Serve este artigo para chamar a atenção dos responsáveis de saúde deste nosso país, Timor-Leste, que esta jovem, mais quatro de suas companheiras de infortúnio, padecem de tumor num dos membros superiores (afectando também o sovaco e uma das partes do tórax) duas, e três de um dos membros inferiores abaixo de joelho até o pé. Estas cinco jovens estão a ser acompanhadas por um cirurgião do Hospital de Baucau desde 2004, contudo necessitam urgentemente de serem evacuadas para serem tratadas no estrangeiro por especialistas. O Hospital de Baucau já fez os contactos necessários com um hospital de Surabaya, Indonésia, tendo este último aceitado receber as quatro pacientes, desde o ano 2009. Ironia das ironias: o Ministério da Saúde timorense responde que há falta de verba para as enviar ao referido hospital de Surabaya. Estas cinco pacientes são oriundas de famílias muito pobres, como a grande maioria dos timorenses; por isso não podem ter acesso a um tratamento adequado no exterior... Enquanto os ricos e muito ricos que podem perfeitamente custear o seu tratamento e o dos seus familiares, se necessário, são evacuados com urgência, com todas as despesas custeadas pelo orçamento do Ministério de Saúde... E os pobres, como estas cinco jovens, ficam em terra... até quando?!
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domingo, 30 de janeiro de 2011
segunda-feira, 23 de junho de 2008
Apoio para a construção de clínicas dentárias em Timor
Concerto angaria verbas para Timor
Dia 27 de Junho, o Jardim da Sereia, em Coimbra, recebe um concerto cuja receita reverte na íntegra para a construção de duas clínicas dentárias em Timor-Leste.
O espectáculo, que terá como tema central a guitarra de Coimbra, marca o início das Festas da Cidade, contando com a participação de Vitorino, Janita Salomé, Filipa Pais e a Brigada Vítor Jara, entre outros.
Denominado "A Guitarra de Coimbra por Timor", o concerto integra-se no projecto Timor-Leste Saúde, da responsabilidade da Associação de Apoio à Diocese de Baucau, que tem em marcha um outro programa na área da educação para dotar as escolas de material didáctico.
O espectáculo realiza-se no Jardim da Sereia, pelas 21h30 horas, e custa 10 euros.
A receita visa comparticipar a construção de duas clínicas dentárias, uma na Diocese de Díli e outra em Baucau, orçadas em 210 mil euros.
Rádio Renascença, 23-06-2008
Dia 27 de Junho, o Jardim da Sereia, em Coimbra, recebe um concerto cuja receita reverte na íntegra para a construção de duas clínicas dentárias em Timor-Leste.
O espectáculo, que terá como tema central a guitarra de Coimbra, marca o início das Festas da Cidade, contando com a participação de Vitorino, Janita Salomé, Filipa Pais e a Brigada Vítor Jara, entre outros.
Denominado "A Guitarra de Coimbra por Timor", o concerto integra-se no projecto Timor-Leste Saúde, da responsabilidade da Associação de Apoio à Diocese de Baucau, que tem em marcha um outro programa na área da educação para dotar as escolas de material didáctico.
O espectáculo realiza-se no Jardim da Sereia, pelas 21h30 horas, e custa 10 euros.
A receita visa comparticipar a construção de duas clínicas dentárias, uma na Diocese de Díli e outra em Baucau, orçadas em 210 mil euros.
Rádio Renascença, 23-06-2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
sexta-feira, 6 de junho de 2008
Anjos «voadores» da Jornada Mundial da Juventude
Um pároco organiza um esquadrão de aviões para ajudar peregrinos do Timor Leste
Por Catherine Smibert
SYDNEY, sexta-feira, 6 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Quando os anjos da terra se ocupam, podem fazer coisas incríveis.
Tomemos como exemplo o sacerdote e piloto Pe. John Fowles, que dedicou o mês passado a liderar um esquadrão de «anjos voadores» por toda a Austrália, em uma «maratona voadora» para arrecadar fundos para enviar dez peregrinos do Timor Leste à Jornada Mundial da Juventude 2008 em Sydney.
O sacerdote preside a «Fly Away to Heaven Initiative», fundada para ajudar a financiar projetos de ajuda no Timor Leste.
O Pe. Fowles voou pela Austrália em um avião Jabiru J400, chamado «Asas de Anjo», que ele mesmo construiu.
Seu esquadrão está formado por oito aeroplanos e todos eles fizeram uma parada nas maiores cidades e povoados de toda a Austrália entre 1º de maio e 3 de junho.
Os colegas pilotos do sacerdote, nesta viagem de 7.500 quilômetros, têm variedade de antecedentes e nem todos são católicos.
«Estes pilotos o estão fazendo por algo que vale a pena e que os atrai», disse o Pe. John, sacerdote da paróquia do Imaculado Coração de Maria de Thurgoona, Nova Gales do Sul.
E ainda que não se conheça a contagem final da coleta – e falta muito para chegar – espera-se que a «maratona voadora» chegue a cerca de 500 mil dólares, entre donativos e venda de um CD titulado «Earth Angels Care».
O cantor de música country Korey Livy acompanhou o grupo em diversos desfiles para cantar «Earth Angels Care», uma canção especialmente composta para a «maratona voadora».
«Para essas pessoas, a possibilidade de compartilhar esse dia com jovens de todo o mundo é só um sonho – disse o Pe. Fowles. ‘Fly Away to Heaven’ espera tornar realidade esse sonho.»
Os demais donativos serão destinados a outros projetos do país, sendo uma prioridade os orfanatos.
Mas o Pe. Fowles diz que a parte mais importante do projeto «Fly Away to Heaven» foi a oportunidade de fazer crescer a consciência sobre a situação da população do Timor Leste.
«Estamos completamente contentes neste país. Não nos falta nada. Sempre tive um zelo missionário por fazer algo por aqueles menos afortunados que nós – disse. Nosso vôo de ‘boa vontade’ inspirará outros a assumirem o compromisso pelos pobres e necessitados.»
ZENIT - O Mundo visto de Roma, 6-06-2008
Por Catherine Smibert
SYDNEY, sexta-feira, 6 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Quando os anjos da terra se ocupam, podem fazer coisas incríveis.
Tomemos como exemplo o sacerdote e piloto Pe. John Fowles, que dedicou o mês passado a liderar um esquadrão de «anjos voadores» por toda a Austrália, em uma «maratona voadora» para arrecadar fundos para enviar dez peregrinos do Timor Leste à Jornada Mundial da Juventude 2008 em Sydney.
O sacerdote preside a «Fly Away to Heaven Initiative», fundada para ajudar a financiar projetos de ajuda no Timor Leste.
O Pe. Fowles voou pela Austrália em um avião Jabiru J400, chamado «Asas de Anjo», que ele mesmo construiu.
Seu esquadrão está formado por oito aeroplanos e todos eles fizeram uma parada nas maiores cidades e povoados de toda a Austrália entre 1º de maio e 3 de junho.
Os colegas pilotos do sacerdote, nesta viagem de 7.500 quilômetros, têm variedade de antecedentes e nem todos são católicos.
«Estes pilotos o estão fazendo por algo que vale a pena e que os atrai», disse o Pe. John, sacerdote da paróquia do Imaculado Coração de Maria de Thurgoona, Nova Gales do Sul.
E ainda que não se conheça a contagem final da coleta – e falta muito para chegar – espera-se que a «maratona voadora» chegue a cerca de 500 mil dólares, entre donativos e venda de um CD titulado «Earth Angels Care».
O cantor de música country Korey Livy acompanhou o grupo em diversos desfiles para cantar «Earth Angels Care», uma canção especialmente composta para a «maratona voadora».
«Para essas pessoas, a possibilidade de compartilhar esse dia com jovens de todo o mundo é só um sonho – disse o Pe. Fowles. ‘Fly Away to Heaven’ espera tornar realidade esse sonho.»
Os demais donativos serão destinados a outros projetos do país, sendo uma prioridade os orfanatos.
Mas o Pe. Fowles diz que a parte mais importante do projeto «Fly Away to Heaven» foi a oportunidade de fazer crescer a consciência sobre a situação da população do Timor Leste.
«Estamos completamente contentes neste país. Não nos falta nada. Sempre tive um zelo missionário por fazer algo por aqueles menos afortunados que nós – disse. Nosso vôo de ‘boa vontade’ inspirará outros a assumirem o compromisso pelos pobres e necessitados.»
ZENIT - O Mundo visto de Roma, 6-06-2008
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Moção de censura nas ruas de Lisboa contra o governo PS
200 mil trabalhadores manifestaram-se, hoje, em Lisboa, contra a política de trabalho do governo socialista.
E a reacção do Primeiro-ministro Sócrates foi que os 200 mil contra a sua política impressiona-o tanto como um único trabalhador a manifestar-se contra.
Esta é a segunda maior manifestação (a 1ª foi a dos professores em 8/03) contra o autismo, como alguns afirmam, da política deste governo do PS.
200 mil na rua é uma autêntica moção de censura ao governo socratiano.
domingo, 27 de abril de 2008
Governo PS: Avaliar pela quantidade
A quantidade não pode ser o único critério
Quando se trata de avaliar o trabalho de uma pessoa, a quantidade é apenas um dos critérios - e o menos importante quando comparado com a qualidade. O busílis dos processos de avaliação reside exactamente neste pressuposto. A quantidade é um dado objectivo facilmente mensurável. A qualidade não.
Este princípio basilar, que é o alfa e o ómega na avaliação das empresas privadas, tem de ser levado em conta pelo Estado nesta hora em que acertadamente decidiu que não é justo tratar da mesma maneira todos os trabalhadores que fazem parte da sua lista de pagamentos. Os que produzem mais e melhor têm de ser premiados e os que se esforçam pouco devem ser penalizados.
Num sector particularmente crítico, o da investigação criminal, o Governo prepara-se para introduzir um critério essencialmente quantitativo na avaliação dos 1330 inspectores da Polícia Judiciária, o que deve ser olhado com apreensão pelos cidadãos dadas as consequências gravosas que se adivinham. O Ministério da Justiça está a preparar um novo sistema de avaliação, a apresentar até Outubro, na Assembleia da República, que favorece a progressão na carreira dos inspectores que maior quantidade de acusações conseguirem.
Este primado da quantidade é completamente injusto e perigoso, como nota Carlos Anjos, o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal. Carlos Anjos lembra que ele e outros inspectores estiveram cerca de dois anos a investigar um único e denso caso de crime económico (Portucale), ao lado de colegas que no mesmo período de tempo despacharam dezenas de processos mais fáceis de investigar.
Só este exemplo basta para obrigar o ministro Alberto Costa a reflectir bem antes de apresentar no Parlamento a proposta de novo sistema de avaliação dos inspectores da PJ.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
segunda-feira, 14 de abril de 2008
Prazo entrega IRS
Termina, às 24:00h de amanhã, o prazo para a entrega do IRS (pensionistas e trabalhadores dependentes) pela Internet.
E começa, na quarta-feira, o período para a entrega do IRS da segunda fase, para os trabalhadores independentes e contribuintes que tenham outro tipo de rendimentos além do trabalho dependente ou das pensões.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Cartazes na manif dos profs de 8/3
Ministra da Educação portuguesa: «Perdi os professores, mas ganhei a população.», 20/11/2006
Ministro da Educação francês: Obrigado, professores, por formar cidadãos de amanhã.
Ministro da Educação espanhol: Obrigado, professores, por ajudar no desenvolvimento do país.
Ministro da Educação francês: Obrigado, professores, por formar cidadãos de amanhã.
Ministro da Educação espanhol: Obrigado, professores, por ajudar no desenvolvimento do país.
Eu não coloquei entre aspas a opinião dos ministros da educação francês e espanhol relativamente ao trabalho e a importância dos professores na formação de cidadãos de amanhã, porque não tenho, neste momento, as frases ipsis verbis na mão; mas o sentido é este.
quinta-feira, 27 de março de 2008
Recondução de professores
Ministério permite que os professores fiquem na mesma escola por mais um ano
Tutela dispensa professores dos quadros de se apresentarem a concurso, no mesmo dia em que PS defende manutenção da avaliação que é contestada
O Ministério da Educação (ME) abre a possibilidade aos professores de se manterem na mesma escola por mais um ano. "Com o objectivo de reforçar os princípios da estabilidade do sistema de colocação dos professores, da continuidade pedagógica e do interesse público", justifica a tutela, em comunicada de imprensa.
De acordo com o despacho publicado em Diário da República, os professores dos quadros colocados até 31 de Dezembro passado vão poder ficar na mesma escola. No próximo ano lectivo, os que estão destacados por motivo de doença ou por não terem horário na escola de origem vão poder manter o lugar actual e estão dispensados de concorrer.
Estão também neste rol os professores dos Quadros de Zona Pedagógica que estejam afectos a uma escola administrativamente ou por concurso até 31 de Dezembro. E os professores que desejarem, colocados em mobilidade ou afectos administrativamente, desde que tenham funções lectivas, revela a nota do ME. Também incluídos estão os contratados em 2006 e que renovaram o ano passado.
O objectivo é aumentar a estabilidade nas escolas. A primeira medida neste sentido foi em 2006, quando o governo acabou com a colocação anual e criou um regime de colocação por três anos.
Oposição pela suspensão
O despacho publicado em Diário da República foi conhecido ontem, no mesmo dia em que no Parlamento todos os partidos da oposição pediram a suspensão do processo de avaliação dos professores. Os projectos de resolução do BE, CDS/PP, PCP, PSD e da deputada independente Luísa Mesquita não foram votados, mas o PS fez saber que é a favor da avaliação e que esta deve ser feita ainda este ano, como é intenção do ME.
Na Assembleia da República, em Lisboa, da esquerda à direita, com excepção do PS, todos são a favor da suspensão do processo de avaliação dos professores, de modo a ser discutido e aplicado no próximo ano lectivo.
"Esta é também uma reivindicação que veio das escolas e dos cem mil professores que estiveram nas ruas de Lisboa [no dia 8]", lembra Ana Drago, do BE.
Ao todo, foram apresentados cinco projectos de resolução com a mesma recomendação: suspender. Apesar de nenhum ter sido votado e apesar dos apelos dos professores sentados na bancada do PS, o partido do Governo mostrou-se intransigente: "O PS não se esconde, enfrenta os desafios", responde a deputada socialista Isabel Coutinho.
Para Alcídia Lopes, professora e deputada do PS, as escolas estão "a trabalhar bem", por isso "não faz sentido adiar este processo". As mais valias desta avaliação é que haverá descongelamento das carreiras e progressão, "para já não falar da maior estabilidade profissional garantida por este Governo", defende.
Bárbara Wong
PÚBLICO, 27/3/2008
terça-feira, 25 de março de 2008
Valter Lemos e a violência nas escolas
PGR pediu mais autoridade para os professores
Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado
25.03.2008 - 14h21 PÚBLICO
Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado
25.03.2008 - 14h21 PÚBLICO
O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas. As declarações do responsável vêm no seguimento do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, citado pelo "Diário Económico", ter pedido mais autoridade para os professores.
Valter Lemos sustentou a sua opinião com os dados do programa “Escola Segura” que foram recebidos pelo ministério e onde os comandantes da polícia garantem que os problemas são “importados de fora” e que o ministério está a agir na resolução desta situação.
O responsável informou ainda que o Ministério da Educação tem “programas especiais do ponto de vista da segurança externa através do ‘Escola Segura’ e do ponto de vista da segurança interna através de mecanismos internos de ocupação de alunos e de reforço dos meios de apoio aos professores”.
O secretário de Estado referiu, também, na contratação de monitores e mediadores para apoio aos docentes “para tentar obviar dentro aquilo que é a importação de fora”. Valter Lemos garantiu desconhecer outros casos de violência e afirmou que não existe qualquer contacto por parte da Procuradoria-Geral ou do Ministério Público sobre questões de violência interna nas escolas.
PGR quer mais autoridade para os professores
Pinto Monteiro mostrou-se ontem contra o “sentimento de impunidade” que se vive nas escolas portuguesas e pediu mais autoridade para os professores, na sequência do caso de agressão passado na escola Carolina Michaelis, no Porto.
“Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas o que raras vezes tem acontecido”, sublinhou o PGR, em declarações ao “Diário Económico”.
O procurador explicou ainda que nalgumas escolas se formam “pequenos gangs que depois transitam para gangs de bairro, armados e perigosos”, funcionando a violência escolas como “embrião” para níveis mais graves de criminalidade.
Esta não é a primeira vez que o PGR se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas.
Público On line, 25/3/2008
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Comentário de um leitor:
mais valia disse...
É uma pena que o Sr Secretario de Estado esteja novamente a fazer politica para o partido que representa em vez de estar a governar.Governe e deixe-se de conversa mole
26 de Março de 2008 14:27
mais valia disse...
É uma pena que o Sr Secretario de Estado esteja novamente a fazer politica para o partido que representa em vez de estar a governar.Governe e deixe-se de conversa mole
26 de Março de 2008 14:27
segunda-feira, 24 de março de 2008
Ainda a agressão à professora 2
“Problema de saúde pública e mental” na Carolina Michaëlis
Sara R. Oliveira 2008-03-24
Aluna que retirou à força o telemóvel da mão da professora de Francês pode ser transferida de escola, suspensa dez dias úteis ou ter uma repreensão registada.
O que pode acontecer à aluna do 9.º C da Secundária Carolina Michaëlis do Porto que a 12 de Março enfrentou a professora na aula de Francês para lhe retirar o telemóvel? À luz do novo Estatuto do Aluno há três hipóteses: transferência de escola, dez dias úteis de suspensão ou repreensão registada. O caso foi notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social do país. Um pequeno filme, captado por um telemóvel de um colega de turma e colocado no site de partilha de vídeos online Youtube, mostra a aluna a tentar tirar o telemóvel da mão da professora de Francês. A turma ri-se do episódio. "Dá-me o telemóvel já", ordena a aluna. No final, a estudante consegue reaver o telemóvel. Na quinta-feira passada, um funcionário da escola informou o EDUCARE.PT que tinha instruções para comunicar que o caso estava a ser alvo de um processo de averiguações. "A escola teve conhecimento do que se passou e está a ouvir os intervenientes", disse.
Ao EDUCARE.PT Arsélio Martins, vencedor do Prémio Professor do Ano e membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, refere que o que se passou na Carolina Michaëlis é um caso de saúde pública e mental e de valores. "É um problema de saúde pública e mental quando se reage daquela forma. A aluna teve uma reacção agressiva e desproporcionada em relação a um objecto que ninguém iria alterar. Aquela situação não é normal", afirma. "Pessoalmente, acho que alguma coisa tem de ser corrigida com certa gravidade", defende. O docente não quer fazer juízos de valor até porque, salienta, não se sabe o que se passou antes de a professora retirar o telemóvel à aluna, mas, em seu entender, há motivos para preocupações. "A violência está mais na tentativa de impedir a professora de sair da sala de aula para ser ajudada na sua demanda". "A sala transformou-se num campo de batalha, em que a professora foi impedida de sair de uma forma violenta, ficou isolada, e não pôde ampliar a sua autoridade", reforça.
Arsélio Martins destaca o papel da família no respeito pelos valores. "Neste momento, o problema da mediatização e a necessidade de aparecer em todo o lado dão origem a coisas muito estranhas". Essa mediatização, sublinha, "não é um problema de valores da escola, que não tende à mediatização". Mas é uma questão que se centra no seio da família. "É importante fazer-se um trabalho junto das pessoas, das famílias, saber que espectáculos vêem", realça.
A secundária do Porto soube do sucedido através da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e abriu, de imediato, um processo para apurar responsabilidades. A mediatização do caso já provocou várias reacções. A professora de Francês, que está no topo da carreira, optou por não prestar declarações, mas sabe-se que está perturbada com as proporções que o episódio assumiu. A aluna, em declarações ao Correio da Manhã, admitiu que tinha errado. "Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir música no telemóvel, mas o som estava baixinho", adiantou ao jornal. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lamentou o caso e o aproveitamento político da situação.
"É revoltante ver aquela professora numa situação de completa fragilidade, chega a ser impedida pelos alunos de sair da sala de aula", referiu João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) ao jornal Público. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, disse, ao mesmo jornal, que "a maior parte dos professores lida com situações desse tipo apenas com a sua intuição". "Como não existe respeito por parte do Ministério da Educação em relação aos professores, esse sentimento passa para os outros e, neste caso, para os alunos. É preciso ter muito cuidado, porque situações destas podem escalar para situações de maior violência", afirmou Abel Macedo, do Sindicato dos Professores do Norte, ao Diário Digital.
Os meios de comunicação social revelam um outro caso que aconteceu na Carolina Michaëlis em Dezembro do ano passado. Uma aluna do 10.º ano não concordou com a nota de Português e puxou os cabelos à professora num dos corredores da escola, depois de uma discussão acesa na sala e de a estudante ter abandonado a aula sem autorização. A aluna acabou por ser transferida de escola. A turma do 9.º C é apresentada como problemática e no primeiro período deste ano lectivo foram registados cerca de 40 casos de indisciplina na secundária do Porto.
"Denegridos e rebaixados pelos alunos"
Aluna que retirou à força o telemóvel da mão da professora de Francês pode ser transferida de escola, suspensa dez dias úteis ou ter uma repreensão registada.
O que pode acontecer à aluna do 9.º C da Secundária Carolina Michaëlis do Porto que a 12 de Março enfrentou a professora na aula de Francês para lhe retirar o telemóvel? À luz do novo Estatuto do Aluno há três hipóteses: transferência de escola, dez dias úteis de suspensão ou repreensão registada. O caso foi notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social do país. Um pequeno filme, captado por um telemóvel de um colega de turma e colocado no site de partilha de vídeos online Youtube, mostra a aluna a tentar tirar o telemóvel da mão da professora de Francês. A turma ri-se do episódio. "Dá-me o telemóvel já", ordena a aluna. No final, a estudante consegue reaver o telemóvel. Na quinta-feira passada, um funcionário da escola informou o EDUCARE.PT que tinha instruções para comunicar que o caso estava a ser alvo de um processo de averiguações. "A escola teve conhecimento do que se passou e está a ouvir os intervenientes", disse.
Ao EDUCARE.PT Arsélio Martins, vencedor do Prémio Professor do Ano e membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, refere que o que se passou na Carolina Michaëlis é um caso de saúde pública e mental e de valores. "É um problema de saúde pública e mental quando se reage daquela forma. A aluna teve uma reacção agressiva e desproporcionada em relação a um objecto que ninguém iria alterar. Aquela situação não é normal", afirma. "Pessoalmente, acho que alguma coisa tem de ser corrigida com certa gravidade", defende. O docente não quer fazer juízos de valor até porque, salienta, não se sabe o que se passou antes de a professora retirar o telemóvel à aluna, mas, em seu entender, há motivos para preocupações. "A violência está mais na tentativa de impedir a professora de sair da sala de aula para ser ajudada na sua demanda". "A sala transformou-se num campo de batalha, em que a professora foi impedida de sair de uma forma violenta, ficou isolada, e não pôde ampliar a sua autoridade", reforça.
Arsélio Martins destaca o papel da família no respeito pelos valores. "Neste momento, o problema da mediatização e a necessidade de aparecer em todo o lado dão origem a coisas muito estranhas". Essa mediatização, sublinha, "não é um problema de valores da escola, que não tende à mediatização". Mas é uma questão que se centra no seio da família. "É importante fazer-se um trabalho junto das pessoas, das famílias, saber que espectáculos vêem", realça.
A secundária do Porto soube do sucedido através da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e abriu, de imediato, um processo para apurar responsabilidades. A mediatização do caso já provocou várias reacções. A professora de Francês, que está no topo da carreira, optou por não prestar declarações, mas sabe-se que está perturbada com as proporções que o episódio assumiu. A aluna, em declarações ao Correio da Manhã, admitiu que tinha errado. "Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir música no telemóvel, mas o som estava baixinho", adiantou ao jornal. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lamentou o caso e o aproveitamento político da situação.
"É revoltante ver aquela professora numa situação de completa fragilidade, chega a ser impedida pelos alunos de sair da sala de aula", referiu João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) ao jornal Público. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, disse, ao mesmo jornal, que "a maior parte dos professores lida com situações desse tipo apenas com a sua intuição". "Como não existe respeito por parte do Ministério da Educação em relação aos professores, esse sentimento passa para os outros e, neste caso, para os alunos. É preciso ter muito cuidado, porque situações destas podem escalar para situações de maior violência", afirmou Abel Macedo, do Sindicato dos Professores do Norte, ao Diário Digital.
Os meios de comunicação social revelam um outro caso que aconteceu na Carolina Michaëlis em Dezembro do ano passado. Uma aluna do 10.º ano não concordou com a nota de Português e puxou os cabelos à professora num dos corredores da escola, depois de uma discussão acesa na sala e de a estudante ter abandonado a aula sem autorização. A aluna acabou por ser transferida de escola. A turma do 9.º C é apresentada como problemática e no primeiro período deste ano lectivo foram registados cerca de 40 casos de indisciplina na secundária do Porto.
"Denegridos e rebaixados pelos alunos"
No dia em que o caso era abertura em todos os telejornais, Maria Beatriz Pereira, investigadora, autora de vários livros sobre violência escolar e professora da Universidade do Minho, afirmava que o bullying, agressão continuada e sem razão aparente, está a atingir a classe docente. "Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine", dizia à Lusa, à margem do "Fórum Educação para a Saúde", organizado pela Câmara de Famalicão. "Os professores são as novas vítimas do bullying", refere a investigadora e também presidente da Comissão Directiva e Científica de Doutoramento em Estudos da Criança, salientando que "os professores têm dificuldades em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados". Os números do Observatório da Segurança em Meio Escolar revelam que em 2006/2007 houve 185 agressões participadas contra docentes em 180 dias do ano lectivo.
"A comunidade educativa tem de reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual uma equipa vai definir as regras de intervenção", defende Maria Beatriz Pereira. Nos casos que tem acompanhado, a investigadora garante que "os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos". E o que acontece? "Apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais", refere. Na sua opinião, é necessário tentar reduzir o fenómeno do bullying através da "criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir".
Há, no entanto, comentários violentos que deixam marcas. A investigadora dá alguns exemplos: "o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir" dos professores. "O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos", comentou. Dos estudos feitos, Maria Beatriz Pereira retém uma certeza. "Quanto maior é o insucesso escolar, maior é a incidência de bullying." Há estudos que o demonstram. Em 6200 alunos estudados no triénio 1995/1997, uma equipa coordenada por Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está intimamente ligado ao bullying. "Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros", comentou a docente.
"Dança ridícula de empurrões"
O episódio da escola do Porto originou milhares de comentários online. A sociedade portuguesa não ficou indiferente ao que se passou dentro das quatro paredes. Num dos fóruns do EDUCARE.PT, Leonor conta que trabalhou numa escola profissional "onde uma aluna ameaçou uma professora com uma navalha e foi expulsa da escola. (...) a paz voltou à escola e os restantes alunos não cometeram infracções". "É muito triste a situação a que chegámos. Que condições psicológicas tem aquela colega de se apresentar para trabalhar com aquela turma?", questiona. Um outro participante no fórum elogia a professora - "pois sangue frio não lhe faltou perante a situação insultuosa que vivenciou em pleno local de trabalho" - e fez dois comentários sobre a aluna e a turma. "Como essa existem muitas outras... educação é palavra inexistente no dicionário! São os pais destes meninos que vão avaliar os professores? Obrigada sr. primeiro-ministro por tamanha consideração pelos professores! Continue a ser teimoso que em breve passaremos a ter a Escola que deseja: ‘Tudo ao monte e fé em Deus!'. Ainda bem que este vídeo aparece, pois ainda há quem não acredite que esta é a Escola que temos.... Retirem-nos toda a autoridade, passem os meninos com milhentas faltas de civismo!".
Um "analista educacional" lança algumas questões. "Mas pergunto-me como é que, face a uma falência da família, da escola, da educação, etc., (aqui globalmente falando), se pode esperar ainda que os alunos, pelo menos na sua maioria, pensem e actuem como se estivessem numa situação de normalidade... Actuações como a daquela aluna são a prova provada de que se entrou literalmente na falência!". Passos Dias Aguiar Mota deixa o seu lamento: "Estou francamente triste e desiludido com o ensino. Com a educação. Com os próprios colegas, que por trás das costas se vão rindo destas coisas". E um professor contratado escreve: "Uma palavra de apreço para a colega visada no vídeo que incorporou a pele de todos os professores que sentem a decadência da indisciplina nas escolas".
"Ser professor não é para quem quer nem para quem pode, é para quem sabe. Adolescentes histéricas vão sempre existir em toda a parte, professores competentes é que já é mais raro... E ainda dizem mal da ministra por querer avaliar estes professores?", refere Ana de Alverca na edição online do jornal Público. No mesmo suporte, Miguel, de Vila Nova de Gaia, deixa a sua reflexão. "A função do professor é a de educar, não a de tentar garantir uma posição de autoritarismo na sala de aula. Por que razão quer tanto esta professora ficar com o telemóvel? Se a aluna não cumpre as regras, é convidada a sair da sala - nunca lhe é ‘roubado' o telemóvel."
José Machado, da Parede, responsabiliza a docente da Carolina Michaelis na edição online do Correio da Manhã. E explica a sua visão. "Primeiro, permitiu telemóveis; segundo, pensou que estava na primária ao tirar o brinquedo; terceiro, devia ter pedido à aluna para sair; quarto, caso não fosse atendida interrompia a aula e queixava-se ao Conselho Directivo; quinto, nunca deveria encetar aquela dança ridícula de empurrões." Ana Tavares, do Porto, dá a sua sentença no Público online, com alguma ironia. "Dez dias de suspensão, que não têm nenhum efeito penalizador porque já nem sequer se reprova por faltas. À luz do novo Estatuto do Aluno, provavelmente ainda terá direito a uma prova de recuperação por ter estado dez dias ausente das aulas."
EDUCARE.PT, 24/3/2004
Portal da Educação
Ainda a agressão à professora
As garras do telemóvel
Ainda bem que naquela sala de aula da escola Carolina Maichaëlis estava um alarve que, perdido de gozo, filmou a cena de violência entre a 'velha', como ele lhe chamava, e a aluna que se atirou à professora por esta lhe ter retirado o telemóvel durante uma lição. Ainda bem que estas imagens foram para a internet, para a televisão, para os jornais. Ainda bem que se ouviram as gargalhadas de uma turma que ululava aos gritos histéricos da rapariga, enquanto o alarve, danado de gozo, filmava e gritava para a 'gorda' se afastar para produzir melhores imagens. Ainda bem que vimos alguns alunos procurando ajudar a professora para não se concluir que, em vez de uma escola, estamos em território dominado por gang.
É a evidência daquilo que há muito tempo se conhece. Em muitas escolas, um professor que entra numa sala candidata-se a entrar num filme de terror.
O problema essencial que está em cima de mesa é estruturante, atinge diversos níveis da nossa vida colectiva, é revelador do nível de desorientação que hoje determina políticas incoerentes, desconexas, ditadas por um falso humanismo e por um falso sentido de cidadania.
Falamos do problema de autoridade. Que afecta a escola, que afecta as forças de segurança, que afecta a família, que afecta a organização estruturada do poder em geral.
É certo que viemos de um tempo histórico que durante meio século se pautou pelo autoritarismo, a discricionariedade, pela amputação de direitos cívicos elementares. Mas passaram trinta e quatro anos e este jeito tão português de atirar as culpas para o passado e não é preciso ressuscitar fantasmas para dizer o que deve ser dito: Estamos a produzir uma sociedade inculta, egoísta, medrosa, narcísica cujas referências maiores são o consumismo e, simultaneamente, o rompimento de teias de solidariedade ancestrais.
A autoridade num Estado democrático deve ser reconhecida, e admitida, por quem a percebe e que com ela se relaciona. Os filhos face à autoridade dos pais, os cidadãos perante as determinações policiais ou judiciárias, os alunos perante os seus professores e por aí adiante. É posse de quem a usa, mas só existe se lhe for reconhecida. E chegados aqui, somos capazes de perceber que a crise da autoridade, nos vários níveis do quotidiano, resulta da ausência de estímulos para que ela seja reconhecida. A começar pela rápida dessacralização das relações verticais de solidariedade, pela dissolução das redes intermédias do poder, pela socialização de comportamentos tidos como bons que não produzem cidadania mas o seu abastardamento. O telemóvel tornou-se o símbolo e o mito de uma sociedade tecnologicamente avançada mas vazia de humanismo, de sentido de existência, de fome de liberdade. Os Hunos que vimos na Carolina Michaëlis são nossos, nascidos da nossa ignorância tecnologizada, da nossa consciência democrática feita com pés de barro e minada por atavismos. De facto, iludidos que andámos muito, estamos a produzir desilusão e pesadelos. E o direito ao sonho? Onde é que pára?
Francisco Moita Flores
CM - Correio de Manhã, 23/3/2008
Indisciplina na sala de aula
22 Março 2008 - 00.30h
Dia a Dia
Dia a Dia
Culpa dos pais
João Grancho, coordenador da Linha SOS Professor, garante que são recorrentes situações semelhantes à agressão da aluna do Porto à professora por causa de um telemóvel. O que distingue o caso da Escola Secundária Carolina Michaelis dos outros é que foi filmado e o vídeo foi colocado na internet. Essas imagens funcionam como se um novo icebergue tivesse emergido. A violência quotidiana que os docentes vivem ficou desta forma escandalosamente exposta. E é triste constatar que ser professor, mesmo de alunos oriundos de famílias estruturadas de classe média, é praticamente tão perigoso e arriscado como ser monitor num dos colégios de reinserção social, antigamente conhecidos por casas de correcção. Se não houver disciplina nas escolas, não for restabelecida a autoridade dos professores, é impossível sair deste abismo em que a escola caiu. Mas as famílias não podem ser desresponsabilizadas pelo comportamento dos seus filhos. Muitos pais já se demitiram de educar os filhos e pensam que se alguém tem essa função são os professores. Os jovens são depositados na escola, como em casa são abandonados aos novos educadores: a televisão, os telemóveis, os computadores. A autoridade, o respeito pelos outros e pelos próprios são conceitos que em muitas casas só existem nos dicionários. Se isto não for alterado e não se pedirem contas aos pais, sempre que um filho tem mau comportamento, as agressões a professores continuarão a repetir-se.
Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto
CM - Correio de Manhã
sábado, 22 de março de 2008
Violência nas escolas
Professores são as novas vítimas de Bullying
Investigadora de violência escolar revela ter acompanhado casos de professores em ansiedade para que o ano lectivo termine. "Chamam-lhes nomes e ameaçam-nos", diz Maria Beatriz Pereira.
9:00 Sexta-feira, 21 de Mar de 2008
O bullying, a violência na escola que atingia crianças e jovens, está agora a aterrorizar os professores, afirmou hoje Maria Beatriz Pereira, investigadora e autora de várias obras sobre a violência escolar.
"Os professores são as novas vítimas do bullying", sustentou, em declarações à Lusa, a investigadora que é docente da Universidade do Minho (UM) e presidente da Comissão Directiva e Cientifica de Doutoramento em Estudos da Crianças. Embora sem números oficiais, Maria Beatriz mostra-se "muito preocupada" com a forma como o bullying, a agressão continuada e sem motivo, está a atingir os professores.
"Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine", referiu a investigadora à margem do Fórum Educação para a Saúde, organizado pela Câmara de Famalicão. No fórum, a docente apresentou a comunicação "O bullying na escola. Que tipo de intervenções?", remetendo-se apenas à violência entre pares, "de crianças e jovens para crianças e jovens". "Os professores têm dificuldade em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados", frisou Maria Beatriz Pereira.
Dos estudos desenvolvidos há, para a investigadora, uma certeza: "quanto maior é o insucesso escolar maior é a incidência de bullying". As mesmas crianças e jovens que "maldosamente" agridem e maltratam os colegas, no recreio, dentro da sala de aula, "ofendem os professores, chamam-lhes nomes e ameaçam-nos, não com agressões físicas, mas com avisos de que, por exemplo, lhes vão destruir o carro".
"Nos casos que acompanho, os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos", referiu a docente da UM. Como "defesa", admitiu Maria Beatriz Pereira, os professores pouco podem fazer.
"Apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais", disse. De todas as formas de bullying, as que mais parecem deixar marcas nos professores são, segundo Maria Beatriz Pereira, "o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir" dos professores.
"O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos", sustentou. Desde 1997 que a investigadora do Instituto de Estudos da Criança trabalha sobre a violência escolar. Em 2002 publicou o livro "Para uma escola sem violência. Estudo e prevenção das práticas agressivas entre crianças".
De acordo com os dados então recolhidos, em Portugal pensa-se que "uma em cada cinco crianças e jovens é afectada pelo bullying". Dos seis mil e duzentos estudantes do 1º, 2º e 3º Ciclo, observados no triénio 1995/97, a equipa de Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está "intimamente" ligado ao bullying.
"Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros", referiu. A "única solução" para reduzir os efeitos das agressões físicas e verbais é, para a docente da UM, "a criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir".
"A comunidade educativa tem que reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual, uma equipa vai definir as regras de intervenção", sustentou a investigadora.
Lusa e publicado no Expresso, 21/3/2008
terça-feira, 11 de março de 2008
As primárias democratas das presidenciais dos EUA
"Sou candidato a Presidente dos EUA", diz
Barack Obama diz não a possível acordo com Hillary Clinton
11.03.2008 - 10h49 Reuters
Barack Obama rejeitou esta noite a hipótese avançada pelos responsáveis de campanha de Hillary Clinton de um possível acordo para uma corrida conjunta à Casa Branca, especialmente se isso significar que Obama seja o número dois da senhora Clinton.
“Não consigo perceber como é que alguém que está em segundo lugar pode oferecer a vice-presidência a alguém que está em primeiro”, disse Obama durante a campanha que protagonizou ontem no Mississippi, um dos últimos grandes estados a ir a votos nas primárias e que decidirá quem vai ser o candidato democrata. Da parte dos republicanos já ficou claro que é John McCain quem concorre para a Casa Branca. “Não sou candidato a vice-presidente. Sou candidato a Presidente dos Estados Unidos da América. Estou nesta corrida para comandar”.
Não acredito que a Senadora Clinton possa trazer muita mudança. Este tipo de jogos de liderança, que me apontam como vice-presidente, só podem significar que não está preparada para liderar. É este o discurso de duplo sentido em que Washington tem sido muito bom”, disse Obama que classificou a estratégia de Hillary Clinton de “jogo político para denegrir as suas capacidades”.
Barack Obama diz não a possível acordo com Hillary Clinton
11.03.2008 - 10h49 Reuters
Barack Obama rejeitou esta noite a hipótese avançada pelos responsáveis de campanha de Hillary Clinton de um possível acordo para uma corrida conjunta à Casa Branca, especialmente se isso significar que Obama seja o número dois da senhora Clinton.
“Não consigo perceber como é que alguém que está em segundo lugar pode oferecer a vice-presidência a alguém que está em primeiro”, disse Obama durante a campanha que protagonizou ontem no Mississippi, um dos últimos grandes estados a ir a votos nas primárias e que decidirá quem vai ser o candidato democrata. Da parte dos republicanos já ficou claro que é John McCain quem concorre para a Casa Branca. “Não sou candidato a vice-presidente. Sou candidato a Presidente dos Estados Unidos da América. Estou nesta corrida para comandar”.
Não acredito que a Senadora Clinton possa trazer muita mudança. Este tipo de jogos de liderança, que me apontam como vice-presidente, só podem significar que não está preparada para liderar. É este o discurso de duplo sentido em que Washington tem sido muito bom”, disse Obama que classificou a estratégia de Hillary Clinton de “jogo político para denegrir as suas capacidades”.
Desde a vitória no Texas e Ohio, a semana passada, que Hillary Clinton tem vindo a sugerir um acordo entre os dois candidatos, mas avançando com a hipótese de liderar a coligação uma vez que, para Hillary, Obama não está preparado para a sala Oval. Os responsáveis de campanha de Clinton terão até pedido a ex-militares norte-americanos para questionarem Obama sobre os seus conhecimentos na área da segurança nacional.
Obama é visto como o provável vencedor deste teste do Mississipi, que decorre hoje. Em causa está a eleição de 33 delegados. Ainda nenhum dos candidatos democratas chegou aos 2025 necessários para se tornar o candidato oficial. Depois do Mississippi segue-se a Pennsylvania a 22 de Abril.
Público On line, 11/3/2008
domingo, 9 de março de 2008
Comentário de um leitor do Portugal Diário
Razão pela qual Portugal está como está
Rui L.
2008-03-09 19:18
Para esta gente o raciocínio é: Eu estou mal mas fico feliz se os outros estiverem pior!? Ora aqui está gente com capacidade e mentalidade para fazer o país avançar.
Também temos os comentários do estilo: "Os professores não sabem nada, porque eu tenho filhos na escola e não lhes ensinam nada". É verdade quem hoje entrar no ensino público muito dificilmente aprenderá qualquer coisa. Mas de quem é a culpa: - De um sistema que permite que os alunos andem 9 anos na escola sem aprenderem a ler e a escrever? - Ou apenas foram seleccionados professores que nem ler sabem?
A resposta deveria ser óbvia para todos com um mínimo de inteligência mas aparentemente há muita gente sem esse mínimo.
Enquanto se confundir os resultados de um sistema falido destinado a melhorar artificialmente estatísticas à custa dos conhecimentos dos alunos com a competência de toda uma classe de pessoas nunca se sairá deste marasmo.
Uma das melhores pérolas que aqui temos ainda é: "Os professores têm uma boa vida, trabalham duas horas por semana e ainda se queixam". Esta frase só mostra um nível de ignorância atroz.
Acaso as pessoas que subscrevem esta teoria já puseram os pés numa escola? Se tivessem saberiam que os professores não têm gabinetes nas escolas, logo todo o trabalho de preparação de aulas, correcção de testes, preenchimento de fichas de avaliação e demais papelada inútil que o ME pede, é feito em casa desses docentes. Sendo o trabalho custeado por eles, ou seja impressões e livros saem do bolso deles.
Gostaria de ver os comentários que as pessoas que fazem os comentários anteriores fariam se fossem colocados nesta situação.
Todo e qualquer professor lhe dirá que preferiam fazer esse trabalho na escola, mas para isso é necessário computadores, impressoras, tinteiros e papel para todos. Acham que o ME quer pagar isso?
Mas a melhor de todas ainda é: "O Sócrates vai metê-los a todos na ordem".
Uma pessoa só pode rir perante um comentário destes. Para começar que ordem é essa? Todos submissos a fazer tudo o que o ME manda? Se for isso então as pessoas responsáveis pelos comentários deveriam explicar aos seus filhos (ou netos) porque é que acham que eles não devem ter educação. Porque é disso que se está a falar. Todas as medidas implementadas vão no sentido de obrigar todos os alunos a passar com grandes notas independentemente do que saibam. Isto vai levar a uma geração de analfabetos.
Quem é que vai dar emprego a um indíviduo analfabeto? Mesmo que tenham o 12º ano com média de 20?
Quem defender esta afirmação é melhor que explique bem aos filhos (ou netos) porque é que apenas irão poder arranjar trabalhos mal pagos.
Quanto à fé que depositam no homem também gostaria de saber de onde ela vem. Que grande competência é que até agora foi demonstrada?
A única medida que foi efectuada foi que finalmente as dívidas ao fisco são cobradas (e mesmo assim mal). A justiça permanece no marasmo que sempre esteve, a saúde conseguiu ficar pior e a educação está à beira do abismo. É neste homem que depositam tanta fé?
E por fé entenda-se, acreditar nalguma coisa sem haver provas para tal. Se estão à espera de um D. Sebastião é melhor procurarem noutro lado.
Portugal Diário, 9/3/2008
Rui L.
2008-03-09 19:18
Ao ver os comentários de muita gente neste forum é possível perceber porque é que o país está como está. A quantidade de pessoas que colocam comentários do estilo "Eu ganho menos que os professores e trabalho em más condições. Logo eles deviam trabalhar pelo salário mínimo." é perfeitamente estarrecedora.
Para esta gente o raciocínio é: Eu estou mal mas fico feliz se os outros estiverem pior!? Ora aqui está gente com capacidade e mentalidade para fazer o país avançar.
Também temos os comentários do estilo: "Os professores não sabem nada, porque eu tenho filhos na escola e não lhes ensinam nada". É verdade quem hoje entrar no ensino público muito dificilmente aprenderá qualquer coisa. Mas de quem é a culpa: - De um sistema que permite que os alunos andem 9 anos na escola sem aprenderem a ler e a escrever? - Ou apenas foram seleccionados professores que nem ler sabem?
A resposta deveria ser óbvia para todos com um mínimo de inteligência mas aparentemente há muita gente sem esse mínimo.
Enquanto se confundir os resultados de um sistema falido destinado a melhorar artificialmente estatísticas à custa dos conhecimentos dos alunos com a competência de toda uma classe de pessoas nunca se sairá deste marasmo.
Uma das melhores pérolas que aqui temos ainda é: "Os professores têm uma boa vida, trabalham duas horas por semana e ainda se queixam". Esta frase só mostra um nível de ignorância atroz.
Acaso as pessoas que subscrevem esta teoria já puseram os pés numa escola? Se tivessem saberiam que os professores não têm gabinetes nas escolas, logo todo o trabalho de preparação de aulas, correcção de testes, preenchimento de fichas de avaliação e demais papelada inútil que o ME pede, é feito em casa desses docentes. Sendo o trabalho custeado por eles, ou seja impressões e livros saem do bolso deles.
Gostaria de ver os comentários que as pessoas que fazem os comentários anteriores fariam se fossem colocados nesta situação.
Todo e qualquer professor lhe dirá que preferiam fazer esse trabalho na escola, mas para isso é necessário computadores, impressoras, tinteiros e papel para todos. Acham que o ME quer pagar isso?
Mas a melhor de todas ainda é: "O Sócrates vai metê-los a todos na ordem".
Uma pessoa só pode rir perante um comentário destes. Para começar que ordem é essa? Todos submissos a fazer tudo o que o ME manda? Se for isso então as pessoas responsáveis pelos comentários deveriam explicar aos seus filhos (ou netos) porque é que acham que eles não devem ter educação. Porque é disso que se está a falar. Todas as medidas implementadas vão no sentido de obrigar todos os alunos a passar com grandes notas independentemente do que saibam. Isto vai levar a uma geração de analfabetos.
Quem é que vai dar emprego a um indíviduo analfabeto? Mesmo que tenham o 12º ano com média de 20?
Quem defender esta afirmação é melhor que explique bem aos filhos (ou netos) porque é que apenas irão poder arranjar trabalhos mal pagos.
Quanto à fé que depositam no homem também gostaria de saber de onde ela vem. Que grande competência é que até agora foi demonstrada?
A única medida que foi efectuada foi que finalmente as dívidas ao fisco são cobradas (e mesmo assim mal). A justiça permanece no marasmo que sempre esteve, a saúde conseguiu ficar pior e a educação está à beira do abismo. É neste homem que depositam tanta fé?
E por fé entenda-se, acreditar nalguma coisa sem haver provas para tal. Se estão à espera de um D. Sebastião é melhor procurarem noutro lado.
Portugal Diário, 9/3/2008
Opinião de Nuno Brederode Santos
EM MEMÓRIA DO GUARDA RICARDO
Nuno Brederode Santos
jurista
brederode@clix.pt
Ainda tenho gravada na memória a invasão, pela polícia de choque, do Hospital de Santa Maria, durante a greve de 1962. Não só a brutalidade, das coronhas e dos "casse-têtes", mas sobretudo a furiosa cegueira - excitada, ansiosa e sem critério - daqueles mastins antropomórficos, deformados nos seus chumaços pardos. Vi a pancada seca na calva de Lindley Cintra e um risco vermelho a abrir-se, para deixar correr o sangue, enquanto o corpo desabava com inesperada lentidão. Já em corrida, vi depois, sentado no muro baixo e segurando a cabeça aberta, o Luís Osvaldo Dias Amado, ensanguentado e lívido. Curiosamente, dois professores, atravessando por nós os corpos.
Ainda tenho gravada na memória a invasão, pela polícia de choque, do Hospital de Santa Maria, durante a greve de 1962. Não só a brutalidade, das coronhas e dos "casse-têtes", mas sobretudo a furiosa cegueira - excitada, ansiosa e sem critério - daqueles mastins antropomórficos, deformados nos seus chumaços pardos. Vi a pancada seca na calva de Lindley Cintra e um risco vermelho a abrir-se, para deixar correr o sangue, enquanto o corpo desabava com inesperada lentidão. Já em corrida, vi depois, sentado no muro baixo e segurando a cabeça aberta, o Luís Osvaldo Dias Amado, ensanguentado e lívido. Curiosamente, dois professores, atravessando por nós os corpos.
Após este baptismo de fogo, nunca mais encarei a violência policial com o mesmo espanto e a mesma revolta. Dias depois, quando o espancado foi o Vítor Wengorovius - de quem era, e sempre fui, grande amigo - eu já tinha uma abordagem "técnica" da ocorrência. Porque a virgindade do espanto e da revolta, essa perdera-a em Medicina, ao ver, a quatro ou cinco metros de distância, o suave martírio de Lindley Cintra.
De tal modo que, ao cabo de alguns anos, já a violência que eu sentia como verdadeiramente opressiva e humilhante nem era a da pancada. Era estarmos três ou quatro cidadãos a conversar na rua (provavelmente antes ou depois de uma manifestação), passar por nós um qualquer anónimo de gabardina e dizer, numa surdina paternalista: "Vamos a circular, que eu não quero ajuntamentos." Porque era tão óbvio de onde lhe vinha aquela estranha autoridade, que a nenhum de nós ocorria perguntar: "E quem é Você? E o que tem a ver com isso?"
Como, porém, explicar a um jovem de vinte e tal anos as razões por que a minha geração (tal como o que resta das anteriores) trouxe para o 25 de Abril estes fantasmas? Como dizer-lhe que não se pode excluir que um pouco da memória do outro lado - o dos mastins do capitão Maltez e dos anónimos da gabardina - possa ter perdurado, não nos homens (que já não são os mesmos), mas nos pequenos atavismos das instituições? Não é fácil, se não fizermos, com a geração dele, o esforço que lhe exigimos para com a nossa. Claro que ele conhece um pouco da brutalidade policial. Mas nada que se compare à da "democrática" polícia francesa que eu vi actuar nesses anos sessenta. E também conhece o laxismo policial. Mas nada que se compare com a timorata abstenção policial, que eu vi em Oslo nos anos noventa, perante motards da extrema-direita, armados de cacetes e correntes de bicicleta. Ele compreende tudo isso. Mas não percebe que a polícia de um Estado de direito não cumpra a lei ou que, quando a cumpre, arroste com as culpas da lei que cumpre. Se a lei está mal, mudem-na. E tem razão. Ou, pelo menos, mais razão do que nós.
Não há Estado em que os agentes da polícia sejam os sages do reino. (Não mandem, por exemplo, polícias de giro apurar quantas camionetas saem de um sítio à mesma hora, por muito logísticas que sejam as preocupações de quem ordena - porque uma vez irão perguntar ao sindicato, e dá inquérito, e, na seguinte, vão perguntar às escolas, e dá inquérito). O exercício da função policial - o exercício de toda a função repressiva do Estado - terá sempre, para ser legítimo e aceitável, de mover-se entre a insuficiência e o excesso, entre o laxismo e a brutalidade. Mas há Estados de direito, como o nosso, em que um qualquer D.L. 406/74, de 29 de Agosto, ainda se permite regulamentar (e condiconar) o "livre exercício", pelos cidadãos, do direito de "se reunirem pacificamente em "lugares ( ) particulares, independentemente de autorizações, para fins não contrários ( ) à ordem e à tranquilidade públicas". Por muito que a conjuntura histórica possa ter justificado este parreco, digam--me lá o que é que isto faz na nossa ordem jurídica. E contudo, quando se trata dos direitos de reunião e manifestação, este é um diploma que as autoridades - e a polícia também - devem fazer acatar. Mas nele não estão só envolvidos os três maiores partidos do regime (sendo que o Bloco apenas não existia e o CDS até se queixava de não estar no Governo). Estamos todos os que, estando à data de boa saúde mental, deixámos correr trinta e quatro anos sem balbuciar uma estranheza. Fica à consciência dos deputados da Nação. Que devem estar mais próximos da sageza de Estado do que o tal polícia de giro.
DN Online, 9/3/2008
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Educação em baixa
A divulgação de um estudo da OCDE mostrou um Portugal na cauda da Europa em matéria de Educação. Não só estamos no 23º lugar entre os 34 países europeus da OCDE nas despesas anuais por aluno desde o ensino básico até ao superior, como somos o segundo país com menor percentagem de conclusão do ensino secundário nos adultos entre os 25 e os 64 anos. A base de sustentação de um país está na formação do seu povo. Sem boa educação e sem formação contínua teremos um país esvaziado de valores e de motivação. Neste enquadramento, os melhores (os portugueses formados e talentosos) abandonarão o nosso país, hipotecando a sua construção económica e social assim como a produtividade das nossas empresas. Os portuguesas são os melhores trabalhadores do mundo, aqui e lá fora, desde que lhes deêm condições para mostrar as suas potencialidades e desde que as empresas tenham enquadramento laboral para compensar os melhores, o que não é possível com um código laboral cujas regras impedem a flexibilidade, que nos tolhem a competitividade na Europa.
José Ramos, Vice-presidente da Toyota Caetano Portugal (Grupo Salvador Caetano)
Transcrito do caderno Confidencial - Economia e Negócios, do Semanário SOL, edição nº 54, 22/9/2007
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Regresso às aulas
Com o fim das minhas férias retomo este meu blogue com a postagem de um artigo de opinião de Maria José Nogueira Pinto, publicado no Diário de Notícias, 6/9, sobre a política demográfica e educação.
CRIANÇAS A MENOS, PROFESSORES A MAIS
Maria José Nogueira Pinto
Gostava eu que a notícia fosse a abertura do ano escolar sem incidentes e com mais crianças, alegremente, a caminho da escola! Mas não é assim. Em Portugal nascem cada vez menos crianças, a taxa de natalidade é baixíssima, o envelhecimento demográfico um verdadeiro problema. Então podia ser esta a notícia: um alerta para o estado da nossa demografia. Mas também não. A notícia é a de que existem professores a mais e crianças a menos, parecendo ser mais preocupante o excedente de professores do que o deficit de crianças. Os números, sempre manipuláveis quando se quer criar um determinado efeito, variam de dez mil professores saídos nos últimos dois anos, a treze mil que estavam no activo no ano passado e hoje se encontram desempregados, mais quarenta e cinco mil que não conseguiram lugar numa escola. Confesso que não sei se devo somar ou subtrair, o certo é que muitos deixam de ter emprego e, pior, um trabalho para o qual se prepararam e no qual investiram parte da sua vida.Cada abertura do ano escolar contempla, quase sempre, um enfrentamento político-corporativo entre os sindicatos e o titular da pasta. Lembremos as famosas colocações dos professores, e tantos outros episódios que distorcem a realidade das coisas: o Ministério da Educação e o sistema de ensino não existem em função dos professores mas sim em função das crianças que há que educar e formar. Os professores não são necessários porque há um ministério, mas sim porque novas gerações têm direito a ser educadas. E nada mais errado que imaginar pretextos para absorver estes professores, como sugere o sindicato, acrescentando mais tarefas que só aparentemente introduziriam melhorias significativas. Acaso esses professores não têm estado lá? Se o sistema educativo português não tem a qualidade desejada, tal não se deve ao número de professores, nem mesmo à taxa de natalidade, mas sim a um conjunto de erros acumulados, geralmente reconhecidos, mas de difícil eliminação.Este macrossistema, sem crianças, sem resultados que nos honrem, sem procura, tem de ser, urgentemente, posto em causa como condição de poder ser salvo. Repensado por si mesmo e não na óptica do empregador ou dos sindicatos, mais dirigido ao combate à iliteracia dos alunos do que ao combate ao desemprego dos professores. Ora sendo a anunciada retracção do sistema uma tendência, o que faziam, então, os treze mil professores que estavam no activo, no ano passado, e estão hoje no desemprego? Esta simples pergunta sugere que a política de contratações do Ministério da Educação, nos últimos anos, não se terá baseado em critérios de elementar bom senso...Compreende-se a frustração de todos os que tendo investido na própria formação, se viram afastados de poder exercer o seu magistério. Um país aos solavancos, políticas casuísticas e indefinição impedem a estabilidade mínima a que cada um tem direito, para poder formar as suas decisões e orientar as suas escolhas. Mas as únicas medidas futuras para evitar o desemprego dos professores, ao contrário do que pensam os sindicatos, são as que no seu conjunto constituam uma verdadeira política de incentivo à natalidade e apoio à mulher e à família. Algo que nenhum governo fez, convictamente, até hoje, não obstante o nosso evidente envelhecimento demográfico e as suas trágicas consequências no desenvolvimento do país, no crescimento económico, na sustentabilidade financeira dos sistemas sociais, etc....Um logro, mais um, o de o Estado ser um empregador inesgotável. Uma expectativa criada por Sócrates quando, em campanha eleitoral, anunciou que iria multiplicar os postos de trabalho. A economia, o mercado, oxalá que sim! Mas o Governo, nas actuais circunstâncias, sabe que não tem outra opção que não seja a de contribuir para o aumento do desemprego. E, por mais que nos custe, tal poderá constituir um verdadeiro desígnio. É que, para além de não termos crianças, também não temos dinheiro. Por este andar, nem haverá renovação geracional nessa tão ingrata categoria de contribuinte. Aquele que paga o imposto que paga o salário do professor. É triste mas é assim.
Gostava eu que a notícia fosse a abertura do ano escolar sem incidentes e com mais crianças, alegremente, a caminho da escola! Mas não é assim. Em Portugal nascem cada vez menos crianças, a taxa de natalidade é baixíssima, o envelhecimento demográfico um verdadeiro problema. Então podia ser esta a notícia: um alerta para o estado da nossa demografia. Mas também não. A notícia é a de que existem professores a mais e crianças a menos, parecendo ser mais preocupante o excedente de professores do que o deficit de crianças. Os números, sempre manipuláveis quando se quer criar um determinado efeito, variam de dez mil professores saídos nos últimos dois anos, a treze mil que estavam no activo no ano passado e hoje se encontram desempregados, mais quarenta e cinco mil que não conseguiram lugar numa escola. Confesso que não sei se devo somar ou subtrair, o certo é que muitos deixam de ter emprego e, pior, um trabalho para o qual se prepararam e no qual investiram parte da sua vida.Cada abertura do ano escolar contempla, quase sempre, um enfrentamento político-corporativo entre os sindicatos e o titular da pasta. Lembremos as famosas colocações dos professores, e tantos outros episódios que distorcem a realidade das coisas: o Ministério da Educação e o sistema de ensino não existem em função dos professores mas sim em função das crianças que há que educar e formar. Os professores não são necessários porque há um ministério, mas sim porque novas gerações têm direito a ser educadas. E nada mais errado que imaginar pretextos para absorver estes professores, como sugere o sindicato, acrescentando mais tarefas que só aparentemente introduziriam melhorias significativas. Acaso esses professores não têm estado lá? Se o sistema educativo português não tem a qualidade desejada, tal não se deve ao número de professores, nem mesmo à taxa de natalidade, mas sim a um conjunto de erros acumulados, geralmente reconhecidos, mas de difícil eliminação.Este macrossistema, sem crianças, sem resultados que nos honrem, sem procura, tem de ser, urgentemente, posto em causa como condição de poder ser salvo. Repensado por si mesmo e não na óptica do empregador ou dos sindicatos, mais dirigido ao combate à iliteracia dos alunos do que ao combate ao desemprego dos professores. Ora sendo a anunciada retracção do sistema uma tendência, o que faziam, então, os treze mil professores que estavam no activo, no ano passado, e estão hoje no desemprego? Esta simples pergunta sugere que a política de contratações do Ministério da Educação, nos últimos anos, não se terá baseado em critérios de elementar bom senso...Compreende-se a frustração de todos os que tendo investido na própria formação, se viram afastados de poder exercer o seu magistério. Um país aos solavancos, políticas casuísticas e indefinição impedem a estabilidade mínima a que cada um tem direito, para poder formar as suas decisões e orientar as suas escolhas. Mas as únicas medidas futuras para evitar o desemprego dos professores, ao contrário do que pensam os sindicatos, são as que no seu conjunto constituam uma verdadeira política de incentivo à natalidade e apoio à mulher e à família. Algo que nenhum governo fez, convictamente, até hoje, não obstante o nosso evidente envelhecimento demográfico e as suas trágicas consequências no desenvolvimento do país, no crescimento económico, na sustentabilidade financeira dos sistemas sociais, etc....Um logro, mais um, o de o Estado ser um empregador inesgotável. Uma expectativa criada por Sócrates quando, em campanha eleitoral, anunciou que iria multiplicar os postos de trabalho. A economia, o mercado, oxalá que sim! Mas o Governo, nas actuais circunstâncias, sabe que não tem outra opção que não seja a de contribuir para o aumento do desemprego. E, por mais que nos custe, tal poderá constituir um verdadeiro desígnio. É que, para além de não termos crianças, também não temos dinheiro. Por este andar, nem haverá renovação geracional nessa tão ingrata categoria de contribuinte. Aquele que paga o imposto que paga o salário do professor. É triste mas é assim.
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