Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Educação. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 5 de março de 2012

O calendário escolar timorense

Com a alteração do início do ano lectivo de Setembro para o mês de Janeiro, decisão do actual ministro da educação, João Câncio Freitas, em 2009, criou-se um problema para o ingresso dos alunos no ensino superior nas universidades portuguesas e indonésias: o timing. Concluídos os exames do 12º ano em fins de Novembro, esses estudantes terão que aguardar quase um ano para se poder ingressas nas referidas universidades, pois tanto Portugal como a Indonésia o início do ano lectivo é em Setembro. Já começa a haver contestação de alguns pais relativa a esta decisão do ministro Câncio, pois fez coincidir o calendário escolar timorense com o da Austrália, embora praticamente zero o número de estudantes que se candidatam a uma universidade australiana. Por isso, é necessário repor o anterior calendário – de Setembro a Junho – nas escolas timorenses. É uma questão de bom senso, uma vez detectado erro.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Opinião: «Reprovação zero?»

JOSÉ MANUEL CANAVARRO
Professor universitário

A ministra da Educação anunciou que durante o seu mandato pondera acabar com o insucesso escolar. E que o final do insucesso escolar poderá ser decretado com a impossibilidade de o professor reprovar os seus alunos.

A definição de metas de aprendizagem, do que os alunos devem aprender por disciplina e por ciclo, (re)anunciada pela ministra, é relevante e necessária. Este assunto não deveria ter sido "misturado" com a possibilidade de não se reprovar.

Embora existam países que alcançam bons resultados globais em educação sem terem uma prática de reprovação, o anúncio da ministra da Educação deixa muitas dúvidas e motiva algumas perguntas.

  1. A ministra está a pensar retirar a possibilidade de um professor reprovar um aluno? Durante toda a escolaridade? Apenas nos primeiros anos? Também no ensino secundário? Nas vias profissionalmente qualificantes? Nos CEF?
  2. O que acontecerá, neste novo contexto, aos exames nacionais? Continuarão a existir? Com que valor funcional concreto? É tecnicamente possível a manutenção de exames num quadro de não reprovação, bem sabemos, mas como se pretenderá fazê-lo?
  3. Quando se acentua socialmente a perda de autoridade do professor, será sensato retirar-lhe a possibilidade de reprovar o aluno? Não é apenas na possibilidade de o primeiro reprovar o segundo em que assenta a autoridade mas, convenhamos, que, em muitos casos, é factor importante.
  4. Existem apoios nas escolas. É verdade. Mas são, em regra, insuficientes, pouco baseados na evidência, pouco sistematizados e muito voluntaristas. Mostra-nos a investigação sobre o tema do insucesso escolar em Portugal que há uma percentagem recuperável com recurso a uma metodologia de apoio moderadamente intensiva, mas há um outro tipo de insucesso escolar, persistente, que não é nem será fácil de resolver.
  5. A ministra da Educação tem sido criticada por ter possibilitado o chamado "salto" do 8º para o 10º ano, por não ter viabilizado, em sede de discussão parlamentar do Estatuto do Aluno, a criação de equipas multidisciplinares de apoio, e de promover aquilo que muitos chamam "facilitismo". Será esta ideia mais um argumento favorável para que a crítica de "facilitismo" se acentue?
  6. A ministra da educação menciona exemplos inspiradores de países do Norte da Europa que têm práticas de não reprovação. Mas não revelou que muitos desses países não contemplam na sua rede escolar o que se designa actualmente por "mega-agrupamentos" - unidades escolares com mais de três mil alunos. Será coerente o anúncio do passado sábado com o que a mesma ministra concretizou recentemente em alguns dos agrupamentos de escolas deste país?
O sucesso escolar promove-se combinando exigência com apoio, este tão personalizado quanto possível, confiando no trabalho dos professores e conferindo a estes e às escolas boas condições de trabalho e usufruto de autonomia. Importará manter avaliações nacionais periódicas, mas organizadas por uma entidade independente, e dotar o sistema de educação de métodos para capacitar os pais para a sua função na escola e fora dela.

Seguindo este trilho, reduzir-se-á o insucesso. E o que se conseguir será mais demorado, mas mais real do que o zero administrativo.

DN, 2/o8/2010

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Como se continuam a destruir as escolas portuguesas

José Manuel Fernandes

Os alegados defensores da escola pública são os seus maiores inimigos. Porque não respeitam alunos e famílias.

Estamos na última semana de Julho e há pais a receber em casa cartas a dizerem-lhes que os seus filhos vão mudar de escola. A darem-lhes - teoricamente - a oportunidade de se manifestarem contra essa mudança. E as cartas que são assinadas por entidades cuja designação faz lembrar o gonçalvismo: "comissões administrativas" nomeadas para os novos mega-agrupamentos. Comissões que, formalmente, só entram em funções a 1 de Agosto - mas que já estão a assinar cartas.

Isto que se stá a passar um pouco por todo o país - desde as aldeias remotas do interior a concelhos das duas grandes áreas metropolitanas - não é incompetência e, muito menos, voluntarismo para "fazer andar as coisas mais depressa". Isto que se está a passar e está a desorganizar a vida de centenas , talvez milhares de escolas e de um número incalculável de famílias é apenas a mais recente manifestação de autoritarismo e centralismo do monstro da 5 de Outubro. Tudo porque no sistema educativo os cidadãos valem pouco e os funcionários mais papistas do que o papa - valem muito.

Tudo começou com duas ideias aparentemente boas: uma, a de que seria importante enecerrar todas as escolas com menos de 21 alunos, pois, nestas, o grau de aprendizagem é pior e as crianças não socializam; outra, a de que se poderia gerir de forma integrada a rede de ensino, associando sob a mesma direcção os vários níveis de escolaridade.

É certo que qualquer destas ideias tem problemas. O principal óbice ao puro e simples encerramento de muitas microescolas é que estas são dos últimos sinais de vida em regiões do país totalmente desertificadas e envelhecidas. Perdendo a escola, não perdem apenas a companhia dos miúdos durante o dia, por vezes também perdem os seus pais. Por lá vive-se um definhamento que pagamos caro - que pagamos, por exemplo, nas vagas de incêndios florestais que enfrentamos todos os anos.

Já a teoria de que os mega-agrupamentos podem ser mais eficientes desafia experiências recentes em países como a Finlândia ou os estados Unidos, que recomendam o regresso a escolas de "dimensão humana". Ora, de acordo com os dados oficiais, a média do número de alunos por mega-agrupamento é de 1700. Pior. muitos desses alunos estão espalhados por escolas diferentes, que perderam as suas chefias próprias e que agora foram reunidas porque, tal como fizeram com África as potências coloniais, os personagens de Kafka que habitam as Direcções Regionais de Educação pegaram na régua e no esquadro e trataram de cumprir as metas de "racionalização" definidas pelo poder central. Resultado: nos distritos de Viana do Castelo e de Aveiro ficaram no mesmo agrupamento escolas que distam 40 km entre si; no de Braga há um caso em que essa distância sobe para 60 quilómetros. Em muitos concelhos os mega-agrupamentos agrupam 20, 30, 40, 50 escolas diferentes e, pelo menos num caso, a demência foi ao ponto de juntar 63 escolas sob a mesma "comissão administrativa".

Vamos admitir, mesmo assim, que é bom eliminar todas as escolas com menos de 21 alunos e agrupar as escolas demasiadas pequenas. Se existisse apenas esse objectivo, o processo teria de decorrer exactamente ao contrário. Nunca poderia ser uma direcção regional a convocar os directores das escolas e a ordenar-lhes o que deviam fazer. Nunca poderia comunicar-lhes que agora iam "fundir-se" e que, ou se entendiam sobre a nova "comissão administrativa", ou ela decidiria por eles. Nunca poderia ignorar por completo os pais. Nunca poderia tratar as autarquias locais como parceiros menores. Nunca poderia deixar de prestar contas sobre, por exemplo, quanto dinheiro se poupa com a reestruturação e quanto se gasta, depois, em transportes escolares.

Não é só grave o atabalhoamento legal, que poderá levar pais e autarquias a desencadearem providências cautelares que tornarão ainda mais caótico o regresso às aulas. Não é só grave terem-se dissolvido arbitrariamente órgãos de gestão eleitos há poucos meses, e após um processo de envolvimento das comunidades que nem sempre foi fácil. Não é só grave reinar a opacidade, recusando-se o ministério a entregar a lista das escolas que vão fechar apesar de proclamar que serão (reparem na exactidão) 701. O que se passou e vai passar assusta porque revela, mais uma vez, um ministério que funciona de forma tão "iluminada" como autista. Um ministério para quem a realidade não passa de um empecilho à célere concretização das suas medidas esclarecidas.

Mas tudo isto podia ser bem diferente. Imaginem, por exemplo, que o ministério não tinha poder sobre as escolas, que apenas as podia fiscalizar e assegurar padrões mínimos de aquisição de conhecimentos realizando exames nacionais. Imaginem que as escolas eram responsáveis perante os seus utilizadores: os alunos, os pais, as comunidades locais, os educadores. Imaginem que tinham real autonomia e, face a um orçamento, procuravam fazer o melhor e, naturalmente, ter o maior número de alunos. Imaginem que as autarquias eram verdadeiras parceiras, mais próximas e mais responsabilizáveis do que os burocratas do ministério. Imaginem que as escolas públicas tinham liberdade para encontrarem, nas comunidades mais pequenas, a melhor forma de atender as necessidades locais e, nas comunidades grandes, para concorrerem entre si pela excelência. Imaginem que o sistema não discriminava as escolas privadas e que, se uma criança de uma família pobre quisesse ir para uma escola privada, poderia levar consigo o dinheiro que custaria ao estado a sua educação se continuasse numa escola pública.

Estranho Portugal seria esse onde os cidadãos seriam mais senhores dos seus destinos do que os burocratas iluminados. Estranho Portugal esse onde o império da cunha e da pequena aldrabice daria lugar a relações transparentes e fiscalizáveis. Estranho Portugal esse que se pareceria com Suécia, com a Dinamarca, com a Holanda. Estranho Portugal esse onde não oscilaríamos entre o dirigismo salazarista, o dirigismo leninista e o dirigismo socratista. E que belo Portugal...

O que se está a passar este ano com o fecho das pequenas escolas e com os mega-agrupamentos é Portugal deste regime no seu pior. Desta vez, ao contrário do que sucedeu com a avaliação de professores, nem sequer existe uma boa causa, há só burocracia, centralismo e autoritarismo em nome de uns centavos. Desta vez, por causa da época do ano, quase não há reacções. Mas desta vez está-se, ao mesmo tempo, a dar uma terrível machadada na única reforma recente do sistema educativo que ia na boa direcção: a que dava mais autonomia e mais responsabilidade às escola. Só que essa reforma era uma contradição nos seus próprios termos: Portugal é o país em que o "chefe" quer, pode e manda.

Felizmente nem todos amocham.
Jornalista, www.twitter.com/jmf1957

terça-feira, 21 de julho de 2009

Sistema de ensino ultrafacilitista

Diga-se o que se disser, se a objectividade da Escola cai por terra com ela cai também a verdadeira promoção humana dos alunos sócio-familiarmente desafortunados. As excepções alertam-nos para a regra geral em vigor e em vigor redobradamente feroz com esta Comissão Liquidatária do ME. A regra geral é o facilitismo, é a burocracia justificatória do insucesso dos alunos que impende desumana e desalentadora sobre os docentes. Sempre que a Escola se converte numa Misericórdia, ganha-se em porreirismo social, mas enfraquece-se o cerne. O cerne da escola deveria estimular à excelência, gratificar o mérito (ainda que o mérito e a excelência sejam muitas vezes um nicho pré-determinado, fechado, para privilegiados à partida, filhos das pessoas certas, dos privilegiados locais, dentro e fora do estabelecimento de ensino). A Escola fazer tudo ao seu alcance terá de ser pelo lado certo de fazer tudo ao seu alcance e não pelo lado assistencialista e misericordioso cujo efeito pode em última análise ser pernicioso. O meu avô queixava-se do caos no Ensino logo a seguir à implantação da República e que muito o penalizou. Tal caos ditou ter ele transitado no Ensino Primário, mas quase sem aulas, quase sem professor e sem quaisquer competências consolidadas as quais só muitíssimo mais tarde como autodidacta corrigiu: «Negativa a Língua Portuguesa, a História e a Matemática. Negativa também a Geografia, a Físico-Química, a Educação Visual... Feitas as contas, José, chamemos-lhe assim, teve nove negativas em 14 "cadeiras". Tem 15 anos, está no 8.º ano do ensino básico. E a escola passou-o.»
http://joshuaquim7.blogspot.com/2009/07/sistema-de-ensino-ultrafacilitista.html

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Medina Carreira: o estado da Educação

Vale a pena ler e analisar este excerto da entrevista de Medina Carreira, antigo Ministro das Finanças do PS, a Rádio Clube e Correio de Manhã, domingo, 3 de Maio, sobre a sua visão relativa a actual estado da Educação.

LC – Mas o principal factor, os salários baixos, não era o ideal.
- Mas o ideal do ponto de vista da mão-de-obra não é este que se prega aqui. Nós para termos uma mão-de-obra que ganhe bem temos de ter outra escola. Nós não podemos andar a formar analfabetos e depois dizermos para arranjarem empregos bons a esta gente. A gente tem de ir à escola.

ARF – Aumentar a escolaridade obrigatória nestas condições é uma ideia má?
- Teoricamente é uma boa medida. Como mexer na Justiça também seria uma boa medida.

LC – Mas é preciso que a escola seja boa.
- Agora mexer na escola e ficar tudo na mesma não interessa. Se os alunos estiverem lá e são tão bons os bons como são bons os maus, quer dizer, anda lá um número grande a atrapalhar o trânsito, em nome de uma coisa esquisitíssima e que eu não aceito que é a escola inclusiva. Ora, a escola é inclusiva se as pessoas estão lá para aprender. Se não estão para aprender têm de ir para outro sítio. Um estádio de futebol, põe-se lá toda a gente aos pontapés na bola. Agora, na escola só pode estar quem queira aprender. Mas isso tem de ser aferido. Nós temos todos os anos de verificar se eles aprenderam.

ARF – Têm de ter exames, não é?
- Fazer exames. Nós temos de ter programas decentes, feitos por intelectuais, por artistas, por técnicos. Nem sei quem é que os fez. São uns programas horríveis, os manuais são de fugir. E depois inverte-se tudo. Nós não podemos ter professores a ensinar bem se os alunos nem os ouvem. O senhor pode arranjar 200 mil catedráticos que não consegue ensinar esta gente. Porque eles não querem aprender. Oitenta por cento dos que estão lá não querem aprender. Bons são sempre bons. Quando nós éramos crianças também havia bons e havia maus. E havia uns médios e estes estudavam por causa dos exames.

LC – Seriam a maioria.
- Isso foi ontem, é hoje e será na próxima geração. Agora não. Temos os bons que eram bons e temos o resto. E como não há exames nunca chega a ocasião para estudar. Portanto isto é uma falsificação. O ensino em Portugal é uma intrujice. Uma intrujice cara. E depois inverte-se isto. Vamos avaliar os professores, nem sei quais são os critérios. No estado em que aquilo está parece-me uma tontice, mas não se avaliam os alunos. Isto tem pés e cabeça? Isto é de uma sociedade de gente com juízo?

ARF – Esta nossa escola é uma certa escola, que dura há anos e anos.
- É uma escolinha. Não é uma escola, é uma escolinha. É um grupo de gente que está a praticar um crime gravíssimo que vai liquidar uma geração. Se não mais. Mas a próxima geração maioritariamente está liquidada. As pessoas não aprendem a língua. Nós pensamos em português. Se a gente não sabe bem português não pensa bem. Nós não sabemos fazer contas, nós não sabemos geografia. Se perguntarem a um rapazito qualquer onde é que é Washington não faz ideia nenhuma, é capaz de dizer que é na Ásia.

LC – Acha que a geração que vai estar no mercado de trabalho daqui a dez , vinte anos vai ser pior?
- Vai ser cada vez pior. Porque está a enraizar-se esta decadência do ensino. O ensino está numa decadência profunda.

LC – E algum dia foi melhor? Nestes últimos 30 anos?
- Para os que podiam andar na escola foi muito melhor. Andavam eram poucos. Mas o problema não é esse.

LC – Estamos a falar de quando?
- Do tempo em que eu estudei. No século passado. E da minha filha, que andou na escola pública.

LC – Antes do 25 de Abril.
- Sim, muito antes.

LC – A escola era melhor antes do 25 de Abril do que é agora?
- Incomparavelmente. A diferença é que eram poucos. Eram para aí 30 por cento menos do que hoje.

LC – E preferia que fossem poucos?
- Não, não prefiro que sejam poucos. Eu prefiro é autenticidade, porque isto é uma vigarice. É que os pais dos que lá estão têm de ter a certeza de que estão a aprender. Não é serem poucos ou muitos. Não interessa nada produzir quantidade que é lixo. Nada.

LC – Mas a quantidade à partida diminui sempre a qualidade. A massificação do ensino diminui a qualidade, não acha?
- Mas não é diminuir até zero. Nós estamos a bater no chão. É diminuir um pouco. Agora isto não é nada. Um aluno sai dali e não sabe escrever. Eu ensinei muitos anos e acabei por me irritar com o ensino. Dava-lhes provas escritas e era dificílimo de entender o que escreviam. Cheias de erros, linha sim, linha não um erro, expunham pessimamente, tudo aquilo era um ver se te avias.

LC – Acha que no Ministério da Educação não sabem isso?
- O Ministério da Educação, como os outros Ministérios neste nosso regime, está ali para parecer, para apresentar uma estatísticas lá forjadas não sei como. Para vocês nas sondagens descobrirem que este Governo é um Governo muito próspero.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Educação: cinco reflexões de Medina Carreira

1. «A educação em Portugal é um crime de "lesa-juventude". Com a fantasia do ensino dito "inclusivo", têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida àqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos?»

2. «Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada! »

3. «Há dias circulava na Internet uma notícia sobre um atleta olímpico que andou numa "nova oportunidade" uns meses, fez o 12ºano e agora vai seguir Medicina. Quer dizer, o homem andava aí distraído, disseram[-lhe]: "meta-se nas novas oportunidades". E agora entra em Medicina... Bem, quando ele acabar o curso já eu não devo cá andar, felizmente, mas quem vai apanhar esse atleta olímpico com este tipo de preparação... Quer dizer, isto é tudo uma trafulhice.»

4. «Ainda há dias eu estava num supermercado, numa bicha para pagar. E estava uma rapariga de umbigo de fora com umas garrafas, e em vez de multiplicar "6x3=18", contava com os dedos: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9... Isto é ensino?! É falta de ensino! É uma treta! É o futuro que está em causa!»

5. «Isto da avaliação dos professores não é começar por lado nenhum. Eu já disse à Ministra uma vez: "A senhora tem uma agenda errada". Porque sem pôr disciplina na escola, não lhe interessa os professores. Quer grandes professores? Eu também. Agora, para quê? Chegam lá os meninos, fazem o que lhes dá na cabeça, insultam, batem, partem a carteira e não acontece coisa nenhuma. Vale a pena ter lá o grande professor? Ele não está para aturar aquilo... Portanto tem que haver uma agenda para a Educação. Eu sou contra a autonomia das escolas. Isso é descentralizar a "bandalheira"!»

sábado, 20 de setembro de 2008

Carlos Reis, o professor missionário


Um grande português da estirpe dos portugueses do século XVI encontra-se em Timor desde o ano de 2000 a ajudar a reintroduzir a língua portuguesa. Foi professor de língua portuguesa contratado pelo Ministério da Educação português até o ano de 2002, não tendo sido reconduzido porque, entretando, se alteraram as regras de concurso pela tutela com o fito de afastar os docentes contestatários que fizeram algumas greves em Díli, no Bairro nº 1 da Cooperação portuguesa, por discordarem da política do ensino de portugês seguida pelos senhores da então Missão Portuguesa.

Regressou a Timor, por sua conta e risco, em finais de Agosto de 2002, passando a residir em Manatuto como um qualquer timorense, partilhando com eles todas as dificuldades e contrariedades da vida. Nesta vila, fundou a única biblioteca existente com a contribuição de particulares em livros e em outros materiais didácticos. Promove nas instalações da biblioteca eventos ligados à difusão da língua portuguesa e dá aulas de português a jovens e crianças.

Todas estas louváveis actividades não foram (são?) apoiadas pela Embaixada Portuguesa de Díli.

Um à parte: Os medíocres, quando ocupam cargos em que podem decidir, detestam o mérito, têm inveja dos bons e mordem a canela dos melhores.

Conhecendo o bom trabalho desenvolvido por este grande português, o então chefe do Departamento de Língua Portuguesa, da Faculdade de Ciências da Educação, Universidade Nacional de Timor Lorosa'e, propôs, em documento escrito, ao Instituto Camões contratá-lo para leccionar no Curso de Licenciatura de Língua Portuguesa e Culturas Lusófonas. Houve alguma renitência em convidá-lo, mas ao fim de alguns meses de meditação e reflexão (e feito o exame de consciência) decidiu, em Novembro de 2004, contratá-lo. E em Agosto deste ano de 2008, a actual chefe do Departamento de Língua Portuguesa / Instituto Camões propôs a sua não recondução, ou melhor, propôs o seu despedimento, embora o leitorado continuar a necessitar de um docente para leccionar a cadeira de Língua Portuguesa, Gestão Escolar e outras então a cargo deste professor. É incompreensível!

Apesar de tudo este professor continua em Timor.

Está agora a trabalhar num grande projecto para o re-implantação de língua portuguesa em Timor: fundar uma escola exclusivamente leccionada em português desde o ensino primário. A começar com uma turma. Com um único professor. E com a prata da casa: ele próprio, Carlos Reis. Numas instalações incendiadas pelos indonésios em 1999, que vão ser arranjadas com o dinheiro do seu próprio bolso, suas magras economias.

Faço um apelo aos meus leitores (professores, arquitectos, autarcas e outros profissionais) para ajudarem a erguer a projectada escola, dentro das suas possibilidades.

Deixo aqui o seu contacto:

Viva a Língua Portuguesa.

Abaixo os medíocres e prepotentes.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Ensino de primeiros socorros no 9º ano

CDS propõe ao Governo ensino dos primeiros socorros no 9º ano

O CDS-PP propôs ao Governo o ensino obrigatório de primeiros socorros no 9º ano de escolaridade, visando assegurar que a médio/longo prazo a maioria da população esteja apta a prestar aqueles cuidados em caso de emergência.

O projecto de resolução, entregue na semana passada na Assembleia da República e hoje divulgado, prevê que a formação em "Suporte Básico de Vida" tenha uma duração de 10 horas no 9º ano de escolaridade, a iniciar no ano lectivo de 2009/2010.

"O CDS-PP entende que a forma mais eficaz de, a médio/longo prazo, ter a grande maioria da população suficientemente informada e apta a prestar cuidados de Suporte Básico de Vida, é introduzindo nas escolas cursos de formação nesta área, nomeadamente dirigidos aos jovens do 3º ciclo do Ensino Básico", assinala o diploma.

"O socorro prestado nos primeiros minutos, logo após o incidente, é o que melhor garante uma redução, ou mesmo eliminação, de sequelas que a vítima possa vir a sofrer. Assim, a formação da pessoa que presta esse primeiro socorro pode ser decisiva para a vítima", salienta o CDS-PP no projecto.

No preâmbulo do diploma, os deputados democrata-cristãos consideram que a medida será "também importante em termos pedagógicos". O CDS-PP sublinha que "cerca de 70 por cento das chamadas recebidas pelo INEM são falsas, brincadeiras de crianças, o que demonstra que elas não estão sensibilizadas para a gravidade" daquele tipo de brincadeiras.

O CDS-PP propôs que aquela formação seja ministrada através de parcerias com instituições como o INEM, a Cruz Vermelha Portuguesa, a Associação Portuguesa de Bombeiros Voluntários, a Associação Nacional de Bombeiros Profissionais ou o Conselho Português de Ressuscitação.

Público/Lusa, 29-06-2008

segunda-feira, 23 de junho de 2008

As crianças sobredotadas e a escola

RICARDO MONTEIRO: «Desperdiçar talentos é a pior heresia que se pode cometer.»

Presidente do Conselho Pedagógico da Universidade da Criança fala ao Destak das limitações que as crianças sobredotadas enfrentam no nosso país e da nova escola-piloto que será criada este ano.

Patrícia Susano Ferreira pferreira@destak.pt

Como são as crianças sobredotadas?

Há sobredotados que parecem ter tudo sem esforço, há outros que se desenvolvem tardiamente e, outros ainda, que nunca tiveram qualquer oportunidade, ou que não puderam desenvolver o seu potencial. Muitos sobredotados transformaram-se em especialistas ou em adultos extraordinariamente criativos; outros não se destacam, na sua actividade profissional, dos restantes adultos com dotação média. Os factores que facilitam um desenvolvimento positivo dos sobredotados são, por exemplo, um ambiente em que haja amor e desafios nos primeiros anos, um estímulo precoce, adequado e direccionado, modelos, estabelecimento de objectivos, confiança nas próprias capacidades ou a aquisição de conhecimentos, incluindo os técnicos, necessários para o desenvolvimento profissional. Resumindo, podemos afirmar que os sobredotados passam por um desenvolvimento emocional normal e, no geral, não correm mais riscos do que os normalmente dotados. Contudo, há particularidades que, em determinadas circunstâncias, exigem uma atenção especial.

Que características é que permitem aos pais saberem se o filho é sobredotado?

Entre as características típicas destas crianças destacam-se as de aprendizagem e de raciocínio, a atitude perante o trabalho e os interesses, e o comportamento social. Dentro destas destacam-se, por exemplo, os conhecimentos profundos em algumas áreas, o vocabulário invulgar para a idade e o discurso expressivo; mas também o tédio perante tarefas de rotina, o perfeccionismo e a crítica; e ainda a preocupação com termos como justo/injusto, bom/mau e a prontidão de se rebelar contra as autoridades, por exemplo.

Quantas crianças sobredotadas é que existem em Portugal e quantas destas estão identificadas?

Não existe resposta concreta para nenhuma das perguntas. Estima-se que existam entre 35 mil e 50 mil crianças e jovens sobredotados em Portugal. Poucos são detectados porque não existe por parte do sistema escolar um processo que os identifique e proteja, ao contrário do que se passa com os alunos com incapacidades. Há falta de legislação e também de sensibilização por parte dos agentes de ensino. Alguns indicadores mundiais revelam que apenas 0,1% da população mundial tem QI muito acima de 200 e pertence a uma classe extraordinária de sobredotados. Aproximadamente dois terços (68%) da população atingem um QI de 85 a 115, podendo esta faixa ser designada por média de inteligência. Os desempenhos extremamente baixos ou extremamente altos são raros em igual medida: contudo, cerca de 2% da população tem um QI muito baixo (inferior a 70) ou muito alto (superior a 130).

O que pode acontecer se uma criança não for identificada e acompanhada?

O talento na escola exibe e explicita nos estudantes a capacidade de entender e aprender. Todos os professores agradecem a chegada de crianças talentosas pois as suas actividades intelectuais coincidem com o plano de desenvolvimento curricular previsto. Mas em algumas oportunidades existem alguns alunos cujas condições excepcionais provocam incertezas e também dificuldades na tarefa do ensino. Neste contexto, muitos dos alunos sobredotados e talentosos não identificados são “catalogados” como imaturos socialmente e emocionalmente. Assim, tem-se constatado que uma educação que não se esforce por se adaptar a tais condições pessoais pode provocar desinteresse pelos estudos e desmotivação geral já que os procedimentos pedagógicos utilizados na aula geralmente não são os adequados à rapidez de raciocínio e capacidade de abstracção. No entanto, ante estes questionamentos vale perguntar-se: - o que entendemos quando mencionamos os sujeitos sobredotados e talentosos? A “sobredotação” é uma capacidade geral composta de factores intelectuais significativamente mais altos que o grupo médio e o “talento” é considerado como uma capacidade particular em um determinado aspecto cognitivo ou destreza. A estas características somam-se factores não intelectuais (dedicação, força pessoal, vontade de fazer sacrifícios) e factores ambientais (ressonância positiva familiar e escolar). As potencialidades destas crianças podem declinar se carecerem de apoio cultural e familiar já que ambos são factores decisivos para seu desenvolvimento integral. Conhecendo esta realidade, devemos assumir o desafio de construir uma educação diferente, encaminhada à flexibilização e intervenção escolar destas crianças e jovens. Há muitos professores, por exemplo, que resistem à sobredotação como se ela fosse uma crença e não uma realidade palpável da sociedade humana. E ao resistirem dessa forma causam problemas aos alunos com altas capacidades rejeitando-os, ignorando-os e não lhes dando a atenção necessária ao pleno aproveitamento das suas potencialidades. Desperdiçar talentos é a pior heresia que um País pode cometer. Torna-se, portanto, necessário procurar uma definição para a sobredotação que possibilite uma intervenção educativa bem sucedida, quer no que diz respeito à criação de condições para a expressão e desenvolvimento de qualidades excepcionais, quer para a resolução de eventuais situações educativas problemáticas relativamente a estes alunos.

Quais as grandes limitações destas crianças no nosso país?

Um número considerável de crianças sobredotadas são descobertas na escola. A escola é a área da vida onde o sobredotado pode apresentar o melhor ajuste ou o pior desajuste. Tanto a sua capacidade superior pode ajudar-lhe nos estudos e contribuir para um desempenho excepcionalmente bom, como a mesma capacidade pode levar ao tédio, aborrecimento ou rebeldia capazes de provocar desempenho insatisfatório. Além disso, as dificuldades tendem a surgir devido ao facto do sobredotado ser um indivíduo excepcionalmente inteligente mergulhado num mundo de pessoas com intelecto médio - facto este que pode gerar uma série de dificuldades de adaptação. Por exemplo, o aproveitamento do tempo: uma criança de QI 140 aproveita apenas 50% de uma aula comum, sendo o resto, para ela, desinteressante; e uma criança com um Q.I. 170 (muito sobredotada) praticamente nada aproveita das aulas normais. Temos também a hostilidade dos colegas, porque estas crianças são frequentemente encaradas como uma ameaça pelos companheiros, pois, elas pode fazer com que os padrões de trabalho da turma passem a ser mais rigorosos e o professor passe a esperar mais de seus alunos. Como consequência, o sobredotado muitas vezes acomoda-se, já que os desafios propostos pela escola estão muito abaixo da sua capacidade, produzindo muito menos do que é capaz simplesmente por não estar estimulado. Por outras palavras, o seu desenvolvimento é bloqueado e, caso não conte com pais que o estimulem e pessoas que o persuadam a, por si só, empenhar-se mais a fundo, fora da escola, no mundo dos conhecimentos e das práticas correspondentes à sua dotação, o sobredotado procurará realizar rapidamente os deveres escolares e desperdiçar a quase totalidade do seu tempo em simples recreação inconsequente. Sendo as suas necessidades e características psicológicas relevantemente diferentes das dos alunos em geral, estes alunos precisam de um atendimento educacional também diferenciado, ou seja, preparado para dar-lhes o tratamento adequado. Atendimento diferenciado que não existe no nosso País, sendo esta certamente a maior limitação destas crianças no nosso País.

A criação de uma escola especializada não os pode afastar demasiado da realidade e da esfera dos relacionamentos com pessoas ditas ‘normais’?

Quem quer ter aquilo que nunca teve, tem de estar pronto para fazer aquilo que nunca fez. É preciso iniciar uma verdadeira revolução educacional. Precisamos de uma escola que respeite as necessidades especiais de uma criança com altas habilidades e elevados potenciais e que invista na qualidade de ensino. O que é normal deixa de ser normal. O que é cinzento passa a ser colorido. Aqueles que estão de costas para o futuro, realinham-se com a inteligência e deixam de ser reféns do sistema de ensino em agonia que temos. Parafraseando o Dr. Nelson Lima podemos dizer que aumentaram as horas de presença dos alunos nas escolas, aumentaram o número de matérias e aumentaram, na verdade, os problemas. Ou seja, temos mais escola, o que não significa melhor escola. Urge uma escola inclusiva diferente para todas as crianças. Vivemos numa época completamente diferente daquela em que a escola actual foi criada. Por causa disso, o ensino massificou-se em demasia, adensou-se, está obsoleto e não tem em conta as necessidades efectivas da sociedade contemporânea. Não basta encher as escolas de computadores para desde logo se acreditar que a escola modernizou-se. Pode modernizar-se nos equipamentos mas continua desfasada da sociedade em que agora vivemos. A inteligência das nossas crianças está a ser castrada e é por isso que aumenta o insucesso escolar. Acima de tudo as crianças e os jovens sobredotados sentem que a escola não lhes favorece o pleno desenvolvimento das suas potencialidades. A formação dos professores tem sido exígua, pouco humanista e assenta sobre métodos pedagógicos em geral obsoletos. Muitos professores têm-me confessado que não sabem nada sobre "inteligências múltiplas", "estilos cognitivos", "mapas mentais", "sobredotados"e tantas coisas mais que são hoje em dia fundamentais para um ensino ajustado aos novos tempos. Se nos guiarmos pelo já dito atrás, que cerca de 2 % da população escolar tem um QI de 130 ou superior, então significará, p. ex., que numa cidade grande, que tenha cerca de 35.000 alunos da escola primária, pelo menos, aproximadamente 700 deles seriam intelectualmente sobredotados. Assim, não é de admirar que muitos professores, no decurso da sua actividade profissional, tenham já tido experiências com alunos sobredotados. Normalmente, chamam-lhes a atenção os alunos com excelentes desempenhos. Conhecem crianças recém-chegadas à escola que vêm para a primeira classe com muita experiência na leitura ou outras que já dominam as quatro operações aritméticas básicas, ou seja, todo o programa de matemática da escola primária, e que se aborrecem de morte enquanto os colegas aprendem a soletrar ou a somar. Conhecem jovens que adquiriram, por eles mesmos, conhecimentos vastos e fundados sobre determinadas disciplinas, p. ex. informática ou línguas estrangeiras. Uma escola especializada em sobredotação beneficia todos os alunos. Sobredotados ou não. Beneficia todo o sistema educativo e aumenta a qualidade de vida de qualquer escola.

Acredita que este projecto para a escola-piloto em Portimão possa arrancar ainda este ano lectivo?

Sim acredito. Acredito nas capacidades do staff da Universidade da Criança e do Instituto da Inteligência. Acredito que a inteligência é uma vencedora nata. Tudo é uma questão de tempo. Plantemos com sabedoria, para colhermos com paciência. Estes são os ensinamentos da Escola da Vida e acredito também que o bom senso das entidades envolvidas irá prevalecer. Autarquia e Ministério da Educação são dois agentes importantes no processo de licenciamento deste equipamento, que podem fazer parte da solução, ou do problema. Esperemos que façam parte da solução e assim em Setembro de 2008 estaremos a funcionar.

O projecto pode estar em risco e a burocracia é um dos motivos que apontam, assim como a incompreensão do Ministério da Educação. Que tipo de entraves é que o ministério está a colocar?

O Ministério da Educação analisa todas as pretensões. Públicas e privadas. Mas nem sempre tem resposta para tudo, nem para todos. Vive dias difíceis. Carrega feridas mal saradas de um sistema de ensino de eficácia questionável e “tutela” liberdades essenciais consagradas na constituição da República Portuguesa (...)

O que não podemos aceitar é que se desperdice um vasto leque de conhecimentos, como tem geralmente acontecido, e que revela uma incúria grave dos poderes públicos. Nos tempos que vivemos o Ministério da Educação não deveria insistir em continuar a desperdiçar esse manancial de conhecimentos, nem a força da iniciativa privada... Investindo menos na burocracia... e apostando mais nas sinergias globais e estratégicas entre o sector público e privado. O ensino particular com as suas inovações na área do ensino não pode ser castigado pela falta da igualdade de tratamento. Esperamos ansiosos pelo dia em que as escolas particulares e as escolas públicas “passem pela mesma peneira”... Ou até quando é que vamos tapar o sol com a dita peneira?

Quantos alunos é que vão ser beneficiados e de quanto será o investimento?

Este projecto beneficia directamente 40 a 45 alunos do 1.º ano, do 1.º Ciclo do Ensino Básico. De uma forma indirecta são acompanhadas aproximadamente uma centena de crianças, dos 6 aos 10 anos, da região algarvia. São formados Professores e educadores na àrea da “Pedagogia da Sobredotação” através de workshops e cursos de especiliazação. O investimento nesta primeira fase está estimado em meio milhão de euros até Setembro de 2008 para os projectos Leonardo da Vinci e Albert Einstein da Universidade da Criança. E cria aproximadamente 30 lugares de trabalho directos e indirectos...

Se o projecto for para Espanha, será uma grande perda para o nosso país e um desrespeito para a inteligência?

Seria triste e seria uma perda. Seria triste não poder “fazer o milagre na própria terra”. E seria uma perda. Sim, seria uma perda. Seria uma perda de esperança para muitos corações felizes e outras tantas mentes brilhantes, seria uma perda porque pequenas luzes se apagariam lentamente e seria uma perda porque outras tantas vozes deixariam de cantar no palco superior da inteligência humana... E seria sim um grande desrespeito para a inteligência porque deixaríamos de formar pensadores, líderes no teatro social e no teatro psíquico, empreendedores que desenvolvessem hábitos de profissionais excelentes, pensadores com uma consciência humanística e ecológica, seres humanos sem fronteiras que soubessem colocar-se no lugar dos outros e seres humanos que aprendesse a ser autores da sua própria história. Seria sim um grande desrespeito à inteligência...

DESTAK, 23-06-2008

A violência nas escolas

«A qualidade dos espaços pode evitar a violência nas escolas»

Especialistas de todo o mundo reúnem[-se], a partir de hoje, na Fundação Gulbenkian para discutir a violência escolar. Um fenómeno que está longe de se limitar a Portugal, como explica ao Destak Carlos Neto.

Professor catedrático, além de ter investigado o bullying nos recreios e de pertencer a um projecto internacional de combate à violência na escola, é um dos coordenadores deste congresso.

ISABEL STILWELL editorial@destak.pt

A violência na escola é transversal ao mundo. Qual diria ser o seu denominador comum?

O problema da violência escolar é complexo, multidimensional e afecta os sistemas educativos em todos os países e culturas. Não é um problema novo, mas temos hoje melhores condições para o estudar. Por outro lado, as mudanças ocorridas na família e na comunidade trouxeram novos problemas para dentro da escola, implicando boas práticas e dimensões diferentes de encarar a gestão das instituições e do acto educativo.

Acaba por ser apenas uma continuação da violência na sociedade, nomeadamente nas famílias?

Essa relação é evidente, mas não exclusiva. Muitos outros factores podem explicar o fenómeno, como a degradação do projecto educativo nas escolas, ausência de referências de autoridade, aparecimento de novas tecnologias, processos de socialização, etc. A violência na escola apresenta contornos específicos em função de características sociais e culturais de cada região, de cada escola e dos alunos, docentes e funcionários.

Há escolas que, pela sua organização interna, favorecem a violência escolar? Quais diriam ser os três principais sinais de perigo?

Estou convencido que sim. Apontaria em primeiro lugar as características físicas e arquitetónicas das escolas em relação à qualidade e conforto de espaços formais e informais, em segundo lugar a qualidade do projecto pedagógico de cada escola em paralelo com uma boa supervisão dos alunos e finalmente a existência de projectos de intervenção centrados na diminuição da violência (vítimas e agressores). Existem já por todo o mundo bons projectos anti-violência e anti-bullying no meio escolar.

A relação com a comunidade parece influenciar o grau de violência na escolas. Em Portugal, a comunidade vê a escola como amiga ou inimiga?

Na maior parte dos casos a comunidade não vê a escola nem como amiga, nem como inimiga. Tem uma atitude indiferente. Essa atitude mental tem criado um distanciamento progressivo, que não facilita a resolução dos problemas. A indiferença e ausência de participação da comunidade nos problemas da escola não tem contribuído para o reforço da estrutura identitária da escola.

Que papel pode ter o desporto na prevenção?

Por princípio, a actividade física e o desporto tem um papel fundamental para a criação de dinâmicas muito positivas de prevenção da violência (solidariedade, fair-play, convivência, auto-estima, etc.). A investigação tem demonstrado que a prática da actividade física e desporto, principalmente em crianças e jovens, é uma das formas mais robustas de prevenção da violência escolar.

Concorda que é basicamente um problema de falta de autoridade?

Não tenho a convicção de que seja apenas um problema de falta de autoridade. A confluência de novas realidades sociais e culturais na vida quotidiana da família e da comunidade leva-nos a pensar que este fenómeno deve ser abordado numa perspectiva ecológica e transversal. Múltiplos factores estão a contribuir para este fenómeno e as soluções não podem ser milagrosas. São necessárias políticas públicas.

Há 'directores' que conseguem fazer a diferença?

Com certeza que sim. Depende da competência, de bons projectos de gestão financeira e pedagógica. Da capacidade de desenvolver um clima saudável, que leve os alunos a gostarem de ir e estar na escola para aprenderem com os professores e conviverem com os amigos.

Os pais não são suficientemente responsabilizados pelo mau comportamento dos filhos?

Em muitos casos é verdade. O comportamento parental sobre a actividade escolar dos filhos é muito variável. Penso que deveriam ser repensadas as formas de participação dos pais e principalmente o valor excessivo que se pretende dar ao rendimento escolar (excelência a qualquer preço), em detrimento do prazer de aprender e de aprender a pensar em situações formais e informais.

DESTAK, 23-06-2008

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS

Recebi este texto via e-correio (e-mail) e transcrevi-o neste blogue para partilhar convoco.

A DERROTA DAS MAIORIAS

O governo governa com a maioria e não com as manifestações da Rua, diz o Sr. Primeiro Ministro. É verdade, se o PS não tivesse a maioria, o Governo nunca teria tido a coragem de insultar os professores, nem de aprovar o novo estatuto da carreira docente, que é um insulto a quem presta tão nobre serviço à Nação. Já foi votada no Parlamento por três vezes a suspensão do novo estatuto da carreira docente e das três o PS votou contra suspensão.

As maiorias só favorecem os poderosos, as classes trabalhadoras que produzem riqueza saem sempre a perder. É fácil para quem tem vencimentos chorudos vir à televisão pedir para que apertemos o cinto.

Colegas, chegou o momento de ajustar contas com o PS. Se este partido tivesse menos de 1% do votos expressos nas últimas eleições, não teria a maioria e nunca teria tido a coragem de promover esta enorme afronta aos professores. Somos 150.000, o equivalente a 3% dos votos nacionais expressos. Se nas próximas eleições, que são dentro de um ano, todos os professores votarem em massa em todos os partidos excepto no PS, este partido nunca mais volta a ter a maioria e será a oportunidade soberana de devolver ao Sr. Sócrates as amêndoas amargas que ofereceu aos professores.

Colegas, quem foi capaz de ir do Minho, Trás-os-Montes, Algarve, Madeira e Açores a Lisboa, também consegue nas próximas legislativas dirigir-se à sua assembleia de voto e votar a derrota do PS.

Em Portugal há partidos para todos os gostos, quer à direita quer à esquerda do PS, é só escolher, maiorias nunca mais.

Os professores, para além de terem a capacidade de retirarem a maioria ao PS, têm a capacidade de o derrotar, basta para isso que os professores convençam metade dos maridos ou mulheres, metade dos seus filhos maiores, metade dos seus pais e um vizinho a não votar PS, e já são mais de 500.000, foram os votos que o PS teve a mais que a oposição.

Os professores estão pela primeira vez unidos, esta união é para continuar, e têm uma ferramenta poderosa ao seu alcance, a Internet, que nos põe em contacto permanente uns com os outros.

Senão vejamos, esta mensagem vai ser enviada a cinco colegas. Se cada um dos colegas enviar a mais cinco dá 25. Se estes enviarem a mais cinco dá 125. Se estes enviarem a mais cinco dá 625. Se estes enviarem a mais cinco dá 3.125. Se estes enviarem a mais cinco dá 15.625. Se estes enviarem a mais cinco dá 78.125. se este enviarem a mais cinco dá 390.625, isto é, o dobro dos professores que há em Portugal. À sétima vez que esta mensagem for reenviada todos os colegas ficarão a saber a informação que ela contém.

Começou oficialmente a campanha eleitoral dos professores contra o PS:

'VOTA À DIREITA OU À ESQUERDA! NÃO VOTES PS!

sábado, 7 de junho de 2008

NEE - Necessidades Educativas Especiais

Educação Especial: Todas as crianças que necessitem terão apoio, garante Valter Lemos

Lisboa, 07 Jun (Lusa) - O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, garantiu hoje que todas as crianças com necessidades especiais terão apoios, negando que o Ministério da Educação tenha estabelecido metas para o número de alunos a apoiar.

"Não há metas. Todas as crianças que estiverem sinalizadas nos apoios educativos terão apoio. O que interessa é o apoio que cada criança precisa relativamente à sua dificuldade e não o número total de crianças apoiadas. Serão todas as que precisarem de apoio", disse Valter Lemos.

O secretário de Estado da Educação falava aos jornalistas à margem de um encontro internacional sobre educação especial que juntou hoje em Lisboa 1.700 especialistas, professores e técnicos portugueses e estrangeiros desta área.

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) estimou sexta-feira que cerca de 60 por cento dos alunos com necessidades especiais deixarão de ter apoio já no próximo ano lectivo, na sequência das alterações legislativas introduzidas pelo Governo.

No âmbito da reforma da Educação Especial, publicada em Janeiro, as crianças e jovens com direito a apoio passam a ser sinalizadas através da Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF), um instrumento da Organização Mundial de Saúde que tem levantado polémica.

Escusando-se a avançar quantos serão os alunos que contarão com apoios após a aplicação dos critérios de sinalização da CIF, Valter Lemos sublinhou que a CIF vem dar "maior consistência" à definição dos apoios para as crianças, lembrando que não existia em Portugal qualquer instrumento do género.

O que, segundo o secretário de Estado, levava a situações como ter um professor de língua gestual numa turma de alunos só porque eram de etnia cigana.

Dados do Ministério da Educação dão conta da existência de 49.877 alunos sinalizados nas escolas de ensino regular como tendo necessidades especiais, prevendo-se que após a aplicação da CIF o número de alunos sinalizados se situe nos 23 mil.

Durante a sua intervenção na sessão de abertura do encontro, o secretário de Estado lembrou a reforma que está a ser feita na educação especial, com medidas como a criação de quadros de educação especial nos agrupamentos e de estruturas de referência.

Manifestou ainda a convicção de que em 2013 haverá em Portugal "uma verdadeira escola inclusiva", uma afirmação que provocou uma gargalhada na plateia, constituída maioritariamente por docentes de educação especial.

Aos jornalistas, Valter Lemos disse compreender a reacção dos professores, afirmando que ela é justificada pela história de falta de consistência nas reformas da educação em Portugal.

"É a incredulidade normal de um país que se habituou a não ser consistente nas opções que faz. Percebo perfeitamente a reacção dos professores, percebo que haja alguma incredulidade quando se está habituado a tanta inconsistência", disse.

Acrescentou que revela "desconfiança em relação à história das reformas da educação em Portugal" e não às políticas deste Governo.

CFF

Lusa/Fim

RTP Online, 7-06-2008

terça-feira, 27 de maio de 2008

Programa "Escola Segura"

PSP reforça fiscalização nas escolas até final do ano lectivo

A PSP vai reforçar a fiscalização junto das escolas a partir de hoje e até ao final do ano lectivo, numa operação de prevenção criminal em que pretende também transmitir aos jovens os cuidados que devem adoptar. Em comunicado, a PSP anuncia o início da operação de segurança junto dos estabelecimentos de ensino de todo o país, que se prolongará até ao final do ano lectivo, dia 20 de Junho.

A operação, enquadrada no programa "Escola Segura", irá reforçar o policiamento, a fiscalização rodoviária e de estabelecimentos comerciais nas imediações das escolas "num período do ano lectivo crucial para o normal funcionamento das actividades de ensino". As operações vão realizar-se em todo o Continente, bem como nas Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.

Entre os conselhos aos alunos, a Polícia de Segurança Pública (PSP) recomenda que evitem mostrar dinheiro e artigos de valor, como telemóveis, jogos electrónicos ou leitores de CD, nos percursos de casa para a escola para minimizar o risco de assaltos. Aconselha ainda que se desloquem em grupo, evitando andar sozinhos, que não brinquem ou passeiem em zonas pouco movimentadas e que não ofereçam resistência em caso de assalto ou ameaça.

Aos pais e encarregados de educação, a PSP pede que não deixem os filhos levar para casa colegas que não conhecem muito bem. Em parceria com os conselhos executivos, associações de pais e autarquias, a PSP vai ainda realizar várias acções de sensibilização nas escolas, com a participação de alunos, pais, professores e elementos policiais.

Lusa/Público online, 27-05-2008

Indisciplina e violência nas escolas 1

Relativamente à indisciplina que grassa nas nossas escolas básicas e secundárias, Medina Carreira afirmou ontem, no programa de Fátima Campos Ferreira, RTP1, que nem um catedrático consegue, hoje em dia, dar aulas numa escola básica ou secundária.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Aprovado diploma de avaliação de professores

O Governo aprovou esta quinta-feira, em Conselho de Ministros, o novo decreto sobre avaliação de professores, que consagra o entendimento assinado quinta-feira passada entre o Ministério da Educação e sindicatos de professores. O novo sistema entrará em vigor, ainda este ano lectivo, para cerca de 7 mil professores.

O novo decreto não revoga o antigo, mas introduz normas transitórias, na sequência do entendimento entre as duas partes.

A avaliação docente, simplificada e aplicada de forma universal, terá em conta quatro factores: ficha de auto-avaliação, assiduidade, cumprimento do serviço distribuído e participação em acções de formação. Quanto às classificações, “regular” e “insuficiente” terão de ser confirmadas em nova avaliação no ano lectivo seguinte.

O decreto irá ainda criar uma comissão paritária, formada pela administração educativa e um representante de cada estrutura sindical, que irá supervisionar a aplicação do decreto e formular possíveis alterações.

Correia da Manhã, 24/04/2008

sábado, 19 de abril de 2008

Carolina Michaëlis: finalmente solucionado

Alunos do liceu Carolina Michaelis "estão mais responsáveis", diz presidente do Conselho Directivo

A presidente do Conselho Executivo da Carolina Michaelis, Carla Duarte, afirmou hoje que os alunos daquela escola secundária do Porto estão mais responsáveis."Eu acho que eles até se sentem mais responsabilizados, no que toca a cumprir o regulamento interno, sobretudo os alunos mais velhos já não prevaricam. Serviu de exemplo", afirmou a responsável em declarações ao Porto Canal.

O caso remonta ao último dia de aulas, antes das férias da Páscoa, quando a docente de Francês do 9ºC foi alegadamente vítima de violência física e verbal por parte de uma aluna, que já foi transferida de escola. O colega que filmou a cena e a colocou na Internet foi também transferido de escola. Um outro aluno, da mesma turma, que impediu a ajuda à professora foi suspenso por dois dias. Os restantes elementos do 9ºC estão a ter aulas de formação cívica, em horas extra ao horário escolar. Nesse período efectuam trabalhos sobre o regulamento interno da escola que depois serão debatidos e analisados pelos alunos de todas as turmas do Carolina Michaelis.

A professora maltratada, que se encontra de baixa médica, já formalizou uma queixa judicial contra a alegada agressora e duas contra os restantes alunos da turma.

Na entrevista de hoje, Carla Duarte recordou que os telemóveis sempre foram proibidos, nas salas de aula do Carolina Michaelis, e sustentou que "eram sempre apreendidos e entregues aos pais". "Desde os incidentes no 9ºC a atitude dos pais mudou", reconheceu a responsável. Carla Duarte sustenta que "os pais estão muito mais preocupados". "Já temos a proibição dos telemóveis, nas salas de aula, regulamentada há vários anos. Agora, quando os pais são chamados para recolher os que são apreendidos, têm consciência do perigo que é usá-los numa sala de aula", frisou a responsável.

Sobre a protagonista do incidente Carla Duarte revelou que "ela veio para esta escola por opção dos pais". "Os pais quiseram tirar a Patrícia da escola onde estava. Ela não veio por problemas disciplinares", sustentou. "Não havia qualquer referência ao comportamento dela, até ao 8º ano era uma aluna brilhante", salientou a responsável, admitindo, no entanto, que nesta fase a aluna "estava mais revoltada". Carla Duarte admitiu, todavia, que "nada levava a crer que ela pudesse ter uma atitude daquelas". "A Patrícia já tinha sido apanhada mais do que uma vez com o telemóvel, sem reagir de forma tão incorrecta", afirmou.

Carla Duarte revelou ainda que a escola "já voltou à normalidade". Sustentou também que "ao contrário do que se disse, no 9º C não há uma concentração de casos problemáticos".

Lusa/Público Online, 18/04/2008
______________________________

Comentário dos leitores do Público Online sobre o artigo

18.04.2008 - 15h26 - Escola pública, Portugal
Diz a presidente do conselho executivo que esta aluna era "brilhante, a viver uma fase complicada"! Típico comentário de um administrativo-burocrata que não dá aulas, mas está à frente de uma escola! Se o assunto não se tivesse tornado público a desgraçada da professora é que seria a responsável pela atitude da aluna e, a esta, nada aconteceria. A professora, se revelasse a ocorrência, ou se a aluna se queixasse desta lhe tirar o telemóvel, seria incomodada, interpelada, provavellmente à porta fechada, estilo inquisição, numa reunião, com a presidente do conselho executivo, da qual sairia uma acta intimidatória,na melhor das hipóteses, arquivada no seu processo ou algures em ficheiros secretos do conselho executivo.Em certos casos, seria a professora a ter um processo disciplinar. Portugueses, acordem, é urgente restituir a dignidade perdida aos verdadeiros professores e responsabilizar aqueles que contribuiram para o caos em que se encontra a escola pública: - Ministério da educação - Inspecção do ensino - Conselhos executivos .

18.04.2008 - 09h19 - Anónimo, Lisboa
Como se pode esperar melhor dos adolescentes de quinze anos quando assistem às seis da tarde a novelas de péssima qualidade e nada pedagógicas que apresentam jovens a fumar charros e "enrolados" na cama, os tais "Morangos com açúcar". Os orgãos de comunicação social deveriam ter a preocupação com produtos cujo público é adolescente e tentar ser pedagógicos.

18.04.2008 - 09h11 - Anónimo, Lisboa
Sinceramente se a aluna era assim "tão brilhante" (sendo atípico alunos brilhantes e menos brilhantes terem esse tipo de reacções: recusar-se a cumprir uma indicação tratando a professora aos berros e por tu) e se foi um acto isolado, então o castigo foi desproporcionado e a aluna precisa de tratamento especializado adequado, há aqui um desequilíbrio, pois também a sua atitude foi desproporcionada. Foi também desproporcionada a diferença entre os castigos aplicados aos dois alunos transferidos e os outros colegas que se comportaram como se estivessem num espectáculo de "wrestling". Por fim, o episódio mostrou que as pessoas (incluo aqui as direcções regionais, governantes, pais...) só ligam ao que veêm na TV, o que mostra que mais do que desrespeito pelos professores, existe desrespeito pela escola como instituição. Há casos tão graves ou ainda mais graves de alunos com um longo historial de indisciplina nas escolas que não aparecem na TV e, por conseguinte, não são tratados de forma tão rápida e com tanta eficácia. Para mim, a palavra que resume tudo isto é "desproporção". Uma episódio de telenovelas da TVI, um mau exemplo. Mas ao menos transformemos o limão numa limonada...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Ressaca de Carolina Micaëlis 2

A DREN - Direcção Regional da Educação do Norte fez sair uma directiva expressamente para a Escola Secundária de Carolina Michaëlis proibindo telemóveis ligados nas salas de aula. E quem for apanhado com telemóvel ligado no referido espaço escolar é-lhe apreendido o aparelho e doado a uma instituição de soliadariedade social.

E as outras escolas não têm também casos de muito grave indisciplina por uso de telemóveis na sala de aula?

Ou, o que não é visto (por não ter sido filmado e posto na youtub) não existe ou nunca existitu?

terça-feira, 25 de março de 2008

Valter Lemos e a violência nas escolas

PGR pediu mais autoridade para os professores

Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado


25.03.2008 - 14h21 PÚBLICO


O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas. As declarações do responsável vêm no seguimento do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, citado pelo "Diário Económico", ter pedido mais autoridade para os professores.

Valter Lemos sustentou a sua opinião com os dados do programa “Escola Segura” que foram recebidos pelo ministério e onde os comandantes da polícia garantem que os problemas são “importados de fora” e que o ministério está a agir na resolução desta situação.

O responsável informou ainda que o Ministério da Educação tem “programas especiais do ponto de vista da segurança externa através do ‘Escola Segura’ e do ponto de vista da segurança interna através de mecanismos internos de ocupação de alunos e de reforço dos meios de apoio aos professores”.

O secretário de Estado referiu, também, na contratação de monitores e mediadores para apoio aos docentes “para tentar obviar dentro aquilo que é a importação de fora”. Valter Lemos garantiu desconhecer outros casos de violência e afirmou que não existe qualquer contacto por parte da Procuradoria-Geral ou do Ministério Público sobre questões de violência interna nas escolas.

PGR quer mais autoridade para os professores

Pinto Monteiro mostrou-se ontem contra o “sentimento de impunidade” que se vive nas escolas portuguesas e pediu mais autoridade para os professores, na sequência do caso de agressão passado na escola Carolina Michaelis, no Porto.

“Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas o que raras vezes tem acontecido”, sublinhou o PGR, em declarações ao “Diário Económico”.

O procurador explicou ainda que nalgumas escolas se formam “pequenos gangs que depois transitam para gangs de bairro, armados e perigosos”, funcionando a violência escolas como “embrião” para níveis mais graves de criminalidade.

Esta não é a primeira vez que o PGR se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas.

Público On line, 25/3/2008
______________________________________
Comentário de um leitor:
mais valia disse...
É uma pena que o Sr Secretario de Estado esteja novamente a fazer politica para o partido que representa em vez de estar a governar.Governe e deixe-se de conversa mole
26 de Março de 2008 14:27

segunda-feira, 24 de março de 2008

Ainda a agressão à professora 2

“Problema de saúde pública e mental” na Carolina Michaëlis
Sara R. Oliveira 2008-03-24

Aluna que retirou à força o telemóvel da mão da professora de Francês pode ser transferida de escola, suspensa dez dias úteis ou ter uma repreensão registada.

O que pode acontecer à aluna do 9.º C da Secundária Carolina Michaëlis do Porto que a 12 de Março enfrentou a professora na aula de Francês para lhe retirar o telemóvel? À luz do novo Estatuto do Aluno há três hipóteses: transferência de escola, dez dias úteis de suspensão ou repreensão registada. O caso foi notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social do país. Um pequeno filme, captado por um telemóvel de um colega de turma e colocado no site de partilha de vídeos online Youtube, mostra a aluna a tentar tirar o telemóvel da mão da professora de Francês. A turma ri-se do episódio. "Dá-me o telemóvel já", ordena a aluna. No final, a estudante consegue reaver o telemóvel. Na quinta-feira passada, um funcionário da escola informou o EDUCARE.PT que tinha instruções para comunicar que o caso estava a ser alvo de um processo de averiguações. "A escola teve conhecimento do que se passou e está a ouvir os intervenientes", disse.

Ao EDUCARE.PT Arsélio Martins, vencedor do Prémio Professor do Ano e membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, refere que o que se passou na Carolina Michaëlis é um caso de saúde pública e mental e de valores. "É um problema de saúde pública e mental quando se reage daquela forma. A aluna teve uma reacção agressiva e desproporcionada em relação a um objecto que ninguém iria alterar. Aquela situação não é normal", afirma. "Pessoalmente, acho que alguma coisa tem de ser corrigida com certa gravidade", defende. O docente não quer fazer juízos de valor até porque, salienta, não se sabe o que se passou antes de a professora retirar o telemóvel à aluna, mas, em seu entender, há motivos para preocupações. "A violência está mais na tentativa de impedir a professora de sair da sala de aula para ser ajudada na sua demanda". "A sala transformou-se num campo de batalha, em que a professora foi impedida de sair de uma forma violenta, ficou isolada, e não pôde ampliar a sua autoridade", reforça.

Arsélio Martins destaca o papel da família no respeito pelos valores. "Neste momento, o problema da mediatização e a necessidade de aparecer em todo o lado dão origem a coisas muito estranhas". Essa mediatização, sublinha, "não é um problema de valores da escola, que não tende à mediatização". Mas é uma questão que se centra no seio da família. "É importante fazer-se um trabalho junto das pessoas, das famílias, saber que espectáculos vêem", realça.

A secundária do Porto soube do sucedido através da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e abriu, de imediato, um processo para apurar responsabilidades. A mediatização do caso já provocou várias reacções. A professora de Francês, que está no topo da carreira, optou por não prestar declarações, mas sabe-se que está perturbada com as proporções que o episódio assumiu. A aluna, em declarações ao Correio da Manhã, admitiu que tinha errado. "Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir música no telemóvel, mas o som estava baixinho", adiantou ao jornal. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lamentou o caso e o aproveitamento político da situação.

"É revoltante ver aquela professora numa situação de completa fragilidade, chega a ser impedida pelos alunos de sair da sala de aula", referiu João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) ao jornal Público. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, disse, ao mesmo jornal, que "a maior parte dos professores lida com situações desse tipo apenas com a sua intuição". "Como não existe respeito por parte do Ministério da Educação em relação aos professores, esse sentimento passa para os outros e, neste caso, para os alunos. É preciso ter muito cuidado, porque situações destas podem escalar para situações de maior violência", afirmou Abel Macedo, do Sindicato dos Professores do Norte, ao Diário Digital.

Os meios de comunicação social revelam um outro caso que aconteceu na Carolina Michaëlis em Dezembro do ano passado. Uma aluna do 10.º ano não concordou com a nota de Português e puxou os cabelos à professora num dos corredores da escola, depois de uma discussão acesa na sala e de a estudante ter abandonado a aula sem autorização. A aluna acabou por ser transferida de escola. A turma do 9.º C é apresentada como problemática e no primeiro período deste ano lectivo foram registados cerca de 40 casos de indisciplina na secundária do Porto.

"Denegridos e rebaixados pelos alunos"

No dia em que o caso era abertura em todos os telejornais, Maria Beatriz Pereira, investigadora, autora de vários livros sobre violência escolar e professora da Universidade do Minho, afirmava que o bullying, agressão continuada e sem razão aparente, está a atingir a classe docente. "Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine", dizia à Lusa, à margem do "Fórum Educação para a Saúde", organizado pela Câmara de Famalicão. "Os professores são as novas vítimas do bullying", refere a investigadora e também presidente da Comissão Directiva e Científica de Doutoramento em Estudos da Criança, salientando que "os professores têm dificuldades em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados". Os números do Observatório da Segurança em Meio Escolar revelam que em 2006/2007 houve 185 agressões participadas contra docentes em 180 dias do ano lectivo.

"A comunidade educativa tem de reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual uma equipa vai definir as regras de intervenção", defende Maria Beatriz Pereira. Nos casos que tem acompanhado, a investigadora garante que "os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos". E o que acontece? "Apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais", refere. Na sua opinião, é necessário tentar reduzir o fenómeno do bullying através da "criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir".

Há, no entanto, comentários violentos que deixam marcas. A investigadora dá alguns exemplos: "o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir" dos professores. "O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos", comentou. Dos estudos feitos, Maria Beatriz Pereira retém uma certeza. "Quanto maior é o insucesso escolar, maior é a incidência de bullying." Há estudos que o demonstram. Em 6200 alunos estudados no triénio 1995/1997, uma equipa coordenada por Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está intimamente ligado ao bullying. "Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros", comentou a docente.

"Dança ridícula de empurrões"

O episódio da escola do Porto originou milhares de comentários online. A sociedade portuguesa não ficou indiferente ao que se passou dentro das quatro paredes. Num dos fóruns do EDUCARE.PT, Leonor conta que trabalhou numa escola profissional "onde uma aluna ameaçou uma professora com uma navalha e foi expulsa da escola. (...) a paz voltou à escola e os restantes alunos não cometeram infracções". "É muito triste a situação a que chegámos. Que condições psicológicas tem aquela colega de se apresentar para trabalhar com aquela turma?", questiona. Um outro participante no fórum elogia a professora - "pois sangue frio não lhe faltou perante a situação insultuosa que vivenciou em pleno local de trabalho" - e fez dois comentários sobre a aluna e a turma. "Como essa existem muitas outras... educação é palavra inexistente no dicionário! São os pais destes meninos que vão avaliar os professores? Obrigada sr. primeiro-ministro por tamanha consideração pelos professores! Continue a ser teimoso que em breve passaremos a ter a Escola que deseja: ‘Tudo ao monte e fé em Deus!'. Ainda bem que este vídeo aparece, pois ainda há quem não acredite que esta é a Escola que temos.... Retirem-nos toda a autoridade, passem os meninos com milhentas faltas de civismo!".

Um "analista educacional" lança algumas questões. "Mas pergunto-me como é que, face a uma falência da família, da escola, da educação, etc., (aqui globalmente falando), se pode esperar ainda que os alunos, pelo menos na sua maioria, pensem e actuem como se estivessem numa situação de normalidade... Actuações como a daquela aluna são a prova provada de que se entrou literalmente na falência!". Passos Dias Aguiar Mota deixa o seu lamento: "Estou francamente triste e desiludido com o ensino. Com a educação. Com os próprios colegas, que por trás das costas se vão rindo destas coisas". E um professor contratado escreve: "Uma palavra de apreço para a colega visada no vídeo que incorporou a pele de todos os professores que sentem a decadência da indisciplina nas escolas".

"Ser professor não é para quem quer nem para quem pode, é para quem sabe. Adolescentes histéricas vão sempre existir em toda a parte, professores competentes é que já é mais raro... E ainda dizem mal da ministra por querer avaliar estes professores?", refere Ana de Alverca na edição online do jornal Público. No mesmo suporte, Miguel, de Vila Nova de Gaia, deixa a sua reflexão. "A função do professor é a de educar, não a de tentar garantir uma posição de autoritarismo na sala de aula. Por que razão quer tanto esta professora ficar com o telemóvel? Se a aluna não cumpre as regras, é convidada a sair da sala - nunca lhe é ‘roubado' o telemóvel."

José Machado, da Parede, responsabiliza a docente da Carolina Michaelis na edição online do Correio da Manhã. E explica a sua visão. "Primeiro, permitiu telemóveis; segundo, pensou que estava na primária ao tirar o brinquedo; terceiro, devia ter pedido à aluna para sair; quarto, caso não fosse atendida interrompia a aula e queixava-se ao Conselho Directivo; quinto, nunca deveria encetar aquela dança ridícula de empurrões." Ana Tavares, do Porto, dá a sua sentença no Público online, com alguma ironia. "Dez dias de suspensão, que não têm nenhum efeito penalizador porque já nem sequer se reprova por faltas. À luz do novo Estatuto do Aluno, provavelmente ainda terá direito a uma prova de recuperação por ter estado dez dias ausente das aulas."

EDUCARE.PT, 24/3/2004
Portal da Educação