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Opinião de Nuno Brederode Santos

EM MEMÓRIA DO GUARDA RICARDO Nuno Brederode Santos jurista brederode@clix.pt

Ainda tenho gravada na memória a invasão, pela polícia de choque, do Hospital de Santa Maria, durante a greve de 1962. Não só a brutalidade, das coronhas e dos "casse-têtes", mas sobretudo a furiosa cegueira - excitada, ansiosa e sem critério - daqueles mastins antropomórficos, deformados nos seus chumaços pardos. Vi a pancada seca na calva de Lindley Cintra e um risco vermelho a abrir-se, para deixar correr o sangue, enquanto o corpo desabava com inesperada lentidão. Já em corrida, vi depois, sentado no muro baixo e segurando a cabeça aberta, o Luís Osvaldo Dias Amado, ensanguentado e lívido. Curiosamente, dois professores, atravessando por nós os corpos.
Após este baptismo de fogo, nunca mais encarei a violência policial com o mesmo espanto e a mesma revolta. Dias depois, quando o espancado foi o Vítor Wengorovius - de quem era, e sempre fui, grande amigo - eu já tinha uma abordagem "técnica"…