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O bater de asa da borboleta (1)

Hillary tem "obrigação moral" de desistir, afirma senador

Colaboração para a Folha Online

O senador democrata Patrick Leahy, presidente do Comitê Judiciário do Senado dos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira que Hillary Clinton deveria abandonar sua pré-candidatura à Casa Branca.

O senador por Vermont --Estado da região americana da Nova Inglaterra, a nordeste dos EUA-- acredita que não há mais possibilidade de que a senadora por Nova York tenha delegados suficientes para ser a nomeada do Partido Democrata às eleições para a Presidência dos Estados Unidos.

Em declaração nesta sexta-feira, Leahy --que apóia a campanha de Barack Obama disse que a liderança do senador por Illinois é inquestionável e que o recente apoio do senador Bob Casey indica como a campanha está caminhando --para a indicação de Obama .
Leahy falou também sobre o tema na quinta-feira à radio pública de do Estado de Vermont, onde disse que Hillary tem "obrigação moral" de desistir e deveria estar apoiando Obama, mas ressaltou que esta é uma decisão que cabe a ela tomar, segundo a rede CNN.

"Apesar de ter direito, a senadora Hillary Clinton não tem mais nenhum grande motivo para continuar sua candidatura".

Patrick Leahy é um senador influente nos EUA. Ele foi um dos legisladores a propor a lei americana para restrição à compra de armas e encampou uma briga no senado para que o governo Bush justificasse o programa de grampos telefônicos sem autorização da justiça.

Estratégia para 2012

Na quinta-feira, uma reportagem do correspondente da Folha de S. Paulo em Washington, Sérgio Dávila, trouxe informações sobre uma tese que cada vez mais se confirma sobre a campanha de Hillary.

Segundo a reportagem, membros do comando da campanha da ex-primeira-dama --que preferem não ser identificados-- disseram a jornalistas americanos que Hillary está cada vez mais convencida de que não tem mais chances de ser indicada à sucessão presidencial nos EUA pelo Partido Democrata.

A reportagem explica que os assessores da pré-candidata acham que ela chegará ao final das primárias em agosto com menos votos populares, delegados e o mesmo número de superdelegados, o que inviabilizaria sua indicação.

Por isso, o "tom" dos ataques a Obama pelos integrantes da campanha de Hillary têm subido e deve subir ainda mais, com o intuito de enfraquecer a campanha do senador por Illinois e abrir caminho para a vitória de John McCain.

Ataques


Nos últimos dias, Bill Clinton retomou a crítica ao ex-pastor de Obama Jeremiah Wright, e afirmou que o senador não era tão patriota quanto sua esposa e o republicano McCain.

O marqueteiro dos Clinton James Carville chamou o governador do Novo México, Bill Richardson, de "Judas", por ter supostamente traído a família Clinton ao apoiar Obama --ele trabalhou no governo de Bill Clinton, então presidente.

Segundo Dávila, a tática dos assessores de Hillary leva em conta que McCain, com 72 anos, caso vença, será o político mais velho a assumir a Presidência, e um concorrente mais fácil de derrotar nas eleições para a Casa Branca em 2012 que Obama.

Se o senador por Illinois ganhar, ele deve ser o candidato natural à reeleição em 2012. Por isso a idéia de "minar" a campanha de Obama.

Quebrar
as pernas

A estratégia foi batizada "tática Tonya Harding", em referência à ex-patinadora americana que em 1994 mandou quebrar os joelhos de Nancy Kerrigan, sua concorrente, durante as eliminatórias de um campeonato.

A tese de que a campanha de Hillary já esteja entregando os pontos e estaria visando 2012 encontra justificativa também em uma pesquisa divulgada na quarta-feira pelo instituto Gallup.

A enquete aponta que 3 em cada 10 eleitores de Hillary votariam em McCain em uma eventual disputa do republicano com Obama.

Folha Online, 27/03/2008

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