segunda-feira, 5 de maio de 2008

Nova crise política em Timor

O partido de Francisco Xavier do Amaral, ASDT, assinou uma "plataforma política" com a Fretilin com vista às próximas eleições legislativas.

Segundo consta, Xavier do Amaral mudou de aliado político por discordar de Xanana Gusmão em manter os dois ministros da ASDT, apesar de estes dois terem perdido a confiança política do seu partido.

Com esta crise saída do seio da AMP, o presidente timorense Ramos Horta poderá ter encontrado um motivo político capaz de suscitar a convocação de eleições antecipadas.

domingo, 4 de maio de 2008

Feliz Dia de Mãe a todas as mães da minha família.

Hoje é Dia da Mãe

À minha mãe que nos criou e educou , OBRIGADO.

À minha tia que ajudou a nossa mãe a criar e educar-nos, OBRIGADO.

ÀS minhas irmãs mais velhas que se sacrificaram por nós para que não nos faltassem nada, OBRIGADO.

À minha esposa que me deu uma filha linda, OBRIGADO.

E PARABÉNS a todas as mães deste mundo.

sábado, 3 de maio de 2008

A justiça do Timor do antanho

Timor-Leste: confraternização de captores e cativos

À uma primeira leitura parece aos nossos olhos ocidentais como bizarro uns cativos serem recebidos pelos seus captores com braços abertos, como se de um filho pródigo se se tratasse e não de alguém que andava fugido à justiça por um crime que colocou em risco a soberania do seu país. Gesto que suscitou acesas e compreensíveis críticas por parte dos não timorenses, por um lado, por desconhecer a alma timorense, por outro, porque semelhante gesto de magnanimidade não ser usual nos países ditos desenvolvidos.

Estou a referir-me às recepções dadas no Palácio do Governo aos homens de Alfredo Reinado e Gastão Salsinha, autores dos atentados de 11 de Fevereiro contra o presidente timorense José Ramos Horta e o primeiro-ministro Xanana Gusmão, nas suas sucessivas rendições de dois, três ou quatro rebeldes de cada vez, que culminou com a rendição do próprio Salsinha a 25 de Abril.

O cúmulo desse gesto magnânimo dos vencedores das forças de defesa e polícia timorenses é a festa rija de confraternização regada à cerveja e com muita música e karaoke (e que só faltaram umas meninas para que o ramalhete fosse mais bem composto) com Salsinha e catorze dos seus últimos homens, na terça-feira passada à noite, no Bairro de Farol, Díli, a duzentos metros da residência do antigo primeiro-ministro Mari Alkatiri, que se queixou na manhã seguinte do barulho da música aos jornalistas.

Eu próprio estranhei muito este gesto de receber os inimigos de ontem, rendidos e desarmados, de braços abertos, nas montanhas e em Díli, no Palácio do Governo, por parte de soldados que antes os perseguiam. A minha curiosidade foi tanta que inquiri alguns timorenses sobre este facto e arranquei esta simples explicação: é o funcionamento da justiça timorense nativa do tempo dos seus avós.

Antes de a administração colonial portuguesa se estender por todo o território timorense, que só ocorreu nos princípios do século vinte, não havia cadeia nem prisões para quem cometesse algum crime, desde os mais hediondos até o mais pequeno delito. Assim, em caso de assassínio o criminoso depois de julgado pelos anciãos do clã ou é sentenciado com a pena capital (e passado a fio de espada) ou adoptado pela família do assassinado (ficando a trabalhar até à morte para esta família como indemnização). E relativamente aos crimes menores a pena era quase invariavelmente um pagamento de indemnização em búfalos, cavalos, cabritos, porcos, espadas, panos ou colares à família ofendida. E em caso de guerra os guerreiros vencidos cativos eram reduzidos a escravatura e ficavam a trabalhar para o clã vencedor toda a vida, sendo essa condição escrava estender-se para todo o sempre a todos os seus descendentes.

Por isso, os gestos acima referidos tão criticados pelos não timorenses, que se orientam pela noção de justiça mais moderna, têm a sua explicação na justiça nativa original timorense. É uma reminiscência da administração da justiça do passado longínquo timorense.


sexta-feira, 2 de maio de 2008

Timor nas páginas do meu diário 3

0:28 29-03-1999

Xanana foi entrevistado pela SIC a partir de Lisboa com som e imagem em tempo real; falou da necessidade de a Comunidade Internacional / ONU enviar uma força de interposição a Timor para manter a paz e conter as milícias armadas pelos militares indonésios, pois, acrescentou que a Resistência pode ficar farto de assistir passivamente aos desmandos das referidas milícias sobre a população civil indefesa e não poder resistir indefinidamente às suas provocações e reagir; pois, é esse o objectivo que os indonésios pretendem atingir para legitimar a sua permanência no território, alegando que com a sua saída os timorenses voltariam a matar-se.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Acordo Ortográfico: as razões de Vasco Graça Moura

Acordo Ortográfico: Vasco Graça Moura afirma que "é um acto cívico batermo-nos contra"

Lisboa, 03 Abr (Lusa) - O escritor Vasco Graça Moura disse hoje que "é um acto cívico batermo-nos contra o Acordo Ortográfico", que qualificou de "inconstitucional".

O escritor e eurodeputado, que falava na Livraria Byblos em Lisboa a convite da Associação Portuguesa de Editores (APEL) e Livreiros e da União de Editores Portugueses (UEP), disse que "o acordo não leva a unidade nenhuma" e antes de qualquer ratificação havia que chegar a um vocabulário técnico-científico comum.

Graça Moura disse que ratificar este Acordo era inconstitucional pois "não se pode aplicar na ordem interna um instrumento que não está aceite internacionalmente" e nem assegura "a defesa da língua como património, como prevê a Constituição nos artigos 9º e 68º".

Vasco Graça Moura considerou o Governo "irresponsável", acusando-o de agir apressadamente" e de ter mentido ao afirmar que consultou a Associação Portuguesa de Escritores e Livreiros (que não existe), e mesmo querendo referir-se à APEL - disse - não o fez.

"O Governo não consultou nem a APEL nem a UEP, por isso está a mentir", acrescentou.

Por outro lado, o autor de "Sonetos familiares" afirmou que "se quer impor o Acordo de qualquer maneira, pela lei do mais forte", tendo afirmado que "somos condóminos da língua" e "não podemos ver-nos como 10 milhões contra 200 milhões, nós somos pelo menos 40 milhões, e diferenças são inevitáveis".

Graça Moura, que ao longo da palestra citou vários linguistas e historiadores da Cultura, afirmou que "para este Acordo não foi tida em conta as pronúncias africanas".

Segundo enfatizou, no caso do Acordo há duas Academias, a brasileira e a portuguesa, a dialogar entre si, enquanto do lado africano são representantes dos respectivos Governos, "para não falar do simbolismo de Goa e Macau".

No caso dos países africanos, disse, "a língua portuguesa é um caso de identidade nacional, num território onde proliferam outras línguas, para não referir da fragilidade da alfabetização do português nesses países".

Por outro lado, acrescentou, o Governo nem consultou pareceres anteriores, nomeadamente os das direcções dos ensinos básico e secundário que em 1986 "manifestaram-se contra o Acordo".

O escritor lembrou ainda que nessa altura "houve uma forte contestação de toda a sociedade ao Acordo que é o mesmo que agora querem ratificar".

Graça Moura criticou ainda "o silêncio, no matéria tão crucial como esta, a que se remeteu a actual ministra da Educação", Maria de Lurdes Rodrigues.

Entre a audiência estava a ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima, que lembrou "que o Governo herdou uma situação, nomeadamente o facto de o executivo anterior ter assinado, em 2004, o Segundo Protocolo Modificativo que previa a entrada em vigor do Acordo caso três países, o ratificassem o que veio a acontecer em 2007.

"O actual Governo ficou com uma criança nos braços que se começa a mexer quando em 2007 Cabo Verde ratifica o acordo", disse a actual deputada do PS. (Brasil e São Tomé e Principe foram os outros países que já ratificaram o acordo).

Pires Lima afirmou que não acredita em pressões económicas, nomeadamente portuguesas, para a ratificação do Acordo e lembrou que a sua adopção "também não foi assim tão pacífica no Brasil".

A ex-ministra, reputada especialista na obra literária de Eça de Queiroz, disse que não tem "nem muito nem pouco entusiasmo pelo Acordo", mas também não participa "nas cruzadas pró ou contra".

Isabel Pires de Lima que afirmou fazer uma "leitura idêntica" à de Graça Moura e concordou com o conferencista quanto "ao perigo que representa se um país ou dois, ou três, colocarem em prática o acordo".

"Há o perigo de criar uma fractura caso um país ou um pequeno grupo coloque em prática o Acordo", disse Graça Moura.

Zita Seabra, deputada do PSD e editora, falou da sua experiência, nomeadamente a compra em conjunto por editores portugueses e brasileiros dos direitos de obra.

"Combinámos que nós fazíamos a tradução e eles a revisão e numa outra obra trocávamos, mas tivemos de desistir pois ficava mais caro e era mais complicado rever a partir da tradução do que directamente da língua original", disse a responsável pela Alêtheia.

Os editores que intervieram no debate foram todos contra a ratificação do Acordo.

RTP Online

Festa conjunta no Comando Conjunto

Timor-Leste: Cerveja e "karaoke" para Salsinha no comando conjunto

Díli, 01 Mai (Lusa) - A rendição de Gastão Salsinha foi celebrada terça-feira à noite, no comando conjunto em Díli, Timor-Leste, com uma festa que juntou os captores e os capturados da operação "Halibur" em torno de muita cerveja e muita música.

O ex-tenente Gastão Salsinha, principal arguido no processo em curso sobre os ataques ao Presidente da República e ao primeiro-ministro, jantou terça-feira no comando conjunto, no Bairro do Farol, numa mesa de oficiais da operação "Halibur".

Salsinha e os seus homens estiveram na festa até cerca das 22:30 (hora local), afirmaram à agência Lusa vários participantes do convívio.

"Houve muita cerveja, muita música e karaoke", afirmou um elemento das forças que, durante quase três meses, perseguiram os fugitivos do 11 de Fevereiro pelos distritos ocidentais do país.

"Divertiram-se todos", resumiu à Lusa o comandante da "Halibur", tenente-coronel Filomeno Paixão.

Durante o jantar com oficiais do comando conjunto, militares e polícias timorenses confraternizaram e abraçaram os 13 fugitivos.

No exterior do salão de conferências onde funciona o comando da "Halibur", houve música até tarde, com elementos das forças de segurança cantando em "karaoke" e dançando.

"A festa podia ouvir-se em minha casa", afirmou à Lusa o ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin.

Mari Alkatiri vive a cerca de duzentos metros do comando conjunto da "Halibur".

Gastão Salsinha foi entregue às autoridades judiciais no dia seguinte, quarta-feira, para o primeiro interrogatório no âmbito do processo relativo aos ataques de 11 de Fevereiro.

Salsinha e cinco elementos do seu grupo estão desde hoje em prisão preventiva.

PRM

RTP Online, 1-05-2008