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quinta-feira, 3 de julho de 2008

Elogio do AVANTE à reportagem de Felícia Cabrita


É elogiado pelo órgão de propaganda do Partido Comunista Português (PCP), AVANTE, um artigo de opinião de Felícia Cabrita a que lhe chamam "reportagem", mas apresenta imensos erros factuais, um enredo quase completamente romanceado, contudo é um texto muito bem estruturado para enaltecer Mari Alkatiri e transformar Xanana em "mau da fita", recorrendo para o efeito a informantes com pouca ou nenhuma credibilidade, como Rui Lopes (que se dizia próximo de Xanana) e que se oferece a Felícia Cabrita, inventando-lhe "factos", para a agradar, autopromovendo-se como o homem "de mão" de Xanana desde 2002 a 2006 para desestabilizar o país e apear Mari Alkatiri do poder, esquecendo Rui Lopes que, ao fazer-se oferecido a referida jornalista, estava a ser instrumentalizado por Alkatiri por interposta pessoa, com o objectivo de denegrir a imagem pública de Xanana.

Vem, agora, o AVANTE, jornal do Partido Comunista Português (PCP), publicar um artigo de opinião a dar crédito a aquela quase ficção "reportagem" «Dormindo com o inimigo», de Felícia Cabrita, publicada na Revista TABU, do seminário SOL, do sábado passado (28/6/2008). Compreende-se o elogio a referida reportagem romanceada, pois como diz o ditado "Os amigos escolhem-se". Passo a transcrever, então, o referido artigo de opinião publicado no jornal do Partido Comunista Português, AVANTE, nº 1805, de 3/07/2008, da autoria de Henrique Custódio.


O declínio

Uma reportagem de Felícia Cabrita no Sol (Revista Tabu) expõe o nebuloso papel de Xanana Gusmão em Timor-Leste, desde a independência em 2001.

Parafraseando Marx, tudo começa com a economia. Felícia Cabrita recorda: «Depois de reconhecer devidamente a soberania indonésia, a Austrália conseguira passar a explorar 85% do mar dos vizinhos [timorenses]. Mas uma das medidas de Alkatiri [como primeiro-ministro] é chamar o seu a seu dono e, na legislação sobre recursos petrolíferos, baixa a percentagem para 50%». A partir daí «Xanana [então Presidente da República], nos comícios à nação (invariavelmente contra o Governo), acicata grupos de jovens que espalham o terror nas ruas de Dili».

Por essa altura, a 20 de Maio de 2002, o ministro de Durão Barroso, José Luís Arnaut, visita oficialmente Timor-Leste. «Enquanto Arnaut e Alkatiri conversam, Rui Lopes lidera os golpistas nas ruas» (Rui Lopes é um antigo operacional da UDT dos Carrascalões, na década de 90 serve estes e Xanana). O drama prossegue: «Em 2002, quando Xanana lhe telefona, Rui Lopes não hesita: “Ele queria acabar com o Governo de Alkatiri, até me ofereceu trabalho”. Rui encabeça a multidão que invade o Palácio das Cinzas, sede do Governo». José Luís Arnaut é evacuado pelo GOE da PSP. «Entretanto, a casa de Alkatiri é queimada até à última parede». «Aquilo não foi a brincar, tratava-se mesmo de um golpe para derrubar Alkatiri», garante o ministro Arnaut.

Prosseguem as conspirações contra o Governo da Fretilin liderado por Alkatiri. Em 1995, «durante 19 dias, uma manifestação dirigida pelo topo do clero provoca distúrbios e faz parar o país. Xanana aproveita todas as oportunidades». Mas o golpismo fracassa de novo. Em Janeiro de 2006, «depois de um exercício minucioso manobrado por Xanana» surge o «golpe dos peticionários», jovens recrutas que justificam a sua insurreição invocando «discriminação por parte dos veteranos». Segue-se um crescendo de provocações, «entram em cena outros militares que lideram grupos diferentes», onde se destacam Alfredo Reinado e Rai Lós. O primeiro diz a Rui Lopes que «ligou ao Xanana, que lhe disse: “É pá, põe fogo aí em baixo (em Fatuai) que eu ponho fogo aqui em cima (Dili)». O segundo (que dois anos depois lideraria o atentado contra Ramos-Horta) é apanhado com «um salvo-conduto assinado por Xanana». Disto resultam vários mortos do exército e uma declaração do primeiro-ministro australiano ameaçando intervir, enquanto Xanana escreve a Alfredo Reinado que «já combinei com as forças australianas e vocês têm de ir estacionar em Aileu».

Este golpe de 2006 afasta Alkatiri e a Fretilin do poder e produz eleições antecipadas, onde Xanana perde, o que não o inibe de nova golpaça: pôs-se à frente de uma coligação que afastou de poder o partido vencedor, a Fretilin. Segue-se o nebuloso atentado a Ramos-Horta após este se mostrar favorável à proposta da Fretilin em se convocar eleições antecipadas (só sobreviveria graças aos portugueses da GNR), o estranho assassinato de Reinado e o atabalhoado «ataque» a Xanana, que só atinge pneus e tectos de viatura, com os australianos a protelar indefinidamente as conclusões das investigações.

Felícia Cabrita conclui, peremptória: «Ramos-Horta salvou-se e se neste momento o povo timorense fosse às urnas a sua vitória era certa. A coligação de governo desmorona-se a cada dia que passa e Xanana entrou em declínio».

Já tinha entrado, quando se rendeu aos indonésios, lembram-se? Só que agora nota-se mais, ao servir novos senhores...

Henrique Custódio

AVANTE, 3/07/2008

terça-feira, 1 de julho de 2008

Dormindo com o inimigo em Timor


É o título de um artigo de opinião de Felícia Cabrita (diz ela que é uma reportagem sobre 11/02) publicado neste sábado, 28/06, na revista TABU do semanário SOL, nº 94. Esta 'reportagem' está cheia de considerações e convicções pessoais sempre com o fito de queimar a imagem de Xanana e colocar nos cornos da lua Mari Alkatiri.

Para além de ser um texto militante da causa alkatirista, distorce factos e ficciona acontecimentos (factos e datas que não coincidem, enredos quase completamente inventados).

sábado, 26 de abril de 2008

Felícia Cabrita atrasou-se!

Há 39 minutos

Timor-Leste

Gastão Salsinha entregou-se há 2 dias

Por Felícia Cabrita

O homem que, supostamente em conivência com o major Alfredo Reinado, terá preparado o duplo atentado contra o Presidente da República e o primeiro-ministro de Timor-Leste, entregou-se anteontem às forças conjuntas. Com ele renderam-se mais três elementos: Valente (um dos elementos que terá estado na casa do PM no dia 11 de Fevereiro), José e André.

Tenente Gastão Salsinha, que desde 11 de Fevereiro terá andado a monte, vai ficar durante uma semana com a família na sua casa, a 15 quilómetros de Ermera.

Liquiceira, o homem mais poderoso de Ermera, que mediou o diálogo entre os revoltosos e o governo timorense, adianta ainda ao SOL que «ele vai precisar de descansar uma semana, para pensar naquilo que vai dizer à justiça».

Só se entregará depois, mas isto é ainda secreto.

Enquanto o tenente rebelde descansa, na sua agenda de hoje consta já a visita do presidente do parlamento, Fernando Lassama.

Como tem vindo a ser hábito, todos os homens envolvidos no atentado entegam-se primeiro ao primeiro-ministro, ou a outras figuras políticas, e só depois se apresentam aos magistrados do Ministério Público e ao juiz internacional Ivo Rosa.

Uma fonte ligada à investagação disse ao SOL que se trata de «mais um atropelamento a um orgão de soberania do Estado timorense, a Justiça».

«Este tipo de actuação permite que os arguidos pensem e concertem versões», afirmou.

SOL, 26/04/2008

felicia.cabrita@sol.pt

sábado, 12 de abril de 2008

Atentado de 11/2: A reportagem de Felícia Cabrita

O DIA EM QUE TIMOR VOLTOU A SANGRAR

Histórias de mal-entendidos, traições e mulheres “fatais”, que reabriu as feridas em Timor mesmo à beira de um acordo.

A reunião convocada por Ramos-Horta com todos os partidos políticos de Timor-Leste e com o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, está na base do atentado que quase vitimou o Presidente. Um dos assuntos prioritários do encontro era descobrir uma solução para a situação dos 'peticionários'.

Em 2006, cinco centenas de militantes, liderados pelo tenente Gastão Salsinha, tinham saído dos quartéis em protesto contra a discriminação existente entre os militares oriundos da zona da resistência e os que foram submetidos à influência indonésia durante a ocupação.

Em entrevista ao SOL em Março, Ramos-Horta admitiu que esta era uma questão urgente: “Estávamos a tratar de uma amnistia que seria promulgada em Maio e que permitiria integrar os 'peticionários' de novo no exército ou, caso não quisessem voltar aos seus postos, saírem com um subsídio para reconstituir as suas vidas”.

Mas o problema mais delicado levantado na reunião – e que não reunia o consenso – dizia respeito ao major Alfredo Reinado que, ao contrário de Salsinha, era acusado de vários homicídios. Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, garantiu ao SOL que a Lei da Amnistia tinha de ser muito bem pensada. “Nunca votarei numa lei em que as pessoas que praticaram crimes de sangue possam ter um perdão e voltar a integrar as forças armadas ou a polícia sem serem submetidas a julgamento”.

Segundo Ramos-Horta, o chefe do Estado-Maior das F-FDTL (Forças de Defesa de Timor-Leste), brigadeiro-general Matan Ruak, tinha uma posição ainda mais dura e avisou-o de que Reinado e Salsinha “nunca poderiam regressar às Forças Armadas”.

Solução para Reinado

Mas Ramos-Horta encontrara uma solução conciliatória: “O major Reinado tinha um contrato por quatro anos com as F-FDTL que estava a terminar. Ele voltaria, resignava e depois saía elegantemente com uma compensação monetária. Mas penso que alguém deturpou o que se passou na reunião para os envenenar”.

Outro dos temas discutidos deixou amargos de boca a alguns dos intervenientes. Mari Alkatiri explicou ao SOL: “O meu partido sempre disse que este Governo era inconstitucional. Apesar de Xanana ter tido apenas 24% dos votos e nós 29, fez uma aliança com três partidos para formar Governo. Eu não me sentiria com legitimidade democrática para governar.” Alkatiri não fica por aqui faz a ligação ao atentado: O Presidente andava em negociações com eles e tudo parecia bem encaminhado. O Reinado não tinha razões para matar Ramos-Horta. Na reunião este assunto estava praticamente decidido e as eleições seriam em 2009. Quem tinha mais a perder?”

O resultado desta reunião, na íntegra ou deturpado, espalhou-se rapidamente nas montanhas onde se abrigavam os homens de Salsinha e de Reinado. O SOL teve acesso a todas as listagens telefónicas, que foram encontradas em dois papéis na posse de Reinado e de Leopoldino Exposto, o seu braço direito.

Feito o cruzamento das chamadas, pode concluir-se que Reinado foi traído em várias frentes e por aqueles que lhe eram mais próximos.

Um deles, Gastão Salsinha. Desde o dia da reunião no Palácio das Cinzas que o volume de chamadas feita por ele triplicou. A notícia da reunião chegara às montanhas e Salsinha – em relação a quem não havia suspeitas de crimes de sangue, ao contrário do que acontecia com Reinado -, ao saber que não iria ser integrado nas forças armadas, virou-se contra Reinado.

Preparação do golpe

Em entrevista ao SOL, Salsinha separa as águas: “Os 'peticionários' não podem ser envolvidos nas coisas de Reinado, eu nem sei qual era o plano dele quando foi a casa do Presidente”.

Nessa noite, mal dorme. Desfaz-se em contactos para a Austrália e Indonésia, mas a maioria das chamadas é para o interior do país. Várias delas para Assanku, que integraria o grupo que foi com Reinado à residência de Ramos-Horta no dia do atentado. Contactado pelo SOL, Assanku negou: “Não tenho nada a ver com isso. Trabalho numa rmpresa de segurança e não conheço ninguém ligado ao Salsinha ou ao Reinado.”

No dia 9 de Fevereiro, Assanku contacta Albino Assis, um dos militares que presta segurança na residência de Ramos-Horta. A armadilha estava montada. No dia seguinte, Assanku encontra-se com Leopoldino, braço direito de Reinado, que está na capital, e alugam dois jipes.

Na noite de 10 de Fevereiro, Reinado passa pela casa de Vítor Alves, membro do Conselho de Estado e seu pai adoptivo. Este revela: “Reinado disse-me que tinha uma reunião com Ramos-Horta e que no dia 14 haveria uma grande festa em Ermera”. O que cola com o discurso de Horta: “Na reunião antes do atentado eu estava de partida para o Brasil. Mas como estávamos quase a chegar a um acordo em relação ao Reinado, os líderes dos partidos pediram-me para vir mais cedo e anunciar o acordo antes de dia 14. E em Abril anunciaria a Lei da Amnistia que os contemplava, porque não se tratava de crimes de delito mas de uma situação política”.

Amante faz jogo duplo

Nesse dia, Ângela Pires, ex-assessora do Procurador-geral da República, regressa com Reinado a Ermera. Faz-se passar por sua assessora jurídica, mas a história amorosa entre eles é pública. Durante os dois dias que esteve com Reinado, a mulher mantém-se em ligação com Salsinha. Nos últimos dias, levantara da sua conta uma razoável quantia de dinheiro. Ramos Horta considera-a, a “grande responsável” pelo que aconteceu. “A Ângela foi sempre um travão nas negociações com Reinado. Deve ter muita gente na sua retaguarda”.

Enquanto Reinado preparava o arranque para Díli, Ameta, uma mulher com quem vivia, tenta em vão falar com ele. Por fim, deixa-lhe uma mensagem alertando-o, aparentemente, para uma cilada: “Tenha cuidado mor [amor] não é preciso ires a este seminário [reunião] se não te sentires bem. Não te esqueças de seguir o ritual daquilo que acreditamos. Amo-te sempre”. Contactada pelo SOL, a mulher (que tem uma filha de Reinado ainda bebé) garante não ter conhecimento do que se passou: “Eu era a sua mulher, era normal falarmos ao telefone ou mandar-lhe mensagens, mas nunca participei em nada. Estava em casa, cozinhava, limpava e cuidava da nossa filha”.

Nessa madrugada, pelas três da manhã, Reinado e Leopoldino, mais nove homens, rumam a Díli em jipes diferentes. A leitura das listagens telefónicas mostra que a partir desse momento estão dois chefes, mas que é Salsinha quem gere os acontecimentos. Seriam 6H17 quando Reinado entrou na casa do Presidente. Sem as cautelas próprias de quem prepara um atentado, o grupo estaciona os jipes em frente à residência. Mal saem dos carros, a sentinela aponta-lhes a arma mas é desarmado.

Sete homens de Reinado ficam na estrada, entre eles Assanku, que sempre fez a ponte com o segurança de Ramos Horta, Albino Assis.

Reinado pergunta à sentinela pelo Presidente, ao que ele responde que tinha ido “para a ginástica”.

Reinado e Leopoldino entram, com dois homens atrás. Três minutos depois ouvem-se tiros, seguidos de rajadas. A partir deste momento as versões deixam de coincidir.

O autor das mortes

Francisco Marçal, militar das F-FDTL, diz que foi o único a disparar contra Reinado e Leopoldino.

Eram 6H30 quando foi acordado por Tadeus Gabriel, um miúdo de 14 anos. Este, com grande precisão, relatou ao SOL, que se deparou com “nove homens de máscaras no rosto”. Acrescenta que só reconheceu Reinado por vê-lo na televisão.

Aí aproximou-se da tenda onde dormiam os militares Francisco Marçal e Albino Assis. Ao ouvir o grito do garoto – “Está aqui o major Reinado” -, Francisco esgueirou-se pelas traseiras. Durante 15 minutos seguiu os passos de Reinado e Leopoldino.

Depois preparou a metralhadora: “Não fiz rajada, foi tiro a tiro. Disparei um na cabeça de Leopoldino e outro na cara de Reinado”. A esta hora os telemóveis de Salsinha continuam em uso e a informação da morte de Reinado passa a circular. E a informação da morte de Reinado passa a circular. Ramos Horta, apesar de ter ouvido os tiros, dirige-se para casa. Eram quase sete da manhã quando um homem escondido entre os arbustos se ergue e o atinge por duas vezes. Os militares da sua segurança mantiveram-se no quintal. As forças internacionais não se mexem, e se não fosse a GNR e o enfermeiro do INEM que chegaram ao local uns vinte minutos depois, Ramos Horta estaria morto.

Enquanto o Presidente segue para o hospital, Assanku recolhe informações com Assis. Uma hora depois, será a vez de o carro de Xanana ser baleado a 500 metros de casa.

Mistério envolve Xanana

Também aqui as coisas correm de forma insólita. Salsinha garante que estava lá “só para lhe pregar um susto, porque a situação dos 'peticionários' nunca mais se resolvia”. Enquanto os seus homens se vão entregando, Salsinha ainda não decidiu o seu futuro: “Os meus homens agora estão divididos em quatro grupos e eu não sei se me entregue ou se lute até morrer”.

Mas foi após a morte de Reinado que os traidores se revelaram com mais desfaçatez. O telemóvel dele esteve a funcionar até ao dia 28. E Ângela e Salsinha, entre outros, mantiveram-se em conversações com os militares que o mataram.

Felícia Cabrita, em Díli

SOL, 12/04/2008
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O meu comentário sobre a cronologia da sequência dos acontecimentos está na postagem anterior.

Dissecação sumária da reportagem de Felícia Cabrita 1

Cronologia da sequência dos factos desde a neutralização do sentinela até o momento 'exacto' da morte de Alfredo Reinado:


Primeira sequência: 06:17h: Chegada do grupo rebelde de nove homens de Alfredo Reinado, em dois jipes, e neutralização quase simultânea do sentinela do Presidente da República timorense.


Segunda sequência: 3 minutos depois (06:20h): Ouvem-se os tiros seguido de rajada, logo a morte de Reinado ocorreu nessa hora.


Terceira sequência: 06:30h: Francisco Marçal (soldado das F-FDTL autor dos tiros que vitimaram o rebelde Reinado) e Albino Assis (soldado das F-FDTL, 'cúmplice' de Reinado, segundo esta investigação de Felícia Cabrita) continuam a dormir, apesar do barulho dos tiros e rajada, e acordam, passados dez minutos depois dos tiros e da rajada, alertados pelo Tadeus Gabriel da presença de "nove homens de máscaras no rosto" (e, no entanto, 'reconheceu' Reinado por tê-lo visto na televisão). Mas, a essa hora, Reinado não devia estar já morto?! E os tiros e a rajada não se deram logo passados três minutos após a neutralização do sentinela, isto é, às 6:20h?!


No entanto, Felícia Cabrita continua com a sua narrativa com Alfredo Reinado ainda bem vivo!


Quatra sequência: Durante 15 minutos (das 6:30h às 6:45h) desde o momento em que fora alertado pelo Tadeus Gabriel até os tiros fatais para Reinado e seu braço direito, o militar da F-FDTL Francisco Marçal controlou, nas traseiras, os passos de Reinado e Exposto.


Quinta sequência: 06:45h: Reinado e Exposto são atingidos mortalmente por Francisco Marçal.


Estão a ver a falta de rigor, até numa simples cronologia da narrativa dos factos, desta 'investigação' jornalística de Felícia Cabrita?



sábado, 29 de março de 2008

11/2: a investigação de Felícia Cabrita

Atentado posto em causa

Investigação do Sol aos incidentes de 11 de Fevereiro põe hipótese de dupla traição

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que foi alvo de um atentado em Fevereiro, no palácio presidencial em Díli, terá sido atraiçoado por um militar do seu corpo de segurança.
Este militar, de nome Albino Assis, será a peça-chave quer do atentado contra Ramos-Horta, quer da morte à queima-roupa do major rebelde Alfredo Reinado.
Albino Assis integrava as F-FDTL (Falintil-Forças de Segurança de Timor-Leste), a pequena força de segurança pessoal do Presidente Ramos-Horta. Ao mesmo tempo, porém, mantinha contactos frequentes com o grupo rebelde do major Reinado – tudo indicando que este tinha homens infiltrados na segurança do palácio.
Aliás, o nome de Albino Assis constava de uma lista que Reinado trazia no bolso quando foi alvejado. Mas não só: o major tinha também consigo um croquis do palácio, feito por alguém que conhecia bem por dentro as instalações da casa oficial de Ramos-Horta.
Reinado terá morrido entre as 6h15 e as 6h20, momento em que deixou de fazer contactos com os elementos do grupo do major Salcinha, que se encontrava em Dare – zona próxima ao local onde, uma hora depois, o primeiro-ministro Xanana Gusmão foi alvo de forte tiroteio.
Foi também Assis quem, às 7h27 do dia do atentado, comunicou ao grupo de Salsinha o que se passara no palácio presidencial: os atenatdos que vitimaram Alfredo Reinado e que colocaram Horta às portas da morte.
O alerta da entrada do Reinado no palácio foi dado por um jovem que vive no campo de deslocados ali existente - e contíguo à caserna onde dormia Assis, com um outro militar da segurança de Horta, Francisco Marçal. Este acabaria por ser o autor da rajada de metralhadora que atingiria Reinado.
Só que Marçal, que disse ter feito um único disparo de metralhadora, não contou a verdadeira versão.

Morto à queima roupa

Alfredo Reinado não terá morrido com os tiros desta rajada - que lhe fez três perfurações num olho e deixou um estilhaço no ombro. Segundo a autópsia já realizada, a causa da morte foi uma bala isolada que o atingiu no pescoço, disparada à queima roupa e o trespassou de um lado ao outro.
Existem fundadas dúvidas sobre a veracidade das teses até agora defendidas para aquilo que teria acontecido: que Reinado e os seus homens foram a Díli com o objectivo de matar Ramos-Horta e Xanana.
De facto, está em cima da mesa a possibilidade de, além de Horta, também Reinado ter sido vítima de traição (atraído a um falso encontro com o Presidente9. O certo é que Horta e Reinado mantinham negociaçõesbpara que o grupo rebelde se entregasse, tendo o último encontro entre ambos ocorrido em Maubisse, a 80 quilómetros de Díli, apenas quatro semanas antes do atentado.
Outro elemento importante poderá ser uma mensagem existente no telemóvel de Reinado enviada por uma mulher que esteve com ele nas montanhas, na noite da véspera de tudo acontecer.
Nessa enigmática mensagem, enviada às 23 horas de 10 de Fevereiro, a mulher dizia: «Tenha cuidado mor [amor]. Não é preciso ires este seminário [expressão usada pelos timorenses para se referirem a 'encontro'] se não te sentires bem. Não esqueças de seguir o ritual daquilo que acreditamos. Amo-te sempre».

Horta não conhece

Ao contrário do que tem sido dito, Ramos-Horta não reconheceu o homem que o alvejou. O Presidente timorense viu-o - «Sei que é alto, magro e que tinha um lenço verde atado na cabeça», disse ao SOL - mas não o conhecia.
Segundo Horta, o agressor vestia uma farda semelhante à que os homens de Reinado envergavam no encontro de Maubisse.
O Presidente de Timor-Lest confidenciou ainda ao SOL que não esperava de todo o que sucedeu, tendo em conta a existência de negociações. «Não estava nada à espera disto», disse Ramos-Horta.
O SOL publicará em próxima edição toda a história dos acontecimentos em Díli, com documentação sobre o que verdadeiramente se passou, assim como uma entrevista concedida por este à imprensa internacional depois do atentado.

Felícia Cabrita, em Díli
felicia.cabrita@sol.pt
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A minha dissecação deste artigo
  1. "palácio presidencial": ERRADO - O atentado ocorreu na residência particular do Presidente timorense, situada em Metiaut, na encosta (a uns dez metros do nível do mar) da colina sobranceira a Areia Branca; o palácio presidencial situa-se em Lahane, é o antigo palácio dos governadores coloniais portugueses, recuperado pela Cãmara Municipal de Lisboa.
  2. "o nome de Assis constava de uma lista que Reinado trazia no bolso quando foi alvejado" : Era bom também procurar investigar se nessa lista constava também os nomes de outros soldados das F-FDTL da pequena guarnição de segurança do Presidente.
  3. "Foi também Assis quem, às 7h27 do dia do atentado, comunicou ao grupo de Salsinha o que se passara no palácio presidencial": Convém procurar obter junto da Timor Telecom a gravação da chamada para se estudar o seu conteúdo, o tom (de ironia, sarcasmo ou de aflição) e o modo (amigável ou hostil) da conversa.
  4. "O alerta da entrada de Reinado no palácio foi dado por um jovem que vive no campo de deslocados ali existente - e contíguo à caserna onde dormia Assis, com outro militar de segurança de Horta, Francisco Marça.": i) Não existe nenhum campo de deslocados contíguo à residência do Presidente timorense; ii) É pouco convincente Assis fazer jogo duplo (considerado pela investigação do SOL elemento do grupo Reinado infiltrado na guarda presidencial, logo conspirador), pela simples razão de estar a dormir enquanto decorria o assalto às instalações da residência do Presidente! Afinal, Assis estava ou não a par do assalto? Assis é ou não elemento infiltrado de Reinado? Não era suposto aguardar a chegada do Reinado e seus homens? Não era suposto também estar a vigiar os passos do Presidente? E por que não telefonou a Reinado para o avisar da corrida de manutenção do Presidente fora da sua residência, ausente portanto nas instalações da sua residência particular?
  5. "Alfredo Reinado não terá morrido com os tiros desta rajada - que lhe fez três perfurações num olho e deixou um estilhço no ombro": i) Elementar minha cara investigadora: três tiros num olho é morte certa. ii) O que originou o "estilhaço"? Ricochete de uma bala numa superfície dura, ou "estilhaço" de uma granada?!
  6. "Segundo a autópsia já realizada, a causa da morte foi uma bala isolada que atingiu no pescoço, disparada à queima roupa e o trespassou de um lado ao outro": i)Segundo informações amplamente divulgadas na altura do funeral de Alfredo Reinado, não se fez autópsia ao corpo do Reinado. ii) Relativamente à bala que perfurou o pescoço e que foi "a causa da morte", a questão é se a bala fora disparada antes dos "tiros desta rajada" ou depois? Se Reinado foi atingido "à queima roupa", pressupõe que o tiro fora disparado a apenas uns centímetros de distância entre o atirador e Reinado, e tendo morrido da bala deste tiro, então "a rajada" dos "três tiros" "que lhe fez três perfurações num olho" foi depois! E se foi depois, então Reinado é um ser sobrehumano, pois mesmo depois de levar com a bala no pescoço que lhe provocou a morte mantinha-se de pé à espera dos três tiros! Só assim se explica que tenha sido também atingido com os três tiros no olho, logo a rajada foi de frente. Sabe-se que Reinado, mortalmente atingido, caiu de bruços, logo a rajada dos três tiros no olho de Reinado não podia ser dada já depois de prostrado no chão.
  7. "De facto, está em cima da mesa a possibilidade de, além de Horta, também Reinado ter sido vítima de traição (atraído a um falso encontro com o Presidente.): Presume-se que Reinado tinha canais de comunicação directos com o Presidente timorense, nomeadamente telemóvel. É pouco crível Reinado acreditar-se num encontro com o Presidente marcado por terceiros, sem antes certificar-se junto do próprio Presidente da autenticidade da marcação do encontro. E a ser verdade que o encontro fora marcado por terceiros, então, nesse caso, marcado por quem?!
  8. "o último encontro entre ambos ocorrido em Maubisse, a 80 quilómetros de Díli, apenas quatro semanas antes do atentado": ERRADO - O último encontro foi em Gleno, Ermera.
  9. Sabe-se que Reinado falava português quando criança, em casa, porque pertence a uma família que tinha como língua materna o português, para além do tétum. Sabe-se também que Reinado praticamente já não se expressa em português. O mais natural é as mensagens com ele trocadas sejam escritas em tétum ou inglês (porque viveu os últimos dez anos na Austrália). Agora, a ser verdade a existência de "uma mensagem [...] no telemóvel de Reinado enviada por uma mulher que esteve com ele nas montanhas, na noite da véspera de tudo acontecer", "enviada às 23 horas de 10 de Fevereiro", escrita em português com expressões próprias de alguém falante nativo ou quase nativo desta língua " mor [amor]" e o uso adequado do tempo e modo verbais, é de questionar a sua veracidade. E a ser verdade, então, quem será a autora desta "enigmática mensagem"?!
  10. FIM da minha dissecação. OS MEUS LEITORES QUE TIREM AS SUAS CONCLUSÕES.