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Oposição clama vitória sobre partido de Mugabe

Harare já alertou para tentativa de "golpe de Estado" .

A oposição zimbabwiana desafiou ontem os avisos da Comissão Eleitoral e das forças de segurança do país para reivindicar a vitória do partido de Morgan Tsvangirai nas eleições legislativas e presidenciais de sábado.

O Governo, por seu lado, já alertou para uma tentativa de golpe de Estado e um grupo de observadores zimbabwianos avisou que o atraso na divulgação dos resultados oficiais pode potenciar protestos e dar a impressão de que alguma coisa está a ser preparada pelo actual regime.

"Nós ganhámos estas eleições. Esta é uma tendência irreversível", declarou ontem Tendai Biti, o secretário-geral da facção do Movimento para a Mudança Democrática (MDC) que está a apoiar Tsvangirai. Biti, citado pela BBC, garante que o MDC obteve 67% dos votos nas eleições presidenciais e a maioria dos assentos parlamentares nas legislativas. O responsável acrescentou ainda que a Comissão Eleitoral não é independente e deixou claro que o seu partido "não aceitará eleições roubadas".

No sábado, o Zimbabwe, país à beira da ruína e com uma taxa de inflação na ordem dos 100 000%, votou em eleições presidenciais, legislativas e municipais. O ministro do Desporto angolano, José Barrica, afirmou ontem, em nome da SADC, que as eleições foram credíveis. "Houve em geral uma expressão pacífica e credível da vontade do povo".

O secretário de Estado da Informação, George Charamba, lançou um aviso ao ex-líder do MDC nas páginas do jornal estatal Sunday Mail. "Tsvagirai anuncia os resultados, declara o MDC e ele vencedores, a seguir proclama-se presidente do Zimbabwe. A isso chama-se golpe de Estado".

A Comissão Eleitoral também condenou a atitude da oposição. "Os resultados oficiais serão anunciados à nação pela Comissão", disse o director executivo, Lovemore Sekeramayi, ontem citado pela AFP. Mas à rádio sul-africana SABC, George Chiweshe, o presidente da Comissão Eleitoral, assumiu que não faz a mínima ideia de quando é que esses mesmo resultados serão divulgados.

Algo que a coligação de 38 organizações não governamentais Zimbabwe Election Support Network considerou grave por achar que "o atraso no anúncio dos resultados alimenta as especulações de que qualquer coisa está em preparação".

Mugabe, no poder há 28 anos, tem sido acusado de fraude e os observadores africanos que convidou exigiram esclarecimentos sobre cerca de 80 mil eleitores fantasma inscritos numa zona do Zimbabwe onde os terrenos nem sequer são habitados.

O líder histórico da guerra da independência, com 84 anos, foi desafiado nestas eleições por Tsvangirai, resistente de longa data ao regime, mas também pelo seu antigo ministro das Finanças e dissidente do partido Zanu-PF Simba Makoni.

"Não é hábito roubar eleições (...) A minha consciência não me deixaria em paz se eu já o tivesse feito", afirmou Mugabe pouco depois de depositar o seu voto na urna. O facto é que desde 2000, quando perdeu o referendo à nova Constituição, nunca mais saiu derrotado de um escrutínio.

"Envergonha a África Austral e todo o continente africano", afirmou ontem a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, uma das altas responsáveis da comunidade internacional a falar sobre o Zimbabwe após a realização das eleições.

Patrícia Viegas
DN - Diário de Notícias, 31/03/2008

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