segunda-feira, 31 de março de 2008

Oposição clama vitória sobre partido de Mugabe

Harare já alertou para tentativa de "golpe de Estado" .

A oposição zimbabwiana desafiou ontem os avisos da Comissão Eleitoral e das forças de segurança do país para reivindicar a vitória do partido de Morgan Tsvangirai nas eleições legislativas e presidenciais de sábado.

O Governo, por seu lado, já alertou para uma tentativa de golpe de Estado e um grupo de observadores zimbabwianos avisou que o atraso na divulgação dos resultados oficiais pode potenciar protestos e dar a impressão de que alguma coisa está a ser preparada pelo actual regime.

"Nós ganhámos estas eleições. Esta é uma tendência irreversível", declarou ontem Tendai Biti, o secretário-geral da facção do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) que está a apoiar Tsvangirai. Biti, citado pela BBC, garante que o MDC obteve 67% dos votos nas eleições presidenciais e a maioria dos assentos parlamentares nas legislativas. O responsável acrescentou ainda que a Comissão Eleitoral não é independente e deixou claro que o seu partido "não aceitará eleições roubadas".

No sábado, o Zimbabwe, país à beira da ruína e com uma taxa de inflação na ordem dos 100 000%, votou em eleições presidenciais, legislativas e municipais. O ministro do Desporto angolano, José Barrica, afirmou ontem, em nome da SADC, que as eleições foram credíveis. "Houve em geral uma expressão pacífica e credível da vontade do povo".

O secretário de Estado da Informação, George Charamba, lançou um aviso ao ex-líder do MDC nas páginas do jornal estatal Sunday Mail. "Tsvagirai anuncia os resultados, declara o MDC e ele vencedores, a seguir proclama-se presidente do Zimbabwe. A isso chama-se golpe de Estado".

A Comissão Eleitoral também condenou a atitude da oposição. "Os resultados oficiais serão anunciados à nação pela Comissão", disse o director executivo, Lovemore Sekeramayi, ontem citado pela AFP. Mas à rádio sul-africana SABC, George Chiweshe, o presidente da Comissão Eleitoral, assumiu que não faz a mínima ideia de quando é que esses mesmo resultados serão divulgados.

Algo que a coligação de 38 organizações não governamentais Zimbabwe Election Support Network considerou grave por achar que "o atraso no anúncio dos resultados alimenta as especulações de que qualquer coisa está em preparação".

Mugabe, no poder há 28 anos, tem sido acusado de fraude e os observadores africanos que convidou exigiram esclarecimentos sobre cerca de 80 mil eleitores fantasma inscritos numa zona do Zimbabwe onde os terrenos nem sequer são habitados.

O líder histórico da guerra da independência, com 84 anos, foi desafiado nestas eleições por Tsvangirai, resistente de longa data ao regime, mas também pelo seu antigo ministro das Finanças e dissidente do partido Zanu-PF Simba Makoni.

"Não é hábito roubar eleições (...) A minha consciência não me deixaria em paz se eu já o tivesse feito", afirmou Mugabe pouco depois de depositar o seu voto na urna. O facto é que desde 2000, quando perdeu o referendo à nova Constituição, nunca mais saiu derrotado de um escrutínio.

"Envergonha a África Austral e todo o continente africano", afirmou ontem a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, uma das altas responsáveis da comunidade internacional a falar sobre o Zimbabwe após a realização das eleições.

Patrícia Viegas
DN - Diário de Notícias, 31/03/2008

Fim de Mugabe?

Numa democracia, Robert Mugabe já teria sido impedido, há muitos anos, de exercer o poder e com isso destruir um dos países mais ricos e estáveis de África. Mas sendo o que é, e apesar das eleições de sábado, onde a vitória da oposição parece indiscutível, tudo está no limbo político, dependente das Forças Armadas e da Polícia.

As eleições estão escrutinadas, mas os resultados tardam em sair, e os que já se conhecem, 38 deputados de 210, dão um empate entre o partido de Mugabe e o líder da oposição. Todas as indicações apontam, contudo, para uma derrota do homem que destruiu o Zimbabué. O atraso na divulgação dos dados indicia algo de grave.

Será que vamos assistir a mais um episódio dramático como o que se viu no Quénia?

Luís Delgado
31-03-2008 15:26:17
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O meu comentário:

1. É o fim de mais um ditador?! Tudo depende da guarda pretoriana de Robert Mugabe. Não do resultado do escrutínio! Não da vontade do povo de Zimbabue! Por isso, pode não ser desta que Mugabe vai deixar a cadeira do poder!

2. Mugabe pertence a mesma escola de governação que Mari Alkatiri, o antigo primeiro-ministro timorense que queria que a Zanu-PF, desculpe, que a Fretilin reinasse por 50 a 100 anos.

Timor: Indonésia vai treinar comandantes da Polícia Nacional

A Indonésia vai treinar os oficiais superiores da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), afirmou hoje à agência Lusa o secretário de Estado da Segurança timorense, Francisco Guterres.

«Os comandantes terão treino na Indonésia», anunciou Francisco Guterres na Academia de Polícia, em Díli, à margem da cerimónia de início da formação de instrutores da PNTL pela GNR.

A formação de cem oficiais superiores timorenses na Indonésia, com a duração de meio ano, será feita em Jacarta ou em Bali, após uma certificação de qualidade do curso feita por assessores de segurança australianos.

«Queriam mandar os líderes da PNTL para Portugal mas eles não falam a língua (portuguesa). Falam mais o indonésio e por isso discutimos com a Indonésia para organizar o curso«, explicou o secretário de Estado da Segurança timorense.

Segundo Francisco Guterres, já existe um memorando de entendimento entre os governos timorense e indonésio e o acordo definitivo para a formação dos oficiais deverá ser concretizado em Abril.

O curso permitirá a escolha dos futuros comandantes da PNTL, que, desde a crise de 2006 e a implosão da instituição, tem uma estrutura de comando interina que depende da Polícia das Nações Unidas e da Missão Integrada da ONU em Timor-Leste (UNMIT).

«Será um curso de liderança para tomarem decisões efectivas em situações difíceis», explicou Francisco Guterres.

«Se os comandantes da Polícia não tiverem essa capacidade de tomada de decisões, estragamos toda a instituição».

«Agora temos um comandante interino», explicou o secretário de Estado quando questionado sobre a possibilidade da efectivação do inspector Afonso de Jesus como comandante da PNTL.

«Um comandante interino não faz nada. Só fica lá e não pode tomar decisões. Queremos apressar isto para ter uma estrutura definitiva», acrescentou Francisco Guterres, aludindo ao processo de certificação e formação da PNTL pela UNPol.

«No final do ano 2008, teremos a estrutura da PNTL completa. Se o processo de 'mentoring' (acompanhamento) se estende por mais meio ano ou até para além disso, a estrutura pode ficar paralisada».

Francisco Guterres ressalvou que «o Governo está satisfeito com o actual processo de certificação mas temos que apressá-lo, porque às vezes a resolução de problemas cria novos problemas».

«O processo é bom e pode ajudar a uma reconstrução da PNTL. Mas não podemos ficar parados à espera de pessoas para colocar nas estruturas que estamos a organizar», explicou Francisco Guterres.

O governante timorense sublinhou que «o 'mentoring' não é muito efectivo e é muito demorado. Há polícias que estão em subdistritos onde não há UNPol e que podem lá ficar para sempre à espera de acompanhamento».

Neste momento, o Governo timorense discute com as chefias da UNPol em Díli e com o Departamento de Operações de Manutenção de Paz da ONU, em Nova Iorque, a alteração do modelo de certificação da PNTL.

A formação de instrutores pela GNR, segundo Francisco Guterres, insere-se no novo rumo que o Governo pretende imprimir à reconstrução e reforma da PNTL.

A GNR iniciou hoje a formação do primeiro curso de 31 elementos e fará a formação directa de um segundo grupo.

Os 62 instrutores timorenses serão responsáveis pela instrução de todos os elementos da Polícia, afirmou o secretário de Estado da Segurança.

«É uma instrução de instrutores, um curso de três meses em que o objectivo é incutir o espírito de corpo e disciplina nos elementos e prepará-los para dar instrução futura na PNTL», afirmou à agência Lusa o tenente Luís Fernandes da GNR.

Instrutores da GNR deram, anteriormente, formação em ordem pública a 60 elementos da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da PNTL.

Francisco Guterres rejeitou qualquer conflito de competências entre a UIR e a Task Force, uma unidade especial da PNTL criada em Dezembro para o distrito de Díli.

«Ao nível do Comando Geral (da PNTL) temos a UIR. Ao nível dos distritos, temos a Task Force. Se a UIR não pode resolver, chamamos a Polícia Militar. É um mecanismo claro.

O comandante do distrito (da PNTL) vai ser o coordenador no terreno desta actuação», explicou Francisco Guterres.

O secretário de Estado mostrou-se «satisfeito» com a actuação da Task Force nos primeiros meses.

«A Task Force está a fazer um bom trabalho porque foi estabelecida para proteger os fracos e as vítimas. Não foi (criada) para proteger os bandidos», declarou Francisco Guterres.

«Antes da Task Force, uma pessoa ia com uma faca e matava uma pessoa sem protecção», exemplificou o secretário de Estado, citando um «caso chocante» ocorrido recentemente no centro da capital.

«Não há problemas com a Task Force, que ajudou muito a dar uma segurança à população», adiantou.

«O que vamos é melhorar as atitudes. Alguns gritam pelos direitos humanos. Vamos ver isto. Teremos treino especializado para isso. Mas precisamos de uma Task Force forte», disse também o secretário de Estado da Segurança.

«Estamos num estado de recuperação da confiança dos membros da PNTL entre si, que foi destruída em 2006, entre oficiais e agentes«, afirmou Francisco Guterres sobre o actual momento da Polícia.

«Agora começam a ganhar confiança e a desenvolver o espírito de corpo e a pensar que a PNTL é uma instituição do Estado que tem que contribuir para a estabilidade do país», frisou.

Para o secretário de Estado da Segurança, «a outra fase é mexer nas mentalidades e atitudes».

Diário Digital / Lusa
31-03-2008 15:30:00


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O meu comentário:

Sou de opinião que o comandante geral da polícia timorense deve ser um oficial superior das forças da defesa timorense (F-FDTL) destacado para esta missão. Assim o foi em Portugal até há apenas alguns anos. A ser assim, deixava de haver rivalidade entre as duas forças do Estado armadas, e haveria mais sentido de dever e de missão dos agentes policiais na defesa de cidadãos e de seus bens.

Cartazes na manif dos profs de 8/3

Ministra da Educação portuguesa: «Perdi os professores, mas ganhei a população.», 20/11/2006

Ministro da Educação francês: Obrigado, professores, por formar cidadãos de amanhã.

Ministro da Educação espanhol: Obrigado, professores, por ajudar no desenvolvimento do país.

Eu não coloquei entre aspas a opinião dos ministros da educação francês e espanhol relativamente ao trabalho e a importância dos professores na formação de cidadãos de amanhã, porque não tenho, neste momento, as frases ipsis verbis na mão; mas o sentido é este.

Ressaca de Carolina Micaëlis 2

A DREN - Direcção Regional da Educação do Norte fez sair uma directiva expressamente para a Escola Secundária de Carolina Michaëlis proibindo telemóveis ligados nas salas de aula. E quem for apanhado com telemóvel ligado no referido espaço escolar é-lhe apreendido o aparelho e doado a uma instituição de soliadariedade social.

E as outras escolas não têm também casos de muito grave indisciplina por uso de telemóveis na sala de aula?

Ou, o que não é visto (por não ter sido filmado e posto na youtub) não existe ou nunca existitu?

La Sama: 11/2 foi golpe de Estado falhado

O Presidente timorense interino, Fernando La Sama, afirma que o atentado de 11 de Fevereiro foi pensado e planeado antecipadamente, não sendo por isso uma atitude impulsiva de momento dos seus autores, e executado militarmente pelo grupo de Alfredo Reinado.

A confirmar-se esta hipótese, todos os envolvidos, incluindo os supostos mentores políticos do golpe, serão também investigados. Fala-se de boca pequena nos meios políticos de Díli que alguns proeminentes dirigentes da Fertilin estão por detrás do golpe.

La Sama afirma também que a partir de amanhã, 1/4, será considerado crime todo o apoio logístico ao restante minúsculo grupo de Alfredo Reinado comandado agora por Gastão de Salsinha.

Timor-Leste: ajudar fugitivo Salsinha vai ser crime

O Presidente interino de Timor-Leste anunciou que, a partir de amanhã, dia 1 de Abril, passará a ser considerado crime qualquer tentativa de ajudar ou esconder o único dos autores dos atentados contra Ramos-Horta e Xanana Gusmão ainda em liberdade, o revoltoso Gastão Salsinha.

Em declarações à Rádio Renascença, Fernando Lassama Araújo assegurou que «a partir de amanhã, as pessoas que tentem dar apoio ou esconder o Salsinha e o seu grupo vão ser consideradas como criminosas»

Entrevistado, esta manhã de segunda-feira, em Díli, o Presidente interino de Timor acrescentou ainda que a população vai ser informada em breve da nova realidade.

«Há muitas informações de que ele [Gastão Salsinha] está na parte Oeste de Timor, Ermera e Bobonaro, mas estou certo de que ainda está escondido nas áreas de Ermera», afirma Lassama Araújo

Líder dos peticionários das Forças Armadas que abandonaram os quartéis em Fevereiro de 2006, Gastão Salsinha lidera actualmente o grupo de fugitivos que atacou a residência do Presidente da República, José Ramos-Horta, e a coluna de viaturas do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, no dia 11 de Fevereiro.

Diário Digital
31-03-2008 10:17:40

domingo, 30 de março de 2008

Alkatiri quer eleições antecipadas

Mari Alkatiri, líder do principal partido da oposição de Timor-Leste, critica o Governo liderado por Xanana Gusmão e deixa dúvidas sobre as investigações aos atentados de 11 de Fevereiro.

A Fretilin continua a exigir eleições antecipadas em 2009 para acabar com o que diz ser um Governo sem capacidade nem legitimidade.

Mari Alkatiri, entrevistado pela enviada especial da Renascença a Timor, diz que antes daquela data não quer um escrutínio, pois prefere “dar mais tempo a este Governo para se enterrar”.

Alkatiri diz querer “pôr fim a este ciclo de violência” e que tudo quanto fizer “será para conseguir consensos e entendimentos”.

Na sua opinião, o maior problema do país não são os deslocados, mas a crise governativa, uma crise que, admite, poderá estar na base dos atentados.

Contudo, essa conclusão só poderá ser tirada após uma investigação profunda ao sucedido, o que, acusa, não parece ser do interesse do executivo.

“Até agora, o Governo faz tábua rasa a uma resolução que pede a criação de uma comissão internacional de investigação, não sei porquê. Se Xanana acha que tem a consciência tranquila devia saber defendê-la, como eu fiz em 2006”, afirma.

Quanto aos autores dos ataques, Alkatiri considera que devem ser capturados com vida, para serem presentes à justiça.


MG
Rádio Renascença, 30-03-2008

Ramos-Horta: entrevista ao PÚBLICO

Ramos-Horta: Nenhum governo vizinho esteve envolvido no atentado de 11 de Fevereiro

O presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, pensa regressar em finais de Abril a Díli e diz que se concluir que não tem condições para continuar, renunciará. Acha que há dinheiro estrangeiro, por detrás de tudo. Mas não aceita a ideia de que a Austrália ou a Indonésia estejam envolvidas na conspiração. Entrevista ao PÚBLICO, por correio electrónico, a partir de Darwin, onde convalesce.

Com os dados de que já dispõe, pode caracterizar o que se passou [em 11 de Fevereiro, no assalto à residência de Horta, por um comando liderado pelo ex-major Alfredo Reinado]: uma tentativa de golpe de Estado?

Não, não foi uma tentativa de golpe pois as F-FDTL [Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste] são-me muito leais, assim como a PNTL [Polícia Nacional]. Ninguém no país conseguiria ter a adesão das duas forças contra a minha pessoa. E golpe para quê? Quanto a mim, quando sentisse que já não sou desejado pelo povo, muito serenamente e com alívio apresentaria a minha resignação.

Um atentado contra o presidente e o primeiro-ministro?

Foi um acto de loucura por parte do Sr. Alfredo Reinado e do Sr. Gastão Salsinha. Conheci os dois ao longo de ano e meio que lidei com eles, tentando compreendê-los, ouvindo-os, porque nem sempre a razão está toda num lado.Mas ao lidar com eles eu tinha que ter sempre em conta as sensibilidades nas F-FDTL e, portanto, não daria algum passo sem consultar, conversar, com o Brig.-Gen. Taur Matan Ruak, assim como com o então PR Xanana Gusmão. O Sr. Reinado era uma pessoa extremamente instável, facilmente influenciado, hoje diz uma coisa, amanhã já diz outra. Tinha um ego enorme, gostava muito de publicidade que mais inflaccionava a sua vaidade.

Uma tentativa de Reinado para o fazer refém?

Julgo que sim. E se seu resistisse seria abatido.

Uma tentativa de Reinado para chegar à fala consigo e que correu mal?

Não. Ele não vinha para falar comigo. Sempre que ele queria falar comigo ou eu quisesse falar com ele, marcávamos encontro fora de Díli, em Gleno, Aileu, Maubisse, etc. Não se vem falar com alguém logo desarmando os guardas, pontapeando as portas da casa, etc. Foi isto que levou um elemento das F-FDTL a disparar. Invadir a casa do Chefe de Estado, tirar as armas aos guardas, em qualquer lado do mundo teria resposta adequada. Foi o que aconteceu.

Outra situação? Qual? Porquê?

As informações apontam para o álcool, droga, a sua enorme irritação com o PM (primeiro-ministro) Xanana Gusmão por avançar rapidamente com a resolução do caso dos peticionários e pensando que afinal eu estava em sintonia com o PM para o isolar dos peticionários. Influenciado por uma tarada (em todos os sentidos) de nome Angie Pires com a qual ele estava amantizado, decidiu agir contra a minha pessoa.

Pensa que houve envolvimento de interesses ou personalidades estrangeiras nessa acção?

Acredito que sim, com dinheiro; nenhum governo vizinho ou embaixada em TL [Timor-Leste] está envolvido. Havia sim elementos privados em TL e fora que lhe davam dinheiro, fardamento, telefones, transporte, etc. As investigações continuam e aguardamos o resultado.

Já criticou a facilidade com que o grupo armado entrou em Díli, se deslocou até à sua residência e posteriormente até à residência do PM, se envolveu em tiroteio e abandonou a capital. Na situação concreta, quem devia ter interceptado o grupo? O comando australiano e a UNMIT deram-lhe já alguma explicação convincente para esse falhanço?

Nenhuma das duas instituições me deu ainda explicações. Sabem que falharam. Não as quero criticar mas é preciso que eles revejam todo o sistema. Façam mea culpa pois falharam redondamente. Apesar de que a UNPOL e as ISF tinham directivas do Estado timorense para evitar qualquer operação de força para fazer executar o mandato de captura, tinham também directivas para fazerem sentir a pressão, não perdê-lo de vista, etc.

À luz destes acontecimentos, o que teria feito de diferente na crise dos ex-peticionários e em particular no caso Reinado, se pudesse voltar atrás?

Faria exactamente o mesmo, pois não havia outra opção que não fosse o diálogo se queríamos evitar mais sangue (lembro que em Março de 2007 as forças australianas fizeram um cerco ao Sr. Reinado e seus elementos e houve um embate que resultou em mortos). Eu, enquanto Chefe de Estado, prefiro sempre uma resolução pacífica, leve o tempo que levar.

Já confirmou que Gastão Salsinha lhe escreveu dizendo que só se entregaria a si. Que resposta lhe deu?

Deposito total confiança no Presidente interino Fernando La Sama Araújo que desde a primeira hora, em parceria com o PM, está a gerir a situação com muita prudência e serenidade. Endossei para os dois a carta do Sr. Salsinha. Mas já respondi publicamente dizendo ao Sr. Salsinha que deve entregar-se com as armas às autoridades. Não há mais diálogo. Ele deve enfrentar a justiça e que faça diálogo com o PGR e os juízes.

Mesmo que recupere fisicamente considera que vai estar em condições psicológicas para retomar as funções de chefe do Estado num país que tem vivido em crises cíclicas internas desde a independência?

Regresso brevemente. Se eu concluir que não tenho condições para continuar, darei conta disso ao Parlamento e ao Povo. Mas farei tudo para continuar a servir o povo e merecer a sua confiança. Quando fui baleado e na eminência de morrer a minha única preocupação era o que iria acontecer a este povo inocente, bom. Ia ser vítima de uma onda de violência?Felizmente, graças a Deus, sobrevivi. Alguma nota positiva a registar: as instituições do Estado continuaram a funcionar; não houve pânico; não houve violência.

Adelino Gomes
PÚBLICO, 29/03/2008
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O meu comentário a esta entrevista do Presidente timorense, José Ramos-Horta
Esta entrevista vem responder a algumas das questões e dúvidas levantadas pela jornalista do semanário SOL, Felícia Cabrita, no seu artigo publicado no seu último número, Sábado, 29/03/2008, o qual transcrevi (e fiz a sua 'dissecação') na postagem imediatamente antes desta.

sábado, 29 de março de 2008

11/2: a investigação de Felícia Cabrita

Atentado posto em causa

Investigação do Sol aos incidentes de 11 de Fevereiro põe hipótese de dupla traição

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que foi alvo de um atentado em Fevereiro, no palácio presidencial em Díli, terá sido atraiçoado por um militar do seu corpo de segurança.
Este militar, de nome Albino Assis, será a peça-chave quer do atentado contra Ramos-Horta, quer da morte à queima-roupa do major rebelde Alfredo Reinado.
Albino Assis integrava as F-FDTL (Falintil-Forças de Segurança de Timor-Leste), a pequena força de segurança pessoal do Presidente Ramos-Horta. Ao mesmo tempo, porém, mantinha contactos frequentes com o grupo rebelde do major Reinado – tudo indicando que este tinha homens infiltrados na segurança do palácio.
Aliás, o nome de Albino Assis constava de uma lista que Reinado trazia no bolso quando foi alvejado. Mas não só: o major tinha também consigo um croquis do palácio, feito por alguém que conhecia bem por dentro as instalações da casa oficial de Ramos-Horta.
Reinado terá morrido entre as 6h15 e as 6h20, momento em que deixou de fazer contactos com os elementos do grupo do major Salcinha, que se encontrava em Dare – zona próxima ao local onde, uma hora depois, o primeiro-ministro Xanana Gusmão foi alvo de forte tiroteio.
Foi também Assis quem, às 7h27 do dia do atentado, comunicou ao grupo de Salsinha o que se passara no palácio presidencial: os atenatdos que vitimaram Alfredo Reinado e que colocaram Horta às portas da morte.
O alerta da entrada do Reinado no palácio foi dado por um jovem que vive no campo de deslocados ali existente - e contíguo à caserna onde dormia Assis, com um outro militar da segurança de Horta, Francisco Marçal. Este acabaria por ser o autor da rajada de metralhadora que atingiria Reinado.
Só que Marçal, que disse ter feito um único disparo de metralhadora, não contou a verdadeira versão.

Morto à queima roupa

Alfredo Reinado não terá morrido com os tiros desta rajada - que lhe fez três perfurações num olho e deixou um estilhaço no ombro. Segundo a autópsia já realizada, a causa da morte foi uma bala isolada que o atingiu no pescoço, disparada à queima roupa e o trespassou de um lado ao outro.
Existem fundadas dúvidas sobre a veracidade das teses até agora defendidas para aquilo que teria acontecido: que Reinado e os seus homens foram a Díli com o objectivo de matar Ramos-Horta e Xanana.
De facto, está em cima da mesa a possibilidade de, além de Horta, também Reinado ter sido vítima de traição (atraído a um falso encontro com o Presidente9. O certo é que Horta e Reinado mantinham negociaçõesbpara que o grupo rebelde se entregasse, tendo o último encontro entre ambos ocorrido em Maubisse, a 80 quilómetros de Díli, apenas quatro semanas antes do atentado.
Outro elemento importante poderá ser uma mensagem existente no telemóvel de Reinado enviada por uma mulher que esteve com ele nas montanhas, na noite da véspera de tudo acontecer.
Nessa enigmática mensagem, enviada às 23 horas de 10 de Fevereiro, a mulher dizia: «Tenha cuidado mor [amor]. Não é preciso ires este seminário [expressão usada pelos timorenses para se referirem a 'encontro'] se não te sentires bem. Não esqueças de seguir o ritual daquilo que acreditamos. Amo-te sempre».

Horta não conhece

Ao contrário do que tem sido dito, Ramos-Horta não reconheceu o homem que o alvejou. O Presidente timorense viu-o - «Sei que é alto, magro e que tinha um lenço verde atado na cabeça», disse ao SOL - mas não o conhecia.
Segundo Horta, o agressor vestia uma farda semelhante à que os homens de Reinado envergavam no encontro de Maubisse.
O Presidente de Timor-Lest confidenciou ainda ao SOL que não esperava de todo o que sucedeu, tendo em conta a existência de negociações. «Não estava nada à espera disto», disse Ramos-Horta.
O SOL publicará em próxima edição toda a história dos acontecimentos em Díli, com documentação sobre o que verdadeiramente se passou, assim como uma entrevista concedida por este à imprensa internacional depois do atentado.

Felícia Cabrita, em Díli
felicia.cabrita@sol.pt
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A minha dissecação deste artigo
  1. "palácio presidencial": ERRADO - O atentado ocorreu na residência particular do Presidente timorense, situada em Metiaut, na encosta (a uns dez metros do nível do mar) da colina sobranceira a Areia Branca; o palácio presidencial situa-se em Lahane, é o antigo palácio dos governadores coloniais portugueses, recuperado pela Cãmara Municipal de Lisboa.
  2. "o nome de Assis constava de uma lista que Reinado trazia no bolso quando foi alvejado" : Era bom também procurar investigar se nessa lista constava também os nomes de outros soldados das F-FDTL da pequena guarnição de segurança do Presidente.
  3. "Foi também Assis quem, às 7h27 do dia do atentado, comunicou ao grupo de Salsinha o que se passara no palácio presidencial": Convém procurar obter junto da Timor Telecom a gravação da chamada para se estudar o seu conteúdo, o tom (de ironia, sarcasmo ou de aflição) e o modo (amigável ou hostil) da conversa.
  4. "O alerta da entrada de Reinado no palácio foi dado por um jovem que vive no campo de deslocados ali existente - e contíguo à caserna onde dormia Assis, com outro militar de segurança de Horta, Francisco Marça.": i) Não existe nenhum campo de deslocados contíguo à residência do Presidente timorense; ii) É pouco convincente Assis fazer jogo duplo (considerado pela investigação do SOL elemento do grupo Reinado infiltrado na guarda presidencial, logo conspirador), pela simples razão de estar a dormir enquanto decorria o assalto às instalações da residência do Presidente! Afinal, Assis estava ou não a par do assalto? Assis é ou não elemento infiltrado de Reinado? Não era suposto aguardar a chegada do Reinado e seus homens? Não era suposto também estar a vigiar os passos do Presidente? E por que não telefonou a Reinado para o avisar da corrida de manutenção do Presidente fora da sua residência, ausente portanto nas instalações da sua residência particular?
  5. "Alfredo Reinado não terá morrido com os tiros desta rajada - que lhe fez três perfurações num olho e deixou um estilhço no ombro": i) Elementar minha cara investigadora: três tiros num olho é morte certa. ii) O que originou o "estilhaço"? Ricochete de uma bala numa superfície dura, ou "estilhaço" de uma granada?!
  6. "Segundo a autópsia já realizada, a causa da morte foi uma bala isolada que atingiu no pescoço, disparada à queima roupa e o trespassou de um lado ao outro": i)Segundo informações amplamente divulgadas na altura do funeral de Alfredo Reinado, não se fez autópsia ao corpo do Reinado. ii) Relativamente à bala que perfurou o pescoço e que foi "a causa da morte", a questão é se a bala fora disparada antes dos "tiros desta rajada" ou depois? Se Reinado foi atingido "à queima roupa", pressupõe que o tiro fora disparado a apenas uns centímetros de distância entre o atirador e Reinado, e tendo morrido da bala deste tiro, então "a rajada" dos "três tiros" "que lhe fez três perfurações num olho" foi depois! E se foi depois, então Reinado é um ser sobrehumano, pois mesmo depois de levar com a bala no pescoço que lhe provocou a morte mantinha-se de pé à espera dos três tiros! Só assim se explica que tenha sido também atingido com os três tiros no olho, logo a rajada foi de frente. Sabe-se que Reinado, mortalmente atingido, caiu de bruços, logo a rajada dos três tiros no olho de Reinado não podia ser dada já depois de prostrado no chão.
  7. "De facto, está em cima da mesa a possibilidade de, além de Horta, também Reinado ter sido vítima de traição (atraído a um falso encontro com o Presidente.): Presume-se que Reinado tinha canais de comunicação directos com o Presidente timorense, nomeadamente telemóvel. É pouco crível Reinado acreditar-se num encontro com o Presidente marcado por terceiros, sem antes certificar-se junto do próprio Presidente da autenticidade da marcação do encontro. E a ser verdade que o encontro fora marcado por terceiros, então, nesse caso, marcado por quem?!
  8. "o último encontro entre ambos ocorrido em Maubisse, a 80 quilómetros de Díli, apenas quatro semanas antes do atentado": ERRADO - O último encontro foi em Gleno, Ermera.
  9. Sabe-se que Reinado falava português quando criança, em casa, porque pertence a uma família que tinha como língua materna o português, para além do tétum. Sabe-se também que Reinado praticamente já não se expressa em português. O mais natural é as mensagens com ele trocadas sejam escritas em tétum ou inglês (porque viveu os últimos dez anos na Austrália). Agora, a ser verdade a existência de "uma mensagem [...] no telemóvel de Reinado enviada por uma mulher que esteve com ele nas montanhas, na noite da véspera de tudo acontecer", "enviada às 23 horas de 10 de Fevereiro", escrita em português com expressões próprias de alguém falante nativo ou quase nativo desta língua " mor [amor]" e o uso adequado do tempo e modo verbais, é de questionar a sua veracidade. E a ser verdade, então, quem será a autora desta "enigmática mensagem"?!
  10. FIM da minha dissecação. OS MEUS LEITORES QUE TIREM AS SUAS CONCLUSÕES.

Xanana autor da intentona de 11/2?!

Os críticos do Primeiro-ministro timorense têm lançado para a opinião pública, em vários artigos de opinião e comentários nos blogues, a tese de que a tentativa de assassinato do Presidente José Ramos Horta levado a cabo por Alfredo Reinado teria sido a mando de Xanana Gusmão; e que a emboscada de que foi vítima o próprio Primeiro-ministro, da qual saiu ileso, teria sido encenada pelo próprio Xanana para desviar a atenção sobre si da autoria moral do atentado.

E mais: Reinado, cumprida a missão, foi assassinado para não revelar o nome do mandante e levar para a sepultura todos os segredos da 'tramóia' de Xanana Gusmão!!

Até Mário Carrascalão, líder do PSD timorense, nas suas entrevistas sobre o atentado, tem levantado algumas dúvidas sobre a veracidade da emboscada a que Xanana foi vítima e sobre a causa e do timing da morte de Reinado.

Se é esta a verdade, então Xanana é mestre na 'nobre' arte de manipulação, um digno pupilo de Maquiavel.

O regresso de Ramos Horta a Díli é aguardado com ansiedade pelos timorenses e pelos políticos em particular. Só o Presidente baleado pode desfazer os equívocos entretanto surgidos e alimentados por alguns (estes últimos já contando com a falha da lucidez ou mesmo com a morte do Presidente para fazer valer as suas teorias de conspiração).

No entanto, as últimas entrevistas de Ramos Horta vêm deitar por terra essas teorias de conspiração contra Xanana e aponta a autoria moral do atentado de 11/2 num outro sentido. Não é por acaso que este 'outro sentido' tem estado muito quietinho e calado.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O bater de asa da borboleta (1)

Hillary tem "obrigação moral" de desistir, afirma senador

Colaboração para a Folha Online

O senador democrata Patrick Leahy, presidente do Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira que Hillary Clinton deveria abandonar sua pré-candidatura à Casa Branca.

O senador por Vermont --Estado da região americana da Nova Inglaterra, a nordeste dos EUA-- acredita que não há mais possibilidade de que a senadora por Nova York tenha delegados suficientes para ser a nomeada do Partido Democrata às eleições para a Presidência dos Estados Unidos.

Em declaração nesta sexta-feira, Leahy --que apóia a campanha de Barack Obama disse que a liderança do senador por Illinois é inquestionável e que o recente apoio do senador Bob Casey indica como a campanha está caminhando --para a indicação de Obama .
Leahy falou também sobre o tema na quinta-feira à radio pública de do Estado de Vermont, onde disse que Hillary tem "obrigação moral" de desistir e deveria estar apoiando Obama, mas ressaltou que esta é uma decisão que cabe a ela tomar, segundo a rede CNN.

"Apesar de ter direito, a senadora Hillary Clinton não tem mais nenhum grande motivo para continuar sua candidatura".

Patrick Leahy é um senador influente nos EUA. Ele foi um dos legisladores a propor a lei americana para restrição à compra de armas e encampou uma briga no senado para que o governo Bush justificasse o programa de grampos telefônicos sem autorização da justiça.

Estratégia para 2012

Na quinta-feira, uma reportagem do correspondente da Folha de S. Paulo em Washington, Sérgio Dávila, trouxe informações sobre uma tese que cada vez mais se confirma sobre a campanha de Hillary.

Segundo a reportagem, membros do comando da campanha da ex-primeira-dama --que preferem não ser identificados-- disseram a jornalistas americanos que Hillary está cada vez mais convencida de que não tem mais chances de ser indicada à sucessão presidencial nos EUA pelo Partido Democrata.

A reportagem explica que os assessores da pré-candidata acham que ela chegará ao final das primárias em agosto com menos votos populares, delegados e o mesmo número de superdelegados, o que inviabilizaria sua indicação.

Por isso, o "tom" dos ataques a Obama pelos integrantes da campanha de Hillary têm subido e deve subir ainda mais, com o intuito de enfraquecer a campanha do senador por Illinois e abrir caminho para a vitória de John McCain.

Ataques


Nos últimos dias, Bill Clinton retomou a crítica ao ex-pastor de Obama Jeremiah Wright, e afirmou que o senador não era tão patriota quanto sua esposa e o republicano McCain.

O marqueteiro dos Clinton James Carville chamou o governador do Novo México, Bill Richardson, de "Judas", por ter supostamente traído a família Clinton ao apoiar Obama --ele trabalhou no governo de Bill Clinton, então presidente.

Segundo Dávila, a tática dos assessores de Hillary leva em conta que McCain, com 72 anos, caso vença, será o político mais velho a assumir a Presidência, e um concorrente mais fácil de derrotar nas eleições para a Casa Branca em 2012 que Obama.

Se o senador por Illinois ganhar, ele deve ser o candidato natural à reeleição em 2012. Por isso a idéia de "minar" a campanha de Obama.

Quebrar
as pernas

A estratégia foi batizada "tática Tonya Harding", em referência à ex-patinadora americana que em 1994 mandou quebrar os joelhos de Nancy Kerrigan, sua concorrente, durante as eliminatórias de um campeonato.

A tese de que a campanha de Hillary já esteja entregando os pontos e estaria visando 2012 encontra justificativa também em uma pesquisa divulgada na quarta-feira pelo instituto Gallup.

A enquete aponta que 3 em cada 10 eleitores de Hillary votariam em McCain em uma eventual disputa do republicano com Obama.

Folha Online, 27/03/2008

Ramos-Horta denuncia falhas graves de segurança

Entrevista à Renascença

O Presidente de Timor-Leste denunciou falhas graves na segurança antes, durante e depois dos atentados de 11 de Fevereiro em Díli, numa entrevista divulgada hoje pela rádio Renascença. Ramos-Horta responsabilizou a polícia da ONU, militares australianos e neozelandeses e a sua própria segurança pela fuga dos atacantes.

“Se tivessem agido como militares verdadeiramente profissionais, ninguém tinha escapado”, disse Ramos-Horta.

Actualmente está a decorrer em Timor-Leste um processo sobre a actuação das forças de segurança. “Aguardo o relatório do Procurador-Geral da República. Depois de o analisar e se estiver satisfeito com as conclusões, muito bem. Se não, exigirei uma nova investigação”, comentou.

Ramos-Horta salientou que o mais importante é encontrar os motivos dos ataques. “Porque o fizeram? Quem está por trás deles? Quem os manipulou e envenenou? Quem tinha interesse em continuar a desestabilizar o país? É isto que tem de ser averiguado”.

O Presidente timorense revelou à Renascença que já foi contactado pelos revoltosos foragidos, actualmente menos de 30. Gastão Salsinha escreveu-lhe uma carta, na qual disse que apenas se entregaria a ele. Muitos dos revoltosos ficaram chocados com os atentados e quando foram chamados a Díli pelo Major Reinado “nunca esperaram que era para me matar”.

Público, 27/03/2008

Angie Pires implicada no atentado

O Presidente da República timorense, José Ramos Horta, afirmou à rádio TSF, Lisboa, que Angie Pires está implicada no atentado de 11/2, acrescentando que ela pode ser a chave para a descoberta de toda a verdade.

Ramos Horta quer ver também investigada a origem do equipamento militar, nomeadamente a farda camuflada que os rebeldes envergavam (e ainda envergam os fugitivos do grupo de Salsinha), e toda a logística de apoio aos desertores.

Europeus antigos recuam no tempo

Achado baseou-se nos restos de uma mandíbula

Investigadores espanhóis e americanos descobriram restos de um hominídeo com 1,1 milhões a 1,2 milhões de anos. A descoberta, ontem divulgada pela Nature, mostra que os antepassados humanos viveram na Europa Ocidental muito antes do que se pensava até agora. O problema da antiguidade dos europeus tem sido um dos mais debatidos na actual antropologia.

A equipa dirigida pelo arqueólogo Eudald Carbonell, do Instituto Catalão de Paleoecologia Humana e Evolução Social (em Tarragona) identificou uma parte de mandíbula de hominídeo e um molar do mesmo indivíduo. Os restos foram encontrados na gruta Sima del Elefante, na Serra de Atapuerca, perto de Burgos. Neste local têm sido feitos alguns dos mais sensacionais achados sobre os antigos europeus.

A menos de 200 metros de distância tinham sido descobertos em 1994 os fósseis que, pelo menos até agora, se pensava pertencerem aos mais antigos hominídeos da Europa Ocidental, datados de 800 mil anos. Essa espécie foi identificada como Homo Antecessor, também popularizado como Homem de Atapuerca, que pode ter sido um antecessor do Homem de Neanderthal e dos humanos actuais. Para se avaliar a riqueza do local, basta referir que a mil metros da gruta foram descobertos restos de outra espécie, Homo Heidelbergensis. No local estavam mais de seis mil fragmentos de fósseis destes antepassados.

A mandíbula agora descoberta estava associada a artefactos e outros restos de animais, incluindo ferramentas para cortar a carne. E a análise morfológica da mandíbula mostrou outro elemento de grande importância: numerosas semelhanças com as mandíbulas encontradas a milhares de quilómetros de distância, em Dmanisi, na Geórgia, cujos espécimes foram datados de 1,7 milhões de anos. Os cientistas afirmam igualmente que há parecenças entre este novo achado em Atapuerca e fósseis encontrados em África, datados do início do Plistocénico, e identificados por Homo Habilis e Homo Rudolfensis.

No artigo da Nature afirma-se que a descoberta "demonstra inequivocamente a presença de hominídeos na Europa do sul bastante cedo, no início do Plistocénico". Para os cientistas espanhóis, é provável que a primeira população europeia tenha vindo do Médio Oriente. Ela devia estar relacionada com a primeira expansão para fora de África, daí a ligação da Dmanisi. No Ocidente teriam surgido novas linhagens, que com o tempo evoluíram para uma nova espécie.

Luís Naves

DN - Diário de Notícias, 27/03/2008

quinta-feira, 27 de março de 2008

PADRE ANTÓNIO VIERA

O que há de grande na vida e obra do Padre António Vieira é a harmonia do cristão, pregador e missionário, do português, patriota e combatente, do homem, humanista e lutador pela dignidade dos outros homens. Uma harmonia entre o explorador da Amazónia, o mensageiro secreto e discreto do rei, humanista de grande saber e de voz profética, orador e estilista ímpar. É o lutador do pensamento, o visionário realista destes quase 90 anos passados numa e noutra margem do Atlântico, dos faustos da Roma barroca dos papas aos sertões da Baía, da companhia dos grandes da política europeia aos míseros índios do Maranhão, entre o favor dos reis e a perseguição dos grandes. No Brasil português, Vieira bateu-se pela dignidade dos índios, defendendo-os contra as injustiças e opressão, ao mesmo tempo que procurava para eles a protecção da Coroa, o que lhe valeu a fúria dos colonos. Deste tempo e circunstância data o mais célebre dos seus sermões, o Sermão de Santo António aos Peixes. Também neste tempo brasileiro ele explorou a bacia do Amazonas, viajando milhares de quilómetros rio acima, embrenhando-se pelo Tocatins e pelo Madeira, e nessas paragens terá redigido o Quinto Império do Mundo, Esperanças de Portugal.

Esta actividade no terreno não o impede, porém, de dar largas a uma outra das suas facetas: a de conceber grandes projectos estratégicos para Portugal, tais como o de conseguir o retorno ao reino dos cristãos-novos emigrados na Europa e dos seus capitais, a troco da liberdade religiosa; e a concepção de uma grande companhia multinacional de comércio e navegação, para o Brasil e o Oriente, à semelhança das companhias majestáticas holandesas. Entretanto, a maioria destes projectos malogrou-se, pois Vieira, como outros portugueses de excepção, teve dificuldade em ser entendido pelos poderosos do seu tempo e gerou, bem pelo contrário, um cortejo de invejas, de calúnias, de intrigas, de golpes baixos.

Quatrocentos anos depois do seu nascimento, o que ainda impressiona na pessoa, na vida e na obra do Padre António Vieira é precisamente esta "harmonia da discordância" das actividades, a extraordinária qualidade do trabalho desenvolvido em áreas tão diversas, em ambientes tão distantes, em "províncias do saber" tão variadas, em terras e gentes tão remotas. E sempre fiel ao seu Deus e à sua Pátria, aos seus ideais católicos e portugueses, sem parar por isso de interrogar o tempo e os seus modos, o passado, o presente e o futuro. E que espantosa modernidade, assente num profundo conhecimento da natureza humana, das suas limitações e grandezas, expressa de forma ímpar no sermão Pelo Bom Sucesso das Nossas Armas: "A mais perigosa consequência da guerra e a que mais se deve recear nas batalhas, é a opinião. Na perda de uma batalha arrisca-se um exército; na perda da opinião arrisca-se um reino. Salomão, o Rei mais sábio, dizia que 'o melhor era o bom nome, que o óleo com que se ungiam os reis'; porque a unção pode dar reinos, a opinião pode tirá-los."

Vieira era, por tudo isto, um visionário genial. Tendo lutado por um poder português no mundo, assente nos factores materiais do poder - nas armas, nas armadas, nas fortalezas -, procurando consequentemente o dinheiro e negócios necessários para os manter, ele viu também que o destino de Portugal era o de poder vir a ser um Quinto Império: um Império de "mil e muitos anos", uma utopia político-social, sem limite e sem distância, para chegar ao futuro, depois de cumpridos e acabados todos os impérios - inclusive o império português! Seria esse império do futuro a luta que ele travou contra o preconceito racial e esclavagista que expulsara o cristão-novo e oprimia o índio brasileiro? Talvez. Mas, de qualquer modo, um genial profetismo este, nos meados do século XVII, um padre jesuíta que pensa uma companhia transnacional para responder à globalização dos mercados e dos interesses, que prega a grande unidade e dignidade universais das criaturas do Reino de Deus neste mundo, e que a tudo isto dá um sentido cristão e português.

Maria José Nogueira Pinto, jurista

DN - Diário de Notícias, 27/03/2008

Ressaca do caso Carolina Michaëlis

Associações de Pais concordam com contratação de técnicos em caso de indisciplina nas escolas

Confap encara medida como sinal de abertura da tutela

26.03.2008 - 14h59 Lusa

O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) considera a possibilidade das escolas poderem contratar técnicos para resolver problemas graves de indisciplina uma "boa medida".

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, anunciou ontem que as escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos.

"Se uma escola tiver um grande problema de indisciplina generalizada pode apresentar à Direcção Regional de Educação uma proposta para o reforço dos meios técnicos", anunciou Valter Lemos.

Em declarações hoje à Lusa, o presidente da Confap, Albino Almeida, disse que se trata de uma "boa medida do Governo". "Vimos com satisfação que o Governo tenha respondido com actos concretos" ao problema da indisciplina nas escolas, referiu.

Albino Almeida adiantou também que este é um sinal de que o Governo tem de estar disponível para responder às necessidades das escolas, no âmbito da autonomia que dispõe, "para restabelecer um clima de não-violência".

Público On line, 27/03/2008

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Comentário de leitores ao artigo

27.03.2008 - 12h46 - Isabel Silva, Vila Nova de Gaia

Concordo consigo Jordão Freitas. "Casa de pais, escola de filhos" é ditado antigo mas sempre actual. A jovem em questão reagiu como deve ser seu hábito fazê-lo em casa. E se o telefonema era mesmo da mãe, será que esta não sabe o horário escolar da filha e que naquele momento a sua (mal)cria(da) estaria em aulas?!?

27.03.2008 - 12h19 - João, Algarve

Para os ilustres iluminados que aqui comentam. O chamado "eduquês", aqui tanto comentado, foi criado pelas Ciências da Educação e não pela Psicologia ou Psicopedagogia. Um pouco de contenção pois o atrevimento da ignorãncia não permite tudo. À Confap e ao ME deixo o seguinte comentário. A intervenção de Técnicos (Psicólogos, Serviço Social, mediadores) não deve ser organizada como resposta a situação de crise em exclusivo. Foi essa visão limitada e tacanha de gestão de recursos humanos de mercearia que nos conduziu onde estamos hoje. Já existe o Serviço de Psicologia e Orientação que devia concentrar Psicólogos, téc. de Serviço Social e outros e trabalhar numa lógica de Prevenção Primária e Secundária e não apenas remediação. É atentar ao estado em que está a rede deste Serviço que logo perceberão a qualidade das políticas nesta área. Navegam à vista os senhores do ME!

27.03.2008 - 12h04 - Anónimo, lisboa

Este Albino é cá um cromo? Então achas mesmo que os técnicos é que vão resolver o problema? Por que razão dizes que sim a tudo o que vem do ministério? Eu também sou encarregado de educação e a mim não me representas tu, pois discordo de quase todas as tuas ideias. O que a Escola precisa são regras rígidas e reprovações quando verdadeiramente não se sabe, pois o total facilitismo dá nisto.

Público On line, 27/03/2008
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Comentário de um leitor:
Mario Veríssimo disse...
Acho que o Aluno que filmou a cena não deveria ser tão castigado.Estas coisas não devem ser camufladas.É o principio básico do Jornalismo e da Democracia.Tenho dito
29 de Março de 2008 14:22

Carolina Michaëlis - intervenientes transferidos

Aluna que agrediu professora e jovem que filmou o incidente vão ser transferidos

O futuro estabelecimento de ensino é ainda uma incógnita
27.03.2008 - 08h09 PÚBLICO

Patrícia e Rafael, a aluna que agrediu a professora de Francês na Escola Secundária Carolina Michaelis e o colega que filmou o incidente, vão ser transferidos de escola, anuncia hoje o jornal "Correio da Manhã".

A sanção foi conhecida ontem, sendo ainda desconhecido o estabelecimento de ensino que irão frequentar.

Fonte da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), ouvida hoje pela agência Lusa, disse, contudo, que "não há ainda qualquer indicação de que os alunos serão transferidos". A mesma fonte adianta que os pais dos alunos envolvidos no caso de indisciplina vão ser informados hoje de manhã das conclusões do inquérito realizado pela direcção da escola.

Ao jornal diário, a jovem não quis prestar declarações. "Ainda não há decisão", revelou a mãe de Patrícia ao "Correio da Manhã", depois de ter reunido com o conselho executivo da escola.

Rafael mostrou-se reservado e escusou-se a prestar comentários. Envolvido apenas de forma indirecta sofreu igualmente uma sanção pesada.

Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.

Segunda-feira, a professora vai regressar à escola e à turma do 9ºC que Patrícia frequentava. A turma é maioritariamente composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares.

Público On line, 27/03/2008
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Comentário de um leitor ao artigo

27.03.2008 - 14h21 - Anónimo, Alcochete, Portugal

O problema que se coloca aqui neste caso é o da falta de respeito, cada vez maior, dos alunos para com os professores. Os professores, hoje em dia, não têm autoridade para nada... o próprio governo não respeita os professores... assim os alunos sentem-se cada vez mais apoiados para fazerem o mesmo. Os alunos estão cada vez mais indisciplinados. Não têm disciplina na escola, nem em casa e isso nota-se cada vez mais pelas suas atitudes. Penso que transferir a aluna só vai fazer com que se transfira o problema... essa aluna devia levar uma sanção que fosse um exemplo... para que os outros pares percebessem que é necessário respeitar os professores. E o governo em vez de se preocupar com a avaliação dos professores, devia de colocar os olhos neste caso... pois todos os dias acontecem situações destas... apenas não são tão difundidas... e preocupar-se mais com a indisciplina e com a avaliação dos alunos, que passam o ano sem estudar e chegam ao fim do ano lectivo e são aprovados... A senhora Ministra devia de levar um empurrão daqueles que a professora levou, para ver se acorda e tem noção da realidade das escolas...

Público On line, 27/03/2008

Recondução de professores

Ministério permite que os professores fiquem na mesma escola por mais um ano

Tutela dispensa professores dos quadros de se apresentarem a concurso, no mesmo dia em que PS defende manutenção da avaliação que é contestada

O Ministério da Educação (ME) abre a possibilidade aos professores de se manterem na mesma escola por mais um ano. "Com o objectivo de reforçar os princípios da estabilidade do sistema de colocação dos professores, da continuidade pedagógica e do interesse público", justifica a tutela, em comunicada de imprensa.

De acordo com o despacho publicado em Diário da República, os professores dos quadros colocados até 31 de Dezembro passado vão poder ficar na mesma escola. No próximo ano lectivo, os que estão destacados por motivo de doença ou por não terem horário na escola de origem vão poder manter o lugar actual e estão dispensados de concorrer.

Estão também neste rol os professores dos Quadros de Zona Pedagógica que estejam afectos a uma escola administrativamente ou por concurso até 31 de Dezembro. E os professores que desejarem, colocados em mobilidade ou afectos administrativamente, desde que tenham funções lectivas, revela a nota do ME. Também incluídos estão os contratados em 2006 e que renovaram o ano passado.

O objectivo é aumentar a estabilidade nas escolas. A primeira medida neste sentido foi em 2006, quando o governo acabou com a colocação anual e criou um regime de colocação por três anos.

Oposição pela suspensão

O despacho publicado em Diário da República foi conhecido ontem, no mesmo dia em que no Parlamento todos os partidos da oposição pediram a suspensão do processo de avaliação dos professores. Os projectos de resolução do BE, CDS/PP, PCP, PSD e da deputada independente Luísa Mesquita não foram votados, mas o PS fez saber que é a favor da avaliação e que esta deve ser feita ainda este ano, como é intenção do ME.

Na Assembleia da República, em Lisboa, da esquerda à direita, com excepção do PS, todos são a favor da suspensão do processo de avaliação dos professores, de modo a ser discutido e aplicado no próximo ano lectivo.

"Esta é também uma reivindicação que veio das escolas e dos cem mil professores que estiveram nas ruas de Lisboa [no dia 8]", lembra Ana Drago, do BE.

Ao todo, foram apresentados cinco projectos de resolução com a mesma recomendação: suspender. Apesar de nenhum ter sido votado e apesar dos apelos dos professores sentados na bancada do PS, o partido do Governo mostrou-se intransigente: "O PS não se esconde, enfrenta os desafios", responde a deputada socialista Isabel Coutinho.

Para Alcídia Lopes, professora e deputada do PS, as escolas estão "a trabalhar bem", por isso "não faz sentido adiar este processo". As mais valias desta avaliação é que haverá descongelamento das carreiras e progressão, "para já não falar da maior estabilidade profissional garantida por este Governo", defende.

Bárbara Wong
PÚBLICO, 27/3/2008

quarta-feira, 26 de março de 2008

O blogue incómodo a castrismo

O blogue Generación y (http://desdecuba.com.generaciony) foi bloqueado por incomodar os 'democratas' cubanos à la Fidel.

Vale a pena visitá-lo.

Pensar outra vez

Profissionalismo

Quando há padrões elevados de profissionalismo, a mera competência produz bons resultados. Quando não há padrões elevados de profissionalismo, mesmo o melhor dos profissionais vê o seu trabalho sabotado ou pura e simplesmente anulado pela inépcia dos seus colegas.

A diferença crucial entre o que parece e o que é, e entre o conhecimento superficial das coisas e o conhecimento íntimo das coisas, só pode adquirir-se quando se tem uma experiência profissional de excelência numa qualquer área. Há uma grande diferença entre ler umas coisas sobre estrelas nas horas vagas e ser astrofísico e astrónomo. A diferença é saber as coisas realmente, em vez de as saber pela rama.

O profissionalismo, contudo, não se dá bem em sociedades da privacidade como a portuguesa. Chamo sociedades da privacidade a sociedades nas quais a vida privada detém o monopólio das atenções das pessoas. Numa sociedade assim desempenha-se uma profissão sem profissionalismo nem gosto, sem excelência nem virtude, porque toda a atenção, energia e investimento afectivo está na vida privada. A vida profissional é apenas uma chatice que é preciso aturar por não se poder viver dos rendimentos. Nas sociedades da privacidade o mundo é visto de maneira fundamentalmente infantil. As crianças, efectivamente, não trabalham: o princípio de prazer é omnipresente e só com o tempo vão atendendo ao princípio do trabalho. Nas sociedades da privacidade o princípio do trabalho é visto como as crianças a vêem: mera chatice inevitável, e não fonte de realização, florescimento e virtude.

Nas sociedades da privacidade não há profissionalismo. Comprar um carro é muitíssimo mais importante do que ser competente na nossa profissão. E a discussão pública, nas sociedades da privacidade, é mero latido inconsequente porque ninguém realmente sabe coisa alguma do que está a dizer, e nem sabe que não sabe porque não sabe o que é saber realmente de alguma coisa, em termos profissionais. Nas sociedades da privacidade a discussão é apenas conversa fiada de amadores e quem fala acaloradamente sobre algo não tem qualquer profissão relacionada com isso de que fala com tanta certeza.

Sendo verdade que os níveis de corrupção estão fortemente correlacionados com a sociedade da privacidade, precisamente por não se reconhecer outras fidelidades que não as privadas, é, contudo, significativo que não ocorra à generalidade dos críticos que grande parte dos problemas dos governantes, das empresas e das escolas não é a corrupção sofisticada, mas a incompetência simples, geralmente baseada num conhecimento das coisas pela rama. O conceito da incompetência, contudo, só tem força em sociedades que prezem o profissionalismo. Nas sociedades da privacidade a incompetência é admitida como a condição natural de qualquer profissioanl e chama-se "desenrascanço".

Ironicamente, a entrega profissioanl a um trabalho é uma das condições necessárias para uma vida humana com sentido.

Desidério Murcho, Filósofo

DN - Diário de Notícias, 25/3/2008, p.3, P2
(suplemento)

Timor-Leste: acordo de parceria Portugal e Espanha

Imprensa - 2008-03-26 - Embaixada de Portugal em Dili

EMBAIXADA DE PORTUGAL EM DILI

Infomacão Imprensa

Portugal e Espanha assinam Acordo de Parceria

Empenhados em cumprir os compromissos internacionais relativos à harmonização e
alinhamento de políticas e práticas de cooperação, Portugal e Espanha assinam
hoje, dia 26 de Março de 2008, um Memorando de Entendimento com vista a
promover uma acção concertada nas áreas do desenvolvimento económico e social,
da redução da Pobreza, da consolidação da Democracia, dos Direitos Humanos e do
Estado de Direito em Timor-Leste.

De acordo com o disposto na Declaração de Paris (2005) sobre a eficácia da
ajuda e dando seguimento ao processo de harmonização da agenda europeia para o
desenvolvimento segundo os princípios do Código de Conduta da União Europeia em
matéria de divisão do trabalho na política de desenvolvimento, o Memorando de
Entendimento prevê o apoio e a execução conjunta, ou em complementaridade, de
projectos ou acções direccionadas essencialmente para os sectores da Justiça,
dos Direitos do Homem e do Desenvolvimento Rural.

Convictos de que o alinhamento e a harmonização das respectivas intervenções
proporciona resultados mais eficientes e eficazes, bem como uma maior
racionalidade dos meios e recursos, Portugal e Espanha abrem, através desta
iniciativa inovadora, caminho para uma concertação e convergência em
Timor-Leste, aberta aos demais Estados Membros da União Europeia e outros
Parceiros de Desenvolvimento.

O Memorando prevê a realização de encontros de trabalho com uma periodicidade
mensal, para troca de informação, acompanhamento técnico e avaliação das
intervenções, bem como a elaboração de relatórios conjuntos. O documento é
válido por um período de dois anos, no final dos quais será feito um balanço da
cooperação desenvolvida em parceria e efectuados os ajustes considerados
necessários.

O Memorando de Entendimento será assinado pelo Presidente do IPAD, Prof. Doutor
Manuel Correia, e pelo Director África, Ásia e Europa Oriental da agência de
desenvolvimento espanhola, Ricardo Martinez, na presença do Ministro dos
Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Dr. Albano Zacarias da Costa, bem como
dos representantes da Comissão Europeia e dos Estados-Membros residentes em
Díli.

Timor-Leste nas páginas do meu diário (1)

14:58 17-02-1999
[...]
Vou passar a outro assunto.

A Indonésia, finalmente, reconheceu que é melhor deixar Timor; tenho a firme convicção de que é apenas uma questão de meses; após vinte e três anos, um mês e vinte dias de ocupação indonésia (27/01/1999), inicia-se o dia de libertação para os timorenses; mas, para quando é a retirada completa?

Vou parar por aqui, pois tenho de ir comprar jornal.

terça-feira, 25 de março de 2008

Visita de Phil Goff a Díli

Timor-Leste: Nova Zelândia aguarda por maior segurança para reduzir presença militar

Díli, 25 Mar (Lusa) - A Nova Zelândia está a aguardar uma melhoria das condições de segurança em Timor-Leste para reduzir a sua presença militar, a segunda maior entre os contingentes estrangeiros no país, revelou hoje o ministro da Defesa neozelandês. Phil Goff, que se encontra de visita a Díli, afirmou hoje esperar que a redução do efectivo do país possa acontecer antes do final do ano, segundo noticia a Rádio New Zeland no seu "site" de internet.

A Nova Zelândia tem actualmente cerca de 200 militares e polícias no país, apoiados por dois helicópteros UH-1H Iroquois - o segundo maior contingente militar estrangeiro, depois do australiano.

A concretizar-se uma "consolidação" da situação de segurança ao longo deste ano, seria possível à Nova Zelândia retirar os meios aéreos e 32 tripulantes e pessoal de apoio, referiu Goff. Para o ministro neozelandês, ainda há "enorme quantidade de trabalho a fazer" no terreno, incluindo o fortalecimento das forças de segurança locais, e a situação permanece "frágil".

No final da sua nona visita a Timor-Leste, Goff irá ainda fazer uma escala em Darwin, Austrália, para visitar José Ramos Horta, primeiro-ministro [presidente da República] timorense que ali se encontra em convalescença. Horta foi submetido a várias intervenções cirúrgicas após o atentado de 11 de Fevereiro, em que foi gravemente ferido.

Durante a visita de três dias a Timor-Leste, Goff encontrou-se com as tropas do seu país ali destacadas e manteve encontros com as autoridades timorenses, nomeadamente com o primeiro-ministro Xanana Gusmão e o Presidente interino Fernando "La Sama" Araújo. Esteve ainda reunido com responsáveis da Força Internacional de Estabilização da missão das Nações Unidas em Timor-Leste.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-03-25 13:10:01

Valter Lemos e a violência nas escolas

PGR pediu mais autoridade para os professores

Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado


25.03.2008 - 14h21 PÚBLICO


O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas. As declarações do responsável vêm no seguimento do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, citado pelo "Diário Económico", ter pedido mais autoridade para os professores.

Valter Lemos sustentou a sua opinião com os dados do programa “Escola Segura” que foram recebidos pelo ministério e onde os comandantes da polícia garantem que os problemas são “importados de fora” e que o ministério está a agir na resolução desta situação.

O responsável informou ainda que o Ministério da Educação tem “programas especiais do ponto de vista da segurança externa através do ‘Escola Segura’ e do ponto de vista da segurança interna através de mecanismos internos de ocupação de alunos e de reforço dos meios de apoio aos professores”.

O secretário de Estado referiu, também, na contratação de monitores e mediadores para apoio aos docentes “para tentar obviar dentro aquilo que é a importação de fora”. Valter Lemos garantiu desconhecer outros casos de violência e afirmou que não existe qualquer contacto por parte da Procuradoria-Geral ou do Ministério Público sobre questões de violência interna nas escolas.

PGR quer mais autoridade para os professores

Pinto Monteiro mostrou-se ontem contra o “sentimento de impunidade” que se vive nas escolas portuguesas e pediu mais autoridade para os professores, na sequência do caso de agressão passado na escola Carolina Michaelis, no Porto.

“Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas o que raras vezes tem acontecido”, sublinhou o PGR, em declarações ao “Diário Económico”.

O procurador explicou ainda que nalgumas escolas se formam “pequenos gangs que depois transitam para gangs de bairro, armados e perigosos”, funcionando a violência escolas como “embrião” para níveis mais graves de criminalidade.

Esta não é a primeira vez que o PGR se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas.

Público On line, 25/3/2008
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Comentário de um leitor:
mais valia disse...
É uma pena que o Sr Secretario de Estado esteja novamente a fazer politica para o partido que representa em vez de estar a governar.Governe e deixe-se de conversa mole
26 de Março de 2008 14:27

Eleições antecipadas em Timor-Leste?

Os grupos de pressão apoiantes do Secretário-Geral da Fretilin, Mari Alkatiri, têm falado muito nos blogues dedicados à política timorense, embora com menos insistência neste último mês, em eleições antecipadas. Sugerem que o Primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, se demita voluntariamente do cargo de modo a cumprir os preceitos constitucionais, possibilitanto assim a dissolução do parlamento a fim de se convocar novas eleições antes do término da actual legislatura em 2012.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Ainda a agressão à professora 2

“Problema de saúde pública e mental” na Carolina Michaëlis
Sara R. Oliveira 2008-03-24

Aluna que retirou à força o telemóvel da mão da professora de Francês pode ser transferida de escola, suspensa dez dias úteis ou ter uma repreensão registada.

O que pode acontecer à aluna do 9.º C da Secundária Carolina Michaëlis do Porto que a 12 de Março enfrentou a professora na aula de Francês para lhe retirar o telemóvel? À luz do novo Estatuto do Aluno há três hipóteses: transferência de escola, dez dias úteis de suspensão ou repreensão registada. O caso foi notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social do país. Um pequeno filme, captado por um telemóvel de um colega de turma e colocado no site de partilha de vídeos online Youtube, mostra a aluna a tentar tirar o telemóvel da mão da professora de Francês. A turma ri-se do episódio. "Dá-me o telemóvel já", ordena a aluna. No final, a estudante consegue reaver o telemóvel. Na quinta-feira passada, um funcionário da escola informou o EDUCARE.PT que tinha instruções para comunicar que o caso estava a ser alvo de um processo de averiguações. "A escola teve conhecimento do que se passou e está a ouvir os intervenientes", disse.

Ao EDUCARE.PT Arsélio Martins, vencedor do Prémio Professor do Ano e membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, refere que o que se passou na Carolina Michaëlis é um caso de saúde pública e mental e de valores. "É um problema de saúde pública e mental quando se reage daquela forma. A aluna teve uma reacção agressiva e desproporcionada em relação a um objecto que ninguém iria alterar. Aquela situação não é normal", afirma. "Pessoalmente, acho que alguma coisa tem de ser corrigida com certa gravidade", defende. O docente não quer fazer juízos de valor até porque, salienta, não se sabe o que se passou antes de a professora retirar o telemóvel à aluna, mas, em seu entender, há motivos para preocupações. "A violência está mais na tentativa de impedir a professora de sair da sala de aula para ser ajudada na sua demanda". "A sala transformou-se num campo de batalha, em que a professora foi impedida de sair de uma forma violenta, ficou isolada, e não pôde ampliar a sua autoridade", reforça.

Arsélio Martins destaca o papel da família no respeito pelos valores. "Neste momento, o problema da mediatização e a necessidade de aparecer em todo o lado dão origem a coisas muito estranhas". Essa mediatização, sublinha, "não é um problema de valores da escola, que não tende à mediatização". Mas é uma questão que se centra no seio da família. "É importante fazer-se um trabalho junto das pessoas, das famílias, saber que espectáculos vêem", realça.

A secundária do Porto soube do sucedido através da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e abriu, de imediato, um processo para apurar responsabilidades. A mediatização do caso já provocou várias reacções. A professora de Francês, que está no topo da carreira, optou por não prestar declarações, mas sabe-se que está perturbada com as proporções que o episódio assumiu. A aluna, em declarações ao Correio da Manhã, admitiu que tinha errado. "Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir música no telemóvel, mas o som estava baixinho", adiantou ao jornal. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lamentou o caso e o aproveitamento político da situação.

"É revoltante ver aquela professora numa situação de completa fragilidade, chega a ser impedida pelos alunos de sair da sala de aula", referiu João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) ao jornal Público. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, disse, ao mesmo jornal, que "a maior parte dos professores lida com situações desse tipo apenas com a sua intuição". "Como não existe respeito por parte do Ministério da Educação em relação aos professores, esse sentimento passa para os outros e, neste caso, para os alunos. É preciso ter muito cuidado, porque situações destas podem escalar para situações de maior violência", afirmou Abel Macedo, do Sindicato dos Professores do Norte, ao Diário Digital.

Os meios de comunicação social revelam um outro caso que aconteceu na Carolina Michaëlis em Dezembro do ano passado. Uma aluna do 10.º ano não concordou com a nota de Português e puxou os cabelos à professora num dos corredores da escola, depois de uma discussão acesa na sala e de a estudante ter abandonado a aula sem autorização. A aluna acabou por ser transferida de escola. A turma do 9.º C é apresentada como problemática e no primeiro período deste ano lectivo foram registados cerca de 40 casos de indisciplina na secundária do Porto.

"Denegridos e rebaixados pelos alunos"

No dia em que o caso era abertura em todos os telejornais, Maria Beatriz Pereira, investigadora, autora de vários livros sobre violência escolar e professora da Universidade do Minho, afirmava que o bullying, agressão continuada e sem razão aparente, está a atingir a classe docente. "Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine", dizia à Lusa, à margem do "Fórum Educação para a Saúde", organizado pela Câmara de Famalicão. "Os professores são as novas vítimas do bullying", refere a investigadora e também presidente da Comissão Directiva e Científica de Doutoramento em Estudos da Criança, salientando que "os professores têm dificuldades em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados". Os números do Observatório da Segurança em Meio Escolar revelam que em 2006/2007 houve 185 agressões participadas contra docentes em 180 dias do ano lectivo.

"A comunidade educativa tem de reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual uma equipa vai definir as regras de intervenção", defende Maria Beatriz Pereira. Nos casos que tem acompanhado, a investigadora garante que "os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos". E o que acontece? "Apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais", refere. Na sua opinião, é necessário tentar reduzir o fenómeno do bullying através da "criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir".

Há, no entanto, comentários violentos que deixam marcas. A investigadora dá alguns exemplos: "o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir" dos professores. "O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos", comentou. Dos estudos feitos, Maria Beatriz Pereira retém uma certeza. "Quanto maior é o insucesso escolar, maior é a incidência de bullying." Há estudos que o demonstram. Em 6200 alunos estudados no triénio 1995/1997, uma equipa coordenada por Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está intimamente ligado ao bullying. "Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros", comentou a docente.

"Dança ridícula de empurrões"

O episódio da escola do Porto originou milhares de comentários online. A sociedade portuguesa não ficou indiferente ao que se passou dentro das quatro paredes. Num dos fóruns do EDUCARE.PT, Leonor conta que trabalhou numa escola profissional "onde uma aluna ameaçou uma professora com uma navalha e foi expulsa da escola. (...) a paz voltou à escola e os restantes alunos não cometeram infracções". "É muito triste a situação a que chegámos. Que condições psicológicas tem aquela colega de se apresentar para trabalhar com aquela turma?", questiona. Um outro participante no fórum elogia a professora - "pois sangue frio não lhe faltou perante a situação insultuosa que vivenciou em pleno local de trabalho" - e fez dois comentários sobre a aluna e a turma. "Como essa existem muitas outras... educação é palavra inexistente no dicionário! São os pais destes meninos que vão avaliar os professores? Obrigada sr. primeiro-ministro por tamanha consideração pelos professores! Continue a ser teimoso que em breve passaremos a ter a Escola que deseja: ‘Tudo ao monte e fé em Deus!'. Ainda bem que este vídeo aparece, pois ainda há quem não acredite que esta é a Escola que temos.... Retirem-nos toda a autoridade, passem os meninos com milhentas faltas de civismo!".

Um "analista educacional" lança algumas questões. "Mas pergunto-me como é que, face a uma falência da família, da escola, da educação, etc., (aqui globalmente falando), se pode esperar ainda que os alunos, pelo menos na sua maioria, pensem e actuem como se estivessem numa situação de normalidade... Actuações como a daquela aluna são a prova provada de que se entrou literalmente na falência!". Passos Dias Aguiar Mota deixa o seu lamento: "Estou francamente triste e desiludido com o ensino. Com a educação. Com os próprios colegas, que por trás das costas se vão rindo destas coisas". E um professor contratado escreve: "Uma palavra de apreço para a colega visada no vídeo que incorporou a pele de todos os professores que sentem a decadência da indisciplina nas escolas".

"Ser professor não é para quem quer nem para quem pode, é para quem sabe. Adolescentes histéricas vão sempre existir em toda a parte, professores competentes é que já é mais raro... E ainda dizem mal da ministra por querer avaliar estes professores?", refere Ana de Alverca na edição online do jornal Público. No mesmo suporte, Miguel, de Vila Nova de Gaia, deixa a sua reflexão. "A função do professor é a de educar, não a de tentar garantir uma posição de autoritarismo na sala de aula. Por que razão quer tanto esta professora ficar com o telemóvel? Se a aluna não cumpre as regras, é convidada a sair da sala - nunca lhe é ‘roubado' o telemóvel."

José Machado, da Parede, responsabiliza a docente da Carolina Michaelis na edição online do Correio da Manhã. E explica a sua visão. "Primeiro, permitiu telemóveis; segundo, pensou que estava na primária ao tirar o brinquedo; terceiro, devia ter pedido à aluna para sair; quarto, caso não fosse atendida interrompia a aula e queixava-se ao Conselho Directivo; quinto, nunca deveria encetar aquela dança ridícula de empurrões." Ana Tavares, do Porto, dá a sua sentença no Público online, com alguma ironia. "Dez dias de suspensão, que não têm nenhum efeito penalizador porque já nem sequer se reprova por faltas. À luz do novo Estatuto do Aluno, provavelmente ainda terá direito a uma prova de recuperação por ter estado dez dias ausente das aulas."

EDUCARE.PT, 24/3/2004
Portal da Educação

Contagem de visitas

Coloquei hoje um contador de visitas para saber o número e de onde são os meus leitores.

Ainda a agressão à professora

As garras do telemóvel

Ainda bem que naquela sala de aula da escola Carolina Maichaëlis estava um alarve que, perdido de gozo, filmou a cena de violência entre a 'velha', como ele lhe chamava, e a aluna que se atirou à professora por esta lhe ter retirado o telemóvel durante uma lição. Ainda bem que estas imagens foram para a internet, para a televisão, para os jornais. Ainda bem que se ouviram as gargalhadas de uma turma que ululava aos gritos histéricos da rapariga, enquanto o alarve, danado de gozo, filmava e gritava para a 'gorda' se afastar para produzir melhores imagens. Ainda bem que vimos alguns alunos procurando ajudar a professora para não se concluir que, em vez de uma escola, estamos em território dominado por gang.

É a evidência daquilo que há muito tempo se conhece. Em muitas escolas, um professor que entra numa sala candidata-se a entrar num filme de terror.

O problema essencial que está em cima de mesa é estruturante, atinge diversos níveis da nossa vida colectiva, é revelador do nível de desorientação que hoje determina políticas incoerentes, desconexas, ditadas por um falso humanismo e por um falso sentido de cidadania.

Falamos do problema de autoridade. Que afecta a escola, que afecta as forças de segurança, que afecta a família, que afecta a organização estruturada do poder em geral.

É certo que viemos de um tempo histórico que durante meio século se pautou pelo autoritarismo, a discricionariedade, pela amputação de direitos cívicos elementares. Mas passaram trinta e quatro anos e este jeito tão português de atirar as culpas para o passado e não é preciso ressuscitar fantasmas para dizer o que deve ser dito: Estamos a produzir uma sociedade inculta, egoísta, medrosa, narcísica cujas referências maiores são o consumismo e, simultaneamente, o rompimento de teias de solidariedade ancestrais.

A autoridade num Estado democrático deve ser reconhecida, e admitida, por quem a percebe e que com ela se relaciona. Os filhos face à autoridade dos pais, os cidadãos perante as determinações policiais ou judiciárias, os alunos perante os seus professores e por aí adiante. É posse de quem a usa, mas só existe se lhe for reconhecida. E chegados aqui, somos capazes de perceber que a crise da autoridade, nos vários níveis do quotidiano, resulta da ausência de estímulos para que ela seja reconhecida. A começar pela rápida dessacralização das relações verticais de solidariedade, pela dissolução das redes intermédias do poder, pela socialização de comportamentos tidos como bons que não produzem cidadania mas o seu abastardamento. O telemóvel tornou-se o símbolo e o mito de uma sociedade tecnologicamente avançada mas vazia de humanismo, de sentido de existência, de fome de liberdade. Os Hunos que vimos na Carolina Michaëlis são nossos, nascidos da nossa ignorância tecnologizada, da nossa consciência democrática feita com pés de barro e minada por atavismos. De facto, iludidos que andámos muito, estamos a produzir desilusão e pesadelos. E o direito ao sonho? Onde é que pára?

Francisco Moita Flores
CM - Correio de Manhã, 23/3/2008

Indisciplina na sala de aula

22 Março 2008 - 00.30h
Dia a Dia

Culpa dos pais

João Grancho, coordenador da Linha SOS Professor, garante que são recorrentes situações semelhantes à agressão da aluna do Porto à professora por causa de um telemóvel. O que distingue o caso da Escola Secundária Carolina Michaelis dos outros é que foi filmado e o vídeo foi colocado na internet. Essas imagens funcionam como se um novo icebergue tivesse emergido. A violência quotidiana que os docentes vivem ficou desta forma escandalosamente exposta. E é triste constatar que ser professor, mesmo de alunos oriundos de famílias estruturadas de classe média, é praticamente tão perigoso e arriscado como ser monitor num dos colégios de reinserção social, antigamente conhecidos por casas de correcção. Se não houver disciplina nas escolas, não for restabelecida a autoridade dos professores, é impossível sair deste abismo em que a escola caiu. Mas as famílias não podem ser desresponsabilizadas pelo comportamento dos seus filhos. Muitos pais já se demitiram de educar os filhos e pensam que se alguém tem essa função são os professores. Os jovens são depositados na escola, como em casa são abandonados aos novos educadores: a televisão, os telemóveis, os computadores. A autoridade, o respeito pelos outros e pelos próprios são conceitos que em muitas casas só existem nos dicionários. Se isto não for alterado e não se pedirem contas aos pais, sempre que um filho tem mau comportamento, as agressões a professores continuarão a repetir-se.

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto
CM - Correio de Manhã

domingo, 23 de março de 2008

Estado de emergência aligeirado

Timor: Estado emergência aligeirado 5 distritos, levantado em 2

O estado de sítio em vigor em todo o território de Timor-Leste, com recolher obrigatório entre as 22:00 e as 06:00 desde os atentados de 11 de Fevereiro, foi hoje aligeirado em cinco distritos do país, deixando totalmente de vigorar em dois outros. A decisão foi anunciada através da rádio e televisão nacionais pelo presidente em exercício, Fernando La Sama Araújo, que justificou a redução das medidas de excepção por uma «evolução significativa da segurança interna».

O estado de sítio é mantido em sete distritos onde decorrem operações conjuntas militares/policiais para a captura dos autores dos atentados de 11 de Fevereiro e nos distritos limítrofes.

No distrito de Oe-cusse e no sub-distrito de Ataúro foi restabelecida a normalidade, deixando de vigorar ali qualquer estado de excepção.

As horas de recolher obrigatório variam, agora, entre os distritos abrangidos pelo estado de sítio e pelo estado de emergência.

«Durante o Estado de Sítio mantém-se a suspensão do exercício do direito de manifestação, de reunião e do direito à inviolabilidade de domicílio, permitindo-se a realização de buscas domiciliárias durante a noite, desde que com o competente mandado judicial», anunciou La Sama.

Segundo a declaração presidencial, em Aileu, Ermera, Bobonaro, Covalima, Ainaro, Liquiçá e Manufahi o exercício do direito de livre circulação é também suspenso, havendo recolher obrigatório, todos os dias, entre as 22:00 e as 06:00.

Ainda de acordo com o pedido do Governo, sob aprovação do Parlamento Nacional e depois de ouvido o Conselho de Estado e o Conselho Superior de Defesa e Segurança, foi declarado o estado de emergência (menos rigoroso do que o estado de sítio), por 30 dias, nos distritos de Dili, Baucau, Lautém, Manatuto e Viqueque.

Nestes distritos, haverá recolher obrigatório apenas entre as 23:00 a as 05:00.

Relativamente ao distrito de Oe-cusse e ao sub-distrito de Ataúro, deixa de haver quaisquer medidas restritivas por não haver, agora, risco especial de segurança, segundo a declaração lida por Fernando La Sama Araújo.

As condições do estado de sítio e do estado de excepção hoje decretadas em Timor-Leste vigorarão até 22 de Abril.

Diário Digital
23-03-2008 13:11:58

Rendição de quatro rebeldes


2008-03-23 14:31
Timor-Leste
4 militares rebeldes renderam-se às autoridades

O grupo era procurado pela participação nos atentados de 11 de Fevereiro contra Ramos-Horta e Xanana Gusmão.

Quatro militares rebeldes renderam-se hoje às autoridades timorenses. O grupo era procurado pela participação nos atentados de 11 de Fevereiro contra o presidente Ramos-Horta e o Primeiro-ministro Xanana Gusmão.

Não foi divulgada a identidade dos quatro militares revoltosos, que entregaram também as armas, na presença de Xanana Gusmão e Matan Ruak, Chefe de Estado-Maior timorense. A monte, continuam ainda dois elementos.

Além do alegado líder dos revoltosos o Tenente Gastão Salsinha, sobre o qual circularam recentemente rumores de que estaria iminente a rendição. O Primeiro-ministro timorense escapou ileso dos ataques mas o Presidente Ramos-Horta ficou gravemente ferido, tendo sido hospitalizado na Austrália, onde ainda se encontra, mas já a recuperar.

TVI, 23/3/2008