sábado, 31 de maio de 2008

Alkatiri: relatório sumário da visita de estudo a Futungo de Belas

Timor-Leste: Alkatiri pede a Presidente angolano para ajudar a ultrapassar crise política timorense

Lisboa, 31 Mai (Lusa) - O secretário-geral da FRETILIN, Mari Alkatiri, pediu ajuda ao Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, para ultrapassar a crise política institucional em Timor-Leste, adianta hoje a edição online do Jornal de Angola.

Segundo o jornal, o líder da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente, que foi recebido sexta-feira pelo Presidente angolano, considera que, tendo em conta a sua experiência na resolução de conflitos em África, os conselhos de José Eduardo dos Santos podem ser úteis.

Em declarações aos jornalistas no final do encontro, Mari Alkatiri disse que a situação política em Timor-Leste tem melhorado e já não há violência, mas a crise não está resolvida por persistir a "contradição no seio da liderança nacional", cita o Jornal de Angola.

Resolver o problema dos mais de 100.000 deslocados, das deserções nas Forças Armadas e da articulação desta instituição com a Polícia Nacional contribuirá, segundo Alkatiri, para ultrapassar a crise política em Timor-Leste.

Sobre o actual primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão - que fundou um novo partido que governa em coligação - Mari Alkatiri considerou que "não tem legitimidade para governar", declarando-se preocupado com a sua "falta de competência" para dirigir o executivo, ainda segundo o Jornal de Angola.

O líder da FRETILIN declarou igualmente que a relação entre o Presidente timorense, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro "tem sido difícil".

Mari Alkatiri, antigo primeiro-ministro de Timor-Leste, estará segunda-feira em Lisboa para proferir a conferência "Timor no Caminho do Futuro", promovida pela Comissão Asiática da Sociedade de Geografia e pelo Instituto Luso-Árabe para a Cooperação.

Após a conferência Alkatiri, receberá a Medalha de Mérito da Cooperação daquele Instituto.

PAL.

Lusa/RTP Online, 31-05-2008

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Faro ajuda Timor-Leste no Dia Mundial da Criança

A Câmara Municipal de Faro vai celebrar o Dia Mundial da Criança, no próximo domingo, 1 de Junho, com a abertura da nova pista de atletismo e uma campanha de solidariedade dirigida a Timor-Leste.

A pista de atletismo – já a ser utilizada, desde quinta-feira, na iniciativa “42 horas a correr ou andar sem parar” e, no fim-de-semana, com o Torneio Regional de Iniciados – vai ser inaugurada formalmente na manhã de domingo, às 10:00 horas.

O convidado especial é D. Ximenes Belo, prémio Nobel da Paz, que presidirá às acções comemorativas do Dia Mundial da Criança na capital algarvia, nomeadamente a campanha “Uma Criança, um Livro”, lançada em parceria com a organização não-governamental OPIS – Associação para a Cooperação e Desenvolvimento.

A ideia da campanha de solidariedade é que as crianças que participem nas várias actividades que o município promove para assinalar este dia tragam um livro, novo ou usado.

Os livros serão posteriormente enviados para Timor-Leste, designadamente para os orfanatos da missão dos salesianos de Laga-Quelicai, onde vivem cerca de 250 crianças, com idades compreendidas entre os 5 e os 15 anos.

Às 10:30 horas, decorre ainda a apresentação do livro “Gente de Timor-Leste”, de João Gonçalves, com a presença do autor.

Durante o dia, as crianças terão à sua disposição diversas actividades lúdicas e desportivas, insufláveis, pinturas faciais, entre outras acções.

EP / RS
Região Sul, 30 Maio 2008


As artes e manhas da política

Angola: Presidente da UNITA ficou em terra apesar de bilhetes comprados para Cabinda

Luanda, 30 Mai (Lusa) - O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, foi hoje obrigado a adiar uma visita de trabalho a Cabinda porque os bilhetes de avião da comitiva "inexplicavelmente desapareceram do sistema informático" da companhia angolana Air Gemini, disse fonte do partido.

O voo em que Isaías Samakuva deveria viajar para o enclave de Cabinda saiu de Luanda no horário previsto, cerca das 14:00, mas as 30 pessoas que integravam a comitiva da UNITA ficaram em terra, apesar de "todos terem os bilhetes na mão", adiantou a mesma fonte.

A deslocação de Samakuva a Cabinda, que será acompanhada pela Lusa, foi por isso adiada para sábado.

A Air Gemini recusou a responsabilidade pela impossibilidade da delegação da UNITA seguir viagem para Cabinda.

Em declarações à Agência Lusa, fonte da Air Gemini atribuiu a culpa à agência de viagens "Pacitur", responsável pelas reservas dos 30 passageiros que integravam a delegação da UNITA, que pretendia ir hoje a Cabinda e regressar no domingo.

"Houve um problema de informação, já que a agência fez as reservas para um voo previsto para o período da manhã e pediu aos passageiros que estivessem no aeroporto à hora do voo da tarde", explicou a fonte.

A companhia aérea sublinha que "tinha 91 passageiros - o limite da capacidade do avião - e não dava para inserir mais 30 pessoas", acrescentou a mesma fonte.

Por sua vez, fonte da Pacitur contactada pela Lusa disse que a agência de viagens está em contacto com a companhia aérea para perceber quais as causas deste incidente.

"Estamos a investigar para tentar perceber o que aconteceu. As reservas têm um histórico e estamos a analisar para ver o que está por trás disso", disse a fonte.

Esta situação causou um visível mal-estar na direcção da UNITA.

RTP Online, 30-05-2008

Presidente da República aborda situação em Timor-Leste

Luanda, 30/05 – O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, analisou hoje (sexta-feira), em Luanda, com o secretário-geral da Fretilin, Mari Alkatiri, a situação prevalecente em Timor Leste.

Em declarações a jornalistas, no final da audiência, Alkatiri disse que o encontro permitiu ouvir do presidente José Eduardo dos Santos algumas sugestões que permitam pôr termo à actual crise em Timor Leste.

“A situação tem melhorado”, asseverou Mari Alkatiri, porém fez saber que a crise ainda persiste e como Angola tem uma larga experiência, “viemos aqui mais uma vez para beber dela”.

Precisou que o Chefe de Estado angolano acha que a “postura da Fretilin tem sido positiva e deve continuar para a obtenção da paz e da estabilidade”.

O responsável da Fretilin, formação política que governou Timor Leste durante muitos anos, disse que naquele país asiático existe uma “ausência de violência” que, entretanto, ainda não é o essencial.

Para Mari Alkatiri, a causa fundamental da crise ainda não foi debelada, (…) que é a contradição no seio da liderança nacional, manifestando a sua preocupação face à contínua degradação das condições sociais no seu país.

Timor Leste, situado no sudoeste asiático, tem Díli como capital. Está independente desde Novembro de 1975, mas somente reconhecido em Maio de 2002. Possui 924.000 habitantes numa área de 15.410 quilómetros quadrados.

AngolaPress, 30-05-2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

1/6, domingo: fim da visita de estudo de Alkatiri a Angola.

Rezo para que o ex-PM timorense, apeado do poder por Xanana Gusmão na sequência da quase guerra civil generalizada de Maio/Junho 2006, tenha um ataque de amnésia no seu seu voo de regresso a Díli e se esqueça, para sempre, das lições ministradas pelos seus mestres do Futungo de Belas. Para o bem dos timorenses.

ÁFRICA DO SUL E ÁFRICA

Ataques assassinos a imigrantes por sul-africanos nos bairros de lata à roda de Joanesburgo onde formiga um proletariado mal pago ou desempregado foram lamentados e condenados por políticos e observadores locais e estrangeiros mas não deveriam surpreender ninguém. A África do Sul (RAS) é pátria de muitas nações e as relações entre elas nem sempre foram pacíficas. As mais numerosas de origem branca, de cepa britânica e de cepa holandesa, bateram-se há pouco mais de 100 anos nas terríveis Guerras dos Boers. Entre as de origem negra, a dos zulus e a dos khosa confrontaram-se sem quartel durante o "apartheid". O Governo de minoria branca, de resto, estimulava esses conflitos segundo o princípio clássico de dividir para reinar.

O fim do "apartheid", surpreendentemente pacífico, beneficiou da queda da União Soviética e de outras circunstâncias propícias. Do exterior, recebeu apoio de todas as potências do mundo; no interior, foi dirigido por homens de grande e rara estatura política e moral. Em 1994 as primeiras eleições gerais livres, marca de liberdade que selou o fim do "apartheid", foram vividas com empenho cívico e entusiasmo inimagináveis por quem esteja habituado à rotina das democracias estabelecidas. Na noite do voto, numa rua em festa de Joanesburgo, um rapaz eufórico disse à CNN: "É melhor do que estar com uma mulher! Bem, excepto se ela for virgem...".

Passaram catorze anos. Muita coisa melhorou no país que continua a ser farol e esperança da África inteira. A democracia parlamentar funciona, sem tentativas de golpe de estado, revolta militar, revolução popular ou separatismo. A sociedade civil é robusta e interveniente. Há diferenças escandalosas de fortuna mas vê-se progresso em coisas básicas: água, electricidade, esgotos, arruamentos.

A chefia política, porém, piorou muito. Duas decisões-chave de Thabo Mbeki tiveram consequências trágicas, uma para a saúde do país, outra para a posição da RAS em África. Por se recusar a aceitar o consenso médico sobre sida e HIV, Mbeki tem promovido profilaxia e tratamentos absurdos que ajudam a propagar a doença em vez de a combaterem e comprometem o vigor futuro do país. Por se recusar a condenar Mugabe e acelerar a sua sucessão, transformou o pinga-pinga tradicional de emigrantes do Zimbabwe para a RAS num fluxo permanente e o resultado está à vista.

Os sul-africanos olharam sempre por cima da burra para vizinhos que, desde que há minas no Rand, querem ir lá trabalhar à procura de sustento e de aforro. E era inevitável que o fim do "apartheid" levasse à substituição de solidariedades antigas por rivalidades modernas. Mas chefia política lúcida e corajosa teria sabido que deixar Mugabe no poder era deitar fogo à pólvora.

Ao contrário de Mbeki, Jacob Zuma, seu sucessor presuntivo, vem da pobreza do campo, fez a luta armada, cumpriu anos de prisão em Robben Island e não tem nada a provar sobre o passado. Para bem de toda a África talvez decida virar-se para o futuro.

José Cutileiro

Expresso Online, 29-05-2008

O terramoto humano na China de filho único

O filho único

NÃO HÁ nada mais difícil do que escrever sobre a dor. Os pais seguram na mão as botas de futebol do filho único que enterraram num bocado de chão escapado ao terramoto de Sichuan. Num montinho de pedras e terra rala o pai e a mãe improvisam uma sepultura e um cerimonial. Junto da sepultura do filho depositam todos os objectos de que gostava, especialmente os brinquedos e as botas de futebol, e ajoelham como quem está num altar. O pai, dorido e lacrimoso, conta que o filho ficou enterrado vivo por baixo dos escombros da escola, toneladas de entulho e cimento, vigas, ferros retorcidos, pedras, vidros, onde os socorristas conseguiram escavar um buraco. A voz do filho vinha dos fundos da escuridão, ainda vivo, pedindo que o tirassem dali. Depois, o filho disse "pai, tenho fome" e morreu. Retiraram o corpo morto.

Devido à política do filho único da China, os pais tinham apenas este rapaz que, segundo a cultura chinesa, um dia os encheria de orgulho e tomaria conta deles quando fossem velhos. Na cara deles, desgostada e enrugada, avaliava-se a ausência de frescura. Tarde de mais para ter outro filho. Tinham perdido tudo no terramoto da China, a casa, as coisas, a vida, e, por cima da vida, o filho. Não queriam mudar de lugar, trocar de cidade, queriam ficar ali porque noutro lugar ninguém conseguiria entender a sua dor.

Deambulavam como fantasmas pelas ruínas onde tinham morado, dois corpos vivos no meio de cinzas e cadáveres onde os socorristas espalhavam incenso e amoníaco contra as doenças e a contaminação. Na escola onde o filho andava todos os alunos tinham morrido. Onde num dia tinha havido uma festa de fim de curso, no dia seguinte havia apenas corpos a apodrecer. Amoníaco e incenso.

O terramoto da China ou o ciclone da Birmânia remetem-nos para noções de perda que a nossa confortável vida desconhece. Embora tratemos muitas coisas como catástrofes naturais, o terrorismo, a guerra, as catástrofes naturais são situações terminais que podem afectar toda a gente, embora afectem mais os pobres e remediados do que os ricos. Lisboa já teve o seu terramoto, e tudo indicaria, se considerássemos os prémios altíssimos pedidos pelas companhias seguradoras "em caso de sismo", que teria o seu segundo terramoto.

Ao contrário da China, que teve capacidade de resposta para a catástrofe, a Birmânia mostrou a crueldade feérica de uma ditadura que recusa o auxílio internacional para se manter no poder e que faz um referendo em cima da catástrofe. Tal como a dor, este género de crueldade é difícil de descrever e classificar. De um dia para o outro, cem mil pessoas são esmagadas como um carreiro de formigas e ninguém sabe muito bem o que fazer ou dizer. Como ajudar.

A história individual acaba por comover mais do que a cavalgada dos números, 10 mil, 20 mil, 30 mil, 50 mil, 100 mil. Os números são abstractos e, na idade da indiferença, em que mastigamos o jantar junto com o sangue dos outros, os números deixaram de fazer sentido ou provocar emoção. O Iraque deglute-se antes da telenovela e do concurso. A história individual pertence ao jornalismo.

Resta o casal de chineses, ela sem conseguir dizer uma palavra, a voz engolida pelas lágrimas secas, uma mãe no limite da desolação, no deserto da humanidade, um pai segurando nas mãos os sapatos de treino, um pouco gastos nas pontas e nas solas, entortados, sapatos de rapaz activo e forte, sapatos de rapaz que pratica desporto e é imortal. E os dois escavando a terra com as mãos, para acomodar os pertences do filho, a despedida.

O que aconteceu na China e na Birmânia é-nos apresentado em rodapé como um problema de escala. Algum jornalismo contemporâneo resolveu reduzir a morte a uma estatística, e a contagem dos mortos daria a medida do acontecimento. A operação tem o efeito oposto, o de desumanizar a catástrofe, a morte, a destituição, a dor. Reduzida a números, a perda torna-se uma operação abstracta de aritmética. É nesta zona perigosa da assepsia dos sentimentos, com tanto medo que temos hoje de ser sentimentais, que entra o jornalismo de reportagem. Foca a luz onde ela deve ser focada, na história e não no kitsch histórico. O terramoto na China fica a ser aquele casal sem o único filho, as caras envelhecidas, as mãos magras, os peitos encovados, os olhos sem sono. Não existe maior secura do que esta, a da perda inconsolável.

O terramoto deu-nos um retrato da China muito diferente do que a China queria dar neste ano triunfal dos Olímpicos e dos atletas e medalhas. Um país solidário e eficaz no resgate. Deu-nos um retrato de uma parte da humanidade. A Birmânia, graças aos seus ditadores, nem a isso teve direito. Os jornalistas lá andam, escondidos, infiltrados, narrando e relatando com sobriedade. Nestes dias, o jornalismo volta, por momentos, a ser uma profissão nobre, e não lixo cínico e sensacionalista em que o converteram.

Clara Ferreira Alves

Expresso Online, 26-05-2008

Scolari e a Seleção Nacional

TEMPO ERRADO PARA PENSAR NA VIDINHA

Luiz Felipe Scolari e a FPF têm um contrato que acaba em breve. Pode ser, ou não, renovado. Eu gostaria, hoje, que já estivesse decidido. Melhor, eu gostaria que as duas partes deixassem isso para Julho. Renovando ou rasgando. É que entre hoje e o fim de Junho a última coisa que eu queria era ver Scolari ocupado em leituras do género "a primeira contratante", "ambas as partes" e outros "termos e condições". Um contrato é coisa que prepara o futuro e, em Junho, só conta, só deve contar o presente. Quero Scolari devotado a ataques pelos flancos, a fúrias e a outras sinfonias colectivas. Ontem, Gilberto Madaíl julgou tranquilizar-me. Sobre o tal contrato, disse: "Vamos falar apenas depois da primeira fase [leia-se: depois de despacharmos turcos, checos e suíços]." Estou mais preocupado. Nessa altura, então, quero Luiz Felipe Scolari quase místico, em exclusiva dedicação ao bem comum e completamente nas tintas para o "segundo contratante". Em Junho, que ele assine só autógrafos.

Ferreira Fernandes

DN Online, 29-05-2008

Maternidades dão orientações erradas para deitar os bebés

CARLA AGUIAR
PAULO SPRANGER

As maternidades portuguesas adoptam e recomendam práticas erradas no acompanhamento dos recém-nascidos, acusa o pediatra Mário Cordeiro. "É intrigante e perturbador constatar que 18 anos depois de existir uma orientação técnica da Direcção--Geral da Saúde a dizer que as crianças não se devem deitar de lado, porque isso aumenta para o dobro a probabilidade de morte súbita, mas de costas, profissionais de saúde continuem a recomendar essa prática", disse o médico ao DN.

Um estudo concluído no final do ano passado pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, baseado em inquérito às mães, a seguir à alta médica, constatou que "em 90% dos casos foi-lhes recomendado pelas enfermeiras que deitassem os bebés de lado".

Esta situação leva aquele pediatra a considerar que é preciso "questionar e responsabilizar os directores de serviço dos hospitais que não fazem um acompanhamento do modo como os profissionais estão a seguir as orientações técnicas e as evidências científicas". Felizmente - acrescentou - os pais, por intuição e porque procuram outras fontes de informação, nem sempre seguem essas recomendações. De outro modo e fazendo uma extrapolação a partir das estatísticas, "poderiam morrer 20 bebés por ano por morte súbita".

O pediatra participou ontem num debate promovido pela Pais & Filhos, no qual se questionou a prática de hospitais que não deixam o pai assistir ao parto. "Sei que há uma norma interna no Hospital Cuf Descobertas, por exemplo, em que nos casos de cesariana e epidural o pai não pode estar presente", disse ao DN.

Na mesma linha, o pedopsiquiatra Eduardo Sá considerou que as evidências científicas demonstram que "sempre que o pai está presente o trabalho de parto é menor, o mesmo acontecendo, até com melhores resultados, quando a mãe da grávida lá está". Em conclusão, "se as maternidades humanizarem o trabalho de parto ganha-se em saúde mental e reforça-se a ligação entre pai e filho".

No debate, subordinado ao tema "Nascer em Portugal: sofrimento ou prazer", os especialistas questionaram ainda a hipermedicalização do parto e o excessivo recurso às cesarianas que, em Portugal, representam 34% dos partos (nos hospitais privados chega mesmo aos 60%), quando a média europeia se fixa nos 25% e a Organização Mundial de Saúde recomenda que não se ultrapasse a meta dos 10 a 15%. O médico Diogo Aires de Campos apontou as vantagens do banho de imersão na primeira fase do parto e criticou a utilização sistemática dos clisters e das episiotomias.

DN Online, 29-05-2008

quarta-feira, 28 de maio de 2008

A Língua Portuguesa em Timor-Leste

A existência de 4 Línguas em Timor é enriquecedora e vantajosa. Pois cada Língua é uma janela aberta para o Mundo.

O contacto dos Portugueses com os Timorenses data de 1512, quando depois da Conquista de Malaca os navegadores lusos sulcavam os mares da Insulíndia em demanda de especiarias, cravo, noz moscada, canela e sândalo. Na altura, a língua do comércio naquelas paragens era o Malaio. Porém, ao longo dos séculos XVI e XVII, a língua franca era o Português. O ensino da Língua Portuguesa em Solor, Flores, Timor e ilhas circunvizinhas, foi implementado, sobretudo, pelos missionários dominicanos. Pois nos finais do século XVI fundaram um seminário menor em Solor para ensinar os meninos da ilha a ler, contar. Nos princípios do século XVI, com a perda de Solor para os Holandeses, abriram outro seminário em Larantuca. Na Ilha de Timor, onde a presença dos dominicanos se fez sentir com maior intensidade, abriram-se escolas rudimentares nos reinos, junto das capelas e igrejas, que não eram senão barracões cobertos com colmos de palmeiras ou coqueiros ou de capim. Na segunda metade do século XVIII, fundou-se o primeiro seminário em Oecusse, durante o governo do Bispo Frei António de Castro (1738-42). Em 1747, abria-se um segundo seminário em Manatuto. Não dispomos de relatórios dos Frades sobre o funcionamento, o programa de estudos, nem o número de alunos e muito menos de sacerdotes formados fruto daquelas duas instituições. Em 1769, por causa do cerco dos Topasses e da ameaça dos holandeses, a Praça de Lifau foi incendiada, e mudou-se a capital para Díli. Presume-se que em Díli, os dominicanos residentes na Praça de Díli tivessem fundado escolas. O certo é que em 1772, o comandante de um navio francês, François Etienne Rosely, depois de ter visitado Lifau, Díli e outras povoações costeiras, fazia este comentário: “Quase todos os chefes falam Português e nos reinos vizinhos dos Portugueses é a língua geral (...). Conheci alguns muito sensatos, espirituais, engenhosos, sinceros e de boa fé, entre os quais um, muito versado na História da Europa”.

Ao longo do século XIX, verificou-se a diminuição de missionários dominicanos. E isso teve consequência na acção missionária e naturalmente do ensino do Português. Entre os anos 1830 a1856, o primeiro padre Timorense, Frei Gregório Maria Barreto, dirigia uma escola rudimentar nos reinos de Oecusse, Ambeno e Díli. Em 1863, o governador Afonso de Castro fundou uma escola régia, em Díli, destinada aos filhos dos Chefes e de outros principais. A direcção dessa escola foi entregue ao segundo padre Timorense, Jacob dos Reis e Cunha. O grande desenvolvimento das escolas das missões deu-se em 1878, quando o padre António Joaquim de Medeiros, mais tarde Bispo de Macau, estabeleceu o programa da educação da juventude timorense com a abertura de escolas rurais em Manatuto, Lacló, Lacluta, Samoro, Oe-Cusse, Maubara, Baucau, etc. A instrução, a certa altura, era tão absorvente que os padres dedicavam-se mais às escolas do que à missionação. Essa situação mudou tempestivamente com o governo do Bispo Dom José da Costa Nunes. Em 1924, fundou-se a Escola de Preparação de Professores-catequistas. Os timorenses que tinham sido aprovados nessa escola, e depois de serem nomeados professores, foram colocados em diversas estações missionárias, tornado-se agentes principais do ensino da Língua Portuguesa nas aldeias e nos sucos. Em 1935, o Governo da Colónia de Timor decidiu entregar o “ensino primário, agrícola, profissional às Missões Católicas, sob a superintendência do Governo da Colónia” (Portaria Oficial, n.º 14). Em 1936, fundou-se o Seminário Menor em Soibada pelo padre Superior daquela Missão, Jaime Garcia Goulart. E em 1938, funda-se o primeiro liceu. Pode-se afirmar que, em 1940, 4 % dos Timorenses falavam o Português, isto é, os funcionários, os professores e os catequistas, os “liurais” e chefes, aqueles que tinham tirado a 3 ª e a 4ª classe em Díli e no Colégio de Soibada.

Até à invasão das tropas estrangeiras, Australianos e Holandeses num primeiro momento, e depois, os Japoneses, o ensino ficou paralisado. Depois do Armistício de 1945, e da retomada da soberania em Timor, retomou-se o ensino, reabrindo-se colégios e escolas. Em 1960, com o major da Engenharia Themudo Barata, como Governador da Província, assiste-se a um surto de escolas municipais. E em 1963, o Exército começa a dedicar-se ao ensino, nas escolas dos sucos, escolas essas situadas nos lugares de mais difícil acesso. Até 1970, havia no Timor Português um Liceu (de Díli), um Seminário Menor, onde se ministrava o ensino secundário, uma Escola de Enfermagem, uma Escola de Professores do Posto, uma Escola Técnica, em Díli, e em Fatumaca, uma Escola Elementar de Agricultura. Nessa época havia em Timor 311 escolas primárias, com 637 professores e 34.000 alunos. Até 1975, data da invasão pela Indonésia do território de Timor, apenas 20% dos Timorenses falavam correcta e correntemente o Português. Como se explica esta situação? Vários factores: a distância (20 mil quilómetros da Metrópole); reduzido orçamento destinado ao ensino e instrução; reduzido número de professores; a falta de interesse da maioria de famílias (agricultores); só dois semanários (A Voz de Timor e a Província de Timor), um quinzenário, a Seara (propriedade da Diocese de Díli); apenas 2 emissoras. Tudo isso pouco contribuiu para a difusão da Língua. A existência de 21 línguas ou dialectos, o que permite aos falantes usarem o Português só no âmbito da escola ou nos actos oficiais.

No período da ocupação indonésia (1976-1999), o ensino da Língua Portuguesa foi banido e proibido em todo o Território, excepção feita ao Externato de São José. A Diocese de Díli, contudo, publicava os seus documentos (quer da Câmara Eclesiástica ou do Paço Episcopal) em Português. A guerrilha comunicava-se em Português. Nalgumas repartições do Estado, poucos timorenses, informalmente comunicam-se em Português. Houve casos em que um outro jovem foi esbofeteado por saudar o missionário com um “Bom-dia, senhor padre!”.

Hoje, embora o Português seja considerado a Língua oficial de Timor, a par do Tétum, (art. 13 da Constituição de RDTL), a sua implementação depara-se com grandes obstáculos. Há sectores da sociedade timorense que são contra o uso da Língua Portuguesa; as línguas nacionais(21) e línguas estrangeiras (o Bahasa Indonesia e o Inglês) são fortes concorrentes do Português. O timorense, às vezes, recorre-se ao uso do idioma mais fácil para a comunicação (Tétum, Bahasa Indonesia, Inglês). Existência de insuficiente número de professores, de livros, de jornais e de rádios e da televisão. Ainda não está generalizado o costume de leitura entre os já “alfabetizados”, sobretudo, leitura de livros, especialmente os da Literatura.

Desafios: continuar a apostar no ensino e na prática da Língua Portuguesa. Para isso, exige-se maior empenhamento dos governantes; maior distribuição de livros e de outro material; maior implantação da rádio e da televisão nos Distritos e Sub-distritos. Daqui, a necessidade de cooperação de todos os Países da CPLP.

Num mundo globalizado, o actual panorama da existência de 4 Línguas em Timor (Tétum, Português, Inglês e Bahasa Indonesia) é enriquecedor e vantajoso. Pois, cada Língua é uma janela aberta para o Mundo. Por outro lado, está o orgulho da preservação da própria identidade nacional. E aqui vale a mensagem do Poeta: “A minha Pátria é a minha língua” (Fernando Pessoa).

D. Carlos Filipe Ximenes Belo

Bispo Emérito de Díli

Agência Ecclesia, 27/05/2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Morte de líder é tiro certeiro nas FARC

O sucessor de Marulanda terá o mesmo poder ?

Nunca as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) atravessaram um momento tão negro em mais de 40 anos de história, mas a morte do seu fundador e líder, Pedro Antonio Marín, mais conhecido por Manuel Marulanda ou simplesmente Tirofijo, não significa o fim da guerrilha. Mas tão certeiro como o tiro que lhe deu a alcunha é o facto de que era Marulanda que mantinha a coesão deste grupo e, apesar dos seus 80 anos, continuava a ser ele a dar as cartas. A sua morte é por isso um golpe moral - definitivo, segundo alguns analistas - para as FARC, uma guerrilha marxista que nas últimas décadas sobrevive graças ao narcotráfico e aos sequestros extorsivos.

O sucessor de Marulanda foi nomeado por unanimidade (se houve alguma luta pelo poder foi rápida) mas tem um perfil bastante diferente do líder histórico. Ao contrário de Tirofijo, vindo do campo e sem estudos, Guillermo Léon Saenz Vargas, ou simplesmente Alfonso Cano (na foto ao lado) andou na universidade e era considerado o ideólogo da guerrilha. Líder do Bloco Ocidental, este sexagenário estava também à frente do chamado braço político das FARC, o Movimento Bolivariano pela Nova Colômbia, fundado durante as conversações de paz (que viriam a fracassar) com o presidente Andrés Pastrana (1998 - 2002). Nas FARC desde a década de 1970, participou nas negociações de paz na Venezuela e México, no início dos anos 1990.

Essas características políticas levam os analistas a pensar que vai procurar uma saída negociada para o conflito, ao contrário do que aconteceria se o escolhido tivesse sido o líder militar das FARC, Jorge Briceño (Monojojoy). Mas há quem fale de uma eventual luta interna entre estes dois ramos. Resta saber se Alfonso Cano, que não tem o carisma de Marulanda, terá a capacidade para manter a guerrilha unida. Para Carlos Lozano, o director do semanário comunista Voz, a perda da "autoridade suprema" de Tirofijo derá lugar a tomadas de "decisão mais colectivas".

A libertação de Ingrid está mais próxima?

Entre os mais de 200 reféns da guerrilha, encontra-se o chamado grupo dos "reféns políticos", que as FARC aceitavam trocar pelos seus guerrilheiros detidos nas prisões colombianas (depois do Governo desmilitarizar os municípios de Florida e Pradera). O rosto mais conhecido desses reféns é a franco-colombiana Ingrid Betancourt, sequestrada há mais de seis anos em plena campanha para as presidenciais. Mas entre eles está também o norte-americano Marc Gonsalves, um lusodescendente raptado há cinco anos durante uma missão para o Departamento de Estado.

A morte de Marulanda e a ascensão de Alfonso Cano à liderança reacende a esperança dos familiares dos reféns de que a sua libertação possa estar para breve. "É de pensar que com a chegada de Cano se privilegie mais o político e se busque uma saída negociada, mas isso não significa que vão ser fracos na hora de negociar", indicou o analista político Pedro Medellín, citado pela BBC Mundo. O chefe da diplomacia francesa, Bernard Kouchner, acredita que existe "um contexto favorável para que os reféns sejam libertados", sendo menos prudente que o Presidente Nicolas Sarkozy (empenhado pessoalmente no caso de Betancourt), que disse que é necessário "manter a calma, a prudência e a concentração".

A guerrilha mantém a força que tinha há dez anos?

Em pelo menos 17 ocasiões o líder das FARC tinha sido dado como morto, de tal forma que o escritor colombiano Arturo Alape se inspirou nestas histórias para escrever As Mortes de 'Tirofijo'. Mas para a guerrilha, a verdadeira morte de Marulanda (a versão de que foi por ataque cardíaco é questionada pelo Governo, que refere operações militares na região de Meta a 26 de Março) acabou por surgir num dos piores momentos dos seus 44 anos de história.

No dia 1 de Março, o número dois das FARC, Raúl Reyes, morreu num bombardeamento ao seu acampamento, em território equatoriano. Dias depois, foi a vez de Iván Ríos ser morto pelo seu chefe de segurança, que se apresentou às autoridades com a mão do mais novo membro do secretariado de forma a poder reclamar a recompensa de um milhão de dólares pela sua morte. E há menos de dez dias, uma das mais sanguinárias comandantes da guerrilha, Karina, entregou-se às autoridades, "quase a morrer de fome", pressionada pelo exército e temendo ter o mesmo fim que Iván Ríos.

Mas não é só ao nível da cúpula que as FARC estão fragilizadas. Segundo números do Ministério da Defesa, citados pela revista Cambio, nos últimos seis anos a guerrilha perdeu cerca da metade dos seus homens (hoje são pouco mais de oito mil) e desapareceram 25 das 67 frentes que chegou a ter durante as fracassadas negociações de paz com Pastrana. O número de desmobilizações nos primeiros cinco meses de 2008 explica tudo: 1321 homens e mulheres, a maioria dos quais há mais de cinco anos na organização. "Não vemos futuro", "a população não colabora" ou "a pressão é insustentável", são as expressões que se ouvem dos guerrilheiros que depõem as armas.

O Governo vai continuar a apostar na via militar?

O mau momento que atravessam as FARC - em 2007, pela primeira vez desde 1974, a guerrilha não capturou nenhuma povoação - deve-se principalmente à estratégia empreendida pelo Governo do Presidente Álvaro Uribe e à sua política de segurança democrática. O sucesso deveu-se a coisas tão simples como a criação da Junta de Operações Especiais Conjunta, na qual as agências de informação das Forças Militares, Polícia e Polícia Secreta podem trocar informações. O trabalho de equipa tem funcionado e a mortal das tropas está em alta.

O investimento feito ao longo dos últimos anos no sector da Defesa está agora a dar frutos, não só ao nível da luta contra a guerrilha, mas também contra o narcotráfico (já este ano caíram dois dos principais traficantes, os gémeos Mejía Múnera). O principal rosto desta vitória é o ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, um dos homens mais próximos do Presidente e que a cada novo golpe das FARC ganha mais pontos para ser o seu eventual sucessor. Segundo uma sondagem, conta com o apoio de 49% dos colombianos. O Governo já avisou que vai continuar com a sua ofensiva militar, deixando também aberta a porta para que os guerrilheiros entreguem as armas.

Diário de Notícias (DN), 27-05-2008

Para ler e meditar

POBREZA E DESIGUALDADES

Mário Soares

Não posso dizer que tenha ficado surpreendido com o Relatório da União Europeia (Eurostat) e o trabalho, coordenado pelo Prof. Alfredo Bruto da Costa, do Centro de Estudos para a Intervenção Social (CESIS), intitulado "Um olhar para a pobreza em Portugal", divulgados há dias, que coincidem em alertar para o facto de a "pobreza e as desigualdades sociais se estarem a agravar em Portugal". Surpreendido não fiquei. Mas chocado e entristecido, isso sim, por Portugal aparecer na cauda dos 25 países europeus - a Roménia e a Bulgária ainda não fazem parte da lista - nos índices dos diferentes países, quanto à pobreza e às desigualdades sociais e, sobretudo, quanto à insuficiência das políticas em curso para as combater.

Recentemente, cerca de 20 mil cidadãos portugueses, impulsionados pela Comissão Justiça e Paz, dirigiram à Assembleia da República um apelo aos legisladores para aprovarem uma Lei que considere a pobreza uma violação dos Direitos Humanos. Foi uma manifestação de consciência cívica e de justa preocupação moral - que partilho - quanto à pobreza crescente na sociedade portuguesa. E acrescento: a revolta quanto às escandalosas desigualdades sociais, que igualmente crescem, fazendo de Portugal, trinta e quatro anos depois da generosa Revolução dos Cravos, o país da União Europeia socialmente mais desigual e injusto, ombreando, à sua escala, naturalmente, com a América de Bush... Ora, a pobreza e a riqueza (ostensiva e muitas vezes inexplicável) são o verso e o reverso da mesma moeda e o espelho de uma sociedade a caminho de graves convulsões. Atenção, portanto.

Eu sei que o mal-estar social e as dificuldades relativas ao custo de vida que, hoje, gravemente afectam os pobres, mas também a classe média - e se tornaram, subitamente, muito visíveis, por força da comunicação social - vêm de fora e têm, evidentemente, causas externas. Entre outras: o aumento do preço do petróleo, que acaba de atingir 135 dólares o barril; a queda do dólar, moeda, até agora de referência; o subprime ou crédito malparado, em especial concedido à habitação (a bolha imobiliária); a falência inesperada de grandes bancos internacionais e as escandalosas remunerações que se atribuem os gestores e administradores; o aumento insólito do preço dos géneros alimentares de primeira necessidade (cereais, arroz, carne, peixe, frutas, legumes, leite, ovos, etc.); a desordem geostratégica internacional (com as guerras do Afeganistão, do Iraque e do Líbano, a instabilidade do Paquistão, o eterno conflito israelo-palestiniano e as guerras em África); o desequilíbrio ambiental que, a não ser de imediato corrigido, põe o Planeta em grande risco; a agressiva concorrência dos países emergentes, que antes não contavam; etc...

Tudo isto configura uma situação de crise profundíssima a que a globalização neoliberal conduziu o Mundo, como tantas vezes disse e escrevi. Uma crise financeira, em primeiro lugar, na América, que está a alargar-se à União Europeia, podendo vir a transformar-se, suponho, numa crise global deste "capitalismo do desastre", pior do que a de 1929. Uma crise também de civilização que está a obrigar-nos a mudar de paradigma, tendo em conta os países emergentes, e os seus problemas internos específicos, uma vez que o Ocidente está a deixar de ser o centro do mundo. Não alimentemos ilusões.

Claro que com o mal dos outros - como é costume dizer--se - podemos nós bem. É uma velha frase que hoje deixou, em muitos casos, de fazer sentido. Vivemos num só Mundo em que tudo se repercute e interage sobre tudo.

No entanto, no nosso canto europeu, deveremos fazer tudo o que pudermos, numa estratégia concertada e eficaz, para combater a pobreza - há muito a fazer, se houver vontade política para tanto - e também para reduzir drasticamente as desigualdades sociais. Até porque, como têm estado a demonstrar os países nórdicos - a Suécia, a Dinamarca, a Finlândia - as políticas sociais sérias estimulam o crescimento, contribuem para aumentar a produção e favorecem novos investimentos. Este é o objectivo geostratégico para o qual deveremos caminhar, se quisermos evitar convulsões e conflitos.

Depois de duas décadas de neoliberalismo, puro e duro - tão do agrado de tantos que se dizem socialistas, como desgraçadamente Blair - uma boa parte da Esquerda dita moderada e europeia parece não ter ainda compreendido que o neoliberalismo está esgotado e prestes a ser enterrado, na própria América, após as próximas eleições presidenciais. A globalização tem de ser, aliás, seriamente regulada, bem como o mercado, que deve passar a respeitar regras éticas, sociais e ambientais.

Em Portugal, permito-me sugerir ao PS - e aos seus responsáveis - que têm de fazer uma reflexão profunda sobre as questões que hoje nos afligem mais: a pobreza; as desigualdades sociais; o descontentamento das classes médias; e as questões prioritárias, com elas relacionadas, como: a saúde, a educação, o desemprego, a previdência social, o trabalho. Essas são questões verdadeiramente prioritárias, sobre as quais importa actuar com políticas eficazes, urgentes e bem compreensíveis para as populações. Ainda durante este ano crítico de 2008 e no seguinte, se não quiserem pôr em causa tudo o que fizeram, e bem, indiscutivelmente, para reduzir o deficit das contas públicas e tentar modernizar a sociedade. Urge, igualmente, fortalecer o Estado, para os tempos que aí vêm, e não entregar a riqueza aos privados. Não serão, seguramente, eles que irão lutar, seriamente, contra a pobreza e reduzir drasticamente as desigualdades.

Já uma vez, nestes últimos anos, escrevi e agora repito: "Quem vos avisa vosso amigo é." Há que avançar rapidamente - e com acerto - na resolução destas questões essenciais, que tanto afectam a maioria dos portugueses. Se o não fizerem, o PCP e o Bloco de Esquerda - e os seus lideres - continuarão a subir nas sondagens. Inevitavelmente. É o voto de protesto, que tanta falta fará ao PS em tempo de eleições. E mais sintomático ainda: no debate televisivo da SIC que fizeram os quatro candidatos a Presidentes do PPD/PSD, pelo menos dois deles só falaram nas desigualdades sociais e na pobreza, que importa combater eficazmente. Poderá isso relevar - dirão alguns - da pura demagogia. Mas é significativo. Do que sentem os portugueses. Não lhes parece?...

Diário de Notícias (DN), 27-05-2008

A "religião" futebol

TEMPOS ANTES DA CELEBRAÇÃO

Dois dos meus cronistas, Pacheco Pereira e Nuno Brederode dos Santos, não gostam de futebol. Eles atiram-se ao "futebol, futebol, futebol" que vai pelos telejornais. Eles aproveitam-se dos exageros de estágio (tempos da carne à jardineira almoçada pelos craques) para fustigar a essência da minha religião. Leio-os e sinto-me um daqueles exaltados de Damasco que queimaram queijos dinamarqueses depois dos cartoons de Maomé. Brincar com o meu Deco, mesmo em tempo de pousio, enerva-me: vou deixar de ler os meus cronistas preferidos até fim de Junho. Cristiano Ronaldo a elevar-se no golo ao Chelsea é melhor, mais mexido, do que aquele David à porta da Galleria degli Uffizi. Logo, que os repórteres o persigam quando a irmã o vai visitar, agrada-me. Quero mais e melhor. Ele bebe quatro cervejas às escondidas como Matateu? Quando lhe pedem "quer dizer alguma coisa ao microfone?", ele diz: "Olá, microfone!", como Garrincha na final de 62? Dele, deles, quero tudo.

Ferreira Fernandes

Diário de Notícias (DN), 27-05-2008

A GESTÃO DOS RISCOS

As ameaças e as agressões são os factos determinantes das alianças, cuja solidariedade repousa mais no medo partilhado do que sobre afinidades de concepção do mundo e da vida. As alianças militares são as mais exemplificativas, porque a sua fragilidade responde com frequência à percepção de alteração dos riscos sem nenhum condicionamento derivado de lealdades ou de efeitos colaterais que firam os interesses dos antigos aliados.

Talvez estejamos numa circunstância em que os riscos globais, que vão semeando catástrofes nas diversas regiões do mundo, e que durante longos anos foram considerados entregues aos cuidados da discreta competência dos técnicos e cientistas, apontem agora para uma governança mundial orientada pelo menos pelo princípio da precaução que vai ganhando presença nos sistemas jurídicos nacionais e internacionais. É reconhecida a urgência de criar um sentimento geral de aliança que une governos, pessoas, e autoridades da sociedade civil, contra um risco partilhado globalmente em situação de incerteza.

O projecto de aliança das civilizações é uma tentativa séria de lidar com fracturas de compreensão entre diferentes, mas a aliança contra o risco da agressão global, gerado pela gestão tecnológica não moderada pelo princípio da precaução, requer uma exigentíssima frente defensiva contra uma agressão em progresso, indiferente às diferenças culturais, que secundariza os restantes desafios e confrontações. Uma situação que conduz à urgente necessidade de criar uma opinião pública mundial, gerando um debate que secundarize a espécie de silencioso monopólio dos técnicos das várias artes que definiram e governaram os procedimentos que conduziram à situação de alarme crescente em que se encontra a humanidade. Uma alteração envolta em novos riscos, designadamente o risco do peso dos medos a condicionar a transparência e urgência das soluções possíveis. Não parece dispensável um diálogo mundial, gerador de uma opinião pública apoiada na espécie de sociedade civil transnacional em que estas questões transformam os povos antes separados pelas fronteiras tradicionais e pela história, uma urgência longe das utopias do passado.

De facto, trata-se de não desconhecer, nem de deixar de apoiar, o progresso da ciência e da técnica do qual depende o desenvolvimento sustentado e a preservação das vidas e patrimónios dos povos, mas também de conseguir um condicionamento crítico, processos políticos inovadores, e decisões apoiadas pela adesão esclarecida da opinião pública, e pela responsabilidade cívica à qual a UNESCO apela frequentemente. Soluções que buscam hegemonias apoiadas no domínio de recursos como é o caso dos detentores das fontes de energias não renováveis, e que já tem anúncio de intenção dos produtores de recursos alimentares escassos, são exactamente o contrário de uma política de preservação dos interesses comuns, repudiada em favor do transitório proveito de muito poucos.

As circunstâncias, por muito que o alarme tenha sido propositadamente inflacionado pelos jogos políticos, também desencadeou um consistente debate mundial que se espera que tenha efeito útil na gestão dos riscos globais. Os recursos científicos e técnicos ao dispor dos governos, mas também de poderes económicos ou atípicos das sociedades civis em mudança, não deverão, por isso, continuar a ser usados à distância da opinião pública desinformada, antes será de esperar que o debate público, a concertação, e a intervenção responsável das representações políticas, definitivamente consigam despertar a convicção activa de que se trata de uma ameaça que envolve a totalidade dos povos, e a própria terra.

Os analistas já falam numa nova técnica a que chamam as "conferências do consenso" destinadas a fazer convergir a responsabilidade das capacidades técnicas ao serviço da decisão final política. Que o "princípio da precaução", na gestão dos riscos, se converta numa directiva prudencial das sedes políticas às quais cabem as decisões finais, é uma exigência inadiável.

Adriano Moreira, professor universitário

Diário de Notícias (DN), 27-05-2008

Programa "Escola Segura"

PSP reforça fiscalização nas escolas até final do ano lectivo

A PSP vai reforçar a fiscalização junto das escolas a partir de hoje e até ao final do ano lectivo, numa operação de prevenção criminal em que pretende também transmitir aos jovens os cuidados que devem adoptar. Em comunicado, a PSP anuncia o início da operação de segurança junto dos estabelecimentos de ensino de todo o país, que se prolongará até ao final do ano lectivo, dia 20 de Junho.

A operação, enquadrada no programa "Escola Segura", irá reforçar o policiamento, a fiscalização rodoviária e de estabelecimentos comerciais nas imediações das escolas "num período do ano lectivo crucial para o normal funcionamento das actividades de ensino". As operações vão realizar-se em todo o Continente, bem como nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Entre os conselhos aos alunos, a Polícia de Segurança Pública (PSP) recomenda que evitem mostrar dinheiro e artigos de valor, como telemóveis, jogos electrónicos ou leitores de CD, nos percursos de casa para a escola para minimizar o risco de assaltos. Aconselha ainda que se desloquem em grupo, evitando andar sozinhos, que não brinquem ou passeiem em zonas pouco movimentadas e que não ofereçam resistência em caso de assalto ou ameaça.

Aos pais e encarregados de educação, a PSP pede que não deixem os filhos levar para casa colegas que não conhecem muito bem. Em parceria com os conselhos executivos, associações de pais e autarquias, a PSP vai ainda realizar várias acções de sensibilização nas escolas, com a participação de alunos, pais, professores e elementos policiais.

Lusa/Público online, 27-05-2008

Indisciplina e violência nas escolas 1

Relativamente à indisciplina que grassa nas nossas escolas básicas e secundárias, Medina Carreira afirmou ontem, no programa de Fátima Campos Ferreira, RTP1, que nem um catedrático consegue, hoje em dia, dar aulas numa escola básica ou secundária.

Novo romance de Vasco Graça Moura

Vasco Graça Moura

História de uma obsessão

por Rita Silva Freire

Um bibliófilo apaixona-se por uma misteriosa mulher a quem compra uns livros antigos. Apesar de estar com ela apenas duas vezes, é esta paixão obsessiva que vai reger a sua vida durante largo tempo. E que vai ditar a narrativa de Alfreda ou a Quimera, o novo romance de Vasco Graça Moura. Nascido na Foz do Douro em 1942, Vasco Graça Moura licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, tendo advogado no Porto entre 1966 e 1983. Poeta, ficcionista, ensaísta, cronista e tradutor, é também deputado ao Parlamento Europeu desde 1999. Recebeu, entre outros prémios, o Pessoa (1995), os de Poesia do Pen Club (1997) e da APE (1997) o de Romance e Novela APE/IPLB (2004); e vários como tradutor de obras como, entre muitas outras, a Divina Comédia - o último dos quais o Prémio de Tradução 2007 do Ministério da Cultura Italiano, de 2007. É autor de, entre outras obras de ficção, Meu Amor, Era de Noite e Por Detrás da Magnólia.

Jornal de Letras: Como surgiu Alfreda e a Quimera?

Vasco Graça Moura: A partir de um conto que escrevi a convite do Expresso e que saiu no Verão do ano passado, chamado Ex-Libris – que é aliás o título que deia um dos capítulos do romance, no qual se desenhava já a primeira parte da história contada ao longo do livro. Achei que tinha potencialidade para o prolongar, e foi isso que fiz. É a história de uma obsessão, nascida a partir de dois meros encontros do narrador com uma personagem.

O livro centra-se numa determinada elite do Porto. Foi-lhe importante o conhecimento do meio para construir as personagens?

Essa atmosfera tem que ver um pouco com a minha própria experiências, mas não houve modelos para as personagens que, tanto quanto eu delas tenha consciência , são inventadas. Há uma personagem ao longo de todo o livro, a cidade do Porto, misto de reminiscências e de dados objectivos, e essa é uma parte que me interessou também como tentativa de resolver um problema técnico: fazer, de algum modo, uma cidade ter o seu peso, quer como paisagem, quer quase como personagem humanizada.


Há uma forte relação de amizade entre o protagonista e Pips, um inglês homossexual. O que lhe interessou explorar?

A dimensão humana de uma personagem que não tem modelo nas pessoas que conheço. Interessou-me criar uma figura com uma dimensão suficientemente simpática, nas suas idiossincrasias, nos seus tiques e nas suas preocupações, que me pareceu ter um conteúdo significativo para a história. Mas não me preocupei em explorar a questão da homossexualidade.


O narrador, João de Melo Saraiva, tem uma forte relação com os livros…

Posso ter-me inspirado na minha própria relação com os livros, embora eu não seja bibliófilo nem especialista como a minha personagem. E ao contrário de João de Melo Saraiva, eu acredito no futuro do livro. Por outro lado, a personagem é indiferente a uma série de problemáticas – nomeadamente sociais, o que não é o meu caso. Não é, nem de perto nem de longe, uma personagem autobiográfica.

Projectos futuros de escrita?

Tenho para sair, até ao princípio do Verão, uma pequena novela, na Alêtheia, intitulada O Pequeno-Almoço do Sargento Beauchamp, e a tradução de O Cid, de Corneille. Tenho também um livro de contos para publicar em Outubro.

Jornal de Letras (JL), nº 981 (de 7 a 20 de Maio de 2008)

Sermão de Natália aos luso-americanos

por Onésimo Teotónio Almeida

Em crónica anterior contei aqui como uma pista deixada no diário de uma vinda aos Estados Unidos, Descobri Que Era Europeia, me permitiu descobrir no jornal The Boston Globe importantes dados biográficos sobre o contexto dessa viagem de Natália Correia, sobre que o próprio livro é estranhamente omisso. A escritora refere entretanto ainda uma outra aparição em público, desta vez num programa de rádio da então chamada colónia portuguesa. Uma busca no jornal Diário de Notícias, que durante 50 anos se publicou em New Bedford, Massachusetts, revelou uma notícia sobre o evento e o texto da própria alocução radiofónica de Natália. Longo para a extensão média deste espaço, espero que a redacção do JL julgue valer a pena transcrever a peça na íntegra:

Esteve ontem em N. Bedford a jornalista Natália Correia, do Diário de Lisboa.

A ilustre e culta senhora que se fazia acompanhar de seu marido, fez uma interessante palestra na Rádio sobre Portugal

Acompanhada de seu marido, sr. William Creighton Hyler, meteorologista da T.W.A em Portugal, esteve ontem em New Bedford, a escritora e jornalista portuguesa, srª. D. Natália Correia, que veio aos Estados Unidos visitar a família de seu esposo, que reside no Estado do Maine, e colher alguns dados para uma série de artigos de que vem incumbida pelo importante jornal, Diário de Lisboa.

A jovem e culta senhora, que é natural de S. Miguel, bem como seu distinto esposo, passaram algumas horas na residência do nosso director mr. João R. Rocha, para quem traziam uma amável carta de introdução do sr. comandante José Cabral, director da T.W.A. em Lisboa. Procediam de Boston, onde haviam chegado de Portugal na sexta-feira, e ontem mesmo, tarde de noite, seguiram para Nova York, onde contam demorar-se alguns dias, antes de partirem para a Califórnia.

Os ilustres viajantes tencionam demorar-se nos Estados Unidos até princípios de Julho próximo, quando regressarão a Lisboa.

Uma palestra pela rádio

Natália Correia, em quem, apesar de jovem (terá uns 25 anos), se denota uma cultura invulgar, tem colaborado em várias publicações portuguesas, entre elas O Sol e A República, reproduzindo nós, durante a célebre última campanha eleitoral para a Presidência em Portugal, um artigo de sua autoria, que este último jornal lisboeta então publicara.

No programa radiofónico «Hora Portuguesa», de que é director e locutor o sr. Francisco Oliveira, para quem trazia também uma carta de apresentação do sr. comandante Cabral, Natália Correia proferiu ontem uma interessante palestra, subordinada ao tema: «A civilização portuguesa – um caso sem paralelo na Europa», de que arquivamos estes passos:

«A civilização portuguesa contém valores históricos e espirituais de alto preço que são por si só uma força de coesão para todos os portugueses de aquém e além Atlântico. Dentro da Europa é um caso sui generis. Simples colocação geográfica? Heterogeneidade de influências rácicas fecundando um produto humano especial? Mais verosímil do que todas estas perplexidades parece-nos o factor histórico que talhou ao povo português um destino em que a ironia parece comprazer-se em fazer-lhe pagar o preço de tanta glória conquistada.

As nossas viagens marítimas dos séculos XV, XVI e XVII, colocaram-nos à frente da civilização. A nossa História trágico-marítima dá-nos notícia na sua linguagem expontânea (sic) e popular narrada por quem viveu tão patéticos acontecimentos, dos lances trágicos do despedaçar da mastreação, preces perdidas na inclemência dos vendavais, a marinhagem quase arrastada pela fome à antropofagia, toda a grandeza e toda a miséria do homem... quantos naufrágios nas entranhas monstruosas do oceano? A praia de Belém de onde partiram as naus, era então chamada a praia das lágrimas... dos que partiam, a quantos seria dado voltar?

O ouro vindo dessa Índia estranha não chegava para secar as fontes de pranto e os rios de sangue que corriam misturados no caminho de tão alta glória.

Povo descobridor

Há uma fronteira intransponível entre o povo descobridor e o povo conquistador. O primeiro é levado à descoberta pela inquietação e pela virtude sublime de criar. O último é impelido pelo orgulho e pelo espírito de dominação que afunda as suas raízes nas regiões sombrias do sadismo. Temos exemplos flagrantes desta atávica aberração nos nossos dias.

Fomos um povo criador. Não recebemos, demos. Se não conservámos o fruto das nossas descobertas foi por não possuirmos a vitalidade guerreira que acaba por afogar em sangue os mais vastos impérios.

Lançámo-nos na aventura pelo amor do desconhecido. Não para submeter povos. Fomos atrás dum sonho. Uma vez chegados ao porto da revelação desprendemos as nossas naus no mar do imprevisto levadas no vento duma perene inquietação.

Essa ausência de crueldade bélica está ainda hoje bem vinculada nos nossos processos de colonização, de entre todos os mais humanos e pacíficos. Em relação ao mundo europeu Portugal tem a sua vida própria e mantem-se fiel à ética em que tradicionalmente se encontra elaborada a sociedade da casa lusitana.

Não sofremos quer a corrupção de princípios, quer a inversão de conceitos morais a que está submetido um mais quando o seu corpo é dilacerado pela guerra. Acreditamos no que acreditámos ontem. Temos a pureza dos que nunca sentiram na boca o gosto amargo da desgraça. O nosso povo não correu em hordas em degradante espectáculo apocalíptico a refugiar-se nos abrigos. O black-out jamais empenou o brilho das nossas estrelas. Os bombardeiros não tornaram em pó as pedras documentais dos nossos monumentos. Por isso a ingenuidade da nossa doçura meridional sobrevive naquele canto do mundo, como uma coisa limpa e desusada, debruçada na janela florida dum passado que contempla o resto do mundo com os olhos velados de melancolia.

Sobre Portugal pode-se afirmar paradoxalmente que é o menos europeu e ao mesmo tempo o mais europeu dos países europeus. Porquê? Devido a fenómenos exteriores que fizeram a Europa participar da terrível convulsão que abalou o mundo nestes últimos tempos. O contraste vem de fora e sempre estabelecido na medida em que as transmutações vestem a Europa de novas epidermes. Porquê? Dizíamos. Portugal é o país menos europeu em relação à Europa moderna destituída das suas tradicionais instituições. Mas é ainda nessa qualidade que ele é o país mais europeu da Europa, pois é, dentro daquele continente o último reduto da ética e espírito humanístico que foram apanágio da velha civilização europeia». (fim de citação)

Salazar teria gostado. E eventualmente desejado enfileirar Natália na sua lista de ideólogos (salvo seja!). É de facto estranho que a escritora, tão precoce na sua crítica aos Estados Unidos, mantivesse ainda uma visão assim contrastantemente naïve da História de Portugal. Especialmente tendo em conta que, muito antes de 1950, já um significativo número de intelectuais portugueses se purgara de uma encenação tão beatífica da nossa epopeia dos descobrimentos que, aliás, a simples leitura das crónicas de Zurara desde logo desautoriza.

De qualquer modo, diante daquele microfone ela tinha em mente a «colónia lusíada», como então soía chamar-se, e era preciso dar ânimo a essa comunidade a acumular diariamente complexos no confronto entre a cultura anglo-saxónica dominante e a sua, que a levara à emigração.

Natália, tão jovem ainda, e já a lançar-se na retórica barroca que sempre revestiu a sua prosa, embalada em rasgos arrebatados de palavra empolgante, sua marca com os anos tornada inconfundível. Já aí estava, além disso, igualmente clara a sua alma nietzschiana. Pregava corações ao alto! Porque os portugueses afinal eram europeus e por isso, segundo ela, melhores do que os americanos. E, mesmo na Europa, não eram simplesmente europeus, eram super-homens.

Jornal de Letras (JL) nº 981, de 7 a 20 de Maio de 2008

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Timor-Leste: Indulto presidencial «vai contra a Constituição», acusa líder parlamentar

Díli, 26 Mai (Lusa) - O indulto presidencial de 20 de Maio, que abrange o ex-ministro do Interior e vários condenados por crimes contra a humanidade, "vai contra a Constituição timorense", acusou hoje a deputada Fernanda Borges em declarações à agência Lusa.

"O Presidente da República não justificou devidamente por que concedeu os indultos", acusou a deputada, líder do Partido Unidade Nacional (PUN) e presidente da Comissão A do Parlamento Nacional, que tem competência sobre assuntos constitucionais e direitos, liberdades e garantias.

Fernanda Borges exigiu hoje em plenário que o Parlamento peça "explicações ao Governo sobre as recomendações enviadas ao Presidente da República" para a concessão dos indultos.

Segundo Fernanda Borges, José Ramos-Horta "indultou crimes que vão contra o Estado e crimes horríveis e está a derrotar a Constituição que ele deve defender".

"Estou sem palavras. O Presidente é uma obstrução completa à justiça em Timor-Leste, particularmente quando se verifica que indultou presos que cometeram crimes que trouxeram milhares de vítimas", acusou Fernanda Borges em declarações à Lusa.

O decreto presidencial, datado de 19 de Maio e com carimbo de entrada no Tribunal Distrital de Díli de dia 21, indulta 94 presos, em cinco categorias diferentes, que resultam em cinco listas de beneficiários de redução total ou parcial de pena.

Entre os 94 nomes indultados está o ex-ministro do Interior Rogério Lobato, condenado pela distribuição de armas a civis durante a crise de 2006.

São também indultados com redução de metade da pena quatro timorenses, incluindo Joni Marques, que pertenciam, em 1999, à milícia Team Alpha, de Lospalos (leste), acusados e condenados por um tribunal timorense por crimes contra a humanidade.

"O Presidente indultou crimes de 1999 que ninguém deve consentir e que foram condenados precisamente para que ninguém possa repeti-los", afirmou Fernanda Borges à Lusa.

"Essas pessoas foram condenadas porque o Estado tem a obrigação de proteger o povo. Onde está o carinho que o Presidente da República devia ter pelos timorenses?", questionou a deputada do PUN.

"A história de amor e de perdão de que ele fala, não é assim que a nação garante a justiça e a democracia", declarou também Fernanda Borges à Lusa.

No seu discurso de 20 de Maio, "um dia de grande carga simbólica", José Ramos-Horta decretou a data como "um dia de reflexão, clemência, perdão, reconciliação".

No preâmbulo de quatro parágrafos do decreto presidencial, José Ramos-Horta explica que o 20 de Maio representa "o que há de mais belo na nossa alma, a crença inabalável na essência do ser humano enquanto reflexo da criação divina, que transporta consigo o Bem (sic) e que mesmo quando ele se desvia, a ele sempre torna porque tem o condão de se arrepender e o dom de se transformar na busca do seu caminho verdadeiro".

"Acreditar na pessoa humana, manter acesa a esperança apesar das vicissitudes, determinam que cultivemos a clemência, a tolerância e que saibamos estender a mão ao próximo para o ajudar a erguer-se quando caiu na sua dignidade", escreve também o preâmbulo do decreto presidencial.

"A impunidade não nos dá certezas para continuar a democracia", afirmou Fernanda Borges em resposta à abordagem de José Ramos-Horta.

A deputada interroga-se sobre "o que vai acontecer aos crimes cometidos após 1999 que estão pendentes, incluindo os relacionados com o 11 de Fevereiro de 2008", quando dois grupos liderados pelo major Alfredo Reinado e o ex-tenente Gastão Salsinha atacaram o Presidente da República e o primeiro-ministro.

"Vamos também ter que voltar à campanha presidencial de José Ramos-Horta, onde ele vestiu a camisola com o Cristo e prometeu justiça. Nunca disse que ia indultar. Se tivesse dito, o (Francisco Guterres) `Lu Olo` ou o (Fernando) `La Sama` (de Araújo) ganhavam", acrescentou Fernanda Borges, referindo-se aos candidatos da Fretilin e do Partido Democrático.

A deputada do PUN defende que a Igreja católica, através dos dois bispos de Timor-Leste, se deve pronunciar sobre os indultos, uma vez que várias das vítimas da violência de 1999, em particular de Joni Marques e seus companheiros de milícia, eram clérigos e freiras.

PRM

RTP/Lusa, 26-05-2008

domingo, 25 de maio de 2008

Alkatiri em Angola

Secretário geral da Fretilin chegou ao país

Luanda, 25/05 – O secretário geral da Fretilin, Mari Alkatiri, chegou na noite de hoje ao país no quadro das relações bilaterais existentes entre aquele país e o MPLA.

Mari Alkatiri não prestou qualquer declaração à imprensa prometendo fazê-lo no final dos quatro dias de visita.

O secretário das relações exteriores do MPLA, Paulo Teixeira Jorge, que esteve no aeroporto internacional “4 de Fevereiro” a apresentar cumprimentos de boas vindas disse à Angop que a Fretilin “tinha manifestado interesse de vir à Angola para permitir fazer uma análise objectiva da actual situação do Timor Leste, depois dos acontecimentos dramáticos que surgiram".

Com Paulo Jorge esteve no aeroporto o director do departamento das relações exteriores, Nelo Ruas.

AngolaPress, 25-05-2008

Encontro de Empresários com Embaixadores da CPLP

I Encontro de Empresários do Concelho da Moita

“Divulgar o nosso tecido empresarial junto dos países da CPLP”

A Câmara Municipal da Moita promoveu, no Moinho de Maré, em Alhos Vedros, o I Encontro de Empresários do Concelho da Moita com embaixadores dos Estados-membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa.

João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita, faz um balanço bastante positivo do encontro e explica quais os motivos que levaram a autarquia a dinamizar esta iniciativa: “essencialmente quisemos divulgar o nosso tecido empresarial junto dos países da CPLP”.

A Câmara da Moita reuniu na mesma mesa os embaixadores e conselheiros comerciais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste e os representantes das empresas AMAL – Construções Metálicas, S.A., Casa Lanchinha, COMIMBA – Comércio e Industria de Bacalhau, S.A., DaniMármores – Indústria e Transformação de Mármores, S.A, Martinsa Fadesa, FIBNET – Engenharia e Telecomunicações S.A., Imporquímica – Indústria Portuguesa de Produção Química, Lda., J. M. Sousa, S.A., José Ribeiro Chula e Filho – Sociedade Agropecuária S.A., Metalúrgica Central de Alhos Vedros e RARI – Construções Metálicas, Projectos e Secções Industriais, Lda..

João Lobo, presidente da Câmara Municipal da Moita, faz um balanço bastante positivo do encontro e explica quais os motivos que levaram a autarquia a dinamizar esta iniciativa: “essencialmente quisemos divulgar o nosso tecido empresarial junto dos países da CPLP e, simultaneamente, debater as estratégias de investimento naqueles países, alargando as perspectivas de negócios para as nossas empresas”.

Ao longo da manhã, os empresários apresentaram as suas empresas e os seus projectos. As empresas que já expandiram os negócios àqueles países partilharam também as suas experiências. As embaixadas divulgaram as diferentes políticas fiscais e aduaneiras praticadas em cada um daqueles países e foram também partilhadas opiniões sobre as áreas de negócio que mais probabilidades teriam de se fixar nos diferentes países ali representados.

O I Encontro de Empresários do Concelho da Moita terminou com uma visita às instalações da COMIMBA - Comércio e Industria de Bacalhau, S.A, na freguesia do Gaio/Rosário.

Rostos On-line (rostos.pt), 25.5.2008

Alfonso Cano é o novo líder das FARC

Colômbia: Antropólogo Guillermo León Sáenz é o novo líder das FARC

Bogotá, 25 Mai (Lusa) - O novo chefe das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) é o antropólogo Guillermo León Sáenz, conhecido como "Alfonso Cano", substituindo o falecido "Tirofijo", anunciou hoje o grupo guerrilheiro.

Num vídeo hoje difundido pela cadeia televisiva TeleSur, com sede em Caracas, as FARC confirmam que "Tirofijo" faleceu a 26 de Março devido a uma paragem cardíaca e comunica que é sucedido como líder máximo do movimento por "Alfonso Cano".

"Com imenso pesar informamos que o nosso comandante em chefe, Manuel Narulanda Vélez, morreu no passado 26 de Março em consequência de um enfarte cardíaco nos braços dos seus companheiros e companheiras e rodeado da sua guarda pessoal e de todas as unidades responsáveis pela sua segurança, após uma breve enfermidade", disse "Timochenko", um dos membros do secretariado-geral das FARC.

"Timochenko" revelou hoje que as FARC decidiram "unanimemente" que "a cabeça do secretariado e novo comandante do estado-maior central é o camarada Alfonso Cano", cujo verdadeiro nome é Guillermo León Sáenz.

"Cano" é militante das FARC há 31 anos, e é considerado com um dos ideólogos da guerrilha.

Sáenz, conhecido como "Cano" nasceu a 22 de Julho de 1948 en Bogotá, estudou Antropologia na Universidade Nacional de la capital colombiana e era até agora chefe político do Bloco Ocidental e membro do Secretariado (chefatura máxima) das FARC.

Antes de ingressar nas fileiras da FARC pertenceu ao Partido Comunista Colombiano e foi seu "comissário político".

Desde 2000, é o responsável do Movimento Bolivariano da Nova Colômbia, um projecto político da principal guerrilha colombiana.

"Alfonso Cano", tem 47 ordens de captura e um "circular vérmela" da Interpol por rebelião, terrorismo, homicídio e sequestro.

Representou as FARC nos diálogos frustrados com o Governo do Presidente colombiano, César Gaviria (1990-1994), em Caracas e na localidade mexicana de Tlaxcala.

Outros líderes das FARC são Luciano Marín Arango, conhecido por "Iván Márquez", Jorge Briceño Suárez, conhecido por "Mono Jojoy", Rodrigo León Londoño, ou "Timochenko", e Milton de Jesús Toncel Redondo, designado "Joaquín Gómez".

NL.

Lusa/Fim

(Notícias sapo.pt)

As FARC confirmam morte de Tirofijo

Colômbia: Forças Armadas Revolucionárias da Colómbia confirmam morte do seu líder histórico

Bogotá, 25 Mai (Lusa) - O movimento guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) confirmou hoje a morte do seu líder histórico, Manuel Marulada, anunciou a estação de televisão privada colombiana Caracol.

Por outro lado, a cadeia de televisão internacional TeleSur retransmitiu um vídeo das FARC em que o movimento dá conta da morte de "Manuel Marulanda", conhecido por "Tirofijo" (Tiro Certeiro), no passado dia 26 de Março, devido a um ataque cardíaco.

O ministério colombiano da Defesa tinha anunciado no sábado que o líder histórico das FARC, Manuel Marulanda "Tirofijo", teria morrido.

O comunicado ministerial informava "a opinião pública ter tido conhecimento, através de várias fontes de informações militares, da morte de Pedro António Marín, aliás, Manuel Marulanda ou 'Tirofijo', principal chefe das FARC".

Segundo estas informações, Marulanda, de 78 anos, terá morrido há dois meses, às 06:30 do dia 26 de Março, de causas ainda não reveladas.

Nos dias em torno da data da alegada morte de Marulanda, as forças militares colombianas tinham bombardeado diferentes zonas da região de Meta, a sul de Bogotá.

"A primeira operação militar ocorreu perto de El Purgatório, a segunda na laguna de Los Osos e a terceira na zona do rio Papaneme", informava o comunicado.

"Tínhamos informações de que Marulanda estava por ali. No entanto, nenhuma daquelas operações foi desencadeada na data em que é atribuída a morte de Marulanda", precisava o comunicado.

"Sabemos que no seio das FARC a versão difundida fala em morte natural, nomeadamente por paragem cardíaca e que o seu sucessor designado é Alfonso Cano", prosseguia a nota.

"Soubemos igualmente que, em conformidade com a sua política tradicional de desinformação, as FARC não informaram todos os seus membros deste acontecimento. Esperamos que as FARC não neguem a verdade no que diz respeito à morte de 'Tirofijo'. E se dizem que a nossa informação é falsa, que o provem", concluía o comunicado do ministério colombiano da Defesa.

NVI.

Lusa/Fim

(Notícias sapo.pt)

Mugabe ameaça expulsar embaixador dos EUA

Zimbabué: Mugabe acusa embaixador dos EUA ingerência e ameaça expulsá-lo do país

Harare, 25 Mai (Lusa) - O Presidente zimbabueano, Robert Mugabe, acusou hoje o embaixador dos Estados Unidos em Harare de se imiscuir nos assuntos internos do país e ameaçou expulsá-lo do Zimbabué.

No discurso em Harare que marcou o lançamento da campanha para a segunda volta das presidenciais, marcada para 27 de Junho, Mugabe acusou o diplomata norte-americano, James McGee, de ter ordenado ao dirigente do Movimento para a Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, que regressasse ao Zimbabué.

"Quando o embaixador norte-americano disse a Morgan que regressasse, ele voltou a correr", adiantou, Mugabe referindo-se ao regresso ao país do seu rival nas presidenciais, e vencedor da primeira volta de 29 de Março.

McGee foi chamado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros do Zimbabué depois de ter efectuado uma visita, no passado dia 13, a vítimas hospitalizadas de violência política pós-eleitoral.

Nessa altura, o ministro dos Negócios Estrangeiros zimbabueano, Simbarashe Mumbengegwi, afirmou que se tratou "de um primeiro aviso ao embaixador norte-americano de que não será tolerada qualquer ingerência".

Hoje, Mugabe afirmou : "Ele diz que combateu no Vietname, mas combater no Vietname não lhe dá o direito de interferir nos nossos assuntos internos".

"Estou só à espera para ver se ele dá mais um passo em falso. Ele sairá" do Zimbabué disse o Presidente.

"Se continuar a agir desta forma, expulso-o", ameaçou.

De acordo com as convenções e protocolos estabelecidos os diplomatas podem ser expulsos se interferirem nos assuntos internos do país onde estão colocados.

James McGee, nomeado embaixador no Zimbabué em 2007, ao mesmo tempo que outros diplomatas ocidentais, provocou a ira de Mugabe quando visitou, com outros diplomatas ocidentais, vítimas da violência nos subúrbios da capital, sem ter previamente informado as autoridades.

O incidente registou-se quando a polícia exigiu que os diplomatas - britânico, norte-americano, japonês, holandês, da Tanzânia e da União Europeia - exibissem uma autorização para visitar hospitais e um alegado campo de tortura.

O embaixador norte-americano James McGee insistiu em prosseguir caminho, o que conseguiu após uma hora, mas sob escolta policial.

MV.

Lusa/Fim

(Notícias Sapo.pt)

FARC: morreu Tirofijo

Colômbia: Líder das Farc está morto, confirmou Governo

O principal líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Manuel Marulanda Vélez, conhecido como «Tirofijo», está morto, confirmou hoje uma alta fonte do governo colombiano, citado pelo 'Globo on-line'.

O ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, já tinha revelado em entrevista à revista colombiana 'Semana', que irá para as bancas este domingo, que o líder rebelde teria morrido e que as autoridades estavam a tentar confirmar a informação dada por uma fonte, que os informou que «Tirofijo», de 78 anos, teria morrido a 26 de Março devido a um enfarte.

Marulanda, considerado o guerrilheiro activo «mais velho do Mundo», organizou as Farc em 1960, como grupo de esquerda lutando pela justiça social. Mas após quatro décadas de combate, as Farc têm sido enfraquecidas pela campanha do presidente Alvaro Uribe, como apoio dos Estados Unidos.

Com pouco apoio popular, as Farc têm sido empurradas de volta para florestas e montanhas remotas, mas os rebeldes ainda são uma força poderosa em algumas áreas, ajudados pelos recursos obtidos com o tráfico de cocaína.

Vários comandantes importantes das Farc foram mortos ou capturados recentemente, enquanto o mais antigo grupo guerrilheiro da América Latina enfrenta uma crescente pressão militar e deserções, escreve ainda a edição electrónica do jornal brasileiro.

Tentativas de negociar a libertação de reféns das Farc, incluindo a política franco-colombiana Ingrid Bettancourt, continuam num impasse.

Diário Digital/Lusa, 25-05-2008

sábado, 24 de maio de 2008

Governo colombiano diz que fundador das FARC terá morrido

Informação ainda está a ser investigada pelas autoridades

24.05.2008 - 18h57 AFP, Reuters

O líder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Manuel Marulanda Vélez, terá morrido vítima de um enfarte no passado dia 22 de Março, avançou o ministro da Defesa de Bogotá, Juan Manuel Santos, numa entrevista à revista colombiana “Semana” que é publicada amanhã.

De acordo com o ministro, que citou uma fonte não identificada nas suas declarações, Marulanda, de 80 anos, que lidera uma rebelião armada contra Bogotá desde 1964, terá morrido no mês passado, mas Juan Manuel Santos indicou que esta informação ainda está a ser analisada e investigada pelas autoridades colombianas.

Manuel Marulanda, de seu verdadeiro nome Pedro Antonio Marin, nasceu a 12 de Maio de 1928 e raramente saiu da clandestinidade.

Segundo elementos biográficos divulgados ao longo dos anos pela imprensa, o fundador das FARC será casado e terá vários filhos, incluindo uma filha, a companheira do “número dois” dos guerrilheiros Raul Reys, morto a 1 de Março último durante uma operação do Exército colombiano em território do Equador.

O Governo de Bogotá acusa Marulanda, o mais velho guerrilheiro comunista do mundo, de ter introduzido o tráfico de droga no país e de fazer vários reféns em nome da causa das FARC.

Público Online, 24-05-2008

Governantes e governados

Duas tragédias naturais, dois actos de Deus dir-se-ia em inglês, assolaram a Ásia com intervalo de dias. Um ciclone fustigou o sudeste da Birmânia deixando cerca de 100 mil mortos e um terramoto assolou a província de Sichuan no centro da China matando talvez mais pessoas ainda. Para lá de compaixão pela dor de tanta gente a comparação das reacções das autoridades birmanesas e chinesas às duas catástrofes é instrutiva.

Nem a China nem a Birmânia são democracias, isto é, em nenhum dos dois países estão estabelecidos mecanismos institucionais para controlo dos governantes pelos governados tais como eleições livres, tribunais independentes, respeito pelos direitos civis e políticos de cada um - mas há graduações. Na Birmânia, uma ditadura militar brutal assente em economia rudimentar de petróleo, matérias-primas e droga, explora, oprime e sufoca uma população miserável, fechada ao resto mundo. Na China, uma ditadura burocrática consegue fazer coincidir um dos capitalismos mais vigorosos do mundo - a poucas décadas de suplantar os Estados Unidos - e regime político de partido único, para contentamento quase geral da população cujo bem-estar material tem crescido nos últimos anos como os bambus proverbiais.

Há outras diferenças que saltaram agora claramente à vista. Os generais birmaneses e a sua cadeia de comando não informaram o povo da chegada iminente do ciclone, aumentando assim o número de mortos da primeira leva. Não puseram logo a tropa a prestar socorros (foram monges budistas que tiraram árvores caídas das ruas); começaram por recusar ajuda estrangeira para depois autorizarem um pinga-pinga insuficiente de material, pessoal de fora foi proibido de entrar; por fim parte da ajuda está a ser pilhada pelas próprias autoridades. A China, desde o Presidente da República e o primeiro-ministro até aos militares mandados para Sichuan, aos bombeiros e aos médicos e paramédicos, passando pela informação, reagiu com eficácia, dignidade e decência. Declinou também receber pessoal estrangeiro de apoio mas com o argumento plausível de, para esse serviço, chegar a prata da casa.

Tomando por exemplos a China maoísta e a Índia, Amartya Sen, prémio Nobel da economia, provou que depois de secas, cheias ou outros grandes desastres naturais, fome grassou muitas vezes nas ditaduras e nunca nas democracias. Onde os governantes servem os governados, respondem perante eles, por eles são reconduzidos ou despedidos - tratam dos interesses deles e só depois dos seus. Politicamente a China de hoje está longe de ser uma democracia mas está mais longe ainda da China de Mao Tsé Tung. As fomes provavelmente acabaram e enraíza-se o princípio da prestação de contas cívicas.

A Birmânia é um buraco. Benfeitores encartados das desgraças do mundo - Bernard Kouchener, vários americanos - acham que nestes casos se deve fazer bem à força. Entende-se a tentação mas quando se lhe cedeu os resultados foram quase sempre desastrosos.

José Cutileiro

Expresso Online, 19-05-2008

Mildred Loving (1940 - 2008)

Mildred Delores Loving, Jetter de seu nome de solteira, que morreu de pneumonia na sua casa de Central Point, no Estado norte americano de Virgínia, no passado dia dois do corrente, deixou o seu nome para sempre ligado à luta pela igualdade racial perante a lei nos Estados Unidos, havendo sido protagonista, com o marido, de caso célebre levado de instância em instância até ao Supremo Tribunal de Justiça, em Washington, o qual, em 1967, declarou inconstitucionais as leis ainda então vigentes em 20 Estados da União que criminalizavam o casamento de pessoas de raças diferentes, última área da vida de todos os dias onde a segregação racial ainda vigorava. Em Loving versus Virgínia, a decisão do Supremo foi unânime embora não correspondesse ao sentimento popular branco maioritário nessa altura e por longo tempo ainda em muitos Estados do Sul. Estes, depois da sentença, tiveram de modificar as respectivas legislações estaduais mas levaram o seu tempo. O último, Alabama, só o faria 33 depois.

Mildred Jetter, cuja mãe era em parte Rappahannock e cujo pai em parte Cherokee, preferia considerar-se índia mas tal como o resto da família fora classificada como preta; Richard Loving era filho e neto de brancos e a história de ambos era simples. Vizinhos em pequena vila, tinham-se conhecido nos bancos da escola, ou melhor, das escolas, porque Richard fora à dos rapazes brancos e ela à das meninas pretas. Começaram muito cedo a sair juntos e o seu namoro não causava escândalo na terra nem oposição das famílias - naquela parte pobre da Virgínia rural as pessoas eram tolerantes e, apesar da proibição de casamento, havia muita gente amulatada, que às vezes passava por branca nas cidades. Quando Mildred tinha dezoito anos engravidou e ambos entenderam que deveriam casar-se. Não para dar exemplo, ou se baterem por uma causa célebre; por isso foram a Washington, que é ao lado, onde não havia obstáculo a casamentos inter-raciais, lá deram o nó, voltaram para casa e penduraram na parede do quarto o atestado de casamento emoldurado. Cinco semanas depois, a 11 de Julho de 1958, alertados por denúncia anónima, o xerife da vila e dois ajudantes entraram-lhes pelo quarto a meio da noite. 'Quem é essa mulher que você tem na cama?', 'Sou a mulher dele', respondeu Mildred, enquanto o marido apontava para o atestado emoldurado. 'Isso cá não vale nada', respondeu o xerife.

Com efeito não valia. Foram os dois parar à cadeia, onde ele passou essa noite e ela mais algumas, levados a tribunal, acusados de violarem a lei da Integridade Racial da Virgínia, o que não negaram, e condenados a um ano de cadeia cada um, que foram substituídos por obrigação de residirem fora do Estado vinte e cinco anos e nunca o visitarem juntos. Ao passar a sentença, o juiz fez uma declaração notória que viria a ser citada pelo Presidente do Supremo quando da anulação da sentença: 'Deus todo poderoso criou as raças branca, preta, amarela, malaia e vermelha e pô-las em continentes separados. E, se não houvesse interferência com este Seu arranjo, não surgiriam casamentos assim. O facto de Ele ter separado as raças mostra que não tinha intenção de as misturar'.

Os Darling foram viver para Washington, nasceram-lhes três filhos mas tinham saudades da Virgínia e queriam voltar para lá. Como Mildred disse, na passagem dos 40 anos de Darling versus Virgínia (Richard morrera entretanto num desastre), bateram-se, antes de mais nada, pela sua felicidade pessoal e não por uma causa. Mas a causa existia. Quando, em 1963 Robert Kennedy, ministro da Justiça, recebeu uma carta do casal, pô-los em contacto com a Associação Americana de Direitos Cívicos que lhes facultou advogados, a batalha legal começou e a vitória no Supremo ficou um marco capital na marcha da liberdade dos americanos feita a grandes passos no último meio século. Tão grandes que, para o ano, Barack Obama, filho de branca e de preto, poderá ser Presidente dos Estados Unidos.

José Cutileiro

EXPRESSO Online, 19-05-2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Brasil: cidadã indonesiana agredida pelo marido

Sargento da PM é preso por agredir mulher

Luis Vilar

Alagoas 24 horas

Indionesiana acusa marido militar pela segunda vez. De acordo com o registro de ocorrências da Delegacia de Plantão I, o sargento da Polícia Militar de Alagoas, Cláudio Jorge Coutinho Ferreira, 35 anos, foi preso sob a acusação de ter agredido a esposa Kristiana Megawati Siregal, que é natural da Indonésia.

A suposta agressão ocorreu em Marechal Deodoro, mais precisamente em Massagueira, onde o casal reside no loteamento Afrânio Lopes. A mulher do sargento ainda chegou a ser socorrida e atendida na Unidade de Emergência Armando Lages. Na delegacia, ela disse – em depoimento – que foi agredida com uma coronhada na cabeça.

A discussão se deu por conta de ciúmes. O sargento - que é aluno do curso de Odontologia - não aceitou o fato da mulher querer ir para uma festa com os filhos e uma amiga. O casal se conheceu no Timor Leste, há sete anos, quando o militar participou de uma missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU). O militar nega a agressão.

Jorge Coutinho já responde por ter agredido a esposa. O militar foi autuado em flagrante delito e deve ser processado nos termos previstos da Lei Maria da Penha. O caso deve ser encaminhado para a delegacia distrital da cidade de Marechal Deodoro. O fato foi registrado pelo delegado plantonista Valdir Silva de Carvalho.

Alagoas 24 Horas, 23-05-2008

Timor-Leste quer ter participação mais activa na CPLP

Os vínculos à CPLP vão ser reforçados com a provável adopção do Acordo Ortográfico e com o acolhimento de uma Representação Permanente da CPLP em Timor-Leste.

Da Redação

Lisboa - O ministro dos Negócios Estrangeiros da República Democrática de Timor-Leste reiterou o interesse do seu país em participar mais activamente na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), de acordo no nota divulgada nesta sexta-feira (23) pelo Secretariado-Executivo da comunidade, em Lisboa.

Durante evento no final da X Reunião dos Ministros da Defesa da CPLP, em Díli, o ministro Zacarias Costa anunciou que ainda este ano será nomeado um embaixador de Timor-Leste junto do Secretariado Executivo da CPLP, em Lisboa.

Também este ano, os vínculos à CPLP vão ser reforçados com a provável adopção do Acordo Ortográfico e com o acolhimento de uma Representação Permanente da CPLP em Timor-Leste, disse Zacarias Costa.

O secretário executivo da CPLP, embaixador Luís Fonseca, deslocou-se a Timor-Leste para participar na X Reunião dos Ministros da Defesa, que decorreu a 17 de maio, em Díli.

Durante a sua estadia, o secretário executivo foi recebido pelo presidente da República, José Ramos-Horta, pelo primeiro-ministro, Xanana Gusmão, pelo vice primeiro-ministro, José Luís Guterres, pelo presidente do Parlamento Nacional, Fernando La Sama de Araújo e pelo representante especial do secretário-geral das Nações Unidas em Díli, Atul Khare.

Portugal Digital, 23-05-2008

Visitando outro blogue (5)

Para completar o ramalhete dos argumentos dos apoiantes de Xanana, vou transcrever mais um comentário da Maria colocado na caixa da postagem «Resposta a Maria... de Margarida», de 21/05, do blogue Timor Lorosae Nação.

Maria disse...

Não estou à defesa nem ao ataque, estou até a divertir-me com tanto ódio das margaridas, do Alkatiri.

Vejamos então os factos, nus e crus.

"…como Presidente da República, eu considero que a decisão tomada pelo Brigadeiro-General foi incorrecta e, de facto, não foi justa!"

A decisão foi incorrecta, sim, porque TMR não se devia ter aliado a Alkatiri, expulsando em massa tantos militares, fazendo os seus familiares e filhos sofrerem.

Incorrecta, porque não se obedeceu às regras legais, falando com os assessores jurídicos, para respeitar a lei, vendo caso por caso, de acordo com as falhas específicas de cada um e dentro da lei.

Muitos foram expulsos devido a faltas acumuladas durante anos. Porque se ignorou por tanto tempo a questão e, de repente, os expulsaram por causa das faltas?

E as faltas, na sua maioria, foram causadas porque todos os meses, cada membro das F-FDTL, recebia os seus USD$75, USD$80, USD$90, USD$100 e tinha que viajar de Lospalos até Maliana, de mikrolet, só para dar dinheiro à mulher e filhos, para depois regressar. Tal viagem e estadia, mesmo breve, levaria 2 dias e outros dois ainda para voltar. E marcam-se faltas de dois dias. Após um ano, teriam faltado 24 dias.

Porque tudo isso foi ignorado pelo primeiro-ministro Alkatiri, preferindo expulsar tantos militares e desdenhando os problemas humanos, as condições institucionais, a dignidade ?!

A posição correcta é, pois, condenar o Governo de Alkatiri por esta irresponsabilidade e unir todos para resolver os problemas, tal como foi prometido a todos eles na inauguração do novo quartel general em Baucau.

"… a questão de 'Loromonu-Lorosae' era uma questão política, e era um problema que existia, há muito, no seio das F-FDTL."

Quem conhece bem a história da Luta sabe que a questão 'Loromonu-Lorosae' reside no facto do Brigadeiro Taur Matan Ruak ter escolhido o, agora, Tenente-Coronel Filomeno Paixão para ser membro das F-FDTL, contra a vontade de muitos veteranos das F-FDTL. Isto porque o T-C Meno Paixão foi um dos comandantes da guerrilha que se rendeu de uma forma horrível em 1977 e, aos olhos destes veteranos, traiu a luta, causou a morte de centenas de combatentes sob o seu comando e entregou milhares de balas e armas ao inimigo (tantas que o inimigo precisou de mais de três dias para as ir recolher, de helicóptero, nas montanhas).

Porque o T-C Filomeno Paixão é de Maubara, visto como loromonu, este exemplo foi sempre usado para irritar os membros loromonu das F-FDTL dentro dos quartéis das F-FDTL, com comentários tais como - “vocês nunca lutaram”, “vocês são traidores”, “vocês renderam-se”.

Os jovens das F-FDTL desconheciam estes factos históricos e sempre entenderam que tais afirmações eram dirigidas a eles, como loromonus. Aí reside o problema, que depois Alkatiri explorou e “regou com gasolina” para incendiar politicamente.

"De facto a indisciplina começou pelos Comandantes."

Por isso se refere à indisciplina, porque os comandantes, todos veteranos, não deveriam dizer estas coisas, constantemente, nos quartéis. E porque também os comandantes raras vezes estão nos quartéis, mas culpam os subalternos de faltosos e depois expulsam-nos.

Por isso também se fala de discriminação.

Daí este comentário - "o pano de fundo e as raízes do problema não teve que ver com a indisciplina mas com o mau tratamento, por parte de alguns Comandantes Veteranos, para com novos soldados e timorenses da parte ocidental."

E, sobre o nosso novo e ainda jovem Estado, o Presidente da República XG disse aquilo que vocês não gostam.

"Para que as F-FDTL se tornem profissionais, ainda vai demorar muito tempo, porque o nosso estado só agora começou, com várias doenças e atitudes."

É a coisa mais correcta, mais acertada, mais digna de se reconhecer!

Estas não são difamações contra a hierarquia das F-FDTL pelo PR. Foram expressões de um Chefe de Estado que assume a sua devida responsabilidade sem medo.

E falou para os seus subalternos, seus guerrilheiros do mato, seus companheiros da Luta, seus homens, para agora assumirem a responsabilidade sagrada de desenvolver uma força de defesa do Estado com espírito profissional e moderno.

Insulto é o que Alkatiri tem feito. Ignora as fraquezas e os erros e concentra-se só em recrutá-los para o Partido e, sobretudo, para a sua facção no Partido. Este sim, é um gesto de traição à honra dos guerrilheiros e do Estado Timorense!

Margarida disse:

“foram ditas exactamente no mesmo dia em que o então Comandante da PNTL mandou as armas da PNTL para distritos do Oeste, à revelia do governo e do próprio responsável do depósito da PNTL, deixando Díli sem defesa!”

É preciso esclarecer bem os factos para não se frustrar tanto estas margaridas.

No dia 23 de Maio de 2006, os Comandos das F-FDTL e PNTL fizeram um acordo segundo o qual a PNTL iria assumir o controlo dentro de Díli e as FFDTL controlariam as periferias de Díli. Mas, no dia 24, as F-FDTL entraram em Díli e começaram a desarmar os membros da PNTL. O Comandante-Geral da PNTL, com medo de que estas armas, mais de 40 na arrecadação, fossem confiscadas por membros da PNTL 'nacionalistas', a maioria de Baucau, decidiu retirar as armas para Aileu, onde fica a sua residência. (Ver no relatório da Comissão de Inquérito Independente da ONU, a declaração do ex-comandante geral da PNTL sobre estas armas.)

Medida certa ou não, não me cabe a mim fazer esse juízo, mas são estes os factos.

Após a retirada destas armas, viu-se o que aconteceu. A PNTL sofreu o massacre e quinze membros foram mortos a tiro, desarmados e sob a protecção da ONU.

É neste contexto, de as F-FDTL defenderem as periferias, que se deve analisar o que aconteceu a Rai Lós e aos seus homens. Quatro dos seus homens foram mortos nos montes de Tíbar, alegadamente por membros das F-FDTL. E o major Kai-Kiri também foi morto à bala, em Taci-Tolu, enquanto levava a fragata, doada por Portugal, para, alegadamente, atacar o grupo de Rai Lós.

Tudo isto nunca foi investigado. Alkatiri não queria ver isto investigado porque lhe servia o jogo político contra Rogério Lobato.

Margarida disse:

“E foi ele Gusmão quem – antes e depois! - andou em reuniões com os desertores das F-FDTL e da PNTL, quem lhes passou Guias de Marcha, quem lhes pagou estadias em pousadas, quem os recebeu no Palácio Presidencial, quem com eles partilhou palcos de comícios, quem os nomeou coordenadores de campanha eleitoral, quem os pôs como candidatos na lista do seu partido.”

O Presidente da República Xanana Gusmão nunca pagou hotel de ninguém, nem guias de marcha. As notas que emitia a Alfredo Reinado, que foram parar às mãos de Alkatiri e foram já sobejamente divulgadas pelos seus apaniguados, não constituem crime nem ilegalidade, porque a Fretilin aprovou uma resolução, no Parlamento Nacional, dando poderes ao Presidente da República nas áreas da Defesa e Segurança, para o PR resolver todos os problemas relacionados com a crise de 2006.

Esclarecidos?

Analisem bem todos os factos antes de falarem, margaridas…

Timor agradece!

21 de Maio de 2008 23:43

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Visitando outro blogue (4)

Está a passar-se no blogue Timor Lorosae Nação uma boa discussão entre Margarida e Maria a volta da crise de Maio/Junho 2006 e suas consequências na vida política timorense. Intervêm também nesta discussão outros comentadores habituais com 'nome' e anónimos. Vou transcrever apenas alguns dos comentários mais significativos que melhor traduzem o pensamento político das duas facções. Para os leitores que ainda não conhecem quem é quem, estas duas personagens representam duas correntes sociológicas na vida política timorense: Margarida por Mari Alkatiri, ex-PM e actual Secretário-geral da Fretilin; Maria por Xanana Gusmão, ex-PR e actual Primeiro-ministro e líder do CNRT (partido maioritário da coligação governamental AMP).

As postagens abaixo transcritas estão nas caixas de comentário do já acima referido blogue http://www.timorlorosaenacao.blogspot.com .

1. Este comentário está caixa da postagem «A AURÉOLA E O PODER DE SÃO XANANA ESTÁ DECAIR».

Maria disse...

Apenas alguns Comentários que se impõem:

O Primeiro-Ministro Xanana vive actualmente num local determinado pela Segurança, não por ele próprio.

A sua residência em Balibar foi a ‘zona alvo’ do ataque de 11 de Fevereiro e a Segurança determinou que ele não deveria continuar a viver lá.

Em Lisboa, existem residências oficiais para os líderes do Estado Português, não é verdade?

Em Timor, não!

Durante cinco anos, só Alkatiri tinha residência oficial de PM. O Presidente da República Xanana Gusmao e os Primeiros-Ministros (que sucederam a Alkatiri) viviam em residências privadas, por não haver residências oficiais para eles.

A residência do PM só agora está a ser preparada em Lecidere, Díli, e a residência oficial do Presidente da Republica tem vindo a ser construída pela Câmara Municipal de Lisboa, estando a última fase a ser concluída pelo IV Governo Constitucional.

Uma lição aprendida com o 11 de Fevereiro é a de que os líderes do Estado devem ser devidamente protegidos, porque o ‘factor surpresa’, em ataques deste tipo, torna-os quase insuperáveis, quando feitos por atacantes mais competentes que Alfredos Reinados e Salsinhas.
Por tudo isto, a residência está a ser preparada nos moldes que, acusatoriamente, se apontam.

E o PM não tem estado escondido!

Ainda no passado dia 18 de Maio, esteve num campo de futebol com cerca de 30 mil jovens, no concerto musical de um conjunto pop da Indonésia, incluído nas celebrações do 20 de Maio de 2008.

O PM esteve lá, juntou-se aos jovens, cantou e divertiu-se com eles, sem medo e com toda a confiança de que estes milhares de jovens o protegem dos Reinados, dos Salsinhas e dos Alkatiris.

20 de Maio de 2008 6:35

2. Estes outros comentários estão na caixa de comentário da postagem «É TEMPO DE CANTAR "AI TIMOR" DE LUÍS REPRESAS».

Anónimo disse...

Xanana mudou de casa porque o Alfredo já se transformou num Monstro que é chamado Alkatiri... Mas o povo está mesmo a viver bem... Para o povo, o mais importante é a paz e estabilidade, desde que não haja violência e instabilidade para o povo é indeferente quem governar. É certo é que com a lideranca do duplo Xanana-Horta Timor tem vindo a melhorar bastante... é um facto inegável. Pelos vistos, o povo está mesmo satisfeito porque Timor está entregue nas boas mãos.

Era muito bom o Xanana fazer quebrar a sua própria promessa de plantar abóbaras... Quebrou uma promessa mas depois para continuar [a] servir o seu próprio povo... E está a servir bem...

O Alkatiri, ele não tem sentimento como um timorense porque ele e os familiares dele desde sempre nunca [se] sentiram como timorenses, se calhar por eles nao terem sangue timorense? Também não sei.

21 de Maio de 2008 18:35

Margarida disse...

“Mas o povo está mesmo a viver bem... Para o povo, o mais importante é a paz e estabilidade”


Tem toda a razão, o povo agora está a voltar a ter a paz e a estabilidade que gozou durante os quatro anos em que o Alkatiri esteve no poder e que perdeu em 2006 quando o Xanana atiçou os peticionários e outros gangues mafiosos contra o legítimo governo, o que provocou – com as tropas Australianas de guarda – a queima de mais de 6000 casas em Díli, dezenas de mortos, centenas de feridos e quase 200.000 deslocados de que ainda restam 100.000!

Nunca foi o povo que provocou guerras e desacatos, quem as provocaram foram sempre desordeiros a mando do Xanana e dos seus aliados, para prejudicar a Fretilin, para assaltarem o poder e mesmo tendo a Fretilin ganho as eleições e roubada do direito de formar governo que era seu e apenas seu por ter ganho as eleições, a Fretilin tomou o seu lugar no Parlamento e exige por meios democráticos, por eleições antecipadas a reposição da vontade do povo, e não por golpes e violência como os que o Xanana usou em 2006.

A Fretilin sempre disse - e praticou! - que para o povo viver bem é preciso paz, estabilidade e segurança para todos. Também só assim há desenvolvimento, progresso e prosperidade.

21 de Maio de 2008 19:35

Maria disse...

Têm medo das ‘fardas estrangeiras’?

Sim, se estas começam a matar os Timorenses!

A única vez que as ‘fardas estrangeiras’ dispararam foi contra o major Alfredo Reinado, em Same, e foi na sequência duma Resolução do Parlamento, controlado por Alkatiri e os seus deputados Fretilin, que obrigou as ‘fardas estrangeiras’ a irem à procura de Alfredo Reinado, com o objectivo de o matar. E mataram quatro timorenses.

Alkatiri começou a exigir, então, que o major Alfredo Reinado fosse acusado de ser responsável pelos quatro mortos, por ser o comandante. Alkatiri não assumiu a responsabilidade da resolução aprovada pelos deputados do seu grupo partidário. Então, Alkatiri resolveu calar-se quando viu a sua própria hipocrisia, devido à impossibilidade de argumentar que, sendo Primeiro-ministro, não se sentia responsável por nada. Então, como Chefe do Governo, não é responsável por nada?! Então como é, quer tudo para si e pensa que os timorenses são cegos, não sabem argumentar?...

Timor é independente e soberano, sim!

Os Timorenses elaboram e aprovam toda a legislação para o seu Estado Soberano e as ‘fardas estrangeiras’ até foram convidadas por Alkatiri, enquanto Primeiro-Ministro, para entrarem em Timor.

Alkatiri, quando foi do seu interesse, disse publicamente que ele é que tinha chamado as Forças Internacionais para entrarem em Timor.

Já se esqueceram?

21 de Maio de 2008 19:42

Maria disse...

Xanana Gusmão tornou-se PM por vias constitucionais e democráticas.

Houve eleições populares, com resultados reais, houve decisão de um Presidente da República eleito pelo Povo em sufrágio universal, houve consultas entre partidos (ninguém se quis aliar a Alkatiri) e constituiu-se uma AMP, empossada pelo Presidente da República - tudo dentro dum processo democrático e constitucional.

E quanto ao Governo de Alkaktiri?

Não houve eleições Parlamentares. Houve sim eleições para Assembleia Constituinte e Alkatiri, que ganhou maioria na Assembleia Constituinte, usou e abusou do Poder e do Povo e por isso caiu, simplesmente.

Quando Alkatiri foi às urnas para Governar sozinho, por vias constitucionais e democráticas, o Povo disse-lhe: Não, Alkatiri, não, não, não e não! Os Partidos, incluindo ASDT, também lhe disseram: Não Alkatiri, não, não e não! Isto porque se seguiram vias democráticas, eleições legislativas que resultariam na formação de um novo Governo. O Povo disse a Alkatiri: Não Alkatiri, não, não e não!

O Presidente Ramos-Horta sabe bem das coisas, sim.

Sabe bem das maldades do Alkatiri. Quando o agora Presidente Ramos-Horta era Primeiro-Ministro, Alkatiri sempre o rejeitou e o acusou de ‘golpes’ para lhe retirar do Poder.

Mas Ramos-Horta, como sempre, bom homem de coração, aturou o Alkatiri. Alkatiri até o forçou a assinar um documento vergonhoso - enquanto Primeiro-Ministro, Alkatiri exigiu a Ramos-Horta que não inaugurasse nada que tivesse sido obra de Alkatiri e este disse mesmo a Ramos-Horta para não “cortar fitas” nem dizer que fez alguma coisa no seu Governo, porque tudo era obra de Alkaktiri. Não só exigiu, como passou a escrito e forçou o PM Ramos-Horta a assinar este documento vergonhoso que diz que o PM Ramos-Horta não iria inaugurar nada que pertencesse a Alkatiri. E o PM Ramos-Horta teve que assinar.

Uma humilhação para alguém como Ramos-Horta que, obviamente, não tem a mesma falta carácter de um Al-Katiri.

Verdades que Alkatiri não quer que se saibam mas que não podem ser ocultadas!

21 de Maio de 2008 21:07

Margarida disse...

Esta “gaja” apenas quer continuar a despejar os dislates obsessivos habituais do JT e do Xanana, o seu master! E depois de ter tido a lata de culpar o Mari e a Fretilin da decisão do Xanana/Horta/Australianos de atacarem o Reinado em Same em Março de 2007, perante as evidências CALA-SE e passa à ofensiva com as choraminguices velhas e revelhas sobre as eleições de 2001, omitindo sempre que foi o Xanana quem em 2000 e 2001 explicou à nação e aos dadores que essas eleições serviam para a Constituinte, para o Governo e para o Parlamento Nacional.

Isto por aqui já foi – vezes sem conta! - explicado, provado, documentado com os discursos que então Xanana proferiu e para esse peditório não dou mais!

Mas esta é – como se torna evidente – a táctica desde sempre do Xanana. Manda pedras sem fundamento, cala-se, faz de morto, e tempos depois é capaz de dizer precisamente o contrário com a mesma irresponsabilidade e leviandade. Isto é, a “gaja” e o Master, fazem o mal, a caramunha, NUNCA assumem responsabilidade de nada, pretendem que são seus os êxitos alheios e empurram sempre para cima dos outros as acções que praticam.

21 de Maio de 2008 21:59

Maria disse...

Pedradas contra Xanana?! Traidor?!

Só uma margarida poderá ser tão mazinha.

Até agora, mesmo com todo o esforço das margaridas, nenhuma pedra foi atirada contra o carro do Primeiro Ministro Xanana Gusmão.

Nenhum jovem Timorense, nenhum idoso ou idosa Timorense lhe chamou traidor!

Só mesmo as margaridas que, embora o nome seja sinónimo de pérolas do mar, são veneno para a mente dos Timorenses.

O PM Xanana Gusmão tem ido aos campos dos deslocados internos, ou IDP’s, sem se registarem quaisquer incidentes. Até pelo contrário, sempre foi bem recebido, sempre com expressões de apoio e carinho do seu Povo.

Porque este Povo sabe bem que só Xanana pode salvar a nação Timorense, escorraçada, destruída, violada, por Alkatiri.

Os Timorenses, jovens e idosos, hoje sabem bem que o sue país precisa de um Líder que tenha a coragem e firmeza suficientes para limpar de Timor 'o rasto da passagem’ de Alkatiri.

21 de Maio de 2008 23:26