segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Língua materna como língua de instrução: estupidez e teimosia do ME timorense

O melhor caminho para desenvolver as línguas maternas timorenses - vulgo línguas nacionais - é constituir equipas de estudiosos falantes nativos de cada uma das línguas (com a ajuda e colaboração de linguistas) para as estudar, analisar e estruturar a sua morfologia e sintaxe, e posterior aprovação da sua norma ortográfica pelo Parlamento Nacional a fim de haver uniformização no seu uso e ensino, evitando que uma mesma palavra tenha três ou quatro grafias diferentes.

A política educativa deve estar integrada na estratégia de defesa e segurança nacional. Não deve servir, nunca, para abrir brechas na segurança e unidade do país. A educação não se limita apenas a ensinar a ler e a escrever ("literacia") e a ensinar efectuar operações aritméticas ("numeracia"). Num país multilingue - como o nosso - e de tradição oral é imperativo haver uma língua de comunicação comum a todos os falantes das cerca de uma vintena de línguas nacionais. Neste momento, o tétum já preenche este critério; e o português - língua de tradição escrita secular, com mais de duzentas milhões de falantes nos cinco continentes - como língua de instrução, língua de acesso à cultura universal, às ciências e tecnologias modernas. A nossa obrigação agora é desenvolver o tétum para caminhar a par do português como língua de ensino, como língua de instrução; mas não substituir o português. Sejamos mais inteligentes que os sabotadores da nossa soberania e segurança nacional. O domínio da língua portuguesa - falada e escrita - pelos timorenses é uma arma muito poderosa para desenvolver a nossa economia, porque tendo uma economia desenvolvida e competitiva é a maior e melhor estratégia para a segurança do nosso país e defesa da nossa soberania. Apostar, agora, na utilização das línguas maternas é mantermo-nos isolados do mudo - pregando-nos à nossa aldeia, reduzindo a nossa economia ao sistema primitivo de troca, sem inovação e criatividade, fruto da nossa ignorância, situação que nos vai conduzir à pobreza e de mão estendida aos "doadores", sempre dispostos a colocar a canga no nosso lombo. As línguas maternas devem - e têm de - ser desenvolvidas, estudando-as, estruturado a sua sintaxe, recolhendo o seu corpus lexical, e normalizando a sua ortografia; numa fase muito posterior, incluir-se-ão no currículo do pré-secundário e secundário para o seu ensino às crianças falantes de cada uma das línguas, em cada uma das respectivas regiões. É mais frutuoso: preservar-se-á cada língua nacional e cumprir-se-á o preceito constitucional. O caminho que o ministro da educação João Câncio Freitas está a trilhar é errado e anti-patriótico.

Horta e as presidenciais de 2012 (2)

Ontem, domingo, 29/01, por volta das três de tarde, qual não foi o meu espanto quando deparei com dois panos a ladear o portão de acesso ao Convento das Irmãs Canossianas a anunciar algo como - cito de memória, porque não tenho registo fotográfico - Ramos Horta, Presidente da Unidade Nacional. Num primeiro momento, achei estranho o anúncio da recandidatura do actual PR pendurado no gradeamento de uma congregação religiosa; refeito o susto, disse cá para os meus botões: "É cenário para completar as vestes eclesiásticas que ultimamente o pré-candidato a PR se tem mostrado na televisão e jornais". Mas, quando olhei em volta, num raio de 180º, reparei em uma dezena de camiões de carga e umas carrinhas de aluguer (localmente designadas "Anguna"), estacionadas num lado e de outro da rua, ainda com os seus respectivos passageiros a bordo, foi então que relacionei os ditos panos com a foto do actual PR e pré-candidato com uma possível cerimónia de lançamento da sua candidatura. Suspeita confirmada com a chegada barulhenta de uma caravana de umas duas dezenas de motos a abrir caminho para a viatura (não sei se oficial ou não) de Horta e a recepção a moda tradicional timorense, no portão do convento, com tímbalos e babadoks e dança guerreira. Não consegui visualizar bem o evento porque estava a uma certa distância - com agravante de sofrer de miopia e sem óculos. Para encurtar a narração, apenas digo que Díli é o barómetro em todas as eleições realizadas até a data em Timor. O que se notou foi a falta de adesão dos eleitores de Díli, nem o entusiasmo dos passageiros de camiões e "angunas" vindos do interior oeste, em contraste profundo com a afluência e entusiasmo num encontro de Ruak com as equipas distritais, no mesmo salão das Irmãs Canossianas, há algumas semanas. Se Horta quiser aferir o seu peso real na política timorense, então, que se recandidate...

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Presidenciais 2012

A minha previsão da tendência da distribuição de votos nas próximas presidenciais é meramente empírica, resultado das minhas observações e vivência no seio da população de Díli e rural – por isso, falível –, e fundada também nas minhas convicções (por isso, discutível).

Fernando Araújo Lasama

Na minha opinião, a candidatura de Lasama visa, apenas, reagrupar os seus militantes e simpatizantes, impedindo-os de se tresmalharem, encerrando-os no redil do Partido. Os seus votantes naturais são maioritariamente das regiões de onde são originários os principais líderes do PD: dois ou três distritos do Oeste e um ou outro sub-distrito de Leste.

Francisco Guterres Lu Olo

Lu Olo não vai conseguir o pleno do seu eleitorado das presidenciais de 2007; vai perder mais de metade dos seus eleitores naturais nos três distritos da zona Leste (Lautém, Viqueque e Baucau), e poderá vir a perder quase todos os seus eleitores naturais dos restantes dez distritos.

Taur Matan Ruak

Todos os dados apontam para uma vitória de Ruak, não apenas nos distritos de Lautém, Viqueque e Baucau – os três distritos considerados baluartes da Fretilin –, mas também nos restantes dez distritos, incluindo Suai (o único distrito de Oeste onde a Fretilin foi vencedora em 2007); porque a candidatura de Ruak é transversal a toda a sociedade e população timorense, independentemente das suas convicções e filiação partidária, e independentemente também da sua origem etno-linguística.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

David Ximenes agredido

O deputado David Ximenes, antigo prisioneiro político de Cipinang, foi agredido traiçoeiramente, na sexta-feira, dia 6/01, de costas, enquanto conversava com o presidente do Parlamento Nacional, Fernando Lasama, no Arbiru, por um deputado - que segundo dizem, defensor de autonomia na Consulta Popular de 1999. Após a agressão a David Ximenes, o agressor, que segundo consta é também deputado, fugiu do local, nem dando tempo para o deputado Ximenes se defender. E o cobarde agressor continua à monte, não comparecendo, nem na segunda nem na terça-feira, no Parlamento Nacional.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Conferência Nacional do CNRT e as Presidenciais 2012

Ainda não foi desta que saiu o "fumo branco", relativamente ao nome do candidato ao cargo de Presidente da República que o CNRT dará o seu apoio formal nas eleições presidenciais de Março 2012. No entanto, já foi estabelecido o perfil do candidato, sendo o critério mais importante - de entre outros - a que o candidato deve preencher é ser independente.

O CNRT só divulgará o nome do candidato a apoiar depois da publicação do decreto presidencial que marca a data das eleições presidenciais.

Conferência Nacional do CNRT - 2º dia

Ao fim da tarde do segundo dia dos trabalhos da Conferência Nacional, será apresentado o perfil do candidato a Presidente da República nas eleições presidenciais de março 2012: candidatura independente, isto é, não apresentada por qualquer partido político.

O factor Ruak está presente nesta reunião magna (entre congressos) do CNRT. Aguardemos.

Conferência Nacional do CNRT - 1º dia

Foram apresentadas, no primeiro dia dos trabalhos da Conferência Nacional, as grandes linhas do Programa do Governo para 2012-2017; e foram apresentados e discutidos também os critérios para a nomeação de candidatos a deputados nas legislativas de 2012.