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quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Reintrodução de língua portuguesa: uma coincidência... feliz!

«A intenção de Timor, a partir de Janeiro, é [abrir] mais quatro escolas portuguesas distribuídas pelos distritos. As escolas seriam suportadas pelo orçamento de Estado de Timor, assim como [os encargos com os] professores portugueses contratados cá em Portugal para Timor serão [também] suportados pelo OE de Timor, com a excepção da gestão, [em que] o governo timorense demonstra algum interesse em que a gestão seja feita [assegurada] pela parte portuguesa.»

Embaixadora Natália Carrascalão na entrevista à Rádio Renascença (RR), 24/09/2009 (http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=72029)


Há um ano, escrevi, neste blogue, um artigo de opinião - publicado a 1/04/2008 e republicado a 5/07/2008 - sobre o ensino sustentável de língua portuguesa em Timor, após a proibição do seu uso no ensino e na administração pelo ocupante indonésio (1975 a 1999). Um ano depois, felizmente, o Estado timorense encontrou o mesmo caminho para o ensino e reintrodução de língua portuguesa em Timor. A cooperação portuguesa nunca acertou no público-alvo determinante para o florescimento e multiplicação de falantes do português. O que se fez foi tentar, teimosamente, fertilizar uma em menopausa... Há sempre um pedreiro a querer fazer projectos de instalação eléctrica numa moradia!


«A língua portuguesa ainda é falada por timorenses de mais de 35 anos escolarizados no sistema educativo português, antes de Dezembro de 1975.

O objectivo, agora, é voltar a introduzir o português como língua de ensino, cultura e administração do Estado timorense, e desenvolvê-lo no território para que se torne não só o instrumento de trabalho dos timorenses, como também uma janela para o mundo e uma mais valia económica para o país. Pois, através da língua chega-se à economia de um vasto mercado de mais de 200 milhões de pessoas nos cinco continentes, que tiveram ligação histórica com Portugal.

O esforço da cooperação é louvável neste campo, mas não acertou na 'mouche'. Os professores destacados no território estão a formar docentes timorenses, logo gente adulta escolarizada no sistema educativo indonésio, logo não dominam minimamente o português, logo haverá alguma ou mesmo muita dificuldade em transmitir os conhecimentos adquiridos aos seus alunos timorenses em português. É deitar dinheiro dos contribuintes portugueses pelo cano da sanita.

Então qual a alternativa?

1. Abrir uma escola exclusivamente ministrada em língua portuguesa, começando logo no 1º ciclo (ensino primário) e gradualmente estender-se-ia ao pré-secundário e secundário (acompanhando a progressão dos alunos que começaram no primário), em cada um dos treze distritos, tendo como docentes, de preferência todos profissionalizados, recrutados em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde.

2. Portugal poderia recrutar, num primeiro momento [numa primeira fase], professores do 1º ciclo (ensino primário), posteriormente do 2º, 3ºciclos e do ensino secundário para cada uma das treze escolas.

3. O Estado timorense poderia abrir concurso para o recrutamento de professores para docentes brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. São professores mais baratos, em termos de salário, que os portugueses. Por isso, é suportável pelo orçamento de estado timorense.

4. E recrutar-se-iam igualmente docentes timorenses, falantes de português e profissionalizados, com o mesmo salário dos restantes docentes contratados, excepto portugueses (estes naturalmente mais caros).

5. Numa mesma escola, coexistiriam docentes de várias proveniências.

6. Aos docentes estrangeiros o Estado timorense disponibilizaria alojamento adequado nos distritos onde iriam leccionar.

6. As restantes escolas da rede pública timorense continuariam a ser asseguradas por professores timorenses até se chegar a uma altura (15 anos depois) em que os alunos saídos das treze escolas propostas assegurariam por sua vez a docência nas restantes escolas referidas.

Estes são um apanhado de ideias para ajudar a fazer crescer a língua portuguesa, na terra do crocodilo.»

sábado, 5 de julho de 2008

Ideias para ajudar a reintroduzir o português em Timor


Um dos temas fortes das conversações de Lula da Silva com as autoridades timorenses na sua visita a Díli, dia 11 próximo, será naturalmente como pode o Brasil ajudar a fazer crescer e a fortalecer a língua portuguesa, tornando-a, com o tempo, numa das línguas maternas dos timorenses ou na sua segunda língua como já o era até 1975.

Com a visita do Presidente do país com mais falantes de português, o Brasil, vou transcrever um texto meu, que postei a 1 de Abril, expressando, em linhas gerais, o meu pensamento sobre a melhor estratégia a adoptar pelas autoridades timorenses para facilitar a estender de forma gradual e consistente o ensino em português no sistema educativo desde o ensino básico ao secundário.


Português, língua co-oficial de Timor-Leste

A língua portuguesa ainda é falada por timorenses de mais de 35 anos escolarizados no sistema educativo português, antes de Dezembro de 1975.

O objectivo, agora, é voltar a introduzir o português como língua de ensino, cultura e administração do Estado timorense, e desenvolvê-lo no território para que se torne não só o instrumento de trabalho dos timorenses, como também uma janela para o mundo e uma mais valia económica para o país. Pois, através da língua chega-se à economia de um vasto mercado de mais de 200 milhões de pessoas nos cinco continentes, que tiveram ligação histórica com Portugal.

O esforço da cooperação é louvável neste campo, mas não acertou na 'mouche'. Os professores destacados no território estão a formar docentes timorenses, logo gente adulta escolarizada no sistema educativo indonésio, logo não dominam minimamente o português, logo haverá alguma ou mesmo muita dificuldade em transmitir os conhecimentos adquiridos aos seus alunos timorenses em português. É deitar dinheiro dos contribuintes portugueses pelo cano da sanita.

Então qual a alternativa?

1. Abrir uma escola exclusivamente ministrada em língua portuguesa, começando logo no 1º ciclo (ensino primário) e gradualmente estender-se-ia ao pré-secundário e secundário (acompanhando a progressão dos alunos que começaram no primário), em cada um dos treze distritos, tendo como docentes de preferência todos profissionalizados recrutados em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde.
2. Portugal poderia recrutar, num primeiro, momento professores do 1º ciclo (ensino primário), posteriormente do 2º, 3ºciclos e do ensino secundário para cada uma das treze escolas.
3. O Estado timorense poderia abrir concurso para o recrutamento de professores para docentes brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. São professores mais baratos, em termos de salário, que os portugueses. Por isso, é suportável pelo orçamento de estado timorense.
4. E recrutar-se-iam igualmente docentes timorenses, falantes de português e profissionalizados, com o mesmo salário dos restantes docentes contratados, excepto portugueses (estes naturalmente mais caros).
5. Numa mesma escola, coexistiriam docentes de várias proveniências.
6. Aos docentes estrangeiros o Estado timorense disponibilizaria alojamento adequado nos distritos onde iriam leccionar.
6. As restantes escolas da rede pública timorense continuariam a ser asseguradas por professores timorenses até se chegar a uma altura (15 anos depois) em que os alunos saídos das treze escolas propostas assegurariam por sua vez a docência nas restantes escolas referidas.

Estes são um apanhado de ideias para ajudar a fazer crescer a língua portuguesa, na terra do crocodilo.

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1 comentário:

Jojô disse...

O projeto é bom, mas não poderá deixar de incluir o ensino português nas escolas já existentes como segunda língua e não pode esquecer que a convivência de professores de várias origens implicará na necessidade de convivência de métodos de ensino diferentes.

1 de Abril de 2008 22:17

domingo, 6 de abril de 2008

Ministra da Educação no Algarve

Amanhã, 7/4, 2ª feira, a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, vai reunir-se, em Faro, com todos os presidentes do Conselho Executivo e do Conselho Pedagógico de todas as escolas da Direcção Regional do Algarve.

Ordem de trabalhos?
- Desconhecida!

Comenta-se nas escolas que um dos pontos da agenda de trabalho seja a polémica questão da avaliação de professores, que é uma cópia do modelo adoptado por Chile [http://www.docentemas.cl/documentos.php], segundo informações veiculadas via e-correio (e-mail) entre os professores de todo o país.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Português, língua co-oficial de Timor-Leste

A língua portuguesa ainda é falada por timorenses de mais de 35 anos escolarizados no sitema educativo português, antes de Dezembro de 1975.

O objectivo, agora, é voltar a introduzir o português como língua de ensino, cultura e administração do Estado timorense, e desenvolvê-lo no território para que se torne não só o instrumento de trabalho dos timorenses, como também uma janela para o mundo e uma mais valia económica para o país. Pois, através da língua chega-se à economia de um vasto mercado de mais de 200 milhões de pessoas nos cinco continentes, que tiveram ligação histórica com Portugal.

O esforço da cooperação é louvável neste campo, mas não acertou na 'mouche'. Os professores destados no território estão a formar docentes timorenses, logo gente adulta escolarizada no sistema educativo indonésio, logo não dominam minimamente o português, logo haverá alguma ou mesmo muita dificuldade em transmitir os conhecimentos adquiridos aos seus alunos timorenses em português. É deitar dinheiro dos contribuintes portugueses pelo cano da sanita.

Então qual a alternativa?

1. Abrir uma escola exclusivamente ministrada em língua portuguesa, começando logo no 1º ciclo (ensino primário) e gradualmente estendender-se-ia ao pré-secundário e secundário (acompanhando a progressão dos alunos que começaram no primário), em cada um dos treze distritos, tendo como docentes de preferência todos profissionalizados recrutados em Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e Cabo Verde.
2. Portugal poderia recrutar num primeiro momento professores do 1º ciclo (ensino primário), posteriormente do 2º, 3ºciclos e do ensino secundário para cada uma das treze escolas.
3. O Estado timorense poderia abrir concurso para o recrutamento de professores para docentes brasileiros, angolanos, moçambicanos e cabo-verdianos. São professores mais baratos, em termos de salário, que os portugueses. Por isso, é suportável pelo orçamento de estado timorense.
4. E recrutar-se-iam igualmente docentes timorenses, falantes de português e profissionalizados, com o mesmo salário dos restantes docentes contratados, excepto portugueses (estes naturalmente mais caros).
5. Numa mesma escola, coexistiriam docentes de várias proveiências.
6. Aos docentes estrangeiros o Estado timorense disponibilizaria alojamento adequado nos distritos onde iriam leccionar.
6. As restantes escolas da rede pública timorense continuariam a ser asseguradas por professores timorenses até se chegar a uma altura (15 anos depois) em que os alunos saídos das treze escolas propostas assegurariam por sua vez a docência nas restantes escolas referidas.

Estes são um apanhado de ideias para ajudar a fazer crescer a língua portuguesa, na terra do crocodilo.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ressaca do caso Carolina Michaëlis

Associações de Pais concordam com contratação de técnicos em caso de indisciplina nas escolas

Confap encara medida como sinal de abertura da tutela

26.03.2008 - 14h59 Lusa

O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) considera a possibilidade das escolas poderem contratar técnicos para resolver problemas graves de indisciplina uma "boa medida".

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, anunciou ontem que as escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos.

"Se uma escola tiver um grande problema de indisciplina generalizada pode apresentar à Direcção Regional de Educação uma proposta para o reforço dos meios técnicos", anunciou Valter Lemos.

Em declarações hoje à Lusa, o presidente da Confap, Albino Almeida, disse que se trata de uma "boa medida do Governo". "Vimos com satisfação que o Governo tenha respondido com actos concretos" ao problema da indisciplina nas escolas, referiu.

Albino Almeida adiantou também que este é um sinal de que o Governo tem de estar disponível para responder às necessidades das escolas, no âmbito da autonomia que dispõe, "para restabelecer um clima de não-violência".

Público On line, 27/03/2008

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Comentário de leitores ao artigo

27.03.2008 - 12h46 - Isabel Silva, Vila Nova de Gaia

Concordo consigo Jordão Freitas. "Casa de pais, escola de filhos" é ditado antigo mas sempre actual. A jovem em questão reagiu como deve ser seu hábito fazê-lo em casa. E se o telefonema era mesmo da mãe, será que esta não sabe o horário escolar da filha e que naquele momento a sua (mal)cria(da) estaria em aulas?!?

27.03.2008 - 12h19 - João, Algarve

Para os ilustres iluminados que aqui comentam. O chamado "eduquês", aqui tanto comentado, foi criado pelas Ciências da Educação e não pela Psicologia ou Psicopedagogia. Um pouco de contenção pois o atrevimento da ignorãncia não permite tudo. À Confap e ao ME deixo o seguinte comentário. A intervenção de Técnicos (Psicólogos, Serviço Social, mediadores) não deve ser organizada como resposta a situação de crise em exclusivo. Foi essa visão limitada e tacanha de gestão de recursos humanos de mercearia que nos conduziu onde estamos hoje. Já existe o Serviço de Psicologia e Orientação que devia concentrar Psicólogos, téc. de Serviço Social e outros e trabalhar numa lógica de Prevenção Primária e Secundária e não apenas remediação. É atentar ao estado em que está a rede deste Serviço que logo perceberão a qualidade das políticas nesta área. Navegam à vista os senhores do ME!

27.03.2008 - 12h04 - Anónimo, lisboa

Este Albino é cá um cromo? Então achas mesmo que os técnicos é que vão resolver o problema? Por que razão dizes que sim a tudo o que vem do ministério? Eu também sou encarregado de educação e a mim não me representas tu, pois discordo de quase todas as tuas ideias. O que a Escola precisa são regras rígidas e reprovações quando verdadeiramente não se sabe, pois o total facilitismo dá nisto.

Público On line, 27/03/2008
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Comentário de um leitor:
Mario Veríssimo disse...
Acho que o Aluno que filmou a cena não deveria ser tão castigado.Estas coisas não devem ser camufladas.É o principio básico do Jornalismo e da Democracia.Tenho dito
29 de Março de 2008 14:22

Carolina Michaëlis - intervenientes transferidos

Aluna que agrediu professora e jovem que filmou o incidente vão ser transferidos

O futuro estabelecimento de ensino é ainda uma incógnita
27.03.2008 - 08h09 PÚBLICO

Patrícia e Rafael, a aluna que agrediu a professora de Francês na Escola Secundária Carolina Michaelis e o colega que filmou o incidente, vão ser transferidos de escola, anuncia hoje o jornal "Correio da Manhã".

A sanção foi conhecida ontem, sendo ainda desconhecido o estabelecimento de ensino que irão frequentar.

Fonte da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), ouvida hoje pela agência Lusa, disse, contudo, que "não há ainda qualquer indicação de que os alunos serão transferidos". A mesma fonte adianta que os pais dos alunos envolvidos no caso de indisciplina vão ser informados hoje de manhã das conclusões do inquérito realizado pela direcção da escola.

Ao jornal diário, a jovem não quis prestar declarações. "Ainda não há decisão", revelou a mãe de Patrícia ao "Correio da Manhã", depois de ter reunido com o conselho executivo da escola.

Rafael mostrou-se reservado e escusou-se a prestar comentários. Envolvido apenas de forma indirecta sofreu igualmente uma sanção pesada.

Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.

Segunda-feira, a professora vai regressar à escola e à turma do 9ºC que Patrícia frequentava. A turma é maioritariamente composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares.

Público On line, 27/03/2008
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Comentário de um leitor ao artigo

27.03.2008 - 14h21 - Anónimo, Alcochete, Portugal

O problema que se coloca aqui neste caso é o da falta de respeito, cada vez maior, dos alunos para com os professores. Os professores, hoje em dia, não têm autoridade para nada... o próprio governo não respeita os professores... assim os alunos sentem-se cada vez mais apoiados para fazerem o mesmo. Os alunos estão cada vez mais indisciplinados. Não têm disciplina na escola, nem em casa e isso nota-se cada vez mais pelas suas atitudes. Penso que transferir a aluna só vai fazer com que se transfira o problema... essa aluna devia levar uma sanção que fosse um exemplo... para que os outros pares percebessem que é necessário respeitar os professores. E o governo em vez de se preocupar com a avaliação dos professores, devia de colocar os olhos neste caso... pois todos os dias acontecem situações destas... apenas não são tão difundidas... e preocupar-se mais com a indisciplina e com a avaliação dos alunos, que passam o ano sem estudar e chegam ao fim do ano lectivo e são aprovados... A senhora Ministra devia de levar um empurrão daqueles que a professora levou, para ver se acorda e tem noção da realidade das escolas...

Público On line, 27/03/2008

Recondução de professores

Ministério permite que os professores fiquem na mesma escola por mais um ano

Tutela dispensa professores dos quadros de se apresentarem a concurso, no mesmo dia em que PS defende manutenção da avaliação que é contestada

O Ministério da Educação (ME) abre a possibilidade aos professores de se manterem na mesma escola por mais um ano. "Com o objectivo de reforçar os princípios da estabilidade do sistema de colocação dos professores, da continuidade pedagógica e do interesse público", justifica a tutela, em comunicada de imprensa.

De acordo com o despacho publicado em Diário da República, os professores dos quadros colocados até 31 de Dezembro passado vão poder ficar na mesma escola. No próximo ano lectivo, os que estão destacados por motivo de doença ou por não terem horário na escola de origem vão poder manter o lugar actual e estão dispensados de concorrer.

Estão também neste rol os professores dos Quadros de Zona Pedagógica que estejam afectos a uma escola administrativamente ou por concurso até 31 de Dezembro. E os professores que desejarem, colocados em mobilidade ou afectos administrativamente, desde que tenham funções lectivas, revela a nota do ME. Também incluídos estão os contratados em 2006 e que renovaram o ano passado.

O objectivo é aumentar a estabilidade nas escolas. A primeira medida neste sentido foi em 2006, quando o governo acabou com a colocação anual e criou um regime de colocação por três anos.

Oposição pela suspensão

O despacho publicado em Diário da República foi conhecido ontem, no mesmo dia em que no Parlamento todos os partidos da oposição pediram a suspensão do processo de avaliação dos professores. Os projectos de resolução do BE, CDS/PP, PCP, PSD e da deputada independente Luísa Mesquita não foram votados, mas o PS fez saber que é a favor da avaliação e que esta deve ser feita ainda este ano, como é intenção do ME.

Na Assembleia da República, em Lisboa, da esquerda à direita, com excepção do PS, todos são a favor da suspensão do processo de avaliação dos professores, de modo a ser discutido e aplicado no próximo ano lectivo.

"Esta é também uma reivindicação que veio das escolas e dos cem mil professores que estiveram nas ruas de Lisboa [no dia 8]", lembra Ana Drago, do BE.

Ao todo, foram apresentados cinco projectos de resolução com a mesma recomendação: suspender. Apesar de nenhum ter sido votado e apesar dos apelos dos professores sentados na bancada do PS, o partido do Governo mostrou-se intransigente: "O PS não se esconde, enfrenta os desafios", responde a deputada socialista Isabel Coutinho.

Para Alcídia Lopes, professora e deputada do PS, as escolas estão "a trabalhar bem", por isso "não faz sentido adiar este processo". As mais valias desta avaliação é que haverá descongelamento das carreiras e progressão, "para já não falar da maior estabilidade profissional garantida por este Governo", defende.

Bárbara Wong
PÚBLICO, 27/3/2008

terça-feira, 25 de março de 2008

Valter Lemos e a violência nas escolas

PGR pediu mais autoridade para os professores

Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado


25.03.2008 - 14h21 PÚBLICO


O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas. As declarações do responsável vêm no seguimento do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, citado pelo "Diário Económico", ter pedido mais autoridade para os professores.

Valter Lemos sustentou a sua opinião com os dados do programa “Escola Segura” que foram recebidos pelo ministério e onde os comandantes da polícia garantem que os problemas são “importados de fora” e que o ministério está a agir na resolução desta situação.

O responsável informou ainda que o Ministério da Educação tem “programas especiais do ponto de vista da segurança externa através do ‘Escola Segura’ e do ponto de vista da segurança interna através de mecanismos internos de ocupação de alunos e de reforço dos meios de apoio aos professores”.

O secretário de Estado referiu, também, na contratação de monitores e mediadores para apoio aos docentes “para tentar obviar dentro aquilo que é a importação de fora”. Valter Lemos garantiu desconhecer outros casos de violência e afirmou que não existe qualquer contacto por parte da Procuradoria-Geral ou do Ministério Público sobre questões de violência interna nas escolas.

PGR quer mais autoridade para os professores

Pinto Monteiro mostrou-se ontem contra o “sentimento de impunidade” que se vive nas escolas portuguesas e pediu mais autoridade para os professores, na sequência do caso de agressão passado na escola Carolina Michaelis, no Porto.

“Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas o que raras vezes tem acontecido”, sublinhou o PGR, em declarações ao “Diário Económico”.

O procurador explicou ainda que nalgumas escolas se formam “pequenos gangs que depois transitam para gangs de bairro, armados e perigosos”, funcionando a violência escolas como “embrião” para níveis mais graves de criminalidade.

Esta não é a primeira vez que o PGR se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas.

Público On line, 25/3/2008
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Comentário de um leitor:
mais valia disse...
É uma pena que o Sr Secretario de Estado esteja novamente a fazer politica para o partido que representa em vez de estar a governar.Governe e deixe-se de conversa mole
26 de Março de 2008 14:27

segunda-feira, 24 de março de 2008

Ainda a agressão à professora 2

“Problema de saúde pública e mental” na Carolina Michaëlis
Sara R. Oliveira 2008-03-24

Aluna que retirou à força o telemóvel da mão da professora de Francês pode ser transferida de escola, suspensa dez dias úteis ou ter uma repreensão registada.

O que pode acontecer à aluna do 9.º C da Secundária Carolina Michaëlis do Porto que a 12 de Março enfrentou a professora na aula de Francês para lhe retirar o telemóvel? À luz do novo Estatuto do Aluno há três hipóteses: transferência de escola, dez dias úteis de suspensão ou repreensão registada. O caso foi notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social do país. Um pequeno filme, captado por um telemóvel de um colega de turma e colocado no site de partilha de vídeos online Youtube, mostra a aluna a tentar tirar o telemóvel da mão da professora de Francês. A turma ri-se do episódio. "Dá-me o telemóvel já", ordena a aluna. No final, a estudante consegue reaver o telemóvel. Na quinta-feira passada, um funcionário da escola informou o EDUCARE.PT que tinha instruções para comunicar que o caso estava a ser alvo de um processo de averiguações. "A escola teve conhecimento do que se passou e está a ouvir os intervenientes", disse.

Ao EDUCARE.PT Arsélio Martins, vencedor do Prémio Professor do Ano e membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, refere que o que se passou na Carolina Michaëlis é um caso de saúde pública e mental e de valores. "É um problema de saúde pública e mental quando se reage daquela forma. A aluna teve uma reacção agressiva e desproporcionada em relação a um objecto que ninguém iria alterar. Aquela situação não é normal", afirma. "Pessoalmente, acho que alguma coisa tem de ser corrigida com certa gravidade", defende. O docente não quer fazer juízos de valor até porque, salienta, não se sabe o que se passou antes de a professora retirar o telemóvel à aluna, mas, em seu entender, há motivos para preocupações. "A violência está mais na tentativa de impedir a professora de sair da sala de aula para ser ajudada na sua demanda". "A sala transformou-se num campo de batalha, em que a professora foi impedida de sair de uma forma violenta, ficou isolada, e não pôde ampliar a sua autoridade", reforça.

Arsélio Martins destaca o papel da família no respeito pelos valores. "Neste momento, o problema da mediatização e a necessidade de aparecer em todo o lado dão origem a coisas muito estranhas". Essa mediatização, sublinha, "não é um problema de valores da escola, que não tende à mediatização". Mas é uma questão que se centra no seio da família. "É importante fazer-se um trabalho junto das pessoas, das famílias, saber que espectáculos vêem", realça.

A secundária do Porto soube do sucedido através da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e abriu, de imediato, um processo para apurar responsabilidades. A mediatização do caso já provocou várias reacções. A professora de Francês, que está no topo da carreira, optou por não prestar declarações, mas sabe-se que está perturbada com as proporções que o episódio assumiu. A aluna, em declarações ao Correio da Manhã, admitiu que tinha errado. "Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir música no telemóvel, mas o som estava baixinho", adiantou ao jornal. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lamentou o caso e o aproveitamento político da situação.

"É revoltante ver aquela professora numa situação de completa fragilidade, chega a ser impedida pelos alunos de sair da sala de aula", referiu João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) ao jornal Público. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, disse, ao mesmo jornal, que "a maior parte dos professores lida com situações desse tipo apenas com a sua intuição". "Como não existe respeito por parte do Ministério da Educação em relação aos professores, esse sentimento passa para os outros e, neste caso, para os alunos. É preciso ter muito cuidado, porque situações destas podem escalar para situações de maior violência", afirmou Abel Macedo, do Sindicato dos Professores do Norte, ao Diário Digital.

Os meios de comunicação social revelam um outro caso que aconteceu na Carolina Michaëlis em Dezembro do ano passado. Uma aluna do 10.º ano não concordou com a nota de Português e puxou os cabelos à professora num dos corredores da escola, depois de uma discussão acesa na sala e de a estudante ter abandonado a aula sem autorização. A aluna acabou por ser transferida de escola. A turma do 9.º C é apresentada como problemática e no primeiro período deste ano lectivo foram registados cerca de 40 casos de indisciplina na secundária do Porto.

"Denegridos e rebaixados pelos alunos"

No dia em que o caso era abertura em todos os telejornais, Maria Beatriz Pereira, investigadora, autora de vários livros sobre violência escolar e professora da Universidade do Minho, afirmava que o bullying, agressão continuada e sem razão aparente, está a atingir a classe docente. "Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine", dizia à Lusa, à margem do "Fórum Educação para a Saúde", organizado pela Câmara de Famalicão. "Os professores são as novas vítimas do bullying", refere a investigadora e também presidente da Comissão Directiva e Científica de Doutoramento em Estudos da Criança, salientando que "os professores têm dificuldades em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados". Os números do Observatório da Segurança em Meio Escolar revelam que em 2006/2007 houve 185 agressões participadas contra docentes em 180 dias do ano lectivo.

"A comunidade educativa tem de reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual uma equipa vai definir as regras de intervenção", defende Maria Beatriz Pereira. Nos casos que tem acompanhado, a investigadora garante que "os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos". E o que acontece? "Apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais", refere. Na sua opinião, é necessário tentar reduzir o fenómeno do bullying através da "criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir".

Há, no entanto, comentários violentos que deixam marcas. A investigadora dá alguns exemplos: "o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir" dos professores. "O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos", comentou. Dos estudos feitos, Maria Beatriz Pereira retém uma certeza. "Quanto maior é o insucesso escolar, maior é a incidência de bullying." Há estudos que o demonstram. Em 6200 alunos estudados no triénio 1995/1997, uma equipa coordenada por Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está intimamente ligado ao bullying. "Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros", comentou a docente.

"Dança ridícula de empurrões"

O episódio da escola do Porto originou milhares de comentários online. A sociedade portuguesa não ficou indiferente ao que se passou dentro das quatro paredes. Num dos fóruns do EDUCARE.PT, Leonor conta que trabalhou numa escola profissional "onde uma aluna ameaçou uma professora com uma navalha e foi expulsa da escola. (...) a paz voltou à escola e os restantes alunos não cometeram infracções". "É muito triste a situação a que chegámos. Que condições psicológicas tem aquela colega de se apresentar para trabalhar com aquela turma?", questiona. Um outro participante no fórum elogia a professora - "pois sangue frio não lhe faltou perante a situação insultuosa que vivenciou em pleno local de trabalho" - e fez dois comentários sobre a aluna e a turma. "Como essa existem muitas outras... educação é palavra inexistente no dicionário! São os pais destes meninos que vão avaliar os professores? Obrigada sr. primeiro-ministro por tamanha consideração pelos professores! Continue a ser teimoso que em breve passaremos a ter a Escola que deseja: ‘Tudo ao monte e fé em Deus!'. Ainda bem que este vídeo aparece, pois ainda há quem não acredite que esta é a Escola que temos.... Retirem-nos toda a autoridade, passem os meninos com milhentas faltas de civismo!".

Um "analista educacional" lança algumas questões. "Mas pergunto-me como é que, face a uma falência da família, da escola, da educação, etc., (aqui globalmente falando), se pode esperar ainda que os alunos, pelo menos na sua maioria, pensem e actuem como se estivessem numa situação de normalidade... Actuações como a daquela aluna são a prova provada de que se entrou literalmente na falência!". Passos Dias Aguiar Mota deixa o seu lamento: "Estou francamente triste e desiludido com o ensino. Com a educação. Com os próprios colegas, que por trás das costas se vão rindo destas coisas". E um professor contratado escreve: "Uma palavra de apreço para a colega visada no vídeo que incorporou a pele de todos os professores que sentem a decadência da indisciplina nas escolas".

"Ser professor não é para quem quer nem para quem pode, é para quem sabe. Adolescentes histéricas vão sempre existir em toda a parte, professores competentes é que já é mais raro... E ainda dizem mal da ministra por querer avaliar estes professores?", refere Ana de Alverca na edição online do jornal Público. No mesmo suporte, Miguel, de Vila Nova de Gaia, deixa a sua reflexão. "A função do professor é a de educar, não a de tentar garantir uma posição de autoritarismo na sala de aula. Por que razão quer tanto esta professora ficar com o telemóvel? Se a aluna não cumpre as regras, é convidada a sair da sala - nunca lhe é ‘roubado' o telemóvel."

José Machado, da Parede, responsabiliza a docente da Carolina Michaelis na edição online do Correio da Manhã. E explica a sua visão. "Primeiro, permitiu telemóveis; segundo, pensou que estava na primária ao tirar o brinquedo; terceiro, devia ter pedido à aluna para sair; quarto, caso não fosse atendida interrompia a aula e queixava-se ao Conselho Directivo; quinto, nunca deveria encetar aquela dança ridícula de empurrões." Ana Tavares, do Porto, dá a sua sentença no Público online, com alguma ironia. "Dez dias de suspensão, que não têm nenhum efeito penalizador porque já nem sequer se reprova por faltas. À luz do novo Estatuto do Aluno, provavelmente ainda terá direito a uma prova de recuperação por ter estado dez dias ausente das aulas."

EDUCARE.PT, 24/3/2004
Portal da Educação

Ainda a agressão à professora

As garras do telemóvel

Ainda bem que naquela sala de aula da escola Carolina Maichaëlis estava um alarve que, perdido de gozo, filmou a cena de violência entre a 'velha', como ele lhe chamava, e a aluna que se atirou à professora por esta lhe ter retirado o telemóvel durante uma lição. Ainda bem que estas imagens foram para a internet, para a televisão, para os jornais. Ainda bem que se ouviram as gargalhadas de uma turma que ululava aos gritos histéricos da rapariga, enquanto o alarve, danado de gozo, filmava e gritava para a 'gorda' se afastar para produzir melhores imagens. Ainda bem que vimos alguns alunos procurando ajudar a professora para não se concluir que, em vez de uma escola, estamos em território dominado por gang.

É a evidência daquilo que há muito tempo se conhece. Em muitas escolas, um professor que entra numa sala candidata-se a entrar num filme de terror.

O problema essencial que está em cima de mesa é estruturante, atinge diversos níveis da nossa vida colectiva, é revelador do nível de desorientação que hoje determina políticas incoerentes, desconexas, ditadas por um falso humanismo e por um falso sentido de cidadania.

Falamos do problema de autoridade. Que afecta a escola, que afecta as forças de segurança, que afecta a família, que afecta a organização estruturada do poder em geral.

É certo que viemos de um tempo histórico que durante meio século se pautou pelo autoritarismo, a discricionariedade, pela amputação de direitos cívicos elementares. Mas passaram trinta e quatro anos e este jeito tão português de atirar as culpas para o passado e não é preciso ressuscitar fantasmas para dizer o que deve ser dito: Estamos a produzir uma sociedade inculta, egoísta, medrosa, narcísica cujas referências maiores são o consumismo e, simultaneamente, o rompimento de teias de solidariedade ancestrais.

A autoridade num Estado democrático deve ser reconhecida, e admitida, por quem a percebe e que com ela se relaciona. Os filhos face à autoridade dos pais, os cidadãos perante as determinações policiais ou judiciárias, os alunos perante os seus professores e por aí adiante. É posse de quem a usa, mas só existe se lhe for reconhecida. E chegados aqui, somos capazes de perceber que a crise da autoridade, nos vários níveis do quotidiano, resulta da ausência de estímulos para que ela seja reconhecida. A começar pela rápida dessacralização das relações verticais de solidariedade, pela dissolução das redes intermédias do poder, pela socialização de comportamentos tidos como bons que não produzem cidadania mas o seu abastardamento. O telemóvel tornou-se o símbolo e o mito de uma sociedade tecnologicamente avançada mas vazia de humanismo, de sentido de existência, de fome de liberdade. Os Hunos que vimos na Carolina Michaëlis são nossos, nascidos da nossa ignorância tecnologizada, da nossa consciência democrática feita com pés de barro e minada por atavismos. De facto, iludidos que andámos muito, estamos a produzir desilusão e pesadelos. E o direito ao sonho? Onde é que pára?

Francisco Moita Flores
CM - Correio de Manhã, 23/3/2008

sábado, 15 de março de 2008

Professores e a reforma da ministra


Qualidade é o principal motivo de discórdia entre Professores e Ministério

Braço-de-ferro mantém-se no Ensino Público

Ana Lourenço Monteiro 14-03-2008

Várias manifestações espontâneas de professores contra a política da Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, tiveram lugar na passada semana em diversos pontos do país. A contestação nacional, que também passou pelo Barreiro, culminou no protesto convocado pela Fenprof – Federação Nacional de Professores, realizado dia 8 de Março, em Lisboa, que reuniu cerca de 100 mil professores. A qualidade do ensino português parece ser a bandeira das razões evocadas pelas partes discordantes, cujo entendimento espera por um verdadeiro diálogo, a “proximidade ao real das escolas” do ministério e a parceria dos pais, segundo os professores.

A par de outras manifestações ocorridas a nível nacional, o protesto de descontentamento que teve lugar no Barreiro, a 5 de Março, reuniu trezentos professores do Barreiro e da Moita em desfile pelas ruas da cidade. Os lenços brancos não deixaram de marcar presença num aceno geral de despedida à ministra Maria de Lurdes Rodrigues, acompanhado de frases como “está na hora da ministra ir embora”, “ministra escuta a escola está em luta” ou “abaixo a prepotência, dignidade à docência”.

De velas na mão, num acto simbólico, cerca de 300 professores estiveram reunidos algumas horas naquela que foi uma “manifestação calma, ordenada e espontânea”. Apesar de estar presente na concentração, um dirigente sindical da FENPROF, José Costa, sublinhou que os sindicatos não estiveram envolvidos na mesma. “Isto foi um acto espontâneo organizado por SMS entre os próprios professores, no sentido de mostrarem o seu descontentamento; as estruturas sindicais não organizaram nada nesse sentido”, explicou.

Entre vários aspectos, alguns dos professores presentes falaram da questão da avaliação dos professores que consideram ser “atabalhoada e de policiamento”. O mesmo acontece no que toca às regalias e aos anos de serviço. Confiantes na influência exercida sobre o Governo por parte das manifestações ocorridas por todo o país, os docentes mobilizados mostraram-se mobilizados para participar no protesto de sábado, que teve como ponto de encontro a estátua do Marquês de Pombal, em Lisboa.

O número resultante da “marcha da indignação” em massa dos docentes em desacordo com a política actual do Ministério da Educação (ME) português, exigindo a demissão da ministra da Educação, a renegociação do Estatuto da Carreira Docente e a suspensão do processo de avaliação de desempenho, ascendeu aos 100 mil. Passível de ser encarado como uma contestação sem igual, até aos dias de hoje, em matéria de Educação, o Primeiro-Ministro, José Sócrates, já relativizou o número de manifestantes e assegurou a continuação da ministra Maria de Lurdes Rodrigues, reforçando o seu “trabalho muito importante de mudança” na Educação. “O que me convence não é a força dos números, é a força da razão”, afirmou José Sócrates à Comunicação Social.

Edil e vereação CDU apoiam luta de professores

Muitos foram os assobios e gritos de “mentirosos” proferidos aquando da passagem dos professores do Barreiro e Moita pela sede do PS Barreiro, no dia 5 de Março. As vaias transformaram-se, porém, em aplausos por parte do presidente da autarquia, Carlos Humberto, quando os manifestantes chegaram junto ao edifício da Câmara Municipal do Barreiro (CMB).

O apoio foi dado, de igual modo, pela vereadora da Educação da CMB, Regina Janeiro, para quem também a manifestação realizada no concelho do Barreiro foi símbolo de “desagrado e contestação à actual política educativa seguida por este Governo, que tem vindo a tentar pôr em causa a escola pública e tem desrespeitado os docentes”. “Naturalmente que estou solidária com a luta destes profissionais e foi por esse motivo que acompanhei a concentração junto ao Parque Catarina Eufémia e consequente manifestação até aos Paços do Concelho, onde, conjuntamente com o Sr. Presidente da Câmara manifestámos a nossa solidariedade”, explica a vereadora.

A persistência da posição do Governo poderá levar a que “o futuro da Educação no nosso país esteja seriamente em perigo”, segundo Regina Janeiro. “Uma maior desigualdade” será, na opinião da vereadora, o resultado das medidas do respectivo ministério, levando a colocar em causa “a universalidade do ensino e os princípios subjacentes a uma escola pública, gratuita e de qualidade para todos”.

De acordo com Regina Janeiro, a proposta em cima da mesa para avaliar os docentes consiste num sistema que “promove a burocratização de procedimentos, abre portas à subjectividade e penaliza os professores ao nível da sua carreira profissional”. O “novo regime de gestão, direcção e autonomia das escolas” irá também trazer “alterações significativas, nomeadamente alterações que põem em causa princípios de elegibilidade, colegialidade e participação, pilares para uma organização democrática nas escolas”.

A descentralização de competências para as autarquias é matéria de igual contestação da CDU. Esta não é vista como uma verdadeira transferência já que “em todas as áreas propostas remete as autarquias para contratos de execução” e porque a proposta “abrange todos os níveis de ensino, à excepção do ensino superior”.

Para a vereadora da Educação, “parece claro” que as consequências do “relacionamento de confronto” entre o Governo PS e os professores são negativas. Como explicação, Regina Janeiro indica que “as atitudes da sra. ministra são preocupantes – desvalorizou a luta dos professores um pouco por todo o país e a marcha da indignação que se realizou no passado dia 8 de Março, em Lisboa, e que juntou 100.000 professores e educadores”, para além de nas suas declarações ter reafirmado que “continuará a mesma política, como se, à sua volta, nada se passasse”.

“Não há um confronto de ideias, existe um monólogo”

“É na escola que me revejo enquanto profissional porque é realmente na escola que reside a riqueza da diversidade”. Esta é uma frase de Rui Madeira, docente que ainda se conta entre aqueles que voltariam a escolher a profissão que exerce e afirma que esta o “satisfaz”.

Por ter sempre encarado a sua actividade como “uma profissão de carácter nobre”, este professor do Barreiro acredita que o que o preenche é poder, no dia-a-dia profissional, ter a capacidade de “transmitir valores e princípios a crianças e jovens”. O receio de que, “qualquer dia, os professores estejam todos formatados dentro das escolas a formatar meninos” está, porém, talvez menos longe do que o desejaria.

Este receio, montado num cenário de má qualidade do ensino, gera a base da contestação deste professor que se manifestou no Barreiro e em Lisboa. “Senti que, pela primeira vez, uma classe como a dos professores, que até é difícil de reunir, conseguiu por mérito da ministra e do Governo ficar mais unida e demonstrou que existe consciência de que as coisas têm que levar outro caminho”, afirma.

Rui Madeira sabe reconhecer os passos positivos do actual ME, como a estabilidade dada aos professores por vinculação destes últimos por três anos numa mesma escola. Ainda assim, os pontos negativos não deixam de se evidenciar. Para este professor a tónica que tem vindo a ser colocada sobre a Avaliação de Professores, tem que ser também colocada no novo Estatuto do Aluno, na alteração total relativamente à gestão escolar e na “tentativa de passar toda a gestão do parque escolar e dos recursos humanos e pessoal não docente para a responsabilidade das autarquias, já no próximo ano lectivo”.

Na opinião de Rui Madeira, todas estas são questões “agravantes na situação da degradação da qualidade do ensino” pois “são extremamente complexas e fazem com que as pessoas se envolvam em muita burocracia”. Querer fazer uma mudança radical em toda a estrutura organizacional, que mexe no dia-a-dia do professor” representa, no seu ver, “um tiro no pé do ME”. “Saíram diversas leis, como a do novo Estatuto do Aluno que já está suspensa pois verificaram que não conseguiam pô-la em prática; mas agora, com esse regulamento em suspenso, todo o trabalho da escola está também suspenso”, comenta.

O mesmo caminho deve ser dado, segundo Rui Madeira, à Avaliação dos Professores, um documento que “surgiu sem a participação do professor”. Ao argumentar que “os professores têm sido sempre avaliados”, o docente defende que “é necessário avaliar mas adaptar a avaliação às realidades”. Essencial será, de igual modo, proceder a uma avaliação “adequada e justa à profissão”, já que “tal como se faz para os alunos, os professores não podem dar uma avaliação a um aluno e já não dar a outro só porque apenas pode dar dois cincos”, explica.

Ao ser um processo que envolve todos os professores, Rui Madeira é da opinião que “esta avaliação é um peso burocrático na escola que não foi medido”. Na mesma medida, “também não houve, até agora, ponderação sobre quanto vale uma hora de dispêndio de energia do professor relativamente a outras profissões”. Esta é uma matéria em relação à qual o docente apela à compreensão da sociedade civil, pois ser professor é “uma profissão intensa e onde se trabalha muito com pessoas, desde alunos, colegas a auxiliares”.

“Temos que ter capacidade de regenerar as nossas forças, o que é importante para que no dia seguinte tenhamos a mesma capacidade de vir trabalhar; mas há muitos professores que não aguentam por que é um intensidade muito grande em termos sociais e hoje em dia não se consegue estabelecer relações de qualidade com alguns alunos, por falta de educação, por falta de princípios e por continuarem a vir à escola independentemente de terem ou não um bom comportamento”, contesta.

Defensor de que “a escola não pode tentar escolarizar toda a gente”, Rui Madeira acredita que “a escola a tempo inteiro para muitas pessoas torna-se um problema grave que gera problemas dentro das escolas”. “Terá que haver outra resposta para certos alunos”, explica afirmando que a escola inclusiva poderá tornar-se numa “escola segregadora pois vai fazer com que os meninos bons andem a passo dos meninos maus”. “Infelizmente eles dominam a aula; basta um não querer fazer a aula e esta fica dominada para a negativa”, declara indignado.

Rui Madeira admite ter sido esta “a maior contestação a nível de professores” desde que tem memória. A necessidade de mudar é para este professor algo a cumprir, em questão está a forma da mudança. “As reformas e as mudanças têm que envolver sempre as pessoas que estão no terreno; as pessoas não podem ser vistas como mão-de-obra e infelizmente há um retrocesso social a esse nível porque há muita oferta e, nesses casos, degradam-se as relações de trabalho”, salienta.

Um “confronto de ideias” é o que não existe entre professores e ME. Na opinião do docente do Barreiro existe sim “um monólogo” e “pouca vontade em fazer concessões”. “Num processo de negociação tem que se manter firmeza numas coisas e cedência noutras, e de certeza que o certo será manter a tónica na qualidade para que se possa trabalhar nas escolas”, acredita.

Enquanto docente, Rui Madeira admite que se criou “um pequeno monstro de trabalho”. Para combatê-lo, o professor não pede a demissão de Maria de Lurdes Rodrigues. “Eu diria que ela tem que ficar cá, levar avante a reforma que acha correcta e, se achar que nós não estamos bem nesta reforma, ela que leve isto até ao fim para ver do que é capaz e ver os próprios resultados”, afirma. Fundamental será professores e ministério encontrarem “pontos de convergência”, única solução pela qual “todos juntos devem batalhar”.

“Falta o diálogo e um adaptar à realidade das escolas”

Maria e Isabel são professoras no Barreiro mas não vêem a actual contestação dos professores como uma acção de “confronto” ao Governo. Ao admitirem que há sim que “acreditar”, ambas apontam a “falta de diálogo” como uma verdade que existe, bem como a falha na “aproximação à realidade das escolas” como um dos motivos da impossibilidade de pôr em prática as leis deste ME.

Ambas se incluem no espírito de contestação dos professores contra as políticas educativas do ministério, das quais dão ênfase não só à Avaliação dos Professores mas também ao novo Estatuto do Aluno, à mudança na gestão escolar e às questões relativas às Necessidades Educativas Especiais (NEE). No que toca ao primeiro tópico, essencial é, segundo Isabel, desmistificar que “os professores querem ser avaliados”, embora sempre o tenham sido. O desacordo nesta matéria é em relação à mudança das “regras do jogo” a meio de um ano lectivo, após todo um trabalho feito que agora tem que ser revisto. “Têm sido muitas horas de dedicação e depois põe-se também um pouco em causa a questão pedagógica; neste momento trabalha-se muito a nível administrativo e burocrático e não sabemos até que ponto isto está correcto ou não”, frisa Isabel.

“Nós queremos ser avaliados mas, para já, com o timing certo, que acho que foi o primeiro ponto em que falharam e, depois num modo mais simplório, porque este modelo é muito burocrático, o que faz com que tenhamos de despender muito tempo”, clarifica Maria. Para Isabel, uma solução para a situação actual será “avançar para uma fase experimental”, já que ninguém sabe “até que ponto isto vai ter consequências positivas ou negativas, tanto a nível profissional como a nível da sociedade”. “Somos nós que estamos com as crianças do amanhã”, explica.

A questão dos exames de ingresso na carreira por parte dos professores contratados é, na opinião de Isabel, um ponto esquecido mas também de extrema importância. Em causa está todo um investimento num curso e poder vir a ser “afastado da vida de professor só porque a prova não correu bem”. “Nós próprios avaliamos os alunos a nível contínuo e aqui há um contra-senso em fazer exactamente isso aos professores; se argumentam que isso é para verificar a formação inicial dos professores, então, se calhar, deveriam começar a ver como os programas estão estruturados a nível do ensino superior e a seleccionar, lá mesmo, os bons professores e aqueles que não têm competências para tal”, opina Isabel.

Atender ao contexto de cada escola é, para Maria, uma questão essencial quanto à Avaliação dos Professores. “Temos realidades diferentes e é complicado termos provas iguais para todos os alunos de Norte a Sul, porque, por sua vez, a avaliação dos alunos condiciona, em grande modo, a avaliação dos professores, e nós não temos a culpa que um aluno não queira aprender ou não tenham a ajuda dos pais e isso tudo influencia a aprendizagem”, salienta a professora.

O combate à ideia talvez “já enraizada” de que o professor trabalha pouco deve ser, de igual modo, uma mudança a efectuar. Segundo Isabel, “se calhar está na hora de começar a trabalhar o tempo todo na escola”, visto que, “no momento, os professores estão a ir mais além do horário lectivo e não lectivo e ninguém também paga mais por isso”.

Embora voltassem ambas a escolher a profissão de professora, Isabel não deixa de frisar a sua tristeza perante a ideia de que “os professores são uns malandrecos e não fazem nenhum”, a qual tem que ser combatida também com a ajuda dos pais, enquanto parceiros dos professores.

Quanto à contestação em marcha, Maria e Isabel não conseguem ver quais as consequências do ME manter a sua posição face a algumas “situações humanamente impossíveis de atender”. “Viver o dia-a-dia” parece ser a solução imediata, para Maria, nunca se devendo colocar a hipótese de ceder ou abandonar a profissão.

Em causa está o futuro da sociedade e a qualidade do ensino português. “O ministério não tem que recuar, tem é que se justificar e, se as coisas forem melhores para a Escola, nós teremos que aceitar”, admite Isabel.

Nota: Nomes falsos, a pedido de anonimato das entrevistadas.

“O ser humano precisa de integrar a mudança”

Ana não participou nas manifestações que tiveram lugar no Barreiro e em Lisboa, mas “a intenção era de ir”. O espírito de contestação dos mais de 300 manifestantes no Barreiro e dos cerca de 100 mil em Lisboa são aquele em que se insere. Verdade é que esta docente “não acreditava que fosse possível mobilizar tantos professores”.

“Mais do que estar em desacordo com o que vem, é com a forma como aparece e como as coisas são feitas” que Ana discorda. Por ser tudo uma “mudança muito rápida”, a professora barreirense admite que “a mudança, seja profissional ou pessoal, precisa de integração”, hipótese que não está a ser dada pelo Governo que está a tratar os professores “abaixo de cão”. “O ser humano precisa de integrar a mudança; é humano, não tem a ver com cor política estar ou não de acordo”, confessa.

Desde o novo Estatuto do Aluno, à Avaliação de Professores e ao novo Modelo de Gestão das Escolas, Ana considera que esta reforma é um processo que “está inquinado logo à partida com o concurso de Professor Titular”. Estas são questões que, no entender de Ana, não se podem dissociar, pelo que está em desacordo com todas.

Aquilo que mais preocupa esta docente assume uma dupla vertente, caso se ponha no papel de professora ou no de encarregada de educação. “Enquanto professora, preocupo-me com o que vai acontecer à minha carreira; enquanto mãe, com o que vai acontecer ao meu filho porque o tenho na Escola Pública e, neste momento, não tenho dinheiro para o pôr no Privado porque senão ele estaria lá”, admite.

Em matéria do novo Estatuto do Aluno, Ana dá exemplos do que a afecta, tal como o seu filho “não estar integrado em turmas em que não há o nível de exigência que era suposto haver” ou “estar 15 dias de cama e ser submetido a um exame porque faltou ao dobro do número de aulas admitido”. Já enquanto professora, Ana considera-se afligida por ter que vir a ser avaliada por pessoas que conhece “de uma vida”, algo que, na opinião da docente, altera a sua relação com os colegas.

“Aflige-me não tanto pelo processo em si mas na forma como isto está a afectar o ambiente na escola, a génese de ser professor e de estar na escola; às vezes entro na sala de professores e há um ambiente crispado, que nunca vi em 22 anos de serviço e que é generalizado a outras escolas, pelo que já percebi”, explica. Ana considera este facto “muito grave”, já que é algo que “está a minar o relacionamento entre as pessoas”, o que a desassossega mais do que a questão burocrática.

Sem ter memória de um momento na História em que “se tenha degradado tanto a qualidade do estar na Escola, tanto em relação aos professores como em relação aos alunos”, esta docente afiança que a situação actual é já “um braço de ferro” entre ME e professores. “Acho que isto chegou a um ponto sem retorno; as coisas já estão tão crispadas que não vejo qualquer tentativa de diálogo”, admite.

Pelo que lhe dizem os seus mais de 40 anos, Ana acredita que “o ser humano tem uma memória curta e, com mais ou menos protestos, assimilam isto”, até que aconteça uma próxima. “Daqui por cinco ou seis anos, isto já será uma forma de estar normal, até que venha outro político com outra reforma e aí o pessoal começa a barafustar outra vez”, comenta.

Ao acreditar que “as pessoas vão acabar por integrar e aceitar a posição do ME, com todas as consequências que daí advenham,” a professora teme que o que se perca, essencialmente, seja a qualidade do ensino e haja “uma degradação das relações entre os pares”. Defensora de que “haveria imensas soluções para o que está a acontecer”, Ana aponta que o primeiro passo está em “haver uma paragem, para ver o que está mal e no que se está a falhar, e depois diálogo e troca de ideias”. “Há sempre a hipótese de recuar, repensar, ponderar e qualquer pessoa pode fazer isso, porque o Governo tem caras; estão lá pessoas e estas estão sempre em tempo de reflectir”, salienta.

Aconselhar os seus alunos a não seguir a carreira de professor é algo que admite fazer desde o ano passado, opinião que reitera este ano, também para si própria. “Neste momento, eu jamais escolheria a profissão de professora e aconselho todos os meus alunos de uma forma aberta, directa e assumida ‘não vão para professores’”.

Em causa está “o contexto deste país”, a forma como tem sido retirada a autoridade aos professores, bem como a atitude actual dos meninos que “chegam a ignorar a presença do professor dentro da sala de aula”. “Decididamente, o ensino neste país está completamente degradado; se é preciso mostrar números à Europa nós arranjamos forma: começamos a dar notas baixas no início do ano lectivo e no último período damos 12 e 13 valores. E os alunos vão saber de acordo com a evolução da nota na pauta? Não; mas, se a minha carreira depender disso, eles não vão aprender nada mas vão ter nota para passar”, confessa a professora.

Nota: Nome falso, a pedido de anonimato da entrevistada.

Jornal do Barreiro Website, 14/3/2008