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terça-feira, 22 de abril de 2008

Lugo vai renegociar a hidro-eléctrica de Itaipu com o Brasil

Paraguai/Eleições: Fernando Lugo vai renegociar Tratado da hidro-eléctrica de Itaipu com o Brasil

* * * Por José Peixe, enviado da agência Lusa * * *

Assunção, 21 Abr (Lusa) - Fernando Lugo, eleito presidente do Paraguai nas eleições de domingo, vai renegociar o tratado da hidoeléctrica de Itaipu com o Brasil. O governo de Lula da Silva recusa-se a fazer comentários sobre esta matéria, que pode provocar um aumento de dez por cento no preço da electricidade consumida no Brasil.

"Se o governo brasileiro renegociou o preço do gás natural com a Bolívia, nós também vamos ter que avaliar e renegociar o Tratado de Itaipu que foi assinado em 1973", afirmou Fernando Lugo durante a campanha eleitoral.

Para o presidente da central hidro-eléctrica de Itaipu, Jorge Sanek, "não existe qualquer possibilidade de se fazerem alterações no Tratado que foi assinado entre os dois Estados, porque ele foi discutido no congresso dos países e é um tratado internacional".

Jorge Sanek esteve presente no casamento da filha da ministra da Casa Civil de Lula da Silva, Dilma Roussef, em Porto Alegre, na sexta feira.

Numa entrevista exclusiva ao jornal "Zero Hora", Jorge Sanek afirmou que "o Tratado de Itaipu que foi assinado entre o Paraguai e o Brasil deu certo e, até 2060, o Paraguai é o único país do mundo que não terá problemas energéticos".

O Tratado de Itaipu foi assinado em 1973 mas a central hidro-eléctrica só ficou pronta para produzir energia em 1984. O Brasil e o Paraguai têm acesso cada um a cinquenta por cento da energia produzida em Itaipu - mas foi Brasília que garantiu o financiamento total da obra.

A contrapartida garantida no Tratado foi o Paraguai vender o excedente da sua energia eléctrica ao Brasil até 2023 pelo custo do preço de produção.

Actualmente, o Brasil cobra 23 Euros por quilowatt/hora, enquanto no mercado aberto a cotação ultrapassa os 48 Euros.

Em 2007, a hidroeléctrica de Itaipu produziu 90,62 milhões de magawatts/hora, o que corresponde a 19 por cento de todo o consumo de electricidade do Brasil e 91 por cento do consumo energético do Paraguai.

Itaipu é a segunda maior central hidro-eléctrica do mundo, com uma potência nominal de 14 mil megawatts e possuindo 20 turbinas geradoras de energia - cada uma delas dará para produzir energia suficiente para uma cidade com as dimensões de Lisboa.

Depois de saber os resultados oficiais das eleições presidenciais, Fernando Lugo disse aos jornalistas que "chegou a hora de o Paraguai ser reconhecido internacionalmente como um país democrático e não como o país mais corrupto da América do Sul".

A posse de Fernando Lugo como o novo presidente do Paraguai está agendada para 15 de Agosto. Lula da Silva vai tentar encontrar-se com o ex-bispo católico antes dessa data.

JVP.

Lusa/Fim

Paraguai: Presidente eleito pode contar com o apoio do Brasil - Lula da Silva

Brasília, 21 Abr (Lusa) - O presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, poderá contar com o apoio do actual governo brasileiro, garantiu o chefe de Estado do Brasil, Lula da Silva, em mensagem enviada hoje ao ex-bispo católico que saiu vitorioso das eleições de domingo.

"No período de mudanças que se anuncia, Vossa Excelência poderá contar com o apoio solidário e a amizade do Brasil e do meu Governo", diz a mensagem de Lula da Silva, enviada de Acra, onde participa na XII Conferência da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (UNCTAD).

Lula da Silva felicitou Fernando Lugo pela vitória e apresentou "calorosos votos de êxito à frente dos destinos do Paraguai".

Na avaliação do sociólogo e analista político brasileiro António Flávio Testa, a eleição de Lugo não vai representar qualquer crise na relação entre o Brasil e o Paraguai.

"A economia paraguaia está muito interligada à brasileira e Lugo vai querer aproximar-se do Brasil", afirmou o Professor da Universidade de Brasília (UnB) à agência Lusa .

Questionado sobre as propostas do candidato da Aliança Patriótica para a Mudança (APC) em relação à revisão do contrato de Itaipu com o Brasil e aos chamados "brasiguaios", António Testa acredita que Brasília vai negociar bem estes dois pontos com o Paraguai.

"Da mesma forma que o Brasil superou a crise com a Bolívia de forma equilibrada, vai negociar com o Paraguai para atender às suas reivindicações sem ferir a soberania brasileira. O Itamaraty (sede do Ministério das Relações Exteriores) faz esse tipo de negociações com competência", salientou.

Durante a campanha eleitoral, Lugo disse que fará a revisão do contrato, assinado em 1973, que dispõe sobre a energia eléctrica produzida pela Usina Binacional de Itaipu, na fronteira do Paraná com o Paraguai.

Segundo o acordo, a hidro-eléctrica pertence igualmente aos dois países mas mais de 90 por cento da energia produzida é absorvida pelo Brasil, que compra o excedente ao Paraguai.

A reclamação de Lugo é que a energia vendida pelos paraguaios está com um preço muito aquém de mercado, o que prejudica a já debilitada economia do país.

Outro ponto enfatizado por Fernando Lugo é a reforma agrária, o que poderá atingir muitos brasileiros que vivem no Paraguai.

Estima-se que o número dos "brasiguaios" actualmente ultrapasse os 300 mil, sendo que a maioria são donos de grandes fazendas de soja e de gado.

"O Brasil vai negociar um preço mais justo para a energia que compra aos paraguaios e deverá haver também uma negociação para a legalização dos brasiguaios, já que as empresas de agro-business interessam à estrutura fundiária do país", destacou Testa.

"Os problemas mais sérios entre os dois países não são estes e sim a regularização do comércio, com o combate à pirataria e o combate ao narcotráfico, que têm interesse mundial", acrescentou.

Para o Professor da UnB, Lugo assemelha-se ao presidente da Bolívia, Evo Morales, e vai fazer diferença no jogo político do Paraguai, onde conseguiu reunir na APC nove partidos políticos e 20 organizações sociais para pôr fim à maior hegemonia de uma aliança partidária (Colorado) no mundo.

CMC.

RTP, 21/04/2008