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sábado, 19 de abril de 2008

Carolina Michaëlis: finalmente solucionado

Alunos do liceu Carolina Michaelis "estão mais responsáveis", diz presidente do Conselho Directivo

A presidente do Conselho Executivo da Carolina Michaelis, Carla Duarte, afirmou hoje que os alunos daquela escola secundária do Porto estão mais responsáveis."Eu acho que eles até se sentem mais responsabilizados, no que toca a cumprir o regulamento interno, sobretudo os alunos mais velhos já não prevaricam. Serviu de exemplo", afirmou a responsável em declarações ao Porto Canal.

O caso remonta ao último dia de aulas, antes das férias da Páscoa, quando a docente de Francês do 9ºC foi alegadamente vítima de violência física e verbal por parte de uma aluna, que já foi transferida de escola. O colega que filmou a cena e a colocou na Internet foi também transferido de escola. Um outro aluno, da mesma turma, que impediu a ajuda à professora foi suspenso por dois dias. Os restantes elementos do 9ºC estão a ter aulas de formação cívica, em horas extra ao horário escolar. Nesse período efectuam trabalhos sobre o regulamento interno da escola que depois serão debatidos e analisados pelos alunos de todas as turmas do Carolina Michaelis.

A professora maltratada, que se encontra de baixa médica, já formalizou uma queixa judicial contra a alegada agressora e duas contra os restantes alunos da turma.

Na entrevista de hoje, Carla Duarte recordou que os telemóveis sempre foram proibidos, nas salas de aula do Carolina Michaelis, e sustentou que "eram sempre apreendidos e entregues aos pais". "Desde os incidentes no 9ºC a atitude dos pais mudou", reconheceu a responsável. Carla Duarte sustenta que "os pais estão muito mais preocupados". "Já temos a proibição dos telemóveis, nas salas de aula, regulamentada há vários anos. Agora, quando os pais são chamados para recolher os que são apreendidos, têm consciência do perigo que é usá-los numa sala de aula", frisou a responsável.

Sobre a protagonista do incidente Carla Duarte revelou que "ela veio para esta escola por opção dos pais". "Os pais quiseram tirar a Patrícia da escola onde estava. Ela não veio por problemas disciplinares", sustentou. "Não havia qualquer referência ao comportamento dela, até ao 8º ano era uma aluna brilhante", salientou a responsável, admitindo, no entanto, que nesta fase a aluna "estava mais revoltada". Carla Duarte admitiu, todavia, que "nada levava a crer que ela pudesse ter uma atitude daquelas". "A Patrícia já tinha sido apanhada mais do que uma vez com o telemóvel, sem reagir de forma tão incorrecta", afirmou.

Carla Duarte revelou ainda que a escola "já voltou à normalidade". Sustentou também que "ao contrário do que se disse, no 9º C não há uma concentração de casos problemáticos".

Lusa/Público Online, 18/04/2008
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Comentário dos leitores do Público Online sobre o artigo

18.04.2008 - 15h26 - Escola pública, Portugal
Diz a presidente do conselho executivo que esta aluna era "brilhante, a viver uma fase complicada"! Típico comentário de um administrativo-burocrata que não dá aulas, mas está à frente de uma escola! Se o assunto não se tivesse tornado público a desgraçada da professora é que seria a responsável pela atitude da aluna e, a esta, nada aconteceria. A professora, se revelasse a ocorrência, ou se a aluna se queixasse desta lhe tirar o telemóvel, seria incomodada, interpelada, provavellmente à porta fechada, estilo inquisição, numa reunião, com a presidente do conselho executivo, da qual sairia uma acta intimidatória,na melhor das hipóteses, arquivada no seu processo ou algures em ficheiros secretos do conselho executivo.Em certos casos, seria a professora a ter um processo disciplinar. Portugueses, acordem, é urgente restituir a dignidade perdida aos verdadeiros professores e responsabilizar aqueles que contribuiram para o caos em que se encontra a escola pública: - Ministério da educação - Inspecção do ensino - Conselhos executivos .

18.04.2008 - 09h19 - Anónimo, Lisboa
Como se pode esperar melhor dos adolescentes de quinze anos quando assistem às seis da tarde a novelas de péssima qualidade e nada pedagógicas que apresentam jovens a fumar charros e "enrolados" na cama, os tais "Morangos com açúcar". Os orgãos de comunicação social deveriam ter a preocupação com produtos cujo público é adolescente e tentar ser pedagógicos.

18.04.2008 - 09h11 - Anónimo, Lisboa
Sinceramente se a aluna era assim "tão brilhante" (sendo atípico alunos brilhantes e menos brilhantes terem esse tipo de reacções: recusar-se a cumprir uma indicação tratando a professora aos berros e por tu) e se foi um acto isolado, então o castigo foi desproporcionado e a aluna precisa de tratamento especializado adequado, há aqui um desequilíbrio, pois também a sua atitude foi desproporcionada. Foi também desproporcionada a diferença entre os castigos aplicados aos dois alunos transferidos e os outros colegas que se comportaram como se estivessem num espectáculo de "wrestling". Por fim, o episódio mostrou que as pessoas (incluo aqui as direcções regionais, governantes, pais...) só ligam ao que veêm na TV, o que mostra que mais do que desrespeito pelos professores, existe desrespeito pela escola como instituição. Há casos tão graves ou ainda mais graves de alunos com um longo historial de indisciplina nas escolas que não aparecem na TV e, por conseguinte, não são tratados de forma tão rápida e com tanta eficácia. Para mim, a palavra que resume tudo isto é "desproporção". Uma episódio de telenovelas da TVI, um mau exemplo. Mas ao menos transformemos o limão numa limonada...

quinta-feira, 27 de março de 2008

Ressaca do caso Carolina Michaëlis

Associações de Pais concordam com contratação de técnicos em caso de indisciplina nas escolas

Confap encara medida como sinal de abertura da tutela

26.03.2008 - 14h59 Lusa

O presidente da Confederação Nacional de Associações de Pais (Confap) considera a possibilidade das escolas poderem contratar técnicos para resolver problemas graves de indisciplina uma "boa medida".

O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, anunciou ontem que as escolas com problemas graves de indisciplina podem apresentar ao Ministério da Educação uma proposta para a contratação de técnicos como psicólogos e mediadores de conflitos.

"Se uma escola tiver um grande problema de indisciplina generalizada pode apresentar à Direcção Regional de Educação uma proposta para o reforço dos meios técnicos", anunciou Valter Lemos.

Em declarações hoje à Lusa, o presidente da Confap, Albino Almeida, disse que se trata de uma "boa medida do Governo". "Vimos com satisfação que o Governo tenha respondido com actos concretos" ao problema da indisciplina nas escolas, referiu.

Albino Almeida adiantou também que este é um sinal de que o Governo tem de estar disponível para responder às necessidades das escolas, no âmbito da autonomia que dispõe, "para restabelecer um clima de não-violência".

Público On line, 27/03/2008

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Comentário de leitores ao artigo

27.03.2008 - 12h46 - Isabel Silva, Vila Nova de Gaia

Concordo consigo Jordão Freitas. "Casa de pais, escola de filhos" é ditado antigo mas sempre actual. A jovem em questão reagiu como deve ser seu hábito fazê-lo em casa. E se o telefonema era mesmo da mãe, será que esta não sabe o horário escolar da filha e que naquele momento a sua (mal)cria(da) estaria em aulas?!?

27.03.2008 - 12h19 - João, Algarve

Para os ilustres iluminados que aqui comentam. O chamado "eduquês", aqui tanto comentado, foi criado pelas Ciências da Educação e não pela Psicologia ou Psicopedagogia. Um pouco de contenção pois o atrevimento da ignorãncia não permite tudo. À Confap e ao ME deixo o seguinte comentário. A intervenção de Técnicos (Psicólogos, Serviço Social, mediadores) não deve ser organizada como resposta a situação de crise em exclusivo. Foi essa visão limitada e tacanha de gestão de recursos humanos de mercearia que nos conduziu onde estamos hoje. Já existe o Serviço de Psicologia e Orientação que devia concentrar Psicólogos, téc. de Serviço Social e outros e trabalhar numa lógica de Prevenção Primária e Secundária e não apenas remediação. É atentar ao estado em que está a rede deste Serviço que logo perceberão a qualidade das políticas nesta área. Navegam à vista os senhores do ME!

27.03.2008 - 12h04 - Anónimo, lisboa

Este Albino é cá um cromo? Então achas mesmo que os técnicos é que vão resolver o problema? Por que razão dizes que sim a tudo o que vem do ministério? Eu também sou encarregado de educação e a mim não me representas tu, pois discordo de quase todas as tuas ideias. O que a Escola precisa são regras rígidas e reprovações quando verdadeiramente não se sabe, pois o total facilitismo dá nisto.

Público On line, 27/03/2008
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Comentário de um leitor:
Mario Veríssimo disse...
Acho que o Aluno que filmou a cena não deveria ser tão castigado.Estas coisas não devem ser camufladas.É o principio básico do Jornalismo e da Democracia.Tenho dito
29 de Março de 2008 14:22

Carolina Michaëlis - intervenientes transferidos

Aluna que agrediu professora e jovem que filmou o incidente vão ser transferidos

O futuro estabelecimento de ensino é ainda uma incógnita
27.03.2008 - 08h09 PÚBLICO

Patrícia e Rafael, a aluna que agrediu a professora de Francês na Escola Secundária Carolina Michaelis e o colega que filmou o incidente, vão ser transferidos de escola, anuncia hoje o jornal "Correio da Manhã".

A sanção foi conhecida ontem, sendo ainda desconhecido o estabelecimento de ensino que irão frequentar.

Fonte da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN), ouvida hoje pela agência Lusa, disse, contudo, que "não há ainda qualquer indicação de que os alunos serão transferidos". A mesma fonte adianta que os pais dos alunos envolvidos no caso de indisciplina vão ser informados hoje de manhã das conclusões do inquérito realizado pela direcção da escola.

Ao jornal diário, a jovem não quis prestar declarações. "Ainda não há decisão", revelou a mãe de Patrícia ao "Correio da Manhã", depois de ter reunido com o conselho executivo da escola.

Rafael mostrou-se reservado e escusou-se a prestar comentários. Envolvido apenas de forma indirecta sofreu igualmente uma sanção pesada.

Numa das reuniões do conselho executivo, a professora Adozinda Cruz confirmou que autorizou os alunos a manterem os telemóveis ligados, permitindo-lhes que ouvissem música. Patrícia terá extravasado a ordem atendendo uma chamada da mãe.

Segunda-feira, a professora vai regressar à escola e à turma do 9ºC que Patrícia frequentava. A turma é maioritariamente composta por alunos que foram transferidos das escolas do Cerco do Porto, de Custóias e do Colégio Universal, alguns deles por questões disciplinares.

Público On line, 27/03/2008
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Comentário de um leitor ao artigo

27.03.2008 - 14h21 - Anónimo, Alcochete, Portugal

O problema que se coloca aqui neste caso é o da falta de respeito, cada vez maior, dos alunos para com os professores. Os professores, hoje em dia, não têm autoridade para nada... o próprio governo não respeita os professores... assim os alunos sentem-se cada vez mais apoiados para fazerem o mesmo. Os alunos estão cada vez mais indisciplinados. Não têm disciplina na escola, nem em casa e isso nota-se cada vez mais pelas suas atitudes. Penso que transferir a aluna só vai fazer com que se transfira o problema... essa aluna devia levar uma sanção que fosse um exemplo... para que os outros pares percebessem que é necessário respeitar os professores. E o governo em vez de se preocupar com a avaliação dos professores, devia de colocar os olhos neste caso... pois todos os dias acontecem situações destas... apenas não são tão difundidas... e preocupar-se mais com a indisciplina e com a avaliação dos alunos, que passam o ano sem estudar e chegam ao fim do ano lectivo e são aprovados... A senhora Ministra devia de levar um empurrão daqueles que a professora levou, para ver se acorda e tem noção da realidade das escolas...

Público On line, 27/03/2008

terça-feira, 25 de março de 2008

Valter Lemos e a violência nas escolas

PGR pediu mais autoridade para os professores

Violência nas escolas é um problema que vem de fora, diz secretário de Estado


25.03.2008 - 14h21 PÚBLICO


O secretário de Estado da Educação, Valter Lemos, disse hoje, em entrevista à TSF, que a violência nas escolas se deve a factores externos às instituições e que os estabelecimentos têm mecanismos para atacar estes problemas. As declarações do responsável vêm no seguimento do procurador-geral da República (PGR), Pinto Monteiro, citado pelo "Diário Económico", ter pedido mais autoridade para os professores.

Valter Lemos sustentou a sua opinião com os dados do programa “Escola Segura” que foram recebidos pelo ministério e onde os comandantes da polícia garantem que os problemas são “importados de fora” e que o ministério está a agir na resolução desta situação.

O responsável informou ainda que o Ministério da Educação tem “programas especiais do ponto de vista da segurança externa através do ‘Escola Segura’ e do ponto de vista da segurança interna através de mecanismos internos de ocupação de alunos e de reforço dos meios de apoio aos professores”.

O secretário de Estado referiu, também, na contratação de monitores e mediadores para apoio aos docentes “para tentar obviar dentro aquilo que é a importação de fora”. Valter Lemos garantiu desconhecer outros casos de violência e afirmou que não existe qualquer contacto por parte da Procuradoria-Geral ou do Ministério Público sobre questões de violência interna nas escolas.

PGR quer mais autoridade para os professores

Pinto Monteiro mostrou-se ontem contra o “sentimento de impunidade” que se vive nas escolas portuguesas e pediu mais autoridade para os professores, na sequência do caso de agressão passado na escola Carolina Michaelis, no Porto.

“Impõe-se que seja reforçada a autoridade dos professores e que os órgãos directivos das escolas sejam obrigados a participar os ilícitos ocorridos no interior das mesmas o que raras vezes tem acontecido”, sublinhou o PGR, em declarações ao “Diário Económico”.

O procurador explicou ainda que nalgumas escolas se formam “pequenos gangs que depois transitam para gangs de bairro, armados e perigosos”, funcionando a violência escolas como “embrião” para níveis mais graves de criminalidade.

Esta não é a primeira vez que o PGR se pronuncia sobre a violência nas escolas. Em Novembro, em entrevista à revista “Visão”, Pinto Monteiro disse estar a par de que “até a senhora ministra da Educação” minimiza a dimensão da violência nas escolas.

Público On line, 25/3/2008
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Comentário de um leitor:
mais valia disse...
É uma pena que o Sr Secretario de Estado esteja novamente a fazer politica para o partido que representa em vez de estar a governar.Governe e deixe-se de conversa mole
26 de Março de 2008 14:27

segunda-feira, 24 de março de 2008

Ainda a agressão à professora 2

“Problema de saúde pública e mental” na Carolina Michaëlis
Sara R. Oliveira 2008-03-24

Aluna que retirou à força o telemóvel da mão da professora de Francês pode ser transferida de escola, suspensa dez dias úteis ou ter uma repreensão registada.

O que pode acontecer à aluna do 9.º C da Secundária Carolina Michaëlis do Porto que a 12 de Março enfrentou a professora na aula de Francês para lhe retirar o telemóvel? À luz do novo Estatuto do Aluno há três hipóteses: transferência de escola, dez dias úteis de suspensão ou repreensão registada. O caso foi notícia em praticamente todos os órgãos de comunicação social do país. Um pequeno filme, captado por um telemóvel de um colega de turma e colocado no site de partilha de vídeos online Youtube, mostra a aluna a tentar tirar o telemóvel da mão da professora de Francês. A turma ri-se do episódio. "Dá-me o telemóvel já", ordena a aluna. No final, a estudante consegue reaver o telemóvel. Na quinta-feira passada, um funcionário da escola informou o EDUCARE.PT que tinha instruções para comunicar que o caso estava a ser alvo de um processo de averiguações. "A escola teve conhecimento do que se passou e está a ouvir os intervenientes", disse.

Ao EDUCARE.PT Arsélio Martins, vencedor do Prémio Professor do Ano e membro do Conselho Científico para a Avaliação de Professores, refere que o que se passou na Carolina Michaëlis é um caso de saúde pública e mental e de valores. "É um problema de saúde pública e mental quando se reage daquela forma. A aluna teve uma reacção agressiva e desproporcionada em relação a um objecto que ninguém iria alterar. Aquela situação não é normal", afirma. "Pessoalmente, acho que alguma coisa tem de ser corrigida com certa gravidade", defende. O docente não quer fazer juízos de valor até porque, salienta, não se sabe o que se passou antes de a professora retirar o telemóvel à aluna, mas, em seu entender, há motivos para preocupações. "A violência está mais na tentativa de impedir a professora de sair da sala de aula para ser ajudada na sua demanda". "A sala transformou-se num campo de batalha, em que a professora foi impedida de sair de uma forma violenta, ficou isolada, e não pôde ampliar a sua autoridade", reforça.

Arsélio Martins destaca o papel da família no respeito pelos valores. "Neste momento, o problema da mediatização e a necessidade de aparecer em todo o lado dão origem a coisas muito estranhas". Essa mediatização, sublinha, "não é um problema de valores da escola, que não tende à mediatização". Mas é uma questão que se centra no seio da família. "É importante fazer-se um trabalho junto das pessoas, das famílias, saber que espectáculos vêem", realça.

A secundária do Porto soube do sucedido através da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) e abriu, de imediato, um processo para apurar responsabilidades. A mediatização do caso já provocou várias reacções. A professora de Francês, que está no topo da carreira, optou por não prestar declarações, mas sabe-se que está perturbada com as proporções que o episódio assumiu. A aluna, em declarações ao Correio da Manhã, admitiu que tinha errado. "Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir música no telemóvel, mas o som estava baixinho", adiantou ao jornal. A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, lamentou o caso e o aproveitamento político da situação.

"É revoltante ver aquela professora numa situação de completa fragilidade, chega a ser impedida pelos alunos de sair da sala de aula", referiu João Dias da Silva, secretário-geral da Federação Nacional dos Sindicatos da Educação (FNE) ao jornal Público. Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores, disse, ao mesmo jornal, que "a maior parte dos professores lida com situações desse tipo apenas com a sua intuição". "Como não existe respeito por parte do Ministério da Educação em relação aos professores, esse sentimento passa para os outros e, neste caso, para os alunos. É preciso ter muito cuidado, porque situações destas podem escalar para situações de maior violência", afirmou Abel Macedo, do Sindicato dos Professores do Norte, ao Diário Digital.

Os meios de comunicação social revelam um outro caso que aconteceu na Carolina Michaëlis em Dezembro do ano passado. Uma aluna do 10.º ano não concordou com a nota de Português e puxou os cabelos à professora num dos corredores da escola, depois de uma discussão acesa na sala e de a estudante ter abandonado a aula sem autorização. A aluna acabou por ser transferida de escola. A turma do 9.º C é apresentada como problemática e no primeiro período deste ano lectivo foram registados cerca de 40 casos de indisciplina na secundária do Porto.

"Denegridos e rebaixados pelos alunos"

No dia em que o caso era abertura em todos os telejornais, Maria Beatriz Pereira, investigadora, autora de vários livros sobre violência escolar e professora da Universidade do Minho, afirmava que o bullying, agressão continuada e sem razão aparente, está a atingir a classe docente. "Tenho acompanhado casos em que os professores esperam ansiosamente que o ano escolar termine", dizia à Lusa, à margem do "Fórum Educação para a Saúde", organizado pela Câmara de Famalicão. "Os professores são as novas vítimas do bullying", refere a investigadora e também presidente da Comissão Directiva e Científica de Doutoramento em Estudos da Criança, salientando que "os professores têm dificuldades em controlar os alunos, não conseguem incentivá-los e ficam cada vez mais desmotivados". Os números do Observatório da Segurança em Meio Escolar revelam que em 2006/2007 houve 185 agressões participadas contra docentes em 180 dias do ano lectivo.

"A comunidade educativa tem de reconhecer a existência do problema, criar um grupo de trabalho com ligação directa à direcção da escola que proceda ao diagnóstico da realidade a partir da qual uma equipa vai definir as regras de intervenção", defende Maria Beatriz Pereira. Nos casos que tem acompanhado, a investigadora garante que "os professores são constantemente denegridos, rebaixados e humilhados pelos alunos". E o que acontece? "Apresentam queixa contra os estudantes no conselho executivo, as crianças podem ou não ser suspensas, os pais são chamados à escola e pouco mais", refere. Na sua opinião, é necessário tentar reduzir o fenómeno do bullying através da "criação, por parte das escolas, de regras rígidas e de punições para quem não as cumprir".

Há, no entanto, comentários violentos que deixam marcas. A investigadora dá alguns exemplos: "o rebaixamento junto de colegas e alunos e as observações maldosas sobre o aspecto físico ou a forma de vestir" dos professores. "O que caracteriza o bullying é que há sempre um controlo através do medo e isso tanto acontece junto de crianças como de adultos", comentou. Dos estudos feitos, Maria Beatriz Pereira retém uma certeza. "Quanto maior é o insucesso escolar, maior é a incidência de bullying." Há estudos que o demonstram. Em 6200 alunos estudados no triénio 1995/1997, uma equipa coordenada por Maria Beatriz Pereira concluiu que o insucesso escolar está intimamente ligado ao bullying. "Quanto maior é o insucesso, maior é a agressividade e a necessidade de maltratar os outros", comentou a docente.

"Dança ridícula de empurrões"

O episódio da escola do Porto originou milhares de comentários online. A sociedade portuguesa não ficou indiferente ao que se passou dentro das quatro paredes. Num dos fóruns do EDUCARE.PT, Leonor conta que trabalhou numa escola profissional "onde uma aluna ameaçou uma professora com uma navalha e foi expulsa da escola. (...) a paz voltou à escola e os restantes alunos não cometeram infracções". "É muito triste a situação a que chegámos. Que condições psicológicas tem aquela colega de se apresentar para trabalhar com aquela turma?", questiona. Um outro participante no fórum elogia a professora - "pois sangue frio não lhe faltou perante a situação insultuosa que vivenciou em pleno local de trabalho" - e fez dois comentários sobre a aluna e a turma. "Como essa existem muitas outras... educação é palavra inexistente no dicionário! São os pais destes meninos que vão avaliar os professores? Obrigada sr. primeiro-ministro por tamanha consideração pelos professores! Continue a ser teimoso que em breve passaremos a ter a Escola que deseja: ‘Tudo ao monte e fé em Deus!'. Ainda bem que este vídeo aparece, pois ainda há quem não acredite que esta é a Escola que temos.... Retirem-nos toda a autoridade, passem os meninos com milhentas faltas de civismo!".

Um "analista educacional" lança algumas questões. "Mas pergunto-me como é que, face a uma falência da família, da escola, da educação, etc., (aqui globalmente falando), se pode esperar ainda que os alunos, pelo menos na sua maioria, pensem e actuem como se estivessem numa situação de normalidade... Actuações como a daquela aluna são a prova provada de que se entrou literalmente na falência!". Passos Dias Aguiar Mota deixa o seu lamento: "Estou francamente triste e desiludido com o ensino. Com a educação. Com os próprios colegas, que por trás das costas se vão rindo destas coisas". E um professor contratado escreve: "Uma palavra de apreço para a colega visada no vídeo que incorporou a pele de todos os professores que sentem a decadência da indisciplina nas escolas".

"Ser professor não é para quem quer nem para quem pode, é para quem sabe. Adolescentes histéricas vão sempre existir em toda a parte, professores competentes é que já é mais raro... E ainda dizem mal da ministra por querer avaliar estes professores?", refere Ana de Alverca na edição online do jornal Público. No mesmo suporte, Miguel, de Vila Nova de Gaia, deixa a sua reflexão. "A função do professor é a de educar, não a de tentar garantir uma posição de autoritarismo na sala de aula. Por que razão quer tanto esta professora ficar com o telemóvel? Se a aluna não cumpre as regras, é convidada a sair da sala - nunca lhe é ‘roubado' o telemóvel."

José Machado, da Parede, responsabiliza a docente da Carolina Michaelis na edição online do Correio da Manhã. E explica a sua visão. "Primeiro, permitiu telemóveis; segundo, pensou que estava na primária ao tirar o brinquedo; terceiro, devia ter pedido à aluna para sair; quarto, caso não fosse atendida interrompia a aula e queixava-se ao Conselho Directivo; quinto, nunca deveria encetar aquela dança ridícula de empurrões." Ana Tavares, do Porto, dá a sua sentença no Público online, com alguma ironia. "Dez dias de suspensão, que não têm nenhum efeito penalizador porque já nem sequer se reprova por faltas. À luz do novo Estatuto do Aluno, provavelmente ainda terá direito a uma prova de recuperação por ter estado dez dias ausente das aulas."

EDUCARE.PT, 24/3/2004
Portal da Educação

Ainda a agressão à professora

As garras do telemóvel

Ainda bem que naquela sala de aula da escola Carolina Maichaëlis estava um alarve que, perdido de gozo, filmou a cena de violência entre a 'velha', como ele lhe chamava, e a aluna que se atirou à professora por esta lhe ter retirado o telemóvel durante uma lição. Ainda bem que estas imagens foram para a internet, para a televisão, para os jornais. Ainda bem que se ouviram as gargalhadas de uma turma que ululava aos gritos histéricos da rapariga, enquanto o alarve, danado de gozo, filmava e gritava para a 'gorda' se afastar para produzir melhores imagens. Ainda bem que vimos alguns alunos procurando ajudar a professora para não se concluir que, em vez de uma escola, estamos em território dominado por gang.

É a evidência daquilo que há muito tempo se conhece. Em muitas escolas, um professor que entra numa sala candidata-se a entrar num filme de terror.

O problema essencial que está em cima de mesa é estruturante, atinge diversos níveis da nossa vida colectiva, é revelador do nível de desorientação que hoje determina políticas incoerentes, desconexas, ditadas por um falso humanismo e por um falso sentido de cidadania.

Falamos do problema de autoridade. Que afecta a escola, que afecta as forças de segurança, que afecta a família, que afecta a organização estruturada do poder em geral.

É certo que viemos de um tempo histórico que durante meio século se pautou pelo autoritarismo, a discricionariedade, pela amputação de direitos cívicos elementares. Mas passaram trinta e quatro anos e este jeito tão português de atirar as culpas para o passado e não é preciso ressuscitar fantasmas para dizer o que deve ser dito: Estamos a produzir uma sociedade inculta, egoísta, medrosa, narcísica cujas referências maiores são o consumismo e, simultaneamente, o rompimento de teias de solidariedade ancestrais.

A autoridade num Estado democrático deve ser reconhecida, e admitida, por quem a percebe e que com ela se relaciona. Os filhos face à autoridade dos pais, os cidadãos perante as determinações policiais ou judiciárias, os alunos perante os seus professores e por aí adiante. É posse de quem a usa, mas só existe se lhe for reconhecida. E chegados aqui, somos capazes de perceber que a crise da autoridade, nos vários níveis do quotidiano, resulta da ausência de estímulos para que ela seja reconhecida. A começar pela rápida dessacralização das relações verticais de solidariedade, pela dissolução das redes intermédias do poder, pela socialização de comportamentos tidos como bons que não produzem cidadania mas o seu abastardamento. O telemóvel tornou-se o símbolo e o mito de uma sociedade tecnologicamente avançada mas vazia de humanismo, de sentido de existência, de fome de liberdade. Os Hunos que vimos na Carolina Michaëlis são nossos, nascidos da nossa ignorância tecnologizada, da nossa consciência democrática feita com pés de barro e minada por atavismos. De facto, iludidos que andámos muito, estamos a produzir desilusão e pesadelos. E o direito ao sonho? Onde é que pára?

Francisco Moita Flores
CM - Correio de Manhã, 23/3/2008

Indisciplina na sala de aula

22 Março 2008 - 00.30h
Dia a Dia

Culpa dos pais

João Grancho, coordenador da Linha SOS Professor, garante que são recorrentes situações semelhantes à agressão da aluna do Porto à professora por causa de um telemóvel. O que distingue o caso da Escola Secundária Carolina Michaelis dos outros é que foi filmado e o vídeo foi colocado na internet. Essas imagens funcionam como se um novo icebergue tivesse emergido. A violência quotidiana que os docentes vivem ficou desta forma escandalosamente exposta. E é triste constatar que ser professor, mesmo de alunos oriundos de famílias estruturadas de classe média, é praticamente tão perigoso e arriscado como ser monitor num dos colégios de reinserção social, antigamente conhecidos por casas de correcção. Se não houver disciplina nas escolas, não for restabelecida a autoridade dos professores, é impossível sair deste abismo em que a escola caiu. Mas as famílias não podem ser desresponsabilizadas pelo comportamento dos seus filhos. Muitos pais já se demitiram de educar os filhos e pensam que se alguém tem essa função são os professores. Os jovens são depositados na escola, como em casa são abandonados aos novos educadores: a televisão, os telemóveis, os computadores. A autoridade, o respeito pelos outros e pelos próprios são conceitos que em muitas casas só existem nos dicionários. Se isto não for alterado e não se pedirem contas aos pais, sempre que um filho tem mau comportamento, as agressões a professores continuarão a repetir-se.

Armando Esteves Pereira, Director-Adjunto
CM - Correio de Manhã