quinta-feira, 31 de julho de 2008

Afinal o que é que se passa no Timor Lorosae Nação?

Eu não estou a ter visões e nunca tive alucinações.

O Timor Lorosae Nação tinha fechado as portas esta tarde, como afirmei na postagem anterior, mas para meu espanto reabriu por volta das 20:30.

Contudo, adoptaram a política de lápis azul, vulgo censura: foram apagadas caixas inteiras de comentários, como a da postagem «Ressonâncias e delírios de manicómio», de 31/7.

Arrependeram-se os donos da Fábrica de Blogues?

Saúdo a reabertura do
www.timorlorosaenacao.blogspot.com

Será este o comentário que obrigou o fecho de Timor Lorosae Nação?


Esta que eu vou dizer é notícia: o Timor Lorosae Nação fechou as portas, esta tarde, enquanto estava a visitá-lo. A partir de agora só é permitido visita a convidados.

É uma pena os donos do blogue fecharem-no a participação livre de timorenses e amigos de Timor interessados pela política timorense, privando assim a umas centenas se não milhares de visitantes assíduos de um ponto de encontro em que se transformou com o tempo, até esta tarde, este fórum de discussão - o Timor Lorosae Nação.

Desde ontem que tem havido uma boa e esclarecedora discussão à volta de identidade de alguns comentaristas e dono do blogue Timor Online apoiantes de Mari Alkatiri e da Fretilin Maputo. Esta discusão foi provocada por um comentário de Loromatan Leno (L2) colocada em várias caixas de comentário nos últimos dois dias (30 e 31/7).

Tomei a liberdade de copiar neste blogue o referido texto para partilhar convosco. Leiam e tirem as vossas próprias conclusões.
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Anónimo disse...

Os Portugueses que participaram na Conspiração Contra Xanana Gusmão (XG)

António Veladas:

Antigo correspondente da RDP Antena1 em Díli, co-fundador da Semanário (http://www.semanario.tp/), titular de Passaporte Diplomático de Timor-Leste em representação de Timor-Leste junto China-Lusófona, em Macau.

Actividade económica e negócios:

António Veladas, mais conhecido como correspondente da RDP Antena1 em Timor-Leste. Além desenvolver o trabalho como jornalista, mas ele [tem] também interesse em negócios, iniciou com a fundação do «Semanário» e depois posteriormente convenceu as autoridades timorenses Mari Alkatiri, como PM, e Ramos Horta, como MNEC, [a conceder-lhe] obter passaporte diplomático de Timor-Leste para representar Timor-Leste em Macau, junto da cooperação económica China-Lusófona. Depois de crise de 2006, António Veladas e os seus grupos conspiradores permanecem em actividade, porque ninguém descobriu as personagens verdadeiras da Margarida e Malae Azul. Quando o Presidente da República, José Ramos Horta, convidou a AMP (Aliança para Maioria Parlamentar) para formar IV Governo Constitucional, António Veladas - e os seu grupos dos conspiradores - começou [a ver] a sua vida ameaçada e posta em causa os seus negócios, porque [só] o único governo liderado por Mari Alkatiri e a Fretilin podem garantir a [sua]permanência como representante de Timor-Leste junto da cooperação económica China-Lusófona.

Neste momento, António Veledas encontra-se em Évora a sua terra Natal, fundou novamente um semanário local e desenvolver os negócios em Angola.


Carlos Noronha (Margarida):

Trabalhava no Parlamento como cooperante do Governo Português. Foi ele que criou o site do Parlamento Nacional (http://www.easttimor.parliament.org/). Trabalhou para uma Organização Não Governamental Australiana. Co-fundador do Semanário (http://www.semanario.tp/).


Ele partilha com a mulher o código «Margarida», a mulher era professora da língua inglesa, era professora no World Street Institut (WSI) em Portugal, todos os documentos traduzidos em Inglês para Português, antes de publicar a revisão dos textos [feita] por António Veladas, Nuno Franco e o próprio Carlos Noronha, e são [também] os redactores.

Nuno Franco (Malae Azul) :

Conjuntamente com António Veladas e Carlos Noronha fundaram o Semanário (http://www.semanario.tp/). Nuno fez uma cobertura de madrugada em Lisboa sobre atentado 11/02 para TV SIC.


Colaboradores:

Outra Portuguesa que trabalhava para empresa da Água (H20) e depois ingressou [trabalhou] no gabinete dos antigos PM, Mari Alkatiri e Estanislau da Silva. Pode ser Maria Amado! Furak Lahane, esposa do Somotxo (antigo conselheiro do Konis Santana), antigo Vice-Ministro do Interior do II e III Governo Constitucional.

Entre outros…


Ligação:

Departamento da Propaganda da Fretilin…

Instrumentos:

Timor-Online (http://www.timor-online.blogspot.com/)


Timor Leste Nação (TLN) (http://www.timorlestenacao.blogspot.com/)

Meios de comunicação sofisticados:

Gravar as conversas

Intersectar as mensagens

Objectivo:

Xanana Gusmão e crise de 2006:


Transformar Xanana como autor da crise politica e militar em 2006.

Xanana Gusmão e atentado 11/02:

Transformar Xanana como autor do atentado 11/02, de qual ele próprio foi alvo de ataques.

Xanana Gusmão pró-Austrália e contra Portugal/CPLP:

Transformar Xanana como segue política de pró-Austrália e anti-Portugal/CPLP.

Mari Alkatiri: vitimas da crise e atentado 11/02:

Transformar Mari Alkatiri como vítima da crise de 2006 e atentado 11/02.

Mari Alkatiri-Pro Portugal/CPLP e anti-Austrália:

Transformar Mari Alkatiri como [alguém que] desenvolve política mais próxima e pró-Portugal/CPLP e anti-Austrália.

Público alvo:

Portugal

Opinião pública em geral, media, fazedores das opiniões e classe política.

CPLP

Outro alvo a atingir é como transformar a opinião pública da CPLP [para acreditar que] Mari Alkatiri é o único que pode garantir o interesse da CPLP e com Xanana os interesses da CPLP esta ameaçado.


Loromatan Leno (L2)
31 de Julho de 2008 8:48

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Mais 140 militares a caminho de Timor

O grupo está enquadrado nas forças das Nações Unidas.

É o sexto contingente português da GNR que viaja para Timor. O grupo de militares está enquadrado nas forças das Nações Unidas e tem como missão garantir a segurança no território, preparar as forças polícias de Timor e fazer protecção a ramos horta, presidente de Timor-leste. Antes do embarque e ainda junto das famílias as emoções misturavam-se.

O ministro da administração interna, também esteve no aeroporto e acompanhou os últimos preparativos da comitiva portuguesa. A missão das Nações Unidas em Timor termina em 2009 mas Rui Pereira não fecha a porta a continuação da presença portuguesa no território.

Para já, os militares da GNR vão estar em Timor até Janeiro de 2009. Desde 2007 que Portugal, integrado em missões da Nações Unidas, tem participado com militares na ajuda a Manutencao de paz e ao desenvolvimento de Timor-leste.

TVI (30-07-2008)


Portugal reafirma disposição para manter policiais no Timor

Lisboa, 30 jul (Lusa) - O ministro português da Administração Interna, Rui Pereira, reafirmou nesta quarta-feira disponibilidade para manter a cooperação portuguesa com o Timor Leste após o fim da missão das Nações Unidas no país, previsto para 2009.

"O primeiro-ministro mostrou-se receptivo à continuidade [da cooperação], mas naturalmente uma avaliação mais precisa terá que ser feita em fevereiro de 2009, quando vamos ver se as Nações Unidas se mantêm", frisou.

Rui Pereira assistiu nesta quarta-feira à partida de 125 oficiais da Guarda Nacional Republicana (GNR) para o Timor Leste. Os militares vão juntar-se a outros 15 que estão na capital timorense há duas semanas, enquadrados nas forças das Nações Unidas.

"Tive oportunidade de me deslocar ao Timor no ano passado e vi quão apreciada é a ação da GNR no Timor. Direi mesmo que é um papel decisivo para manter a estabilidade e a segurança naquele país-irmão da lusofonia”, disse Rui Pereira.

Segundo o ministro, os 140 militares da GNR vão "continuar assegurando missões de ordem pública, de operações especiais de desativação de explosivos, de coordenação e de investigação criminal”.

O porta-voz da GNR, o tenente-coronel Costa Lima, declarou à Agência Lusa que o contingente da GNR também vai atuar na preparação da polícia timorense e na proteção do presidente José Ramos-Horta.

Durante os preparativos para a despedida, o ministro Rui Pereira elogiou o trabalho da GNR.

"Quero reiterar a confiança que o governo português deposita na Guarda Nacional Republicana, que tem elevado bem alto o nome de Portugal nestas missões no estrangeiro, não apenas no Timor, onde tem um papel definitivo, mas noutras partes do mundo, como também na Bósnia".

Lusa (Brasil)

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Ramos Horta na RTP 1

Ramos Horta disse no encontro com o Primeiro-ministro português, José Sócrates, que queria a GNR em Timor, mesmo fora do quadro das Nações Unidas, para formar os polícias timorenses e também para ajudá-los na "manutenção da lei e ordem" no país. Trocando por miúdos: o Presidente Ramos Horta é de opinião que a GNR deve permanecer em Timor o tempo que for necessário mesmo após o término da actual missão das Nações Unidas, sendo parte das despesas suportadas por Timor.

Acordo Ortográfico: Reforma reforça papel de referência da língua portuguesa - Seixas da Costa

São Paulo, Brasil, 28 Jul (Lusa) - A reforma ortográfica e a promoção internacional do idioma vão reforçar o papel de referência da língua portuguesa, declarou hoje o embaixador de Portugal em Brasília.

Numa artigo publicado no jornal O Globo, Francisco Seixas da Costa salientou a importância da uniformização da ortografia do idioma "de modo a poder prestigiar-se como uma língua internacional de referência".

"Provavelmente nunca chegaremos a uma língua portuguesa que seja escrita de um modo exactamente igual por todos quantos a falam de formas bem diferentes", observou, mas "o acordo ortográfico que está em curso de aplicação pode ajudar muito a evitar que a grafia da língua portuguesa se vá afastando cada vez mais".-

Intitulado "A língua do mar", o artigo realçou o facto de a Cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), realizada na semana passada em Lisboa, ter tido "o tema da língua no centro da sua agenda".

"O português é, sem sombra de dúvida, uma das quatro grandes línguas de cultura do mundo, não obstante outras poderem ter mais falantes", assinalou.

"Nessa língua se exprimem civilizações muito diferentes, da África a Timor, da América à Europa - sem contar com milhões de pessoas em diversas comunidades espalhadas pelo mundo", frisou.

Para o diplomata, "a língua portuguesa não é propriedade de nenhum país, é de quem nela se exprime, não assenta hoje - nem assentará nunca - em normas fonéticas ou sintácticas únicas, da mesma maneira que as palavras usadas pelos falantes em cada país constituem um imenso e inesgotável manancial de termos, com origens muito diversas, que só o tempo e as trocas culturais podem ajudar a serem conhecidos melhor por todos".

O embaixador português avançou que o acordo ortográfico foi assinado em 1990, com entrada em vigor a 01 de Janeiro de 1994, desde que fosse ratificado pelos membros da CPLP.

"Quero aproveitar para sublinhar uma realidade muitas vezes escamoteada: Portugal foi o primeiro país a ratificar o acordo ortográfico, logo em 1991. Se todos os restantes Estados da CPLP tivessem procedido de forma idêntica, desde 1994 que a nossa escrita seria já bastante mais próxima", observou.

Como não foi ratificada, foi necessário criar protocolos adicionais, o primeiro para eliminar a data de 1994, e o segundo para incluir Timor-Leste e para criar a possibilidade de implementação com apenas três ratificações.

"Na votação que o Parlamento português fez, há escassos meses, desse segundo protocolo, apenas três votos se expressaram contra", referiu.

"Isto prova bem - prosseguiu - que, no plano oficial, há em Portugal uma firme determinação de colocar o acordo em vigor, não obstante existirem, na sociedade civil portuguesa - como aliás, acontece em outros países, mesmo no Brasil -, vozes que o acham inadequado ou irrelevante".

Seixas da Costa destacou ainda a recente criação por parte de Portugal de um fundo para a promoção do idioma, com uma verba inicial de 30 milhões de euros e aberto à contribuição de outros países.

"Esperamos que esta medida, ligada às decisões comuns que agora saíram da Cimeira de Lisboa da CPLP, possa ajudar a dar início a um tempo novo para que o português se firme cada vez mais no mundo, como instrumento de poder e de influência de quantos o utilizam", disse.

MAN.
28 de Julho de 2008

«Mas isto é só uma opinião»

Os apoiantes de Mari Alkatiri continuam a propalar na blogosfera, nomeadamente no conjunto de blogues da chamada Fábrica de Blogues, que Xanana Gusmão era o cérebro por detrás do atentado de 11 de Fevereiro passado contra Ramos Horta e que para desviar a atenção sobre si 'encenou' os tiros contra a sua própria caravana de viaturas ocorridos cerca de uma hora depois de o Presidente da República ser gravemente ferido, correndo assim o risco de ser atingido por vontade própria.

Nas minhas rondas pelos blogues temáticos sobre a política timorense, encontrei uma opinião de um leitor de Timor Lorosae Nação na caixa de comentário da postagem «HORTA COM MEDO E TIMOR CONTINUA "ENTREGUE" A XANANA GUSMÃO», da autoria de Alder Pinoca (28/07/2008), inicialmente publicada no blogue Opinião Lusófona.

Passo a transcrever, então, a opinião de um leitor que assina Nune Karik sobre os atentados de 11 de Fevereiro.


O Alfredo Reinado, paz a alma dele, quando decidiu abandonar o quartel disse que era por causa do diabo Alkatiri, do seu governo déspota e das violacões da constituicão que estavam a cometer na altura.

Mais tarde quando percebeu que nem o governo da AMP estava preparado para fechar os olhos aos actos pelo qual era acusado, e que aliás tinham sido fortemente condenado pelo próprio Xanana na altura da sua ocorrência, e que no mínimo dos mínimos teria que defender-se das acusacões contra ele num tribunal, mudou de ideias e ja dizia que afinal de contas o Xanana é que era o diabo.
Vejo nessa mudança um acto de desespero numa tentativa de adiar o inevitável que era entregar-se a justiça apesar de ter continuado a dizer que o faria voluntariamente.

Comprende-se que nas suas circunstâncias e a seriedade das acusacões, ele tinha que arranjar qualquer desculpa para não se entregar a justiça optando em vez disso por usar o seu potencial bélico para forçar uma saída mais airosa.

Enfim, paz a alma dele.

Nao acredito que ele tivesse ido a casa do Horta para o matar, mas também o próprio Horta nega terminantemente tê-lo convidado a lá ir. Na minha opinião Reinado foi lá por iniciativa própria para assegurar-se que Horta nao estava a vacilar perante as dificuldades levantadas na reunião que teve com os partidos políticos dias antes e traí-lo a última da hora, e ao mesmo tempo para pressioná-lo apressar a prometida solução para o seu caso.

Reinado estava com os nervos em flor da pele a ver a possibilidade de Horta não ser capaz de cumprir o prometido. Até porque a posicão das chefias militares, em particular a de Taur Matan Ruak, era que jamais aceitaria o regresso de Reinado às forças armadas.

O que Reinado não contou ou pelo menos não soube antecipar na sua inesperada visita a casa de Horta foi a reacção dos guardas presidenciais da F-FDTL que, diga-se à partida, nutriam um ódio mortal a ele e aos seus homens devido aos incidentes de Fatuahi em que alguns dos seus colegas tinha sido mortos pelo Alfredo ou pelos homens de Alfredo.

Sucede-se que Alfredo e o seu braço direito são alvejados mortalmente deixando os seus homens sozinhos, confusos, sem comando e mais que certo a espumarem de raiva por verem o seu comandante morto no chão. O Horta aproxima-se da sua casa e num acto de reflexo motivado pelo momento de raiva e irracionalidade um dos homens reage contra Horta e alveja-o para matar.

Salsinha ouve as notícias da morte de Reinado algum tempo depois e resolve agir, mas nao tem a mesma motivação do homem que alvejou Horta porque todos os seus homens estão vivos. A falta de uma forte motivacão de vinganca para matar Xanana combinada com o fogo de resposta dos escoltas internacionais do PM Xanana resultam a que Xanana escape ileso do ataque.

Inicialmente Salsinha procura negar responsabilidade pelo ataque, mas na impossibilidade de esconder a sua presença e a dos seus homens na área fortemente armado acaba por admitir que atacou sim mas so para assustar. Pensava ele que assim pudesse minimizar a seriedade das suas acções, perdão ações.

Se o ataque a Xanana Gusmão tivesse sido montado pelo próprio como a propaganda da Fretilin quer nos convencer, Salsinha e os seus homens teriam que ser cúmplices e estarem em compadrio com Xanana para implementar um plano destes. Isto é muito improvável visto que nenhum deles tem qualquer razão para sentirem-se tão fiéis a Xanana a ponto de arriscarem uma longa pena de prisão para si sem denunciar Xanana como sendo o cérebro por trás de toda esta alegada montagem. Até porque Xanana Gusmao estava activamente a envidar esforços para desgastar a influência de Salsinha e os seus mais chegados junto dos peticionários numa tentativa de assegurar uma célere resolução do problema dos peticionários.

É de notar que Xanana tentou reunir os peticionários em Aileu e Salsinha não só boicotou essa reunião como dias depois juntou-se a Alfredo Reinado para fazer uma grande parada militar participada por centenas de peticionários numa clara demonstração de desafio e tentativa de minimizar a autoridade de Xanana assim como a efectividade das suas iniciativas. Era um autêntico jogo de braços de ferro e de definir quem era o gato e quem era o rato. Este Salsinha não é o homem, fiel servidor de Xanana pronto a sacrificar-se a si e aos seu homens para salvar a pele do mestre. A ser verdade que Xanana estava por trás disto tudo já o Salsinha e os seus homens tinham apontado o dedo num acto de defesa própria para minimizarem as suas responsabilidades. Não o fizeram até agora porque Xanana foi definitivamente o alvo, nunca o mestre.

Angelita Pires sabe muito mais do aquilo que ela quer admitir. Mas admitir o conhecimento do plano de Reinado é admitir cumplicidade nesse acto. Acto esse que ganhou uma maior dimensão e maior gravidade desde o momento em que Ramos Horta foi alvejado e quase morreu nas mãos do grupo de Reinado. E desde o momento em que Xanana foi atacado mesmo tendo escapado ileso. O acto de aparecerem armados em casa do PR e do PM armados e desarmar os guardas do primeiro ja era sério a partida, mas os tiroteios que daí resultaram e o alvejamento do PR Horta tornou-se o num acto de alta traição e crime contra o Estado. Numa situacão de tamanha gravidade e com Alfredo morto, Angelita achou que o melhor a fazer era passar-se pela pobre amante sem o mínimo conhecimento da causa e do que se estava a passar. Mesmo sabendo que não era a intenção de Alfredo matar o PR Horta ou o de Salsinha atacar Xanana, os resultados no terreno são demasiado graves para assumir qualquer conhecimento do que na verdade se estava a passar.

Mas isto é só uma opinião. A verdade dos acontecimentos está prestes a sair e tudo ficará esclarecido.

Nune karik

29 de Julho de 2008 1:08

http://www.timorlorosaenacao.blogspot.com/

domingo, 27 de julho de 2008

10 mil timorenses observados por cirurgião e enfermeiro da Marinha

Domingo, 27 de Julho de 2008

Cerca de 10 mil doentes timorenses foram observados durante a missão humanitária do maior navio-hospital do mundo, que esteve duas semanas em Timor-Leste levando a bordo um cirurgião e um enfermeiro da Marinha Portuguesa.

Segundo contou à agência Lusa o médio Nelson Olim, em 14 dias de trabalho, a equipa do navio norte-americano "USNS Mercy" viu 10 mil doentes, entre os quais perto de 2.500 crianças.

A bordo deste navio, cuja capacidade equivale à do Hospital Santa Maria em Lisboa, foram realizadas 270 cirurgias e feitos 2.000 exames radiológicos durante a missão em Timor-Leste.

Foram ainda oferecidos cerca de 4.000 pares de óculos e reparados 64 aparelhos hospitalares timorenses, num valor total de 300 mil dólares (equivalente a cerca 200 mil euros).

Durante a missão houve ainda a oportunidade de construir de raiz um centro comunitário em Metinaro e de reabilitar uma escola em Bairro Pité, segundo as informações enviadas por e-mail à Lusa pelo cirurgião português Nelson Olim.

A missão global do "USNS Mercy" tem a duração de quatro meses, passando pelas Filipinas, Vietname, Timor, Papua Nova Guiné e Micronésia. No entanto, a participação da Marinha Portuguesa ficou restrita a Timor-Leste, de onde suspenderam âncora no sábado.

O navio, que esteve fundeado na baía de Díli, foi o centro da vertente cirúrgica da missão, mas no terreno estiveram destacamentos médicos em Díli, Baucau, Viqueque e em Bairro Pité.

JORNAL DA MADEIRA/LUSA

Ovar: Ramos Horta apresentou um Timor-Leste em processo de "normalização"

Presidente timorense esteve em Ovar e louvou a solidariedade permanente de Portugal e reafirmou a aposta na língua portuguesa

O presidente da República de Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz em 1996 visitou Ovar na tarde de ontem. José Ramos Horta foi prestigiar a exposição de pintura ‘ADN – Abertura da Descoberta da Nau’, da autoria de Maria Dulce, sua familiar, que decorre na Junta de Freguesia ovarense, mas acabou por realizar, também, uma ‘visita de Estado’ ao município.

Na sessão solene realizada nos Paços do Concelho, Ramos Horta sublinhou que, na actualidade, Timor-Leste está “em processo de normalização e de estabilização”. O Chefe de Estado timorense considerou que o Governo liderado por Xanana Gusmão – líder histórico da nação e seu antecessor na Presidência – tem todas as condições para cumprir o seu programa, uma vez que dispõe de maioria no Parlamento.

Ramos Horta também abordou o processo de constituição do Estado democrático de Timor-Leste, salientando que tem sido um processo difícil. Fez até comparações com o processo de normalização da democracia portuguesa no pós-25 de Abril de 1974. E deixou críticas às Nações Unidas, por terem ‘forçado’ os timorenses a assumirem a soberania, após apenas dois anos de mandato internacional, no período subsequente a 1999. “Não é possível construir um estado democrático em dois anos”, constatou.
Recordou o tempo em que orçamento do jovem país era de apenas 70 milhões de dólares. E de um percurso inicial de soberania marcado pela inexistência de uma administração pública e de uma economia estruturada. Hoje em dia, porém, o presidente assume-se optimista em relação ao futuro do seu país. Falou dos recursos já disponíveis, decorrentes da exploração, com os australianos, das reservas de gás e de petróleo - “dádivas de Deus a Timor-Leste”, como lhes chamou.

Actualmente, o orçamento do Estado timorense anda pelos 340 milhões de dólares e outro tanto chega-lhes da ‘ajuda internacional’. José Ramos Horta lamentou, no entanto, que a “capacidade de execução” do Governo timorense ainda seja “muito baixa”. Reiterou, contudo, que o Executivo liderado por Xanana tem mais meios para “resolver os problemas dos pobres”.

E se a ONU foi criticada, para Portugal ficaram só elogios. Recordou que, a partir de 1991, a “causa de Timor” tornou-se “prioritária” para a política externa portuguesa. E, se o nosso país “foi sempre solidário” para com os timorenses, “a partir de 1999, foi exemplar”, o que se mantém “até hoje”.

Manuel Oliveira, o presidente da Câmara de Ovar, e Manuel Malícia, o líder da Assembleia Municipal, destacaram as qualidades do visitante como “resistente” e como “combatente pela liberdade”. “É um homem que, pelo seu exemplo, é referencial para a humanidade”, sublinhou Manuel Oliveira. “Não sou herói; até tenho pavor de armas”, replicou Horta.

Alberto Oliveira e Silva
Diário de Aveiro - Jornal Regional (27-07-2008)

sexta-feira, 25 de julho de 2008

CPLP/Cimeira: Língua Portuguesa e "energia" na "Cimeira da Língua" (SÍNTESE)

*** Por José Sousa Dias, da Agência Lusa ***

Lisboa, 25 Jul (Lusa) - A afirmação da Língua Portuguesa na cena internacional é a meta "ambiciosa" definida pelo governo de Portugal para dar maior visibilidade e prestígio à CPLP, cuja Cimeira de Lisboa "rendeu" o apoio dos "oito" Estados-membros.

Maior contribuinte líquido da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Portugal, a par do Brasil, quer liderar um processo que, desde a fundação da organização, em 1996, tem sido, afinal, descurado, tal como assumiu o novo presidente do Conselho de Ministros, Luís Amado, chefe da diplomacia portuguesa.

Educação, Cultura e Energia serão os vectores "prioritários", disse de manhã o primeiro-ministro português, havendo espaço, "muito espaço", referiu, à tarde, José Sócrates, para negociar a questão petrolífera.

Três dos Estados membros da comunidade lusófona são países exportadores de petróleo (Angola, Brasil e Timor-Leste) e dois outros são potenciais exportadores (Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe), associados a um sexto país, Guiné Equatorial, que tem o estatuto de observador associado junto da CPLP e é o quarto maior exportador de crude do continente africano.

Para Portugal, a questão da Energia, embora apresentada quase em rodapé ao longo da cimeira, centra-se, porém, numa perspectiva mais vasta, uma vez que se insere no âmbito da diversificação das relações comerciais portuguesas, que já levaram Sócrates à China, Argélia, Rússia, Venezuela e Líbia, além dos "irmãos" Angola e Brasil.

O "interesse da CPLP" na Guiné Equatorial, contudo, esbarrou nas divergências entre alguns Estados membros da comunidade lusófona, que argumentam com a inexistência naquele país do Golfo da Guiné do Português como língua oficial, oficialmente, e com as violações aos Direitos Humanos, nos bastidores.

No entanto, Luís Amado acabou por ser taxativo, ao "conceder" que Portugal, durante a sua presidência, irá analisar o processo de adesão como membro de pleno direito do país liderado desde 1979 por Teodoro Obiang Nguema, que queria o assunto já resolvido na Cimeira de Lisboa.

A atribuição do estatuto de observador associado ao Senegal, que se junta à Guiné Equatorial e às ilhas Maurícias, acabou por ser um processo "natural", tal como disse à Agência Lusa fonte comunitária, que não escondeu os "entraves" postos por Angola à integração de Marrocos na lista de "colaboradores" da organização.

O acordo ortográfico e o programa de valoração da Língua Portuguesa marcaram o encontro de Lisboa, considerado por Sócrates como a "Cimeira da Língua", pois permitiu definir as orientações a seguir para além dos próximos dois anos.

Mas o paradoxo é o aumento de apenas 34 mil euros no orçamento para este ano e para o próximo do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP), o "motor" da aplicação do plano de valorização do Português no mundo.

Os orçamentos para 2006 e 2007, aprovados na Cimeira de Bissau, ascenderam a 148.500 euros, considerado "insuficiente" pela reconduzida presidente, a linguista angolana Amélia Mingas, que tem reclamado mais meios financeiros e humanos para levar a cabo a sua missão.

Para o próximo biénio, Amélia Mingas contará com 183.230 euros, apesar de estar subjacente os 30 milhões de euros destinados pelo governo português ao Fundo da Língua Portuguesa.

O acordo de cooperação consular, mas que ainda não entra em vigor porque falta a assinatura de alguns países, é aquilo que mais se aproxima da vontade dos "oito" Estados-membros em abolir os vistos de entrada nos diferentes países, permitindo alguma flexibilização, em áreas como a educação, por exemplo, na atribuição das autorizações de entrada.

Notada foi, a partir do meio da tarde, a ausência do

Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que abandonou os trabalhos da cimeira em direcção à residência do Embaixador, onde teve lugar uma conferência de imprensa exclusiva a jornalistas brasileiros.

Na ocasião, Lula evocou o projecto brasileiro de criação de uma Universidade Luso-Afro-Brasileira, para cerca de 5.000 estudantes no Estado do Ceará, como contribuição para a Lusofonia do "mais importante" dos "oito", em termos económicos e demográficos.

Lusa/Fim
25 de Julho de 2008

CPLP/Cimeira: Portugal assume hoje a presidência da comunidade lusófona

Lisboa, 25 Jul (Lusa) - Seis chefes de Estado, um primeiro-ministro e um chefe da diplomacia vão aprovar hoje a Declaração de Lisboa e o plano de acção da Presidência de Portugal da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), cuja VII Cimeira decorre hoje na capital lusa.

Ao longo do dia, os representantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste deverão aprovar as recomendações saídas da XIII Reunião do Conselho de Ministros, que decorreu quinta-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Sob o lema "Língua Portuguesa: Um Património Comum, Um Futuro Global", a cimeira assinala também a transferência para Portugal da presidência rotativa da organização, que contará também, ao longo dos próximos dois anos, com a liderança do Conselho de Ministros da comunidade lusófona.

O chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, receberá a presidência das mãos do seu homólogo da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, enquanto o chefe da diplomacia portuguesa já preside ao Conselho de Ministros desde quinta-feira, dia em que cessou funções a sua homóloga guineense, Maria da Conceição Nobre Cabral.

Outra transferência de competências assinala igualmente a cimeira, uma vez que o cabo-verdiano Luís Fonseca termina os quatro anos de mandato na liderança do secretariado-executivo, dando lugar ao guineense Domingos Simões Pereira.

Os projectos da presidência portuguesa para os próximos dois anos deverão ser aprovados pelos chefes de Estado e de Governo, tendo como pano de fundo o "eixo prioritário" da promoção e valorização da Língua Portuguesa no mundo, bem como harmonizar os direitos de cidadania no espaço lusófono e fomentar a concertação político-diplomática.

A cimeira permitirá também ao Senegal juntar-se à Guiné Equatorial e às ilhas Maurícias (integrados na Conferência de Bissau, em Julho de 2006) como observador associado da CPLP e reconduzir a linguista angolana Amélia Mingas como directora do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP).

Para aprovação haverá também uma série de resoluções relativas à promoção da Língua Portuguesa, combate à SIDA, reforço da participação da sociedade civil e circulação de bens culturais no espaço lusófono.

Presentes na Cimeira estão os chefes de Estado do Brasil (Luiz Inácio Lula da Silva), Cabo Verde (Pedro Pires), Guiné-Bissau (João Bernardo "Nino" Vieira), Portugal (Aníbal Cavaco Silva), São Tomé e Príncipe (Fradique de Menezes) e de Timor-Leste (José Ramos-Horta).

A delegação de Angola é liderada pelo primeiro-ministro, Fernando Dias dos Santos Piedade ("Nandó"), enquanto a delegação de Moçambique é chefiada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Oldemiro Balói.

Presente deverá estar ainda o chefe de Estado da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, o representante do MNE das ilhas Maurícias Jacques Balyon, e o chefe da diplomacia do Senegal, Cheikh Tidiane Gadio, bem como o presidente da União Africana (UA), Jean Ping, e outras individualidades ligadas a organizações internacionais e africanas.

JSD.

Lusa/Fim
25 de Julho de 2008

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Maioria dos timorenses poderá reclamar nacionalidade portuguesa

A independência de Timor-Leste abriu caminho a várias dúvidas sobre a nacionalidade dos timorenses. As próprias autoridades portuguesas estudaram a questão e chegaram à conclusão que a maioria dos timorenses pode reclamar a nacionalidade portuguesa.

A conclusão dos juristas do Ministério dos Negócios Estrangeiros é clara: não só todos os timorenses nascidos antes de 2002 são portugueses como todos os filhos podem reclamar a dupla nacionalidade.

O documento a que o Diário de Notícias teve acesso contém as conclusões de um grupo de trabalho do MNE criado em 2005 para identificar os problemas de nacionalidade decorrentes da independência de Timor-Leste, em 2002.

“Se Portugal reconhece estas prerrogativas aos timorenses, eu ficaria satisfeito, porque haveria muitos milhares de timorenses que gostariam de vir a Portugal e usufruir de privilégios e regalias de ser português para poder trabalhar em Portugal ou em outros países do Mundo”, declarou o Presidente timorense, José Ramos-Horta, no final de uma conferência que hoje proferiu na Universidade do Minho, em Braga.

A lei da nacionalidade foi alterada em 2006, mas não faz referência específica ao caso de Timor. Para o Presidente da República Timorense, a questão só pode ser resolvida por Portugal.

SIC Online, 24-07-2008

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ramos Horta e José Luís Guterres na cimeira do CPLP

O Presidente da República e o Vice-Primeiro-ministro estão em Lisboa para participar, em representação do 8º país de língua oficial portuguesa, Timor, na cimeira da CPLP que irá decorrer nos dias 24 e 25 de Julho.

Até aqui, tudo normal, logo não é notícia.

A notícia é (pasmem-se) Mari Alkatiri e o seu primogénito fazerem parte também da comitiva presidencial! E por que não dizê-lo do séquito presidencial?!

Finalmente, Alkatiri aceitou ocupar o espaço que lhe é devido de harmonia com a sua grande estatura de estadista! É de bater palmas.

Diáspora da "integração ou morte" com o coração em Timor

Há quase uma década que duas diásporas timorenses convivem em Timor ocidental: a dos que gritavam "independência ou morte" e a dos que mataram pela "integração ou morte".

Caetano Guterres, cônsul de Timor-Leste em Kupang, no Timor indonésio, consegue compreender ambas as comunidades, até porque os autonomistas "também têm o coração lá".

"Uns diziam, em tétum, 'mate ga moris ukun rasik an'. Outros respondiam, em indonésio 'hidup atau mati untuk integrasi' ou 'autonomia'. Para os dois lados, era até à morte. Eu fui militar e sei como é", diz.

Para o cônsul, fundador das Falintil, ex-guerrilheiro e ex-prisioneiro na Indonésia, "é preciso ver o elemento emocional dos irmãos que quiseram a integração".

"Quando nós acreditamos numa causa, oferecemos tudo o que temos e lutamos com todos os meios. Em 1999, os timorenses que defenderam a autonomia já tinham provado o fruto de 24 anos de integração", acrescenta.

"Consideraram que o território sob integração era deles. Houve um referendo, sob influência internacional. Eles perderam e não aguentaram".

Caetano Guterres, natural de Afaloicai, no sopé do Monte Matebian, no leste, é tio de Eurico Guterres, natural de Uatolari, também no distrito de Viqueque, e ex-comandante da milícia Aitarak de Díli em 1999.

O cônsul dá o exemplo do seu sobrinho quando fala de "arrebatamento" e da "natureza humana" de defender aquilo que considera como seu.

"Os autonomistas tinham o direito político e o direito democrático de escolher a via que achavam melhor para o seu futuro", diz.

Eurico Guterres, suspeito de responsabilidade directa no massacre da residência de Manuel Carrascalão em 17 de Abril de 1999, foi absolvido em Abril de 2008 pelo Supremo Tribunal indonésio e saiu em liberdade.

O ex-comandante da Aitarak foi absolvido porque a formação da sua milícia em 1999 foi ordenada pelo então governador da província de Timor-Leste, ele próprio libertado em 2004 após decisão em recurso.

Caetano Guterres, como cônsul e não como membro da resistência, tem que lidar diariamente com a diáspora dos que cometeram crimes em 1999 e com a diáspora dos que foram vítimas de crimes graves.

Uns e outros convivem, afinal, nos mesmos campos e nas mesmas aldeias de Timor ocidental.

"Uns estão melhor, sobretudo os funcionários públicos. Outros estão pior, como os que sobrevivem de agricultura ou pequenos trabalhos. Pode vê-los pelos mercados a vender hortaliças ou a conduzir motorizadas", refere.

"Vêm ao meu encontro, choram, dizem-me que gostariam um dia de voltar a Timor-Leste, limpar as campas, plantar a sua várzea. Este é o povo miúdo", espalhado por dezenas de antigos campos e localidades.

Cerca de 15 mil casas foram já entregues pela administração indonésia a cidadãos indonésios de origem timorense, "mas muitos têm medo de, recebendo a casa aqui, já nunca mais poder voltar para Timor-Leste", salienta Caetano Guterres.

Pedro Rosa Mendes, Lusa/AO online
22-07-2008

Acordo Ortográfico foi promulgado po Cavaco Silva

O Presidente da República, Cavaco Silva, promulgou esta segunda-feira o Acordo Ortográfico, que foi ratificado no Parlamento a 16 de Maio.

O Segundo Protocolo do Acordo Ortográfico, cuja ratificação era essencial para a entrada em vigor do acordo, contou com os votos favoráveis do PS, PSD, Bloco de Esquerda e de sete deputados do CDS-PP.

O PCP, o PEV e três deputados do CDS-PP (Paulo Portas, José Paulo Carvalho e Abel Baptista) abstiveram-se da votação, ao passo que três parlamentares do PSD (Henrique Freitas, Regina Bastos e Zita Seabra) e a socialista Matilde Sousa Franco abandonaram o hemiciclo antes da votação.

Por seu lado, o socialista Manuel Alegre, os centristas Nuno Melo e António Carlos Monteiro, bem como a ex-comunista Luísa Mesquita votaram contra.

O acordo assinado em 1990 e que prevê a possibilidade de adesão de Timor-Leste, que então não era estado soberano, foi até agora ratificado pelo Brasil, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe, para além de Portugal.

JornalDiario
2008-07-21

Alerta dos EUA

Departamento de Estado norte-americano desaconselha viagens para Timor

Washington - O departamento de Estado norte-americano voltou a alertar os seus cidadãos para que evitem deslocações não essenciais a Timor-Leste, considerando que continua a existir «o risco de mais instabilidade violenta».

Num «aviso a viajantes» emitido ao fim da tarde de segunda-feira, o Departamento de Estado alertou os cidadãos norte-americanos para o «contínuo potencial para a instabilidade civil violenta em Timor-Leste», relembrando as tentativas de homicídio do presidente e primeiro-ministro em Fevereiro deste ano.

«A situação pode deteriorar-se sem aviso e os estrangeiros poderão ser alvos específicos», revela o documento, acrescentando que «por agora os cidadãos dos Estados Unidos devem adiar viagens não essenciais a Timor-Leste».

«Desde Abril de 2006 que Timor-Leste tem atravessado períodos de instabilidade civil por motivos políticos e o risco de mais distúrbios violentos continua», refere o documento, que sublinha a ocorrência no passado de «violência comunitária indiscriminada» que «pode ocorrer de novo inesperadamente em todo o país».

O documento refere que a Austrália também continua a alertar os seus cidadãos para «reconsiderarem» as visitas a Timor-Leste.

(c) PNN Portuguese News Network
Jornal Digital, 22-07-2008

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Fare niente!

Estou quase a entrar de férias. Vou passar umas semanas em Díli e em alguns lugarejos na montanha. Vou levar comigo uma dezena de cartões de fotos e rolos fotográficos e prometo que vos darei a conhecer, neste blogue, alguns lugares idílicos de Timor.

Cavaco Silva destaca necessidade de afirmar a CPLP "na cena international"

Cavaco Silva assegurou esta segunda-feira que Portugal fará tudo o que estiver ao seu alcance durante a presidência da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) para afirmar a organização na cena internacional.

Portugal assume a liderança da CPLP nos próximos dois anos. A cimeira da organização, que decorrerá em Lisboa nos dias 24 e 25 de Julho, tem em agenda temas como a divulgação da língua portuguesa e a assistência consular entre os oito países membros da comunidade.

O chefe de Estado português, que falava após um encontro, no Palácio de Belém, em Lisboa, com o seu homólogo cabo-verdiano, Pedro Pires, congratulou-se com "as manifestações de interesse que têm vindo a ser reveladas por alguns países para serem observadores da Comunidade de Povos de Língua Portuguesa", como é o caso do Senegal.

Questionado sobre a eventual ausência da cimeira de José Eduardo dos Santos, Presidente de Angola, Cavaco Silva disse que "neste momento, ainda não existem indicações definitivas quanto às possíveis ausências". No entanto, "seria muito positivo que todos os presidentes que fazem parte dos países da CPLP estivessem presentes na Cimeira”, sublinhou.

Quinta-feira última, durante uma visita oficial a Angola, o primeiro-ministro português, José Sócrates, manifestou-se confiante na presença do presidente angolano na VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, agendada para os próximos dias 24 e 25, em Lisboa.

A promoção e divulgação da língua portuguesa e a assistência consular entre os oito países membros são os destaques da agenda da VII Cimeira da CPLP.

Ainda dentro deste último projecto, os líderes lusófonos vão debater uma proposta para facilitar a circulação de bens culturais.

Os "oito" deverão ainda aprovar uma declaração sobre HIV-SIDA "para os países adoptarem políticas comuns no combate à doença", com base num estudo elaborado pela CPLP, em coordenação com a ONUSIDA, que faz a avaliação da situação da doença nos países lusófonos e que vai ser divulgado na cimeira.

A nível de cooperação, os Ministérios da Saúde da CPLP vão também estabelecer um plano estratégico "que prevê uma acção coordenada nos próximos cinco anos, principalmente a nível de formação, capacitação de técnicos e também no combate às doenças infecciosas, além da sida, a malária e tuberculose".

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Portugal reforça cooperação com Cabo Verde

Após a recepção a Pedro Pires, Cavaco Silva congratulou-se com a cooperação entre Portugal e Cabo Verde em matéria de imigração.

Portugal acolhe cerca de 60 mil imigrantes de Cabo Verde “que têm dado um contributo significativo para o desenvolvimento económico e social”, afirmou.

Pedro Pires, que se encontra em Portugal e participa, a 24 e 25 deste mês, na cimeira da CPLP, considerou por seu turno que a imigração ilegal "deve ser combatida", mas advertiu que "requer uma cooperação entre os países que recebem ou que são procurados e os países de origem dessa imigração ilegal".

Enaltecendo a existência de um diálogo "muito positivo" entre Portugal e Cabo Verde, Pedro Pires defendeu a necessidade de "discutir, dialogar e chegar a acordo entre os países emissores, os países de origem e os países de destino" para melhor se combater o problema.

Com Lusa
SIC Online,21/07/2008

terça-feira, 15 de julho de 2008

VINGANÇA NÃO É JUSTIÇA, diz Ramos-Horta sobre crimes de 99


Senhor Presidente,


VINGANÇA é retaliar, é matar, é assassinar.


JUSTIÇA
é permitir ao criminoso redimir-se e reconciliar-se com as suas vítimas e a comunidade através do cumprimento da pena estabelecida pelo tribunal.

É esta a diferença entre vingança e justiça.


domingo, 13 de julho de 2008

Vingança não é justiça, diz Ramos-Horta sobre crimes de 99

Dili, 13 jul (Lusa) - O presidente do Timor Leste, José Ramos-Horta, afirmou que “os mortos não se honram com vingança”, em referência aos atos de violência que marcaram o ano de 1999, quando o pequeno país lusófono declarou-se independente da Indonésia.

José Ramos-Horta parte nesta segunda para Bali, Indonésia, onde a Comissão de Verdade e Amizade (CVA) apresenta, em 15 de julho, para as lideranças dos dois países, o relatório sobre os crimes de 1999.

"Os mortos não se honram por vingança. Honram-se por nos lembrarmos deles, do seu sacrifício, do seu sofrimento”, declarou José Ramos-Horta à Agência Lusa.

O presidente explicou que a comissão bilateral não tem como objetivo agir como instância judicial, nem seu relatório final recomenda acusações.

Na longa entrevista, concedida em Dili, o chefe de Estado timorense defendeu também o polêmico decreto presidencial que resultou na libertação de condenados por crimes contra a humanidade cometidos na época da independência.

A redução de penas de 94 detidos, decretada por Ramos-Horta, colocou em liberdade condicional quatro ex-membros da milícia pró-Indonésia Team Alfa, incluindo seu comandante, Joni Marques.

O presidente do Timor Leste disse que a decisão de indultar os ex-milicianos timorenses foi motivada pelo fato de não haver, atualmente, nenhum indonésio preso pelos crimes de 1999.

“Nenhum militar indonésio será julgado na Indonésia ou em um tribunal penal internacional” pelos crimes cometidos no Timor Leste, declarou José Ramos-Horta, considerando que não poderia, "ao mesmo tempo, continuar mantendo preso um desgraçado de um miliciano que cometeu seus atos porque estava drogado e que já cumpriu oito anos”.

"Se ele não tivesse cumprido [oito anos de prisão], minha reação poderia ter sido outra”, disse ainda Ramos-Horta sobre a decisão de soltar Joni Marques.

Já em liberdade, o ex-miliciano foi entrevistado pela Agência Lusa em junho, em um campo de deslocados de Dili, onde se encontra com sua família à espera de indenização pela perda de uma casa na crise de 2006.

A redução de pena dos ex-milicianos fez com que cidadãos e organizações fizessem um abaixo-assinado no qual José Ramos-Horta foi acusado de “desconhecer a natureza da dor”.

“Esses senhores que falam talvez não sabem que eu perdi três irmãos. Não sei se há algum líder neste país, não sei se há um único que perdeu tantos familiares como eu”, rebateu o presidente.

“A melhor forma de honrar os mortos é nós, hoje, criarmos um país livre, pacífico e próspero, para que possamos dizer que não foi em vão tanto sacrifício”, defendeu José Ramos-Horta.

Lusa (Brasil), 13-07-2008

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Indulto do PR Horta a Rogério Lobato e milícias


O
indulto presidencial de 20 de Maio a condenados por crimes contra a humanidade nunca deveria ter havido lugar. Nem o indulto a Rogério Lobato, por distribuição de armas e formação de esquadrão de morte. Este acto é uma afronta às vítimas e à democracia. Nunca entendi, por mais que eu desse volta aos miolos, o perdão ao assassino da Madre Margarida, do diácono Jacinto (de Gariauai) e outros, mortos a tiro e atirados para o leito de uma ribeira como se de animais se se tratasse.

Qualquer acto de perdão de penas concedido através da prerrogativa presidencial de concessão de indulto deve partir de uma proposta do Governo. Contudo, sabe-se que o Primeiro-ministro Xanana não era de opinião em soltar essas feras antes de cumprirem as penas setenciadas por tribunal: apenas recomendou redução das respectivas penas. A Rogério Lobato, o Primeiro-ministro tinha recomendado redução de um ano do total da pena sentenciada. Não o seu perdão total. Não tinha recomendado a soltura pura e simples. Muito menos a carniceiro de Lospalos.

Na minha opinião, o Presidente Horta, ao fazer orelhas moucas às recomendações do Governo, quis soltar-se da tutela de Xanana: foi um grito de Ipiranga! Mas, essa afirmação de autonomia pode prejudicar muito a frágil democracia timorense. Transmite aos timorenses e ao mundo uma imagem de um país onde os crimes praticados por motivação política são impunes. A presença de Roque Rodrigues no gabinete do Presidente Horta, como seu assessor, poderá explicar em parte o perdão total de pena a Rogério Lobato, seu camarada da Fretilin.

Contudo, Xanana, mesmo sem se mexer, faz sombra a muita boa gente, pelo seu trabalho em prol do bem-estar dos seus irmãos timorenses, ao conduzir sabiamente, no passado, o seu povo à libertar-se do invasor e, no presente, a libertar-se de uma oligarquia nascente alkatiriana, da corrupção, pobreza e ignorância.

Cooperação brasileira com Timor Leste é animadora, diz Lula

Dili, 11 jul (Lusa) - A cooperação do Brasil com o Timor Leste tem produzido resultados “animadores”, afirmou nesta sexta-feira o presidente Lula no final de sua visita oficial de um dia a Dili.

“Os avanços alcançados são animadores”, afirmou Luiz Inácio Lula da Silva perante o plenário do Parlamento Nacional, ponto alto da agenda carregada de uma visita de Estado de dez horas ao Timor Leste.

Lula conheceu as áreas privilegiadas de cooperação e visitou o Centro de Formação Profissional de Becora, Dili, e o Tribunal de Recurso, dois locais onde a ajuda brasileira marca presença.

“Já começam a chegar aqui os professores brasileiros da segunda fase de cooperação na área educacional que estendemos até 2010”, anunciou Lula no discurso aos deputados.

O presidente brasileiro destacou que este programa de apoio à língua portuguesa passa a dispor da contrapartida timorense com o pagamento de salários aos professores.

Lula recordou que “o Brasil participou na implementação do primeiro curso de pós-graduação do país, na Universidade Nacional Timor Lorosae, que forma este ano a primeira turma”.

“Vamos diversificar a contribuição ainda mais, integrando setores de educação não formal”, adiantou o presidente.

O Brasil apoiará no Timor Leste a reformulação de escolas agrotécnicas para reforçar o potencial agrícola do país, acrescentou.

“Vamos fornecer pacotes de programas televisivos, telenovelas, telecursos, programação cultural e educativa, entretenimento infantil”, acrescentou Lula, sobre o reforço na área de conteúdos culturais.

“Para isso, contamos com a colaboração de algumas das mais importantes empresas de comunicação e fundações culturais do Brasil”, anunciou.

“A construção de uma economia moderna e competitiva não se faz sem mão-de-obra qualificada”, explicou o presidente brasileiro, frisando o investimento no Centro de Formação Profissional em Becora.

O centro já dava formação em áreas como o vestuário, construção civil e computação e vai passar a oferecer cursos de refrigeração e mecânica de motorizadas, adiantou.

Lula visitou demoradamente o centro de Becora após o almoço.

“Atendendo a uma solicitação do presidente timorense José Ramos-Horta, pedi a eminentes juristas brasileiros que elaborassem o Código Militar do Timor Leste”, afirmou Lula.

Outra área em que o Brasil pretende continuar a dirigir a sua ajuda é o setor de segurança, prosseguindo o programa de formação das forças timorenses, com o início da terceira fase da instrução militar pelo Exército brasileiro às Falintil-Forças de Defesa do Timor Leste (F-FDTL).

“Não há desenvolvimento sustentável sem a luta contra a pobreza, a miséria e a exclusão social”, defendeu o presidente brasileiro, no discurso ao Parlamento.

A luta contra o analfabetismo e o desemprego são, por isso, vetores prioritários da cooperação brasileira, explicou.

Lula adiantou ainda que estará no Timor Leste uma missão da Companhia Nacional de Abastecimento brasileira “para ajudar a estruturar o programa nacional de distribuição de alimentos” timorense.

O chefe de Estado brasileiro anunciou também que o Brasil reserva uma vaga nos cursos para funcionários da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), oferecido pelo Instituto Diplomático Rio Branco, Academia Diplomática Brasileira.

O presidente citou a entrada de cinco atletas timorenses na Escola de Futebol da CPLP em Brasília.

Na visita do presidente brasileiro foi incluída uma exibição da seleção timorense de futebol sub-21, que vai participar dos Jogos Estudantis da CPLP, no Rio de Janeiro.

Lusa (Brasil), 11/07/2008

Brasil e Timor estreitam relações

Os 20 mil quilômetros que separam o Brasil do Timor Leste não são barreira para que os dois países estreitem suas relações diplomáticas. A prova disso é que no mês passado um grupo de trabalho formado por técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego visitou o país numa missão para coletar informações que possam subsidiar futuras ações nas áreas da economia solidária, microcrédito e empreendedorismo, observatório do mercado de trabalho e juventude.

Durante sete dias, os técnicos participaram de reuniões e promoveram seminários sobre os temas e agora estão elaborando um projeto para implementar atividades e programas que serão concretizadas, em breve, por meio da assinatura de um termo de cooperação técnica entre os dois países.

"O Brasil não está pedindo nada em troca, o objetivo é tão somente ajudar o desenvolvimento social do Timor", destaca a chefe da equipe do MTE, Adriana Giubertti. Além dela, participaram da comitiva o coordenador-geral do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, James Maxwell, o coordenador-geral de Fomento a Economia Solidária, Jorge Nascimento e o coordenador de Articulação e Empreendedorismo Juvenil, Alisson Araújo.

Segundo Adriana, embora o Timor esteja necessitando de consultoria e ajuda em todas as áreas tratadas na viagem, o Programa de Pesca Artesanal mereceu destaque, em virtude da localização do país - na parte oriental da ilha de Timor, na Ásia.

No itinerário, a comitiva visitou a Secretaria de Formação Profissional e Emprego, o Parlamento Nacional, o Instituto de Apoio e Desenvolvimento Empresarial (Iade), o Centro de Formação do Senai, o Instituto Nacional de Administração Pública (Inap), o Centro Dom Bosco, além de Liquiça, um dos distritos do país.

Atentados contra o presidente - A idéia de o Ministério do Trabalho e Emprego colaborar com o desenvolvimento do Timor Leste surgiu quando da visita do secretário-executivo, André Figueiredo, ao país. Ele esteve no Timor em fevereiro para participar da 8ª Reunião de Ministros de Trabalho e dos Assuntos Sociais da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), quando o presidente Xanana Gusmão sofreu atentado contra sua vida.

"Meu compromisso e de outros colegas do governo que estiveram lá é de viabilizar uma ação internacional da qual o Brasil faça parte para que o Timor não dependa mais de esmolas", disse Figueiredo na época.

Mais informações: Secretário-executivo do MTE conta como foram os dias no Timor Leste

MTE
PRAVDA.Ru, 11/07/2008

Lula em Díli

Lula reafirma cooperação com Timor Leste

Presidente disse que Brasil é 'admirador, parceiro e povo irmão', do país.
Acordos abordam economia, segurança, cooperação judicial e esportes.

Do G1, em São Paulo

Em discurso no Parlamento de Timor Leste nesta sexta-feira (11), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou o compromisso do Brasil de manter o apoio ao desenvolvimento do país. Lula disse que o povo timorense tem demonstrado "maturidade" e que a democracia está "revigorada no país".

"No ano passado, em meio a grandes dificuldades, realizou eleições parlamentares e presidenciais, no primeiro pleito nacional conduzido soberanamente. No início deste ano, soube responder com serenidade e equilíbrio ao ato de violência contra o presidente Ramos-Horta", exemplificou o presidente.

Dirigindo-se a Ramos-Horta e aos parlamentares, Lula disse que o Brasil é um "admirador, parceiro e um povo irmão" de Timor Leste e que "estará incondicionalmente" ao lado do país.

Programas de cooperação

Segundo Lula, o Programa de Cooperação na Área Educacional, que leva professores ao país, foi estendido até 2010. Lembrou que o Brasil participou da implantação do primeiro curso de pós-graduação do país e anunciou que este ano será iniciado o Programa de Reformulação do Currículo das Escolas Agrotécnicas.

O presidente disse que, atendendo a um pedido de Ramos-Horta, juristas brasileiros estão colaborando na elaboração do projeto de Código Militar de Timor Leste.

De acordo com Lula, uma missão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), irá a Díli, para colaborar no Programa Nacional de Distribuição de Alimentos. “Estou seguro de que, como no Brasil, ajudará a levar dignidade e esperança para os mais vulneráveis”, disse.

Também foi anunciada a participação de timorenses nos cursos para funcionários da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e na Escola de Futebol da CPLP.

Ramos-Horta expressou ao presidente brasileiro, no início da visita, seu desejo de estreitar as relações "especialmente nas áreas de agricultura, pesca e capacidade construtora".

Judiciário

Lula também visitou o Tribunal de Recursos de Timor Leste e falou sobre o fortalecimento das instituições.

Usando como exemplo o Brasil, o presidente disse que seu governo está procurando combater o crime “e, ao mesmo tempo, as causas do crime” e acrescentou que “houve um tempo em que algumas pessoas acreditavam que estavam acima da lei”.

Agenda

Lula, que também falou com o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e com outros membros do Executivo do país. À tarde, visitou um centro de formação profissional, se reuniu com a comunidade brasileira e também com um representante das Nações Unidas.

A visita oficial do presidente brasileiro responde à efetuada por Ramos-Horta ao Brasil no final de janeiro, na qual o presidente de Timor Leste se interessou especificamente pelo projeto Renda Básica de Cidadania.

Após deixar Díli, Lula viajará para Jacarta, a última escala de sua viagem por quatro nações asiáticas. O itinerário começou no Japão para aproveitar a realização da cúpula do Grupo dos Oito (G8, sete nações mais ricas do mundo e a Rússia), que permitiu que Lula se reunisse, entre outros, com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

Brasil e Timor

O Brasil teve um papel importante no processo de independência de Timor Leste graças às tradicionais relações bilaterais entre os dois países derivadas de sua condição de ex-colônias portuguesas.

Após a dupla tentativa de assassinato de Ramos Horta e Gusmão, em 11 de fevereiro, em Díli, em um atentado cometido por um militar rebelde, o governo brasileiro apoiou publicamente ambos os dirigentes para impedir a desestabilização do Estado, que obteve a independência em 2002 como um dos países mais pobres do mundo.

Timor Leste, que após séculos de domínio português ficou 24 anos ocupado pela Indonésia, ainda luta para alcançar uma estabilidade política que lhe permita se concentrar no desenvolvimento econômico.

Com informações da Efe
Globo.com, 11/07/2008

Ainda o Acordo Ortográfico (3)

Países lusófonos: todos diferentes, todos iguais

Viajando há dias no Metro, ouvi ao meu lado uma acesa discussão sobre o Acordo Ortográfico em que os dois interlocutores, ambos acerrimamente descontentes com o referido diploma, se insurgiam contra o que eles chamavam de “capitulação aos Brasileiros”, “falta de respeito pelos Portugueses”. E mais diziam: “Como é que podem obrigar-nos a falar brasileiro? Por que é que havemos de passar a dizer de fato em vez de de facto?” “Tu não achas que se devia fazer um referendo? Nós é que devíamos decidir!” Nestas e noutras mui doutas barbaridades ocuparam os vinte e tantos minutos que durou o percurso.

Comentemos, antes de mais, estas afirmações que, aliás, com mais erudição, ou mais artificio, se têm vindo a ouvir a gente bem mais ilustrada do que eram, aparentemente, os meus companheiros de viagem. A primeira observação vai para o referendo. Tem alguma graça ouvir falar de referendo a propósito desta questão. Quando algum falante dá um pontapé na gramática ou usa sem motivo um estrangeirismo, consulta os demais antes de desfigurar a língua que é de todos? Mas passemos adiante.

Convém que nos detenhamos no que eles chamaram de “falar brasileiro”. Esclareçamos desde já que ninguém vai “falar brasileiro” – seja isso o que for – em resultado do Acordo. No entanto, devemos lembrar os leitores que de há muito os portugueses se vêm rendendo ao falar do Brasil em consequência da popularidade das telenovelas e ninguém até hoje considerou tal fenómeno prejudicial à Língua Portuguesa. E com razão, porque não é. No Brasil, tal como em Portugal e na Guiné-Bissau, Angola, Cabo-Verde, S. Tomé, Moçambique e Timor-Leste, fala-se a mesma língua – o Português, em variedades linguísticas que não afectam a sua unidade. Que entre falantes de diferentes variedades, sociais ou geográficas, haja permeabilidade lexical ou fonética, ou outra, isso só contribui para a coesão da língua. O que agora está em causa é apenas a grafia, isto é, a representação gráfica da língua que falamos. E a grafia resulta de uma convenção estabelecida, se possível por consenso, entre especialistas de todo o espaço onde a língua é falada, no sentido de se encontrar o melhor critério, o mais lógico, o que mais facilite a tarefa de quem escreve e de quem lê. Porque quem fala não precisa de ortografia. E é bom não esquecer que está por fazer o trabalho de alfabetização da esmagadora maioria dos cidadãos dos países lusófonos. O seu analfabetismo não os impede de falarem Português, mas impede-os de acederem à escrita e, portanto, à cultura. Sosseguem, pois, os mais alarmados porque apenas está em causa a grafia, não a fala.

Desde há um século, porém, que Portugal (que incluía então as actuais ex-colónias) e o Brasil vinham procurando uma ortografia tanto quanto possível unificada. O Novo Acordo Ortográfico veio pôr cobro à deriva em que andava a ortografia da língua. Já em 1911 Portugal procedeu à primeira grande reforma da ortografia, sem a participação do Brasil, que passou a ser adoptada pelos falantes portugueses, mas não no Brasil que, como país soberano, não a acatou. Chegou-se agora a um acordo, o melhor e o único possível. Seja bem-vindo!

O Novo Acordo privilegia o critério fonético em desfavor do etimológico. Quer isto dizer que ninguém, em Portugal, vai ser obrigado a escrever “de fato” porque em Portugal se diz “de facto”, logo, a grafia corresponde à fonética. Pela mesma razão iremos escrever atual e ótimo porque é assim que dizemos dos dois lados do Atlântico. No caso de fonética díspar, o Acordo estabelece a grafia, díspar também, segundo a norma culta lusoafricana e segundo a norma culta brasileira. No total, não chegam a 2% as palavras com diferente grafia. Porquê tanto desacordo? Fica a sensação que há muito desconhecimento do que, de facto, está consagrado nesta revisão das normas ortográficas.

Por fim, lembremos que, «sendo a língua portuguesa um instrumento de comunicação de oito países, de quatro continentes, com mais de duzentos milhões de falantes, e língua oficial ou de trabalho de mais de uma dúzia de organizações internacionais»(1), a unificação da ortografia só pode ter vantagens. E a estratégia portuguesa é a correcta porque consiste em envolver o Brasil num esforço colectivo de promoção da língua portuguesa, mas em que cada país lusófono conta o mesmo institucionalmente. Não deixa de ser interessante pretender que Portugal tenha um peso acrescido na CPLP quando tantos criticaram a desigualdade de poder dos países da União Europeia consagrada no Tratado de Lisboa.

Será de todo saudável que os portugueses tomem consciência que o eixo da lusofonia já não se centra em Lisboa, mas algures entre o Rio de Janeiro e Brasília. Só quando o tiverem compreendido, e interiorizado, estarão a contribuir, de facto, para a dignificação da sua língua.

(1) JOÃO MALACA CASTELEIRO e PEDRO DINIS CORREIA Atual – O novo acordo ortográfico. O que vai mudar na grafia do português (Lisboa, Texto Editora, 2007)


Albina de Azevedo Maia
TERRAS DO AVE, 11/07/2008

Apoio de Lula à criação de tribunais militares

Lula promete apoio ao Timor Leste em reunião com Ramos-Horta

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com seu colega timorense José Ramos-Horta durante uma breve visita a Díli nesta sexta-feira e prometeu seu apoio ao país asiático, disse Ramos-Horta.

"Com muita felicidade e com todas as suas capacidades, o presidente Lula prometeu novamente ajudar o Timor Leste", disse Ramos-Horta à imprensa após ter se reunido com o presidente brasileiro.

Lula "disse que nestes dois anos quer manter excelentes relações com o Timor Leste, especialmente nos âmbitos da agricultura, da pesca e da construção".

Lula visitou a ex-colônia portuguesa como parte de uma viagem pelo sudeste asiático, após ter participado da reunião ampliada do G8 no Japão no início da semana.

Em um discurso ao Parlamento, Lula afirmou que dará seu apoio à reforma judicial dos tribunais militares.

"Isso representa uma parte da cooperação na área de justiça entre nossos dois países", afirmou o presidente brasileiro aos legisladores.

Lula se reuniu com o primeiro-ministro Xanana Gusmão durante sua visita ao Timor Leste, que foi colônia portuguesa durante séculos antes de ser anexado pela Indonésia em 1975.

O país, de um milhão de habitantes majoritariamente católicos, conquistou sua independência em 2002.

O presidente brasileiro visitou quinta-feira o Vietnã, onde elogiou os progressos econômicos do regime comunista e sua vitória na guerra contra os Estados Unidos. Esta sexta-feira viajará para a capital indonésia, Jacarta.

str-smc/dm
ÚLTIMO SEGUNDO / EFE
11/07/2008

Lula assina acordos de cooperação com Díli

Lula assina seis acordos de cooperação com o Timor-Leste

Jacarta, 11 jul (EFE).- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se comprometeu hoje a apoiar o desenvolvimento do Timor-Leste e assinou seis acordos bilaterais de cooperação com a ex-colônia portuguesa.

"O Timor-Leste é uma nação soberana e merece nosso apoio", afirmou o presidente ao Parlamento timorense, onde reiterou que o Brasil "ajudará o país em tudo que puder".

Os acordos firmados são principalmente "de transferência de conhecimentos, capacitação e troca de informação e experiências", explicaram à Agência Efe fontes oficiais do Brasil.

O Brasil prorrogará seu programa de formação de funcionários no Timor-Leste e participará do treinamento e capacitação das forças de segurança locais.

Lula anunciou ainda a ampliação até 2010 do programa de alfabetização que mantém 50 professores brasileiros no Timor-Leste.

A viagem de Lula ao Timor-Leste começou com uma reunião com seu colega timorense e Nobel da Paz, José Ramos Horta, seguida por um encontro com o primeiro-ministro Xanana Gusmão e com outros membros do Executivo do país.

Em seguida, Lula foi ao Parlamento e à sede do Poder Judiciário do Timor-Leste, e à tarde visitou um centro de formação profissional e se reuniu com a comunidade brasileira que vive no pequeno país do sudeste asiático.

O presidente seguirá à noite para Jacarta, onde no sábado iniciará uma visita oficial, a quarta e última etapa de seu giro pela Ásia que começou no Japão, onde participou da cúpula do Grupo dos Oito (G8, que reúne os sete países mais industrializados e a Rússia), e que também passou pelo Vietnã. EFE jpm/mh

ÚLTIMO SEGUNDO, 11/07/2008

Presidente Lula em Díli

Timor-Leste: Presidente do Brasil defende reforma da ONU

Dili, 11 Jul (Lusa) - O Presidente da República do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu hoje no Parlamento Nacional de Timor-Leste a reforma das Nações Unidas.

"A cooperação internacional neste país mostra-nos que não há substituto para o multilaletarismo na hora de respondermos aos desafios de um mundo em profunda transformação", declarou Lula da Silva na sua intervenção no Parlamento timorense.

"Temos defendido a necessidade de reforma da ONU, para que ela se torne mais eficiente, legítima e eficaz na garantia da paz e da segurança internacionais", explicou o chefe de Estado brasileiro.

"Isso implica que as operações de ajuda não se limitem à presença de tropas mas incorporem a dimensão do desenvolvimento", adiantou Lula da Silva, que enumerou diversos projectos e áreas da cooperação entre o Brasil e Timor-Leste.

Lula da Silva encontra-se em visita oficial a Timor-Leste, durante apenas algumas horas de agenda preenchida.

O Presidente brasileiro, que chegou às 07:00 a Díli num avião da Força Aérea Brasileira, encontrou-se de manhã com o seu homólogo timorense, José Ramos-Horta, e com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão.

José Ramos-Horta mostrou-se satisfeito com o encontro com Lula da Silva e a possibilidade de aprofundamento da cooperação bilateral.

"Um pedido que fiz é a criação de um Tribunal Militar, além da legislação que está quase pronta. Podemos receber o Código (de justiça militar) dentro de pouco tempo", anunciou o Presidente timorense em declarações à Lusa.

José Ramos-Horta afirmou que o Presidente da República do Brasil está "muito motivado para avançar com mais acordos concretos ou a sua concretização o mais depressa possível".

Agricultura, produção de energia e capacitação humana foram os sectores identificados pelo Presidente da República timorense como áreas privilegiadas da cooperação brasileira em Timor-Leste.

"É extremamente comovente ver o carinho, a simpatia do lado do povo e do Presidente do Brasil", sublinhou o chefe de Estado timorense.

Lula da Silva visita ainda hoje o Centro de Formação Profissional em Becora, Díli, além de uma breve passagem que fez pelo Tribunal de Recurso. No final da visita está agendada uma declaração oficial do Presidente da República do Brasil.

PRM
Lusa/fim.
11/07/2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O ramo português do clã Carrascalão

Nas minhas andanças pelas serras algarvias, descobri, numa vilazita pendurada na serra sobranceira à cidade de Faro, primos do clã Carrascalão timorense.

Ainda se encontram em São Brás de Alportel dois membros da família Carrascalão: um sobrinho e um sobrinho neto de Manuel Carrascalão, deportado, nos anos vinte, pelo Estado Novo de Salazar para a então colónia penal de Timor, acusado de actividades subversivas anarco-sindicalistas.

A família Carrascalão era muito conceituada em São Brás de Alportel até ao falecimento do último "velho" Carrascalão, mais conhecido por "Álvaro Cunhal", devido não só a sua parecença física (sobrancelhas exageradamente grossas, rosto seco e cabelo todo branco) com o antigo Secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Álvaro Cunhal, como também pela sua opção ideológica comunista.

Este irmão do patriarca do ramo timorense do clã Carrascalão, Manuel Carrascalão, pai de dois conhecidos políticos timorenses Mário e João Carrasacalão, faleceu de desgosto pela morte "estúpida", por atropelamento numa recta, da esposa, de quem amava muito, deixando-se literalmente morrer.

Contaram-me que o mais brilhante dos irmãos Carrascalão, também anarco-sindicalista próximo do PCP, foi preso e torturado, tendo falecido na prisão. Este mano velho Carrascalão era o modelo de outros dois irmãos, sobretudo o Manuel, tendo este último seguido quase literalmente as pisadas do irmão e sofrido na carne e no espírito, às mãos da antecessora da Pide, as agruras da prisão, tortura e deportação para Timor.

O mano "Álvaro Cunhal" tinha alguns contactos com dois dos sobrinhos timorenses, segundo me contaram. E consta que tinha muito orgulho do irmão deportado, Manuel, e dos sobrinhos. Diziam que em momentos de nostalgia lamentava-se aos seus amigos e vizinhos de não ter sido também deportado para Timor, porque se assim tivesse sido também teria conseguido melhorar a sua vida como o seu irmão Manuel.

Os últimos Carrascalão a residirem ainda em São Brás de Alportel são o filho e neto de "Álvaro Cunhal". O filho esteve emigrado em França (país onde nasceu o neto Fifi). Era conhecido, em França, entre a comunidade emigrante por "Fura Montra". É uma pessoa de compleição física bastante forte, mas de mau fígado. Era amigo do Baco, e quando já bastante etilizado arranjava sempre "pancadaria de meia noite". Por isso, era invariavelmente atirado pela porta fora do café ou restaurante. Daí nasceu a alcunha de "Fura Montra".

terça-feira, 8 de julho de 2008

Presidente do Parlamento timorense encontrou-se com os contestatários

Estudantes protestam contra compra de viaturas para deputados

O presidente do Parlamento Nacional de Timor-Leste recebeu os estudantes universitários que se manifestam em Díli, mas informou que vai avançar com a compra de carros para todos os deputados.

Os estudantes, que há um mês se manifestaram pela primeira vez contra a aquisição de 65 viaturas “4x4” pelo Parlamento, anunciaram que o protesto vai continuar até sexta-feira, como previsto.

Três representantes das associações de estudantes foram recebidos ao final da manhã por Fernando “La Sama” de Araújo e Vicente Guterres, presidente e vice-presidente do Parlamento timorense, respectivamente.

““La Sama” de Araújo disse que não vai cancelar a compra dos carros de luxo e nós dissemos que vamos manter a manifestação até ao quinto dia”, sexta-feira, afirmou, à saída do encontro, o estudante Marcos Guterres Gusmão.

A polícia procedeu hoje de manhã a 16 detenções, mas o protesto na Universidade Nacional Timor Lorosae (UNTL) decorreu sem as cenas violentas que marcaram segunda-feira o reinício das manifestações em Díli.

Os estudantes universitários timorenses protestam contra a anunciada aquisição de viaturas para todos os 65 deputados, tendo-se reunido no campus da universidade, no lado oposto da rua do Parlamento Nacional, no centro de Díli, e no Campo da Democracia, a poucas centenas de metros.

Os 21 estudantes detidos segunda-feira diante da UNTL pela polícia continuam à guarda das autoridades no quartel-general da Polícia Nacional (PNTL) em Caicoli, Díli, e serão presentes a um juiz na quinta-feira.

O subcomissário Carlos Pereira, comandante-interino da Polícia das Nações Unidas (UNPol) no distrito de Díli, afirmou à Agência Lusa no local que “hoje aconteceu o mesmo que ontem (segunda-feira): a polícia procedeu a detenções numa manifestação ilegal”.

“Tivemos várias reuniões na semana passada com os estudantes. Um grupo aceitou o Campo da Democracia para se manifestar, porque a lei não permite a manifestação na UNTL”, a menos dos cem metros exigidos por lei.

“Mas outro grupo, ao fim de oito horas de reunião, insistiu em fazer a manifestação diante do Parlamento”, explicou o oficial português da UNPol.

Um grupo de ex-prisioneiros políticos timorenses, incluindo figuras conhecidas da resistência timorense à ocupação indonésia, exigiu hoje “a libertação imediata e incondicional” dos estudantes detidos pela polícia na sequência de uma intervenção com granadas de gás lacrimogéneo.

“Não havia necessidade de uma intervenção policial como aquela”, afirmou à Lusa o presidente da Associação dos Ex-Prisioneiros Políticos timorenses (ASEPOL), Jacinto Alves, que é um dos elementos da Comissão de Verdade e Amizade, criada para investigar os crimes cometidos em 1999.

“Houve um uso excessivo da força porque a manifestação era pacífica e não havia emergência nenhuma”, acrescentou à Lusa um outro elemento da ASEPOL, Gregório Saldanha, um dos sobreviventes do massacre do Cemitério de Santa Cruz em 1991.

“Não estamos aqui pela política nem representamos nenhum partido”, sublinhou o conhecido activista timorense e ex-líder estudantil, acrescentando que “a via para resolver os problemas não é a da violência mas a do diálogo”.

Os estudantes detidos pela polícia são acusados de crime de desobediência.

Entre as forças das Nações Unidas presentes diante da UNTL, em apoio da Task Force da PNTL, era consensual a opinião de que a unidade timorense “estava muito nervosa ontem (segunda-feira) e agiu de uma maneira que acirrou os ânimos”.

A Task Force, criada em Dezembro de 2007 por decisão do Governo, teve na manifestação estudantil da UNTL a primeira intervenção com enquadramento directo da UNPol desde os ataques de 11 de Fevereiro contra o Presidente da República e o primeiro-ministro.

“Teoricamente”, como salientaram oficiais da UNPol contactados pela Lusa, toda a estrutura da PNTL está “sob a responsabilidade executiva” da polícia internacional desde a crise de 2006.

A prática, no entanto, foi de efectiva autonomia operacional da Task Force e de outras estruturas da PNTL nos meses em que durou o Comando Conjunto da Operação “Halibur” (PNTL e Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste), até ao mês de Junho.

Lusa/Açoriano Oriental online, 2008-07-08

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Vinte detenções em Timor-Leste

Polícia dispersa estudantes em Díli com gás lacrimogéneo

A Polícia timorense (PNTL) dispersou hoje uma manifestação de estudantes em Díli, Timor-Leste, com granadas de gás lacrimogéneo e procedeu a cerca de 20 detenções no local.

Os estudantes protestavam contra a anunciada aquisição de viaturas para todos os 65 deputados, tendo-se reunido no campus da Universidade Nacional de Timor-Lorosae (UNTL), no lado oposto da rua do Parlamento Nacional, no centro de Díli.

Fonte oficial das Nações Unidas confirmou à agência Lusa que "não foram usadas munições de borracha nem munição real" na carga policial.

"Alguns dos estudantes atiraram pedras contra elementos da Task Force da PNTL, que em resposta dispararam três granadas de gás", declarou à Lusa a porta-voz da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT), Allison Cooper.

A porta-voz da UNMIT adiantou que elementos da unidade de Direitos Humanos da missão internacional visitam ainda hoje os estudantes detidos na esquadra central da PNTL, em Caicoli.

A carga policial aconteceu depois de a Task Force ter feito um ultimato aos estudantes para dispersarem, dando-lhes cinco minutos para abandonarem o local.

O aviso da polícia foi acompanhado por uma contagem decrescente, a cada minuto, que terminou com o avanço da Task Force sobre os manifestantes.

À mesma hora da manifestação na UNTL, uma outra manifestação de estudantes universitários acontecia no Campo de Democracia, a poucas centenas de metros, na entrada leste da mesma rua onde fica o Parlamento e a Universidade Nacional.

Há duas semanas que os estudantes de várias faculdades e institutos se manifestaram pela primeira vez contra a aquisição de viaturas para todos os membros do Parlamento.

Os organizadores da manifestação de hoje na UNTL afirmaram à Lusa que estão a preparar um comunicado sobre os acontecimentos da manhã, que será divulgado até ao final do dia em Díli.

SIC Online, 7-07-2008

sábado, 5 de julho de 2008

Ideias para ajudar a reintroduzir o português em Timor


Um dos temas fortes das conversações de Lula da Silva com as autoridades timorenses na sua visita a Díli, dia 11 próximo, será naturalmente como pode o Brasil ajudar a fazer crescer e a fortalecer a língua portuguesa, tornando-a, com o tempo, numa das línguas maternas dos timorenses ou na sua segunda língua como já o era até 1975.

Com a visita do Presidente do país com mais falantes de português, o Brasil, vou transcrever um texto meu, que postei a 1 de Abril, expressando, em linhas gerais, o meu pensamento sobre a melhor estratégia a adoptar pelas autoridades timorenses para facilitar a estender de forma gradual e consistente o ensino em português no sistema educativo desde o ensino básico ao secundário.


Português, língua co-oficial de Timor-Leste

A língua portuguesa ainda é falada por timorenses de mais de 35 anos escolarizados no sistema educativo português, antes de Dezembro de 1975.

O objectivo, agora, é voltar a introduzir o português como língua de ensino, cultura e administração do Estado timorense, e desenvolvê-lo no território para que se torne não só o instrumento de trabalho dos timorenses, como também uma janela para o mundo e uma mais valia económica para o país. Pois, através da língua chega-se à economia de um vasto mercado de mais de 200 milhões de pessoas nos cinco continentes, que tiveram ligação histórica com Portugal.

O esforço da cooperação é louvável neste campo, mas não acertou na 'mouche'. Os professores destacados no território estão a formar docentes timorenses, logo gente adulta escolarizada no sistema educativo indonésio, logo não dominam minimamente o português, logo haverá alguma ou mesmo muita dificuldade em transmitir os conhecimentos adquiridos aos seus alunos timorenses em português. É deitar dinheiro dos contribuintes portugueses pelo cano da sanita.

Então qual a alternativa?

1. Abrir uma escola exclusivamente ministrada em língua portuguesa, começando logo no 1º ciclo (ensino primário) e gradualmente estender-se-ia ao pré-secundário e secundário (acompanhando a progressão dos alunos que começaram no primário), em cada um dos treze distritos, tendo como docentes de preferência todos profissionalizados recrutados em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde.
2. Portugal poderia recrutar, num primeiro, momento professores do 1º ciclo (ensino primário), posteriormente do 2º, 3ºciclos e do ensino secundário para cada uma das treze escolas.
3. O Estado timorense poderia abrir concurso para o recrutamento de professores para docentes brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. São professores mais baratos, em termos de salário, que os portugueses. Por isso, é suportável pelo orçamento de estado timorense.
4. E recrutar-se-iam igualmente docentes timorenses, falantes de português e profissionalizados, com o mesmo salário dos restantes docentes contratados, excepto portugueses (estes naturalmente mais caros).
5. Numa mesma escola, coexistiriam docentes de várias proveniências.
6. Aos docentes estrangeiros o Estado timorense disponibilizaria alojamento adequado nos distritos onde iriam leccionar.
6. As restantes escolas da rede pública timorense continuariam a ser asseguradas por professores timorenses até se chegar a uma altura (15 anos depois) em que os alunos saídos das treze escolas propostas assegurariam por sua vez a docência nas restantes escolas referidas.

Estes são um apanhado de ideias para ajudar a fazer crescer a língua portuguesa, na terra do crocodilo.

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1 comentário:

Jojô disse...

O projeto é bom, mas não poderá deixar de incluir o ensino português nas escolas já existentes como segunda língua e não pode esquecer que a convivência de professores de várias origens implicará na necessidade de convivência de métodos de ensino diferentes.

1 de Abril de 2008 22:17

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A FRELIMO felicitou ZANU-PF pela "vitória" de Mugabe nas presidenciais zimbabuéanas!

Inacreditável, mas é verdade. Os mentores da Fretilin liderada por Mari Alkatiri congatularam-se pela "vitória" do ditador Robert Mugabe nessas últimas eleições presidenciais sem adversário, com a desistência de Morgan Tsvangirai em protesto pela impossibilidade de realizar uma campanha eleitoral livre devido às intimidações, perseguições, detenções e mortes levadas a cabo por milícias organizadas de Mugabe.

Esta é a maqueta do futuro complexo do Parlamento timorense que será construído nos actuais terrenos do heliporto de Díli.


Gestão pública e Bolsa Família são pauta de Lula no Timor


Brasília, 4 jul (Lusa) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visita o Timor Leste no próximo dia 11 e pretende ajustar a cooperação brasileira às necessidades timorenses nos setores da máquina pública, na área social e no ensino da língua portuguesa, informou o Palácio do Planalto.

De acordo com o porta-voz da Presidência da República, Marcelo Baumbach, o governo pretende prorrogar, até 2010, a presença de 50 professores brasileiros que estão trabalhando no Timor Leste.

"O Brasil tem uma preocupação muito profunda quanto à questão da língua portuguesa e da construção institucional do Timor Leste e está atuando nesse sentido", afirmou Baumbach, na quinta-feira, ao detalhar o périplo de Lula pela Ásia, que inclui também visitas a Japão, Vietnã e Indonésia.

O porta-voz da Presidência afirmou que as autoridades timorenses "têm sabido enfrentar com galhardia" os seus problemas, como os atentados contra o presidente, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, em fevereiro deste ano.

"O Brasil tem apoiado esses esforços no sentido de consolidar a estabilidade no Timor Leste", acrescentou Baumbach.

Acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Lula vai se encontrar em Dili com Ramos-Horta e Xanana Gusmão, e também com o presidente do Parlamento do país, Fernando La Sama, e com o presidente do Tribunal de Recurso, Cláudio Ximenes.

Nos encontros com as autoridades timorenses, será discutida a terceira fase do programa bilateral de formação das forças policiais do Timor Leste, que deve começar ainda este ano, assim como a ampliação da cooperação na área de Justiça.

A pedido de Ramos-Horta, o Brasil vai cooperar também na elaboração dos anteprojetos do código de processo penal militar e do código penal militar.

Também a adoção de planos para ajudar a população de baixa-renda do Timor Leste, inspirados no Bolsa Família, está na agenda do presidente Lula.

Lula será recebido ainda pelo representante do secretário-geral das Nações Unidas no Timor Leste, Atul Khare, e vai se encontra com a comunidade brasileira no Centro de Formação de Mão-de-Obra mantido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), em Becora.

"A visita do presidente Lula ao Timor Leste constitui uma reafirmação do profundo sentimento de solidariedade do povo e do governo brasileiros com o destino daquele país-irmão, o único da Ásia e Oceania que tem o português como idioma oficial", destacou o porta-voz da Presidência.

"Traduz também o apreço brasileiro à serenidade e determinação com que as autoridades timorenses têm enfrentado os desafios do desenvolvimento econômico e institucional e o reconhecimento da responsabilidade com que têm sido administrados os recursos oriundos da exploração de hidrocarbonetos", acrescentou Baumbach.

Antes de chegar ao Timor Leste, Lula participa, terça e quarta-feira, no Japão, de reuniões do G-5, que congrega Brasil, África do Sul, China, Índia e México, e do G-8, grupo composto pelos sete países mais industrializados (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão) e a Rússia.

Os temas centrais das reuniões serão a situação econômica internacional, a crise alimentar, a energia, as alterações climáticas e a cooperação internacional para o desenvolvimento.

De acordo com o Palácio do Planalto, os líderes do G-5 pretendem dar ênfase às questões relacionadas com os biocombustíveis e o aumento dos preços dos alimentos, no âmbito do chamado processo de Heiligendamm, iniciativa lançada no ano passado que visa institucionalizar o diálogo de alto nível entre o G-5 e o G-8.

Na quinta-feira, Lula visita o Vietnã, que apóia a candidatura brasileira a um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, seguindo depois para o Timor Leste.

O presidente conclui seu périplo pela Ásia na Indonésia, quarto país mais populoso do mundo e detentor da maior população muçulmana, regressando a Brasília no dia 13 de julho.

Lusa (Brasil), 4-07-2008

A Assembleia da República congratulou-se pela libertação de Ingrid Betancourt


O PCP (Partido Comunista Português) foi a única bancada parlamentar a votar contra a proposta de voto de congratulação pela libertação de Ingrid Betancourt (seis em cativeiro nas prisões das FARC - Forças Armadas Revolucionárias de Colômbia, de inspiração marxista) apresentada pelo PS.

É o mesmo partido (PCP) que apoia e elogia Mari Alkatiri, político timorense que está a destroçar a Fretilin e a tentar incendiar o país.

Tortura a que foi submetida Ingrid Betancourt por torciários das FARC

Betancourt diz que ficou acorrentada 24 horas por dia por 3 anos

A ex-refém deu entrevista pouco antes de deixar a Colômbia com destino a França. Ao falar de seus filhos, disse que encontrou 'adultos com personalidade extraordinária'.

Da Efe

A ex-refém das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Ingrid Betancourt contou em uma entrevista transmitida nesta sexta-feira (4) que permaneceu acorrentada 24 horas por dia durante três anos, e que em alguns momentos era submetida a maus-tratos, mas que apesar de tudo tentou "viver com dignidade".

"Tentava carregar as correntes e viver com dignidade, mas às vezes me dava conta de que era insuportável", disse Betancourt em entrevista para a emissora de rádio francesa Europe 1, pouco antes de deixar a Colômbia com destino a França, onde deve chegar na tarde desta sexta-feira.

"Senti que existe a tentação de se abandonar a comportamentos demoníacos (...); acredito que é preciso conservar uma grande espiritualidade para não cair no abismo", disse a ex-refém. "Usei algemas o tempo todo, as 24 horas do dia, durante três anos", acrescentou.

Questionada sobre as humilhações às quais foi submetida, respondeu que "havia momentos de maus-tratos", e disse que o tratamento que recebia dos guerrilheiros "era variável" e que "sabia que em qualquer momento esse lado cruel podia surgir".

Veja como foi o resgate dos 15 reféns

A ex-candidata presidencial franco-colombiana não quis entrar em detalhes sobre os maus-tratos, e assinalou que quando entrou no helicóptero do Exército que a libertou junto com outros 14 seqüestrados disse a si mesma que "as pessoas não deveriam conhecer esses detalhes sórdidos."

Além disso, contou que acreditava que seu seqüestro duraria mais quatro anos: os dois que faltam para o fim do mandato do atual governo colombiano, e outros dois que seriam necessários para relançar um processo para a libertação de reféns.

G1 na Colômbia: De 'ressaca' após a libertação de reféns, Bogotá já pensa em novos resgates

Betancourt, que voa em direção a Paris, onde esta tarde vai ser recebida no aeroporto militar de Villacoublay pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que está "ansiosa" para chegar, especialmente para ficar com sua família na França.

Na entrevista, ela disse que está "muito surpreendida" com a popularidade que tem e agradeceu a todos por "acompanhá-la" durante o período em que esteve em cativeiro. "Sinto que sou abençoada por Deus", afirmou.

Ao comentar sobre seus filhos, Betancourt disse que encontrou "adultos com uma personalidade extraordinária, grande inteligência e grande espiritualidade".

Após chegar à base de Villacoublay, Betancourt irá ao Palácio do Eliseu, sede da Presidência francesa.

Globo.com, 4-07-2008
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O meu comentário:
Esta é uma das torturas a que as FARC (amigos e convidados do Partido Comunista Português à Festa do AVANTE) submeteram Ingrid Betancourt nos primeiros três anos de sequestro nas matas de Colômbia. E é este o mesmo partido (PCP) cujo órgão de propaganda AVANTE tem enaltecido os dislates de Mari Alkatiri e a denegrir a imagem de Xanana, o homem que liderou a Resistência timorense nas montanhas de Timor e mais tarde a partir das prisões da ocupante Indonésia.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Elogio do AVANTE à reportagem de Felícia Cabrita


É elogiado pelo órgão de propaganda do Partido Comunista Português (PCP), AVANTE, um artigo de opinião de Felícia Cabrita a que lhe chamam "reportagem", mas apresenta imensos erros factuais, um enredo quase completamente romanceado, contudo é um texto muito bem estruturado para enaltecer Mari Alkatiri e transformar Xanana em "mau da fita", recorrendo para o efeito a informantes com pouca ou nenhuma credibilidade, como Rui Lopes (que se dizia próximo de Xanana) e que se oferece a Felícia Cabrita, inventando-lhe "factos", para a agradar, autopromovendo-se como o homem "de mão" de Xanana desde 2002 a 2006 para desestabilizar o país e apear Mari Alkatiri do poder, esquecendo Rui Lopes que, ao fazer-se oferecido a referida jornalista, estava a ser instrumentalizado por Alkatiri por interposta pessoa, com o objectivo de denegrir a imagem pública de Xanana.

Vem, agora, o AVANTE, jornal do Partido Comunista Português (PCP), publicar um artigo de opinião a dar crédito a aquela quase ficção "reportagem" «Dormindo com o inimigo», de Felícia Cabrita, publicada na Revista TABU, do seminário SOL, do sábado passado (28/6/2008). Compreende-se o elogio a referida reportagem romanceada, pois como diz o ditado "Os amigos escolhem-se". Passo a transcrever, então, o referido artigo de opinião publicado no jornal do Partido Comunista Português, AVANTE, nº 1805, de 3/07/2008, da autoria de Henrique Custódio.


O declínio

Uma reportagem de Felícia Cabrita no Sol (Revista Tabu) expõe o nebuloso papel de Xanana Gusmão em Timor-Leste, desde a independência em 2001.

Parafraseando Marx, tudo começa com a economia. Felícia Cabrita recorda: «Depois de reconhecer devidamente a soberania indonésia, a Austrália conseguira passar a explorar 85% do mar dos vizinhos [timorenses]. Mas uma das medidas de Alkatiri [como primeiro-ministro] é chamar o seu a seu dono e, na legislação sobre recursos petrolíferos, baixa a percentagem para 50%». A partir daí «Xanana [então Presidente da República], nos comícios à nação (invariavelmente contra o Governo), acicata grupos de jovens que espalham o terror nas ruas de Dili».

Por essa altura, a 20 de Maio de 2002, o ministro de Durão Barroso, José Luís Arnaut, visita oficialmente Timor-Leste. «Enquanto Arnaut e Alkatiri conversam, Rui Lopes lidera os golpistas nas ruas» (Rui Lopes é um antigo operacional da UDT dos Carrascalões, na década de 90 serve estes e Xanana). O drama prossegue: «Em 2002, quando Xanana lhe telefona, Rui Lopes não hesita: “Ele queria acabar com o Governo de Alkatiri, até me ofereceu trabalho”. Rui encabeça a multidão que invade o Palácio das Cinzas, sede do Governo». José Luís Arnaut é evacuado pelo GOE da PSP. «Entretanto, a casa de Alkatiri é queimada até à última parede». «Aquilo não foi a brincar, tratava-se mesmo de um golpe para derrubar Alkatiri», garante o ministro Arnaut.

Prosseguem as conspirações contra o Governo da Fretilin liderado por Alkatiri. Em 1995, «durante 19 dias, uma manifestação dirigida pelo topo do clero provoca distúrbios e faz parar o país. Xanana aproveita todas as oportunidades». Mas o golpismo fracassa de novo. Em Janeiro de 2006, «depois de um exercício minucioso manobrado por Xanana» surge o «golpe dos peticionários», jovens recrutas que justificam a sua insurreição invocando «discriminação por parte dos veteranos». Segue-se um crescendo de provocações, «entram em cena outros militares que lideram grupos diferentes», onde se destacam Alfredo Reinado e Rai Lós. O primeiro diz a Rui Lopes que «ligou ao Xanana, que lhe disse: “É pá, põe fogo aí em baixo (em Fatuai) que eu ponho fogo aqui em cima (Dili)». O segundo (que dois anos depois lideraria o atentado contra Ramos-Horta) é apanhado com «um salvo-conduto assinado por Xanana». Disto resultam vários mortos do exército e uma declaração do primeiro-ministro australiano ameaçando intervir, enquanto Xanana escreve a Alfredo Reinado que «já combinei com as forças australianas e vocês têm de ir estacionar em Aileu».

Este golpe de 2006 afasta Alkatiri e a Fretilin do poder e produz eleições antecipadas, onde Xanana perde, o que não o inibe de nova golpaça: pôs-se à frente de uma coligação que afastou de poder o partido vencedor, a Fretilin. Segue-se o nebuloso atentado a Ramos-Horta após este se mostrar favorável à proposta da Fretilin em se convocar eleições antecipadas (só sobreviveria graças aos portugueses da GNR), o estranho assassinato de Reinado e o atabalhoado «ataque» a Xanana, que só atinge pneus e tectos de viatura, com os australianos a protelar indefinidamente as conclusões das investigações.

Felícia Cabrita conclui, peremptória: «Ramos-Horta salvou-se e se neste momento o povo timorense fosse às urnas a sua vitória era certa. A coligação de governo desmorona-se a cada dia que passa e Xanana entrou em declínio».

Já tinha entrado, quando se rendeu aos indonésios, lembram-se? Só que agora nota-se mais, ao servir novos senhores...

Henrique Custódio

AVANTE, 3/07/2008