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segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Wodside leva Estado timorense a tribunal


A Procuradoria Geral da República deu provimento à queixa da companhia petrolífera australiana contra o Estado timorense, tendo já enviado o caso para o tribunal de Díli para ser julgado. A Wodside Energy Ltd contesta o resultado da auditoria realizada por uma equipa mandatada pelo governo timorense em que se detectou o incumprimento de pagamento de uma taxa de cerca de 3 biliões de dólares por esta empresa petrolífera. O governo já contratou um advogado, de Nova Iorque, para defender o Estado timorense neste julgamento.

O Ministério Público é defensor do Estado, é advogado da República. Neste processo é defensor de uma companhia petrolífera estrangeira contra o Estado, contra a República e contra o Povo de quem deve representar e defender os seus direitos legítimos contra a ganância de uma empresa petrolífera riquíssima à custa da exploração de recursos minerais de um país pobre saído de uma recente ocupação estrangeira.

Esta mesma empresa teve, há cerca de um ano, a ousadia de mover as suas influências junto de certos políticos timorenses, levando o então Presidente da República Ramos Horta convocar um Conselho de Estado com um único ponto de agenda de trabalho – e com a presença do presidente de Wodside no Conselho de Estado – discutir a vantagem de processar o gás de Greater Sunrise numa plataforma flutuante ou canalizá-lo para Darwin, em detrimento de o pipeline ser puxado para território timorense (a fim proporcionar um rápido desenvolvimento e crescimento económico do país com o nascimento de uma indústria petrolífera nacional). O Primeiro-ministro Xanana e o Presidente do Parlamento La Sama não compareceram à dita reunião, adivinhando a casca de banana lançada por Horta.

sábado, 19 de maio de 2012

O adeus do PR Horta

6ª feira, 18/05, Palácio Presidencial, Díli

O Presidente da República cessante, José Manuel Ramos Horta, despediu-se do Governo, tendo estado presente neste evento todos os membros do Governo, desde o PM Xanana Gusmão aos restante ministros e secretários de Estado.

Neste mesmo dia, o PR Horta despediu-se igualmente dos funcionários do Palácio presidencial e dos seus assessores nacionais e internacionais.

Ainda, nesta hora de despedida, o ainda PR timorense condecorou com o Colar de Mérito o Presidente do Parlamento Nacional, Fernando La Sama Araújo, o Presidente do Tribunal de Recursos, Cláudio Ximenes (juiz desembargador luso-timorense, 4ª figura de Estado), a Procuradora-Geral da República, Ana Pessoa (ex-esposa do PR Ramos Horta, de quem tem um filho) e o partido Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (Fretilin), pela sua contribuição na luta da libertação nacional.

Fonte: TVTL

sábado, 31 de março de 2012

Presidenciais 2012: 2ª volta (3)

Tendo em conta o novo alinhamento político com a decisão de Ramos Horta e Fernando La Sama não condicionarem o voto dos seus simpatizantes e militantes na 2ª volta das presidenciais, dando-lhes "liberdade de voto" a fim de votarem de acordo com a sua consciência, e tendo também em conta o perfil sociológico (quiçá étnico) dos seus votantes podemos prever a seguinte migração de votos para Ruak: i) cerca de 55 mil dos 81 231 votantes de Ramos Horta; ii) cerca de 73 mil dos 80 381 dos votos de La Sama.

sexta-feira, 23 de março de 2012

Presidenciais 2012: Poder pelo poder... (3)

...nem que tenha que vender a alma ao diabo.

Aguardemos pelos resultados das conversações que estão a decorrer neste momento entre La Sama/PD (com Horta à pendura) e Fretilin para "cedência" dos cerca de 80 mil votos conseguidos pelo La Sama (mais os 80 mil de Ramos Horta) na 1ª volta das presidenciais. O PD e La Sama apresentaram como contrapartida um preço muito alto:

Plano A: PM não Fretilin, 4 ministérios e 8 secretarias de Estado;
Plano B: PM Horta, PN La Sama, ficando Alkatiri com o Ministério do Petróleo.

A concretizar um dos 'planos', isto implica uma coligação Fretilin/PD (mais Horta à pendura) nas próximas eleições de Junho. Isto implica também que o candidato presidencial Lu Olo tem de ganhar a 2ª volta das presidenciais. E se o vencedor for Ruak? Mantém-se o compromisso acordado com o PD ou a Fretilin rói a corda?!

E se concretizar esta coligação Fretilin/PD, a Fretilin ficará tão vulnerável aos ataques dos outros partidos concorrentes às legislativas de Junho uma vez que estariam a acolher no seio da coligação políticos do PD tão criticados pela própria Fretilin como suspeitos de corrupção no exercício das suas funções governativas. E esta camarada?!

quarta-feira, 21 de março de 2012

Presidenciais 2012: Poder pelo poder... (2)

...nem que tenha que vender a alma ao diabo.

A Presidência da República emitiu um comunicado de imprensa, dia 20/03, desmentindo afirmações imputadas a Ramos Horta - publicadas na imprensa - em que este teria decidido "recusa de votos ao candidato presidencial Francisco Guterres Lu Olo (FRETILIN)" na 2ª volta.

Se Ramos Horta sentiu a imperiosa necessidade de desmentir as notícias sobre a sua "recusa de votos" a Lu Olo - conhecendo como conheço Horta ao longo de vários anos - é o mesmo que dar indicação de voto aos seus votantes na 1ª volta das presidenciais para votarem em Lu Olo (FRETILIN) na 2ª volta. Se analisarmos com cuidado o texto do comunicado de imprensa, verificamos que vem citado "Francisco Guterres Lu Olo (FRETILIN)", não apenas Lu Olo, mas também o partido Fretilin. Isto é, os seus 80 mil votos são endereçados também para o seu antigo (possivelmente 'futuro') partido Fretilin para as próximas legislativas de Junho.

Contudo, numa notícia da Lusa, dia 21/03, hoje difundida, Horta afirma que "vai colaborar nas legislativas com o Partido Democrático", acrescentando que os dois juntos tinham reunido, na 1ª volta das presidenciais, 35 porcento de votos. Se repararmos bem, Horta nestes últimos dias nas suas declarações fala sempre em "nós", ele Horta e La Sama - que trata com deferência "presidente La Sama" - "o nosso sentido de voto", "o presidente La Sama e eu próprio", "nosso apoio". É o preço do cargo de Primeiro-ministro para Horta que La Sama e o seu partido PD estão a negociar com a Fretilin para conceder a Lu Olo, na 2ª volta das presidenciais, os seus cerca de 80 mil votos da 1ª volta.

Horta é um contorcionista exímio.

Mas, se Horta e La Sama pensarem que os votos conseguidos na 1ª volta são transferíveis todos para Lu Olo na 2ª volta das presidenciais, enganam-se redondamente. Os cerca de 160 mil votos não são todos transportáveis para Lu Olo: pois estes votos são essencialmente dos distritos de Oeste. Ora os votantes de Oeste votam com menos dificuldade em Ruak do que em Lu Olo: as motivações são bem óbvias.

Passemos às contas de mercearia (apenas em percentagem, pois os resultados definitivos só saem na próxima 6ª feira): dos 35%, numa estimativa mais optimista, só 20% pode ser transferido para Lu Olo; somando 29% de Lu Olo com 20% de Horta e La Sama dá um total de 49%; logo não perfaz o total 50 mais 1 para ganhar as presidenciais.

terça-feira, 20 de março de 2012

Presidenciais 2012: Poder pelo poder...

... nem que tenha que vender a alma ao diabo.

É o que previsivelmente irá suceder: apoio de La Sama a Lu Olo na 2ª volta das presidenciais. Em troca, coligação nas eleições legislativas de Junho próximo para formar governo Fretilin/PD.

O cenário pode vir a ser o seguinte: La Sama - Presidente do Parlamento, Ramos Horta - Primeiro-ministro, Mari Alkatiri - Ministro do Petróleo.

A ver vamos...

domingo, 18 de março de 2012

Presidenciais 2012: resultados oficiais provisórios (6)

Lu Olo: 123 751 (28.38%)
Ruak: 109 338 (25.07%)
Ramos Horta: 78 423 (17.98%)
La Sama: 77 447 (17.76%)
Rogério Lobato: 15 716 (3.60%)
José Luís Guterres: 8 330 (1.96%)
Abílio Araújo: 5 880 (1.35%)

Fonte: STAE (21:00)

A grande surpresa nestas eleições são os resultados obtidos pelo actual presidente da República, José Manuel Ramos Horta: uns expressivos 78 423 votos, o que lhe dá o terceiro lugar. Apanhou-me de surpresa estes resultados de Horta. O meu prognóstico era que o actual PR ficasse abaixo em número de votantes de La Sama. Enganei-me. Por isso, é um factor a ter conta na segunda volta: em quem é que Horta irá apelar o seu voto! Por despeito - e táctica para assegurar o seu futuro político - Horta aconselhará os seus votantes da primeira volta para depositarem o seu voto no candidato da Fretilin, Lu Olo.

La Sama pode, na segunda volta, não aconselhar os seus naturais votantes (cerca de 80 000) a votarem em Ruak, como uma das estratégias para prejudicar Xanana e CNRT nas eleições legislativas de Junho, por CNRT não apoiar à sua candidatura e não deixar os seus militantes a votarem de acordo com a sua consciência. La Sama vai ser o fiel da balança da disputa eleitoral entre Ruak e Lu Olo.

Outra grande surpresa, para mim, nestas presidenciais é o resultado obtido por Rogério Lobato: 15 716 (3.60%).

Mas, a surpresa maior é a fuga de mais de metade dos 250 000 votantes que alguns dirigentes da Fretilin diziam que constavam na sua base de dados e que - a ser verdade - deveriam votar, a 17 de Março, em Lu Olo. E, no entanto, desapareceram como que por magia, pois Lu Olo, segundo os dados de STAE, tem - nesta altura da contagem - 123 751 (28.38%) votos.

Presidenciais 2012: resultados provisórios (5)

Current Voting count (19.00 hrs) 18/03/12

Resultados provisórios: 19:00 (hora de TL)
Fonte: www.tmr2012.org

Presidenciais 2012: resultados provisórios (4)

Current Election Count (14.30)

Resultados provisórios: 14:30 (hora de TL)
Fonte: www.tmr2012.org

Analisando os dados disponíveis relativos aos resultados provisórios divulgados (STAE, blogues de apoiantes de Lu Olo e o site da candidatura de Ruak), apontam para uma segunda volta nestas presidenciais. A haver uma segunda volta, será entre Ruak e Lu Olo. Para mim, será a segunda volta ideal. A ser este o cenário, Ruak vence. Ponto final.

Presidenciais 2012: resultados provisórios (3)

O Director da STAE, Tomás Cabral, veio a TVTL anunciar (cerca das 12:30 hora de TL) os resultados dos 328 946 votos apurados. De acordo esses dados chamados oficiais, Lu Olo está em primeiro lugar com 24,23% (90 858 votos), Ruak segundo com 27,62% (79 720 votos) e Horta em terceiro com 19,13% (62 922 votos). No entanto, a candidatura do Ruak tem recolhido dados, no terreno, em todas as estações de voto em todo o território nacional e fez o seguinte apuramento (12:00):


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Horta apresentou a sua candidatura às presidenciais de Março 2012

Horta, como preliminares ao anúncio da sua recandidatura ao cargo de PR, visitou ontem o Hospital principal da capital Díli, tendo aproveitado a ocasião para realizar um exame geral à sua saúde e no fim do qual aconselhou os restantes candidatos às eleições presidenciais a procederem do mesmo modo porque, segundo o actual PR, o cargo presidencial é de desgaste tremendo tanto físico como psicológico; visitou igualmente o estabelecimento prisional de Becora para se inteirar das condições em que se encontram os prisioneiros e para se inteirar também das condições de trabalho dos guardas prisionais; finalmente, já muito perto do tão esperado momento do anúncio oficial da sua recandidatura a um segundo mandato presidencial, foi recolher-se em oração na Igreja de Motael para se aconselhar, em última instância, junto do Divino, junto do Deus Todo o Poderoso sobre a justeza da sua eminente decisão: candidatar-se ao cargo de Presidente da República, apesar de ter perdido todos apoios que usufruiu nas últimas presidenciais de 2007 que o levou à vitória, na segunda volta, sobre Lu-Olo. Declarou, na ocasião, Horta que não irá fazer nenhuma campanha eleitoral pelo país, porque já é sobejamente conhecido pelo povo em quarenta anos de vida pública que leva como PR, PM, MNE e diplomata sénior nas lides diplomáticas durante a ocupação indonésia.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Horta e as presidenciais de 2012 (2)

Ontem, domingo, 29/01, por volta das três de tarde, qual não foi o meu espanto quando deparei com dois panos a ladear o portão de acesso ao Convento das Irmãs Canossianas a anunciar algo como - cito de memória, porque não tenho registo fotográfico - Ramos Horta, Presidente da Unidade Nacional. Num primeiro momento, achei estranho o anúncio da recandidatura do actual PR pendurado no gradeamento de uma congregação religiosa; refeito o susto, disse cá para os meus botões: "É cenário para completar as vestes eclesiásticas que ultimamente o pré-candidato a PR se tem mostrado na televisão e jornais". Mas, quando olhei em volta, num raio de 180º, reparei em uma dezena de camiões de carga e umas carrinhas de aluguer (localmente designadas "Anguna"), estacionadas num lado e de outro da rua, ainda com os seus respectivos passageiros a bordo, foi então que relacionei os ditos panos com a foto do actual PR e pré-candidato com uma possível cerimónia de lançamento da sua candidatura. Suspeita confirmada com a chegada barulhenta de uma caravana de umas duas dezenas de motos a abrir caminho para a viatura (não sei se oficial ou não) de Horta e a recepção a moda tradicional timorense, no portão do convento, com tímbalos e babadoks e dança guerreira. Não consegui visualizar bem o evento porque estava a uma certa distância - com agravante de sofrer de miopia e sem óculos. Para encurtar a narração, apenas digo que Díli é o barómetro em todas as eleições realizadas até a data em Timor. O que se notou foi a falta de adesão dos eleitores de Díli, nem o entusiasmo dos passageiros de camiões e "angunas" vindos do interior oeste, em contraste profundo com a afluência e entusiasmo num encontro de Ruak com as equipas distritais, no mesmo salão das Irmãs Canossianas, há algumas semanas. Se Horta quiser aferir o seu peso real na política timorense, então, que se recandidate...

domingo, 27 de novembro de 2011

Inaugurada a Central Eléctrica de Hera (4)

Depois de carregar no botão, o PR Horta felicitou Xanana por esta sua obra. Notou-se nesta cerimónia a ausência dos líderes da Oposição.

Inaugurada a Central Eléctrica de Hera (2)

O PR Horta elogia o PM Xanana - ausente na inauguração da Central Eléctrica de Hera, em tratamento médico em Singapura - recordando, no seu discurso, o percurso do herói que em 1981, depois do aniquilamento das Bases de Apoio nas montanhas pelo inimigo, reergueu a Resistência.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Greater Sunrise e a fronteira marítima

«O pecado político [de Mari Alkatiri e de Ramos-Horta], que o povo tem de conhecer, nasceu a 20 de Maio de 2002, nas instalações do ex-Mercado Lama, actuais instalações do Centro de Convenções de Díli, na reunião havida entre os governos de Timor-Leste, representado pelo Primeiro-ministro Mari Alkatiri, e da Austrália, representado pelo Primeiro-ministro John Hower, quando assinaram o Tratado do Mar de Timor (Timor Sea Treaty). No anexo E, artigo 9, alínea b, deste tratado, reconhece e regula a “Unitization of Greater Sunrise”; e mais tarde, a 6 de Março de 2003, em Díli, Mari Alkatiri assinou, com o Governo australiano, um novo documento para vincular o Tratado do Mar de Timor ao International Unitization Aggrement (IUA). Neste acordo diz o seguinte: “Acknowledging that Timor-Leste and Australia agreed under Anex (E) of the Timor Sea Treaty to unities Greater Sunrise on the basis that 20,1% of Greater Sunrise lies within the JPDA and that production from Greater Sunrise”, isto é, 79,9% de área do campo de Greater Sunrise pertence, em exclusivo, à jurisdição da Austrália e [apenas] 20,1% é a área da exploração conjunta (JPDA) partilhada pela Austrália e Timor-Leste. Significa que a Austrália conseguiu direito de exploração sobre a enorme fatia do campo de Greater Sunrise, porque nós concedemos-lhe esse direito na assinatura do Tratado do Mar de Timor (Timor Sea Treaty) e do acordo IUA. A sua consequência e os seus efeitos práticos são a perda automática dos nossos direitos [da nossa soberania?] sobre o nosso mar do Sul, Tasi Mane, que de acordo com o Direito Internacional consagrado na United Nations Convention on the Law of the Sea (UNCLOS), Secção 2, Artigo 3, 4 e 5, estipula que cada país tem o direito exclusivo sobre o seu mar territorial até 12 milhas náuticas (22 km pelo mar adentro), no máximo, a contar a partir do litoral de cada Estado. Apoiando-se no que esta convenção da ONU sobre o direito do mar (UNCLOS) preconiza, perto dos 100% do campo de Greater Sunrise pertence em absoluto à soberania de Timor-Leste. E mais grave ainda é o acordo “Certain Martima Arrangement in the Timor Sea”, assinado a 12 de Janeiro de 2006, em Sidney, Austrália, pelo José Ramos-Horta, ministro da Cooperação e dos Negócios Estrangeiros da RDTL, com Alexandre Downer, ministro dos Negócios Estrangeiros da Austrália, que estipula o período da vigência deste tratado em que diz, no Artigo 12 “Period of this Treaty”, que o “Tratado” vigora durante 50 anos (cinquenta anos), isto é, é concedida à Austrália direito de exploração de petróleo até secarem os poços. Sonegam esta informação e escondem, até a presente data, esta traição ao Povo. »

In AILEBA LIAN

http://ailebalian.blogspot.com/2011/06/o-pecado-politico-do-marie-alktiri-e.html

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Xanana: "A própria ONU precisa de uma grande reforma."

Não resisto em publicar mais um excerto do discurso de Xanana Gusmão - que fala da sustentabilidade e transparência - proferido dia 17/5, no Centro de Convenções de Díli.

«E o Mundo precisa de uma grande reforma. As grandes e pesadas organizações, no mundo, precisam de uma grande e profunda reforma a fim de se proceder a uma limpeza à casa para, deste modo, adquirirem experiência para poder aspirar a limpar o quintal de outros. A própria ONU precisa de uma grande reforma.

Em 2004, eu, enquanto Presidente da República, Dr. Ramos-Horta era ainda Ministro dos Negócios Estrangeiros, fomos em visita à Alemanha. O Presidente alemão solicitou a Timor-Leste para apoiar a Reforma na ONU e a sua candidatura ao Conselho de Segurança. Eu disse ao Presidente alemão o seguinte: "A Reforma na ONU não pode limitar-se apenas a admissão de novos membros ao Conselho de Segurança. Tem de haver mesmo uma reforma, porque a ONU é uma organização muito pesada e burocrática, que gasta muito dinheiro... e todos nós constatámos que a pobreza e os pobres continuam a aumentar no mundo inteiro."

Tem de haver, imperativamente, reforma nas agências - agências essas que recrutam num círculo fechado os seus colaboradores para defenderem, apenas de "boca para fora", padrões e 'standards' que não praticam. Os países poderosos e ricos não podem continuar a impor as suas regras ao resto do mundo. E os países pequenos e pobres não podem calar-se e limitar-se apenas a receber e aceitar passivamente recomendações e palavras ocas que entram nos seus ouvidos.

Em Fevereiro, participei na "Jakarta International Dialogue on Defense". Na minha intervenção, desafiei os participantes, civis e militares, da Europa a Ásia, dos representantes da ONU a África e Médio Oriente, para dizer o seguinte: "Porque é que não procuramos uma via, um caminho para acabar com muitas guerras que gastam, em cada ano, biliões de dólares, para que a comunidade internacional possa elaborar um bom plano [de auxílio] para solucionar a falta de água em regiões áridas, sobretudo em África, para que, deste modo, o dinheiro destinado à guerra pudesse salvar centenas de milhões de pessoas, com verdadeira sustentabilidade?"

Nesta conferência também havia um tópico que se relacionava com transparência relativa a ajudas vindas de fora. Falei, em jeito de provocação, das Agências internacionais que gastam enormes somas de dinheiro [no combate à fome], e, em algumas regiões de intervenção dessas agências, uma vez terminada a distribuição de arroz, elaboram grandes e extensos relatórios dizendo que estão a salvar gente da fome para pedir mais dinheiro a fim de continuarem simplesmente a distribuir arroz.

A somar a isto [transparência], temos sustentabilidade, que, hoje em dia, se tornou em uma palavra cara para alguns "experts" nesta nossa querida terra. Algumas Agências ou ONGs, depois de conseguirem financiamento, vêm realizar algum trabalho e, uma vez esgotado o dinheiro, vêm a correr pedir ajuda ao Governo para não encerrarem as portas. No entanto, todos dias, vêm pregar-nos a sustentabilidade. E, também, aqueles timorenses que se tornaram já "experts" vêm todos os dias pregar-nos a sustentabilidade. Porquê? Porque se não berrarem, os financiadores deixam de lhes dar dinheiro, assim também eles já não têm sustentabilidade.»

domingo, 22 de maio de 2011

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (5)

Mais uma alfinetada a UNMIT: Xanana explica as razões pelas quais vai alongar a sua intervenção.

«Eu ia fazer uma intervenção breve, mas peço licença a V.Exas para falar mais um bocadinho, porque eu, também, li ontem um bom e óptimo documento da UNMIT. Fiquei contente ao ler o "Wikileaks" de Timor ou a "ONUleaks" que o Tempo Semanal divulgou ontem.

A 24 de Janeiro deste ano, a UNMIT fez uma apresentação para o seu staff subordinada ao tema «Governação Democrática em Timor-Leste». Nesta apresentação afirmou-se que Xanana Gusmão é o maior obstáculo ao desenvolvimento da democracia em Timor-Leste. Estou deveras contente porque eles demonstram que não conhecem Xanana Gusmão. E, agora, eu declaro a todos vós, e aproveito para lhes dizer [a UNMIT] também, como, em 2009, respondi à Inteligência australiana quando me questionaram sobre as motivações de compra de navios patrulha à China.

Xanana Gusmão era marxista-leninista enquanto membro do Comité Central da Fretilin que aclamou o Marxismo-Leninismo como ideologia da Fretilin a 20/05/1977, em Laline. Os que participaram, também, naquele evento e ainda vivos são Abel Larisina, Má Huno e Filomeno Paixão.

Se Xanana Gusmão quisesse ser Presidente da Fretilin e Presidente da RDTL, a 3/03/1981, na Conferência da Reorganização da Luta, tinha o caminho livre para ele. E recusou, porque estava mais preocupado em aprender a dirigir a guerra para ganhar a independência. E com a sua influência é que foi escolhido o sr. Abílio de Araújo [para os cargos acima referidos], que se encontrava naquela altura em Lisboa com outros companheiros.

Em Março de 1983, Xanana Gusmão apresentou o Plano de Solução para a Guerra, o qual só em 1999 é que a ONU foi capaz de aplicar.

Em 1986, Xanana Gusmão levou um ano para estudar [e encontrar] a melhor estratégia para conduzir a guerra, o que o levou a sair do Partido Fretilin para poder abraçar todos os outros partidos a fim de abrir caminho para o multipartidarismo. Os companheiros da Delegação da Fretilin no Exterior escreveram-lhe cartas, para o mato, a dizer que não concordavam com esta estratégia e, alguns, até o apelidaram traidor... à revolução... até à data.

A UNMIT e as Agências da ONU esquecem-se que, em 2001, depois de aprovado o Plano de Transição para a Restauração, a 20/05, Xanana Gusmão não se envolveu mais no processo da UNTAET e não se envolveu mais no processo político dos partidos para a eleição da Assembleia Constituinte, retirando-se, a fim de olhar pelos veteranos e ganhar 500 (quinhentos) dólares do Banco Mundial como desmobilizado das Falintil.

sábado, 21 de maio de 2011

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (4)

Este excerto do discurso de Xanana Gusmão tem como destinatário timorenses assalariados da UNMIT com o estatuto de "experts" que influenciaram na redacção do relatório - muito crítico a Xanana, como sendo "obstáculo ao constitucionalismo" - desta instituição divulgado internamente a 24/01/2011.

«Ser cidadão não é só ter o Bilhete de Identidade para poder escolher um partido político e votar nas eleições. Ser cidadão é ter o dever de contribuir positivamente para [o desenvolvimento de] uma Nação.

Pode acontecer que um timorense se afaste deste dever, fazendo desaparecer o conceito de soberania. Esta pessoa, este timorense, considera-se um independente, por isso, para ele, os interesses da Nação já nada valem. Consideram-se independentes porque não é o Estado [timorense] que lhes paga [o salário], mas grandes e enormes Organizações, como, porventura, agências da ONU, das quais podemos também questionar a transparência e o resultado de enormes somas de dinheiro que gastam. A BBC emitiu uma reportagem em que diz que uma Agência da ONU levou biliões de dólares para o Afeganistão para melhorar as condições de vida das crianças, contudo, esgotado esse dinheiro e a Agência sai do Afeganistão, as crianças afegãs tornaram-se ainda mais pobres do que antes [da ajuda desta Agência da ONU]. »

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (3)

Mais ataques demolidores de Xanana Gusmão aos "experts" timorenses e internacionais da UNMIT, no seu discurso de 17/05, no Centro de Convenções de Díli.

«Eu, também, tenho a minha apreciação profunda relativa a ONU e suas agências. A minha proposta é esta: a UNMIT e seus "experts" timorenses deviam oferecer-se para resolver a questão do Iraque, Afeganistão, Paquistão, e oferecerem-se também para ajudar a democracia no Iémen, Síria e Líbia. Contudo, na apresentação da UNMIT, em Janeiro de 2011, afirmam que só com a continuação da presença da ONU em Timor-Leste é que se pode desenvolver este país.

Eu quero dizer aos timorenses, que se tornaram "experts" para a UNMIT, para não se gabarem muito, para não se curvarem demasiado para o dinheiro de outros, porque esta postura é uma doença a qual designamos colonialismo mental e colonialismo intelectual. Em português diz-se alienação. A nossa Constituição diz que não se pode alienar a nossa soberania, isto é, não se pode vender a nossa soberania a estrangeiros.

Fico contente por UNMIT me fazer esta apreciação. Porque se me tivesse elogiado como sendo uma óptima pessoa... para UNMIT, seria o povo que tinha o direito de me desconfiar que eu tinha alienado os intersses deste povo, que teria alienado a soberania desta Nação. Por isso, estou contente... por os nacionais e os internacionais, na UNMIT, não estarem contentes comigo. Conhecemos alguns que se tornaram "experts" na nossa terra, mas, esses, deviam era trabalhar com o Presidente Obama para tentar resolver os 14.5 triliões da dívida americana e as enormes fraudes das instituições financeiras e bancárias que o mundo conheceu em 2009, e que afectaram negativamente a economia a escala global. Outros, ainda, tornaram-se "experts" em macroeconomia e finanças, na nossa terra. Eles é que ainda não se deram conta, mas são eles os peritos que servem para ajudar a Europa a sair da enorme crise de dívida de 788 biliões da Irlanda, Grécia e Portugal, porque o 'baillout' que o Banco [Central] Europeu e o FMI podem oferecer é de apenas 322 biliões. Esses peritozinhos detentores do Bilhete de Identidade da RDTL desconhecem ainda que grandes países do mundo precisam muito da sua ajuda. A América e a Europa precisam destes "experts" timorenses e internacionais para corrigir e melhorar os padrões e 'standards' os quais eles muito defendem.»

Comentário: Depois desta passagem demolidora para o profissionalismo e imparcialidade e brio destes "experts" timorenses e internacionais da UNMIT, os convidados desta missão da ONU começaram abandonar a sala do CCD.

Os "experts" da UNMIT: peritos em quê?! (2)

Mais um excerto do discurso de Xanana Gusmão (17/05) em que põe em causa o conhecimento dos peritos da UNMIT em áreas como economia e finanças e justiça.

«A UNMIT referiu-se também à minha resposta às "Contas Gerais do Estado 2009" como sendo 'hostil', isto é, que a minha resposta é muito crítica e que demonstra uma falta de respeito pelos Tribunais. Eu concordo que a UNMIT tem muitos peritos, todos muitos inteligentes, nacionais e internacionais, por isso é que eles não analisaram a fundo a minha resposta ao Parlamento Nacional. Mas, a sabedoria da UNMIT não chega para entender que eu, enquanto Primeiro-ministro de Timor-Leste, não aceito teorias de políticos e intelectuais de Portugal que o Tribunal menciona e escreve no seu relatório, porque acompanho a situação económica e financeira em Portugal. (Como no passado [na Resistência], não fazia a guerra na escuridão.) Na minha resposta eu procurava fazer entender que se as teorias citadas pelo Tribunal são as certas e correctas, então Portugal não entraria em bancarrota, com dívidas de 120 biliões de dólares e, hoje em dia, está de mão estendida ao Banco [Central] Europeu e ao FMI. Se isto é que a UNMIT classifica como 'hostil', então, não há nenhuma sombra de dúvida que os "experts" da UNMIT são mesmo muito inteligentes! E a UNMIT falou também do caso Maternus Bere.»

E eu, autor deste humilde blogue, acrescento: Não resta a mínima sombra de dúvida que os "experts" timorenses e internacionais da UNMIT são mesmo muito, muito inteligentes!