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A mostrar mensagens com a etiqueta José Cutileiro

ÁFRICA DO SUL E ÁFRICA

Ataques assassinos a imigrantes por sul-africanos nos bairros de lata à roda de Joanesburgo onde formiga um proletariado mal pago ou desempregado foram lamentados e condenados por políticos e observadores locais e estrangeiros mas não deveriam surpreender ninguém. A África do Sul (RAS) é pátria de muitas nações e as relações entre elas nem sempre foram pacíficas. As mais numerosas de origem branca, de cepa britânica e de cepa holandesa, bateram-se há pouco mais de 100 anos nas terríveis Guerras dos Boers. Entre as de origem negra, a dos zulus e a dos khosa confrontaram-se sem quartel durante o "apartheid". O Governo de minoria branca, de resto, estimulava esses conflitos segundo o princípio clássico de dividir para reinar.

O fim do "apartheid", surpreendentemente pacífico, beneficiou da queda da União Soviética e de outras circunstâncias propícias. Do exterior, recebeu apoio de todas as potências do mundo; no interior, foi dirigido por homens de grande e rara estatu…

Governantes e governados

Duas tragédias naturais, dois actos de Deus dir-se-ia em inglês, assolaram a Ásia com intervalo de dias. Um ciclone fustigou o sudeste da Birmânia deixando cerca de 100 mil mortos e um terramoto assolou a província de Sichuan no centro da China matando talvez mais pessoas ainda. Para lá de compaixão pela dor de tanta gente a comparação das reacções das autoridades birmanesas e chinesas às duas catástrofes é instrutiva.

Nem a China nem a Birmânia são democracias, isto é, em nenhum dos dois países estão estabelecidos mecanismos institucionais para controlo dos governantes pelos governados tais como eleições livres, tribunais independentes, respeito pelos direitos civis e políticos de cada um - mas há graduações. Na Birmânia, uma ditadura militar brutal assente em economia rudimentar de petróleo, matérias-primas e droga, explora, oprime e sufoca uma população miserável, fechada ao resto mundo. Na China, uma ditadura burocrática consegue fazer coincidir um dos capitalismos mais vigorosos d…

Mildred Loving (1940 - 2008)

Mildred Delores Loving, Jetter de seu nome de solteira, que morreu de pneumonia na sua casa de Central Point, no Estado norte americano de Virgínia, no passado dia dois do corrente, deixou o seu nome para sempre ligado à luta pela igualdade racial perante a lei nos Estados Unidos, havendo sido protagonista, com o marido, de caso célebre levado de instância em instância até ao Supremo Tribunal de Justiça, em Washington, o qual, em 1967, declarou inconstitucionais as leis ainda então vigentes em 20 Estados da União que criminalizavam o casamento de pessoas de raças diferentes, última área da vida de todos os dias onde a segregação racial ainda vigorava. Em Loving versus Virgínia, a decisão do Supremo foi unânime embora não correspondesse ao sentimento popular branco maioritário nessa altura e por longo tempo ainda em muitos Estados do Sul. Estes, depois da sentença, tiveram de modificar as respectivas legislações estaduais mas levaram o seu tempo. O último, Alabama, só o faria 33 depois…