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A 'rendição' da ministra Rodrigues

Editorial do jornal Expresso Acordo para uns, entendimento para outros, o que a ministra da Educação assinou foi uma rendição. Se a ideia era recuar, já o devia ter feito há muito tempo.

Rendida à força da rua

Sabem os estrategos militares, e até os jogadores de xadrez, que quando se avança para um conflito se tem de saber duas coisas essenciais: primeiro, os objectivos da investida; depois, como e para onde se recua caso o avanço corra mal.

Maria de Lurdes Rodrigues nunca deixou muito claro até onde queria ir, o que se pode compreender. Incompreensível é perceber-se - agora que assinou um acordo com os sindicatos - que também não sabia para onde recuar, uma vez que tudo ficou mais ou menos como antes da 'guerra'. Ou pior ainda, tendo em conta que, dentro de um ano, se a ministra persistir na sua ideia (certa e justa) de avaliação, tudo estará no mesmo patamar em que estava antes da 'guerra' começar.

O que resulta da cerimónia de assinaturas na passada quinta-feira motiva, no entanto, alguns pontos de reflexão.

A avaliação parece ser das coisas menos aceitáveis para os sindicatos. Isto significa que há um enorme poder sindical junto dos professores. Que os sindicatos querem docentes indiferenciados, com carreiras automáticas, numa espécie de igualitarismo que só mesmo a eles pode interessar. A recompensa pelo mérito (e a penalização pelo demérito) é coisa arredada do vocabulário de Mário Nogueira e de outros dirigentes sindicais.

O Governo cedeu à força da rua. Politicamente, não teria alternativas senão a cedência, mas ao fazê-lo, não perante uma razão ou argumento mas apenas face ao número de manifestantes, escolheu o pior dos caminhos. Este facto não deixa de ser muito sublinhado pelos sindicatos, os mesmos que há dois anos se contentariam em ser recebidos pela ministra e que hoje falam de alto, dizendo que este recuo/humilhação do Governo ainda não chega.

Depois, o que é pior, o Governo dá a ideia de que no processo da educação - este não é, sobretudo, um problema laboral - os únicos interlocutores são os sindicatos. O Executivo negoceia aspectos centrais da educação como se fossem questões sindicais, o que é imperdoável.

O resultado é o desnorte do Governo, que recua em debandada, e o canto de vitória dos sindicatos. Nada disto seria trágico, caso não estivéssemos a falar da educação dos nossos filhos.

Expresso, 19/04/2008

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