quinta-feira, 22 de maio de 2008

Bispo Ximenes Belo em Faro

Dia da Criança: D. Ximenes Belo em Faro

D. Ximenes Belo, Prémio Nobel da Paz e Bispo Emérito de Díli, preside no próximo dia 1 de Junho, em Faro, às comemorações do Dia Mundial da Criança e ao lançamento da campanha de solidariedade para com as crianças timorenses - Uma Criança Um Livro.

A ideia é que cada criança que participe nas várias actividades que o Município irá promover para assinalar este dia traga um livro, novo ou usado.

Os livros recolhidos nesta campanha serão posteriormente enviadas para Timor-Leste, mais concretamente para os orfanatos da Missão dos salesianos de Laga-Quelicai, onde vivem cerca de 250 crianças com idades compreendidas entre os 5 e os 15 anos.

Uma campanha que pretende oferecer livros às crianças timorenses e que convida todos a participarem.

Algarve Notícias, 21-05-2008

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Onde está o lado certo?

José Sócrates fuma nos aviões e, acaso, fora deles; Sarkozy é muito dado às pequenas; Gordon Brown rói as unhas; o filho da princesa Ana de Inglaterra casou-se com uma canadiana; Hugo Chávez perdoou a Espanha a grosseria de El-Rei; a actriz Ellen Degeneres anunciou a felicidade que a inunda, pois vai trocar alianças matrimoniais com Portia de Rossi, a companheira de mesa e de leito; Campos e Cunha, economista, professor e antigo ministro, amolga o carácter de Manuela Ferreira Leite, acusando-a de "esfaqueamento" pelas costas; Pedro Santana Lopes qualifica a referida senhora de "deprimente"; Bush revela-se um pouco alarmado com a América Latina, "demasiado vermelha"; o PSD parece um saco de gatos, mas três "cientistas políticos", Marina Costa Lobo, André Freire e António Costa Pinto sossegam o nosso alvoroçado espírito, afiançando ser "normal" a crise naquele partido, o qual não corre "perigo de extinção"; em escassos cinco dias o preço dos combustíveis subiu duas vezes, e o admirável ministro Teixeira dos Santos declama, à posteridade, que "temos de nos habituar"; enfim, o dr. Bagão Félix publicou um livro de contos, O Cacto e a Rosa, por ele próprio definido como "histórias mais ficcionalmente reais do que realmente ficcionadas".

Há, em todas estas notícias, um discreto fio que as une e, até, explica: a vacuidade, com a aparência de seriedade, em que se tornaram as sociedades nossas contemporâneas. São os caprichos do momento convertidos, pela imprensa, as rádios e as televisões, nas falsas evidências da razão. E embora saibamos (alguns) que o tempo é mais importante do que aquilo que com ele fazemos, estamos a aceitar o temporário como definitivo, e a não compreender que a vida é um permanente processo de correcção.

Vivemos, desde a década de 80, um novo período de sufocação, que se manifesta em vários sectores: desemprego, emigração, esvaziamento ideológico e ausência da política, economia, justiça, cultura, educação. Há, hoje, dificuldade em escolher o que se julga ser o lado certo onde se deve estar. E essa dificuldade serve de pretexto para as mais vis renúncias, e de condescendência para com sórdidas traições.

Inculcaram-nos a ideia de que Portugal é inviável e de que somos um povo de madraços. Como já poucos lêem o que deve ser lido, a afirmação fez fé. Mas não corresponde à verdade. Recomendo aos meus dilectos alguns autores antagonistas da absurda tese: Vitorino de Magalhães Godinho, José Mattoso, Luís de Albuquerque, António Borges Coelho e, até, António José Saraiva. Todos interpelam o País, criticam-no porque o amam, e ensinam-nos que o passado altera-se de todas as vezes que o lemos e interrogamos.

O lado certo está, creio-o bem, quando recusamos a indiferença e não admitimos a resignação.

Baptista-Bastos, escritor e jornalista
b.bastos@netcabo.pt

Diário de Notícias, 21-05-2008

O bater de asa da borboleta (2)

Do KKK a apoiante de Obama

As primárias democratas de ontem no Kentucky e no Oregon devem ter deixado (escrevo antes do fecho das urnas) tudo na mesma: Obama mais vencedor, mas não dando tudo por acabado para não parecer que empurra Hillary borda fora. Dá-lhe tempo para ela poder salvar a face. Em todo o caso, esta semana já teve um episódio bem mais interessante do que aquelas duas eleições. Na 2.ª-feira, Barack Obama recebeu o apoio do senador pela Virgínia Ocidental Robert C. Byrd, de 91 anos. Este não é um senador qualquer, e não só por ter o mais longo mandato da história do Senado americano, para onde foi eleito há 49 anos. Na sua juventude, Byrd foi membro da Ku-Klux-Klan. Já como eleito político, combateu a integração dos negros no exército ("nunca combaterei com um negro ao meu lado", disse, então). E, no Senado, votou contra as leis dos Direitos Cívicos. Agora, ele apoia Obama. O senador Robert C. Byrd é a imagem de uma coisa que é certa na América: esta é feita de mudança.

Ferreira Fernandes

Diário de Notícias, 21-05-2008

Greve dos trabalhadores não docentes

Contra a precariedade laboral e municipalização dos estabelecimentos de ensino

Trabalhadores não docentes em greve manifestam-se frente ao Ministério

21.05.2008 - 17h04 Lusa

Mais de 3.000 trabalhadores não docentes das escolas básicas e secundárias de todo o país que aderiram à greve de hoje estão a manifestar-se contra a sua situação laboral precária, à porta do Ministério da Educação em Lisboa.

Estes números são adiantados por Natália Carvalho, responsável pela área da Educação da Federação dos Sindicatos da Função Pública, que se encontra na manifestação.

Segundo a sindicalista, os números obtidos através dos agentes da polícia que se encontram no local, são reveladores dos 60 a 65 por cento de adesão à greve. Natália Carvalho afirmou também que há mais escolas a paralisar ao longo do dia.

Segundo fonte do Ministério da Educação (ME) apenas três por cento das escolas paralisaram e houve cerca de 18 por cento de faltas de trabalhadores que, segundo a mesma fonte, "não serão todas pela greve". O ME garantiu hoje estar a "trabalhar" para resolver a situação dos 1500 trabalhadores não docentes que terminam o seu contrato de trabalho em Agosto, classificando de "inesperada e inexplicável" a greve convocada pelos sindicatos da Função Pública.

A greve e a manifestação da tarde de hoje, em Lisboa, visam protestar contra a precariedade laboral e municipalização dos estabelecimentos de ensino. Natália Carvalho denunciou no Porto a existência de 12 mil trabalhadores não docentes em situação laboral precária e afirmou que cinco mil podem ser despedidos a 31 de Agosto.

A mesma responsável manifestou-se também contra a "municipalização" das escolas por considerar que a transferência para os municípios "irá agravar ainda mais a pouca estabilidade dos trabalhadores não docentes".

Público, 21-05-2008

Avaliação de professores: Fenprof denuncia

Questão vai ser apresentada à tutela na sexta-feira

Fenprof: Algumas escolas continuam a observar aulas e a realizar entrevistas na avaliação de professores


21.05.2008 - 17h17 Lusa

Algumas escolas estão a observar aulas e a realizar entrevistas no âmbito da avaliação de desempenho docente, procedimentos excluídos este ano lectivo depois do entendimento alcançado entre sindicatos e Governo, segundo a Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Esta é uma das questões que a Fenprof vai apresentar à tutela sexta-feira, na segunda reunião da comissão paritária de acompanhamento do processo de avaliação de desempenho, na sede do Conselho Nacional de Educação, em Lisboa.

Segundo o acordo assinado a 17 de Abril entre a Plataforma Sindical e o Ministério da Educação (ME), a avaliação avança este ano lectivo para os docentes contratados e dos quadros em condições de progredir, tendo em conta apenas quatro critérios, que serão aplicados de forma universal.

A ficha de auto-avaliação, a assiduidade, o cumprimento do serviço distribuído e a participação em acções de formação contínua são os únicos critérios a aplicar aos cerca de sete mil professores que até ao final do ano lectivo têm de estar avaliados.

"O acordo está divulgado no site do Ministério e da Direcção-Geral de Recursos Humanos da Educação e já foi aprovado em Conselho de Ministros, aguardando publicação em Diário da República. No entanto, alguns conselhos executivos ignoram o que está adquirido", afirmou Anabela Delgado, membro do secretariado nacional da Fenprof.

Segundo a dirigente sindical, as escolas estão a adoptar grelhas extremamente complexas, a observar aulas e a realizar entrevistas e outros procedimentos que deveriam ter sido abandonados na sequência do acordo alcançado.

"Escolas há que decidiram tornar complexo o que deveria, deverá e terá de ser simples", acrescenta a estrutura sindical, em comunicado, exigindo "soluções que respeitem o entendimento estabelecido e os quadros legais que dele resultaram".

A Fenprof disponibilizou desde 12 de Maio o "Mail Verde", um instrumento de trabalho sindical colocado à disposição dos professores para apresentarem as suas dúvidas e preocupações sobre o modelo de avaliação e a sua aplicação nas escolas, "mas também para denunciarem situações de abuso que detectem nas suas escolas".

Público, 21-05-2008

Visitando outro blogue (3)

Com a devida vénia transcrevo um outro texto da autoria de Maria, na caixa de comentário do blogue Timor Lorosae Nação, em resposta a um comentário da Margarida relativa à residência do Primeiro-Ministro Xanana na postagem "A auréola e o poder da Xanana estão a decair", de 20/05.

Maria disse...
Ainda sobre a residência

Xanana não regressou à sua residência porque a equipa de segurança não o permite.

Já se nota, no Estado Timorense, um desenvolvimento, desde 11 de Fevereiro, um fenómeno bastante positivo. Até aí, os líderes não ouviam a Segurança nem o Protocolo. Agora já os ouvem. Passo positivo.

Em Lisboa, não se coloca a residência do PM ou do PR na feira de ladra, no Cais do Sodré, nos Sapadores ou em Alcântara, porque os militares Portugueses dão (e exigem) a sua opinião quanto aos melhores locais (em termos de segurança) para os que representam os órgãos do Estado.

Por isso mesmo, acham que num lugar junto ao supermercado Lita, com um muro mais alto que a própria casa do Primeiro-Ministro, onde muitos estrangeiros diariamente vão fazer compras, com o Hotel Turismo ali ao lado, gerido pelo irmão Ferreira, outro ‘pau-mandado’ do Al-Katiri, a residência do chefe do Governo não deve ser edificada de maneira a ficar protegida contra qualquer atentado, tipo Al-Katiri-Reinado, no futuro?

Esta é a única lógica e, não é para ‘chatear’ as margaridas, é sim para fazer face a uma realidade 'alkatirista' de possível atentado.

Está-se aqui a lidar com um homem do Yemen do Sul, que não dá a outra face, como os cristãos.

Não esquecer que, quando o Bispo Ximenes Belo (os comunistas não lhe dão valor, mas os Timorenses dão) foi chamado a Jakarta, para responder perante o general Suharto, por causa da entrevista à revista Der Spigel, da Alemanha - na qual ele disse que os Timorense estão a ser tratados (por Suharto) pior que os cães - foi o irmão milionário de Al-Katiri, o Ahmad, líder da juventude dos assassinos Kopassus, quem deu pontapé no carro do Bispo D. Ximenes Belo, quando este estacionou para sair. É o irmão do Al-Katiri, hoje milionário à custa do governo de Alkatiri, o financiador da facção al-katiri no Partido Fretilin.

Xanana Gusmão não tem nem deve ter receio do seu Povo, sobretudo na capital Díli, que maioritariamente votou em Ramos-Horta (contra o Presidente da Fretilin, Lu-Olo) e no CNRT, nas eleições legislativas.

Podem gastar o tempo todo no café do Hotel Timor, com as Filipas, com os Ivos Rosas, com todos os do blogue da propaganda do Partido, mas não poderão rebater estes factos!

21 de Maio de 2008 23:19

Visitando outro blogue (2)

A amnésia selectiva

Com a devida vénia transcrevo um texto da autoria de Maria, na caixa de comentário do blogue Timor Lorosae Nação, em resposta à postagem "Cuidado com a amnésia", de 20/05.

Maria disse...
Cuidado com a Amnésia sim.

O que aconteceu em Portugal, depois do 25 de Abril?

Se não sofrem de amnésia selectiva lembram-se decerto que as FP25 foram perseguidos pela Lei de Portugal, como criminosos, mas o Partido Socialista, pelas mãos do ex-presidente Sampaio, achou por bem dar-lhes a Amnistia. E as FP25 que tinham fugido para Moçambique até puderam regressar a Portugal.

Amnésia?

Mas, em Timor, a Amnistia tem sido um assunto complicado. O Presidente cometeu um erro ao conversar com Alkatiri sobre a possibilidade de dar uma amnistia. E Alkatiri explorou o assunto e informou o Reinado sobre as dificuldades, ajudou a frustrar ainda mais o Reinado, e daí surgiu o 11 de Fevereiro.

Alkatiri não sabe perdoar. É do Yemen do Sul onde ‘perdão’ não consta no seu dicionário. Alkatiri nunca perdoou a Rogério Lobato pelo golpe de Catembe em 1977, nunca perdoou a Ramos-Horta pela humilhação na Frente Diplomática e nunca há-de perdoar Abílio Araújo, nunca.

Alkatiri sabe que a Sequeira também nunca lhe há-de perdoar pelas maldades que lhe fez. Alkatiri sabe, margarida.

O Presidente Ramos-Horta é um homem da Luta. O Primeiro-Ministro Xanana é um homem da Luta. Alkatiri não é homem de nada.

Nunca singrou na resistência, nunca se tornou alguém, nos 24 anos da resistência. Por isso, açambarca o ‘pseudo radicalismo fretiliniano’ para emergir como alguém. Ainda continua com a mesma cantiga...

O Presidente Ramos-Horta e o Primeiro-Ministro Xanana Gusmão têm estado sempre coordenados e comungam de um único pensamento - o intuito de resolver os problemas do Estado com dignidade.

Existem as Leis mas existe sobretudo o Homem, como disse o Presidente Ramos-Horta. A humanidade forja o sentido de responsabilidade pelo Mundo e pelos outros seres humanos. Disse bem o Presidente Ramos-Horta, no dia da comemoração do sexto aniversário da restauração da independência de Timor. Por isso, o Presidente Ramos-Horta prossegue a via de diálogo e não das armas, como Alkatiri sempre quis - exigiu, ecoando a voz do seu camarada Ivo Rosa, que se apanhasse o major Alfredo Reinado.

Ora vejamos: as quatro ‘ordens de captura’ emitidas por Ivo Rosa, até Maio de 2007, nunca foram executadas. Porquê? Porque a PNTL não tinha capacidade para tal. Será a Polícia a executar as ordens de captura do Tribunal.

Alfredo Reinado não era prisioneiro, nunca foi julgado em Tribunal, estava em Becora, em prisão preventiva, quando fugiu da prisão e com ele fugiram outros 48 homens, também em prisão preventiva, uns já há mais de seis meses, sem culpa formada. Fruto de uma gestão irresponsável da Lei pelo, então, Governo de Alkatiri .

Por isso, o diálogo iniciado pela reunião de Alto Nível, que inclui a ONU, o Parlamento e o Governo de Timor. Todos concordaram que, na impossibilidade de a Polícia executar as ‘ordens de captura’ e tentando evitar que Timorenses pudessem matar Timorenses, acções que o Povo de Timor condena, o Estado tem a responsabilidade de procurar alternativas.

Só Homens de grande calibre de Estado detêm esta visão.

As margaridas e os Al-Katiris não conseguem, por falta de dom natural, chegar aí. Por isso, fiquem onde estão, no blogue e na oposição. Divirtam-se!

21 de Maio de 2008 20:21