnânimo dos vencedores das forças de defesa e polícia timorenses é a festa rija de confraternização regada à cerveja e com muita música e karaoke (e que só faltaram umas meninas para que o ramalhete fosse mais bem composto) com Salsinha e catorze dos seus últimos homens, na terça-feira passada à noite, no Bairro de Farol, Díli, a duzentos metros da residência do antigo primeiro-ministro Mari Alkatiri, que se queixou na manhã seguinte do barulho da música aos jornalistas.

Eu próprio estranhei muito este gesto de receber os inimigos de ontem, rendidos e desarmados, de braços abertos, nas montanhas e em Díli, no Palácio do Governo, por parte de soldados que antes os perseguiam. A minha curiosidade foi tanta que inquiri alguns timorenses sobre este facto e arranquei esta simples explicação: é o funcionamento da justiça timorense nativa do tempo dos seus avós.

Antes de a administração colonial portuguesa se estender por todo o território timorense, que só ocorreu nos princípios do século vinte, não havia cadeia nem prisões para quem cometesse algum crime, desde os mais hediondos até o mais pequeno delito. Assim, em caso de assassínio o criminoso depois de julgado pelos anciãos do clã ou é sentenciado com a pena capital (e passado a fio de espada) ou adoptado pela família do assassinado (ficando a trabalhar até à morte para esta família como indemnização). E relativamente aos crimes menores a pena era quase invariavelmente um pagamento de indemnização em búfalos, cavalos, cabritos, porcos, espadas, panos ou colares à família ofendida. E em caso de guerra os guerreiros vencidos cativos eram reduzidos a escravatura e ficavam a trabalhar para o clã vencedor toda a vida, sendo essa condição escrava estender-se para todo o sempre a todos os seus descendentes.

Por isso, os gestos acima referidos tão criticados pelos não timorenses, que se orientam pela noção de justiça mais moderna, têm a sua explicação na justiça nativa original timorense. É uma reminiscência da administração da justiça do passado longínquo timorense.


quinta-feira, 1 de maio de 2008

Festa conjunta no Comando Conjunto

Timor-Leste: Cerveja e "karaoke" para Salsinha no comando conjunto

Díli, 01 Mai (Lusa) - A rendição de Gastão Salsinha foi celebrada terça-feira à noite, no comando conjunto em Díli, Timor-Leste, com uma festa que juntou os captores e os capturados da operação "Halibur" em torno de muita cerveja e muita música.

O ex-tenente Gastão Salsinha, principal arguido no processo em curso sobre os ataques ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, jantou terça-feira no comando conjunto, no Bairro do Farol, numa mesa de oficiais da operação "Halibur".

Salsinha e os seus homens estiveram na festa até cerca das 22:30 (hora local), afirmaram à agência Lusa vários participantes do convívio.

"Houve muita cerveja, muita música e karaoke", afirmou um elemento das forças que, durante quase três meses, perseguiram os fugitivos do 11 de Fevereiro pelos distritos ocidentais do país.

"Divertiram-se todos", resumiu à Lusa o comandante da "Halibur", tenente-coronel Filomeno Paixão.

Durante o jantar com oficiais do comando conjunto, militares e polícias timorenses confraternizaram e abraçaram os 13 fugitivos.

No exterior do salão de conferências onde funciona o comando da "Halibur", houve música até tarde, com elementos das forças de segurança cantando em "karaoke" e dançando.

"A festa podia ouvir-se em minha casa", afirmou à Lusa o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin.

Mari Alkatiri vive a cerca de duzentos metros do comando conjunto da "Halibur".

Gastão Salsinha foi entregue às autoridades judiciais no dia seguinte, quarta-feira, para o primeiro interrogatório no âmbito do processo relativo aos ataques de 11 de Fevereiro.

Salsinha e cinco elementos do seu grupo estão desde hoje em prisão preventiva.

PRM

RTP Online, 1-05-2008

terça-feira, 29 de abril de 2008

Rendição 'protocolar' de Gastão Salsinha

Gastão Salsinha e grupo rebelde que atacou Ramos-Horta rendem-se em Díli

O tenente Gastão Salsinha entregou-se com outros 11 rebeldes no Palácio do Governo de Timor-Leste, colocando um ponto final ao processo de rendição. O Presidente Ramos-Horta, alvo de um ataque deste grupo, perdoou os revoltosos mas disse-lhes que agora terão de enfrentar a justiça.

O tenente Salsinha e 11 homens por si liderados chegaram ao Palácio vestidos com uniforme militar e rodeados de apertadas medidas de segurança. A rendição do grupo, que entregou as armas às autoridades, realizou-se na presença do Presidente José Ramos-Horta, do presidente do Parlamento Fernando Lasama de Araújo e do representante das Nações Unidas Atul Khare.

Gastão Salsinha, tenente irradiado do Exército timorense, era um dos homens mais procurados no país desde o duplo atentado de 11 de Fevereiro contra o Presidente Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão. A rendição foi negociada no seu bastião de Ermera no final da semana passada.

O Presidente timorense fez hoje questão de falar directamente com o grupo dos revoltosos para dizer a Gastão Salsinha e Marcelo Caetano - o homem que afirma ter sido autor dos disparos que o feriram com gravidade no ataque de Fevereiro - que lhes perdoa "como cristão" e que a partir de agora ficarão nas mãos da justiça.

"Em relação até à pessoa que tentou assassinar-me, perdoo como cristão, como ser humano. Como chefe de Estado (disse-lhe que) ele tem que enfrentar a justiça", afirmou o Presidente Ramos-Horta numa breve comunicação ao jornalistas ainda no Palácio do Governo.

"Eu disse apenas que a justiça tem que ser feita e têm que ser eles próprios a ir a tribunal e explicar o porquê da sua acção no 11 de Fevereiro, mas também quem lhes deu as armas, uniformes, dinheiro, meios de comunicação, telefones, ao longo desses meses todos", explicou José Ramos-Horta.

O grupo de Gastão Salsinha chegou a Díli numa coluna de dezena e meia de viaturas militares das Forças de Defesa e da Polícia Nacional de Timor-Leste, unidades especiais da Polícia Nacional, o procurador-geral da República e a sua segurança pessoal, a GNR e as Força Internacional de Estabilização (ISF). Durante o decorrer da cerimónia de rendição, a ISF manteve frente ao Palácio do Governo um helicóptero Blackhawk.

Paulo Alexandre Amaral, RTP
Rádio TSF Online, 2008-04-29 09:28:50

sábado, 26 de abril de 2008

Salsinha continua em Ermera

Timor-Leste: Salsinha continua em Ermera, nada mudou desde sexta-feira

Díli, 26 Abr (Lusa) - O ex-tenente timorense Gastão Salsinha, que na sexta-feira aceitou render-se às autoridades, permanence em Ermera, na região ocidental de Timor-Leste, numa casa sob controlo das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL).

"A situação não mudou desde sexta-feira. Demos mais um par de dias para a entrega das armas e do resto do grupo", afirmou à Agência Lusa uma fonte que acompanha as negociações.

O ex-líder dos peticionários das Forças Armadas aceitou render-se após reuniões que envolveram a Presidência da República, elementos das forças de segurança timorenses, da Igreja Católica e líderes locais.

"Salsinha não tem as armas mas não as entregou (às autoridades). Não está preso mas concordou em não abandonar a casa onde está instalado", disse hoje uma fonte internacional à Lusa.

Não foi feita nenhuma declaração oficial sobre a situação de Gastão Salsinha nem sobre a data prevista para a concretização do acordo atingido na sexta-feira numa aldeia de Ermera.

Salsinha, líder do grupo rebelde que a 11 de Fevereiro atentou contra a vida do Presidente Ramos-Horta e do primeiro-ministro Xanana Gusmão, concordou "em não deixar a casa onde se encontra, até que o resto dos seus homens se juntem a ele", disse na sexta-feira à Lusa uma fonte oficial da ONU em Timor-Leste .

"A situação é muito parecida com o que aconteceu quando Gastão Salsinha concordou em entregar-se ao Procurador-Geral da República" há cerca de dois meses, comentou aquela fonte, que salientou o papel relevante da Igreja Católica, de políticos locais e da Procuradoria-Geral da República nas negociações com o chefe rebelde.

Até quinta-feira, estavam em prisão preventiva dez elementos do grupo de Gastão Salsinha e do major Alfredo Reinado, arguidos no processo do 11 de Fevereiro.

Angelita Pires, ex-assessora legal e namorada de Alfredo Reinado, está indiciada no mesmo processo, aguardando julgamento em liberdade mas com interdição de se ausentar do país.

Continuavam a monte 13 suspeitos com mandado de captura emitido, incluindo Gastão Salsinha, que lidera o grupo de fugitivos depois da morte do major Reinado no ataque à casa do Presidente José Ramos-Horta.

A operação Halibur de captura do grupo de Salsinha tem estado concentrada no distrito de Ermera.

No seu regresso a Timor-Leste, no passado dia 17, o Presidente da República, José Ramos-Horta, tinha ordenado ao ex-tenente Gastão Salsinha para se entregar e acabar com a sua "aventura".

"Deixe-se de aventuras. A vossa aventura e irresponsabilidade ao longo de meses já custou vidas", afirmou José Ramos-Horta na conferência de imprensa que deu no aeroporto internacional Nicolau Lobato, em Díli, dirigindo-se ao líder dos fugitivos ligados aos ataques de 11 de Fevereiro.

O Presidente fez, na ocasião, uma intervenção emocionada mas dura contra Gastão Salsinha e o major Alfredo Reinado, responsáveis pelos ataques contra José Ramos-Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão.

José Ramos-Horta ficou gravemente ferido, o major Reinado morreu no ataque e o ex-tenente Salsinha fugiu com um grupo que agora está reduzido a cerca de 15 homens.

PRM.
Lusa/Expresso Online, 26-04-2008

Felícia Cabrita atrasou-se!

Há 39 minutos

Timor-Leste

Gastão Salsinha entregou-se há 2 dias

Por Felícia Cabrita

O homem que, supostamente em conivência com o major Alfredo Reinado, terá preparado o duplo atentado contra o Presidente da República e o primeiro-ministro de Timor-Leste, entregou-se anteontem às forças conjuntas. Com ele renderam-se mais três elementos: Valente (um dos elementos que terá estado na casa do PM no dia 11 de Fevereiro), José e André.

Tenente Gastão Salsinha, que desde 11 de Fevereiro terá andado a monte, vai ficar durante uma semana com a família na sua casa, a 15 quilómetros de Ermera.

Liquiceira, o homem mais poderoso de Ermera, que mediou o diálogo entre os revoltosos e o governo timorense, adianta ainda ao SOL que «ele vai precisar de descansar uma semana, para pensar naquilo que vai dizer à justiça».

Só se entregará depois, mas isto é ainda secreto.

Enquanto o tenente rebelde descansa, na sua agenda de hoje consta já a visita do presidente do parlamento, Fernando Lassama.

Como tem vindo a ser hábito, todos os homens envolvidos no atentado entegam-se primeiro ao primeiro-ministro, ou a outras figuras políticas, e só depois se apresentam aos magistrados do Ministério Público e ao juiz internacional Ivo Rosa.

Uma fonte ligada à investagação disse ao SOL que se trata de «mais um atropelamento a um orgão de soberania do Estado timorense, a Justiça».

«Este tipo de actuação permite que os arguidos pensem e concertem versões», afirmou.

SOL, 26/04/2008

felicia.cabrita@sol.pt

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Rendição de mais dois rebeldes do grupo de Salsinha

Renderam-se, hoje, 24/4, mais dois rebeldes do grupo de Gastão Salsinha, o ex-tenente expulso das Forças de Defesa timorenses na sequência da deserção em massa de cerca de seiscentos soldados em Abril de 2006, alegando discriminação étnica.

Recorde-se que Gastão Salsinha comandou o grupo de rebeldes que atacou a coluna de viaturas do Primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão, do qual Xanana saiu ileso apesar de a viatura em que seguia tenha sido atingida por vários tiros.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Continua a vigorar o estado de sítio em Ermera

O estado de excepção foi levantado em todo o país, excepto em Ermera, distrito onde se tem refugiado nas sua montanhas Salsinha e os seus perto de uma dúzia homens.

Timor: Levantado o estado de emergência

O Parlamento Nacional timorense levantou, hoje, 22 de Abril, a pedido do Presidente Ramos Horta, o estado de emergência, que substituiu o estado de sítio decretado em 11 de Fevereiro pelo primeiro Presidente da República interino, Vicente Guterres, na sequência dos atentados contra a vida do PR Ramos Horta e PM Xanana Gusmão, tendo Ramos Horta sofrido ferimentos muito graves que o impossibilitaram de presidir aos destinos do país, e prolongado pelo segundo Presidente da República interino, Fernando de Araújo La Sama.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

As televisões e o regresso de Ramos Horta

RTP1: Tendenciosa na selecção do excerto da entrevista a Ramos Horta ao suprimir o início da fala, descontextualizando assim o verdadeiro sentido da afirmação do presidente timorense, e na colocação de uma questão, pelo apresentador do Jornal de Tarde ao seu correspondente em Díli, relacionada com o hipotético desejo de RH na convocação de eleições legislativas no verão de 2009, torcendo mais pela Fretilin.

SIC: Objectividade na informação e imparcialidade na apresentação da notícia.

TVI:
Objectividade e imparcialidade na apresentação da notícia do regresso de Ramos Horta e informação mais desenvolvida de texto e imagem.

Timor: Eleições antecipadas em 2009?

"Regresso fisicamente preparado a 90 por cento"

17.04.2008, Adelino Gomes

Ramos-Horta regressa a Timor com uma prioridade: retomar o diálogo com os partidos sobre eleições antecipadas em 2009

Numa entrevista por telefone, horas antes da partida de Darwin para Díli, Ramos-Horta disse querer retomar o diálogo com os partidos no ponto em que se encontrava antes do atentado de 11 de Fevereiro - na exigência de eleições antecipadas, feita pela Fretilin.

Chega a Díli dentro de poucas horas. O que pensa dizer ao povo e aos deputados?

Primeiro vou felicitar o Presidente interino [Fernando "Lasama" de Araújo] pela serenidade com que assumiu as rédeas do país. Felicitarei também os deputados e partidos que têm sabido manter-se unidos, e em particular o povo timorense. Não houve incidentes desde a tentativa de assassinato. O povo mostrou maturidade. À medida que a investigação progride, começa a fazer sentido: liquidando Ramos-Horta e Xanana Gusmão, o país podia entrar em caos e isso servia certos interesses [Reinado e a sua amiga Angelita Pires tinham uma conta de um milhão de dólares na Austrália e elementos do Kopassus, forças especiais indonésias, estariam ligados aos atentados, disse Horta à Lusa, pouco antes].

Vai chamar Gastão Salsinha, para que se entregue?

Se ele não tiver sido apanhado ou não se tiver entregado, darei um prazo para que o faça. Não tem que o fazer a mim; pode entregar--se a um padre, aos bispos. Será transportado para a Presidência e dali o procurador-geral da República, o tribunal toma conta.

E quanto à lentidão da investigação [dos atentados]?

Não as acho tão lentas. Recebi informações do procurador-geral da República e da comissão de investigação. Dizem que o mais tardar em Julho têm o dossier completo. Estas informações tranquilizam-me. É necessário agir com prudência. Tem que se ir ao fundo e apurar todos os envolvidos directa ou indirectamente, quer internos quer externos.

Disse que queria convocar eleições antecipadas em 2009.

Nunca dei tal informação. O que disse foi que, se os partidos com assento no Parlamento concordassem com eleições antecipadas, uma exigência da Fretilin, obviamente eu não ia opor-me. Não se dissolve o Parlamento por dá cá aquela palha.

Qual é a sua medida prioritária para que o país entre na via da segurança e da prosperidade?

Vou continuar o diálogo, ouvindo as lideranças da Fretilin e da AMP [Aliança para a Maioria Parlamentar, no poder]. Pela primeira vez pus todos sentados à minha volta. A Fretilin queria um mecanismo que a envolvesse na resolução do caso de Alfredo Reinado - está resolvido; no caso dos peticionários - está em curso; no processo dos deslocados; na reforma judicial, da defesa e segurança. O único ponto controverso é a exigência de eleições antecipadas. Chegaremos a consenso.

Diz que vai retomar de imediato as funções. Sente-se física e psicologicamente preparado?

Fisicamente estou preparado, eu diria, a 80/90 por cento. Ainda tenho dores, resultado dos nervos que foram afectados e que levam tempo a sarar. Emocionalmente, só posso dizer depois de regressar.

PÚBLICO, 17/04/2008

Eleições antecipadas "podem trazer vantagens"

Ramos-Horta chegou a Timor-Leste

A realização de eleições antecipadas em Timor-Leste "pode ter vantagens para todas as partes", declarou o Presidente da República timorense, José Ramos-Horta, à agência Lusa e à RTP em Díli.

"Eu sempre disse que não tenho objecções a eleições antecipadas desde que resulte de um consenso do Parlamento, de todos os partidos",
afirmou José Ramos-Horta na sua residência em Díli, onde regressou hoje depois de ter estado em tratamento na Austrália, na sequência do atentado de 11 de Fevereiro.

"A Fretilin quer as eleições antecipadas talvez no Verão de 2009. O Governo diz que sim, diz que não, ainda não se pronunciou",
disse Ramos-Horta, na entrevista conjunta à Lusa e RTP. Para o Presidente timorense, as eleições antecipadas "podem trazer vantagens para todas as partes".

"Se o Governo fizer um bom trabalho este ano de 2008, as eleições novas resultam numa vitória do Governo e a Fretilin perde",
disse.

"Mas se o Governo faz um trabalho miserável, não consegue cumprir as promessas e fazer a execução orçamental, até eu prefiro ter eleições antecipadas porque não temos que os ter durante mais de três anos",
sublinhou o chefe de Estado timorense.

"Portanto, o ano de 2008 é um grande teste para o Governo. Se fizer um bom trabalho, a Fretilin estará em desvantagem. Se fizer um trabalho medíocre, o povo quererá eleições antecipadas",
acrescentou.

O chefe de Estado reconheceu que olha para si próprio, hoje, como o factor de união da sociedade timorense.

"Parece que sim. É o que revela a explosão popular em me acolher. É o que revela que os partidos todos tenham estado no aeroporto"
hoje de manhã, frisou Ramos-Horta, eleito Presidente da República em 2007.

É com esse apoio que José Ramos-Horta diz "insistir no diálogo" político iniciado no regresso da visita oficial ao Brasil, em Janeiro deste ano, incluindo a reunião entre a aliança partidária no Governo e oposição, poucos dias antes dos ataques de 11 de Fevereiro, em que foi ferido a tiro com gravidade.

"Tivemos dois diálogos e correram de forma muito salutar e com propostas construtivas. O único ponto que (ficou) por discutir era a exigência de eleições antecipadas. Mas aí podemos chegar a uma solução de compromisso em que ninguém perde a face",
afirmou José Ramos-Horta.

"Se houver eleições legislativas antecipadas, eu quero também eleições presidenciais antecipadas",
declarou José Ramos-Horta, acrescentando que, nesse caso, não seria candidato, conforme a Constituição timorense.

"Não sou melhor que os outros. Os outros não são melhores que eu. Vamos testar com o povo",
explicou ainda o Presidente da República.

"Disse também, na altura (Julho de 2006), que a minha preferência não era ser primeiro-ministro. Fui empurrado, sobretudo por Xanana Gusmão. E paguei um preço muito grande como primeiro-ministro porque assumi a responsabilidade numa situação muito difícil",
considerou o actual chefe de Estado.

"Aceitei, tentei ser leal à Fretilin, respeitando a sensibilidade do partido nessa altura. Depois fui empurrado para eleições presidenciais e não me senti bem tendo como adversário o Francisco Guterres 'Lu Olo' (presidente da Fretilin)",
referiu.

"Hoje, chego à conclusão que Fernando 'La Sama' (de Araújo, presidente do Parlamento), por exemplo, seria um bom Presidente, pela forma como agiu nestes dois meses",
em que ocupou interinamente a chefia do Estado, acrescentou.

Sobre a estratégia em relação ao ex-tenente Gastão Salsinha, José Ramos-Horta assegurou que não irá seguir a mesma linha de diálogo que manteve com o major Alfredo Reinado.

"Não. Tiveram oportunidade durante ano e meio",
explicou o Presidente da República sobre o grupo de Gastão Salsinha, que até 11 de Fevereiro liderava os chamados peticionários das Forças Armadas.

"Apresentei uma proposta há mais de um ano ao comando das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL). Na altura, a posição do comando era muito inflexível. Não queriam ouvir falar dos peticionários. Sentiam-se traídos",
recordou José Ramos-Horta.

"No entanto, com muita paciência minha e humildade do comando das F-FDTL, ouviram-me, tiveram reuniões e aceitaram a minha proposta: todos os peticionários que quisessem voltar, podiam voltar através de um processo de novo recrutamento".

"Aos que não quisessem voltar, o governo dava um subsídio equivalente a três anos de vencimento para poderem retomar as suas vidas",
lembrou o Presidente na entrevista.

"Primeiro, a organização não-governamental MUNJ disse-me que Salsinha e Reinado concordavam. Daí que eu decidi receber os dois em Maubisse. Mas quando cheguei lá, Reinado disse que não, que eles nunca disseram que concordavam com a proposta",
contou José Ramos-Horta à Lusa e RTP.

"Isto é, não lidam com a questão com seriedade",
acusou o Presidente.

"Entretanto, Salsinha deixou de ser uma pessoa sobre quem não pesa um mandado de captura. Envolveu-se directamente num ataque ao chefe de Estado e ao primeiro-ministro e tem que se apresentar à justiça",
frisou o chefe de Estado timorense.

"Não foi necessário até hoje que algum timorense tivesse morrido. Já mais de metade dos elementos (fugitivos) se entregou com as suas armas. Só faltam talvez 12 pessoas com menos de 12 armas",
acrescentou.

José Ramos-Horta repetiu, na entrevista, o caminho que apontou ao ex-tenente Salsinha à chegada a Díli: "Entregue-se".

SIC/Lusa, 17/04/2008

Ramos-Horta já está em casa

O Presidente timorense já está em Timor, depois de dois meses a recuperar em Darwin, dos ferimentos sofridos no atentado de 1 de Fevereiro. Foi recebido por milhares de pessoas no Aeroporto de Díli que saudaram o regresso de Ramos-Horta com aplausos e danças tradicionais.

Entre os milhares de timorenses que aguardavam Ramos-Horta estavam o presidente interino, Fernando “La Sama” Araújo, o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o ex-primeiro-ministro, Mari Alkatiri, chefias militares, os bispos católicos e o corpo diplomático acreditado em Díli, entre os quais o chefe de missão da ONU.

As primeiras palavras do Prémio Nobel foram para os homens que lhe tentaram tirar a vida. “Deixe-se de aventuras. A vossa aventura e irresponsabilidade ao longo de meses, de não me ouvirem, já custou vidas”, afirmou o presidente timorense, dirigindo-se a Gastão Salsinha, o líder dos fugitivos ligados ao ataque de 11 de Fevereiro, na conferência de imprensa que deu no Aeroporto Internacional Nicolau Lobato, em Díli.

José Ramos-Horta deixou também um apelo a Gastão Salsinha, “Entregue-se ao pároco em Gleno ou Maubisse. Confio totalmente nesta igreja timorense. Ela saberá como contactar as autoridades para os entregar à justiça”.

“Apesar de eu ter sido atingido, eu não queria que o Salsinha ou outro timorense perdesse a vida. Já basta! Demasiados timorenses perderam as suas vidas”, acrescentou o líder timorense.

“Salsinha tem de se entregar. Ele disse que esperava pelo meu regresso para se entregar. Eu prefiro que ele procure a igreja”, insistiu o chefe de Estado timorense.

Na conferência de imprensa à chegada a Timor, Ramos-Horta desmentiu que tivesse convidado Alfredo Reinado para ir a sua casa para ser abatido numa armadilha. “Nunca convidei Alfredo Reinado para a minha casa, nunca marquei qualquer reunião com ele, nunca o convidei para vir às 07h00 da manha a minha casa”, afirmou o Presidente timorense.

Alfredo Reinado morreu no atentado, de 1 de Fevereiro, contra Ramos Horta, no entanto o presidente timorense declarou “que não queria que Alfredo Reinado morresse”.

José Ramos-Horta regressa ao país ainda com rebeldes à solta, mas afirma que não tem medo que lhe façam mal. “Nunca tive medo. Mesmo em 2006 (ano da crise institucional e de segurança em Timor-Leste) ia a todo o lado, até onde havia tiros. Às vezes diziam-me que tinha sido uma loucura”, revelou.

Depois da conferência de imprensa no aeroporto de Díli, José Ramos-Horta dirigiu-se para o Parlamento Nacional onde reassumiu a presidência do país, seguindo depois para a casa onde tudo aconteceu, em Metithaut.

Cristina Sambado, RTP2008-04-17 09:07:41