terça-feira, 3 de junho de 2008

Timor-Leste: Indultos não devem tornar-se "mau precedente" - Mari Alkatiri

Lisboa, 03/06 - O líder da FRETILIN afirmou segunda-feira que a necessidade de Timor-Leste ter um presidente "digno e credível" exige que a política de indultos seguida por José Ramos-Horta seja acompanhada para evitar "maus precedentes" e não criticada.

O presidente timorense "dá uma contribuição dentro da sua generosidade mas decisões desta natureza são sujeitas a críticas de uns e ao apoio de outros", afirmou hoje Mari Alkatiri, à margem da conferência "Timor no Caminho do Futuro", promovida pela Comissão Asiática da Sociedade de Geografia e pelo Instituto Luso-Árabe para a Cooperação.

"Aceito o que fez [Ramos Horta] com a preocupação de pôr fim a este conflito que temos vivido há anos e particularmente desde 2006. Em momentos como este precisamos de um presidente digno e credível. É melhor não discutirmos e contribuirmos para que não se torne num mau precedente", adiantou.

O indulto presidencial de 20 de Maio abrangeu 94 presos, entre eles o ex-ministro do Interior, Rogério Lobato, condenado pela distribuição de armas a civis durante a crise de 2006.

Foram ainda indultados com redução de metade da pena quatro timorenses, incluindo Joni Marques, que pertenciam, em 1999, à milícia Team Alpha, de Lospalos (leste), acusados e condenados por um tribunal timorense por crimes contra a humanidade.

Entre os maiores críticos à decisão presidencial está o Partido Unidade Nacional (PUN), que qualifica de inconstitucional o processo.

Acabado de regressar de Angola, Alkatiri afirmou ainda que recebeu "muito apoio" do presidente angolano José Eduardo dos Santos mas também manifestações de "muita preocupação".

"A mensagem" trazida da audiência de sexta-feira em Luanda, adiantou, "é a necessidade de procurar soluções da via pacífica e diálogo".

"Foi uma visita muito positiva. Foi a primeira vez, era uma dívida que tinha para com o povo e presidente de Angola, um dos países que sempre esteve ao lado de Timor-Leste", adiantou Alkatiri.

Questionado sobre um eventual apoio do MPLA à FRETILIN nas próximas eleições, o líder timorense afirmou contar com o apoio do maior partido angolano "mas também de todos os outros".

Nas próximas eleições, sentenciou, "a maioria absoluta é o mínimo" que a FRETILIN pretende.

AngolaPress, 3-06-2008

JP Morgan recebe custódia de fundo petrolífero do Timor

Lisboa, 3 jun (Lusa) - O banco JP Morgan foi escolhido pelo futuro banco central do Timor Leste como responsável pela custódia dos ativos do fundo petrolífero timorense, avaliado em US$ 2,9 bilhões.

A Autoridade Bancária e de Pagamentos do Timor Leste (ABP) é responsável pela gestão operacional do fundo petrolífero.

O acordo de custódia global com a filial australiana do JP Morgan surge na seqüência de um leilão internacional e é qualificado, em comunicado timorense, como "um importante passo à frente na gestão operacional" do fundo petrolífero.

À entidade de custódia caberá receber e organizar as instruções de gestores de recursos do fundo e avaliar seu desempenho. Segundo a ABP, este é "um passo necessário para implementar a intenção do governo de alargar o mandato de investimento do fundo a fim de, no longo prazo, alcançar lucros mais altos".

"O papel da empresa de custódia é mais como o de um treinador: assistir ao desempenho daqueles gestores para ajudar a ABP, o capitão da equipe, a ter a certeza de que a equipe está jogando bem", comparou o diretor-geral da ABP, Abraão de Vasconselos.

O retorno do fundo durante o ano terminado em 31 de março foi de 9,1%, resultado qualificado pela ABP como "excelente", em especial se "comparado com os [retornos] de outros fundos congêneres", já que "alguns dos quais sofreram perdas ou tiveram retornos muito baixos durante o mesmo período em resultado da sua exposição a títulos envolvidos na chamada 'crise subprime' nos Estados Unidos".

"O fato de o fundo petrolífero [do Timor Leste] ter sido considerado como o número três no mundo e o primeiro no Sudeste Asiático em relação à transparência e à responsabilidade, em um ranking de Fundos Soberanos de Riqueza publicado pelo Instituto Petersen de Economia Internacional, de Washington, deu-lhe um perfil internacional muito alto", acredita Vasconselos.

Lusa Brasil, 3-06-2008

O bater de asa da borboleta (3)

Clinton só admite derrota quando Obama conseguir delegados suficientes

Campanha nega que ela se prepare para reconhecer vitória do adversário

O chefe da campanha de Hillary Clinton diz que a candidata “não está absolutamente” preparada para reconhecer a vitória de Barack Obama nas primárias democratas, contrariando informações avançadas pela AP. No entanto, admite que o poderá fazer assim que o rival atingir a fasquia dos 2118 delegados.

A agência de notícias adiantava, há cerca de uma hora, que a candidata iria admitir hoje, após o fecho das urnas no Montana e Dacota do Sul, que Obama tinha já o número de delegados suficientes para garantir a nomeação às eleições presidenciais.

Questionado sobre esta informação, Terry McAuliffe considerou que a previsão feita pela AP era “cem por cento incorrecta”, sublinhando que “ainda ninguém ainda tem o número [de delegados] para ser o nomeado do Partido Democrata”.

Também a candidatura da senadora de Nova Iorque emitiu um comunicado garantindo que ela “não vai admitir a derrota na nomeação esta noite”.

Pouco antes, numa entrevista ao programa “Today” da cadeia NBC, McAuliffe fez uma importante clarificação, quando questionado sobre as condições em que a ex-primeira-dama estaria disposta a reconhecer a derrota: “Se o senador Obama conseguir o número [mínimo de delegados para garantir a nomeação], penso que Hillary Clinton vai felicitá-lo e reconhecê-lo como nomeado”.

Público Online, 3-06-2008

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Lévi-Strauss

"Odeio as viagens e os exploradores. E aqui estou eu disposto a relatar as minhas expedições. Mas quanto tempo para me decidir!" Com esta "frase falhada" começa Tristes Trópicos, um grande e melancólico livro do século XX. O seu autor, enquanto espera por Novembro para fazer cem anos, ouve Wagner, lê Proust, olha os quadros de Poussin e lembra a selva amazónica. Para que esta data seja mais do que uma data, a colecção Pléiade acaba de acolher Claude Lévi-Strauss, publicando num volume sete (sete é um número mágico!) dos seus livros maiores. Entregue à mediocridade agitada do tempo, simbolizada pela estridente dupla aventureiro-cantora que lhe preside, a França, já sem génios nem heróis, atira-se a Lévi-Strauss como um náufrago à sua tábua de salvação. Em frente da noite densa que avança baixa e rasante, o grande antropólogo-escritor é um último clarão crepuscular de grandeza. Aquele que tanto escreveu sobre mitos e mitologias, é, agora que a longevidade o sagrou, um mito, sobre o qual correm rios de tinta, acendem-se ecrãs, desenham-se capas, inventam-se títulos. O "Nouvel Observateur" proclama "O Último dos Gigantes" e defende que a sua obra perturbou a nossa visão do mundo. "Le Point" exclama "Um Génio Francês - O Homem que Revolucionou o Pensamento". O "Magazine Littéraire" chama-lhe "O Pensador do Século".

Tenho um fascínio frequente por Lévi-Strauss. Acho que alguns dos raios que a sua obra emite atravessam o centro do espelho onde nos vemos; e nas suas questões estão os nós da corda que nos ata ao tempo. Sob a influência da geologia e da linguística, mas também na descendência de Marx e de Freud, ele pensa que o visível pode ser explicado pelo oculto. Nestes dias de tributo, tenho passado horas de encantamento a ler sobre ele e a pensar com ele. O estruturalismo e o relativismo, a crise do sujeito, a nova querela dos universais, o anti-humanismo e o regresso a uma visão do homem como ser vivente e não dono da criação, a continuidade do pensamento selvagem e do pensamento científico, a função individual e colectiva do mito, a relação entre o sensível e o inteligível, a reivindicação de Rousseau, a ligação aos pensamentos de Foucault, Barthes e Lacan, mas também de Levinas e Heidegger, a atracção pelo budismo, os efeitos nas ciências sociais e cognitivas - eis alguns dos tópicos suscitados por esta obra una e diversa. Homem independente, inesperado e controverso, grande estilista da língua francesa, nos seus livros tudo converge: antropologia, filosofia, arte, literatura, música, ciências humanas, ciências exactas.

Num ensaio muito pessoal (Lévi-Strauss ou o Novo Festim de Esopo), Octavio Paz descodifica e interroga este pensamento tão pessimista e inquietante, dizendo-o "não uma dissolução da razão no inconsciente mas uma busca da racionalidade do inconsciente: um super-racionalismo". E George Steiner, em A Nostalgia do Absoluto, compõe com Lévi-Strauss, Marx e Freud um triângulo de judeus - "messias seculares" que substituíram as velhas teologias por novas mitologias. E mostra que o pessimismo de Strauss assenta numa outra versão do pecado original: a ruptura entre natureza e cultura, a quebra da aliança do homem com a criação. É esta, aliás, a fonte da força trágica desta obra.

Num arco de cem anos, Lévi-Strauss ergueu com o pensamento um céu que faz dele "um astrónomo das constelações humanas". Ele é aquele que não cessa de nos lembrar que os astros nasceram antes de o homem nascer e morrerão depois de ele morrer...

José Manuel dos Santos

Expresso, 2/06/2008

EM FAVOR DA REVISÃO DO ACORDO ORTOGRÁFICO: TRÊS ORDENS DE RAZÕES 'CULTURAIS'

Compreendo que o Governo português tem um compromisso político-diplomático, assumido em 2004 pelo Governo de então, que dificilmente lhe permitiria não ratificar o 2.º Protocolo Modificativo ao Acordo Ortográfico, independentemente de discordâncias que porventura tenha quanto ao seu conteúdo. Certamente por isso, e não apenas por questões de carácter pragmático ligadas à sua implementação no terreno, a presente ratificação faz-se acompanhar do pedido de uma moratória de seis anos para a sua aplicação. Teria sido preferível pedir mais tempo, que, a meu ver, o Governo deveria aproveitar para procurar encontrar consenso diplomático com vista à revisão do Acordo.

E por que precisa ele de ser "emendado"? Por várias ordens de razões, todas culturais, em última análise:

1 - Por razões técnico-linguísticas e culturais:

Como já foi abundantemente demonstrado pela comunidade linguística, pelo menos desde 1990, o Acordo manifesta inúmeras fragilidades. Relevo apenas dois aspectos:

a) O facto de acabar por nem sequer se revelar uma "versão fraca" de unificação ortográfica, como se pretendia, mas antes uma versão permissiva, erigindo o princípio da facultatividade excessiva, o qual vai contra o próprio conceito normativo de ortografia, originando nomeadamente a possibilidade do uso de duplas grafias dentro do mesmo país, isto é, abrindo a porta à heterografia.

b) O facto de recorrer a uma diversidade de critérios na simplificação de preceitos ortográficos, com forte desrespeito pela dimensão patrimonial da língua, nomeadamente a sua dimensão histórica etimológica; ora a língua, é bom lembrá-lo, é definida na Lei de Bases do Património Cultural como um bem cultural, que, portanto, importa preservar e salvaguardar.

2 - Por razões político-diplomáticas e culturais:

Quase vinte anos volvidos sobre o Acordo e num quadro bem distinto no seio da CPLP, no que à situação político-social de Angola e Moçambique diz respeito e também no que ao caso particular de Timor se refere, impor-se-ia uma revisão do Acordo que atentasse à urgente necessidade de uma descrição linguística das variantes africanas do português, muito particularmente no caso daqueles dois países africanos que envolvem cerca de 30 milhões de falantes, cuja norma ortográfica é, recorde-se, a do português europeu. Uma tal descrição permitiria que o Acordo não se limitasse a ser o que na prática é, um acordo entre o Brasil e Portugal, mas um efectivo "acordo" entre pares.

Isso poderia ser acompanhado da garantia, hoje não assegurada, de que todos os países da CPLP, envolvidos numa vontade renovada, poriam o Acordo em funcionamento em simultâneo.

Ora, não estando garantida tal simultaneidade, como ficou claramente patenteado nas declarações do ministro da Cultura de Moçambique aquando da recente visita do nosso Presidente da República àquele país, corre-se o risco perverso de se transformar um instrumento que se quer estratégico de agregação num possível factor de desagregação com a eventual criação de outros blocos de variantes linguísticas que coloquem, por hipótese, Portugal e o Brasil de um lado e os PALOP de outro.

Acresce a tudo isto que, entre 1990 e hoje, não foi cumprido um objectivo estipulado pelo Acordo, prévio à sua entrada em vigor: a organização e publicação de um Vocabulário Técnico- -Científico que impedisse ou ajudasse a travar a forte deriva lexical que se vem sentindo entre a norma europeia e a brasileira.

3 - Por razões económicas e culturais:

A expansão internacional de uma língua não se faz nem por facilitações ortográficas bebidas em critérios fonéticos em detrimento de critérios etimológicos nem por unificações ortográficas estabelecidas por decreto, como as línguas inglesa ou francesa abundantemente revelam, mas sim pelos conteúdos que for capaz de veicular (através da literatura, da música, enfim da cultura). É por aí que passa uma verdadeira política de internacionalização de uma língua e não pelo logro da facilitação fonética da ortografia. Logro tanto maior quanto o critério acima referido da facultatividade vai criar maior dúvida grafémica em quem pretende aprender o português. Não será o Acordo que fará o português ganhar um único leitor, um só falante ou o direito a ser língua veicular num único forum internacional.

Acresce a este facto que o mercado do livro no espaço lusófono, e muito especialmente nos PALOP, tornar-se-á mais difícil de conquistar para a indústria editorial portuguesa e, consequentemente, os conteúdos culturais portugueses que os nossos livros veiculam terão mais dificuldade de penetração, designadamente ao nível das indústrias culturais e criativas, nos PALOP. Em síntese, a internacionalização da cultura portuguesa em África será mais difícil.

Estou ciente de que o bom senso político-cultural acabará por imperar através de acções concertadas que apelem à revisão do Acordo: revisão por certo desejada pela maioria dos linguistas e por todos quantos têm responsabilidades na defesa do património cultural; revisão com certeza esperada por alguns dos PALOP.

Isabel Pires de Lima,
professora universitária e deputada do PS

Diário de Notícias, 02-05-2008

domingo, 1 de junho de 2008

Hoje é Dia Mundial de Criança.

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa

Visitando outro blogue (6)

Está a decorrer no blogue http://www.timorlorosaenacao.blogspot.com o debate suscitado por um comentário de Margarida (apoiante de Mari Alkatiri) à volta da "carta" atribuída a Abílio Mausoko, na qual Mausoko acusa Xanana de estar por detrás do conflito de 2006. Por isso, vale a pena reler a intervenção de Maria (apoiante de Xanana) na caixa de comentário da postagem «Quem leva a carta a Maria?», 13/0/2008. Afinal quem é Mausoko?

Maria disse...

Ainda sobre a viagem de Alkatiri e Loro Horta para Ataúro…

Loro Horta defende um governo de grande inclusão e parece acreditar que tal governo irá “domesticar” e civilizar os políticos e partidos timorenses. Acha então que eles se têm portado assim tão mal, senhor Loro Horta?

Os resultados obtidos pelo actual Governo

O IV Governo Constitucional, em menos de quatro meses, preparou dois orçamentos, sendo um transitório e outro para o ano em curso. Trabalhou ainda, em conjunto com o Parlamento, para alterar o ano fiscal e financeiro (1 Julho a 30 de Junho) para o ano civil (1 de Janeiro a 31 de Dezembro). O processo de aprovação de ambos os orçamentos passou, pela primeira vez na democracia timorense, por um debate exaustivo - o orçamento transitório foi debatido durante três dias e o do ano corrente durante dez dias! Um orçamento e programa de cerca de 100 páginas, sensivelmente o dobro dos orçamentos do Governo Alkatiri, que nem chegavam a ser debatidos - os camaradas votavam, de ‘braço no ar’, e estava aprovado!

Este Governo já conseguiu mudar os ‘deslocados internos’ do Hospital Nacional Guido Valadares para o subúrbio de Becora. Deslocados estes, quase todos de Baucau e Becora, uma zona onde eclodiu a maior violência em 2006 e onde ocorreu o tiroteio das F-FDTL com o major Alfredo Reinado. Conseguiu-se efectuar reuniões com a população local, dialogar com todos, por vários dias, com a participação activa das PNTL e F-FDTL, e conseguiu-se o consenso necessário para avançar com o processo de acolhimento, deste grupo de deslocados (oriundos de Baucau), pela população de Becora. O Governo conseguiu realojar também os ‘deslocados internos’ que ocupavam o jardim Borja da Costa em Ermera, sua região de origem. Todas as semanas, saem famílias dos campos de deslocados e regressam aos seus locais de residência, já seguros de que não irão encarar problemas. Naturalmente, é um processo que leva tempo mas estamos a trabalhar com grande determinação e com resultados encorajadores.

Outra meta deste Governo, que já foi alcançada, era a concentração de todos os peticionários em Díli. Já foram realizadas reuniões com eles para reflectir em conjunto sobre as reais opções e soluções para os seus problemas.

Este Governo, em total sintonia com o Parlamento e a Presidência da República, geriu as consequências do golpe de Estado de 11 de Fevereiro com uma disciplina e responsabilidade extraordinárias, evitando a ocorrência de quaisquer consequências nefastas à vida da população e do Estado.

A operação conjunta PNTL/F-FDTL não só recuperou o prestígio destas duas importantes instituições, mas também, demonstrou uma nova capacidade de intervenção, isenta de qualquer interferência política e partidária ou de qualquer ministro. Só a liderança colectiva dos dois comandos, que efectuaram um trabalho digno e difícil, com o apoio do Governo, permitiu o sucesso total da operação, tão desejado como merecido pelo povo. E tudo isso, sem disparar uma única bala!...

Gerir, desta forma, a grave crise de um Estado de apenas seis anos de idade, não será motivo de orgulho para os timorenses e amigos de Timor, senhor Loro Horta?

Todas estas questões são, para o senhor, mesquinhas e sem interesse nacional? Poderão estas medidas ser obra de um Primeiro-Ministro que, nas suas palavras, era um indisciplinado no mato?!

Analise bem antes de escrever e deixe de ser um 'pau mandado' dos camaradas ‘alkatiris’! Não é verdade que a sua mãe foi presa por Alkatiri, em Maputo, quando você estava quase para nascer? A sua mãe também era ‘indisciplinada’? Em que sentido? Pense bem e analise tudo isso.

Xanana odeia o Lobato? Gente de Xanana matou familiares do Lobato e queimou as mulheres e crianças, familiares do Rogério Lobato em 2006 ??? Esta merece o prémio de “maior asneira do ano” senhor Loro Horta. António Lobato, marido e pai da senhora e crianças queimadas, era um dos apoiantes dos peticionários. Pense lá bem, quem teria razões para o odiar naquela altura?...

A Raiz da Crise

Mari Alkatiri, durante a crise de 2006, já confessava a muitos que suspeitava do Rogério Lobato e já não confiava nele, mas não tinha coragem de o retirar de Ministro do Interior. Tentou tirar Rogério do elenco governamental, na reestruturação do seu governo, mas Rogério ameaçou Alkatiri e este foi obrigado a ceder e a mantê-lo no Governo.

Alkatiri acusou insistentemente Rogério Lobato de estar por detrás dos peticionários, sobretudo depois de Alkatiri dar ordens a Rogério Lobato para reforçar o Palácio do Governo, durante a manifestação dos peticionários, quando ainda detinha o controlo da PNTL, e Rogério não acatou a ordem. Essa atitude levou Alkatiri a suspeitar ainda mais que Rogério Lobato estaria por detrás dos peticionários e decidiu começar a dar ordens directas ao Comandante da PNTL, “passando por cima” do seu ministro Rogério Lobato.

E o jogo politico destes dois senhores, Loro Horta, não tem nada a ver com a própria Fretilin, muito menos com a Igreja, com Xanana ou outros. Só eles dois conhecem as razões de todas estas jogadas e ‘facadas’ por trás. É luta pelo poder sim, mas dentro do próprio Partido! E aí, Alkatiri não permitiu, nem permitirá, que Rogério Lobato o ultrapasse, custe o que custar.

É, pois, esta a raiz da crise de 2006, senhor Loro Horta. Alkatiri não detém uma sólida base de apoio no Partido e sempre viu Rogério Lobato como uma grande ameaça ao seu controlo do Partido. Aproveitou a questão dos peticionários para desacreditar o seu adversário politico número um - Rogério Lobato. Começou a “minar” a confiança das F-FDTL afirmando que Rogério controlava a polícia e que estava por detrás dos peticionários, convencendo ainda o Comando das F-FDTL a intervir no plano civil.

Desacreditou todos os apoiantes ligados ao Rogério, deixando-o arcar, sozinho, com as culpas do Rai Lós. A intervenção das F-FDTL no plano civil, foi o certificado final de incompetência para o ministro Rogério Lobato, dado por Alkatiri, com o estatuto de ‘perigoso para a nação’.

Alkatiri conseguiu libertar-se, em parte, das ambições do seu adversário político. Mas não lhe bastava. Alkatiri queria consolidar o golpe à Mahatir, e pôs o seu segundo homem na prisão de Becora. Só que Rogério Lobato vai sair um dia e, mesmo na Malásia ( é na Malásia que está agora o Rogério, operando também politicamente, acompanhando o renascer do ex-prisioneiro de Mahatir), Rogério ainda poderá desafiar o Alkatiri publicamente para o controlo do poder no Partido. É este o pesadelo de Alkatiri.

O seu azar é que, após ter posto o Rogério e Mau Soko na prisão de Becora , recuperando assim o poder no Governo, por castigo de Deus, Xanana entrou na cena política, sendo este muito mais difícil de eliminar. Com Xanana será muito mais difícil para Alkatiri manipular o Comando das F-FDTL, porque a solidariedade da guerrilha é um fenómeno sagrado. Silencioso, mas sólido!

Senhor Loro Horta, faça a sua pesquisa académica com integridade e deixe de escrever fantasias e de ser papagaio de Alkatiri e sua clique.

Alkatiri terá ainda que explicar bem ao Rogério Lobato, porque mandou prender o polícia Abílio Mausoko, homem de confiança total do Rogério Lobato, armando-lhe uma cilada. Abílio Mausoko esteve reunido com Alkatiri, em casa dele, saiu e recebeu do sobrinho do Alkatiri um envelope. Dirigiu-se então para o Restaurante Esplanada para se encontrar com José Teixeira, o ‘pau mandado’ de Alkatiri. Entretanto, Alkatiri telefonou ao então PM e Ministro da Defesa, Ramos-Horta, exigindo que o Ministro mandasse imediatamente as Forças Australianas prenderem Mausoko no Esplanada. E as forças internacionais, obedecendo à chamada, foram lá e prenderam o Mausoko. E este nem sequer suspeitava que tinha sido o próprio Alkatiri a dar ordem para o prenderem, no Hotel Esplanada, logo depois de o mandar ir ao encontro de José Teixeira…

Diálogo é sempre necessário, em todas as circunstâncias. Mas Diálogo de Ataúro? Só se for, entre Alkatiri e Rogério e que Alkatiri explique bem ao Rogério porque razão fez o que fez.

Faça as suas pesquisas académicas como deve ser , senhor Loro Horta, para não se deixar enredar na teia ‘alkatirista’!

Alkatiri tem medo de Rogério e de Mausoko. Por isso lhe pediu para o levar para Ataúro.

Mas, sempre é preferível Ataúro do que Santa Cruz!

P.S. Tudo isto é um assunto muito sério, verdades que o tempo se encarregará de pôr a claro. E não há aqui racismo, nem colonialismo, nem medo!

14 de Maio de 2008 23:14
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